Valério Mesquita* - E-mail: mesquita.valerio@gmail.com
01) Em 1963, a safra de candidatos para prefeito e vereador de Bom Jesus era toda de analfabetos. Pimenta foi logo chamado para ministrar curso de oratória a todos, inclusive ao próprio Lelinho. Nos comícios Pimenta era o soprador oficial e ventríloquo. Certa noite, tomou a decisão de escalar para discursar a raia miúda, isto é, os candidatos dos sítios. E logo foi chamado o famoso Chico Tempero. "Você tá doido, Pimenta?", protestou Lelinho. Pimenta encheu Chico Tempero de "cana", escalando-o pra falar. Chico começou assim o seu temperado discurso: "Num "tô" nem aí pra votar em Vicento Terto, "pruquê" eu tenho tesão "mermo" é em Lelinho!!".
02) Uma história de gemido. Contou-me Agnelo Alves, o nosso Neco, que Alcebíades que não é o de Santana do Matos, era um boêmio incorrigível. Nos porres homéricos, chegava em casa de madrugada e iniciava uma sessão de gemidos histriônicos provocados pelo quase estado de coma-etílica. As irmãs seriamente afetadas e preocupadas, impuseram um armistício a Alcebíades: "ou para com a bebedeira e os gemidos ou não dorme mais em casa". Solteiro, dependente das manas indulgentes, aceitou as cláusulas impostas. Mas, estava escrito que, pelos descaminhos do mundo, o boêmio é um ser terrivelmente frágil. Numa alta madrugada, Alcebíades traiu-se e "cheio de mé", soltou uns longos gemidos seguidos de uma frase pungente: "Ninguém pode mais nem gemer nessa casa, ai, ai, ai, ai, ai...". A partir daí, igual a Maisa Matarazzo, o seu mundo caiu.
03) Contou-nos Fernando Caldas, duas tiradas de espírito tipicamente assuense. Oscar Fernandes, conhecido como Oscazinho, é comerciante no ramo de parafuso. Certo dia, foi visitado por um viajante. Conversa vai, conversa vem, perguntou-lhe o vendedor: "Seu Oscar, o senhor tem irmãos em Natal que se chamam Oscarnilson, Oscairton, Oscarnóbio e Oscarina?". "Tenho sim". O viajante mais curioso ainda fez-lhe nova pergunta: "E o seu nome completo, como é?". Irritado, respondeu: "Oscaralho!!!".
04) O poeta Sanderson Negreiros contou-me essa. Newton Navarro sonhava com uma viagem a Paris. Passou muito tempo economizando. Finalmente, um ano depois, conseguiu. Iria passar dois ou três meses na Cidade Luz. Viajou. Em menos de um mês Navarro abreviou o retorno. Saudade e liseu. Apavorado, sem apoio e sem ninguém foi para o aeroporto de Orly. Mas, estava escrito que estrela de poeta não se apaga, assim facilmente. E lá se encontrou com o conterrâneo deputado Djalma Marinho. "Djalma, que sorte a minha, me socorra. Preciso voltar urgente para Natal!!". Sem precisar conter o susto por ver Newton ali, Djalma, displicente todo, foi logo respondendo: "Não posso fazer nada. Perdi passaporte, carteira, talão de cheque, tudo!!". Esse, sim, era poeta mesmo. E que dupla?
05) Avelino Matias, o famoso "Meu Pai", ex-prefeito de Brejinho foi uma das melhores expressões do folclore político do Rio Grande do Norte. Certa vez, tendo chegado atrasado a Macaíba onde se encontraria com o governador, Avelino foi aconselhado pelo então prefeito Luizinho a almoçar no restaurante Carne e Queijo. Fez-se aquela festa, muita conversa, efusivos cumprimentos "Como vai Meu Pai", "Como vai Minha Mãe, etc.", chega o garçom e se dirige a ele: "Vou trazer o cardápio pro senhor". "Meu filho eu não como cardápio, eu como é carne, galinha, feijão".
(*) Escritor.
SEBASTIÃO CARNEIRO
Já falei numa de minhas anotações malucas sobre a impunidade do ato de escrever. A referência não é minha. Li-a não me recordo em qual veículo. A ação de escrever, entendam bem. É dela, da ação, a dispensa do castigo. A punição virá, não tenham dúvida. Um pouquinho mais tarde, mas virá, sim. Não ter seu escrito soletrado, essa sem dúvida, é a penalidade maior para o escrevinhador, gente.
