Ano XIII | Edição 757 | 27 de Junho de 2017

ARTIGOS

07 de Agosto de 2015

Reação do Congresso à Lava-Jato

Pedro Cardoso da Costa


Interlagos/SP - Bacharel em direito

pedcardosodacosta@refletindoobrasil.com.br

 


 

Se tivessem dez lava-jatos em vez de uma, o Brasil sofreria uma transformação significativa. Se "Sérgios Moros" fossem regras e não exceções, não haveria tanta corrupção. Mas a sociedade brasileira tem de se contentar com essas exceções, que geralmente saem de cena por conta da pressão que sofrem da estrutura apodrecida de governo e até de Estado.

Depois de Joaquim Barbosa, à frente do Mensalão, ter conseguido mostrar que a lei alcança a todos, a Lava-Jato vem fazendo estrago e assustando muita gente grande, haja vista a corrida por "habeas corpus" preventivos. Apesar de séculos de Judiciário, isso só ocorreu com a firme atuação do ministro, seguido por alguns, com algumas vaciladas de outros colegas.

Joaquim Barbosa demarcou a separação de um Brasil da impunidade daquele em que a justiça funcionou, um país em que o Poder Judiciário existe de fato. Sérgio Moro ajudará a desfazer a percepção de que alguns estão acima da lei.

Foi o que ocorreu com a apreensão dos bens do senador - senador! - Fernando Collor de Mello e de outros. O Congresso reagiu de forma veemente à ação da Polícia Federal, a verdadeira FBI brasileira.

Toda a imprensa deu destaque à força da reação, mas nenhum veículo mencionou ou contrastou se os argumentos tinham consistência ou sustentação jurídica. Trata-se de puro desespero.

O presidente do Senado, reincidente em situações complicadas, como o passeio de avião oficial em casamento de amigos, ameaçou processar os agentes federais, sob a alegação de que a busca e apreensão de bens de um senador precisariam ser acompanhadas pela Polícia Legislativa. Ora, eles cumpriram uma ordem do Supremo Tribunal Federal, o órgão responsável pelo mandado.

Caso a previsão de acompanhamento esteja em Regimento Interno ou outra norma infraconstitucional nem se discute que a ordem do Supremo está acima e dispensa obediência a regras subalternas. Se essa previsão também for constitucional, aí poderia haver dúvida, que seria resolvida com a decisão de qual interesse prevalece, se o dos bens de alguns senadores, com indícios de aquisição com dinheiro público ou o ressarcimento desse valor aos legítimos donos.

Resumindo: só no Brasil se coloca em discussão a prevalência de interesse entre três senadores em razão de filigranas procedimentais ou o de duzentos milhões de cidadãos.

Essa gente não se dá conta de que o fato de a popularidade da presidenta está na lona não coloca as casas legislativas em céu de brigadeiro.

E para não dizer que não falei das flores: que negócio estranho esse encontro, lá em Portugal, entre a presidenta da República e o presidente do Poder Judiciário. E ainda têm uns caras-de-pau tentando explicar o que não tem explicação. Pobre ética pública! 

24 de Julho de 2015

Moeda de ouro

Luiz Gonzaga Bertelli 


Presidente do Conselho de Administração do Centro 

de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia 

Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.

 

 


A punição a menores infratores domina os debates nos últimos dias na mídia, nas redes sociais e nas conversas de botequim. As discussões em torno da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos inflamam-se e ganham repercussões na opinião pública na medida em que cresce a participação dos jovens na criminalidade. Segundo o Datafolha, 87% da população é favorável à redução da idade penal. O que fica claro, em torno dessa celeuma, é que se deve ampliar o foco das discussões para a origem do problema. Entre as soluções prioritárias, encontra-se a urgência em potencializar a educação de qualidade para os jovens.

Uma proposta viável é aumentar o acesso dos estudantes às escolas de tempo integral. Com ocupação o dia inteiro, longe das ruas e das más influências, os jovens distanciam-se do mundo das drogas e das atividades ilícitas. Ganham uma melhor formação, o que aumenta a capacidade de força de trabalho e diminui, sensivelmente, os números da geração nem-nem – a população juvenil que nem trabalha nem estuda e, geralmente, nem procura emprego. Para que o remédio funcione a contento, é necessária ainda uma reforma estrutural no ensino médio, principalmente nas questões curriculares, incluindo matérias com forte apelo para a formação do jovem ao mercado de trabalho.

Não é só o poder público, mas a sociedade como um todo deve se engajar nessa causa. As empresas que abrem suas portas para os jovens contribuem para a diminuição da criminalidade. Seja abrindo oportunidades de emprego, estágio ou aprendizagem, estará permitindo a possibilidade de uma vida melhor para a família desses jovens que entram no mercado de trabalho sonhando com um futuro promissor.

Somente com educação de qualidade, e, consequentemente, com a diminuição das desigualdades sociais é que poderemos sonhar com a diminuição das estatísticas de criminalidade. Como dizia o sábio Padre Antonio Vieira, a boa educação é moeda de ouro; em toda a parte tem valor. 

10 de Julho de 2015

Educação e cidadania

A educação é o pilar de sustentação mais importante de uma sociedade. Uma população educada contribui para o crescimento de uma nação, tanto do ponto de vista social quanto econômico. Quanto mais as pessoas estudarem, mais oportunidades encontrarão no mercado de trabalho. Quem possui pós-graduação tem 422% mais chances de obter emprego do que uma pessoa sem alfabetização, segundo pesquisa FGV/Instituto Votorantim. Com o fantasma do analfabetismo ainda rondando uma grande parcela dos adultos no Brasil –segundo o último censo de 2010, 9% da população acima de 10 anos são iletrados, o que chega a quase 15 milhões de pessoas – , o CIEE desenvolveu um programa gratuito de alfabetização e suplência para jovens e adultos com o objetivo de interferir nas estatísticas e criar uma opção para que essa parcela da população possa voltar a estudar e criar expectativas melhores do ponto de vista pessoal, social e profissional.

Desde 1997, quando o CIEE implantou o programa, mais de 57 mil jovens e adultos participaram ativamente das aulas. A oportunidade traz ainda uma outra faceta: a chance de  formação prática de estagiários de pedagogia e das carreiras de licenciatura e magistério como professores. Na quinta-feira passada, 130 alunos receberam certificados de conclusão do curso, durante solenidade no Teatro CIEE. As histórias de vida emocionantes em meio à esperança de uma vida melhor reforçam o caráter social das ações do CIEE, que traz o objetivo de fortalecer o caráter multiplicador desses bons exemplos de responsabilidade social. As 24 organizações que apoiam o programa também foram homenageadas na cerimônia. A série de ações assistenciais do CIEE conta, ainda, com cursos de capacitação gratuitos para jovens, inclusão profissional de pessoas com deficiência, aulas de português para imigrantes, oficinas de empregabilidade para detentos e moradores de rua, orientação jurídica gratuita, entre outros.

Ler, escrever e compreender o mundo em que se vive ajuda a superar a perversa desigualdade social, fator que alimenta os índices crescentes de violência. A educação ajuda a vencer a barreira da ignorância e traz condições para os indivíduos exercerem plenamente a cidadania.

 

Luiz Gonzaga Bertelli

Presidente do Conselho de Administração do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp 

19 de Junho de 2015

O TEMPO DAS COISAS É O TEMPO DAS COISAS

Ao longo de nossa passagem pela materialidade ao tempo em que existimos, vamos gostando de coisas e mais coisas e, depois, valorizando mais outras e, abandonando algumas, ou até mesmo deixando no cantinho para que não morram e possam voltar – ou não, em novos tempos ou em momentos a posteriori.

E nesse gostar e odiar coisas e mais coisas, o tempo dessas coisas é o tempo dessas coisas, sem que aparentemente possamos conscientemente dizer por quais e tais motivos as coisas são importantes em alguns momentos e, em outros, são meras lembranças. A vida é assim e nenhuma filosofia mais complexa e profunda tira da transitoriedade das coisas, essa coisa das coisas serem assim e assim são e pronto.

E essas coisas que são e essas coisas que foram e essas coisas que serão, são coisas que jogamos carinhoso olhar no retrovisor ou que no momento gostamos de falar sobre as mesmas, lembrando agora de quantas coisas já gostei e que hoje não tem mais importância alguma, citando as lutas de boxe que envolviam Muhammad Ali, Joe Frazie, Mike Tyson, George Foreman;  a Fórmula 1 com Senna; os clássicos Flamengo e Fluminense, mantendo apenas relativo interesse por futebol, mais em solidariedade a meu filho Gabriel Kalki que quer ser jogador, que mesmo por achar muito legal os jogos e pelejas atuais.

Assuntos que já dominaram minha mente e eram temas constantes em meus “escritos”, hoje são apenas reminiscências como a questão ecológica que continuo gostando mais no aspecto de cumprir minhas obrigações para um mundo melhor, mas nada que me ocupe mais que leituras e presença em eventos pontuais. A questão da religião, onde fui entusiasta militante, hoje é interessante no que diz respeito agregar uma ética ao existir, ficando cada vez mais claro que a essência religiosa de tudo é uma postura e que todas as coisas relacionadas, são apenas experiências dos outros e, que em determinados momentos, servem ou não servem para condutas que julgo corretas em meu existir terreno.

E nesse fluir atualmente tenho me interessado em escrever sobre a questão política nacional e, vários amigos em grupos de convivência cibernética, criticam certa constância e insistência neste setor, no que respondo, que fosse eu cirurgião, certamente passaria o dia realizando procedimentos relativos a este mister ou, fosse corretor, igualmente estaria tecendo loas sobre apartamentos e mansões, buscando potenciais compradores para os imóveis que estivessem a venda neste universo comercial tão dinâmico na atualidade.

Como sou escritor e jornalista e movido sempre a prática da escrita, é esse assunto que me inspira e me vem à mente, pedindo perdão a quem se incomoda, mas ao mesmo tempo pedindo vênia posto que livre, posso divagar e expressar o que bem entenda, ficando a critério do leitor ler ou não, concordar ou não, sendo normal e democrático o processo de balançar a cabeça afirmativamente ou negativamente, em lagartixística participação neste relacionamento que os escritores mantém com seu público receptor.

Pode ser que essa coisa de criticar as posturas do Partido dos Trabalhadores na atualidade seja coisa de marido traído. Como era simpatizante, votante e defensor intransigente do PT, acreditava piamente que ele mudaria todas as práticas políticas vigentes, implantando verdadeiramente posturas corretas e éticas neste mar de lama em que nos encontramos faz tempo.

O fato de descobrir que era tudo farsa, que por debaixo do pano a prática dos líderes era igual ou pior de tudo que tanto falávamos e combatíamos, tudo isso me levou a um estado de chateação tão grande, uma amargura, uma perda de esperança tão profunda, que encontrei nessa coisa de baixar o cacete, uma certa remediação, uma certa obrigação para comigo mesmo e, nesta coisa ainda presente, continuarei até que um outro assunto, se faça presente e, minha mente, naturalmente, passe a gostar, se inspirar e simpatizar com algum outro assunto.

Enquanto isso não acontece, sigo fazendo o que gosto, expondo o que vem de dentro para que externamente, possa ter serventia para alguém ou, simplesmente, extravase algo que é natural em quem produz textos como vício e com essa coisa de satisfação pessoal e profissional.

 

 

Flávio Rezende

Escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN

12 de Junho de 2015

Uma cidade quase ideal

Todo cidadão quer viver numa cidade onde os serviços sejam eficientes. Embora o desejo seja generalizado, são poucos que agem ou cobram do poder público essa prestação adequada.

Alguns fatores são determinantes para isso. Primeiro, é uma preguiça em se informar com precisão sobre o que seria uma cidade com serviços de qualidade satisfatória.

Em qualquer grande cidade, os moradores conhecem o posto de saúde de um bairro, mas a grande maioria não sabe - nem procura saber - quais são as especialidades médicas cobertas por aquele posto, nem o dia de plantão de cada médico, nem a carga horária. Caso se desentenda com algum funcionário ou fique insatisfeito de alguma forma, ninguém conhece os superiores a quem reclamar, muito menos os meios para se manifestar.

São os próprios órgãos públicos que dificultam esse conhecimento para não serem devidamente cobrados.

Bastaria que uma prefeitura distribuísse panfletos aos moradores do bairro com o quadro de funcionários do posto, da escola, da creche, com carga horária completa e nomes e contatos dos superiores, das ouvidorias e de outros órgãos de controle.

Caso pretenda evitar essa despesa, poderia disponibilizar nos sites oficiais. Aos poucos as pessoas se habituariam a saber quais são os profissionais responsáveis pelo atendimento em cada área.

Os gestores públicos não se preocupam em aprimorar as condições de atendimento de serviços oferecidos. Sempre rebatem por meio de "notas de esclarecimento" com menção a dados estatísticos fornecidos pelos próprios servidores.

Há um divórcio total entre a realidade vivida no cotidiano das pessoas e as citações dos gestores. É como se os munícipes estivessem mentindo, quando câmeras comprovam que o caos é maior do que as queixas cotidianas.

Para chegar a uma qualidade plenamente satisfatória que defina o que seria uma cidade ideal, os cidadãos precisariam mudar alguns comportamentos, e forçar que os administradores lhe forneçam serviços eficazes de fato, encarando naturalmente como dever, e sem nenhuma benevolência a quem negligenciar. 

Depois, controlar a frequência dos servidores para que cumpram suas cargas horárias, sem as tão comuns saídas do expediente.

Exigir qualificação dos prestadores de serviços terceirizados. Não é porque terceiriza ou faz concessão que os prestadores podem entregar como bem entender. E um exemplo comum são os maus motoristas de ônibus, que saem sacolejando pessoas como se fossem objetos pelas cidades brasileiras.

Seria ainda mais importante se os órgãos de fiscalização tivessem suas atividades acompanhadas bem de perto, pois se houvesse o devido acompanhamento, com medidas preventivas e punições aos desobedientes, as cidades poderiam até não ser ideais, mas, com certeza, seriam bem melhores para todos.

 

 

Pedro Cardoso da Costa

Interlagos/SP - Bacharel em direito

05 de Junho de 2015

PETISMO, CABRA CABRIOLA E CHARLIE CHARLIE

Os estudantes andam apavorados com um tal de Charlie Charlie, que segundo a crença, move diabolicamente lápis entre sins e nãos,  e depois, passa ao imaginário deles como algo real, gerando pânico e medo, desaguando tudo em noites mal dormidas e estresse para os pais.

Os jovens, assim como nossos antepassados e todos nós, buscam crer em algo, para que esse vazio que povoa nossa mente possa ser preenchido com algum tipo de certeza que existe algo pós, para fazer ter sentido o presente e, algo, superior, para que possamos diante de fardo pesado, ter esperança que esse acima, maior e potência máxima em resolutividade possa ter pena de nós e aliviar a barra.

E acreditando em uma coisa ou outra, vamos seguindo, sem que, diante de muitos e muitos anos já por aqui, tenhamos certeza absoluta que realmente tenha algo após ou superior, posto que sendo questão de fé, essa crença como existe hoje, só tem razão de ser nesse crer sem ver e nesse acreditar sem nada de real presenciar.

Nestas aparições que assustam, que surgem via mídia, ou naturalmente em fenômenos sociais, minha pequena e amada Mel chegou em casa temendo uma tal de Cabra Cabriola, que segundo o Wikipédia, "é um ser imaginário da mitologia infantil portuguesa, mas também surge no resto da península Ibérica, foi depois levada para o Brasil pelos portugueses. A Cabra Cabriola é a personificação do medo, um animal em forma de cabra, um animal frequentemente de aspecto monstruoso comedor de crianças, um papa-meninos. "

Pois a minha caçula anda temendo cerrar pálpebras e dar de cara com a Cabriola, receando não ser suficientemente arrojada para encarar a danada, crente que a cabra tem força e poderes suficientes para pintar e bordar e transformar sua alegre vida num inferno precoce.

Seja os adolescentes arrepiados com Charlie Charlie ou as crianças tremendo diante dos feitos diabólicos da Cabra Cabriola, temos também hoje no Brasil uma turma que não acredita em nada. Esses seres já começam a despertar o interesse dos mais pós pós pós doctors do planeta. É incrível como diante de tantos fatos, antes mensais, depois semanais, hoje diários e caminhando para de hora em hora, histórias escabrosas de dólares em cuecas, dinheiro em aviões e bancos de todos os paraísos, desvios, roubos, editais direcionados, gráficas que não imprimem e recebem, eventos que não existem e tem verbas, contratos superfaturados, comissões, taxas de sucesso, administração de recursos não contabilizados, uma gama infinita de técnicas e práticas que estamos tomando conhecimento diariamente e, esta turma, nem nem, simplesmente são ateus dos eventos ocorridos no Brasil nos últimos doze anos.

E assim seguimos, tentando amenizar os terrores que narrativas cabriolísticas e charlísticas ocorrem a nossos filhos, e pasmos diante dos ateus políticos em voga no Brasil hoje, que não sabem de nada, não acreditam em nada e, assim, voando, viajando e se fazendo de doido, vão apostando naquela coisa que perigosamente repetimos sempre, tudo passa, temos memória curta, tendemos a esquecer e perdoar...

Queria eu que essa tal de Cabra Cabriola desse um susto bem grande nesses bandidos que assaltaram e devem ainda estar assaltando o Brasil, pois depois do mensalão engataram o petrolão e quem confia agora que não tem nada acontecendo, pois parece que não vivem sem meter a mão em alguma coisa pública.

Além do susto da cabra, torço para que o Charlie Charlie na consulta deles no sentido de se vale continuar a prática criminosa, leve o lápis para o não. Quem sabe esse conselho mediúnico faça efeito e essa turma entre nos eixos deixando o que é público para o público e perdendo a mania feia de privatizar nosso butim para seus projetos pessoais e partidários, empobrecendo o Brasil e aterrorizando nossas vidas com mentiras, roubos, falsidades e vergonha. 


 


Flávio Rezende

Escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN 

29 de Maio de 2015

Grito de morte

De imediato, o pensamento que vem seria o de pessoas sem acesso aos bens de consumo ou de serviços públicos essenciais de saúde. Aqui se fala de animais soltos pelas cidades, mais precisamente dos cães.

Mantenho entendimento defendido em artigo anterior sobre a necessidade de sacrificar os animais que estejam muito doentes ou machucados, para abreviar a morte e evitar o sofrimento prolongado.

Em São Paulo, a retirada de animais das vias públicas era realizada pela chamada "Carrocinha". Um grupo de profissionais especializados da Secretaria de Zoonoses, que saía num carro apropriado para recolher os animais das ruas.

 O entendimento dominante na sociedade era de que esses poderiam ser retirados pelos seus donos em três dias. Os animais não retirados seriam sacrificados em câmara de gás, que consistia na retirada do ar do ambiente e os animais perdiam os sentidos em no máximo cinco segundos.

Trata-se de uma escolha difícil entre o sofrimento prolongado até o fim da vida ou a abreviação consciente e institucional. Cada um conclua conforme suas convicções pessoais. Cabe apenas apontar o problema e a necessidade de alguma medida oficial para a retirada dos animais, bem como a punição aos donos que os abandonam.

Não se sabe ao certo a razão, mas a "Carrocinha" parou de retirar animais das ruas e a capital de São Paulo tornou-se um campo de matança de cães no dia a dia. Os animais são atropelados e ficam agonizando até a morte, num sofrimento indescritível, que causa mal-estar em todos, já que as pessoas ficam sensibilizadas e impotentes e não podem aliviar a dor do animal nem podem procurar nenhum órgão oficial que cuide, por não existir.

Em Belo Horizonte, uma lei foi aprovada para obrigar a colocação de chips nos cães para quando eles forem encontrados nas ruas os donos serem responsabilizados e punidos com o pagamento de multa. Claro que se fala da lei, a prática deve ser apenas uma retórica, como costuma ser em todas as esferas da administração pública brasileira.

Faz-se necessário que algum órgão retire os animais das ruas. Antes, porém, seria necessária a veiculação de uma campanha de conscientização aos donos dos animais para não soltarem nas ruas, quando estes, por algum motivo, não interessassem mais. Mas, ainda mais importante é a punição certa, eficaz aos donos que soltam os animais em vias públicas.

Para um país que não extingue nem o analfabetismo do seu povo, parece exagerado esperar que cuide adequadamente dos animais. Por muito tempo, o cidadão verá o cachorrinho na rua e ao dar as costas ouvirá o barulho de uma freada brusca dos pneus de um carro e um grito. É o único direito que resta aos animais. Um grito de desamparo e sofrimento. Um grito fatal. 


 

Pedro Cardoso

Interlagos/SP - Bacharel em direito

20 de Junho de 2014

MOBILIDADE DE SENTIMENTOS NOS ACONTECIMENTOS COTIDIANOS

Quem acompanha minha trajetória de escritor, lendo alguns dos meus livros e “escritos” produzidos constantemente, pode perceber claramente o meu crescente amor pela vida, com êxtase sempre presente em diversas ocorrências comuns ao cotidiano de muitos seres.

Além do eterno casamento com a natureza e suas fantásticas plantas, montanhas, rios e lagos, temos satisfação em contemplar os animais e os seres humanos em suas atividades, ficando feliz em ver o tempo passar e a existência se manifestar, mesmo com suas diferenças e pluralidades, o que pode ser motivo de reflexões e de atitudes, mas são realidades sempre presentes que não me cabe aqui filosofar.

E neste fluir existencial os sentimentos vão se alternando, com mobilidade ininterrupta, posto que expostos a variadas nuances, seguem navegando entre alegrias e tristezas, sempre de acordo com o enredo apresentado no aqui e no agora.

Atualmente o Facebook tem servido como fórum de discussões políticas – o que considero saudável e interessante, proporcionando a exposição de posições e de opiniões, com o clima variando do educado para o exacerbado, promovendo consequente fluidez de sentimentos, que igualmente migram do feliz para o preocupante, passando pelo neutro e até o chateado.

O problema da questão política hoje é que os argumentos são sempre os mesmos para ambos os lados e, venho percebendo que as posições já estão cristalizadas, havendo raríssima possibilidade de mobilidade, o que torna o clima às vezes pesado, agressivo, e o papo começa a ficar chato e até perigoso.

Perigoso no sentido de amizades que vão sendo desfeitas, atitudes tomadas em decorrência dos posicionamentos como negativas de apoios culturais e sociais, xingamentos e até brigas físicas.

O sentimento antes prazeroso em torno da questão política migra lentamente e tende a piorar para o campo das batalhas verbais e posições radicais, elevando a temperatura e entristecendo no lugar de alegrar.

Então começo a arrefecer e a ter preguiça de argumentar e debater, ao mesmo tempo em que observo minha pequena filha, de apenas quatro anos, brincando com sua cadelinha chamada de Chica Linda Donzela, visão esta que alquimicamente transmuta meu sentimento entristecido com o acirrado debate político, fazendo-o migrar rapidamente para a seara do carinho, o campo do amor, o espaço da beatitude.

 Se numa espécie de mágica pudéssemos transpor o puro amor que sentimos por nossos filhos, para todos os campos da vida, estaríamos nos aproximando celeremente para o que chamam por ai de paraíso, posto que esse genuíno sentimento que temos por nossas crias, carrega em seu DNA, a pureza dos mestres e a postura dos deuses, encerrando em sua essência, a magnificência da existência. 

13 de Junho de 2014

As desconstruções do conhecimento (parte 3)

O Brasil foi declarado descoberto no ano de 1500. Até então não constava em escritos e manuscritos, em mapas ou cartas náuticas, apenas hipóteses e suposições. Portanto não existia aos olhos da sociedade científica da época, reinante no Hemisfério Norte (Europa). E foi (re)descoberto, esquecido e abandonado no Hemisfério Sul.

No mar Mediterrâneo já reinava a troca de mercadorias, o comércio marítimo. Desde a história antiga com gregos e romanos, fenícios e egípcios. Povos navegadores e mercadores circulavam no Mar Mediterrâneo, trocando ideias e mercadorias. Enquanto na Terra Brasilis se praticava o extrativismo.

E o índio brasileiro ganhou fama de preguiçoso, não trabalhava e não estocava, só extraia da terra que o novo homem tomou posse. O índio ainda não havia aprendido acumular bens para barganhar e negociar em épocas difíceis. Tinham abundancia de alimentos e não tinham intempéries que os obrigasse a fazer estoques.

As frotas de caravelas aportaram em regiões sul-americanas quando a mata atlântica ainda era intensa. As regiões de sertão, cerrado e caatinga foram alcançadas depois, de transpassar as matas. Mais tarde com as Entradas e Bandeiras e seus sertanistas desbravadores, descobriram outros índios, com outros costumes.

Épocas difíceis não existiam em uma região, hoje um país com suas classificações, de clima tropical. Onde não havia falta de caça e pesca, com fartura de matas e florestas, rios e riachos, lagos e lagoas. E muito menos faltava na colheita de produtos vegetais nativos. Não havia invernos rigorosos que incentivasse a um estoque de alimentos ou produção de roupas e agasalhos. E o europeu chegou com todo o seu saber para ser implantado. Um saber de acordo com as suas necessidades e dificuldades.

Um saber oriundo de experiências e necessidades. Colonizadores enquadraram os índios no modelo europeu, desconstruindo seus conhecimentos. Absorveram alguns costumes e conhecimentos, mas não respeitaram uma intelectualidade de marca ou patente. Até os dias de hoje estrangeiros tentam, e por vezes conseguem, patentear produtos como: rapadura, cachaça e açaí.

Mais tarde imigrantes chegaram ao Brasil com sementes e mudas. Ideias e conhecimentos de monocultura e agricultura intensiva, enquanto os nativos não exploravam terrenos com monocultura e irrigação, uma agricultura intensiva. Nativos praticavam policultura com rodízios na plantação e mudanças de locais para plantio e moradia. Não eram donos das terras, não tinham escrituras de posse, podiam circular com facilidades. A monocultura implantada tinha por objetivo atender os novos moradores.

A Europa foi influenciada pela a Revolução Industrial. Enquanto o Brasil tinha uma população predominante de índios, deu um salto para o mundo moderno. Um povo que não era letrado, mas podia receber textos escritos. O europeu podia ler e implantar regras e conhecimentos.

Com toda atividade midiática europeia. Com todas as mídias de transferência de informação a partir do descobrimento do Brasil. Com todo este abafamento da cultura indígena, hoje ainda cultivamos alguns hábitos como o uso da rede. A nomenclatura de alguns pontos geográficos, tal como os indígenas denominavam, sobreviveu ao tempo, ficando como herança cultural. Embora hoje já não termos mais ideias de significados e origens de algumas toponímias. O tempo se incumbiu de mesclar ideias nomes, significados e origens.

Na alimentação os traços ficaram marcados também, como uso de raízes a exemplo da mandioca, macaxeira e aipim, que são raízes semelhantes. Com usos e nomenclaturas diversificados de acordo com as regiões, entre jiraus, papas e mingaus. 


 


Roberto Cardoso (Maracajá)

Cientista Social Jornalista Científico Reiki Master

& Karuna Reiki Master Sócio Efetivo do IHGRN

13 de Junho de 2014

As desconstruções do conhecimento (parte 3)

O Brasil foi declarado descoberto no ano de 1500. Até então não constava em escritos e manuscritos, em mapas ou cartas náuticas, apenas hipóteses e suposições. Portanto não existia aos olhos da sociedade científica da época, reinante no Hemisfério Norte (Europa). E foi (re)descoberto, esquecido e abandonado no Hemisfério Sul.

No mar Mediterrâneo já reinava a troca de mercadorias, o comércio marítimo. Desde a história antiga com gregos e romanos, fenícios e egípcios. Povos navegadores e mercadores circulavam no Mar Mediterrâneo, trocando ideias e mercadorias. Enquanto na Terra Brasilis se praticava o extrativismo.

E o índio brasileiro ganhou fama de preguiçoso, não trabalhava e não estocava, só extraia da terra que o novo homem tomou posse. O índio ainda não havia aprendido acumular bens para barganhar e negociar em épocas difíceis. Tinham abundancia de alimentos e não tinham intempéries que os obrigasse a fazer estoques.

As frotas de caravelas aportaram em regiões sul-americanas quando a mata atlântica ainda era intensa. As regiões de sertão, cerrado e caatinga foram alcançadas depois, de transpassar as matas. Mais tarde com as Entradas e Bandeiras e seus sertanistas desbravadores, descobriram outros índios, com outros costumes.

Épocas difíceis não existiam em uma região, hoje um país com suas classificações, de clima tropical. Onde não havia falta de caça e pesca, com fartura de matas e florestas, rios e riachos, lagos e lagoas. E muito menos faltava na colheita de produtos vegetais nativos. Não havia invernos rigorosos que incentivasse a um estoque de alimentos ou produção de roupas e agasalhos. E o europeu chegou com todo o seu saber para ser implantado. Um saber de acordo com as suas necessidades e dificuldades.

Um saber oriundo de experiências e necessidades. Colonizadores enquadraram os índios no modelo europeu, desconstruindo seus conhecimentos. Absorveram alguns costumes e conhecimentos, mas não respeitaram uma intelectualidade de marca ou patente. Até os dias de hoje estrangeiros tentam, e por vezes conseguem, patentear produtos como: rapadura, cachaça e açaí.

Mais tarde imigrantes chegaram ao Brasil com sementes e mudas. Ideias e conhecimentos de monocultura e agricultura intensiva, enquanto os nativos não exploravam terrenos com monocultura e irrigação, uma agricultura intensiva. Nativos praticavam policultura com rodízios na plantação e mudanças de locais para plantio e moradia. Não eram donos das terras, não tinham escrituras de posse, podiam circular com facilidades. A monocultura implantada tinha por objetivo atender os novos moradores.

A Europa foi influenciada pela a Revolução Industrial. Enquanto o Brasil tinha uma população predominante de índios, deu um salto para o mundo moderno. Um povo que não era letrado, mas podia receber textos escritos. O europeu podia ler e implantar regras e conhecimentos.

Com toda atividade midiática europeia. Com todas as mídias de transferência de informação a partir do descobrimento do Brasil. Com todo este abafamento da cultura indígena, hoje ainda cultivamos alguns hábitos como o uso da rede. A nomenclatura de alguns pontos geográficos, tal como os indígenas denominavam, sobreviveu ao tempo, ficando como herança cultural. Embora hoje já não termos mais ideias de significados e origens de algumas toponímias. O tempo se incumbiu de mesclar ideias nomes, significados e origens.

Na alimentação os traços ficaram marcados também, como uso de raízes a exemplo da mandioca, macaxeira e aipim, que são raízes semelhantes. Com usos e nomenclaturas diversificados de acordo com as regiões, entre jiraus, papas e mingaus. 


 


Roberto Cardoso (Maracajá)

Cientista Social Jornalista Científico Reiki Master

& Karuna Reiki Master Sócio Efetivo do IHGRN

25 de Abril de 2014

A DOR E A DELÍCIA DE SER ESCRITOR

O ser humano tem tendência ao 0800 negativo, reclamando de certas coisas e deixando de aproveitar muitas e muitas possibilidades que o planeta oferta para alegria individual e coletiva.

Além da família, caridade, caminhar, amar, mar, viajar, ler, futebol, cinema e pizza, adoro de paixão escrever e, quando passo um tempo sem poder exercitar esta atividade, fico como se algo estivesse faltando em meu ser.

Este prazer ocorre quando estamos produzindo algum “escrito”, como o que ocorre neste exato momento e, depois, quando compartilhamos o texto com o possível público leitor, seja através do envio por e-mails, pelo Facebook ou via publicação em jornais e sites diversos.

O prazer neste momento ocorre principalmente quando o texto produzido, encontra do lado de lá, ai onde você se encontra, uma serventia, produz uma satisfação ou provoca uma positiva reação, ao ponto, muitas vezes, do leitor interagir com o escritor, repondendo, questionando, elogiando e até discordando, claro.

Ao longo de minha trajetória de escritor, principalmente no que diz respeito aos artigos, vou percebendo as reações e tirando algumas bobas e óbvias conclusões, que revelam a vida como ela é.

Quando escrevo sobre meu deslumbramento com a natureza, das caminhadas, da fusão entre meu eu interior e o universo, do amor pela família, pelos filhos e por servir a sociedade através da Casa do Bem, surgem muitos e-mails maravilhosos, de leitores muito felizes por estar compartilhando sentimentos tão queridos. Este momento é o de êxtase do escritor, a delícia sem igual.

Já os textos mais políticos ou com algum teor espiritualista, ao mesmo tempo que geram posições assemelhadas dos que me leem, proporcionam também uma certa ira dos que pensam diferente, com pedidos para que não envie mais os “escritos” e, alguns, muito brabos, discordando e escrevendo coisas impublicáveis.

A dedução que faço é simples: muitas pessoas não gostam de confrontar suas posições. Não querem de maneira nenhuma observar, analisar e nem ouvir falar de algo diferente daquilo que acreditam. Neste momento, o escritor sente dor, posto que não escreve para ofender e sente a intolerância se apossando de alguns, cegando e eliminando a possibilidade do contraditório produzir reflexão ou, no mínimo, informação a mais.

No meu último escrito uma senhora, diante da proposta que fiz de pôr fim aos partidos políticos em decorrência do comportamento errático dos mesmos hoje no Brasil, mandou um e-mail pedindo apartheid de minha produção e, dizendo, sem meias palavras, que tinha ódio do meu ser.     

E assim vou, entre dores e delícias, fazendo o que gosto muito, escrever, que dividindo espaço com o amor por tudo e por todos, a prática da caridade e o usufruto das maravilhas que o planeta azul me oferta, somam o sentido de minha atual encarnação e nesta missão que está em curso, espero estar fazendo algo de útil para alguns e produzido de sentido, para outros.

 

 

 

Flávio Rezende 

Escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN 

17 de Abril de 2014

A escola ideal

Trata-se de um tema polêmico, sobre o qual, especialistas e pessoas do meio escrevem, fazem críticas, apontam soluções, mas que no Brasil não são resolvidos alguns gargalos.

Há muito se critica a qualidade do ensino e a função da escola na preparação do cidadão. Os pais atribuem à escola o papel de toda formação sociocultural dos seus filhos. Se o menino trata mal alguém, a culpa é da escola onde estuda.