Bom, devo pedir socorro a vocês. Vocês, no caso, o meu quinteto de leitores. Cinco, sim senhor. Já tive oito, porém a anemia de minhas prosas terminou afastando três. O socorro, gente, é alguém sentir pena de mim e me internar no João Machado. Vejam se a internação não tem sentido. Só tenho cinco leitores, mas, mesmo assim, continuo rascunhando bobagens. Isso é ou não é retrato de abilolado?
Você, Eloíza, pode até pensar assim: Tião nunca vai passar de cinco leitores. O homem não se esforça a fim de escrever melhor? Tião é muito é do acomodado. O estilo dele é embaçado, caolho e coisa e tal. Daí ele ter contaminado de miopia os olhos daqueles três.
Não é verdade, Eloíza. Dou um duro dos diabos pra ver se melhoro a escrita. Vou lhe dar uma amostra dessa boa vontade. Descobri um escritor de verdade, arretado pra burro, um tal de Rubens G. O bicho escreve no Jornal Metropolitano. Dá gosto ler as belezuras do danado. Ele não só escreve, como descreve. Não só filosofa, como disfilosofa. Leio, e muito, François, Nei, Adauto, e por aí vai. Sou viciado na leitura da patota do Substantivo Plural. Leio feito um carneiro doido (carneiro lê, sim), mas não saio do canto.
Sabe a minha última babaquice, Janice? Ser poeta, menina. Vou escrever poemas. Quer imbecilidade maior? Se o alesado já é ruim de prosa, imagine de poesia? Isso é segredo, amiga velha, mas alimento a doideira já faz um tempão. Estou lendo adoidado a Marize Castro, a Nina Rizzi e a Carmen Vasconcelos. Essas três mandam bem nas palavras. E as palavras obedecem, acredite. Mas a leitura não é aquela assim, assim, como se diz, insossa, não. É leitura com ardor, acompanhada do delicioso sal poético entranhando de prazer a alma da gente. É leitura com o frescor de temperos verbais fazendo sangrar de gozo a caixa de nossos sentimentos.
Mas a verdade é dura. Nada dessas atitudes, Danielle, está atenuando a burrice deste desastrado. A prosa teima em soltar o consolo, o estilo não se desprega da chupeta, e a imaginação já ficou de bico torto de tanto bicar o bico. Quando o ameninado aqui vai se livrar dessas criancices literárias, Marta, só Deus sabe.
Querem uma prova da infantilidade? Estou me dando conta, e espero o devido perdão, de franciscana carência estilística. Falta um negocinho pra lá de comum, uma liguinha morfológica, digamos, neste esboço de escrito. Todos os textos o usam, mas a obtusa mente deste acriançado o aboliu. Já tinha percebido, Mônica, o aborto sintático? Não vejam afetação nisso, por favor. Entendam como comportamento de um impostor literário e percebam na brincadeira o último suspiro de alguém louco, não digo pra adquirir, mas ao menos não perder um daqueles cinco leitores.
Vamos fazer um trato? Se não descobrir de qual idiotice estou me reportando, você deverá me ler mais algumas vezes. Outras prosas, quero dizer. Do contrário, deverá me por na lixeira e me mandar praquele canto. Dou-lhe 2 minutos. Fechado? Então? Escrever é ou não é um ato impune?
Até mais. Ou seria até mais nunca?
Valério Mesquita* - E-mail: mesquita.valerio@gmail.com
01) Encontrei certa vez, o saudoso Danilo Bessa no verão de Graçandu a beira-mar, tido e havido como o maior pescador e contador de estórias da região. Recém-chegado da Europa, colocou-me em dia com alguns causos. O primeiro foi o aviso que viu no aeroporto de Lisboa no avião da TAP: "Apertar os cintos quando estiver sentado". E em pé?
02) Viajar para conhecer um país ou uma cidade tem que ser de relativa duração. Sobre o assunto um grupo discutia uma agenda de viagens com o médico Ivis Bezerra na residência de um amigo comum, alcunhado de "o filósofo da Mor-Gouveia", pelas frases lapidares que profere. Lá pras tantas ouviu-se do filósofo essa sentença irrecorrível: "Para se conhecer bem uma cidade do exterior tem que se comer e se cagar nela".