O ponto a se tratar aqui é o estado físico das escolas, de ponta a ponta do país danificados e totalmente rabiscados. São casos de total abandono reiteradamente mostrados pela televisão. Todos reclamam, sentem falta de uma escola bem cuidada, pintada e limpa. Mas isso tem se mostrado uma utopia, tanto que há algum tempo solicitei à Secretaria de Educação de São Paulo que apontasse uma – uma só – escola sem pichação nas paredes ou nos muros. A Secretaria repassou-me às delegacias e essas a cada escola. Esse pedido fica aqui formalizado a cada estado, a cada município e até a União.

Importante é saber como sair desse círculo vicioso e conseguir uma escola pública com um prédio minimamente bem cuidado, que forneça um ensino de qualidade. A resposta foi dada recentemente por uma diretora no programa Fantástico, da rede Globo. Muito convicta, disse que não existe uma fórmula e somente um conjunto de ações envolvendo do professor ao morador daquela comunidade pode constituir uma boa escola.

Ninguém é capaz de duvidar da existência de pessoas responsáveis pela preservação dos prédios escolares e de todos as edificações públicas. Mas se você perguntar ao diretor de uma escola por que os muros nunca são preservados, que ele possivelmente apontará a Polícia Militar pela parte externa e os alunos pelas paredes internas. Caso essas mesmas perguntas sejam dirigidas aos policiais, aos chefes de batalhões, eles apontarão para a sociedade, para seus superiores hierárquicos. Parece uma tática de generalizar o problema e assim difundir tanto a responsabilidade. Com isso, nem o problema é resolvido, nem há responsáveis pela perpetuação. Em São Paulo, para evitar pichações, numa demonstração de rendição absoluta, muitos estabelecimentos afixam placas com aviso de que colaboram com alguma instituição de grafiteiros.

Algumas, bem poucas, escolas se tornaram limpas e bem cuidadas com o envolvimento de todos os agentes. Foram criadas comissões de alunos, de pais e até de moradores da comunidade. Presume-se que, ao sentirem parte ativa da escola, aguça-se a afetividade e todos abraçam com maior zelo.

Nem mesmo o mobiliário é poupado da quebradeira. Mesas, cadeiras e armários viram lousas onde se escreve de tudo, quando não são apenas rabiscadas e quebradas; cortinas são rasgadas e outros utensílios riscados ou danificados. Na grande maioria nem os vasos e portas dos banheiros escapam. O que nunca se explica claramente é por que não se consegue evitar a quebradeira, nem se é feito alguma coisa para isso.

Atualmente, a escola não é um lugar nem aconchegante, nem limpo, nem seguro, nem agradável. Nos fins de semana, as quadras são invadidas por alunos e pessoas de fora da escola, sem acompanhamento e organização.

Quando se fala numa escola ideal, o primeiro pensamento que vem é a qualidade do ensino. No entanto, o espaço físico, ao invés de ser o cartão de visita, é o primeiro a simbolizar o abandono, a terra de ninguém que se tornaram as escolas públicas brasileiras. Mas quem ouvir as autoridades responsáveis pela Educação falarem sobre a estrutura das escolas, deduzirá que Noruega, Suíça, Japão, Canadá, entre outros, morrerão de inveja. 

 


Pedro Cardoso da Costa Interlagos/SP 

Bacharel em direito

11 de Abril de 2014

A Venezuela é aqui

Hoje em dia, as informações sobre os acontecimentos se espalham mundo afora num piscar de olhos. Seja bom ou ruim, o que se faz num país rapidamente é copiado em toda parte.

Há alguns anos, a Venezuela vem sofrendo uma mudança brusca no seu regime político. Hugo Chaves se elegeu em 1998 e, à semelhança do que fez Fernando Henrique Cardoso, alterou a Constituição para instituir a reeleição, com o agravante de ser por tempo indeterminado. Com isso, reelegeu-se por mais dois mandatos e não conseguiu sabe-se lá quantos, porque a morte não permitiu.

Apoiado pela grande massa e inebriado pelo poder, Hugo Chavez foi ampliando suas prerrogativas conforme achasse conveniente para impor, por meio da força, seu modelo autoritário de administração.

Com sustentação no carisma pessoal, as mudanças trouxeram inconformismo aos adversários, com manifestações e consequente instabilidade social ao país.

Apesar de ser favorável à possibilidade de reeleição por prazo indeterminado, reconheço ser uma tese bastante contestada no mundo inteiro.

Sustento que se um governo pode ser reeleito uma vez porque é bom, parece contraditório que não possa ser mantido outras vezes, se a cada mandato estiver melhor. Se a alternância é que é boa, que não seja permitida nenhuma reeleição. Falta lógica para se considerar positiva uma reeleição e ao mesmo tempo pensar que mais de uma reeleição seja um mal em si.

Prestem bem atenção que não há valoração se as medidas são boas ou não. Apenas se está apontando que as pessoas se organizaram contra, um direito inalienável dos insatisfeitos e do regime democrático. Daí veio a mão de ferro do Estado venezuelano e só neste ano de 2014 mais de 35 pessoas morreram pela repressão policial. Até aí tudo faz parte do jogo, com seus erros e acertos.

Um ponto fora da curva é a omissão dos governos mundo afora, em especial dos sul-americanos que, se não apoiam explicitamente as atrocidades cometidas contra os cidadãos venezuelanos, nada fazem de concreto para coibir.

Quem eventualmente tenha conhecimento aponte alguma ação do governo brasileiro a favor da população ou contra as violações dos direitos e garantias individuais durante todo o período chavista, incluindo o do seu sucessor.

Como, na sua esmagadora maioria, as vidas ceifadas são de estudantes, nem a União Nacional dos Estudantes – UNE fez algo concreto, assim como as organizações correlatas em outros países nunca fizeram nada. Nenhum texto repudiando, nenhuma nota, nenhum ato. Aliás, a UNE nem parece existir. Com os passar dos anos, perdeu sua identidade de instituição respeitada por todos  e se descaracterizou como entidade de mobilização social e política, sendo lembrada apenas pela emissão de carteirinhas de estudante.

Todos os governos da América do Sul, a presidenta do Brasil, o Congresso Nacional, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, as organizações não governamentais e até a mídia precisam ter uma postura expressa e mais clara de repúdio às barbáries perpetradas pelo governo venezuelano, em especial um basta aos assassinatos, às prisões, à violência, às perseguições políticas contra opositores, pelo pecado único de não concordar com uma ideologia política ou ações de um governo. Esse “silêncio ensurdecedor” do mundo e do Brasil, se não mata, torna os surdos coniventes com tudo isso. 

28 de Março de 2014

Estágio no primeiro ano

Após a popular festa do carnaval, em que milhões de pessoas vão às ruas, parques e clubes celebrar a alegria, a vida volta aos poucos ao seu ritmo normal. Nas grandes cidades o trânsito piora, o transporte público tende a ficar mais concorrido e o comércio e as rodas de negócios ganham novo impulso. O ano letivo também volta com todo o gás nas escolas e universidades. 

Para o estudante recém-saído do ensino médio, que debuta na graduação, um mundo novo o espera. Depois de passar pelo crivo dos exames vestibulares, chega a hora de enfrentar outros desafios. Novos colegas, novos professores, novas matérias. Um ambiente completamente diferente. Além de inéditos conteúdos, o estudante do primeiro semestre também está apto a procurar uma vaga de estágio. 

Pode até parecer prematuro, mas o aluno que consegue um estágio logo no primeiro ano, seja no ensino médio, seja na graduação, já sai largando na frente da concorrência para a conquista de uma vaga no mercado de trabalho.

Hoje, muitos jovens que buscam uma vaga na profissão escolhida ainda não possuem experiência, o que dificulta a aprovação nos processos seletivos. Quem tiver um estágio na área já está capacitado, conhece mais a dinâmica da própria carreira, entende melhor o que as empresas buscam do novo profissional e, com certeza, tem muito mais o que dizer e mostrar em uma entrevista de trabalho.

Além disso, o estágio hoje é um importante instrumento para a manutenção do próprio aluno na universidade. Com os valores da bolsa-auxílio, obrigatória pela Lei do Estágio vigente, o estudante tem a oportunidade de realizar seus treinamentos práticos na empresa e ainda financiar seus estudos e mesmo ajudar no orçamento familiar. 

Pesquisas apontam que o estudante que faz estágio melhora seu desempenho nas matérias curriculares e possui grande chance de ser efetivado no final do contrato. Mesmo para aqueles que não são contratados, ganham pontos importantes em processos seletivos posteriores. Para obter um estágio pelo CIEE basta fazer o cadastro gratuito no portal www.ciee.org.br, se inscrever nas seleções abertas ou aguardar vagas com o seu perfil. 

 

 


Luiz Gonzaga Bertelli  

Presidente Executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE),

da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp

14 de Março de 2014

Evolução digital

Durante a revolução industrial, que se iniciou em meados do século XVIII, com a substituição dos processos artesanais pela manufatura, e da segunda revolução, já no século XIX, que implantou equipamentos mais sofisticados para os processos de produção, a preocupação da substituição do homem pela máquina já estava presente nas discussões. Surgiu na Inglaterra, até mesmo o movimento ludista – pessoas contrárias ao avanço tecnológico pelo temor da substituição da mão-de-obra humana. Os ludistas chegaram a invadir fábricas e quebrar equipamentos, culpando-os pelo desemprego e pelas péssimas condições de trabalho da época.

Trazendo essa discussão para os dias atuais, é bem provável que ainda existam pessoas que se posicionam contras os avanços (mais pacificamente, é claro), acreditando que o desenvolvimento da tecnologia prejudica a oferta de emprego. No entanto, a evolução da humanidade mostra que a utilização de máquinas, nos séculos XVIII e XIX, para alimentar a indústria trouxe muitos benefícios aos trabalhadores, aumentando e diversificando consideravelmente as oportunidades no mundo laboral.

O mesmo ocorre hoje, com uma espécie de revolução digital, motivada pelos efeitos da informática, da internet e de tecnologias de ponta em vários ramos de atividade. E, para os que insistem em dizer que o mundo informatizado prejudica o emprego, vejamos a seguinte realidade: até os anos 1980, a produção de máquinas de escrever era bastante significante, com a liderança de grandes multinacionais, como a italiana Olivetti. Hoje, viraram peças de museu. No entanto, os produtos substitutos da antiga máquina – os PCs, os notebooks, os tablets e os smartphones – originam grande número de postos de trabalho.

O mundo digital é uma realidade. É verdade que algumas carreiras estão entrando no ostracismo, como as de alfaiate, telefonista, ascensoristas. Mas novas profissões surgem com forte geração de emprego, como as que dão conta do desenvolvimento de aplicativos, de construção e manutenção de sites, de vendas on-line e de jogos para computadores. Ou seja, as revoluções tecnológicas, em nenhum momento da história, substituíram o ser humano pela máquina. Ao contrário, vêm para ajudar a criar novas demandas para a população do planeta, que não para de crescer. 

 

 


Luiz Gonzaga Bertelli 

Presidente Executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE),

da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp

28 de Fevereiro de 2014

Meio século de história

Cinquenta anos atrás, surgia no Brasil a modalidade de capacitação prática que ficou conhecido como estágio. Nela, o estudante completa os conhecimentos adquiridos na universidade com a atuação prática nas empresas. Com isso, ganhava o aluno, que iria aprofundar seus conhecimentos na carreira para a qual estava estudando, e as empresas, que treinariam novas gerações de talentos para complementar seus quadros. Hoje o estágio é uma realidade, regulamentado por uma lei específica (Lei 11.788/ 2008), abrangendo estudantes do ensino médio, técnico, tecnológico e superior. Quem desenvolveu essa prática como o primeiro agente de integração no Brasil, foi o CIEE – entidade filantrópica de caráter de assistência social – que nasceu com o intuito de promover a inserção dos jovens no mercado de trabalho. A instituição está comemorando nesta semana meio século de atividades em favor da juventude com números superlativos: ao longo do percurso, encaminhou 13 milhões de jovens para estágio em 250 mil empresas. Um feito extraordinário para uma organização não-governamental que percorreu todos esses anos em meio às instabilidades políticas econômicas e sociais, e cresceu com a ideia de responsabilidade social, solidariedade e cidadania.

Da primeira sede, instalada numa casa no tradicional bairro do Bixiga, para os 350 pontos de atendimento por todo o Brasil, houve um processo de crescimento movido pela vontade de servir à população, principalmente nas áreas carentes, onde a inclusão no mercado de trabalho sempre foi uma tarefa mais complicada. Para capacitar esses estudantes foram elaborados cursos de desenvolvimento estudantil, de educação à distância, alfabetização e suplência de jovens e adultos e programa de inclusão de pessoas com deficiência.

Nos últimos dez anos, o CIEE investiu também na aprendizagem, pelo programa Aprendiz Legal, uma parceria com a Fundação Roberto Marinho, que insere, no mundo do trabalho, jovens entre 14 e 24 anos. Atualmente 60 mil jovens estão em capacitação pelo programa, na maioria deles, provenientes de áreas de vulnerabilidade social. Nesses 50 anos de vida, a missão do CIEE foi mais do que cumprida, mas a instituição já pensa no futuro com atividades que contribuam para a capacitação e ampliação de oportunidades profissionais à juventude, visando sua inclusão no mercado de trabalho e o consequente exercício de cidadania. 


 


 


Luiz Gonzaga Bertelli 

Presidente Executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE),

da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp

21 de Fevereiro de 2014

VOTO NA IMPRENSA PARA VEREADOR, DEPUTADO, SENADOR E PRESIDENTE NO BRASIL

Em Natal, a bela cidade onde moro, as autoridades interditaram um importante viaduto e a decisão já passa de um ano, causando muitos transtornos para várias pessoas que necessitam dele em seus deslocamentos diários.

Laudos e mais laudos são exigidos, desculpas amarelas são dadas, dinheiro público escoa pela vala da incompetência, serviços começam e param e o tempo passa e o viaduto não é liberado para usufruto da população em geral.

Diante de tudo isso, um determinado veículo de comunicação não dá moleza e estampa o assunto constantemente, apressando a solução e encurtando a eternidade da interdição.

Quando esse equipamento for um dia posto à disposição da coletividade, este veículo terá tido importante papel em todo o processo, pois, não sendo ele um eterno cobrador, só Deus sabe se esse viaduto seria reaberto um dia novamente.

A imprensa, regra quase geral, tem sido o mais importante vereador, deputado, senador e presidente neste Brasil de problemas diversos, valendo muito mais que casas legislativas de todos os tipos e investigando melhor que todas as polícias juntas.

É recorrendo a imprensa que o cidadão comum resolve o buraco em sua rua, a falta de água, vê o crime ser solucionado, a injustiça corrigida e descobre as falcatruas em geral.

Deixando de lado questões ideológicas, quando a imprensa joga luz sob determinados assuntos, eles como num passe de mágica mobilizam autoridades e as soluções surgem instantaneamente.

Diante do exposto e julgando praticamente pífia a atuação da maior parte dos parlamentos em todos os níveis, repletos de obesos consumidores de recursos públicos em tenebrosas transações, sugiro uma drástica redução no número destes representantes, elegendo a imprensa num regime de gestão compartilhada, para a solução das agruras que nos afligem.

Um conselho formado por jornalistas, donos dos veículos de comunicação, autoridades e políticos, definiriam quais problemas seriam atacados ai, a imprensa, jogaria luz sobre o assunto promovendo com seu eficaz poder de mobilização, a solução quase imediata.

Na situação em que estamos, com muita lentidão nas soluções, baderna, quebra-quebra, criminalidade astronômica, corrupção epidêmica e PAC em ritmo de cágado, ficamos tão desorientados que somos tentados a buscar doidices, como esta, para ver se num surto, acendemos a luz do manicômio. 


 


Flávio Rezende 

 Escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN

07 de Fevereiro de 2014

Vai ter Copa e manifestações

Depois dos protestos de junho de 2013, o brasileiro deixou claro às autoridades que algumas mudanças de comportamento são para sempre. É coisa do passado a famosa passividade bovina da nossa gente. Isso as autoridades ainda não entenderam e tentam resistir. A prova foi a viagem para a nova cabeleira de Renan Calheiros num avião da Força Aérea Brasileira – FAB.

Por um processo natural a politização do brasileiro não é suficiente para manter multidões nas manifestações por longo tempo, mas as pessoas querem de forma cristalina demonstrar sua insatisfação com reações coletivas periodicamente.

Há meses foram os “rolezinhos” dos periféricos nos shopping centers que assustaram a todos, especialmente àqueles que se sentiam proprietários intocáveis desses espaços. Como sempre despreparadas para tudo, as forças de segurança reagiram de forma atabalhoada, com a pretensão de impedir que a "gente diferenciada" exerça seu direito constitucional de ir e vir livremente, numa demonstração clara de racismo oficial. Ninguém teria a suficiente cara de pau para defender que haveria reação idêntica se viesse o dobro de jovens do Morumbi, Copacabana ou Leblon.

Imediatamente surge o movimento "Não Vai Ter Copa". Trata-se apenas de um recado de contestação e todos os seus integrantes sabem disso. Afora os países desenvolvidos, os demais, como México e África do Sul realizam grandes eventos porque se transformam internamente em vários.

Se já existiam dois Brasis, para realizar a Copa deve ter se subdividido em dez. Os turistas não sentirão diferença na luxúria dos hotéis; as seleções muito menos com as suas concentrações; os trajetos dos aeroportos já estão novos e continuação com tinta fresca até a Copa.

Todo glamour ficará na estética. Os telefones vão continuar funcionando mal, as informações serão imprecisas, a segurança só nos estádios e nas barreiras policiais, o transporte de massa continuará esmagando, como diariamente ocorre nos metrôs, nos trens e nos ônibus das grandes cidades, porque tudo isso, para ser eficiente, requer capacitação técnica e treinamento. E o Brasil só se esforça para fazer bem novela e carnaval.

Haverá um Brasil-fantasia que realizará a Copa a qualquer custo, inclusive massacrando seu povo o quanto julgar necessário para que o "pavão" se mostre belo aos gringos.

Seria uma insensatez - sempre proposital - defender que as manifestações são contra a Copa. O nome do grupo é só um grito para chamar a atenção. Quem se manifesta o faz contra a corrupção generalizada e as demais mazelas sociais brasileiras, tão conhecidas quanto ignoradas por todos aqui.

A Copa servirá apenas para apresentar o Brasil ao mundo. Não há dúvida de que terá a maior de todas as Copas: nos gastos e na exploração política – se os protestos não evitarem - assim como ocorrerão as maiores manifestações da nossa história porque, enfim, a periferia acordou. 


 


Pedro Cardoso da Costa - Interlagos/SP

Bacharel em direito

31 de Janeiro de 2014

Educação acima de tudo

O ano de 2014 demandará toda a atenção dos brasileiros. Os focos de distração serão bem atraentes, em especial a mobilização em torno da Copa do Mundo. Mas vale lembrar outro grande evento que deve levar à reflexão sobre o que realmente importa: em outubro, haverá eleições para  presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. E o que não falta são problemas para serem debatidos – não apenas pelos candidatos, mas principalmente pelos eleitores, sendo que a educação é o principal deles. Nunca é demais trazer à tona o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), prova que atesta o nível do aprendizado de alunos de 15 anos (sétimo a nono ano do fundamental ou ensino médio) de 65 países. 

O Brasil fica na posição 55 em leitura, 58 em matemática e 59 em ciências. Houve quem comemorasse o aumento das notas  – apesar da colocação, a média em matemática subiu 5 pontos e a média geral, 1 ponto –, mas é inegável que estamos ficando para trás. O país que possui a sexta economia mundial foi ultrapassado no Pisa pelo Cazaquistão e Albânia.

A deficiência educacional não tem impactos apenas pedagógicos, mas gera ondas progressivas de danos, como uma pedra lançada ao lago. Um estudante mal formado entra no ensino médio já com incapacidade para acompanhar as matérias cada vez mais complexas. Basta um exercício prático: imagine o aluno médio de 15 anos, dono de um perfil indicado pela avaliação do Pisa. Lance-o três anos à frente. Como assimilará as obras de Guimarães Rosa? Como calculará as complexas matrizes ou reações químicas? Outro salto no tempo, o estudante chega à faculdade e, alguns anos depois, está às portas do mercado de trabalho, enfrentando as dificuldades de conquistar o primeiro emprego. 

Muitos conseguirão compensar as deficiências do ensino com um dedicado autodidatismo, mas outros tanto dependerão de competências e habilidades que somente poderão adquirir se forem beneficiados pela oportunidade de capacitação prática propiciada por programas de aprendizagem e de estágio. Mas, no final da história, quem paga a conta é o país, cujo desenvolvimento sustentável depende diretamente da qualificação de seu capital humano. Assim, independentemente do partido e do cargo a ser ocupado pelo candidato eleito – e de quem ganhar a Copa –, a educação deve ser a prioridade. 

 


Luiz Gonzaga Bertelli

Presidente Executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp

24 de Janeiro de 2014

A CRIAÇÃO E A DESTRUIÇÃO DOS MODELOS NO EXISTIR TERRESTRE

Estes dias conversando com uma pessoa ouvi de sua parte lamentos quanto às altas remunerações pagas aos jogadores de futebol. Depois fez comentários sobre o culto ao corpo e o vazio intelectual reinante entre a grande maioria dos seres.

Em seguida fiquei refletindo sobre tudo isso e percebi que não podemos culpar pessoas por altos salários e foco demasiado ao corpo. Como muitos de nós ainda vivemos na gestação e na infância espiritual, seguimos um modelo de vida mais fácil, não procurando muita sarna para se coçar, buscando quase inconscientemente a satisfação dos sentidos e o porto seguro da materialidade, ficando felizes quando essas coisas estão ok.

O que percebemos é que no existir terrestre os modelos vão nascendo, tomando corpo e depois inexoravelmente cedendo vez a outros, estando os humanos vivenciando eles nas transições, nascimentos ou existindo exatamente durante todo o tempo de um modelo em vigor.

O futebol, por exemplo, começou faz tempo com seres jogando coisas redondas para lá, para cá, depois os ingleses deram uma formatada e, hoje, as regras estão aceitas em todo o globo.

Com o tempo e a coisa certinha já em voga, fomos todos gostando muito do tal futebol, que começou a atrair a atenção do povo que sabe ganhar dinheiro, dos políticos que se aproveitam das massas, começando a tomar forma como diversão, como empresa e como ponte para cargos eletivos.

O modelo foi criando verdadeiros heróis, seres que se sobressaem e com suas habilidades levam países inteiros ao delírio. Inevitavelmente esses poderosos indutores da alegria coletiva são excepcionalmente bem recompensados.

Essa paga além do imaginado, não leva em conta a cor do sujeito, o berço do camarada, o seu gosto musical ou a sua religião. O vencedor desta loteria é verdadeiramente o que domina a pelota, o que faz dela sua refém e o que encanta as torcidas, com um futebol perfeito e eficaz.

No futebol, com milhões de imagens registrando cada milésimo do tempo do trabalhador em campo, só alcança a glória quem de fato é o melhor neste mister.

Quero dizer então, que não podemos cometer a injustiça de condenar fulano ou sicrano pelo alto salário que ganha. Estamos vivendo um modelo e, se alguém tem algo contra, que comece a falar, criar uma organização, protestar e propor mudanças ou sua extinção.

No existir terrestre já vivenciamos diversos modelos econômicos, políticos, religiosos, comportamentais e muitas pessoas já deram a vida pelo nascimento, sobrevivência ou a extinção de modelos.

Os seres, dentro deles, podem sim ser responsabilizados, criticados ou elogiados, tudo depende do ponto de vista e de como estamos situados nos modelos.

Para uma pessoa forte, saudável, que renuncia a pizzas e sorvetes de chocolate para manter um corpo malhado, a visão de um barrigudo lendo um livro, remete seu pensamento a uma condenação. O barrigudo, vivenciando outro modelo, também julga o fortão de acordo com sua percepção das coisas.

A vida é assim, cheia de modelos e, dentro deles, todos nós, vivenciando nossas picuinhas e caminhando, uns para a compreensão, aceitação e transcendência do atual para o ideal e, outros, estacionados em suas doses de satisfação pessoal, simplesmente vivendo de acordo com suas próprias conveniências e sem interesse nenhum em saber se existe algum modelo mais interessante.

Enquanto a Terra viver no modo expiação, todos os modelos seguirão lentamente suas sinas. Quem sabe um dia, no modo regeneração e, lá na frente, iluminação, os modelos acelerem e possamos ter mais luz em nossas existências. 


 


Flávio Rezende 

Escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN

10 de Janeiro de 2014

Produtividade e inovação

Qual a maior diferença entre o Brasil e Coreia? Se a pergunta fosse feita quarenta anos atrás, alguém mais bem humorado poderia dizer que aqui as pessoas não nascem com os olhos puxados. As duas nações ostentavam índices de produtividade e inovação muito parecidos. Ou seja, tanto aqui quanto lá um trabalhador apresentava mais ou menos a mesma produção, da mesma forma que os números de patentes se equivaliam. Hoje, o engraçadinho não teria tanto motivo para rir: o Brasil perde  - e feio - nos dois quesitos.

O concorrente asiático tem produção quatro vezes maior que a brasileira e está disparado no topo da lista de países mais inovadores, enquanto o Brasil amarga a 55ª posição. Os dados têm impactos diretos na economia brasileira cujo crescimento dá sinais de começar a perder vigor. Praticamente toda mão de obra qualificada está empregada e as organizações precisam descobrir novos meios para gerar mais divisas, continuando competitivas. 

Uma solução possível para curto prazo é estimular a criatividade e atenção concentrada nos jovens que chegam agora ao mercado de trabalho. A geração Y já se provou capaz de surpreender, dependendo apenas de treinamento e orientação de profissionais experientes. Nesse sentido, os programas de estágio e aprendizagem - bem como os vários cursos de educação à distância gratuitos que o CIEE oferece pelo site www.ciee.org.br - valem como um diferencial a toda modalidade de formação profissional.

A longo prazo há outras opções para a criação desses talentos. Na capital paulista, por exemplo, o Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec) - uma faculdade pioneira no país - está na reta final para receber e formar engenheiros focados no aumento de eficiência e na criação de novos produtos que possam garantir posições melhores para o Brasil no mercado internacional. Esse caminho, entretanto, ainda demorará a surtir efeito: os primeiros graduandos sairão dentro de quatro ou cinco anos.

A decisão de mudar a atual maneira de encarar a produtividade e a inovação não pode esperar tanto; assim é preciso adotar novas medidas nesse sentido para resultados também a curto prazo. A posição de liderança que o Brasil almeja no futuro depende dela. 

 

 


Luiz Gonzaga Bertelli  

Presidente Executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE),

da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp

20 de Dezembro de 2013

MELANCIAS NO PESCOÇO

Indignação e surpresa foram alguns dos sentimentos que tomaram conta de mim, quando assisti, completamente atônita, à reportagem informando que o Ministério Público vai fiscalizar a merenda que os professores comem nas escolas públicas. Segundo a notícia, a fiscalização será realizada para fazer valer uma lei criada e que, caso não seja respeitada poderá levar para a cadeia, diretores das escolas, merendeiras e professores, ou seja, quem comer a comidinha das crianças poderá conhecer os rigores da Lei. 

O fato é, no mínimo, curioso e deixou-se com a sensação de que o Ministério Público não tem muito com que se ocupar. Essa lei vem contribuir para formar crianças cada vez mais egoístas; senhoras de si e certas de que o mundo está cheio de pessoas apenas para servi-las.

Ora, é público e notório que a Educação Brasileira enfrenta problemas realmente sérios e ao invés de procurar meios para solucionar esses problemas, o MP se preocupa com um prato de cuscuz que professores comem nas escolas!!! Não dá para acreditar!!!  Na minha opinião, o MP teria muito mais visibilidade e receberia muito mais crédito da opinião pública, se passasse a fiscalizar a quantidade de material didático que é destinado às escolas, no início de cada ano letivo, por exemplo.

Seria bem mais proveitoso para o MP, fiscalizar os motivos pelos quais as verbas destinadas à Educação não chegam ao seu destino, conforme as notícias veiculadas na Imprensa Nacional todos os dias. Ora, façam-me o favor.

Se um nobre representante do Ministério Público estivesse dentro de uma escola, iria perceber que um prato de cuscuz destinado a um professor, não irá deixar qualquer aluno com fome. Mesmo porque, na maioria das vezes, eles apenas pegam a merenda, experimentam e jogam fora. Qualquer pessoa que conheça a rotina de uma escola sabe muito bem do que eu estou falando. O valor de trinta centavos destinado à compra da merenda escolar é que deveria ser fiscalizado pelo Ministério Púbico. 

Essa proibição era só o que faltava para a classe de trabalhadores na Educação. Tenho certeza de que os membros do MP, que demonstram uma grande preocupação com um prato de comida fornecida a um professor, desconhecem o fato de que os professores deixam por ano, dentro das escolas onde trabalham, o equivalente a um mês de salário. Esse dinheiro é utilizado para que os profissionais paguem pela água que bebem, paguem pelas festas comemoradas dentro da escola, tais como Carnaval, Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças, Encerramento do Ao Letivo, enfim, todos os eventos promovidos e praticados dentro da escola são realizados com o dinheiro do professor, que não é lá grande coisa. 

Se o MP quer mostrar serviço à Sociedade, sugiro que comece fiscalizando essa prática. Afinal, por que é o que o professor tem que arcar também com a responsabilidade de pagar pelas festas da escola? Se elas fazem parte do calendário letivo e se o professor é obrigado a promover o evento, que o pagamento com esses custos sejam cobrados à Secretaria de Educação. 

Existe um ditado popular, cuja afirmação é a de que, "as leis no Brasil existem para serem descumpridas". Se essa prática for mesmo verdadeira, ela não pode ser aplicada à Educação, porque o professor é o único servidor púbico, que jamais fica invisível para o chefe.

Ele é o único servidor público presente ao seu local de trabalho às 07:00h; também é o único que faz greve e é obrigado a repor os dias parados. Dou um doce e uma cocada a quem conhecer um médico sequer, que participou de uma greve e que foi obrigado a realizar plantões extras para compensar a população pelos dias não trabalhados. 

O profissional da Educação é o único servidor que vê sua carga de tarefas aumentar, sem poder cobrar horas extras; agora torna-se também o único a correr o risco de ser vítima de um processo, caso coma um prato de cuscuz no seu ambiente de trabalho. Pendurar uma melancia no pescoço e desfilar por entre os corredores de um Shopping Center também faz uma pessoa aparecer.

 

Nadja Lira

Jornalista - Pedagoga

13 de Dezembro de 2013

Inclusão social

Em pleno século XXI, o Brasil ainda vive uma perversa desigualdade que pode ser comprovada pela quantidade expressiva de analfabetos, de acordo com dados divulgados pelo IBGE: 13,2 milhões de cidadãos, que representam 9% da população com mais de 15 anos, não sabem ler nem escrever. O analfabetismo funcional – aquele em que as pessoas, apesar de ler e escrever, não conseguem compreender o que estão lendo, que escrevem com erros crassos de português ou encontram dificuldades para fazer contas básicas de aritmética – afeta 65% dos brasileiros entre 15 e 64 anos.

Para ampliar a discussão e buscar soluções que anemizem essa situação alarmante, o CIEE organizou o seminário sobre a Educação de Jovens e Adultos (EJA), com a presença de educadores, personalidades renomadas e representantes do poder público. Como instituição filantrópica que pratica assistência social, o CIEE tem consciência da importância da escolarização para a inserção no competitivo mercado de trabalho. 

O Programa de Alfabetização e Suplência de Adultos, mantido pela instituição, já alcançou o número de 52 mil pessoas atendidas. Em 5 anos, os alunos ganham a oportunidade de concluir o ensino fundamental e médio. Alguns deles avançam nos estudos em cursos técnicos ou até mesmo na graduação, garantindo assim vagas com boa remuneração. Outros descobrem sua veia empreendedora, abrindo o próprio negócio. Com a alfabetização de adultos, o CIEE promove a inserção social e o desenvolvimento dos menos favorecidos.

Hoje o aprendizado contínuo é quase uma obrigação. Mesmo para os altos cargos do mercado, que exigem conhecimentos cada vez mais atualizados. Um médico que não esteja plenamente atualizado com as novas tecnologias pode ter dificuldades para fazer um diagnóstico. 

Assim como um advogado pouco familiarizado com as novas demandas do direito, pode não contribuir da melhor forma para atuar em determinada causa. Um executivo que não fale inglês pode perder um bom negócio no mundo globalizado. Aqueles que detêm o conhecimento ampliam sobremaneira o leque de opções profissionais, resultando em mais qualidade de vida. 


 


Luiz Gonzaga Bertelli  

presidente Executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE),

da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp

06 de Dezembro de 2013

Gestão da Qualidade e Qualidade da Gestão (Parte 8)

Um antigo ditado popular diz que o Brasil acaba com a sauva ou a sauva acaba com o Brasil, e as formigas continuam carregando a nossa plantação para fora do país (“Santo do pau oco e o contrabando de minerais”. Fev/2013 por: Cardoso R.). Agora com mais evolução e tecnologia transportam a produção em aviões e navios, otimizando o tempo de transporte e as variedades de modais e embalagens. Exigindo uma qualidade cada vez maior dos produtos, determinam e fornecem as sementes que devem ser utilizadas, restringem determinados produtos agricolas, que eles mesmos inventaram outrora, como uma solução para a lavoura. Analisam a água utilizada e mecanizam a lavoura vendendo seus proprios equipamentos, denominados agora de implementos agrícolas.

Máquinas e equipamentos agrícolas são climatizados, para melhor conforto do operador. Possuem sistemas de iluminação que possibilitam um trabalho noturno, tornando a agricultura extensiva uma rotina de 24h. Conectados a satélites por equipamento GPS, permitindo assim uma antecipação do volume da safra durante a colheita. Quem detem as informações de colheita detem um controle do mercado, um controle da bolsa de mercadorias, disputada em bolsas internacionais.

Vão assim transformando e estocando nossas mercadorias e matérias primas em seus grandes formigueiros de além mar. Acabaram com as suas reservas minerais. Agora agregam valores a seus produtos e servicos, que tem mais valor nas suas cotações em dolares. Estão sempre a frente na história antecipando os destinos do planeta, controlando os rumos economicos, financeiros e geopoliticos.

Dentro dos seus próprios conceitos descobriram novas terras, com autorização da Igreja declaram-se donos destas novas terras descobertas. Como colonizadores, exploraram o que podia ser explorado com as tecnologias e necessidades da época. 