03) Mas turistas existem para todos os gostos. Conta-se que o major Theodorico Bezerra, grande viajor dos cinco continentes, quando retornou da Europa após percorrê-la inteirinha, ofereceu a um jornalista que o entrevistava, a seguinte impressão de viagem, com aquele sotaque inconfundível: "Estive na Inglaterra no palácio da rainha e vi aqueles soldados com os seus cavalos bonitos e a coisa que mais me impressionou foi quando alisei o focinho do animal, todo lisinho...".
04) Danilo Bessa, fiel bebedor de vinho, se esbaldou na viagem. Mas no aeroporto de Lisboa, esperando o avião, não se conteve e pediu quatro dólares do "velho liquido". O balconista português explicou que não recebia dólares, mas, só escudos. E sugeriu-lhe trocá-los na casa de câmbio, ali perto. Sedento, Danilo pediu quatro dólares de escudos. O português com aquele sotaque de quem está dizendo a coisa mais séria do mundo, desculpou-se, pedagogicamente: "Ora, ora, pois, pois, se trocar os quatro dólares o senhor nada receberá pois é exatamente o valor da taxa do governo. Darei o recibo e mais nada". Negócio típico de português. A abstinência de Bessa durou somente até o avião.
05) O major Ademar Cirilo, falecido há pouco tempo, norte-riograndense de Ouro Branco, era uma figura humana das melhores. No início dos anos sessenta, como ordenança do general Muricy, foi enviado ao Rio para fazer o curso da Escola Superior. Foi quando conheceu João Goulart, então vice-presidente da república. A sua cultura impressionou Jango e daí nasceu uma grande amizade. No final do curso, interpelado pelo vice-presidente qual seria o grande sonho de sua vida, o major Cirilo foi honesto ao dizer que gostaria de se eleger deputado federal pelo seu estado. Jango pediu para que ingressasse no PTB e começasse o trabalho de arregimentação. Passado algum tempo, o ex-presidente cobrou o sonho político ao amigo. Cirilo pretextou que não poderia ingressar em outro partido que não fosse o de Dinarte (UDN). Mas, Jango estava decidido a ajudá-lo e respondeu que isso não importava. Deu-lhe três viaturas e dinheiro. Em 1962, Ademar Cirilo andou perto de se eleger, ficando na segunda suplência. Mas, foi após a Revolução de 1964, que um fato marcante revelou toda a dignidade de Ademar Cirilo. Dedurado, juntamente com outros, como um dos oficiais simpatizantes do governo deposto, Ademar passou por uma constrangedora situação. Na fase inicial e aguda da caça às bruxas, o general Muricy tratou logo de limpar a "Caserna". Formou os suspeitos diante de si e mandou dá um passo a frente quem discordava do movimento. Ademar Cirilo foi o primeiro e único. Mais tarde, revelou a Muricy, que lhe nutria admiração, as razões do seu gesto. Foi entendido pelo seu superior mas punido pela Revolução que lhe cassou os direitos políticos, posteriormente.
(*) Escritor.
Valério Mesquita* - E-mail: mesquita.valerio@gmail.com
01) O causídico Uziel, em Assu, quando sentava à mesa de cervejadas, esquecia o resto do mundo. Com um vozeirão de fazer inveja a Cid Moreira, Uziel era poeta, e gostava de declamar poemas de Castro Alves, Augusto dos Anjos, etc. De uma feita, saindo de casa na sexta-feira à noite, a esposa só foi vê-lo no sábado à tarde, numa roda boêmios. A senhora parou o carro e, descendo escorou-se na porta. Uziel vendo a cena, dirigiu-se a mulher e explicou-se: "Minha filha, vá pra casa. Seu esposo é assim mesmo. Eu sou o Incitatus!". E entonando mais a voz de locutor: "Eu sou um cavalo alado!". A esposa com muita presença de espírito, respondeu ali mesmo: "E eu sou sua égua de sustentação". Dito isso, foi embora e o boêmio voltou novamente, apesar de não muito contente.
02) O eterno vereador das Rocas, o saudoso Caubi Barroca, jamais tirava o velho paletó, e não perdia a chance de lançar galanteios para as mulheres. Na época do "vestido saco", duas moças passaram rebolando. Caubi não se conteve: "Balança minha filha. É assim que eu gosto!". Uma das jovens olhou de lado e ironizou: "Te manca coroa. Esse balanço não é pra você". Caubi rebateu de pronto: "Tem nada não. Um dia isso tudo vai ficar mole sacolejando! Aí vou estar aqui esperando sua volta, tá legal?".
03) Recentemente, um repórter perguntou ao governador Geraldo Melo sobre a atual crise na área açucareira do Vale do Ceará-Mirim. O inesquecível homem do tamborete foi enfático na resposta: "Meu filho, na crise, ou você amadurece ou apodrece. Eu amadureci um pouco mais". Dedução: em qual situação GM não é sábio?
04) Miguel Mossoró, sonhando com um mandato, recomeçou com as idéias mirabolantes. Em conversa com lideranças de Salgada, Miguel apresentou-se: "Aqui está o homem que irá adoçar a vida do povo de Lagoa Salgada! Irei começar adoçando toda água daquela lagoa em frente a prefeitura. Ali será grande atração turística. Pode confiar!". João Oliveira, liderança no município, irritado comentou com os circunstantes: "Geraldo Melo quando tinha mel, açúcar e cana, disse coisa parecida a todos nós. Agora, chega esse maluco que não tem nem o bagaço da cana, com promessa furada e conversa mole".
05) O deputado Carlos Augusto Rosado, buscava apoio para sua reeleição em Mossoró. Encontrando Pitéu, dono da torrefação "Café Kimimo", sorridente, dirigiu-lhe a palavra: "Meu velho amigo, conto com o seu apoio". Pitéu abrindo os braços, assim se expressou: "Deputado, tô com o senhor e não abro nem pro trem! Agora, se eu não arranjar um negócio aí, eu abro já!". O deputado riu com a franqueza do oestano, e perguntou: "Qual é o problema Pitéu?". O velho passou a ficha: "Tenho aqui oitenta e cinco pais de famílias. Meus votos são prá você. Mas eu tô precisando de um poço na minha granja. Topa?". "Mas aquelas terras são muito tórridas", atenuou o parlamentar. "Não sei se dará água por ali". "Ora, deputado", falou Pitéu. "Com as máquinas do governo, e eu sei que o senhor manda, é só cavar "até bater no côco dos japoneses" que a água jorra". Carlos Augusto retirou-se rindo. Com sessenta dias o poço estava pronto. Côco furado, água jorrada.
(*) Escritor.
SEBASTIÃO CARNEIRO
Estou preocupado, gente. Acho que estou ficando lelé da cuca. Coisas estranhas estão me acontecendo numa espantosa velocidade. Hoje à tarde, sábado, vejam vocês, eu estava esparramado na minha tipóia favorita, na área, quando 2 bem-te-vis passaram pelas brechas do portão interno da casa e gritaram no meu pé de ouvido: TEVI!!!, TEVI!!!
Caramba! Esses dois andaram bicando o livro "A Senhora 2 e o Senhor 2", do tal de Tião Carneiro. Só pode ter ser isso. Ouvi dizer que esse cara deu uma de escrevinhador e alucinou na prosa um bem-te-vi morando na pousada da Cecília Meireles. Será que por eu ter o mesmo nome do impostor das letras, os bichinhos me confundiram e vieram me agradecer pela homenagem?
Nem bem havia me livrado do susto, então meu gatinho branco, o chane, deu-me carinhosa unhada, seguido de um miau, que a mim, juro por tudo que não é sagrado, chegou com o som de Skol. Não me fiz de rogado, apanhei uma latinha do sugestivo miado e comecei a refrescante operação. Emborquei 4 goladas aí peguei no sono. Ou o Morfeu me pegou, já não tenho certeza. Sono brabo, amigos. Deu até pra sonhar!
Sonhei, galera, que chegava um aloprado com cerca de dois metros de altura, mais magro do que um "I", mas de barriga mais cheia do que um "G". A pança do infeliz, colegas, transportava umas duas carretas de lombrigas. Calçava sandálias de rabicho, usava calças largonas, camisa de toalha de mesa do tempo de vovó, daquelas quadriculadas, e trazia na boca um pequenino bubu. Pense numa criatura esquisita! Pensou? Agora multiplique por mil! O espantalho me deu boa-tarde. Aí tive a certeza de que o esquisitão chegara do além. O lombriguento tinha a voz do horror, o sotaque do pavor, modulados na mesa de som da dor.