Continuaram a explorar outras areas do planeta. Como imigrantes determinaram o que plantar. Como se semeia, como se cuida da plantação e como se colhe a produção. Continuam a exercer atividades no setor primário, secundário e terciário, agora com valores agregados de tecnologia e tempo de pesquisa, tempo de civilização e tempo de conhecimento. Cuidam de tudo, para se prevenir das condições adversas, do frio, da fome e da guerra.

Povos estrangeiros sempre foram as nossas ameaças externas (Threats) e mal conseguimos unir nossas forças (Strenghts) para enxergar algumas oportunidades (Opportunities) para diminuir nossas fraquezas (Weaknesses) e contornar as nossas necessidades. Nos ensinaram a analise SWOT e não percebemos que precisamos uma análise SWOTN (and Necessity, need). Identificamos nossas necessidades, mas não a solucionamos satisfatoriamente, contornamos fazendo de conta que não existem e mais tarde elas aparecem com outros sintomas e outras características, e o ciclo continua "Tudo como dantes, no quartel de Abrantes", uma expressão idiomática de origem histórica.

Aprendemos a lição tal qual nos é ensinada. Para iniciar uma boa gestão da qualidade e preciso uma análise SWOT - Strenghts (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities (oportunidades) e Threats (ameaças). Traduzimos mas não entendemos que pode ser usado a terminologia FOFA - Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças. Traduzimos e não aplicamos, ocorre o status no uso da versão original, a histerese do habitus.

Não traduzimos tudo que e importado para ter uma oportunidade de trabalhar em uma multinacional. Mas todo poder que dita uma regra a ser seguida gera argumentos e instrumentos para ser derrotado. Com o tempo descobre-se o calcanhar de Aquiles ou como usar a funda de David.

Fatores internos são aqueles que podem ser controlados e fatores externos aqueles que não podem ser controlados, e os países chamados desenvolvidos sempre foram os fatores externos incontroláveis. A economia de bens e produtos tem por finalidade atender o mercado externo, mas não atende o mercado interno procurando criar uma força interna maior e capaz de pelo menos se equilibrar com as forças externas. 


 


Roberto Cardoso

(Maracajá) 

Cientista Social Jornalista Científico Reiki Master

& Karuna Reiki Master Sócio Efetivo do IHGRN

22 de Novembro de 2013

O mito Pelé

Pelo que diz a imprensa brasileira, não existe uma pessoa na face da Terra que não conheça o Rei do futebol.

Não existe um roteiro para se formar um mito. Ele se constitui por várias vertentes. No caso de Pelé, ele mesmo contribuiu decisivamente para sua posição inquestionável de maior de todos os tempos no futebol. Não sei a partir de quando, mas ele trata o jogador na terceira pessoa, exatamente para se descolar da pessoa humana e colocá-lo na dimensão inalcançável dos deuses.

Seus números são incontestáveis na totalidade. Isolados, muitos já foram superados. A começar pela questão dos gols em estaduais paulistas. Esse tipo de campeonato nunca existiu na Europa, o continente páreo ao sul-americano no futebol. Sobre seus títulos, começa com as três Copas do Mundo, mas só jogou para valer em duas. No Mundial de 1962 se contundiu logo no segundo jogo. Mas o título já o torna único a vencer três Copas como jogador.

Nos títulos de clubes, ficou sua marca registrada por ter vencido duas Libertadores e dois Mundiais. Mas os brasileiros sempre usaram a desculpa de que nossos clubes não se interessavam pelo principal torneio da América do Sul, numa tremenda contradição, já que o Santos sempre foi enaltecido exatamente por tê-lo vencido em duas oportunidades.

No período de Pelé como jogador do Santos, 1960 a 1974, esse mesmo torneio foi vencido três vezes pelo Estudiantes e pelo Peñarol, e cinco pelo Independiente. Na sua trajetória de Libertadores marcou 17 gols, tendo sido artilheiro apenas em 1965, cm 7 tentos, uma das menores artilharias desse período. Em quantidade de artilharia foi suplantado pelas duas vezes de Fernando Morena (Uruguai), Néstor Scotta (Colômbia) e Salvador Cabañas (Paraguai).

O décimo artilheiro de todos os tempos da Libertadores tem 9 gols a mais do que o Mito. Já o equatoriano Alberto Spencer, o maior artilheiro de todos os tempos, tem 37 gols a mais do que Pelé. Também suplantou com as três Libertadores vencidas e empatam em Mundiais de Clubes.

Da Copa do Mundo, nunca foi artilheiro e ocupa a 4ª posição em todos os tempos, ultrapassado pelos 13 gols de Just Fantaine (França), 14 dos alemães Gerd Muller e Klose e pelos 15 de Ronaldo Fenômeno, o recordista.

Nos campeonatos nacionais suas marcas estão longe de algo extraordinário. Marcou 34 gols em 84 partidas no Campeonato Nacional, na Taça de Prata 36 em 56 jogos, na Taça Brasil jogou 33 e marcou 30 e mais 49 nas 53 partidas que disputou pelo Roberto Gomes Pedrosa. Tem um total de 159 gols. 

Lionel Messi o ultrapassa na Liga dos Campeões da Europa. E acredito que ninguém pode ousar dizer que os vários campeonatos brasileiros sejam ou foram mais difíceis do que a UEFA Champions League.

Esses são dados concretos, de fato. Só que o futebol envolve muita subjetividade e se trata de um esporte coletivo, que não depende exclusivamente do indivíduo, mas se aplica a todos. O Rei se torna um deus no campo subjetivo. Ele deu o maior drible da história e perdeu o gol. Ele deu um chute do meio-campo tentando encobrir o goleiro, lance já inúmeras vezes repetidos e com a efetividade dos gols. Sobram as histórias contadas pelos súditos e historiadores. 

A maioria não foi gravada e por ter se tornado mito, o que seria um lance normal para qualquer outro jogador, para ele é algo de outra galáxia. Aqueles registrados pelas imagens já foram realizados por outros.

 

Outra distorção é aceitar a separação atleta do cidadão. Ele, Pelé, que tanto se notabilizou por defender as crianças pobres do Brasil, não reconheceu uma filha fora do casamento e não teve a sensatez de comparecer ao enterro.

Suas manifestações são notórias pela infelicidade. Em consequência, as desavenças com outros atletas destacados são recorrentes. Na transferência para a Udinese, em 1983, Zico foi até deselegante ao afirmar que da boca de Pelé e do bumbum de criança saem a mesma coisa. Romário foi mais criativo e reforçou ao afirmar que o Rei calado é um poeta.

No conjunto da obra, se quem presenciou tem o direito a afirmar que nunca viu nada igual, não pode querer tapar a boca de quem relativiza e compara a outros atletas. Costumam dizer que não se pode comparar por serem de "épocas diferentes". A recíproca tem de ser verdadeira. Também não pode servir para torná-lo um ser Supremo. 


 


Pedro Cardoso da Costa - Interlagos/SP

Bacharel em direito

 

14 de Novembro de 2013

Folha defende mensaleiros

No dia 11 de setembro a Folha de S. Paulo escancarou sua defesa em prol dos mensaleiros. Já havia feito no início do julgamento do mensalão. O jornal foi categórico: “algo que, vale repetir, esta Folha não incorpora. Aderindo ao princípio de que a pena de prisão só deve ser aplicada, em tese, aos casos de patente periculosidade física dos condenados, este jornal não vê motivo de satisfação no espetáculo de trancafiar, entre aplausos, este ou aquele figurão”.

Por essa ótica, quem usurpar milhões de dinheiro público não merece ir para a cadeia, a não ser nos casos de patente periculosidade física dos condenados.

Talvez os editorialistas nunca tenham presenciado ou nunca souberam de inúmeros assassinatos praticados em quase todos os casos que envolvem corrupção pesada e sempre com requinte de crueldade. Até alguns prefeitos já foram nessa. Celso Daniel, de Santo André e Toninho do PT, de Campinas, são apenas exemplos de destaque.

Fica claro, ainda, que seria mais grave uma pessoa dar um tapa ou ameaçar outra de uma surra do que um ministro “desviar” milhões de verba pública e, em decorrência, retirarem a merenda das crianças e pessoas morrerem nos hospitais sem atendimento médico.

No fundo, essa manobra matreira das verbas publicitárias que o jornal recebe do governo federal, e se colocar contra malfeitores da Administração Pública requer interesse maior, que não se encontra em jornais dependentes dos diversos governos. Além disso, a lei deve ser aplicada a todos quando está em vigência, sem distinção em razão da posição social. São essas mazelas do andar de cima que afundam este país e isso é do conhecimento de todos.

Por equívoco similar, o Sistema Globo de comunicação carregava o estigma, e muitos tinham dúvida, de ter defendido a Ditadura Militar. A certeza veio depois de 25 anos da reabertura democrática. Após longas justificativas de como imaginava que seria o golpe, o jornal O Globo assumiu o apoio e reconheceu seu erro.

Na atual conjuntura, a imprensa precisa estar em consonância com a sociedade, considerando que é um segmento que está na garganta da maioria. As manifestações agressivas contra jornalistas são prova inconteste da necessidade de não haver um divórcio conflituoso entre imprensa e sociedade.

Talvez seja exclusividade da Folha não associar corrupção à violência. Seus editorialistas podem ficar tranquilos porque, geralmente, corruptos de primeira não dão socos nem pontapés; o risco é bem maior, pois corruptor de verdade não deixa hematomas, apenas rastros de sangue e órfãos de pai e mãe. 


 


Pedro Cardoso da Costa - Interlagos/SP

Bacharel em direito

08 de Novembro de 2013

Viajando e aprendendo cada vez mais

Tendo como gancho um congresso espírita utilizei serviços de uma agencia de turismo e de férias do trabalho, direcionei meu corpo e minha mente para breve estada em Asunción, no Paraguai.

Da mesma maneira que procedo em quase todas as viagens que realizo sozinho, utilizo o transporte comum como ônibus de linha, eventualmente um taxi ou metrô e muitas caminhadas, para ir curtindo o cotidiano dos cantos e recantos que visito, jogando olhar para as pessoas, os prédios, ruas, parques e, eventos culturais que minha situação financeira possa alcançar.

Em Asunción tive a oportunidade de ir por duas noites para um festival internacional de jazz, podendo relembrar este estilo musical tão rico e emoldurar minha presença no evento com pensamentos elevados do quanto é importante incorporar a nosso cotidiano, ritmos que possibilitam satisfação interior, como é o caso do jazz.

A lição que reforcei dentro do meu ser foi a de que a música precisa estar cada vez mais presente em vários momentos de nossa existência, ou seja, no ambiente de trabalho, nas relações familiares, nas comemorações de uma maneira geral e, em sendo uma melodia que promova o engrandecimento pessoal, agregará sublimado valor tornando tudo mais divino e maravilhoso.

No congresso espírita, apesar de ter ido muito pouco, reforcei internamente a necessidade de manter a conduta do bem, tendo ouvido de uma proeminente autoridade no assunto, relatos de devotos de Jesus que, mesmo acossados pelo perigo da crença que professavam em tempos difíceis, eram rochas na fé que seguiam e hoje exemplificam perseverança em eventos por todo o planeta, sendo considerados os pilares do universo cristão em que boa parte dos terráqueos esta inserida.

As caminhadas por ruas paraguaias revelaram muitas outras coisas. Andando por vários países, percebemos as diferenças econômicas, os costumes, a paciência, a gastronomia, com uns estando mais avançados nuns aspectos, que por sua vez complicam outros, existindo ganhos e perdas no ranking de se estar mais ou menos modernos, digamos assim.

A alta tecnologia, na medida em que nos insere num novo universo, possibilitando diversões e ferramentas uteis no trabalho comum, promove nosso isolamento, com ilhas de seres navegando por universos paralelos, mesmo que fisicamente agregados num mesmo continente.

Em países onde a tecnologia não está tão presente ainda, podemos perceber mais ajuntamentos humanos nos moldes antigos, menos luzinhas acesas e, a certa precariedade em diversos setores da vida, passa a ter certo charme, vez que a nova sociedade cibernética, também tem seu lado negativo, principalmente esse de ficarmos individualizados em meio a coletivos.

No Paraguai ainda não existem muitos carros e o trânsito flui tranquilamente. Semáforos são raros, as pessoas ainda tomam a bebida nacional em todo canto, as roupas não exibem tantas estampas estrangeiras, tudo é meio anos 80, oferta de produtos limitada, preços baixos, raros turistas, simpatia por todo lado e um lugar onde nos sentimos seguros.

As opções não são tantas e até minha cidade Natal do nordeste do Brasil creio ser mais moderna que a capital Asunción, mesmo assim, sinto que é importante o planeta ter muitos lugares ainda assim, afinal, essa vida mais ou menos que ainda se pratica na maior parte do planeta é a vida mais sentida, mais vivida, mais próxima de certa humanidade em que nos reconhecemos como seres.

No futuro vamos estar todos nivelados por uma alta tecnologia que vai nos elevar a outro patamar de existência. Isso terá um preço e ele passa pela relativização da nossa humanidade. Vamos renunciar a uma parte humana em favor de uma parte máquina.

No futuro, ao voltar a Asunción, deverei comparar os sentimentos de um humano puro caminhando por uma cidade ainda discretamente moderna, com um humano híbrido, navegando por uma metrópole digital. Hoje sou feliz, amanha também serei?

 


Flavio Rezende   

Escritor e jornalista em Natal-RN 


 

01 de Novembro de 2013

Sua Excelência, o presidiário

Na semana passada, exatamente no dia 28 de agosto de 2013, a Câmara dos Deputados, por voto secreto, manteve o mandato de deputado federal do presidiário Natan Donadon, condenado a mais de 13 anos de reclusão por desvio de mais de oito milhões de reais quando era diretor da AssembleBia Legislativa de Rondônia.

Essa decisão decorreu da complexa interpretação se seria o Supremo Tribunal Federal ou a própria Câmara quem teria competência para cassar o mandato de deputado condenado pela Suprema Corte. No julgamento do mensalão, por cinco votos a quatro, o entendimento foi de que seria o Supremo. Esse entendimento se inverteu com os votos dos dois novos ministros Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso, que ingressaram após a primeira votação. Caberia à Câmara a cassação dos mandatos. De imediato, veio o teste com a votação do mandato de Natan Donadon e a Câmara decidiu pela manutenção.

Surpreendente mesmo foi a surpresa de todos com a manutenção do mandato. Em jogo, o resultado só poderia ser a vitória ou derrota. Perdeu a sociedade. A Câmara fez valer sua autonomia. Ainda que revoltante, aconteceu o previsível.

Nem mesmo o telhado de vidro de Renan Calheiros lhe serviu para o silêncio adequado. Ele escapou da cassação, há seis anos, pelo mesmo anonimato do voto secreto. Faltava manter um presidiário deputado; agora não falta mais.

Existem mais dúvidas do que certezas em todo esse imbróglio. O ministro Luís Roberto Barroso concedeu liminar para suspender a sessão da Câmara, exatamente ele que permitiu ao Legislativo exercer sua independência, certa ou equivocada.

Os defensores de que a cassação é prerrogativa da Câmara alegam que uma decisão judicial feriria a legitimidade concedida pelo povo ao parlamentar. Esquecem que a Constituição é escrita pelos representantes do povo e define nela as regras a que todos, indistintamente todos, estão submetidos. Mesmo o presidente da República jura seu fiel cumprimento. Ademais, estar-se-ia punindo o descumprimento à legitimidade que lhe fora outorgada pelo povo e, portanto, nada haveria de contraditório nem arbitrário.

Se a decisão da Suprema Corte de determinar a prisão não tivesse força para ser cumprida, com a suspensão dos direitos políticos, o condenado não poderia votar nem ser votado para cargo público, mas poderia modificar a própria Constituição.

Para exemplificar, supondo-se que uma pessoa esteja em estado terminal por inanição e que sua salvação dependeria de uma maçã que lhe foi doada num invólucro de vidro, sem nenhuma abertura, poderia comê-la, desde que mantivesse o recipiente intacto.

Não tem relevância a nomenclatura que receba: quando um político sofre uma condenação criminal, a perda do mandato é automática, sem nenhuma necessidade de outra formalidade, pois a prisão deve ser efetivada independente de qualquer ato da Mesa da Câmara ou de outro órgão.

Só para constar, os embargos infringentes visam a apreciação, por uma instância superior, de decisões que contenham posições jurídicas conflitantes, bastando um voto divergente e não quatro. Entretanto, parece estar em xeque o entendimento pacífico de que o Supremo seja a instância máxima da Justiça no Brasil em razão da interpretação sui generis de alguns magistrados em defesa do cabimento desse recurso na Corte.

Essa lengalenga no julgamento dos mensaleiros e de colocar deputado condenado no xadrez só reforça a teoria de que a "justiça é forte demais contra os fracos, e muito frágil perante os fortes". Apesar do prolongamento infinito do julgamento no STF, a força dos lobbies não pode se sobrepor a ponto de evitar que essa turma pague pelo que fez. 


 


Pedro Cardoso da Costa

Interlagos/SP 

Bacharel em direito

 

25 de Outubro de 2013

Maior instituição brasileira

Talvez tenha pensado que seja uma empresa ou uma ONG, mas se trata da corrupção. Está presente em todos os órgãos públicos, na imprensa todo dia, e em casos cada vez maiores e crescentes.

Apesar de sua amplitude, em algumas profissões ela está mais presente devido à atividade, como fiscais, agentes de trânsito, bem como em algumas entidades, incluindo ministérios. No primeiro ano do atual governo, sete ministros foram demitidos e nem isso inibiu a sanha das quadrilhas. O ministério campeão é o da Previdência Social, há muito se tornou hors concours. Jorgina de Freitas, uma advogada do Rio de Janeiro, tornou-se seu símbolo maior.

Essa corrupção aparece no órgão responsável pela compra de fraldas, passa por prefeituras, câmaras municipais, assembleias legislativas, chega aos ministérios, inclusive a Casa Civil, antessala da Presidência da República. Não há meios de saber em qual dos poderes ela sobressai. É monumental no Legislativo, no Judiciário e no Executivo. Em todos têm a mesma operacionalidade, grassa livremente até que a imprensa denuncie, sempre em patamares dos milhões, bilhões, causando espanto nos mesmos gestores que se omitiram por anos ou décadas a fio, e traz a queda de dominó como resultado imediato.

Agora em setembro de 2013, como café requentado, surgem denúncias sobre alguns ministérios, em especial nos Ministérios do Trabalho e da Previdência Social, dos quais caíram os ministros há dois anos.

De imediato - sempre assim - se descobre que as empresas envolvidas estão irregulares e nem sequer poderiam contratar com o poder público. Poderia se questionar como, com tanta tecnologia, não se tira uma certidão instantânea que comprove a normalidade da empresa. Simples, a corrupção é, no mínimo, ignorada, e na maioria dos casos aceita, permitida e desejada por todos os envolvidos. Se não fosse assim, ao menos alguns empecilhos surgiriam no seu percurso de procedimentos e alguns casos seriam impedidos.

Como não existe nenhuma iniciativa efetiva de combate, desta vez a banalização foi no Sistema Único de Saúde - SUS. Conseguiram pagar operação de próstata de uma mulher e parto de um homem. Ainda que se tenha evoluído para a transformação de sexo, mas essa alteração fica no campo da anatomia. A Ciência ainda não conseguiu mudar a genética a esse ponto.

Qualquer programa primário, até fútil, conseguiria impedir automaticamente o registro de um parto masculino ou o pagamento de uma cirurgia prostática feminina. No governo federal isso é impossível. Ainda foi coroado com justificativas eloquentes e por promessas de programas avançadíssimos, com tecnologia de última geração, capazes de detectar situações supercomplexas, como o parto de um homem e a próstata de uma mulher.

Enquanto não se estancar essa sangria, não adianta colocar mais dinheiro na Saúde, defendida por muita gente interessada em aumentar a natalidade masculina. Nem deu para falar da corrupção das políticas públicas oficiais, como a contratação de empresas especializadas em servir cafezinhos. Com essa indústria fomentada da corrupção, ninguém tem o direito de se espantar com os R$ 4 bilhões anuais indo pelo ralo, apenas no Ministério da Previdência Social, consumidos pela maior instituição brasileira de todos os tempos: a corrupção generalizada. 


 


Pedro Cardoso da Costa

Interlagos/SP

Bacharel em direito

18 de Outubro de 2013

Gestão da Qualidade e Qualidade da Gestão (Parte 6)

As instituições públicas de fomento e apoio à pesquisa (inclusive FAPERN), já declararam e decretaram uma nova ordem social: O conhecimento deve ser socializado e popularizado, deve sair do circulo fechado de pesquisadores, que publicam suas pesquisas e descobertas através de canais midiáticos científicos, de cientista para cientista, formando um circulo de poder. Agora o conhecimento deve ser publicado em mídias populares e dirigido ao publico em geral, desmitificando a ciência e evitando cientificismos. Globalização mercadológica e globalização do conhecimento. Populariza-se o conhecimento e aumenta-se a capacidade de compreensão do leigo.

As opiniões de Gabriel Chalita (Praiamar Natal Hotel & Convention, em 08/07/13), remeteram algumas vezes ao pensamento do sociólogo frances Pierre Bourdieu, que escreveu um livro e disse que o mesmo era um livro para ser queimado (Homo academicus, 1984.1992 em Paris e 2011 em Florianópolis). Bourdieu expos sua opinião sobre professores universitários que disputam títulos entre si para não perder suas posições, colocam obstáculos de informação e conhecimento para que outros não cheguem a seu lado para disputar uma cadeira ou posição. Chalita com outros argumentos, com comparações aqui e ali fez o mesmo olhar bourdiesiano durante o evento, em relação a atual posição do corpo docente de hoje.

Professores distinguem-se entre si por portadores de títulos de especialistas, mestres e doutores. Uma nova classe vem surgindo e se posicionando recentemente no meio acadêmico, a de pós-doutores. Criando assim mais uma classe de destaque, e mais um degrau a escalar, os símbolos constituídos do conhecimento específico, a escada simbólica do conhecimento e do poder.

Com a popularização do conhecimento e a globalização, os títulos vão perdendo o seu valor, ira valer o conteúdo de cada um. A mercadoria do século é a informação e cada um valerá por seu conteúdo e sua cotação no mercado. Vivemos hoje o exemplo da importação de médicos. Tal como o governo importa produtos para forçar uma baixa de preços no mercado interno, vem importando mão de obra estrangeira para criar um a concorrência no mercado profissional da medicina, provocando baixa nos salários e interesses no mercado de trabalho em atendimento a uma necessidade básica, saúde. Uma relação de custo e beneficio, é preciso sacrificar o profissional de saúde no Brasil, até que o mercado se estabilize.

Mas a regra social e científica de hoje é outra, o conhecimento esta convidado a sair para as ruas ultrapassando os muros universitários. Uma parcela já vem chegando, e outra, muito maior já deveria sair do ambiente universitário através dos projetos de extensão. Um projeto de extensão é a universidade estender seu compromisso social com a sociedade, com a periferia do seu redor. Permitindo ao aluno a pratica dos seus saberes sob um controle e orientação de professores. A pratica antes da formação, uma necessidade dos cursos de pequena duração, os denominados CST.

O mundo esta com uma nova vibração e cabe aos gestores educacionais correr atrás do bonde do tempo, ainda há tempo de montar uma estrutura educacional ao nível do estudante que ingressa em faculdades. Caso contrario, serão atropelados por uma nova geração de candidatos da geração A, B, C, ... X, Y, ou Z, com HD e processador próprio, dispensando a necessidade de professores. A internet colocou o saber ao alcance de todos, enquanto os aparelhos celulares colocaram o conhecimento na palma da mão. Vivemos hoje uma era imaginada pela ficção científica.

 

 

Roberto Cardoso

(Maracajá)


Cientista Social Jornalista Científico Reiki Master

& Karuna Reiki Master Sócio Efetivo do IHGRN

11 de Outubro de 2013

Letras para a cidadania

Apesar dos avanços sociais que permitiram a expansão da rede pública de ensino, a universalização do ensino básico e a queda da taxa de analfabetismo entre jovens e adultos, uma enorme parcela da população ainda não teve condições de frequentar regularmente a escola, seja pela distância, pela necessidade de trabalhar ou pela falta de estímulos.

Oriundas, principalmente, das camadas mais carentes da sociedade, essas pessoas, excluídas do universo dos saberes, encontram dificuldades para buscar uma colocação no mercado de trabalho. O número de analfabetos entre os maiores de 15 anos, em 2011, segundo o IBGE, era de 8,6 milhões de pessoas, um contingente ainda grande, apesar da redução gradual que está em curso – dez anos antes, eram 12,4 milhões de iletrados.

O analfabetismo e a baixa escolaridade são verdadeiros bloqueadores de sonhos. Essas pessoas – que querem produzir e ter uma vida digna, ter um emprego que assegure direitos trabalhistas e salário decente – encontram dificuldades para exercer plenamente a cidadania, pois conseguem compreender um documento ou mesmo fazer uma conta de subtração.

Para atenuar a situação discrepante com a necessidade da nação que precisa voltar a crescer, o CIEE criou o programa de Alfabetização e Suplência Gratuita para Adultos, voltado para aquelas pessoas que não tiveram a oportunidade de frequentar a escola regularmente.

Desde o início do programa, em meados de 1997, já passaram mais de 50 mil pessoas pelas salas de aula montadas em empresas parceiras, igrejas, centros comunitários e nas unidades do CIEE. O programa oferece gratuitamente material didático-pedagógico, uniformes, vale-transporte e vale-lanche. As aulas são ministradas por estagiários especialmente capacitados para a função.

Atualmente 24 empresas participam com o CIEE do projeto em polos localizados em São Paulo e interior, em Salvador e Brasília, com um total de 100 salas para as aulas. O curso traz situações curiosas como o número crescente de estrangeiros, vindos principalmente de países da África e da América Latina, que procuram o CIEE para aprender a língua portuguesa e a cultura do nosso país.

Como disse o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, recentemente, “a alfabetização é fundamental para a construção de um mundo inclusivo, sustentável e em paz”.


 


Luiz Gonzaga Bertelli 

Presidente Executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE),

da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp



 

04 de Outubro de 2013

Insegurança nossa de cada dia

Cada governo tem motes na sua administração. Na do presidente Fernando Henrique Cardoso, um deles eram os pacotes lançados. Lançava-se pacote para tudo e para a segurança pública foram lançados alguns.

No roteiro de cada lançamento não faltavam críticas à população, por querer resultados imediatos e a promessa de que a partir dali a coisa ia funcionar. Pela média atual de quarenta mil assassinatos-ano, nos oitos de FHC foram, ao menos, meio milhão de mortos. Pela média nacional de apuração, de cada 100 assassinos, 97 ficaram impunes.

Nós, cidadãos comuns, não conseguimos entender por que não existem medidas efetivas de combate à criminalidade. Além dos números contradizerem quaisquer argumentos positivos das autoridades, todo dia a população ainda se surpreende com alguns crimes pela simplicidade e reiteração como são praticados.

No último dia 26 de setembro de 2013, foi preso Edson Arcanjo do Carmo, suspeito de cometer mais de cinquenta assaltos no mesmo lugar, com a mesma estratégia, sem nunca ter sofrido uma abordagem policial.

Logo se imagina que isso ocorria na Amazônia, lá numa estrada de barro sem nenhuma presença de policiais, onde toda a população estivesse subjugada pelos bandidos. Não foi lá. Isso ocorria aqui em São Paulo, num acesso à rodovia Raposo Tavares, nas proximidades da capital, uma das principais vias do estado.

Outro espanto se dá com a cobertura do caso pela mídia: não se pergunta a nenhuma autoridade por que nunca prenderam esse rapaz, que roubava há mais de seis meses sem nenhum constrangimento, à luz do dia.

O ponto era tão lucrativo e sem risco, que era rateado com um familiar e colega de profissão, que ainda não foi preso, segundo o noticiário. Pela inteligência demonstrada pelas forças de segurança, agora eles devem estar todo dia lá naquele acesso. Aviso que assaltantes são sempre maus, mas nunca burros. Ele já deve ter mudado de ponto. Só para não perderem tempo nesse local.

Quem não tem conhecimento, quer saber como o rapaz foi preso. Uma moradora nas proximidades, ao perceber a reiteração dos assaltos, resolveu se arriscar, filmou os assaltos e forneceu as imagens à Polícia.

Agora, cabe perguntar ao secretário de Segurança de São Paulo, e ao responsável principal pela (in)segurança, o governador Geraldo Alckminn, se não seria o caso de abrir algum procedimento administrativo para apurar a negligência. Num caso desses, parece não restar dúvida de que houve, apenas para apontar os responsáveis.

Ou ao menos, como virou moda, que venha a público e peça desculpas à sociedade pela "ingenuidade" de seu aparelho policial e reafirmar que a força estatal é veemente contra manifestantes mascarados. Com o rosto descoberto pode assaltar à vontade; no mesmo lugar, o dia inteiro, por longos meses e quem sabe, por anos. E se não é a genialidade de uma dona-de-casa, o assaltante continuaria em paz no seu "trabalho" diário.

 


Pedro Cardoso da Costa - Interlagos/SP

Bacharel em direito


 

27 de Setembro de 2013

Gestão da Qualidade e Qualidade da Gestão (Parte 4)

O Brasil foi concebido e construído, evoluiu com bases e modelos copiados, reproduzidos por dominadores e absorvidos com a posição de dependente. Estas condições de pertencer a terras descobertas e a uma terra colonizada ficaram encravadas na cultura brasileira, um arquétipo do dependente, que os governos e governantes sempre reproduziram. Com culpas e desculpas, até hoje justificamos a atual condição de política e de políticos atribuindo aos primeiros imigrantes vindos de Portugal, após o descobrimento.

Agora com a industrialização vivemos de modelos tayloristas, fayolistas e fordistas. Nas faculdades as disciplinas da teoria da administração começam a partir da Revolução Industrial. Onde sequer são citados nomes brasileiros de empreendedores como exemplo, o Barão de Mauá que implantou a primeira estrada de ferro brasileira. O mundo voa em Boeings e Airbus, mal nos lembramos de que o primeiro homem a voar com um mais pesado que o ar foi um brasileiro, que ainda jovem dirigia o carro da família e despertava interesses em aeronáuticos.

O ponto alto da reunião sobre educação básica e profissional, para o desenvolvimento do RN (08/07/13), foi uma palestra, uma quase aula, de Gabriel Chalita. E um dos exemplos citados em sua explanação, foi o escritor Machado de Assis, que de origem pobre ouvia as histórias que sua mãe adotiva contava antes de dormir, histórias interrompidas para que o fim pudesse ser contado no dia seguinte. As histórias ouvidas sem um fim proporcionaram a Machado de Assis imaginar uma diversidade de encerramentos e finalizações, proporcionando um ganho de imaginação e conhecimento, podendo imaginar diversos desfechos, que seriam desvendados no dia seguinte sem, contudo causar um ponto desmotivador por não ter idealizado o que realmente aconteceu, mas aumentou a gama de soluções a outras situações.

Com o exemplo de Machado de Assis, ficou clara a sua valorização dos atores sociais locais. Chalita ainda fez comentários sobre a obra e as ideias educacionais de Anísio Teixeira copiado pelo Chile e Paulo Freire adotado nos EUA, brasileiros desprezados por brasileiros, adotados por estrangeiros.

Ainda Chalita. Ele fez comentário interessante sobre um mestrando ou doutorando ser arguido pela sua banca de defesa e não ter uma resposta de imediato como pudessem desejar alguns membros da banca. Chalita entende que um mestrando ou doutorando, que tenha estudado determinado assunto por um período de dois a quatro anos possua um conhecimento profundo do determinado assunto muito maior do que a banca, e que não possa ser duvidado de sua sabedoria por algum membro da banca de avaliação. Baseando-se na opinião de Chalita podemos transpor a um curso de graduação onde o professor tem dois meses para preparar uma prova (com avaliações bimestrais), podendo consultar provas anteriores, anotações e livros, ao passo que o aluno só terá uma hora para responder a mesma prova sem direito a consulta. E ainda devera responder tal qual o professor ensinou. Não devendo, por exemplo, responder em uma prova que um dividido por dois é igual a seno de 30 ou que dois mais dois é igual a raiz

quadrada de dezesseis. Há professores que não compreendem igualdades, que seis e a meia dúzia representam um mesmo valor quantitativo.


 


Roberto Cardoso

(Maracajá) 

Cientista Social Jornalista Científico Reiki Master &

Karuna Reiki Master Sócio Efetivo do IHGRN 

20 de Setembro de 2013

Gestão da Qualidade e Qualidade da Gestão (Parte 3)

 

Um público seleto e otimista reuniu-se, no mês de julho, em um hotel na cidade de Natal/RN (08/07/13), para discutir, falar e ouvir assuntos pertinentes à educação básica e profissional, elementos básicos ao desenvolvimento, no caso o desenvolvimento do RN. O evento aconteceu no Praiamar Natal Hotel & Convention, onde autoridades e especialistas debateram pontos fortes e pontos fracos na busca de soluções ao desenvolvimento do RN. Estiveram presentes, professores, coordenadores, diretores e interessados no tema educação. O evento contou com a participação de reitores do IFRN e UFRN, dos presidentes da FIERN e FECOMERCIO. Representantes do MCT, da SEEC, do MEC/STEC e do SESI.

A temática principal foi “Gestão e qualidade da educação básica”. Afastando-se do evento e buscando um olhar da Gestão da Qualidade, um olhar entendido como científico, vamos encontrar as semelhanças da prática ali exposta por aqueles que exercem a prática de educação. Naquele momento foi uma prática exposta de maneira simples e objetiva, sem cientificismos como a teoria descrita nos livros e técnicas de controles de qualidade (Quality Control). A medida do possível, no evento tentou-se dispensar modelos e termos americanizados.

Mas fazendo um olhar de Gestão da Qualidade (Quality Management), podemos analisar o evento. Tentou-se definir as forças (Strenghts) e as fraquezas (Weaknesses), buscando e destacando as saídas e as opções, as oportunidades (Opportunities) e as ameaças (Threats), para o desenvolvimento do RN. Ainda assim o evento aconteceu com uma linguagem simples e adequada ao público, evitando modismos e americanismos da gestão e da administração. Onde se conclui que saber estrangeirices não é o suficiente, nem necessário a uma boa gestão. A chamada e denominada e academia ensina, mas não pratica a análise do chão, a escuta da opinião dos cooperados, a escuta daqueles que são a base da sua existência, e os alunos.

Aliás, hoje as faculdades oferecem aos alunos um questionário de avaliação, onde o aluno dá suas opiniões quanto as estruturas físicas, modelos educacionais e etc. Pura formalidade, não se tem acesso aos resultados, não se sabe se as análises negativas irão gerar ações de melhoria. Alunos são moldados ao mercado de trabalho, ensinam-lhes o olhar empresarial. E o resultado está nas ruas, os alunos estão em busca de uma libertação do modelo formatado.

No evento estiveram presentes representantes da esfera federal, estadual e municipal exibindo novos planos da educação superior e a educação profissionalizante de segundo grau. Foi a oportunidade de dirigentes, coordenadores e professores ouvirem aqueles que representam os ambientes das salas de aulas.

O ponto culminante do evento foi a aula/palestra de Gabriel Chalita, personagem com um currículo de professor, escritor, advogado, jurista e Deputado, coberta pelo tema central do evento: “Gestão e qualidade da educação básica”.

Em uma época que ganhos eram produzidos pela manutenção de dinheiro em bancos e aplicações financeiras a economia já foi criticada pelo uso da linguagem do economês que só os peritos na matéria compreendem. Hoje estão no pódio a administração e a gestão da qualidade que se utilizam de nomenclaturas importadas causando um não entendimento a quem não pertence e não tem conhecimento da área e da causa.

O Brasil é um país originalmente, historicamente descoberto e colonizado pela realeza europeia. Um país de dimensões continentais, mas ainda não perdeu sua posição de colônia perante o mundo, o modelo e a condição de dependência ainda estão no sangue do brasileiro.

 

 


Roberto Cardoso

(Maracajá)

Cientista Social Jornalista Científico Reiki Master & Karuna Reiki Master Sócio Efetivo do IHGRN


 

 

 

13 de Setembro de 2013

Gestão da Qualidade e Qualidade da Gestão - (PARTE 2)

 

A educação está em pauta, está nas ruas. A educação está em pauta e está em recintos fechados também, está em conferências e seminários. Afinar os motores do desenvolvimento é uma necessidade. A busca de uma mudança de paradigmas, um novo azimute deve ser determinado.

O pensamento do ser humano é cartesiano, e por isto há sempre uma necessidade de repensar fatos para nortear novamente a um novo futuro, um novo porto. Realinhar o rumo do barco analisando ventos, velas, leme e capacidade de propulsão da embarcação. Um navio segue na direção do seu porto de destino, mas tem sua rota alterada por ventos e correntes marítimas e vez por outra é necessário corrigir a rota. Com uma bússola, cartas de navegação, compasso e esquadros, o piloto corrige as rotas de navegação, traçando um novo rumo, onde o alvo continua sendo o porto de destino.

A visão cartesiana exclui o mundo, define rumos e metas baseando-se em gráficos e números, e o mundo é exercido por pessoas, por atores sociais, que alteram o rumo do mundo e da sociedade, tal como o rumo do navio, daí a necessidade de traçar novos rumos para a sociedade. Hoje a sociedade passa por uma tempestade de ideias, um brain storm social vem acontecendo nas ruas.

René Descartes intuiu e deduziu que pensava, mas não identificou o que pensava. Quando alguém pensa, logo pensa em alguém ou em alguma coisa, em algo, em um objetivo. Descartes mostrou um leque de rumos de 360 graus, mas não mostrou a direção. Os governos querem sejam eles federais, estaduais ou municipais perderam os rumos, as direções de seus barcos durante a travessia. Diz um ditado que não se faz bons marinheiros com calmaria. Vamos aguardar os resultados depois da tempestade, também se diz que depois da tempestade vem a bonança, mas cuidado! No olho do furacão existe uma calmaria.

Em tempos de águas revoltas o melhor a fazer a buscar abrigo em um porto seguro. Avaliar os estragos e programar reparos, abastecer o barco de provisões e decisões para ai então lançar-se novamente ao mar. Traçar novos rumos, estudar as cartas de navegação, distribuir tarefas aos tripulantes. Simular situações de crise para que cada um saiba o que fazer em momentos de crise, que possam colocar o navio em perigo. Quando os barcos eram menores e navegavam a distancias mais curtas ainda era possível baldear água para evitar levar a navegação a pique. Hoje o barco é maior, em um mundo globalizado, as empresas são maiores e o numero colaboradores pode ser enorme.

Eventos para discutir a educação já vêm acontecendo em Natal/RN. Um evento promovido pela série Motores do desenvolvimento do RN. Um seminário onde a temática principal foi gestão: “Gestão e qualidade da educação básica”, apresentado por Gabriel Chalita, professor, escritor, advogado, jurista e parlamentar, que apresentou uma palestra com argumentos de uma classe de aula, marcada por seu conhecimento amplo e profundo sobre o tema, avaliando sobre diversos pontos de vistas determinados a partir de cada uma de suas ocupações e conhecimentos. 

 

 


Roberto Cardoso

(Maracajá) 

Cientista Social Jornalista Científico Reiki Master

& Karuna Reiki Master Sócio Efetivo do IHGRN

06 de Setembro de 2013

Mais uma chacina estatal em obra

No momento em que No No momento em que escrevo, São Paulo vai contando mais algumas vítimas de um prédio que desabou na avenida Mateo Bei, Zona Leste. Queda de prédios em construção no Brasil se tornou tão comum que já caiu no inconsciente coletivo e as pessoas não ficam mais indignadas com a repetição de desabamentos, na sua quase totalidade poderiam ser evitados, se houvesse fiscalização adequada dos entes públicos.

Como sempre, os bombeiros são os primeiros prestimosos a chegarem ao local, com a reconhecida eficiência de sempre; cães farejadores, gritos vindo dos escombros, familiares destruídos pela dor e pela imprensa, são cenas iniciais dessas catástrofes já tão corriqueiras, só comparadas às de vítimas de enchentes. O sensacionalismo da imprensa se torna irrelevante perante a gravidade dos fatos.

Depois, vão surgindo os corpos desfalecidos daqueles indefesos, concomitante às justificativas das autoridades envolvidas. Apontar a irregularidade ou clandestinidade da obra é a cena inicial desse tipo de filme de horror, e essa confirmação vem acompanhada de uma fisionomia leve da autoridade que traz a boa nova, como se sua responsabilidade se esgotasse aí.

Nesse desabamento, essa função ficou a cargo de Chico Macena, secretário das subprefeituras, responsável em tese pela fiscalização, que assegurou não haver falha por parte da prefeitura. Ele foi categórico: "para nós era uma obra embargada pela Prefeitura. Portanto, irregular do ponto de vista da execução". Sua expressão de leveza contrasta com às fisionomias desesperançosas e resignadas de humildes familiares e amigos. Faltou só o toc...toc. toc... de Marco Aurélio Garcia quando se concluiu que não ouve falha de órgãos federais no acidente da TAM em 2007. Nenhuma palavra de pesar aos familiares das 199 vidas perdidas.

Para ser iniciada, toda construção precisa de um alvará da prefeitura. Mesmo com uma interpretação leiga, imagina-se que essa autorização tenha a finalidade de garantir segurança a todos os envolvidos. Trata-se de um serviço que não traz embutido um risco de vida iminente, se fosse assim, os funcionários deveriam ter seguro de vida obrigatoriamente. Não consta que exista essa exigência. Nos chamados BRICs, Brasil, Rússia, Índia e China, tornaram-se rotineiras as tragédias envolvendo obras concluídas ou em construção. Das autoridades de lá não se conhece as justificativas, mas as alegações das nossas são piores do que a irresponsabilidade e negligência que destroem tantas vidas.

Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e o afundamento da estação Pinheiros do Metrô paulistano são exemplos recentes de fatos e explicações.

Ainda que se trate de um modo de agir generalizado, no caso do prédio citado, a prefeitura de São Paulo ao apontar irregularidade atesta explicitamente seu conhecimento. Multar por duas vezes escancara indícios cristalinos de negligência ou de corrupção. Ainda que as multas tenham sido aplicadas por irregularidades não relacionadas ao acidente, elas refutam desconhecimento e uma vez conhecida, toda construção deve estar de acordo com as normas legais.

Quando à negligência com vista à instrução penal, as dez mortes dispensam outras provas; já a corrupção precisa formalmente de apuração.

As responsabilidades cíveis e criminais dos demais envolvidos devem ser apuradas e individualizadas para efeito de indenização e demais punições. Mas, com certeza absoluta, ninguém pode sair construindo ao bel prazer, sem a interseção do Poder Público. Essa obra, então, estava embargada, mas com um embargo que não para a execução da obra, apenas suficientes para ceifar mais nove vidas de "reles" operários. 

 

 


Pedro Cardoso da Costa

Interlagos/SP

Bacharel em direito

30 de Agosto de 2013

Abertura de oportunidades

Apesar de os índices de desemprego terem caído para um nível de quase pleno emprego - com taxas em torno de 6% - existe uma parcela problemática de jovens que não se enquadram nessas estatísticas. Os números são alarmantes. 

De acordo com um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), cerca de 1,5 milhão de brasileiros entre 19 e 24 anos, concentrados em sua maioria, nas faixas mais pobres da população, nem trabalham, nem estudam e nem procuram emprego. Eles possuem baixa escolarização e, por consequência, deficiência na qualificação para a busca de boas oportunidades.

A incapacidade de serem sustentados pela família pode jogá-los no mundo perverso da criminalidade, aumentando assim a incidência de violência urbana. Os dados são ainda mais preocupantes quando se somam, a esse contingente, donas de casa e mulheres com filhos, o que totalizaria uma população de quase quatro milhões de pessoas.

Uma das soluções para evitar o crescimento dessa geração chamada nem-nem-nem é um trabalho sistemático nas áreas de vulnerabilidade social para dar condições aos jovens de não abandonarem a escola. 

Ao longo de 49 anos de existência e com a função de facilitar a inserção de jovens no mercado de trabalho, o CIEE acredita que um bom método seja o investimento no estágio e nos programas de aprendizagem - que proporcionam a formação profissional do jovem. A remuneração, por meio de bolsa-auxílio ou salário, ajuda a melhorar as condições para a continuidade dos estudos e auxilia no orçamento familiar.

O trabalho do CIEE vem surtindo efeito na periferia de São Paulo. Só no último mês, nove mil atendimentos foram realizados nos Centros Unificados de Educação (CEUs), localizados em bairros de alta vulnerabilidade social. Nos postos volantes montados pela instituição, muitos jovens foram encaminhados para entrevistas de estágio e aprendizagem e já estão atuando em suas novas funções.

A ação social terá continuidade neste mês. Já estão marcados os novos atendimentos do CIEE no CEU Jambeiro, em Guaianases, no dia 24 de agosto, e no CEU Guarapiranga, no Jardim Ângela, no dia 29. Em 3 de setembro, o CIEE estará no CEU Vila Atlântica, no Jardim Nardini, região do Jaraguá. Nesses postos, os jovens poderão se cadastrar para vagas de estágio e aprendizagem, fazer provas de processos seletivos e ser encaminhados para entrevistas, entre outros serviços.

 

 

 

Luiz Gonzaga Bertelli    

Presidente Executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), 

da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp. 

23 de Agosto de 2013

Eu era infeliz e não sabia

As recentes manifestações lançaram uma forte luz sobre a insatisfação generalizada com os rumos do País, destacando-se a ênfase dada a alguns antigos e grandes problemas nacionais: educação, saúde e transporte públicos. 

No meio dos protestos, um cartaz em particular chamava a atenção, valendo como boa síntese das razões da mobilização e do descrédito em que caíram os informes oficiais sobre o bom momento que os brasileiros vivenciavam: "Eu era infeliz e não sabia".

A frase demonstra, como talvez nenhuma outra, que a sociedade já havia se acostumado com o mau uso do dinheiro público, a escalada da corrupção, o descaso com as reais prioridades nacionais, entre outras distorções, que em conjunto resultam nos péssimos serviços prestados à população. E mais: a rejeição à participação de políticos, partidos e organizações sindicais nas manifestações sinalizou, com clareza inusitada, a desconfiança com que passaram a ser vistas as instituições públicas.

Um pouco de leitura dos clássicos brasileiros, entretanto, anularia boa parte da surpresa que as manifestações provocaram. Por exemplo, Ruy Barbosa (1849-1923) já alertava que " um povo livre não está sujeito senão às leis que vote pelos seus representantes. Mas, se, com a mentira eleitoral, esbulham do povo o voto, que é a soberania do povo; se, com as oligarquias parlamentares, varrem o povo do Congresso Nacional, que é a representação do povo; se, com as dilapidações orçamentárias, malbaratam a receita do imposto, que é o suor do povo; se, com as malversações administrativas, devoram a Fazenda nacional, que é o patrimônio do povo (...), não nos espantemos de que, como aos mais lerdos muares, ou às reses mais mansas, esgotada um dia a paciência à cansada alimária, junte os pés e num corcovo, desses que nem o gaúcho nem o cossaco se aguentam, voem aos ares selas, estribos, chilenas, rebenques e cavaleiros".

Acionado o sinal de alerta, é de todo conveniente que os governantes adotem uma nova política de gastos, pautada pela ética, que manda privilegiar os anseios maiores da sociedade sobre os interesses pessoais ou corporativistas dos governantes. A mesma ética recomenda, ainda, a transparência nas ações dos Poderes Públicos e principalmente - insisto - o máximo respeito e competência no uso dos recursos públicos, que têm origem no trabalho dos cidadãos, que há muito não recebem serviços à altura dos altos impostos que pagam.

 

 


Ruy Martins Altenfelder Silva

Presidente da Academia Paulista de Letras Jurídicas (APLJ)

e do Conselho de Administração do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE)


 

16 de Agosto de 2013

Moeda de ouro

O padre Antônio Vieira, em sua sabedoria e eloquência, argumentava que "a boa educação é moeda de ouro, pois em toda parte tem valor", na sociedade do século XVII, que era muito diferente da que vivemos hoje. A ideia contida na premissa, porém, mantém-se válida.  

A boa educação forma profissionais capacitados para o mercado de trabalho, o que estimula o crescimento econômico, aumentando a riqueza do país e beneficiando diretamente a vida das pessoas. Parece uma equação simples, mas não é, já que, desde os tempos do padre Vieira, patinamos no campo da educação.

As universidades brasileiras, no entanto, estão dando passos importantes para mudar essa radiografia negativa. No ranking das universidades da América Latina, divulgada recentemente pela consultoria britânica QS World, a Universidade de São Paulo (USP) lidera como a principal entre as 300 classificadas da região. 

O Brasil comparece ainda com a Unicamp (3.º), UFRJ (8.°) e UFMG (10.°). O ranking baseia-se em critérios como a qualidade da pesquisa, empregabilidade dos formados, recursos de ensino, entre outros. Países importantes como a Argentina, Uruguai e Venezuela nem figuram entre as 10 mais.

Apesar desse bom papel regional, a USP cai para a 139.° posição quando comparada às universidades em termos mundiais. Neste caso, o ranking da QS destaca, principalmente, as universidades norte-americanas e britânicas. Entre os países do Bric, o Brasil fica atrás da China e da Rússia em número de indicações - com 12 universidades - entre as 300 mais, superando apenas a Índia. Segundo especialistas, o Brasil só poderá melhorar sua colocação no ranking global se investir na língua inglesa para seus trabalhos acadêmicos e, até mesmo, para incentivar a vinda de especialistas estrangeiros para o país.

Investindo cada vez mais no ensino superior e no conhecimento de inglês, a língua da ciência e tecnologia, o Brasil pode alcançar a qualidade tão desejada na educação, aumentando também a qualificação de nossos jovens, melhorando a qualidade do capital humano nacional e contribuindo para que o país se torne cada vez mais competitivo no mercado internacional. 

 

 

 


Luiz Gonzaga Bertelli  

Presidente Executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE),

da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp

09 de Agosto de 2013

Voto facultativo ou nulo

Há algo de estranho no silêncio dos chamados formadores de opinião quanto à obrigatoriedade do voto no Brasil. Mais grave ainda é quando se fala em reforma política: coloca-se em debate o financiamento de campanha sempre com o intuito de colocar mais gasto para o bolso do cidadão, - ao se questionar se o voto deve ser distrital ou não -, e nada se diz sobre a liberdade de votar do cidadão. 

Outro ponto que não se discute é a diminuição do número de deputados, senadores e, principalmente, de vereadores. Talvez manifestações mais fortes do que as de junho ajudem a trazer à pauta do Congresso Nacional.

Choca, porque se discute o secundário em detrimento do essencial. Num país tido como democrático, não há dúvida quanto ao voto ser seu elemento principal. Entretanto, exercê-lo com independência igual à prestação do serviço militar só pode ser aceito por pessoas omissas ou de má-fé.

Quando os especialistas renomados tratam do assunto, o que é raro, seguem a boiada no argumento de que o povo brasileiro ainda não estaria preparado. No mínimo, uma desfaçatez. Essa justificativa vem sendo utilizada há décadas, sem dizerem o que deve ser feito para preparar os eleitores, sem nada fazerem para que se alcance essa preparação. Se nada for feito, o povo continuará sempre despreparado, pois somente o tempo não qualifica ninguém para coisa alguma.

Como o mais conceituado constitucionalista brasileiro, José Afonso da Silva defende uma tese que envergonharia um calouro da Ciência Jurídica. Grosso modo, numa confusão de conceito, chega a afirmar que o voto no Brasil é livre; obrigatório seria apenas o comparecimento ao local de votação. Tão fora de propósito que dispensa réplica.

Fala-se de reforma política na mesma proporção da mordaça com relação ao voto obrigatório. Nenhum comentarista da Rede Globo, da Rede Record e das demais emissoras diz uma vírgula. Os jornais e revistas não trazem nenhuma matéria, as emissoras de rádio, os atores, os jornalistas, os jogadores e todos os desportistas silenciam; assim como os advogados, os juízes e os promotores, todos emudecem.

Afasta de mim esse "cale-se". Não existe momento mais oportuno para se tirar de vez a obrigatoriedade do voto, uma mácula indelével da nossa democracia. Os eleitores deveriam deixar claro aos políticos que, em 2014, ou votam por opção ou nulo. 


 


Pedro Cardoso da Costa

(Interlagos/SP) 

Bacharel em direito

 

02 de Agosto de 2013

Gestão da Qualidade e Qualidade da Gestão (Parte 1)

A educação está em pauta e está nas ruas. No hemisfério norte, e mais comum em regiões estadunidenses é habito no local, denominar nomes femininos aos furacões. E um furacão social vem atravessando e ocorrendo pelas cidades brasileiras, sem respeitar bens e patrimônios, públicos ou privados, tal como intempéries que não distinguem pobres de ricos, e causam destruições por onde passam. 

As destruições deste furacão social podem ser morais e materiais, artificiais ou naturais. Os alicerces e a construção é que determinam a resistência da edificação. Educação é alicerce social, a edificação do homem e do cidadão, sem importar as classes e os gêneros. A educação vai de um simples co-nhecimento ao parlamento.

Há um movimento pelas ruas de Natal/RN que bem poderia ser denominado de MIRNA, motivado por irreverências e revoltas em Natal e adjacências, um Movimento dos Insatisfeitos e dos Revoltados de Natal e Adjacências. Uma irreverência vista, encarada e classificada por modelos de poder, modelos de dominação e modelos arcaicos ou tradicionais, navegar é preciso, e renovar também. 

O tempo dirá se MIRNA, o movimento e as manifestações, foram corretos e mostrará seus resultados, sejam eles positivos ou negativos, a uns e a outros, a uma minoria ou a uma minoria.

A sociedade estudantil tem ido às ruas para cobrar um transporte público e coletivo, digno e de valor acessível, dentre outras cobranças. Cobra de governos e autoridades parlamentares um novo mo-delo educacional e político. Uma nova política de educação, com maiores recursos financeiros e estruturais. Transporte faz parte de uma estrutura para chegar ás escolas, e tarifa de transporte a baixo custo é acessibilidade.

Quando o país não vai bem, passa a ser a educação culpada de todos os erros e atropelos, o foco do problema está nas causas, nos fatores estruturantes, e é ali que se deve investigar. Falta de investimento em estruturas e a falta de atualização dos professores, estruturas físicas e organizacionais. Começam as buscas de erros e acertos com a intenção de aprumar os rumos e descobrir um novo norteamento. Para fazer uma omelete é necessário quebrar os ovos e para reconstruir pode ser necessário demolir.

Movimentos são formados por grupos de mesmos interesses, e as informações também. A mídia repassa suas informações de acordo com interesses próprios ou de ou-trem, seja o controlador da mídia ou quem o pague para estar ou poder estar ali, cumprindo um papel denominado social, que é a divulgação dos acontecimentos. As manifestações começaram por estudantes, tiveram adesões de outras classes e da população no geral, o não participar nas ruas não significa não compartilhar das ideias.

Durante a cobertura dos atos acontecidos e acontecendo pelas ruas, a cobertura jornalística referencia os fatos, atribuindo a cenas e a atos, a manifestantes, a estudantes, a vândalos e outros adjetivos. E cada ouvinte, cada leitor ou telespectador faz as suas conclusões. Conclusões que podem diferenciar de acordo com o publico, de acordo com seus entendimentos, seus conhecimentos e suas opções. O conhecimento e as opiniões dependem de uma historia construída ao longo da vida.

Cada qual faz a gestão do seu conhecimento a partir dos seus critérios de qualidade. E hoje o conhecimento, a informação e a sociedade encontram-se de uma a forma fluida, misturam-se facilmente. 

 

 


Roberto Cardoso

(Maracajá)

Cientista Social Jornalista Científico Reiki Master & Karuna Reiki Master

Sócio Efetivo do IHGRN

26 de Julho de 2013

A Gerentona ruiu

Dilma Rousseff foi eleita presidenta do Brasil exatamente pelo trabalho à frente do Ministério de Minas e Energias como uma gestora acima de qualquer suspeita e pela eficiência técnica e administrativa.

Eleita, a percepção foi além: no primeiro ano de governo, a vassoura comeu solta. Quando surgia uma denúncia, um ministro era fritado devidamente. A imagem de grande gestora se consolidou e a de durona, mais ainda. Os noticiários davam conta de que não era raro ministros varões saírem de suas reuniões aos prantos. Numa alusão a essa postura, ela chegou a ironizar que seria uma mulher viril cercada por homens dóceis.

Mas o senhor da razão é o tempo, já dissera o presidente filósofo, atleta, garoto-propaganda de mensagens educativas, Fernando Collor de Mello. Eis que passados dois anos e meio de mandato, a "rapadura" virou "melado".

Em meio à onda de manifestações, toda a austeridade foi para o brejo. Começou antes, ao trazer apadrinhados de alguns ministros demitidos por denúncias de corrupção para ocupar os lugares deles. Sua idoneidade administrativa fora mais uma jogada de marketing do seu principal (não) ministro, João Santana.

No auge das manifestações, aturdida e sem saber o que fazer, a primeira medida da "Dama de Ferro" brasileira ou do primeiro poste político foi consultar o "pai" Lula. 

Como assim? Ela não fora eleita exatamente por sua capacidade de gerenciar e pela firmeza? Pois é, esses requisitos devem ter sido jogados no mesmo buraco no qual fincaram o poste. Os números da sua gestão já são conhecidos, como inflação alta, o "pibão" mais "pibinho" do mundo, ministérios a rodo, gastos com criação de tribunais e construção de estádios e por aí vai.

Mais do que demonstrar fraqueza, a presidenta herdou alguns hábitos da administração anterior. A cada hora que surgem irregularidades na administração pública, ela se manifesta como uma cidadã comum, como recentemente ficou indignada ao saber da farra com aviões da Força Aérea Nacional - FAB. "Isso não pode ficar assim", disse. Parecia que eram as primeiras viagens dos fanfarristas com o dinheiro da viúva. Como sempre no Brasil, a presidenta só ficou sabendo depois de a imprensa divulgar.

Ora, ora, não precisa ser técnico em aviação para saber que as despesas com essas aeronaves são altíssimas e que deveriam ser utilizadas em situações muito peculiares de emergência para ajudar à população, em algo que trouxesse benefícios gerais, como na catástrofe - natural da gestão pública brasileira - de Petrópolis; talvez numa missão de médicos e agentes de saúde voluntários na Amazônia. Nunca para casamentos, partidas de futebol e outras missões de chefe de estado como as mencionadas. Leis, decretos, portarias, resoluções, qualquer norma que desse amparo à utilização para esses passeios seria inconstitucional, por não atender à finalidade pública.

Por coerência, aviso que poste não anda. Portanto, que seu presidente de fato vá até Brasília. Não sou da imprensa, mas vou arriscar avisar-lhe que marqueteiro não funciona para manifestantes; e também dizer-lhe da minha decepção por constatar que é fácil ser "dama de ferro" apenas para os subalternos. 

 





Pedro Cardoso da Costa

Interlagos/SP - Bacharel em direito

19 de Julho de 2013

Mídia será alvo das manifestações

Alguns segmentos sociais precisam entrar em consonância com a sociedade brasileira. Um desses é a mídia brasileira, em especial os canais de televisão aberta.

Na cobertura das manifestações era claro o viés para desmoralizá-las, quando tratava de forma generalizada como vândalos, baderneiros e depredadores, cujos adjetivos visavam enfraquecer os movimentos. Outro posicionamento que deixava isso muito claro era responsabilizarem os manifestantes pelo início dos incidentes contra a Polícia Militar.

Essa cobertura tendenciosa continua com as tais respostas das autoridades às reivindicações. As matérias são sempre narrativas, sem qualquer análise técnica para comprovar a viabilidade dos delírios das autoridades.

Quando o Supremo Tribunal Federal - STF mandou prender o deputado Natan Donadon, ninguém se dignou a questionar o relator ou presidente da Corte por que a prisão só ocorreu três anos depois da condenação e logo após a insurgência nacional. Além disso, nenhuma pesquisa é feita para averiguar os muitos processos contra parlamentares que continuam mofando nos escaninhos dos tribunais brasileiros.

Mesmo conclamando por melhor qualidade na saúde e educação e maior segurança, a resposta federal girou em torno da reforma política. Todos aceitaram como se fosse algo sério e não disseram uma vírgula no que isso melhoraria nessas áreas. Também não se compreende por qual motivo não há uma menção à extinção do voto obrigatório. Não há questionamento sobre o fato das medidas só trazerem resultados para prazo longínquo, quando a necessidade é para ontem. Nada, absolutamente nada, está sendo feito para melhorar essas três maiores reivindicações imediatamente. O resultado mais próximo seria o trabalho compulsório por dois anos para os alunos de medicina que ingressarem a partir de 2015 nas faculdades. Ou seja, no mínimo teria início em seis anos. Até lá milhares já morreram sem atendimento nas filas.

A cereja desse bolo de embromação foi a aprovação de uma emenda constitucional para a retirada do segundo suplente de senador. Não há registro na história de que um segundo suplente tenha ocupada a vaga de senador, já que para isso teria que saírem o titular e o primeiro suplente. Mas essa enganação conseguiu até manchete de primeira página do jornal O Estado de S. Paulo sobre a retirada do segundo suplente, que, numa análise séria, traz zero de benefício à população.

Muitos apresentadores de televisão instigam a violência policial. José Luiz Datena, um verdadeiro camaleão nas suas posições, lidera com a frase matreira de que a "cobra vai fumar", numa alusão explícita à truculência policial. Quando vier a revanche, eles não vão se lembrar do telhado de vidro. Assim como os políticos, a mídia, liderada pela Rede Globo, está atravessada na garganta da sociedade brasileira. Nas manifestações anteriores muitos jornalistas já foram hostilizados, e se a mídia não encontrar o rumo certo de fazer jornalismo, a "cobra vai fumar" nos próximos protestos.

 

 

Pedro Cardoso da Costa - Interlagos/SP 

Bacharel em direito 

12 de Julho de 2013

Meteorologistas, feiticeiros e pajés. (Parte 2)

Enquanto o sertanejo vai mandando pedidos, mensagens e agradecimentos a São Pedro e São José os profissionais da meteorologia já soltaram balões sondas e rádios sondas que foram rastreados em sua trajetória de ascensão em direção ao céu. 

Sendo seus dados coletados e enviados a outras estações meteorológicas, onde as informações serão plotados em gráficos e mapas. O dia de São José já teve uma maior importância, quando era feriado nas cidades do interior. Com a redução de feriados nacionais, o dia não foi esquecido pelo sertanejo.

Dados vindos de sondagens atmosféricas, por balões meteorológicos são lançados em formulários para uso futuro. E anotados (plotados) em gráficos com o nome de Skew T Log Pi,.um gráfico de uma atmosfera padrão, que depois de totalmente plotados e analisados podem fazer entender o comportamento das camadas superiores da atmosfera e estimar o tempo na localidade de soltura dos balões, normalmente em aeroportos, uma previsão para as próximas horas, fundamental para aviação

Meteorologistas e climatologistas tem se reunido para discutir a seca do NE. Com certeza suas analises e opiniões para o futuro servirão para administrações municipais, estaduais e fe-derais traçarem suas estratégias de promessas em campanhas eleitorais. A transposição do Rio São Francisco muda os rumos do rio e os destinos das águas a cada momento político.

Hoje os tempos são de alta tecnologia que permitem reuniões a distancia com vídeo conferencias, sem a necessidade presencial de todos os participantes. Basta ter um acesso a internet que todos poderão participar ao mesmo tempo, inclusive com interferências ao palestrante em tempo real.

O clima muda a cada momento, o tempo que faz na data de hoje não é o mesmo desta mesma data em outros anos. Algo, mesmo que seja minusculamente imperceptível mudou, e muitos anos depois serão notados os acúmulos destas pequenas mudanças.

A ordem social atual é a preservação do meio ambiente. e o quanto menos viagens acontecerem, menos combustível de origem fóssil serão utilizados, e menos poluentes serão lançados na atmosfera, o que justificaria uma teleconferência para discutir o que está acontecendo e já se sabia que ia acontecer. 


 


Roberto Cardoso 

(Maracajá) 

Cientista Social, Jornalista Científico, Sócio Efetivo do IHGRN -

(Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte) 

05 de Julho de 2013

Meteorologistas, feiticeiros e pajés. (Parte 1)

Muito já se falou e já se constatou que a atual seca no NE é a pior dos últimos tempos, pelo menos entre os novos tempos, e desde os tempos de onde e quando há registros de dados anotados e classificados, de um modo cientifico e acreditável. 

Tanto o período de secas quanto o período de chuvas, são momentos sazonais previsíveis e esperados para acontecer, a intensidade dos períodos que se torna uma dúvida e uma expectativa. O sertanejo tem suas formulas e técnicas para prever e saber antecipadamente como serão os períodos de chuva e de seca. Formulas e técnicas chamadas de crendices e empirismo pelo cientificismo. 

As dimensões continentais do Brasil criam diversas denominações das estações, em diferentes regiões, que podem causar um mau entendimento por uns ou por outros nos diagnósticos e prognósticos climáticos e meteorológicos. Enquanto uma parte do país entende o inverno como uma estação fria outra parte entende como período das chuvas. 

Enquanto durante uma mesma época do ano uns chamam de verão outros chamam de seca. Meteorologistas classificam de veranico um pequeno período do inverno com características de verão. 

O outono traz consigo uma herança colonizadora como sendo o período em que as folhas caem, ficando as arvores apenas com os galhos. A primavera como a estação das flores e no nordeste o mandacaru quando flora na seca é sinal que a chuva chega no sertão. Nas escolas do sul maravilha aprende-se desde sedo por fotos e imagens na TV que o cactos é uma planta natural dos desertos. O sertanejo desde cedo sabe distinguir um facheiro de um mandacaru e de um xique-xique. 

Pinicos pluviométricos, bolas de cristal heliográficas e higrômetros com elementos medidores de umidade consistindo em um conjunto de fios de cabelos, que distendem com a umidade. 

Vendavais medidos pela quantidade de penas que uma galinha perde, e birutas para indicar direção e velocidade de vento. E molhar o dedo para identificar a direção do vento, são modelos ou instrumentos de medição de um passado não tão distante. 

Observar e analisar as nuvens no céu, observar comportamentos de alguns animais, perceber se faz frio ou calor, faz parte de uma observação empírica, implícita em cada um de nós. O homem aprende pela observação. 


 


Roberto Cardoso 

(Maracajá) 

Cientista Social, Jornalista Científico, Sócio Efetivo do IHGRN

(Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte)

28 de Junho de 2013

Uma FIFA da saúde pública

Muitas vezes existem afirmações de que a soberania de um estado é sua maior segurança para a chamada autodeterminação do seu povo. Vale para todos os estados. Entretanto, existem organismos internacionais que impõem sua força e fazem prevalecer suas regras sobre todos os estados, como é o caso da Federação Internacional de Futebol, a famosa FIFA. 

Tudo que ela exige é cumprida. É assim que aparecem nas redes sociais as comparações das cadeiras estofadas nos estádios em total inversão com os assentos quebrados e totalmente detonados nos hospitais públicos.

Essa diferença ficou mais nítida esta semana. Uma senhora de quase 90 anos de idade, tia de um colega de trabalho, com o fêmur quebrado, penava há mais de 48 horas numa maca nos corredores do hospital São Paulo. Não é uma espelunca qualquer, trata-se de uma referência nacional da maior e mais rica cidade brasileira.

Esse descaso com a saúde pública se assemelha à inflação há várias décadas, somente amainada pelo governo Itamar Franco, sob a batuta do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Só que existem algumas diferenças substanciais. A principal é que as máquinas de remarcação de preço tornava a inflação muito mais difícil de ser escamoteada, como fazem as autoridades com a saúde.

Sobre a saúde pública há uma cegueira generalizada da sociedade. Crianças morrem ao receber vaselina ou café no lugar de soro, mulher permanece com um pedaço de faca no corpo por 37 anos, um homem foi operar uma verruga e saiu do hospital operado de vasectomia e nada disso gera uma indignação organizada da sociedade que force as autoridades a tomarem medidas drásticas e que haja uma melhoria reconhecida e vivenciada pelas pessoas.

Esporadicamente, alguns planos mirabolantes são jogados no ventilador para a imprensa oficializada se encarregar de espalhar aos sete ventos, o que faz com muita galhardia e distorções, sendo a principal omitir o nome dos hospitais e dos profissionais envolvidos em denúncias de omissão e de falhas grosseiras. O megaplano do momento é sobre a vinda de médicos cubanos para atuarem em regiões mais carentes do país.