"Sou astrólogo", disse ele. "Grave logo a previsão da próxima semana que estou apressado. Vou começar pelo seu signo." Então o tantã mandou brasa:
* Touro - tenha cuidado com as brincadeiras. Qualquer fiapo de prosa que disser ou escrever pode se voltar contra você. Você vai morrer com as próprias mãos, num dia de feira. De dia ou de noite, isso ainda está sendo planejado.
* Áries - Semana extremamente feliz para quem trabalha com processos. E para quem não trabalha também. Você sentirá uma irresistível vontade de ler um livro que tenha 2 no título.
* Peixes - Se você mora no meio rural, não perca a esperança. Mas se reside na cidade, é bom ter a esperança de que não vai ser assaltado. Veja o que diz a página 522 de certo livro de capa preta.
* Aquário - Busque a poesia das estrelas. Amor em alta. Desconforto em baixa. Entre altos e baixos, siga os conselhos da página 133 do romance escrito por um tal Carneiro.
* Capricórnio - Uma pessoa vai lhe pedir um dinheiro emprestado. Não o desaponte, mesmo sabendo que vai levar um calote. É por importante causa. Esse coitado quer comprar um livro de coração na capa.
* Sagitário - Esta semana você vai se apaixonar por alguém. Mas o alguém só corresponderá essa paixão se você presenteá-lo com os mimos da página 228 do livro do signo de peixes. Quer dizer, do livro que o cara, ou a menina, do signo de peixes comprou.
* Escorpião - Ótima semana para namorar e fazer compras. Naturalmente que não ao mesmo tempo, a depender da ardência do namoro. Aconselha-se que vá a uma livraria e compre um tijolão com dois 2 à vista. À vista, tá? Na capa, entendeu? Você pode usar o cartão de crédito.
* Libra - Divida bem o tempo, multiplique a emoção, some o prazer e diminua o estresse. Saiba calibrar as coisas. Não faça como fez certo personagem no início da página 437 do tijolão que o rabo-torto do escorpião comprou.
* Virgem - Você terá grandes noites nesta semana. Noites de afetos sólidos e tórridos, se é que você está entendendo. Entender isso é primordial para se beneficiar das benesses astrais. Principalmente se for a primeira vez que se depara com um enigma. Recomenda-se, nesse caso, a leitura das páginas 17 e 18 do livro de capa no coração. Digo, de coração na capa.
* Leão - Livre-se do medo que limita sua felicidade. Baratas e outros bichos não existem pra causar medo a ninguém. Use a mente, como instruído às página 37 a 39 do romance que a virgem está lendo, que seu temor vai tomar doril e sumir.
* Câncer - Desafio é a palavra de que você mais gosta. Mas palavras não significam ação, como agora você está confundindo. Esta semana é propícia para você se curar dessa tormenta, desde que procure a sapiência. Sugiro dar uma olhadela na página 35 do livro que acabou com a covardia dos nativos de leão.
* Gêmeos - Dê vazão à curiosidade. Viaja, conheça outros países. Caso esteja liso, mas não muito, compre livros. Há livros que leva você a deslumbrantes cenários. Que tal conhecer os cenários descritos no tijolão de capa preta que tem 2 no título e um coração na capa feito um par de gansos, cujo nome é "A Senhora 2 e o Senhor 2"?
Nisso, pessoal, o adivinhão se transforma numa linda mulher. Pense numa mulher linda. Já pensou? Então multiplique por 1000! Agora, choque grande, turma, foi quando a doçura falou assim: "Oi, você tá legal, Tião?".
Foi a bonitona falar pra eu ter a certeza de que a belezura viera de outro mundo. A deusa tinha a voz da sensualidade, o sotaque da libido, amplificados no áudio da luxúria.
Como é o seu nome, perguntei, mais ancho do que pinto em beira de cerca.
A encarnação da volúpia deu uma gargalhada e respondeu:
"Sou a Glorinha, Tião. Você me encontra na página 348 e 349 do livro da capa preta. Vá lá pra gente bater um papo íntimo?".
Acordei, pessoal, tremendo que só vara verde e, certo que estava tirando um fino na loucura e passado de raspão no delírio, rascunhei o horóscopo do lunático e me mandei pra Poty Livros, a procura do sonhado livro. Ou do livro de meu sonho.
Que tenham vocês uma semana pra lá de supimpa, de muitos sonhos e de literárias compras.