Enquanto isso, medidas simples não são tomadas. Uma eficiente seria colocar uma tabela com o nome completo, as funções e o horário dos funcionários em todos os departamentos de saúde do país. Isso evitaria a farra das faltas, dos atrasos e das saídas durante o expediente.

Quando o cidadão quer reclamar não sabe o nome nem da atendente que demorou a preencher a ficha nem do diretor da Unidade. Por isso, médicos recebem salários mensais registrando a presença integral com dedos de silicone. Outra medida seria criar um organismo internacional forte como a FIFA para exigir o cumprimento de suas exigências aos governos mundo afora. Somente assim os aposentos das pessoas que sofrem nos hospitais públicos teriam conforto igual ao de quem assiste a uma partida de futebol.

Não basta colocar nomes em tabela para depois dizer que isso não resolve o problema. Precisaria fiscalizar com eficiência, tomando medidas disciplinares rápidas contra os funcionários públicos negligentes e omissos. São medidas que poderão ajudar outras, não à tia do meu colega, que continuará lá sofrendo, sem saber quantas pessoas deveriam estar de plantão nem quem é o diretor do hospital São Paulo. 


 


Pedro Cardoso da Costa 

Bacharel em direito - Interlagos/SP  

21 de Junho de 2013

Crítica Literária: Um filtro para o conhecimento

O mercado editorial brasileiro cresceu 7,36% em 2011, somando R$ 4,84 bilhões conforme pesquisa da Fipe, encomendada pela Câmara Brasileira de Livros e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros. 

O número de títulos editados aumentou 6,28%, totalizando 58.192, e o total de exemplares vendidos e produzidos foi 7,2% e 1,47% maior, respectivamente. O preço médio dos livros comercializados no País caiu 6,11% em 2011. Os fatores práticos demonstram o inegável crescimento do interesse por literatura no Brasil. 

Um avanço que segue apontando para cima, nas previsões futuras. Ao mesmo tempo em que aumenta seu interesse, o leitor também quer aprimorar a qualidade do que lê, e se depara com obras mais profundas e complexas. E quais os caminhos para escolher entre um clássico e uma releitura de uma obra antiga? O leitor sabe o que ler? A Crítica Literária ainda impacta esta decisão?

É sabida a influência das sugestões nos grupos de discussão na internet ou em redes sociais, sejam de amigos ou desconhecidos. O histórico de um autor e a repercussão de sua obra anterior também são critérios muito importantes para esta decisão. Mas nenhum destes indicadores leva o leitor a ter uma percepção mais apurada do conteúdo da obra. Tal qual a prática da leitura em si, que requer tempo, dedicação e um mergulho na história escrita, não é possível compreender o quilate de cada título, somente com a opinião instantânea no meio virtual ou no boca a boca social. É necessário obter opiniões densas e embasadas. Em recente entrevista, o escritor Mário Vargas Llosa destaca que a Crítica, incluindo a Literária, distingue o essencial do secundário.

Presente na vida humana desde a Grécia Antiga, o Crítico Literário era chamado decriticus, com o significado de crítico ou de censor de obras escritas, conforme usado pelo filósofo Cícero na obra Cartas Familiares. A Crítica Literária empresta seu conhecimento para depurar os textos e traduzir para o leitor as intenções de uma obra, conduzindo-o a uma ou outra publicação, conforme seu interesse. 

O crítico literário é, ao mesmo tempo, um leitor e intérprete das metáforas e alegorias da vida; um contemplador dos mitos, lendas, símbolos, arquétipos e investigador de seus significados; um observador atento da sociedade e um estudante da psique humana.

Para grande parte dos in-telectuais que estudam esta área do conhecimento, todo e qualquer gênero textual e todos os suportes de comunicação e expressão devem ser objeto de reflexão, com vistas a esmiuçar o conhecimento inserido no material. E esta função é bem cumprida pelo Crítico Literário, que analisa o argumento (enredo), o contexto, o discurso, as ideologias, as ferramentas retóricas utilizadas, o efeito proposto, o efeito obtido, a importância política, a forma, o conteúdo; o valor sóciocultural, filosófico, pedagógico, histórico, além do valor estético.

A opinião de um Crítico Literário tem a capacidade de alavancar uma obra. Recentemente, o estreante Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira, de Arceburgo, município de nove mil habitantes no sul de Minas, autor de "As Visitas que Hoje Estamos" se tornou a nova sensação da literatura nacional. Sua obra foi citada pelo professor de teoria literária da PUC, Luiz Costa Lima, que publicou uma resenha elogiosa sobre o livro num jornal de circulação nacional, em janeiro. 

Desde então, o trabalho de Ferreira atraiu a atenção e recebeu palavras de louvor de críticos e artistas. O escritor, poeta e crítico literário Paulo Leminski, falecido em 1989, é o mais novo sucesso literário do ano, com o título "Toda Poesia". Dele, a Crítica Literária dizia que ficava à vontade entre o erudito e popular. E ainda que dividisse opiniões, foi descoberto e definido por Haroldo de Campos como um autor de poesia lírica rigorosamente construída e amalgamada com a canção trovadoresca. Este ressurgimento do poeta curitibano está sendo comemorado, já que está se trazendo de volta ao cenário a poesia contemporânea brasileira, tão ignorada pelas superficialidades de best-sellers. Mas para chegarmos a alguma compreensão da obra de Leminski, a Crítica tem se esforçado em "traduzi-la".

A composição de nuances de um texto literário que o crítico descreve mostra o quanto ele, ao mesmo tempo, disseca a obra e amplia as fronteiras literárias e a capacidade crítica ao leitor. A Crítica Literária, embora, por ironia, seja muito criticada por muitas vezes elaborar seu raciocínio de uma forma facetada, é um elemento que também abre caminhos do entendimento e para o saber mais amplo e refinado. É uma prática que acrescenta conhecimento, estimula o pensamento e promove o ser humano.

 

 


Ruy Martins A. Silva 

Presidente do Conselho de Administração do Centro de

Integração Empresa-Escola - CIEE e Curador dos Prêmios

da Fundação Bunge e Fundação Bunge Juventude


 

07 de Dezembro de 2012

EGOÍSMO, O ISMO DO EU

Públio José - jornalista - (publiojose@gmail.com)

 

 

Todos nós já estamos acostumados com os ismos da vida. Nacionalismo, esquerdismo, anarquismo, direitismo, numa sucessão sem fim, entronizada para rotular tendências religiosas, políticas, econômicas, esportivas, culturais de quem quer que seja. Por mais esforços que se faça,  ninguém escapa de ser encaixado em um ismo qualquer. É latente, intestina a necessidade no ser humano de rotular, de entalar o outro num ismo. “Fulano é de um esquerdismo revoltante”. Com certeza você já ouviu esse tipo de comentário de alguém a respeito de outra pessoa. Ou por outra: “Sicrano não passa de um reles defensor do capitalismo selvagem”. Os artistas, os intelectuais, os políticos, sofrem muito com esse, digamos, rotulismo. Independente de serem ou não o que os outros pensam a respeito deles, são logo encalacrados, mal surgem, como sementes do modernismo, conservadorismo, populismo, expressionismo...

O ismo é um sufixo que encerra em si mesmo um projeto de doutrinação, um conjunto de ações voltadas à implementação de uma tendência, de uma escola, de um movimento ou princípio artístico, filosófico, político ou religioso. Tem sempre atrás de si mil interesses.

Nunca surge de graça, como também ninguém inventa um deles por acaso. Ao  longo da história da humanidade os ismos se sucederam como panacéia para  inúmeros males, ditando moda, hábitos, costumes, além de pautarem a rotina das atividades artísticas, políticas, econômicas, culturais e sociais.

Alguns ismos se caracterizam pelo seu conteúdo exterior. É o caso do militarismo, do expansionismo, do ativismo voltado a fazer uma comunidade tentar um crescimento para fora de suas fronteiras. Outros são mais intrínsecos aos sentimentos e posicionamentos interiores, como idealismo,  comodismo, egoísmo, altruísmo, individualismo – e por aí vai.

Há os de conotação política, como comunismo, nacionalismo, esquerdismo, direitismo, como também os mais sintonizados com  a administração pública: monetarismo, liberalismo, capitalismo, socialismo, trabalhismo, todos, logicamente, direcionando a visão, as políticas, ações e projetos nos governos onde se enraizaram. A prática de um ismo qualquer diz bem a pessoa ou o conjunto de pessoas adeptas de sua essência. O ateísmo, por exemplo, enquadra em torno de si os que são contrários à existência de  Deus. O altruísmo, por seu lado, já inclui o sentimento de quem põe o interesse dos outros à frente dos seus. E o egoísmo... Ah, esse é bronca!

Bronca pura! Significa a eleição do próprio ego, do próprio eu, como início, meio e fim de todas as coisas. Ou seja, uma vida calcada na celebração de tudo que diz respeito a si. Só e somente só. Em suma, a doutrina da valorização excessiva do eu.

Se o sufixo ismo caracteriza a junção de atividades em torno de uma tendência, de um movimento, o egoísmo, por sua vez, encarna todo um posicionamento interior no sentido de erguer um trono à própria personalidade, um culto fanatizado à defesa dos próprios interesses.

Entretanto, se o egoísmo ficasse por aí tudo bem. O problema com seus detentores é que, na medida em que supervalorizam os próprios interesses, agem no sentido contrário na escala de importância em que catalogam as pessoas. Para o egoísta o próximo vale muito pouco – quando não coisa nenhuma. E, muitas vezes, percebendo ou não, o egoísta vai deixando pelo caminho um rastro de destruição e ódio, oriundo de ações carregadas de um profundo menosprezo pelo outro. E agora? Agora? É constatar-se, vida a fora, o altruísmo de uns poucos em contraponto ao egoísmo de muitos. De muitos.

Ah, o egoísmo... Que bronca! 

30 de Novembro de 2012

AMOR: SENTIMENTO OU ATITUDE?

Públio José - jornalista - (publiojose@gmail.com)

 

 

Diante da alta criminalidade, de tanta violência cometida em nome do amor, ao longo da História e atualmente, assoma em nós uma séria dúvida se o homem conhece realmente o amor. Ou se não o confunde com outra coisa. Pois que nome se dá ao crime praticado em nome do amor e que resulta na morte da namorada, do noivo, da esposa, do pai, do filho? Certamente que amor não é. Falo genericamente, embora considerando que as exceções existem. Há realmente nesse mundo de tanto desamor gente praticando o amor sincera e honestamente. Destes, destaco dois: Madre Teresa e Gandhi pela vida de amor que viveram. No entanto, aproveitando o pensamento de Ruy Barbosa, quando externou desalento por ver tantas demonstrações de deso-nestidade, a ponto do homem, segundo ele, passar a ter vergonha de ser visto como honesto, também duvido do uso e conceito que o homem dito moderno faz do amor. Afinal, o que ele significa? Resposta simples?

Nem tanto. Não pelo que se fala. Mas pelo que se pratica. Pois amor não é discurso. É prática, atitude, comportamento. E qual o seu significado, finalmente? As interpretações são inúmeras. As conceituações as mais abrangentes; as escolas, os movimentos, os modismos, os academicismos que tratam, analisam, estudam o amor o fazem das formas mais diversas possíveis. As distorções também são numerosas, é claro, tendo em vista tratar-se de um tema impalpável, inconcreto, que não se coloca no bolso ou na mala e se carrega para onde se quer. O amor é sentimento? Muitas escolas científicas assim o definem. Aliás, no conceito da maioria das pessoas, o amor é tido como um sentimento. Será? Vejamos o que diz o dicionário sobre o assunto: “amor é um sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro ser ou a uma coisa; devoção extrema”.

Vejam que o mesmo dicionário que diz ser o amor um sentimento, ao conceituar o termo sentimento, o faz dizendo que “sentimento é uma disposição afetiva em relação a coisas de ordem moral ou intelectual”. Então, segundo o dicionário, se sentimento é uma disposição e amor é um sentimento, então amor é, de princípio, disposição. E o que diz o dicionário sobre disposição? “Palavra que significa tendência, temperamento, atitude ou propensão para alguma coisa ou contra alguma coisa”. Conclui-se, então, ser o amor uma disposição, uma tendência, uma atitude tomada em prol de alguém ou de alguma causa – e não um sentimento. Algo, portanto, de origem ativa. A diferença entre um conceito e outro é abismal, pois o amor, sendo sentimento, seria prisioneiro da passividade, necessitando de algo que o atiçasse, que o movesse. Já como atitude é vivo, dinâmico, força motriz que se move em direção ao outro.

E nada melhor para explicar o amor do que o exemplo dado por Deus no tocante a Jesus Cristo. Deus nos ama – é certo! Mas não ficou somente no discurso. Fez-se homem em Cristo e, numa atitude de amor – e não simplesmente num sentimento – provou seu amor por nós dando sua vida “para salvação de muitos”. Essa questão de conceituação de amor é oportuna, principalmente pelos tempos que o mundo vive de relativização de princípios e de quebra na sua escala de valores. Pois, nada melhor, nesse contexto, do que se desvirtuar, se distorcer o conceito de amor, divulgando-o como sentimento – volto a repetir: o que o faz transformar-se em mera postura passiva – ao contrário de disposição, de atitude, realidade na qual o amor se adensa, se agiganta, sendo alicerce do qual derivam inúmeros outros comportamentos de essência semelhante. Amor, em resumo, é atitude, disposição, propensão.

Confunde-se também amor com a prática do bem, atitude quase sempre envolvida com alguma forma de interesse, fato que muito se vê por aí. Pois, ao contrário, uma das principais facetas do amor é o seu desligamento a qualquer tipo de recompensa. Referi-me, linhas atrás, aos exemplos de Madre Teresa e de Gandhi. Porque qual a recompensa, qual o patrimônio que amealharam em vida pela vida de amor que viveram? Exemplo bem maior ainda é dado por Jesus Cristo. Qual a vantagem que ganhou pelo seu sacrifício? Sabe-se que, com seu gesto, além da nossa salvação, fez nascer a sua igreja. Pode, então, este resultado ser catalogado como vantagem que auferiu pelo seu doloroso sacrifício? Claro que não. O certo é que o amor é uma das formas mais puras de atitude voltada para o próximo. Se não for assim, torna-se algo muito perigoso – de nome incerto e desfecho imprevisível. 

23 de Novembro de 2012

O PÚBLICO ELOGIADO E O PRIVADO DESCONFIADO

Flávio Rezende  - escritor, jornalista e ativista social

 

 

Abro este presente escrito informando a meus queridos leitores que minhas opiniões expressas nestas linhas que costumo produzir, geralmente não são baseadas em pesquisas e nem em coisas profundas.

Sempre fui muito intuitivo e, o que faço aqui, é apenas tornar público aquelas matutadas que todos nós costumamos ter das coisas da vida, compartilhando o ângulo que tenho dos fatos, nunca tencionando passar que estou com a razão, mas, não deixando de opinar, pois considero saudável este lado do ser humano de mostrar a maneira como vivencia as coisas da vida.

Quem externaliza desta maneira suas observações, corre o risco de ser contestado e até de ler coisas bem pesadas, além de alguns que ficam brabos e pedem para que não envie mais meus textos.

Nada disso tem problemas, tudo que escrevi até hoje não me rendeu nenhuma prisão, nenhum processo e, procuro educadamente entender determinadas posições contrárias, tendo até alguns que condenaram minha liberdade de expressar opinião.

Os maiores problemas ocorrem quando toco na importância dos militares ajudarem os civis na questão da segurança interna e, quando deixo transparecer carinho com gurus indianos e certa familiaridade com o hinduísmo. Alguns leitores muito ligados aos dogmas cristãos chegam a dizer coisas nem um pouco evangélicas quando leem linhas que não batem muito com suas crenças pessoais.

Tive ainda problemas quando escrevi sobre o tom a mais que damos a nossa alegria por ocasião das fotos que tiramos em eventos diversos, principalmente quando as colunas sociais publicam muitas películas com estas alegrias mais exaltadas, causando incômodo em algumas pessoas. Era na verdade uma reflexão mais pessoal que uma crítica às colunas e/ou colunistas, mas, teve reação, principalmente de uma colunista do interior, que pediu para não enviar mais nada que ela não publicaria, afirmando que sempre divulgava tudo que eu mandava, mas que agora, não abriria mais espaço para meu trabalho de assessoria de imprensa por causa do artigo. Paciência, uma jornalista não aceitar a exposição da uma opinião de um colega, é melhor que fique com seu espaço sem minhas informações.

Bem, o começo contém um assunto, mas o artigo termina com outro, tendo apenas introduzido a questão acima, para reforçar que o que vou aqui colocar, não tem base em nenhuma tese, que não seja minha própria vivência.

Tenho observado que as pessoas e empresários valorizam muito o ensino e os alunos que são formados nas universidades federais, chamadas de públicas. O mesmo não acontece quando a pessoa vem de uma privada. Quando a origem é uma universidade federal, elogia-se, confia-se na formação daquele sujeito. Quando a pessoa diz que foi diplomada por uma entidade acadêmica privada, ficamos logo desconfiando e internamente pensando: pagou/passou.

O interessante é que o ensino público até a universidade é um fiasco, já o superior, é um primor. O contrário acontece no privado, com ensino altamente elogiado até a universidade e, no mais alto nível, muita desconfiança.

Pensei isso lendo o artigo de uma professora sobre o Enem, onde ela dizia que os candidatos queriam na verdade era o acesso gratuito a um ensino reconhecido e que, uma vez formados em universidades públicas, conseguiriam com mais facilidade realizar seus sonhos de acesso a empregos mais saudáveis em todos os sentidos.

De fato, trabalho numa universidade pública e sinto muito otimismo e bem estar dentro dela, já nas privadas, ronda certo clima de relação de forças, não sei, o tema nos remete a várias reflexões, mas, num mar de incompetência muito presente em vários setores do serviço público é no mínimo reconfortante saber que uma das ilhas de excelência, é justamente um dos setores importantes da vida nacional, o ensino superior.

Só nos resta torcer para que isso também possa descer e contaminar, no bom sentido, os demais níveis, elevando assim a aura nacional e engrandecendo seu povo, pelo que temos de mais sublime, a informação que ilumina a inteligência e obscurece a ignorância. 

16 de Novembro de 2012

CADÊ A TURMA QUE CHUTAVA BUMBUM DE EXECUTIVOS?

Públio José - Jornalista - (publiojose@gmail.com)


Quando o governo federal adotou o modelo pelo qual os serviços públicos poderiam ser operados por empresas privadas, o Brasil respirou aliviado - e esperançoso. Afinal, todos veríamos, sendo encaminhadas para aposentadoria e para extinção, estatais de estruturas pesadas, arcaicas, bolorentas e vergadas sob o manto da corrução, do empreguismo, da ineficiência. De início, a oposição no Congresso - e grande parte da planta sindical - se posicionaram contra as medidas, taxando-as de "entrega do patrimônio nacional a grupos empresariais por preço vil". De fato, algumas empresas foram negociadas a preço bem abaixo do valor que a facção contrária apregoava, embora se deva levar em conta que, com o governo de caixa vazio para destravar os graves gargalos de infraestrutura que o país acumulava há décadas, talvez o melhor modelo, àquelas alturas, fosse mesmo o que foi adotado.


Sem querer puxar pelo saudosismo, mas apenas para registro histórico, nos lembremos das cenas de protestos promovidas por largas parcelas da ala mais radical da esquerda partidária e sindical, durante os leilões nas bolsas de valores, chegando tais grupos ao exagero de agredir executivos que se dirigiam aos locais dos leilões. Em parte, os protestos, tirados os exageros, tinham sua razão de ser, embora fossem afogados pelo governo com as promessas de que, "em mãos da iniciativa privada, os serviços públicos passariam por grandes melhorias, alçando o Brasil ao patamar das nações mais desenvolvidas do mundo no âmbito da telefonia, da energia elétrica, das estradas, do sistema bancário, da exploração petrolífera", etc, etc. Assim, de forma até nostálgica, vimos sumir do mapa siglas do porte da Telebrás, enquanto outras passaram à iniciativa privada, mesmo continuando com nomes e marcas.    

Nos primeiros anos de operação do novo modelo o salto foi espantoso, principalmente no campo das telecomunicações. Os telefones fixos passaram a funcionar, tiveram o uso universalizado e anexaram ao sistema grande parte da população desassistida. O celular, antes em mãos da classe A, foi popularizado e hoje serve a quase cem por cento dos brasileiros. Se no início o cenário foi azul, hoje a realidade é diferente. O brasileiro sofre com a qualidade dos serviços de telefonia, com a falta de qualidade e de cumprimento de metas nas áreas aeroportuária, hospitalar, educacional, estrutural, sem contar as patuscadas das estatais que sobreviveram, das quais a grande estrela é o Correio. Rara é a fatura que você recebe pelo Correio que não esteja com a data de pagamento já vencida. O brasileiro, de tanto pagar multas por atraso de pagamento, já vê no Correio um novo imposto - entre tantos. 

E na área privada? O serviço também está ruim. Rara é a ligação feita de um celular que não apresente problemas; rara é a vez da pessoa na outra linha ouvir em condições audíveis; rara é a chamada ir até o fim; enfim, rara é a vez que a prestação de um serviço público no Brasil, operado por quem quer que seja, alcance níveis razoáveis de qualidade. Sem falar nas constantes faltas de energia; nos apagões de várias horas; nas desculpas esfarrapadas das autoridades; nos inquéritos que nunca chegam à conclusão nenhuma (muito menos que beneficiem o consumidor). Falando nisso, cadê a turma que chutava bumbum de executivos em frente às bolsas de valores? À parte a agressão física, está na hora de voltar a protestar! Afinal, o motivo é justo! Cadê a qualidade prometida? Cadê as metas prometidas? Cadê as autoridades responsáveis? Alô, alô, turma que chutava bumbum de executivos? Alôôôôôôôôô!!!  

 

 

02 de Novembro de 2012

JOGA NO RIO!

públio josé - Jornalista - publiojose@gmail.com


 


Há tempos atrás, uma revista semanal registrou, numa matéria sobre a tendência do ser humano de causar poluição por onde anda, a naturalidade com que, em épocas imemoriais, as populações ribeirinhas descartavam lixo e produtos inservíveis pelo rio. Parece até que havia um ensinamento universal apontando para a única solução possível àquelas alturas: "joga no rio!". Este era o brado que se fazia ouvir pelo mundo afora. Não passava pela cabeça de nenhum agrupamento humano de então que a manipulação do lixo fosse de sua responsabilidade. Desde cedo, portanto, o ser humano acostumou-se a passar para frente, a empurrar na direção dos outros, a solução de problemas criados pela sua rotina diária. Pouco importava se, jogando dejetos no rio aqui, problemas seriam criados para outras populações acolá.  O negócio era limpar a sua área mesmo que sujando a dos outros.


A realidade é que o homem desenvolveu-se através dos tempos em todas as áreas que se possa imaginar. Só não aprendeu o que fazer com o lixo. Ao que parece, a manipulação do lixo caiu naquela área da mente humana na qual a saída é fugir da responsabilidade e passar o pepino para os outros. Nada de encarar a questão de frente, de buscar solução para os problemas criados em comunidade. Por conta disso, o que se vê hoje, com raras exceções, é a quase totalidade dos rios morrendo, desfilando seus últimos instantes de vitalidade diante de uma sociedade que soube chegar à Lua, soube se globalizar, alcançar níveis nunca imaginados de desenvolvimento tecnológico, mas não sabe, lamentavelmente, se organizar em comunidade de maneira a não prejudicar a seara alheia. Tanto é que permanece, até hoje, o hábito de se desfazer de lixo e dejetos através da inércia e da passividade dos rios.

No tocante ao homem de hoje, esse hábito desgraçado de não assumir responsabilidades, de não enfrentar suas próprias demandas, não se restringe apenas a degradar rios e nascentes de água. Impera em todas as atividades onde o homem põe a mão. Na política, por exemplo, este homem aparece por inteiro, pelas mazelas causadas à população, pela má administração do dinheiro público, pelas obras superfaturadas, pela corrução, pela roubalheira generalizada. E ele nem, nem. O país afogado num lodaçal sem fim e os acusados se dizendo inocentes - e empurrando o problema para o mais próximo. Ninguém tem a hombridade de dizer "este problema foi eu que criei e vou arcar com as suas conseqüências". Não. Não aparece ninguém com esse topete. Aparece gente de montão para enganar, para se esquivar, para encontrar saídas e esgrimir evasivas na hora de apurar as responsabilidades e apontar culpados.

Do mesmo modo que o homem de antigamente aprendeu a fazer do rio o desaguadouro natural de seus lixos e dejetos, o de hoje tornou-se mestre em transformar pessoas frágeis em verdadeiros rios, para onde são lançados seus mais abjetos projetos de interesse pessoal e carreados os dejetos mais desprezíveis do que é produzido em suas mentes. Aos mais fracos, enfim, são destinados, por essa gente sem escrúpulo, os sonhos mais egoístas e os feitos mais degradantes. Pois ao meter a mão no dinheiro público, prejudicando populações indefesas, se eximindo, além do mais, de encarar com seriedade o seu trabalho, o que estão fazendo os agentes públicos que agem assim, senão transformando em verdadeiros rios a massa humana que não pode se defender, que não pode protestar? "Joga no rio!", parecem dizer, eternizando a irresponsável máxima de outrora. "Joga no riiiiiiiiiooooooooo!!!!" Trágico, né não? 

 

11 de Outubro de 2012

EU TENHO SIM UMA ATUAÇÃO POLÍTICA

Flávio Rezende  - escritor, jornalista e ativista social


 


Estava assistindo o Band News há pouco e ouvi uma antiga “cara pintada” com destaque no movimento que culminou com a expulsão de Collor da presidência, dizer que, apesar de não ter um cargo eletivo, tem sim atuação política. Ela está sempre presente nos movimentos de caráter econômico que dizem respeito ao empreendimento que administra, uma pizzaria e, que tem preferência por questões ligadas à manutenção e limpeza de praças públicas.


Uma atuação política não precisa necessariamente passar por um cargo governamental, um mandato ou presença em passeatas e protestos em geral. Na verdade, até as omissões, são gestos políticos.


No meu caso, sou muito cobrado por várias pessoas, no sentido de encarar uma eleição. Confesso nunca ter sentido nenhuma atração por isso. Acredito que me tornando um vereador, deputado, senador, ou seja lá o que for, vou perder minha energia, meu potencial criativo e disposição para servir ao próximo sem interesses, entrando num turbilhão de compromissos diversos, desde pessoais até partidários, que terminam minando toda a vitalidade das pessoas, empurrando-as para lugares perigosos e complicados.


É claro que muitos conseguem navegar no mar turbulento dos parlamentos e dos governos em geral, mantendo incólumes os seus valores humanos. Aplausos para eles. No meu caso, é pura incompatibilidade mesmo com paletós, conversas demais, discursos demagógicos e muita hipocrisia.


Sempre fui prático e independente. Sai cedo de casa para morar só e, costumo decidir muitas coisas rapidamente. Enveredei pelo caminho social e, isto, claro, é uma atitude política. Dedico boa parte do meu tempo para conseguir coisas diversas para outras pessoas, sem ganhar absolutamente nenhum recurso financeiro e, sem querer nada em troca. Isso é uma posição política. Isso é a minha maneira de atuar na sociedade, buscando ajudas em vários setores, não precisando para isso ter um cargo ou um mandato.


Todos nós devemos ter uma posição política. Seja de qual natureza ou tamanho for. A simples ação de pegar uma sujeira no chão é um ato político, uma decisão pessoal de deixar a cidade mais limpa para o coletivo. Uns avançam, vão mais fundo, passam a ajudar cada vez mais, mesmo que isso não culmine em alguma recompensa. Outros ocupam espaços e, dentro deles, tomam posição pelo coletivo, sendo estes, os políticos que queremos e, que torcemos para que um dia possam ser maioria.


Infelizmente, em todo o planeta, algumas pessoas tem atuação política mesquinha, pessoal, equivocada, colocando suas convicções religiosas ou financeiras acima de tudo, como está ocorrendo em vários países, provocando grandes problemas que podem até estremecer o equilíbrio planetário.


De minha parte continuarei tendo atuação política da maneira que ela me faz bem, com meus próprios recursos e a ajuda de amigos e empresas, além de eventuais convênios públicos, com minha boa vontade de servir, pois, assim, me sinto mais livre de tantos compromissos e reuniões, para dedicar o precioso tempo para ações humanitárias que efetivamente acontecem e que pertencem ao mundo real.


Enquanto milhões de reuniões e cafezinhos rolam em intermináveis debates, livre destas amarras resolvo a meu modo diversos problemas e, vou fazendo com ajuda de um time valoroso de voluntários, a diferença na vida de muitas pessoas.


A nossa política tem sido essa, amar a todos, servir a todos e fazer o bem sem olhar a quem. Para ela não precisamos de votos, só da ajuda dos amigos, afinal, sonho que sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade.


A Casa do Bem é uma realidade e, no seu parlamento cotidiano, elegemos inúmeras pessoas para que possam ter mais alimentos, saúde, educação e lazer em suas vidas. 

08 de Outubro de 2012

Ladrões de sonhos

NADJA LIRA  - Jornalista – Pedagoga

 

 

Sinto-me demasiadamente incomodada a cada vez que escuto alguém dizer que brasileiro é desonesto e que não gosta de trabalhar. Tal afirmativa não corresponde à realidade, uma vez que nossos trabalhadores são submetidos a pelo menos oito horas diárias de trabalho, sem contar as horas extras que são feitas, muitas vezes sem a devida remuneração, para no final do mês receber um salário mínimo.

Com este mísero salário, as pessoas sustentam suas famílias, enfrentam muitas dificuldades é verdade, mas sobrevivem com o suor do próprio rosto; sem tomar de outros aquilo que não lhe pertence. O mesmo, porém, não se pode dizer em relação aos nossos ilustres representantes, guardando é claro, poucas exceções.

Uma pesquisa realizada pela Organização Transparência Brasil, concluiu que os parlamentares brasileiros são os mais caros do mundo. Um minuto traba-lhado por eles no Congresso Nacional, custa ao contribuinte brasileiro mais de 11 milhões de reais. Por ano, um senador custa aos trabalhadores, 33 milhões de reais, enquanto um deputado federal não fica por menos seis milhões e 600 mil reais.

A situação fica mais surpreendente quando se compara esses valores a outros países mais ricos, como a Itália, por exemplo, que consome com seus parlamentes três milhões e 900 mil por ano; a França, dois milhões e 800 mil; a Argentina, um milhão e 300 mil e a Espanha, 850 mil.

Em Natal, capital do Rio Grande do Norte, Estado considerado como um dos mais pobres da Federação, a situação dos nossos representantes não é diferente. A previsão de orçamento da Câmara Municipal para 2007 é de 29 milhões de reais.

Nossos vereadores têm direito ao salário, muita mordomia e ainda uma verba de 16 mil reais para a manutenção de seus gabinetes, valores que deixam a Câmara Municipal de Natal como a segunda mais cara do Nordeste. E isto sem contar com os benefícios financeiros que eles recebem votando projetos que vão beneficiar empresários de vários setores.

Os cidadãos natalenses ainda estão estarrecidos com as notícias veiculadas pela Imprensa, de que nossos nobres representantes receberam 30 mil reais para votar contra o Plano Diretor da Cidade.

Ao ler estas notícias, fico questionando: onde é que os políticos entocam tanto dinheiro? Por que é que mesmo ganhando todos estes valores, eles não se envergonham de usurpar os recursos destinados às obras públicas?  Promovendo tantas falcatruas, será que eles conseguem dormir em paz? Ora bolas, ne-nhuma das obras realizadas sai de graça para o povo. Somos nós, os trabalhadores, quem financia tudo e no final, não temos direito a coisa alguma.

O trabalhador se mata de trabalhar para carregar um país nas costas, dando vida mansa a um consi-derável grupo de políticos desonestos e ainda é obrigado a pagar pelos serviços públicos em dose dupla. Isto porque, além de ter os impostos descontados de forma compulsória no seu contra-cheque, tem que pagar estes serviços “por fora”, para tê-los de fato.

Pagamos nossos impostos em dia, com a falsa idéia de que teremos alguns serviços básicos oferecidos pelo poder público. Pagamos impostos para ter direito à saúde, educação e segurança. Pagamos impostos para não ver crianças na rua pedindo esmolas; sendo humilhadas e desrespeitadas na sua cidadania.

A grande constatação é a de que nos esforçamos em vão. Temos que estudar em escolas privadas se quisermos ter direito à educação; temos que pagar um plano de saúde particular, se quisermos ter direito a atendimento médico; temos que contratar segurança particular para termos a sensação de estarmos seguros. Além disso, temos que viver olhando nossas crianças dormindo nas calçadas e pedindo esmolas nos semáforos das cidades. Tudo isto por causa da falta de honestidade dos nossos políticos, mentes perversas, que sem a menor cerimônia, roubam os sonhos, a ilusão, a esperança e o dinheiro do nosso povo. 

21 de Setembro de 2012

Ladrões de sonhos

NADJA LIRA - Jornalista – Pedagoga - nadjalira@bol.com.br


 


Sinto-me demasiadamente incomodada a cada vez que escuto alguém dizer que brasileiro é desonesto e que não gosta de trabalhar. Tal afirmativa não corresponde à realidade, uma vez que nossos trabalhadores são submetidos a pelo menos oito horas diárias de trabalho, sem contar as horas extras que são feitas, muitas vezes sem a devida remuneração, para no final do mês receber um salário mínimo.


Com este mísero salário, as pessoas sustentam suas famílias, enfrentam muitas dificuldades é verdade, mas sobrevivem com o suor do próprio rosto; sem tomar de outros aquilo que não lhe pertence. O mesmo, porém, não se pode dizer em relação aos nossos ilustres representantes, guardandoé claro, poucas exceções.


Uma pesquisa realizada pela Organização Transparência Brasil, concluiu que os parlamentares brasileiros são os mais caros do mundo. Um minuto trabalhado por eles no Congresso Nacional, custa ao contribuinte brasileiro mais de 11 milhões de reais. Por ano, um senador custa aostrabalhadores, 33 milhões de reais, enquanto um deputado federal não fica por menos seis milhões e 600 mil reais.


A situação fica mais surpreendente quando se compara esses valores a outros países mais ricos, como a Itália, por exemplo, que consome com seus parlamentes três milhões e 900 mil por ano; a França, dois milhões e 800 mil; a Argentina, um milhão e 300 mil e a Espanha, 850 mil.


Em Natal, capital do Rio Grande do Norte, Estado considerado como um dos mais pobres da Federação, a situação dos nossos representantes não é diferente. A previsão de orçamento da Câmara Municipal para 2007 é de 29 milhões de reais.


Nossos vereadores têm direito ao salário, muita mordomia e ainda uma verba de 16 mil reais para a manutenção de seus gabinetes, valores que deixam a Câmara Municipal de Natal como a segunda mais cara do Nordeste. E isto sem contar com os benefícios financeiros que eles recebem votando projetos que vão beneficiar empresários de vários setores.


Os cidadãos natalenses ainda estão estarrecidos com as notícias veiculadas pela Imprensa, de que nossos nobres representantes receberam 30 mil reais para votar contra o Plano Diretor da Cidade.


Ao ler estas notícias, fico questionando: onde é que os políticos entocam tanto dinheiro? Por que é que mesmo ganhando todos estes valores,eles não se envergonham de usurpar os recursos destinados às obras públicas? Promovendo tantas falcatruas, será que eles conseguem dormir em paz? Ora bolas, nenhuma das obras realizadas sai de graça para o povo. Somos nós, os trabalhadores, quem financia tudo e no final, não temos direito a coisa alguma.


O trabalhador se mata de trabalhar para carregar um país nas costas, dando vida mansa a um considerável grupo de políticos desonestos e ainda é obrigado a pagar pelos serviços públicos em dose dupla. Isto porque, além de ter os impostos descontados de forma compulsória no seu contra-cheque, tem que pagar estes serviços "por fora", para tê-los de fato.


Pagamos nossos impostos em dia, com a falsa idéia de que teremos alguns serviços básicos oferecidos pelo poder público. Pagamos impostos para ter direito à saúde, educação e segurança. Pagamos impostos para não ver crianças na rua pedindo esmolas; sendo humilhadas e desrespeitadas na sua cidadania.


A grande constatação é a de que nos esforçamos em vão. Temos que estudar em escolas privadas se quisermos ter direito à educação; temos que pagar um plano de saúde particular, se quisermos ter direito a atendimento médico; temos que contratar segurança particular para termos a sensação de estarmos seguros. Além disso, temos que viver olhando nossas crianças dormindo nas calçadas e pedindo esmolas nos semáforos das cidades. Tudo isto por causa da falta de honestidade dos nossos políticos, mentes perversas, que sem a menor cerimônia, roubam os sonhos, a ilusão,a esperança e o dinheiro do nosso povo.


 

14 de Setembro de 2012

A INCRIVEL FORÇA QUE O DINHEIRO TEM

Flávio Rezende  - escritor, jornalista e ativista social

 

Tem algumas coisas que exercem grande influência em nossas vidas, chegando a ter uma força que movimenta, alegra, nos tornando mais vivos e ativos. Posso citar algumas aqui, que serão aceitas por muitos leitores.

Cito a força que os filhos exercem sobre todos nós, levando alguns pais a tomar atitudes radicalmente diferentes em algumas situações. Vou lembrar uma, bem comum. Quando alguém provoca um acidente pelo fato de ter bebido, é comum que todos nós condenemos logo o motorista, achando que é um absurdo a pessoa beber e dirigir, que não tem perdão, se alguém morreu a pessoa tem que ir preso, tem que pagar indenização a vida toda, etc.

Se for um filho nosso, conhecendo ele, sabendo que no fundo é uma pessoa boa, que bebeu, mas que não tinha intenção de matar costumamos então achar que foi uma fatalidade, que nosso filho não merece ficar preso, que tem uma vida toda pela frente e por ai as coisas vão.

Também temos muita energia para condenar políticos, governantes, gestores, chamá-los de incompetentes, ladrões e um monte de coisas, mas, quando assumimos um cargo idêntico e nos encalacramos com a inércia burocrática do poder, com as dificuldades que fogem do controle e são quase intransponíveis, tendemos a reconhecer que não basta querer, ter idealismo, boas ideias, que é preciso paciência, jogo de cintura e que aqueles que tanto condenamos, não mereciam, muitas vezes, tantas energias negativas e julgamentos que emitimos.

São muitas coisas que convocam nossas energias para que se manifestem de maneiras variadas, mas, tem uma que não tem pareia como diz o matuto. É o tal do dinheiro. Dias passados estava numa rede, curtindo preguiça, como gosta de dizer meu dileto amigo Carlos Maia quando, recebi ligação de um cliente dizendo estar com o pagamento da clipagem de jornais e internet que faço para o mesmo.

Apesar do sujeito morar do lado oposto da cidade, de ser por volta de 13h, não contei conversa, pulei da rede, passei um gel nos rebeldes fios que, aos cinquenta, começam uma revolução capilar no couro que os abriga e, corri para o carro tomando a direção do apartamento do cliente, cheio de alegria e de felicidade.

No caminho, comecei a rir comigo mesmo. Já tinha decidido que naquela tarde assistiria algo da Sky que pago caro e quase não vejo nada, que utilizaria a esteira do prédio para tentar reduzir umas calorias e, leria algumas coisas.

Que nada, receber um pagamento um tanto quanto demorado, pegar no dinheiro e poder fazer algo com ele, me energizou profundamente e fez o preguiçoso escritor e jornalista ressuscitar e voar até o gentil pagador.

No caminho, fiquei também refletindo sobre esse poder do dinheiro. Se eu, que não sou muito obcecado por ele, não contei conversa e corri para garanti-lo, avalie quem entroniza o vil metal como seu Deus, como seu ídolo ou como seu objetivo na vida?

Certamente é essa turma que passa por cima de todo mundo, que cegamente se entrega aos atos corruptos, na ânsia louca e acelerada de ter sempre uma grande quantidade de dinheiro, pois o apetite de alguns por ele, é sempre insaciável e não tem remédio, preleção, dogma, ensinamento e bom exemplo que faça isso mudar.

O tal do dinheiro é importante e necessário, mas, não deve ser a coisa mais nobre da vida, acredito dá para viver sem que sejamos, escravos dele. 

06 de Setembro de 2012

Reflexões sobre a Favela da Rocinha

Flávio Rezende  - escritor, jornalista e ativista social - escritorflaviorezende@gmail.com

 

 

Recentemente estive no Rio de Janeiro e, entre a apreciação de muitas películas, daquelas que geralmente não são exibidas em Natal, parti com um grupo de estrangeiros para um giro geral pela favela da Rocinha. Apesar de todo o noticiário negativo sobre este recanto carioca, nunca fui de sentir medo em lugares pobres, invocando prova sobre esta afirmação, o fato de ter ido morar em Mãe Luiza 20 anos atrás, ficando lá por 18, causando com esta decisão muita apreensão aos meus pais, pelo fato do bairro ter presença constante na crônica policial da cidade e, ser conside-rado dos mais violentos de Natal.

Confesso que não sou dado a medos, tendo viajado para a Índia em 1990, ainda jovem, sem falar inglês e, sozinho, voando a partir de São Paulo numa aventura, que logo me apresentou outros místicos viajantes brazucas que, somados a meu ser, tornaram a viagem agradável e absolutamente tranquila e importante para todo o meu futuro. 

Fui para a Rocinha absolutamente livre de preconceitos e de paranoias. Quando chegamos ao pé do morro, tivemos que sair do veículo e subir em motos. Dois reais para cada motoqueiro e, o grupo subiu pela rua principal. O comércio é intenso, muitas motos, ônibus, carros, num perigo constante de acidentes por causa das curvas e do pouco espaço. Lembrei-me muito da Índia, onde o trânsito é a maior das aventuras do peregrino.

O comércio é variado, de perfumarias de grife a pequenos estabelecimentos, policiais espalhados por pontos estratégicos e, aquele natural bom humor do carioca presente o tempo todo. Subimos até um dos pontos mais altos da Rocinha, a agência da ECT e, de lá começamos a descida a pé, pelos becos apertadíssimos, de onde, à esquerda e a direita, surgem portas, grades, novos caminhos, num labirinto sem fim de salões de beleza, mercearias, barzinhos, jovens estudantes subindo e descendo e, o povo sempre gentil nas saudações e nos sorrisos generosos.

A guia autorizava o uso de imagens e disse que podiam ser feitas de qualquer maneira, sem reservas. Do alto de uma ONG deu para acompanhar uma patrulha da polícia militar fortemente armada percorrendo o lugar onde tínhamos passado. Testemunhei uma abordagem educada e nenhum problema re-gistrado naquele trecho. Uma das cenas mais comuns é a quantidade imensa de fios amarrados e caídos quase ao nível da cabeça da gente, tubulações de água, um emaranhado imenso, não conseguindo entender como a água percorre tantos canos e a energia elétrica consegue adotar tantos gatos e não ter um colapso constante.

Realmente os que acreditam em anjos da guarda para motoristas, crianças e bêbados, devem acreditar em anjos da guarda para favelas, aquele amontoado de moradias, coladas umas as outras, minúsculas, abrigando até oito pessoas em três ou quatro metros quadrados, só mesmo uma grande proteção espiritual permanente para manter uma estrutura daquela viva por tanto tempo.

Agora, o melhor, as favelas do Rio livres dos traficantes são lugares fantásticos, onde a vida acontece de maneira sadia, normal, com seus habitantes sorrindo, vivendo de maneira pobre, mas digna, onde a vontade de superar as adversidades fica mais próxima da luta diária pela sobrevivência, sem o componente do medo, sem a vergonha do preconceito e, sem o olhar temeroso da sociedade em geral.

As favelas do Rio e a Rocinha, onde estive, voltam a integrar o Grande Rio, o maravilhoso Rio, o inigualável Rio, cidade que elegi para ser a segunda melhor do mundo, depois de minha Natal, cidade em que, eu tendo condições financeiras um dia, faria minha segunda moradia, com muito orgulho e prazer, para ali subir muitas vezes na Rocinha, me inspirar para escrever livros, fazer novos amigos, observar a linda paisagem, tomar banho de mar em Ipanema, passear no calçadão de Copacabana, assistir filmes em Botafogo e, no domingo, fechando a semana com chave de ouro, ir ao futuro Maracanã ver o mengão ganhar e assim, minha vida mais feliz, ficar!

 

31 de Agosto de 2012

PERVERSIDADE: O NOME DA "ROSA"

Nathália Boavista - Pedagoga

 

Revolta, indignação, repulsa foram alguns dos sentimentos que me invadiram, ao tomar conhecimento, através da Imprensa, do volume de dinheiro recebido por  Rosalba Ciarlini, desde que assumiu o cargo de governadora do Rio Grande do Norte, ou seja, mais de 20 milhões por dia. Verificando-se o caos que impera no Estado, não dá para entender os motivos pelos quais essa criatura ainda não realizou alguma coisa que valha o sacrifício de tê-la como representante do povo potiguar.

Desde que assumiu o comando do Estado, Rosalba Ciarlini mantém o mesmo discurso de que herdou uma massa falida; que precisa colocar as contas em ordem; que precisa respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal, entre outras lamúrias do gênero. Valendo-se desse discurso já bem desgastado, não promoveu qualquer melhoria no Estado e ainda permitiu que o caos se agravasse nas áreas da Saúde, Educação e Segurança, o que a deixa com uma rejeição estimada em mais de 90% nas pesquisas de opinião pública, o que é muito bem merecido.

Parece piada, mas é a pura verdade: os policiais militares do Rio Grande do Norte são obrigados a pagar pela farda, pelas armas e pela munição que usam enquanto desempenham suas funções, assim como também são obrigados a pagar todo o custo pelos cursos de especialização realizados em outros Estados do País, para o bom desempenho do seu trabalho.

O RN tem em suas fileiras, policiais capacitados, competentes e muito bem treinados para solucionar casos de sequestros como o de Popó Porcino, por exemplo, perseguição de contrabandistas nas regiões de Caatinga do Nordeste; no desarmamento de bombas; e no salto de paraquedas, entre outros. Cada curso desses não custa menos de 10 mil reais. Mas não é o Governo Estadual quem paga a despesa para o treinamento dos policiais; todo o custo pelo aprendizado é bancado pelo próprio policial, que ainda amarga a desdita de receber salários e diárias em atraso. 

As mulheres são reconhecidas na história, por sua capacidade de organização e planejamento, entre outras qualidades. Também são consideradas como o sexo frágil devido à sensibilidade aguçada, à sua preocupação em executar com esmero suas atividades e, em especial, por sua preocupação em não ferir seu semelhante. Rosalba Ciarlini, porém, não parece pertencer a esse clube. A sua falta de atitude e de sensibilidade só pode ser definida por uma palavra: PERVERSIDADE. 

 A história, aliás, está repleta de casos mostrando que o poder torna as pessoas cruéis e perversas. Dentre estas podemos destacar a condessa húngara, Elizabeth Báthory de Ecsed que entrou para a história como uma das soberanas mais diabólicas, cruéis e obsecadas pela beleza de que se tem conhecimento. Ela foi acusada de torturar e matar dezenas de jovens do seu reino. Acreditava que banhando-se no sangue das jovens donzelas, poderia permanecer  jovem e bela por toda a eternidade.

Agripina Jovem, irmã de Calígula, tornou-se imperatriz ao casar com seu tio, Cláudio. Ela já tinha um filho, Nero, do seu primeiro matrimônio com Domício. Convenceu Cláudio a adotar o menino como se fosse seu. Nero, então, tornou-se herdeiro e sucessor de Cláudio. Para tornar possível a ascensão de Nero, Agripina planejou a morte do marido e tio por envenenamento. Nero assume o trono e, ironicamente manda matar sua mãe.

 Delphine LaLaurie, uma socialite de grande destaque em Nova Orleans, entrou para a história por tentar reproduzir as experiência do Dr. Frankenstein. Os bombeiros chegaram a sua casa para conter um incêndio e ficaram horrorizados com a descoberta: vários escravos se encontravam acorrentados e amputados no sótão da casa. Alguns tinham bocas costuradas e sexos trocados. Relatos afirmam que ela queria transformar um dos escravos em caranguejo.

No RN não existem relatos de execução de pessoas, mas a crueldade e a perversidade como os servidores e a população do Estado veem sendo tratados, coloca Rosalba Ciarlini numa posição de destaque entre as mulheres mais perversas da história. (25/JUL/2012).

 

10 de Agosto de 2012

O PEPE-PEDE A JESUS

Públio José - jornalista - (publiojose@gmail.com)


Se os políticos de hoje ficam incomodados com o pede-pede quando se vêem diante dos eleitores mais carentes podem ficar sossegados. Este é um fenômeno que vem de longa data, de muito longe. Ao que parece, é da natureza humana somente se envolver num relacionamento, principalmente de cunho político, se, de início, for antevista a chance de levar vantagem. De - em troca do voto, por exemplo - lhe ser dada a oportunidade de mercadejar de alguma forma.

Hora é a conta de luz atrasada, ou a da água, ou a prestação da casa, ou a receita do remédio, ou a compra de uma passagem para um distante ponto onde desembocam suas necessidades. Em outros momentos é a negociação pura e simples do voto por dinheiro. A realidade é que dificilmente se escapa a algum tipo de negociação, de troca, na busca de alguma posição seja ela política, social, empresarial ou de qualquer natureza.

É interessante se registrar que do pede-pede nem Jesus escapou. Na sua curta passagem como homem público ficou célebre o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, segundo registra a Bíblia (Mateus cap. 14, versículos 13 ao 21). Em pleno deserto, a multidão, ansiosa para ouvi-lo, distanciou-se dos centros urbanos mais próximos. Jesus observou que a multidão estava faminta e que não havia lugar para procurar alimentos. Surgiu, então, um menino com cinco pães e dois peixinhos dos quais Jesus se utilizou para efetuar a multiplicação e alimentar o povo. Segundo o texto bíblico, estavam presentes cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças, o que, num cálculo rápido, totalizaria cerca de 15 mil pessoas. Satisfeita, barriguinha cheia, a multidão, a partir daí, passou a seguir Jesus não mais interessada em suas pregações, mas tão somente esperando a hora de comer de graça.

Mais adiante, o próprio Jesus alertou a multidão para se saciar bem mais da palavra que ele divulgava, da essência do seu discurso, do que do pão que distribuía por misericórdia para com o povo. A verdade é que, se Jesus praticasse seu ministério nos dias atuais, com certeza se veria em situação delicada com relação ao pede-pede. O que teria de gente procurando-o para se aliar ao seu trabalho em troca de alguns favores não seria fácil de contar. Imagine alguém chegando para Jesus e pedindo: "Mestre, me arranje aí alguns trocados para eu pagar a conta de luz que está atrasada". Ou então: "Senhor, dá para conseguir uma passagem para São Paulo onde meu filho......".Ou ainda: "Jesus, se o Senhor me garantir uns R$ 500,00 por mês eu te seguirei até a morte". Também teria essa proposta: "Se o Senhor conseguir um emprego pro meu filho desempregado eu lhe ajudo no seu trabalho".

Troca, negociação, propostas de toda ordem, de todo tipo. Se alguns políticos já possuem uma veia voltada para a corrução, para negociatas escusas, são induzidos mais ainda para isso pela pressão que recebem, em grande parte, do eleitorado mais desprotegido dos projetos de assistência social dos governos. Com isso, não quero aqui livrar a cara, nem as responsabilidades, dos políticos desonestos. E muito menos catalogar o pobre do eleitor carente como o culpado por esse estado de coisas. Mas a verdade é que, se os homens públicos forem atender aos insistentes e ininterruptos pedidos dos mal acostumados pedintes achados em toda parte, terão que se meter, obrigatoriamente, em mensalões, caixa dois, venda de suas consciências ao governo - e outros tipos mais de falcatruas - para obter recursos suficientes para saciar a sede e o hábito do pede-pede estabelecido país afora.

E esta é uma situação difícil de administrar.

Juntando-se hábitos implantados por políticos corrutos desde priscas eras, e o desejo latente do homem, principalmente do carente, do necessitado, de buscar algum tipo de vantagem quando a ocasião se apresenta, teremos, então, um quadro bem aproximado da realidade que se vive, nos dias atuais, no relacionamento homem público versus eleitor. Quem mais sofre, nesse contexto, é a democracia e a prática política lastreada na honestidade, na seriedade, no embate de idéias, na discussão de projetos e propostas voltados para o benefício de todos em geral - e dos mais carentes em particular. Pois quando um político mete a mão no bolso para ajudar um eleitor viciado em pedir, está, com raras exceções, desviando recursos de alguma obra necessária ao bem estar coletivo. Soluções à vista? Como, se do pede-pede nem Jesus escapou?

 

27 de Julho de 2012

O social como caminho para o aprimoramento pessoal

Flávio Rezende  - escritor, jornalista e ativista social - escritorflaviorezende@gmail.com

 

Trilhar o caminho do bem como popularmente tenho ouvido não é propriamente uma decisão pessoal, como o é a escolha da profissão, da esposa e algumas outras decisões na vida. Comigo pelo menos, não foi assim, as coisas foram acontecendo naturalmente e uma foi levando a outra.

Decidi dedicar meu escrito de hoje a este tema, pelo fato de ter comemorado recentemente 51 anos de vida, 20 de trabalhos sociais no bairro de Mãe Luiza e na cidade do Natal, 7 anos de fundação da ONG Casa do Bem e 2 anos da construção da sede própria.

Confesso a meus poucos e carinhosos leitores, aos quais aproveito para agradecer comentários sempre tão gentis, que desde cedo aprecio ajudar o próximo, foi assim compartilhando bananas, pães e biscoitos quando pequeno, avançou na época do ginasial e científico quando levava flanelinhas para tomar chocolate de Gramado comigo e foi sendo cristalizado na Pipa quando defendia intransigentemente uma melhor remuneração para Dona Maurina, que cozinhava para nós surfistas na praia da Pipa, no tempo em que só tinham casas de pescadores.

Depois veio Mãe Luiza, lugar que decidi morar, causando apreensão em todos os amigos e familiares, dado os altos índices de violência e de pobreza do bairro. A partir dali as coisas foram acelerando e, caminhando por entre ruas e vielas, fui conhecendo a triste realidade dos mais necessitados, não negando transporte, ajuda material e um ombro amigo, a tantos quantos foram surgindo.

De ajudas pontuais parti para projetos, dando início a uma pequena escolinha de futebol, fazendo parceria com o coral de Cristina Nagahama e os surfistas de Ventura, começamos ainda um balé na garagem lá de casa com Gleydson e, as coisas foram indo, indo, até que pensei em ter um espaço próprio, uma vez que a minha casa e os demais pontos que estávamos ocupando já não davam vencimento.

Surgiu então à ideia da Casa do Bem e o projeto tomou forma com a doação do terreno por parte do empresário Ricardo Barros. Depois de muitas e muitas lutas obtiveapoio das empresas Petrobras e Cosern, sob a Lei Câmara Cascudo de incentivo a cultura do Governo do Estado e, surgiu à Casa do Bem, bonita, grande, operante e positiva.

De lá para cá muitos projetos surgiram e muitos outros rolam. Tudo que pensei realmente aconteceu, às vezes fico pensando em como foi possível diante da grandiosidade da coisa e da necessidade da remoção de tantos obstáculos, mas, é real, existe e tem feito bem a muita gente.

No processo pelo qual estou passando aprendo muitas coisas. No começo confesso que ficava muito triste e decepcionado. Realizava coisas que julgo grandiosas, eventos fantásticos, nunca conseguia levar um amigo ao menos, daqueles que compartilhavam comigo mesa de bar, agitos da night. Ainda hoje sinto a falta deles e de alguns familiares, me sinto verdadeiramente só. Cheguei algumas vezes a escrever sobre isso, depois fui percebendo que as coisas são assim mesmo, se os que eram mais próximos estão distantes, outros que eram distantes se aproximaram e ganhei novos amigos.Hoje estou mais concentrado em tornar possível a continuidade das ações, ainda sinto tristeza vendo tantos que conheço gastando rios de dinheiro em almoços, vinhos, drogas, viagens, roupas e, não colaboram com dez reais por mês com a Casa do Bem. Faço campanhas sugerindo que as pessoas depositem pequenos valores, olho a conta e não encontro o reconhecimento lá.

Esse reconhecimento é muito teórico, filosófico, todos elogiam, dizem coisas lindas, mas preciso de algo mais para poder não pensar tanto em problemas. Temos necessidades diversas e, se estes muitos e muitos amigos e familiares pudessem compreender que um pequeno gesto de depositar mensalmente tem um grande poder de tornar tudo mais fácil, estaria em situação mais tranquila.

Esse é o aprendizado, fazer, entregar o fruto das ações a divindade, não misturar as ações humanitárias com política e nem com religião, torcer para que os amigos materialistas possam compreender que preciso deles, pois não sou milionário e, tocar o barco com o mínimo possível de mágoas e o máximo possível de alegria.

Sou conhecido pelo alto astral, pela energia positiva, esse é meu maior legado, realmente sou feliz, gosto de ajudar, me sinto bem, tenho muita energia para isso e, como disse no começo, nunca planejei nada, as coisas foram acontecendo, podia hoje estar levando uma vida totalmente egoísta, só pensando em meu umbigo, mas, acredito estar no caminho certo e, ainda espero comemorar um dia, a adesão dos mais próximos, potencializando assim as ações e amplificando seu poder de incluir mais e mais pessoas neste maravilhoso círculo do bem.

Grato a todos que ajudam e vamos juntos vivenciar a frase do educador Sathya Sai Baba, "amar a todos, servir a todos".

 

 

20 de Julho de 2012

COMO ESTÃO AS ENTRANHAS DE NATAL?

Públio José - jornalista - (publiojose@gmail.com)


 


Quero lhe fazer um convite para, juntos, iniciarmos uma viagem mental. Quero lhe pedir também que você esqueça – nem que seja por uns breves momentos – seus problemas pessoais, seus cheques a cobrir, o título que está preste a ir para cartório, o desemprego que lhe assusta, até seus problemas familiares, para refletirmos sobre o meio ambiente de Natal. Quero que você vire suas lembranças para trás e rememore as condições que a natureza deixou de herança para Natal. Natal, linda cidade, brindada com rios, dunas, brisa suave, clima ameno, lugar bom para se viver, imune a cataclismos, terremotos, enchentes... Natal dos poetas (“em cada esquina um jornal”- lembra-se?). Natal do ar mais puro da América Latina. Ah, Natal... Tanto é bela e atraente que está cheia de gringos querendo encher-lhes os espaços com seus investimentos, sonhos, devaneios – e malandragens também. Muita malandragem.


Agora, quero chamar sua atenção para um detalhe importante: vamos traçar um paralelo entre a poluição das entranhas de Natal e a poluição das entranhas dos nossos políticos, dos nossos governantes, das pessoas que tiveram nas mãos os recursos e as condições políticas para não permitir a degradação ambiental de Natal e que, lamentavelmente, nada fizeram. Quero, junto com você, estabelecer a seguinte verdade: se o interior da nossa cidade está poluído agora é porque está poluído também o interior delas, as tais “expressões políticas”. Aliás, quero lhe propor uma sentença bem enfática: a poluição já habitava o interior delas muito antes da degradação ambiental atingir Natal em cheio. O mundo mudou bastante nos últimos tempos e os modelos administrativos seguiram as trepidantes mudanças que se processaram nos grandes aglomerados urbanos. E eles, na qualidade de líderes, acordaram para essa nova realidade?


Tendo na mão estrutura e recursos para pensar e agir diferente, de ousar em suas ações administrativas, porque não o fizeram? A realidade é que as entranhas de Natal estão apodrecendo – e os políticos não estão nem aí. Suas atenções estão voltadas para ocupação maior de seus espaços individuais, suas idiossincrasias mais evidentes, suas manifestações de insensibilidade mais visíveis. Os lençóis freáticos de Natal, suas nascentes, seus rios e córregos estão morrendo e não se vê, no meio político, nenhuma preocupação ou providência, nenhuma atitude para resolver esta questão. Da natureza não podemos reclamar, não é verdade? Natal é rodeada de dunas que funcionam como verdadeiras esponjas de armazenagem de água. Ao mesmo tempo em que armazenam, servem também de filtros naturais. Coroando toda essa bela engenharia ambiental, uma farta vegetação protege esse verdadeiro tesouro. Entretanto, o meio ambiente de Natal está trilhando um caminho de retorno quase impossível.


De todo esse aparato natural o que temos hoje? Águas que chegam ao interior das dunas já poluídas; lençóis freáticos contaminados por coliformes fecais e matéria orgânica em geral; lençóis profundos contaminados por nitrato oriundo da matéria orgânica maturada nas fossas e sumidouros; rios alimentados, a céu aberto, por esgotos infectos, enegrecendo o que a natureza nos entregou, há anos atrás, límpido e puro. Se a água – e todo conjunto natural que lhe cerca, como dunas, rios, córregos, matas, manguezais – é tão importante para a qualidade de vida de nosso povo, porque não criarmos o Plano Diretor de Águas de Natal? Um documento robusto, completo, voltado à cura das entranhas da cidade. Fica a sugestão. A solução seria trilateral: curaria a natureza, melhoraria substancialmente a qualidade de vida do nosso povo – e daria um novo direcionamento às catracas mentais dos nossos políticos. É sonhar demais? 

13 de Julho de 2012

FOFOCAS DA JOVEM GUARDA III

José Osvaldo Alves do Nascimento - amigoosvaldo@gmail.com

 

Maldosas, inoportunas, algumas até  mesmo ingênuas...

Quem já foi alvo de fofoca sabe que não é uma situação agradável mas quem resiste ao ouvir a última que saiu?

Fofocas nem sempre são corretas (na verdade na maioria dos casos estão muito longe da verdade) mas são, no mínimo, divertidas.

Continua... mais algumas notinhas (fofocas ou não) daquela época:

 

1967:

 * A cozinheira de Wanderley Cardoso ficou apaixonada pelo patrão. Foi dispensada mas continua escrevendo ardentes cartas de amor ao seu ídolo.

* Na casa do sítio de Maracangalha, de Dorival Caymmi, há uma enorme foto de Roberto Carlos no meio do corredor. Dorival diz que foi a empregada que colocou lá mas ele não tira, porque acha que Roberto Carlos é o cantor de maior comunicação humana que ele já viu.

* Erasmo Carlos é muito amigo de Dener. De vez em quando ele vai à casa do figurinista para cantar para sua esposa Maria Stella e seus dois filhos.

* Ronnie Von durante muito tempo manteve sua esposa Aretusa como sua maninha, tudo por causa das fãs.

* Wanderléa já pode guiar seu Mustang dentro da lei. Já recebeu sua carta de motorista.

* Roberto Carlos foi dar uma espiada na passeata da Música Popular Brasileira (passeata contra as guitarras). Ficou no carro, muito escondido. Ninguém o viu.

* Erasmo Carlos tem um tremendo ciúme de sua guitarra que tem nome de Tremendinha. Ninguém pode botar a mão nela que leva bronca.

* O casamento de Roberto Carlos e Nice será em abril. (matéria de capa da Revista Manchete).

 

1968:

* Marcio (Vips) é extremamente carinhoso com sua mulher Lílian (ex-Leno e Lílian).

* Finalmente, desde que começou na carreira artística, Waldirene conseguiu quebrar a vigilância do irmão e arrumou um namorado. É o Alemão, dos Wandecos.

* Quando fica nervoso Roberto Carlos fuma cigarros até o fim. Vez por outra ele se distrai e a ponta quase lhe queima os dedos.

* Ed Carlos, que apresenta na TV Bandeirantes o programa Mini Guarda, foi impedido de atuar numa das últimas semanas: o seu alvará do Juizado de Menores está vencido.

 * A roupa mais cara que um artista já usou numa TV, foi a de Sérgio Reis. É um terno todo dourado, e custou 300 dólares. Foi encomendado.

* Antes de ser cantor, Roberto Carlos fazia serviços de carpintaria com seu pai. Noutro dia, mostrou que não esqueceu o ofício. A porta de seu camarim quebrou, e ele mesmo consertou, rapidinho.

* Nice já encomendou para Clodovil vinte vestidos, que levará para Cannes, quando Roberto Carlos viajar em julho. Ela nem perguntou o preço.

* Roberto Carlos deixa o Jovem Guarda! Mas esta história não era mais uma fofoca...

 

06 de Julho de 2012

FOFOCAS DA JOVEM GUARDA ii

José Osvaldo Alves do Nascimento - amigoosvaldo@gmail.com

 

Maldosas, inoportunas, algumas até  mesmo ingênuas...

Quem já foi alvo de fofoca sabe que não é uma situação agradável mas quem resiste ao ouvir a última que saiu?

Fofocas nem sempre são corretas (na verdade na maioria dos casos estão muito longe da verdade) mas são, no mínimo, divertidas. Continua... algumas notinhas (fofocas ou não) daquela época:

 

1966:

* Ronnie Von ganhou de presente do Simonal um boneco Mug. O Mug é um boneco diferente, que parece uma bola e tem fama de dar sorte a quem ganha.

* Nicholas, o mordomo de Roberto Carlos, está treinando tiro ao alvo justamente na foto de tamanho normal do Tremendão, vestido de cow-boy.

* Nara Leão tem sido vista com o cantor Jerry Adriani. Será que estão namorando?

* Ronnie Von garante que não vai deixar o cabelo crescer mais: já tenho muita sorte com as mulheres e elas não gostam de exageros.

* Erasmo Carlos diz: Só poderei me apaixonar por garotas do tipo de Wanderléa ou de Débora Duarte. Elas são como eu gosto: morenas e bacanas.

* Rosemary não aceita caronas. Só vai para casa de ônibus.

* Ed Wilson melhorou muito sua aparência após o regime.

* Wanderléa apareceu num programa de TV com uma calça prateada tão justa, mas tão justa, que deixou os câmeras daquele jeito

 

1967:

 * 30.000 cruzeiros novos é a multa estipulada por Carlos Imperial a Eduardo Araujo e Silvinha, caso não cessem o romance que estão vivendo.

`Investi muito dinheiro na promoção dos dois nomens - revela - e esse namoro inventado pode passar mal junto aos fãs. É preciso acabar logo com isso senão perderei tempo e dinheiro.`

* Vai bem o romance de Débora Duarte e Erasmo Carlos.

* Renato (Seus Blue Caps) confessa que não quer mais nada com sua ex-namorada Lílian. Está irredutível, apesar de saber que a moça chora dia e noite.

* Não há mais dúvida: é no iê-iê-iê que esta o dinheiro. A cantora Silvinha mandou fazer um smoking com seda importada da China, por 800 mil cruzeiros antigos.

 * O Rei resolveu virar pintor: Roberto Carlos já pintou dois quadros (não quer que sejam fotografados) e pretende pintar muito mais. Quem sabe um dia ele não os coloca em exposição?

* Martinha está também namorando. Ele é o baterista de Roberto Carlos.

* Jerry Adrianai com problemas, é que uma turma de garotas fez uma serenata para o ídolo em plena madrugada, só que ele mora no sexto andar e no dia seguinte recebeu reclamações do prédio todo.

* Roberto Carlos falou, em torno das manifestações dos Beatles pró liberação da maco-nha na Inglaterra: Ouçam o que eles cantam, não o que eles falam. 

29 de Junho de 2012

Fofocas da jovem guarda I

José Osvaldo Alves do Nascimento - amigoosvaldo@gmail.com

 

Maldosas, inoportunas, algumas até ingênuas...

Quem já foi alvo de fofoca sabe que não é uma situação agradável mas quem resiste ao ouvir a última que saiu?

Fofocas nem sempre são corretas (na verdade na maioria dos casos estão muito longe da verdade) mas são, no mínimo, divertidas.

Confiram algumas notinhas (fofocas ou não) daquela época:

 

Fofocas  -  1965:

* Roberto foi a Belém do Pará e disse que ficou tonto com as morenas cheirando a patchuli...

* Apesar de viver no Rio e gostar das praias cariocas, volta e meia Wanderléa está nas praias de Fortaleza. Por que será?

* Cansado de ser `pichado` pela Candinha, na Revista do Rádio, Roberto Carlos resolveu fazer uma canção para ela.

* Parece que a amizade de Erasmo e Roberto incomoda muita gente, que vive dizendo que hoje em dia é muito difícil ver dois amigos assim.

* Se fizerem um concurso elegendo o cantor mais beijado do ano, o vencedor seria logicamente o Wanderley Cardoso. Mas conhecemos alguém que morre de ciúmes.

* Erasmo Carlos tem tantas namoradas, que no Natal vai gastar todo o seu ordenado.

* Roberto Carlos também chega sempre beijando as fãs. Mas sem maldade, tudo na base do irmão.

* Regina, do Trio Esperança, já anda fumando. Será que o papai sabe?

* Rumores indicam que Wanderley está de romance com Brigite Blair. Wanderley pede que parem com as fofocas de namoro: atrapalha sua carreira.

* Rosemary não gosta que as morenas imitem seu penteado. Ele é só para as louras.

* O afaiate de Sérgio Murilo anda exagerando na boca-de-sino de suas calças.

 

Fofocas  -  1966:

* Roberto Carlos está uma fera. Seu Impala apareceu com a palavra `Rei` escrita a canivete.

* Jerry Adriani tem mania de conversar dando tapinhas nos ombros da pessoa. Vai acabar machucando.

* Roberto Carlos, viajando de avião para o Rio, gamadíssimo por aquela cantora de música jovem. Estavam tão agarradinhos que o comandante, quando passou por eles, teve que pigarrear forte,

* Wanderléa parece estar apaixonada por um também ídolo da juventude, enquanto que Erasmo Carlos e Meire Pavão estão sempre juntos. Seria amor?

* Festa de arromba para Erasmo e Wanderléa. O aniversário dos dois ídolos começou às 21h e terminou às 2 da manhã. Toda Jovem Guarda estava lá, incluindo Roberto Carlos.

* Edi Silva, ex-secretária de Roberto Carlos, desmente boatos sobre uma possível briga entre ela, Roberto e Erasmo. Ela apenas passou a ser secretária de Erasmo porque o Brasa já tem muita gente a ajuda-lo, mas ele continua seu filhinho do coração.

* Por causa da ameaça de uma fã carioca, Rosemary procurou uma seguradora paulista para segurar seus cabelos. A menina ameaçou corta-los e para a cantora eles valem uma fortuna.

* Roberto já tem nove carros; Oldsmobille Cutlass 66, Cadillac Presidencial, Ford 1930, dois Impala, Bel-Air, Alfa Romeu sport, MG e Triumph sport. Acaba de comprar por 15 milhões uma Baratinha 1930.

 

 

 

15 de Junho de 2012

O sonho de todo fã

PAULO CORREIA - Jornalista - paulo.correia@r7.com

 

Nesses dias de pouca grana e cartão de crédito mais que estourado, recebo de minha querida amiga Karla Rocha um bom presente (emprestado, mas ainda um bom presente): O livro "Under their thumb- Como um bom garoto se misturou com os Rolling Stones e sobreviveu para contar", do jornalista Bill German. 

A publicação, lançada nos Estados Unidos em 2009 e por aqui em 2011, é o relato de um aficcionado pela banda inglesa e a criação de um fanzine que contava todos os passos dos integrantes dos Stones durante as décadas de 1980 e 1990. E o melhor: a história de como esse fã/escritor se tornou um frequentador assíduo dos shows, casas, e vida dos velhotes do rock. Um sonho concretizado que todo verdadeiro fã deseja para si.

No livro, a trajetória de German descobrindo a sonoridade, as letras cruas, sensuais e violentas da banda são o passo inicial dessa caminhada que o levou aos bastidores e ao contato pessoal com Mick, Keith, Ronnie, Bill e Charlie. Uma trajetória marcada inicialmente pelo fascínio total e que terminou com a confirmação de que eles não são deuses e nem muito menos homens exemplares, mas seres humanos que possuem muitas virtudes, mas também muitos defeitos. Defeitos potencia-lizados por egos gigantescos, drogas e bajuladores de toda espécie.

No livro, a confirmação que a banda é uma caixa de loucos que milagrosamente se entendem.  Mick Jagger é o mais chato, irritante e louco por dinheiro da banda. Um empresário acima de tudo. Keith Richards é o boa praça do grupo, Ron Wood é o doidão por drogas e exímio pintor, Charlie Watts é o caladão e membro mais recluso e Bill Wyman é o fã de menininhas de 14 anos. Um grupo que poderia facilmente ter acabado ainda na década de 1960, mas que continuou despejando o seu veneno durante as próximas décadas e que agora em 2012 completou 50 anos.

É por essas e outras que recomendo o livro de Bill German. Um trabalho deliciosamente bem escrito e que deixa cada leitor com uma pontinha de inveja do autor.

Ou não.

 

25 de Maio de 2012

Ser feliz com o coletivo

Flávio Rezende  - escritor, jornalista e ativista social

 

Antigamente as pessoas ficavam felizes quando podiam estar no mercado, na feira, no meio do comércio. Era naquela área onde circulavam os rostos diferentes, com túnicas, roupas extravagantes e, onde, os nativos podiam ouvir histórias e estórias de terras e de pessoas nunca antes imaginadas.

O lugar onde rola o comércio sempre foi o paraíso dos seres, o espaço para a troca, para o assassinato das curiosidades, o canto das descobertas, da realização dos amores, dai sua histórica magia, sua sedução que atravessa eras e eras, mudando o formato, mas nunca a essência.

Hoje o mercado, a feira, estão organizados em torno de lojas no que chamamos de shoppings, lugares maravilhosos onde podemos assistir filmes, conversar, ver o tempo passar, adquirir bens e, de certa maneira, ter uma relativa segurança uma vez que fora destas áreas, o perigo é muito mais presente.

Escrevo este artigo não só para louvar estes lugares mágicos, estes espaços fantásticos que embriagam nossos olhos com muitas cores e criatividades, buscando pescar nossas finanças, com apelos que rebuscam em nosso ser toda uma psicologia que começa na educação e se completa na publicidade.

Estas mecas do consumo continuam atraindo multidões e isto causa chateação em algumas pessoas, sendo este o principal motivo deste presente escrito. Às vezes leio nas redes sociais algumas pessoas dizendo que o shopping está insuportável com tanta gente, alguns até revelando certos preconceitos, dizendo que está cheio de jovens da zona Norte ou de adolescentes rebeldes.

Quando leio essas coisas fico um pouco reflexivo, pois, tenho uma sensação oposta quando vejo as multidões de jovens nos shoppings.

Gosto de apreciar eles sorrindo, conversando, as roupas diferentes das que uso, os cabelos radicalmente malucos, calçados variados e gestos abarcadores do mundo.

Fico feliz em estar no meio deles, ouvindo um pouco de suas gírias, risadas, me sinto mais vivo mais humanizado, lembrando ainda as minhas revoluções no tempo em que encarnava a idade deles, passando a usarbrinco, calças jeans desbotadas, cabelos Black Power e até tatuagem fiz, deixando papai e mamãe preocupados.

A visão da multidão, principalmente de jovens, causa em meu ser então, aquela alegria de ver o coletivo feliz. Não me sinto incomodado, antes pelo contrário, vibro por ser testemunha de visão e de audição destes belos seres vivenciando de maneira extraordinária as suas experiências joviais, de terem oportunidade de estarem num lugar onde podemos encontrar de alimentos a roupas, de mesas e cadeiras para papear mais confortavelmente a salas de cinema.

Que maravilha é fazer parte desta manada vulcanizada por sonhos e até contaminada por vícios atuais de cibernéticas relações com máquinas diversas. Sou feliz no meio desta multidão, vinda de qual zona seja.

Ao me dissolver no meio deles sinto penetrar em min' alma já cinquentenária, a doce e gostosa vibração coletiva desses belos espécimes adolescentes. 

18 de Maio de 2012

Que tal intensificar seu networking?

Dalmir Sant'Anna - Palestrante comportamental -  www.dalmir.com.br

 

Se por algum motivo, você recebesse hoje, a notícia de seu desligamento da empresa onde trabalha, o que faria? Recebi a ligação de um amigo, que por mudanças organizacionais, foi demitido da empresa onde trabalhou durante 5 anos. Fiquei feliz, pois o objetivo do contato comigo, era para eu fazer a ponte, com outro empresário que conheço, para entregar seu currículo. Note que a construção de uma rede de contatos, pode ser útil em vários momentos e de vital importância para pessoas que desejam manter-se em constante crescimento. Um relacionamento com a pessoa certa, além de abreviar caminhos, estabelece uma relação de amizade. Se você não gosta de pedir ajuda, supere isto demonstrando cuidado e carinho com aquelas pessoas com quem fala habitualmente. Observe a seguir, como aperfeiçoar sua rede de relacionamentos.

 

Cinco dicas para aumentar seu networking - A primeira dica é a participação em feiras, congressos, palestras e eventos relacionados à sua área de atuação. Seu cartão de visitas precisa chegar até a mão de pessoas certas, que tenham atuação no seu segmento. O objetivo maior com esta atividade não é juntar a maior quantidade possível de contatos, e sim conhecer pessoas que você possa auxiliar e possam ajudá-lo futuramente. A segunda dica está relacionada com a aplicabilidade do uso da empatia, percebendo que o tempo é algo valioso, tanto para você, como para seus contatos. Outra dica é o compromisso de realizar o que prometeu, lembrando que o discurso, pode ser apenas palavras soltas ao vento, mas, sua ação será um importante ingrediente para mostrar e intensificar suas competências. A quarta dica é o respeito e a compreensão de que, as pessoas são diferentes na sua maneira de pensar, agir e falar. A quinta dica é a manutenção do seu networking. Não adianta dispor de uma agenda lotada, se os contatos são improdutivos. Faça uma avaliação e responda: Há quanto tempo você não faz contato para algumas pessoas que estão presentes na agenda, e que, seriam interessantes para melhorar seu networking?

Um cuidado a ser observado é com a internet e as redes sociais. Elas podem transmitir a sensação de informalidade, exigindo coerência ao adicionar pessoas na sua rede de contato, prezando pelo bom senso e ética. Ambas, no ambiente profissional, funcionam de maneira positiva para a compreensão da diferença existente entre a liberdade e a libertinagem. Um segredo interessante é lembrar que a qualidade é o que conta, não a quantidade, por isso, o respeito com sua base de contatos é essencial ao enviar mensagens improdutivas, sem fundamentação e principalmente que possa gerar algum desvio da sua conduta. Um bom networking oferece expansão de sua rede de contatos, com o propósito de acreditar, que não se conhece todo mundo, mas é preciso conhecer alguém que nos leve a conhecer todo mundo. Na área comercial, por exemplo, um vendedor pode tentar inúmeras vezes, visitar um cliente sem conseguir vender absolutamente nada. Entretanto, se dispor de um bom networking, algum contato pode contribuir nas suas argumentações comerciais. Com relação ao meu amigo? Bingo! Conquistou o emprego e atualmente é gerente de vendas de uma importante concessionária de veículos. Que tal começar agora a revisar seus contatos e intensificar seu networking. Vamos tentar? 

11 de Maio de 2012

Somos todos habitantes do Planeta Terra

Flávio Rezende  - Escritor, jornalista e ativista social  -  escritorflaviorezende@gmail.com

 

Ao longo de minha existência material por este plano que ora existimos já tive o desprazer de ouvir alguns comentários negativos sobre a presença de estrangeiros no Brasil. Isso acontece muito quando estou na praia da Pipa e algumas pessoas comentam que os "gringos" estão invadindo o paradisíaco recanto.

Sempre tive uma visão mais universal da casa que habitamos, tendo a nítida percepção de que não podemos ter esse ranço divisionista em nossos corações, sob pena de nós mesmos sermos vítimas dele.

Explico melhor: se você passar por um problema pessoal, financeiro ou simplesmente tiver vontade de largar tudo e ir morar em qualquer lugar do mundo, qual vai ser seu sentimento? Certamente vai achar que por ser habitante do planeta Terra merece ter seu lugar em qualquer cantinho deste planeta, concorda?

Uma vez no novo lar vai querer que sua decisão seja respeitada, que você tenha aceitação cordial e que possa continuar sua existência onde decidiu, afinal, você é terráqueo e por direito de nascimento, pode habitar qualquer lugar desta linda e bela esfera com cobertor azul de dia e luzes estreladas à noite.

Se pela certidão de nascimento temos todos os direitos cósmicos e universais de estar fisicamente em qualquer região da Terra, por qual motivo alguns agem de maneira diferente com os que vêm de outros recantos para este?

Devemos ter este belo sentimento residente em nosso coração, a certeza que somos todos habitantes do planeta Terra, devendo, apenas, seguir as regras e os costumes adotados nas regiões que decidimos morar, pelo simples fato destes costumes levarem em conta questões históricas, clima, religião, sistema político, coisas mais complexas que devem ser respeitadas, sob pena do novo habitante ter problemas em seu novo convívio social.

Da mesma maneira quem chega ao Brasil para fixar residência deve seguir nossas regras e, a elas, observar a postura adequada. Uma vez posicionado neste comportamento, que os irmãos de todas as outras partes do planeta possam chegar, trazendo seus recursos financeiros para aqui investir, trazendo suas experiências, alegrias e culturas, para que todos juntos, possamos viver uma existência sadia, planetária, baseada nos valores humanos e, sempre levando em conta que as diferenças são bem vindas, pois tornam a vida mais dinâmica e interessante. 

04 de Maio de 2012

Temporadas Policiais

PAULO CORREIA - Jornalista - paulo.correia@r7.com

 

A revista Status, na sua edição de abril, trouxe um aperitivo para os fãs do escritor Marçal Aquino: Uma curta entrevista onde o autor de "Cabeça a Prêmio", "O Invasor" e outros livros, conta sobre a sua rotina e sobre o novo calhamaço que deve sair em breve. No texto, Aquino também comenta sobre a sua participação como roteirista da série policial "Força Tarefa", da TV Globo, e sobre a encomenda de um novo roteiro para outra série, do mesmo segmento, na TV do plim-plim.

Lendo a entrevista e vendo as chamadas da nova aposta da Rede Record, a série "Fora de Controle", observo que vem embate bom por ai, com as duas principais TV´s abertas do Brasil na briga pelos fãs do gênero policial. Uma corrida por melhores atores, enredo, tecnologia e boas histórias. 

Na Record, a atração será encabeçada pelos atores Milhem Cortaz, Rafaela Mandelli e Claudio Gabriel. Na trama, o delegado vivido por Milhem é titular de uma delegacia da zona sul do Rio de Janeiro. Homem de gosto refinado e conhecido por sua eficiência, também provoca polêmica pelos métodos que aplica em seu trabalho. Mesmo assim é tido como uma espécie de mestre para o inspetor Brandão (Claudio Gabriel). Já a inspetora Clarice (Rafaela Mandelli) é excelente profissional, extremamente correta e fiel à lei.

E foi assim, com disputas por melhores histórias, que o gênero cresceu e se desenvolveu ao longo dos anos na televisão americana (A rainha dessas produções). E foi por conta dessa briga saudável que assistimos séries como Miami Vice, NYPD Blue, CSI, Lei e Ordem, e muitas outras que souberam trabalhar o universo policial com maestria. Sem muita ingenuidade ou com caricaturas de policia e bandido, essas séries souberam transportar a atmosfera das delegacias, botecos, ruas e a vida de policiais que se arriscam para cumprir o seu dever.

Por aqui, o universo também é muito amplo e aberto para vários enfoques. Nas mãos de escritores competentes como Marçal Aquino e Marcílio Moraes (autor de A Lei e o Crime e da nova Fora de Controle) os resultados poderão agradar a gregos e troianos. 

Agora é esperar a aposta da Rede Record, que tem estréia marcada para o dia 08 de maio, e ficar na torcida na nova série roteirizada pelo genial Marçal Aquino.

Que venha logo!  

27 de Abril de 2012

Um romance policial inusitado

PAULO CORREIA - Jornalista - paulo.correia@r7.com

 

Nesses últimos dias tenho me dedicado a prazerosa leitura de "Fábrica de diplomas", livro do jornalista e professor da Universidade Federal Fluminense, Felipe Pena. Na obra, lançada em 2008 com outro título e relançada em 2011 pela Editora Record, é exibida a trajetória da fictícia Universidade Bartolomeu Dias. Encravada no meio da Tijuca e vizinha do morro do Borel, a instituição de ensino, particular, é o local onde se passa toda a história de um assassinato e os personagens envolvidos nessa trama policialesca nada comum.

Na publicação, a personagem Adriana Maia, aluna de Farmácia da Bartolomeu Dias, é baleada nas dependências da universidade depois de correr pelos becos do Borel com um misterioso papel em suas mãos e letras de Funk na cabeça. Para investigar o caso, é designado não um policial, mas o professor de Psicologia da universidade: Antonio Pastoriza.

No meio dessa investigação, Pastoriza reencontra uma ex-namorada, envolve-se numa disputa pessoal com o chefe de polícia civil, e se vê no meio da guerra entre milicianos e traficantes pelo controle de uma nova droga sintética produzida no laboratório de farmácia da universidade.

Fora esses aspectos, o livro é especial por mostrar os rumos da educação no Brasil. Notadamente, da educação privada. Mais preocupada com o lucro das altas mensalidades do que a formação de seus alunos.  E é sobre esse prisma que a publicação de Felipe Pena merece uma nota boa. Juntar uma história policial e elementos da vida acadêmica foi uma jogada de mestre. E tudo aliado com uma extraordinária escrita e bom humor. 

Eu não sei não, mas acredito que esse livro pode gerar futuramente um ótimo filme ou série de televisão. Afinal, ele tem todos os elementos para cativar o público fiel das histórias policiais. E com esse gancho com a realidade do ensino privado, é tiro certo para boas audiências.

Fica a dica de canto de página: Fábrica de diplomas, do jornalista e professor Felipe Pena.

 

Vale cada centavo! 

20 de Abril de 2012

Esquecidos

PAULO CORREIA - Jornalista  - paulo.correia@r7.com

 

Lendo os jornais e acompanhando o noticiário policial na televisão, me deparo, quase todos os dias, com a morte, sempre muito violenta, de jovens que não atingiram nem os 20 anos. São execuções por disputas de pontos de vendas de drogas, brigas entre torcidas de futebol, brigas por namoradas. Casos que a cada dia igualam Natal a cidade de Nápoles, descrita pelo jornalista Roberto Saviano no seu livro Gomorra.

Até quando esses assassinatos ficarão impunes e serão tratados como meros casos de traficantes contra traficantes ou discussões entre torcidas organizadas? Até quando a nossa sociedade ficará sem voz e o nosso Governo sem atitudes com esse verdadeiro morticínio de nossa juventude? Afinal, esses meninos e meninas não merecem uma maior observação e um cuidado especial com o seu presente e futuro?

Sinto que as pessoas que leem essas matérias em jornais ou acompanham os programas policiais na TV estão ficando apáticas com todas essas informações e esquecendo que esses jovens que morrem e matam todo dia são parte fundamental de nossa comunidade. Esses adolescentes têm famílias, amigos, histórias. Não são ratos de laboratório ou baratas para ficarem esquecidos e soltos ao Deus-dará.

Vamos realmente abandoná-los e deixar que se matem nas ruas de nossa periferia ou tentaremos algo de positivo para esses garotos? É inconcebível que os nossos governantes tratem a juventude como algo de importância mínima. Uma geração inteira largada a própria sorte. Por quê? Por que são pobres, e na sua esmagadora maioria, negros?

Somente com investidas policiais não acabaremos com esse faroeste caboclo e nem muito menos com o oferecimento de subempregos que remuneram mal e sugam a juventude desses garotos e garotas. As ações, sejam elas governamentais ou da sociedade civil organizada, devem analisar a história dessas pessoas e também os seus desejos como participantes de uma geração que é estimulada a todo o momento a consumir e se inserir no capitalismo.

Ou pensamos e colocamos em prática algo concreto ou perderemos essa parada para as drogas, a prostituição e a violência desenfreada. Ou alguém acredita que a coisa não pode piorar e degringolar de vez?

Vamos agir! 

13 de Abril de 2012

O POLÍTICO BOA PRAÇA

Flávio Rezende  - escritor, jornalista e ativista social 

escritorflaviorezende@gmail.com

 

Em determinados momentos históricos a sociedade elege algum bode expiatório e todo mundo pega carona no embalo passando a bater pesado no alvo em voga.

Os cristãos, antes de Constantino pagaram essa matéria, comendo o pão que o diabo amassou e sofrendo humilhações e perseguições diversas. Podemos lembrar ainda nos Estados Unidos os negros e os comunistas, os muçulmanos na Índia e os escravos no Brasil. Hoje quem está sendo escorraçado por aqui são os políticos. 

Não tenho a intenção de analisar se eles merecem ou não. O fato é que todas as mazelas da nação estão sendo creditadas a esta classe que tem representatividade em todos os níveis.

Preste atenção nos restaurantes, shows, praias, aviões, solenidades, universidades e, perceba que é raro um político ser naturalmente ovacionado pelas pessoas. O que acontece mesmo é o comentário negativo, a vaia eufórica e o olhar condenatório.

Apesar dessa constatação, vejo um lado bom nos políticos. Eles prestigiam as pessoas em suas promoções e, isso, tenha certeza, é muito importante. Quem não gosta de ver pessoas prestigiando a formatura do filho, o batizado, o aniversário, o lançamento do próprio livro, a inauguração da clínica ou atendendo convite para um almoço fraterno?

Tenho feito muitas ações em torno da Casa do Bem e algumas pessoais e sempre convido meus muitos amigos e amigas. Na verdade poucos prestigiam as coisas que faço, mas, os políticos estão sempre lá. Neste momento não me interessa se eles vão pensando em algo, o que vale é que eles estão presentes e eu fico feliz por ter sido prestigiado.

Então não vejo só negatividade em torno dos políticos. Eles também são boa praça. Sorridentes, gentis, prestigiam as pessoas em suas promoções pessoais e, muitos, realmente trabalham em prol do coletivo.

Para os que andam agindo egoisticamente, lembramos aquela lei muito aceita na Índia, a do carma ou karma. No Wikipédia karma vem do sânscrito e é “um termo de uso religioso dentro das doutrinas budista, hinduísta e jainista, adotado posteriormente também pela Teosofia, pelo espiritismo e por um subgrupo significativo do movimento New Age, para expressar um conjunto de ações dos homens e suas consequências. 

Este termo, na física, é equivalente a lei: "Para toda ação existe uma reação de força equivalente em sentido contrário". Neste caso, para toda ação tomada pelo Homem ele pode esperar uma reação. Se praticou o mal então receberá de volta um mal em intensidade equivalente ao mal causado. Se praticou o bem então receberá de volta um bem em intensidade equivalente ao bem causado.

Dependendo da doutrina e dos dogmas da religião discutida, este termo pode parecer diferente, porém sua essência sempre foca as ações e suas consequências”.

Aos políticos do bem, então, as boas ações terão boas reações. Os demais... 

30 de Março de 2012

OS DIREITOS DOS PASSAGEIROS NAS VIAGENS COM CRUZEIROS

Gislaine Barbosa de Toledo - Advogada  

Escritório Fernando Quércia Advogados Associados

 

 

Com o crescimento da qualidade de vida dos brasileiros, foi constatado um aumento expressivo na venda de viagens para cruzeiros.

Muitas pessoas sonham em viajar em um transatlântico por diversas razões como conforto ou por ser um tipo de viagem diferente.

Como em qualquer viagem, e tipo de transporte escolhido, os passageiros devem efetuar uma busca prévia antes da contratação, analisando desde a solidez da empresa até as respectivas reclamações.

O Código de Defesa do Consumidor é um dos suportes legais para amparar o direito dos passageiros seja em relação à companhia marítima e/ou agentes de viagens chamados de fornecedores.

Geralmente os principais problemas enfrentados nos cruzeiros são:

 1 - Alteração do Percurso da Viagem ou Atrasos - Importante consignar que o navio deve cumprir com o roteiro estabelecido quando da contratação da respectiva prestação de serviço. As mudanças de itinerário só se justificam em razão de casos de força maior ou caso fortuito.

Cumprir com o horário estipulado tanto no embarque e desembarque é fundamental, em virtude da maioria dos passageiros serem provenientes de outra localidade e atrasos pode criar dissabores no retorno para casa.

Se ficar caracterizado que ocorreu vício no serviço contratado o consumidor poderá ser indenizado demonstrando não só o abalo psicológico, bem como outros gastos que tenha efetuado.

2 - Intoxicação - O respectivo transporte possui serviço de fornecimento de comidas e bebidas, motivo pelo qual existe a responsabilidade pela qualidade dos alimentos e bebidas que fornece a seus passageiros.

Neste caso, o ressarcimento poderá ser pleiteado demonstrando gastos com medicação, hospital, médico, além de abalo emocional.

Só não existirá responsabilidade se ficar demonstrado que a culpa não foi da empresa.

3 - Prejuízos com Bagagens - Neste tipo de transporte também poderá ocorrer alguma violação ou perda de bagagem. Nestes casos, compete aos passageiros verificarem a situação de suas bagagens no momento do desembarque, informando a empresa dos respectivos prejuízos.

È muito importante nas viagens os passageiros efetuarem uma declaração detalhada de sua bagagem, principalmente de objetos considerados de grande valor, para que o valor da indenização seja proporcional aos prejuízos ocorridos.

A empresa poderá se isentar caso demonstre o fornecimento adequado da segurança aos passageiros ou a inocorrência de sua responsabilidade.

 4 -  Falecimento de Passageiro - Caso algum passageiro venha falecer no percurso, cabe ao comandante proceder a lavratura do óbito ocorrido a bordo, efetuar a arrecadação dos bens do passageiro entregando às autoridades competentes, conforme as determinações da Resolução-RDC n.º 21 de 28 de março de 2008 através do art. 7.º § 1.º da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

5 - Naufrágio - Em casos de naufrágio os passageiros deverão ser ressarcidos de todos os prejuízos e gastos que tenham tido. Além disto, compete à empresa responsável pelo cruzeiro efetuar toda a assistência aos passageiros como socorro, hospedagem, alimentação, auxílio no retorno aos seus lares além de despesas com funeral.

Se o naufrágio ocorrer em território nacional poderá ser utilizado como parâmetro para indenizações por danos morais as decisões referente ao naufrágio do Bateau Mouche.

Diante disto, é importante frisar que os passageiros que se sentirem lesados deverão juntar todas as provas necessárias (documentais e testemunhais) para a possível propositura de ação de indenização.

Efetuando todas as precauções necessárias os passageiros devem desfrutar da realização de seu sonho vivendo com muito esplendor o roteiro escolhido. 

16 de Março de 2012

A rainha negra que traficava escravos

Tomislav R. Femenick  -  Mestre em economia e historiador

 

Lucro não tem pátria nem cor. A história do comercio de escravos negros é um exemplo e não é completa se não se abordar a figura quase mítica de uma filha de escrava, princesa e, depois, a rainha Nzinga (Dona Ana de Sousa, Ngola Ana Nzinga Mbande, Nzingha, Ginga, Jinga, Zinga, Mbandi Ngola Kiluanji), ou simplesmente a Rainha Jinga, do reino de Ndungo (ou Ngola), território hoje integrante da República de Angola.

 

Em 1622, juntamente com o rei seu irmão, obteve uma trégua com os portugueses. Dizendo-se convertida ao cristianismo, deixou-se batizar, recebendo o nome Ana de Souza, e concordou em entregar aos traficantes os escravos fugitivos, além de garantir a continuidade do comércio negreiro. A partir daí Nzinga, ainda princesa, passou a pregar a conciliação entre africanos e lusos e instalou uma corte para si na região de Cambo Camana, perto da fronteira norte de Angola. A morte do rei, em 1623 (a mando de Nzinga), foi provincial acontecimento que abriu o caminho para a ascensão da rainha Jinga e para a retomada da luta contra os portugueses, acompanhada por uma "ad hoc" abjuração do cristianismo. Entretanto, antes lutar contra os lusos, Jinga em duas ocasiões presenteou ao governador português com escravos. Na primeira vez, com 400 cativos e 150 vacas; na segunda com mais doze escravos. Entre 1630 e 1635, sob o seu comando foi formada uma coligação entres chefes tribais, sob a denominação Matamba Ndongo, cujo exército fustigou e atacou os contingentes militares e as feitorias colonialistas por várias vezes, de várias formas. 

 

Quando, entre 1641 e 1648, os holandeses se apossaram totalmente de Angola, a rainha Jinga se aliou aos novos invasores. Aqui se evidencia um fato controverso sobre sua personalidade e comportamento, por vezes apresentada como libertária pelos movimentos de defesa dos povos africanos: a rainha negra possuía escravos, negros e africanos, e quase sempre demonstrou, com palavras e atos, o seu interesse pelo comércio negreiro, do qual participara e obtinha lucros. Tanto é assim que um dos interesses que a levou a fazer aliança com os holandeses foi que estes reconhecessem o seu monopólio sobre o tráfico negreiro e lhes pagassem preços mais altos que os portugueses, pelos escravos por ela fornecidos. O que a ela não interessa era a presença de colonizadores em suas terras, exercendo o poder político, se sobrepondo ao seu poder.

 

Com a retomada de Angola pelas forças portuguesas vindas do Brasil, a rainha Jinga procurou fazer as pazes com os antigos inimigos. As negociações foram iniciadas em 1654 e duraram três anos. O resultado foi uma verdadeira capitulação de uma provecta senhora. As cláusulas do acordo, entre outras coisas, estabelecia que ela voltaria à religião católica que devolveria cerca de 200 escravos que tinham procurado refúgio em seu território e que os portugueses teriam direito de comerciar livremente, sem impedimentos, em seus domínios. A Rainha Jinga morreu em 1663, aos 81 anos. Em 1671 o antigo reino de Ndongo passou a ter o nome de Reino Português de Angola.

 

Segundo relatos da época, escritos por missionários, colonos portugueses e viajantes europeus, Jinga ainda princesa instalou em Mutamba "um reino de luxúria e perversidades" [...], assume a "chefia da sociedade guerreira até então comandada por homens. Jinga vai assumir completamente as funções masculinas, criando um harém de rapazes transformados em mulheres, até em o seu vestir [...]. Seguindo os ritos iniciatórios e os costumes dos jagas, Jinga praticava a antropofagia e infanticídios". Essas afirmações não são comprovadas.

Jinga, como rainha, e seu comportamento como mulher dominadora de homens, antropófaga e infanticida (?), foi tema de diversos livros editados na Europa nos séculos XVII, XVIII e XIX. Em 1687 em Bolonha, na Itália, e em Leipzig, cidade do leste da Alemanha Central, na Saxônia; no ano seguinte, a "Biblioteca Universal de História", publicação protestante holandesa, lhe dedica 38 páginas; em 1680, houve uma publicação francesa; em 1694, uma outra alemã, na cidade de Munique; em 1732, foi editada em Paris a "Relação Histórica da Etiópia Ocidental", com várias páginas lhe dando destaque; em 1792, o poeta português Bocage a usou de forma depreciativa para detratar seus desafetos, aos quais classificava de filhos de Jinga; em 1795, o marques de Sade publicou a peça teatral "A Filosofia da Alcova", onde colocou a rainha africana ao lado das mulheres tiranas e libidinosas; em 1822-1830, foi lançada na Alemanha a obra "Filosofia da História", baseada em transcrições de aulas ministradas por Hegel, onde o filósofo alemão cita exemplos de costumes e leis africanas que propagavam o terror, em um Estado governado por mulheres, provavelmente referindo-se ao reinado Jinga. No Brasil, a tradição popular alterna-se em apresentar a rainha Jinga como exemplo do mal ou como guerreira que combateu o colonialismo. 

09 de Março de 2012

CORTESIA APOSENTADA

NADJA LIRA  - Jornalista – Pedagoga - nadjalira@bol.com.br


A palavra cortesia é definida nos dicionários de Língua Portuguesa, como sendo maneiras delicadas de civilidade; polidez; afabilidade. O trato diário com os mais variados tipos de pessoas nos mostra que essas virtudes estão se transformando em meras palavras adormecidas nos livros e dicionários, porque na vida real elas já não fazem mais sentido. Isso porque a correria à qual as pessoas são submetidas pela vida moderna, vem fazendo com que elas se esqueçam de algumas regras importantes para uma boa convivência social. Desse modo, percebemos que algumas virtudes como a cortesia, a delicadeza, a amabilidade e a gentileza nos gestos, atitudes e nas palavras parecem estar em vias de extinção. 


Se continuarmos nesse ritmo, não sei o que ocorrerá com as crianças de hoje, os adultos do futuro, para os quais estamos deixando um legado de má educação. Como muito bem afirmou o filósofo Pitágoras, "devemos educar as crianças para não punir os adultos". Portanto, é necessário ensinar um pouco de amabilidade às nossas crianças. Afinal, a vida se torna mais prazerosa quando lidamos com um pouco de polidez.


Palavras como, por favor, com licença, obrigada e desculpe, parecem ser completamente desconhecidas de um considerável número de pessoas, enquanto pequenos gestos civilizados e gentis como ceder a cadeira no ônibus a um idoso ou gestante, estão completamente fora de uso. Nem mesmo os assentos preferenciais instalados nos transportes públicos ficam livres para serem ocupados a quem estão destinados. Não é raro verificar esses assentos ocupados por pessoas jovens, enquanto grávidas e idosos viajam em pé.


Os idosos, aliás, mais parecem portadores de doença contagiosa, porque ninguém quer chegar perto. Poucos são os que têm paciência para lidar com eles e poucos também são os motoristas de transportes coletivos que param nos pontos, para levá-los. É como se todos imaginassem que permanecerão jovens e fortes para sempre. O tempo, porém, é implacável e não livra a cara de ninguém: Se vivermos suficientemente, todos seremos idosos cedo ou tarde. 


Valendo-se da justificativa de que a violência é grande e que a gente não sabe com quem está falando, as pessoas estão criando um muro de proteção em torno de si, e esquecendo até de dizer bom dia, boa tarde, boa noite, ou até mesmo de dar um sorriso para os que estão na fila do supermercado, por exemplo. Não existe pessoa tão dura que não responda a um cumprimento, um pedido de desculpa, ou que não se emocione diante de um sorriso.


Um dos maiores e mais difíceis ensinamentos deixados por Cristo foi justamente "amar ao pró-ximo como a si mesmo". Na prática, porém, não é isto que estamos fazendo. Não podemos negar que a qualquer momento podemos ser vítima da violência, passando a fazer parte dos números frios das estatísticas da criminalidade, entretanto, não podemos nos permitir perder nossa civilidade.


A intolerância, aliada à falta de cortesia, tem crescido de forma assustadora e tudo porque as pessoas estão esquecendo de que, as mais difíceis situações podem ser apaziguadas através de um diálogo, ou um pedido de desculpa. No dicionário da Língua Portuguesa existem algumas palavras mágicas, com o poder de abrir portas, conquistar sorrisos, acabar discussões: Obrigada, desculpe, com licença, por favor. Essas palavras precisam ser mais colocadas em prática no nosso dia-a-dia.  

17 de Fevereiro de 2012

Vá entender

PAULO CORREIA - Jornalista - paulo.correia@r7.com

 

Nesses dias, a ex-governadora Wilma de Faria deu uma declaração para um jornal de Natal afirmando que o atual vice-governador, Robinson Faria, é um nome forte para a campanha de 2014. A entrevista de Wilma é a maior prova do verdadeiro espírito de um político. A confirmação que nada que essa turma fala pode ser levado a sério ou recebido como algo concreto.

A ex-governadora até o final do ano de 2010 afirmava o oposto do que foi publicado. Na época, a campanha pela administração estadual estava polarizada entre os nomes de Rosalba Ciarlini e Iberê Ferreira (na ocasião governador do RN). Para Wilma de Faria, o político da cidade de Santa Cruz era o melhor nome do seu sistema partidário. Robinson Faria, então aliado de Wilma e buscando a indicação da ex- gestora, foi descartado de forma abrupta. 

Menos de dois anos depois do ocorrido, (fato que movimentou as colunas e páginas de política de todo o estado) a ex-governadora concede uma entrevista e dá uma declaração dessas. E agora caro leitor, me responda com toda a sinceridade, você consegue entender a política?

O comportamento de Wilma de Faria não é exclusivo dela. Oportunismo, ganância e falsidade são o que move esses nobres. Para esse pobre jornalista, a cabeça desses homens e mulheres é diferente da maioria da população. Palavras como lealdade, transparência e reciprocidade não fazem parte do repertório diário dessas pessoas.

Mas isso seria pedir demais. 

16 de Dezembro de 2011

Indiferença

PAULO CORREIA - Jornalista - paulo.correia@r7.com

 

Na terça-feira (01), um fato que em outro país mereceria destaque de primeira página em todos os jornais, no Brasil recebeu poucas notas nos periódicos. A notícia foi à viagem do deputado estadual Marcelo Freixo, do Rio de Janeiro para a Europa. O motivo dessa viagem: as ameaças de morte recebidas pelo parlamentar ao longo dos últimos três anos, feitas pelos grupos milicianos que infestam o Rio e que ganham musculatura com a indiferença do poder público.

Marcelo Freixo é o deputado que, em 2008, idealizou e presidiu na Assembleia Legislativa do Rio a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias, e que apresentou para a opinião pública o modus operandi desses grupos mafiosos que possuem em suas fileiras diversos membros das forças policiais. 

Foi por meio do corajoso trabalho de Freixo, de sua equipe e de outras pessoas preocupadas com esse barril de pólvora, que a população do Rio de Janeiro e de todo o Brasil tomaram conhecimento das invasões de favelas, dos assassinatos de líderes comunitários, de pequenos comerciantes e de quem fosse contra o jugo desses milicianos.

De 2008 para cá muita água rolou por debaixo dessa ponte. Os nossos problemas cotidianos e a inércia total de nossos governantes deixaram que esses grupos de bandidos continuassem agindo livremente. Permitimos que o monstro afiasse ainda mais as suas garras. Deixamos que ele matasse impunemente.

As inúmeras pessoas humildes que foram eliminadas pelo poder paralelo das milícias nas favelas e periferias do Rio de Janeiro nunca tiraram o sono das autoridades constituídas. Foi necessário o sequestro e o espancamento de um grupo de jornalistas e a morte de uma juíza para os nossos burocratas acordarem dessa letargia de séculos e observarem que o perigo já se encontra na soleira da porta.

Será que com a viagem forçada do deputado estadual os nossos gestores públicos tomarão atitudes mais firmes contra essa máfia tupiniquim?

No momento em que Marcelo Freixo decola do Brasil, a radiografia dos grupos milicianos (de acordo com dados fornecidos pela Secretaria da Segurança do Rio) é a seguinte: Seis grupos (Liga da Justiça, Águia de Mirra, Milícia do policial Eduardo, Milícia do Deco, Milícia da Gardênia Azul e Milícia de Rio das Pedras) comandam a maior fatia do bolo. Fora essas, outras pequenas organizações avançam em ritmo acelerado.

Desses grupos, dois possuem os chefões presos, mais ainda bastante atuantes. São eles: Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman (PM), Natalino Guimarães (Ex-deputado estadual) e Jerominho Guimarães (Ex-vereador), líderes da milícia Liga da Justiça. Também enjaulados e dando ordens: Eduardo Lopes Moreira (comissário de polícia) Luiz Carlos da Silva (delegado federal aposentado) e Thiago Pacheco (PM), dirigentes da milícia do policial Eduardo.

Em uma entrevista concedida pouco antes de sua viagem, o deputado Marcelo Freixo informou que outros grupos milicianos já se encontram em gestação em alguns estados. Na conversa com os jornalistas, ele citou a Bahia como um dos prováveis locais de atuação dessas máfias.

Na mesma semana da entrevista com Freixo, o jornal O Globo, edição do dia 30 de outubro, divulgou que 11 estados já possuem as suas milícias formadas por agentes públicos. Na matéria, os estados do Ceará e da Paraíba são mencionados.

E no Rio Grande do Norte, será que existem milícias impondo a sua força em nosso território? 

Será? 

09 de Dezembro de 2011

Cortesia Aposentada

NADJA LIRA  - Jornalista – Pedagoga - nadjalira@bol.com.br

 

A palavra cortesia é definida nos dicionários de Língua Portuguesa, como sendo maneiras delicadas de civilidade; polidez; afabilidade. O trato diário com os mais variados tipos de pessoas nos mostra que essas virtudes estão se transformando em meras palavras adormecidas nos livros e dicionários, porque na vida real elas já não fazem mais sentido. Isso porque a correria à qual as pessoas são submetidas pela vida moderna, vem fazendo com que elas se esqueçam de algumas regras importantes para uma boa convivência social. Desse modo, percebemos que algumas virtudes como a cortesia, a delicadeza, a amabilidade e a gentileza nos gestos, atitudes e nas palavras parecem estar em vias de extinção. 

Se continuarmos nesse ritmo, não sei o que ocorrerá com as crianças de hoje, os adultos do futuro, para os quais estamos deixando um legado de má educação. Como muito bem afirmou o filósofo Pitágoras, "devemos educar as crianças para não punir os adultos". Portanto, é necessário ensinar um pouco de amabilidade às nossas crianças. Afinal, a vida se torna mais prazerosa quando lidamos com um pouco de polidez.

Palavras como, por favor, com licença, obrigada e desculpe, parecem ser completamente desconhecidas de um considerável número de pessoas, enquanto pequenos gestos civilizados e gentis como ceder a cadeira no ônibus a um idoso ou gestante, estão completamente fora de uso. Nem mesmo os assentos preferenciais instalados nos transportes públicos ficam livres para serem ocupados a quem estão destinados. Não é raro verificar esses assentos ocupados por pessoas jovens, enquanto grávidas e idosos viajam em pé.

Os idosos, aliás, mais parecem portadores de doença contagiosa, porque ninguém quer chegar perto. Poucos são os que têm paciência para lidar com eles e poucos também são os motoristas de transportes coletivos que param nos pontos, para levá-los. É como se todos imaginassem que permanecerão jovens e fortes para sempre. O tempo, porém, é implacável e não livra a cara de ninguém: Se vivermos suficientemente, todos seremos idosos cedo ou tarde. 

Valendo-se da justificativa de que a violência é grande e que a gente não sabe com quem está falando, as pessoas estão criando um muro de proteção em torno de si, e esquecendo até de dizer bom dia, boa tarde, boa noite, ou até mesmo de dar um sorriso para os que estão na fila do supermercado, por exemplo. Não existe pessoa tão dura que não responda a um cumprimento, um pedido de desculpa, ou que não se emocione diante de um sorriso.

Um dos maiores e mais difíceis ensinamentos deixados por Cristo foi justamente "amar ao pró-ximo como a si mesmo". Na prática, porém, não é isto que estamos fazendo. Não podemos negar que a qualquer momento podemos ser vítima da violência, passando a fazer parte dos números frios das estatísticas da criminalidade, entretanto, não podemos nos permitir perder nossa civilidade.

A intolerância, aliada à falta de cortesia, tem crescido de forma assustadora e tudo porque as pessoas estão esquecendo de que, as mais difíceis situações podem ser apaziguadas através de um diálogo, ou um pedido de desculpa. No dicionário da Língua Portuguesa existem algumas palavras mágicas, com o poder de abrir portas, conquistar sorrisos, acabar discussões: Obrigada, desculpe, com licença, por favor. Essas palavras precisam ser mais colocadas em prática no nosso dia-a-dia.  

02 de Dezembro de 2011

Los Angeles é aqui

Paulo Correia - E-mail: paulo.correia@r7.com

 

Esses dias, zapeando a TV, parei numa entrevista com a talentosa Nana Moraes, fotógrafa das mais importantes publicações de moda do Brasil. Nessa entrevista, não lembro em qual canal, ela discutia com o apresentador sobre o mundo da publicidade e os novos meios tecnológicos para a fotografia. Mais a frente, ela foi questionada sobre os paparazzis, esses profissionais que vivem de tirar fotos nada corretas de astros e estrelas do show bizz. Ainda falou sobre a proliferação dessas revistas de fofocas e sites especializados no meio artístico.

Pegando a deixa de Nana, fiquei pensando sobre esse tema: as revistas de futricas e a vida das celebridades no Brasil. Realmente, de uns tempos para cá a televisão no país deu saltos de gigante, passando de um meio de acesso restrito a poucas pessoas a um veículo aglutinador no território inteiro. E se até a década de 1960 o rádio era a febre de todos, com os seus ídolos e publicações voltadas para eles, nos tempos de hoje, a televisão puxou essa febre. Com uma força um milhão de vezes maior. Se a rádio Mayrink Veiga tinha Carmen Miranda nos anos de 1930, a Rede Globo tem Juliana Paes nos tempos de Internet a jato.

No campo das revistas sobre essa temática existe uma infinidade. Da clássica Contigo, até as mais recentes Conta Mais e Ana Maria. E só citei três!

Essas publicações são feras em comprar e divulgar as fotos dos paparazzis citados lá em cima por Nana Moraes. Do fim de semana de Cauã Reymond e Grazi Massafera, passando pelo inferno astral do ator Fábio Assunção e as drogas, tudo está documentado nas páginas das revistas. 

Mais a frente, uma verdadeira massa de leitores puxa a sua revista da banca mais próxima, sempre a menos de 2 reais e parte para um completo deleite nas suas casas vendo a novela das oito.

Imagine o faturamento dessas publicações? E acrescente que todas têm páginas na Internet. Deve ser uma maravilha. Os Civita devem agradecer muito as Organizações Globo. E não falei da Record, Band, SBT, que com total certeza contabilizam seus telespectadores. Mas nenhuma dessas tem o poderio de fogo da Rede Globo. Mas nem de longe.

A família Marinho, há muitos anos, descobriu que o que marca suas novelas é uma boa história, um bom elenco, uma boa equipe técnica e mais: um bom marke-ting com o seu casting de atores. A Globo descobriu, e muito antes de todas as ou-tras, que o público de televisão gosta de atores de... Cinema. Eles não desejam atores que podem ser vistos tomando uma cervejinha ali, arrumando o carro na oficina ali do lado. O público, na sua esmagadora maioria, deseja astros no sentido maior da palavra. As pessoas querem heróis intocáveis, com brilho maior que tudo e todos. E aonde a TV Globo foi buscar essa áurea para os seus: nas terras de Hollywood. 

E aonde essas novas revistas de fofocas foram buscar seu novo método de ataque: nas publicações de Los Angeles. Em Revistas como a Ok! Weekly e a Life & Style Weekly, que tem tiragens semanais de dar inveja aos grandes jornais.

O método: nada daquela felicidade e ingenuidade de Caras, com fotos previamente escolhidas pelos fotografados. Nada disso. Nessas folhas de fofocas, o que interessa é a última briga de Fulano com a Maria Chuteira, do casamento ultra-secreto de Beltrano com a Miss - Segura. 

02 de Dezembro de 2011

Produtividade não rima com propina

Tomislav R. Femenick  -  Mestre em economia e historiador

 

Há pessoas que têm uma relativa dificuldade de compreender a diferença entre produção e produtividade. Produção é tudo o que é elaborado pelas empresas, é o processo de criar bens e serviços para atender as necessidades econômicas, em última análise para atender as necessidades do ser humano. É simplesmente uma quantidade, um valor. Por outro lado, produtividade é a relação entre a quantidade ou valor produzido e a quantidade ou o valor dos insumos aplicados no processo de produção. É, pois, o rendimento obtido com o uso de trabalho, recursos da natureza, capital e tecnologia. 

Vamos exemplificar. Primeiro vejamos o aspecto "produção". Digamos que uma empresa, uma região ou mesmo um país produza em um ano, um mês ou em outro período determinado, 100 mil unidades de um produto qualquer, cujo valor de mercado seja R$ 150 mil. Para elaborar tal mercadoria, foram usadas cem horas de mão de obra, mil unidades de recursos da natureza, capital no montante de R$ 20 mil e tecnologia que lhe tenha custado R$ 10 mil. A produção terá sido de 100 mil unidades, no valor de R$ 150 mil. A análise da "produtividade", exige que se recorra a outro conceito. Tem-se que confrontar a produção efetiva (100 mil unidades ou R$ 150 mil) com outros elementos. Para facilitar a compreensão, vamos utilizar os fatores usados para fabricar a mercadoria. Comparando-se a produção da mesma empresa, região ou país, em igual período de tempo, a produtividade seria maior se se obtiver mais de 100 mil unidades ou se os recursos utilizados no processo (trabalho, recursos da natureza, capital e tecnologia) fossem em menor quantidade e valor. Em outras palavras: a melhor produtividade é obtida se gastando menos recursos para produzir a mesma quantidade ou se produzindo mais unidades com os mesmos recursos.

Esses esclarecimentos são necessários para se entender a gravidade do resultado de um trabalho desenvolvido pala Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, sobre a produtividade em 151 países. O estudo chegou a uma conclusão que deve ser bastante preocupante para nós brasileiros: em nosso país, a produtividade da mão de obra está estagnada nos últimos 30 anos; esteve em viés de alta até 1980 e de lá para cá entrou em tendência de baixa. Ora, se o fator trabalho é de importância ímpar na medição da produtividade, as "autoridades competentes" devem se preocupar mais com a gravidade deste fato e menos com o marketing eleitoreiro, com a copa, com as olimpíadas, com inaugurações de obras inacabadas et cetera e tal. 

Comentando sobre as evidências da pesquisa, José Alexandre Scheinkman, economista brasileiro da Universidade Princeton, atribuiu o baixo rendimento nacional a uma serie de deficiências de nosso sistema educacional, às nossas recorrentes carência de infraestrutura, à baixa integração de nossas empresas com o mercado global, ao baixo índice de uso de novas tecnologias e aos entraves burocráticos que dificultam a vida das empresas. Para ele, esses e outros problemas afetam as empresas (onde a produção acontece), impedindo-as de obter ganho de escala que as torne mais competitivas; impedindo-as de produzir em maior quantidade e vender seus produtos por preços menores. 

Todos os problemas têm soluções. Vezes elas são fáceis, outras nem tanto. No caso presente, a urgência está na formação de mão de obra qualificada, tarefa que foi atribuída ao Ministério do Trabalho e Emprego (nome que é uma redundância demagógica, desnecessária e burra). O que seria solução virou agravamento do pro-blema, pois o Ministério terceirizou a tarefa, repassando-a a ONGs amigas e, dizem, mediante "módica" propina de 5% a 15% do valor do contrato. Enquanto isso, por despreparo de mão de obra, a construção civil arcar com desperdício de cerca de 30% de todo material de construção (causado por falta de conhecimento de engenheiros, mestre de obra, pedreiros e outros profissionais); a agricultura, se bem que com percentual ligeiramente menos, perde inclusive com infraestrutura de transporte inadequada; a indústria registra um alto índice de produtos refugados nas próprias fábricas. A lista é longa. 

O problema há e não há uma prateleira onde se possa buscar milagres capazes de solucioná-lo facilmente. A origem do mau funcionamento crônico do trabalhador braçal ou intelectual brasileiro está na falta de instrução - quer por pouco tempo de estudo, quer pelo irrisório grau de instrução dada em sala de aula. Sim, tudo termina - ou se inicia - em nossas escolas, onde os salários dos professores são insuficientes para que eles possam ter uma vida decente; onde há professores que não ensinam e alunos que não querem estudar. 

Nesse caso não há "jeitinho brasileiro" que dê jeito. Ou se estuda ou se estuda. Quanto às propinas, este é um assunto para as páginas de assuntos policiais.

25 de Novembro de 2011

O surfista de Lajes

Paulo Correia - E-mail: paulo.correia@r7.com

 

Antônio nasceu na região Central do Rio Grande do Norte, na cidade de Lajes. Cresceu observando as paisagens de sua terra, o Pico do Cabugi e ouvindo muito forró nas festas que aconteciam na redondeza. A sua família é toda de agricultores médios. Moram no centro de Lajes e levam a vida como qualquer morador de município pequeno, sem muitas novidades no dia a dia. Mas Antônio tem uma característica que é um pouco incomum para um morador do interior: ele é aficionado pelo surf.

Desde pequeno acompanha pela televisão as intermináveis provas no mar e sabe o nome de diversos surfistas de cabeça. Sabe todas as manobras do esporte. Tem como filmes preferidos duas produções que falam da vida em cima de pranchas. O primeiro é Caçadores de Emoção, uma aventura que trata sobre assaltantes de bancos que cometem os delitos para celebrar com mais intensidade a vida selvagem e o surf. O segundo é um clássico que todo amante das ondas já deve ter assistido, e pelo menos umas duas vezes: The Endless Summer, um documentário da década de 1960 que acompanha a trajetória de dois jovens surfistas da Califórnia em viagens pelo mundo na busca da onda perfeita.

E foi com essa vontade e esse desejo quase palpável pelas ondas que Antônio ficou conhecido em toda a cidade de Lajes. Era chamado pelos colegas como o Surfista do Mato ou o Surfista sem Ondas. Ele não se importava com essas brincadeiras, ao contrário, levava tudo na esportiva e ria das galhofas dos vizinhos. 

Nas feiras agropecuárias ou vaquejadas que eram promovidas na cidade, ele chamava a atenção. Na esmagadora maioria, os homens da cidade se vestiam com camisas xadrez ou com camisetas pólo. Sempre muito bem bronzeado e com os cabelos compridos e pintados de loiro, Antônio era o paradoxo desses eventos.

Nos carros estacionados nas feiras, o som que se ouvia era muito forró de bandas como Garota Safada, Aviões do Forró ou Muído. No Jipe 72 do pai de Antônio, o que se ouvia era Bob Marley, The Phanton Surfers e Midnight Oil.

Um dia o jovem resolveu sair de Lajes e vir morar na Capital. Já não agüentava mais a vida na pequena cidade e as vindas cada vez mais raras a Natal. Resolveu apostar todas as suas fichas em um emprego de meio período em um escritório de contabilidade e ter o resto do dia para aprender a surfar de verdade e curtir a vida nas praias de Ponta Negra, Pirangi e Miami Beach. Estava decidido a abandonar de uma vez por todas a vidinha pacata do interior e as suas feiras agropecuárias.

Dali para frente, nada mais de dias sem agitação ou fins de semana enchendo a cara de cerveja ou conversando sobre festas sem importância. Dali para frente tudo seria diferente. O mar e os seus mistérios seriam revelados por inteiro para o jovem. A paz de espírito que o surf tanto lhe proporcionava, finalmente seria sentida na sua plenitude. 

E as gatinhas? Ah, essa é a melhor parte! Bronzeadas, bonitas, morenas e loiras de parar o trânsito. Lindas hippies do século XXI.    

Que o mar de Natal venha logo. 

25 de Novembro de 2011

Desatando os nós da economia

Diógenes da Cunha Lima - Presidente da Academia Norte-Riograndense de Letras

 

Tomislav Femenick é filho de mossoroense e de croata. Liga, pois, o imprevisível: o País de Mossoró à Europa montanhosa. Herdou o seu nome do primeiro rei da Croácia, duque coroado no ano de 925.

O seu livro "Conexões e Reflexões Sobre Economia" é uma coletânea de artigos publicados nos jornais de maior expressividade de Natal e Mossoró e, ainda, do Rio de Janeiro e da capital paulista, é obra que demonstra a plena sintonia de seu autor com o momento atual.

Todo artigo jornalístico tem por objetivo expor e investigar os acontecimentos que delineiam os contornos de uma sociedade. O caráter opinativo que predomina ao longo do livro, emprestando-lhe a necessária, porém contida, carga emocional, aciona o inerente repertório de experiências do leitor, incitando-o a refletir e posicionar-se diante da realidade que ora se lhe apresenta.

A tarefa não é simples. Exige conhecimento a respeito do tema abordado, técnica para desenvolvê-lo de maneira coe-rente e, sobretudo, habilidade para evitar o tom didático, pretensioso, por vezes rebuscado na forma e no conteúdo.

Amparado pelo vasto currículo acadêmico e profissional, Tomislav R. Femenick, mestre em Economia, com extensão de Sociologia e História, bacharel em Ciências Contábeis, professor em algumas das mais conceituadas faculdades de São Paulo e Natal, aplica ao cotidiano o co-nhecimento adquirido, generosamente compartilhando-o com o leitor.

O apuro técnico na abordagem de cunho sócio-histórico-econômico, reflexo da segurança com que Tomislav discorre acerca de atos e fatos, estabelecendo-lhes conexões para delas tecer precisos comentários, confirma a intimidade com o tema analisado.

O texto ágil, de refinada inteligência, garante imediato e natural entendimento das questões examinadas, permitindo ao leigo aproximar-se de uma temática quase sempre inacessível devido à falta de familiaridade com jargões econômicos.

Dessa forma, Tomislav R. Femenick, que se faz intérprete e porta voz de um momento social, registra história tendo por fio condutor a análise de atos, fatos e conexões econômicas de uma época. 

18 de Novembro de 2011

MAIS RECURSOS PARA O RN

Márcio Cézar - Jornalista  - Email: marcio.cezar@uol.com.br

 

Todo final de ano é a mesma coisa. A banda federal do nosso Estado se reúne para discutir as emendas que deverão beneficiar os investimentos do ano seguinte com recursos do Orçamento Geral da União - OGU. O que não entendo e até agora não houve explicação são os recursos destinados as universidade - UFRN e URFESA, nada contra, mas se elas são responsabilidades da União por que devemos destinar recursos do OGU para elas?

Acredito que o próprio Governo Federal é quem deve se preocupar com a manutenção e investimentos nessas instituições de ensino superior, que é a sua obrigação. Quando nossos parlamentares destinam recursos para elas deixam outros investimentos para o Estado de fora. É bom lembrar também que muito desses recursos que são inseridos no OGU é de "faz de conta", muitas vezes não se consegue retirar nem a metade prevista pelos parlamentares.

Como ainda está em discussão o que deve ser destinado ao Rio Grande do Norte é bom dar uma olhada nas obras estruturantes que são necessárias como estradas, a mobilidade urbana das grandes cidades e a novidade que começa a ser discutida vendo a possibilidade que os municípios pequenos, até 50 mil habitantes, apresentem propostas.

Agora, a grande discussão deveria ser, na verdade, a redistribuição dos recursos que são concentrados no Governo Federal. Sei que não será fácil, pois nenhum governo abrirá mão desses recursos, para ele - governo é muito melhor que estados e municípios estejam sempre de "pires na mão" e sempre dependente, tanto dos parlamentares e dos próprios dirigentes da União.

A velha peregrinação de governadores e prefeitos à Brasília continuará ainda por muitas décadas e os menores continuarão sofrendo com queda de arrecadação e aumentando as responsabilidades com os serviços que devem ser prestados à população. Mesmo assim, devemos acompanhar o que deve ser destinado ao nosso Estado e municípios no OGU de 2012 e se realmente serão recursos para investimentos importantes. 

18 de Novembro de 2011

É uma Falácia Marxista, com Certeza

Tomislav R. Femenick  -  Mestre em economia e historiador

 

Numa tese marxista fica bem, a exploração capita-lista sobre a mesa. E se alguém humildemente questionar, se bate nesse alguém. Sim, o mundo marxista é assim mesmo. Nele não há outra possibilidade: ou se concorda ou se leva, no mínimo, desaforo. Totalmente diferente da casa portuguesa, da famosa canção imortalizada por Amália Rodrigues, na qual me inspirei para compor as duas frases iniciais desse artigo.

Em um dos meus livros publicados este ano, "Conexões e reflexões sobre economia", há dois artigos que foram originalmente publicados neste jornal. Neles eu me refiro a vários posicionamentos bizarros da esquerda, principalmente aquele que prenuncia o fim do ca-pitalismo e um outro, que contesta a tese de que o valor das mercadorias somente está no trabalho socialmente necessário para produzi-la, ou seja, somente o trabalho é que atribui valor às mercadorias. Esse conceito se chama de "teoria do valor-trabalho" e é o âmago, o centro de toda teoria social de Marx, na qual ele procura demonstrar a "exploração do homem pelo homem". 

Esta semana recebi de um amigo de São Paulo uma correspondência eletrônica com a reprodução de uma matéria, publicada em um jornal sindical, em que o autor procura me contestar, dizendo que sim, o capitalismo vai acabar (bastaria ver a crise atual) e que eu não entendia nada da teoria de valor-trabalho de Marx e com mais outras tantas bobagens que caracterizam os parlapatões (fanfarrões) aferrados aos dogmas de esquerda, direita ou da coluna do meio. 

Sobre o fim do capitalismo basta dizer que esse é um modo de produção que se renova com suas próprias crises, como já aconteceu tantas vezes, para uma continuada decepção dos socialistas. Vamos ao valor-trabalho. Originalmente esse conceito não tinha nada de socialista, pois foi "encontrado" por Adam Smith, o pai do liberalismo econômico, e desenvolvido por David Ricardo, também defensor do capitalismo. Só mais tarde é que Marx a eles se juntou. Essa teoria faz parte daquilo que os economistas chamam de "teoria objetiva do valor" e sofreu um processo evolutivo que se iniciou com a concepção original de Adam Smith, para quem o valor de um bem é decorrente do custo de remuneração dos Fatores de Produção: Recursos da Natureza, Trabalho, Capital e Tecnologia. David Ricardo reduziu os Fatores formadores do valor para só dois: Trabalho e Capital. Marx considerou somente o Trabalho Socialmente Necessário, criando um reducionismo, uma unicidade sobre a qual soergueu sua concepção particular de valor-trabalho. 

Jacob Gorender, um dos maiores pesquisadores brasileiros sobre a obra de Marx, afirma que, de: "Smith e Ricardo recebeu Marx a teoria do valor-trabalho: a ideia de que o trabalho exigido pela produção das mercadorias mede o valor de troca entre elas e constitui o eixo em torno do qual oscilam os preços expressos em dinheiro. Ao explicitar que se tratava do tempo de trabalho incorporado às mercadorias, Ricardo clarificou a medida do valor de troca, embora se enredasse no insolúvel problema do padrão invariável do valor".

Tomar o trabalho como fato gerador único do valor, criou um problema epistemológico para Marx, cuja pseudo solução foi encontrada na mais-valia, isto é, se toda a riqueza era gerada pelos trabalhadores, a parte da riqueza que não fosse distribuída entre eles seria, então, uma usurpação que beneficiava os "não trabalhadores". Indo nessa direção, a abordagem socialista da teoria do valor estabeleceu o princípio segundo o qual o valor das mercadorias e serviços é o valor-trabalho necessário para a sua obtenção, ou seja, o tempo e o trabalho que foram gastos por todos os indivíduos envolvidos no processo de elaborar esses bens. Repito, sobre esse conceito foi estruturada toda a teoria social de Marx. 

A questão está em aceitar as palavras do criador do chamado "socialismo científico" como verdades absolutas, inquestionáveis, dogmáticas. Por que aceitar a exclusão dos recursos da natureza, da capital e da tecnologia na formação do valor das mercadorias? A explicação marxista é que todos esses elementos foram construídos ou obtidos com o trabalho e têm, portanto origem no trabalho do homem. O problema dessa tese é que, embora tenham sido obtidos com o trabalho, os recursos da natureza, o capital e a tecnologia não são mais trabalho, no máximo será trabalho imaginado, isso porque esses fatores foram transfigurados, tiveram suas respectivas naturezas irreversivelmente alteradas. 

Não resta dúvida que, a primeira vista, os argumentos marxistas encantam, quer por sua simplicidade, quer pelo pretenso conteúdo científico. Todavia, não resistem a uma confrontação epistemológica, pois se alicerçam em premissas falsas, em falácias, em raciocínio falso.  

11 de Novembro de 2011

A MORTE FILOSÓFICA, A DOS OUTROS E A MORTE QUE PASSA A SER POSSÍVEL PARA VOCÊ TAMBÉM

Flávio Rezende  - Escritor, jornalista e ativista social - escritorflaviorezende@gmail.com

 

A relação da grande maioria dos seres ocidentais com a morte é meio que uma briga de gato com rato. Poucos querem ser fisgados pelas garras da morte pelo fato de não acreditarem muito na reencarnação.

A falta de crença na continuidade da vida em outros planos torna os seres mais egoístas e mais apegados ao corpo, aos prazeres da matéria e, quanto mais esse apego se desenvolve, mais existe receio do fim de tudo chegar.

Apesar de ser ocidental não acredito que o que chamamos de alma, espírito, mente etc., acabe. Enquanto o corpo físico transforma-se em novos elementos, essa parte imaterial, eterna, muda de endereço e, volta a ocupar novo corpo para nova jornada evolutiva.

Os que pensam como eu, tem uma relação mais tranqüila com a morte e costuma dizer que, chegando à hora, vai se entregar facilmente ao veredicto ou ao acontecimento.

Geralmente todos dizem isso pelo fato da morte estar distante, ser uma coisa mais filosófica, literária e, que, geralmente, acontece mais com os outros.

Quando a morte passa a ser uma realidade, a história  muda e, até Chico Xavier, na iminência de um acidente aéreo, tremeu nas bases diante dos demais passageiros.

Nos meus 50 anos de existência já vi avião tremular, tive um grave acidente de carro onde fui até anunciado como morto numa emissora de rádio, carregando até hoje graves seqüelas como um pé menor que o outro, mais fino e dores praticamente diárias deste evento.

A morte também rondou minha vida diante de assaltos a mão armada, queda de moto, mas, em todos os momentos, as coisas são tão rápidas que não dão tempo para a mente processar a informação, o corpo, diante do perigo, trata primeiro de se defender, então quando tudo passa e você percebe que não morreu aquele medão do desencarne já deu tchau.

Pois bem, estou escrevendo tudo isso para narrar que venho passando por momentos de expectativa e, que, diante de um exame rotineiro de saúde, passei a sentir estranhas sensações de um possível fim, inevitável diante de alguns exames feitos.

Os leitores, amigos e todos que me conhecem, sabem que sou positivo e, geralmente, só vejo o lado bom das coisas. Continuo assim, mas, quando recebemos a informação que temos nódulos na próstata e somos encaminhados para uma biópsia que vai enfim esclarecer a natureza do corpo estranho, você começa a pensar em várias coisas, é difícil não incluir pensamentos que também incorporam a possibilidade do nódulo ser maligno e de que no fim a coisa vai lhe derrubar. É humano e coerente pensar em todas as possibilidades.

Diante deste pensar, você começa a perceber as coisas por este ângulo também. Por exemplo, sempre vi a logomarca da Liga Contra o Câncer como jornalista ou pela via de ajudar como pessoa que gosta de cola-borar com entidades que precisam do apoio dos ou-tros. Agora, estando numa unidade da Liga para fazer um exame, comecei a ver pelo lado do usuário. Uma sensação diferente ocorreu.

Quando olhamos nossos filhos, ainda pequenos, esposa, familiares, amigos, não conseguimos deixar de pensar que o desencarne, representa o não acompanhamento no plano material, daquelas vidas e, sempre gostamos de saber como nossos filhos e pessoas pró-ximas vão estar mais à frente.

Claro que não fico pensando nisso o tempo todo, sabemos dos avanços da medicina, da precocidade da descoberta, de muitas coisas que apontam no sentido de que vai terminar tudo bem, mas, não devo ser ingênuo de excluir totalmente o lado radicalmente negativo, pois, recentemente perdi duas grandes amigas mais jovens que eu, quando todos pensavam que no fim ia dar certo. Não deu para nenhuma das duas.

“No passado César, o imperador romano ao atra-vessar o Rio Rubicão e lutar pela manutenção dos seus poderes de pro cônsul, teria dito: “Alea jacta est” ("a sorte está lançada").

Aqui faço o mesmo e, com ajuda dos amigos queridos fico na torcida para que a biópsia revele um nódulo do bem. Caso não seja, que possa ser vencido. Caso não seja, que demore a me vencer. Caso vença, terei, acredito eu, feito ao menos algumas coisas que valeram e, na próxima, volto com o espírito cheio de boa vontade, para por aqui, continuar gostando de amar a todos e de servir a todos. 

04 de Novembro de 2011

A Lógica e o Saber Contábil

Maria do Rosário de Oliveira - Membro do CFC - Conselho Federal de Contabilidade

 

Uma característica do processo evolutivo das ciências, principalmente quando ele atinge um patamar mais alto, é que as suas ações criativas, seus estudos e pesquisas, assumem uma postura de exclusão de ações aleatórias, quaisquer que sejam elas. Por isso é que a lógica contábil está, cada vez mais, se direcionando para o aprimoramento das suas assertivas, de suas proposições, criando áreas de especialização em que a atuação do profissional contábil é indispensável.

Vários são os fatores que impulsionaram as Ciências Contábeis nesse caminho. Em primeiro lugar, o extraordinário crescimento e a internacionalização dos negócios, que nos tempos atuais desconhecem as fronteiras, trouxe para o convívio de cada povo as experiências e o comportamento das outras nações, inclusive em termos de registro de atos e fatos das empresas, a análise econômica, gestão de empreendimento, controladoria, auditoria e perícias contábeis. 

Negócios iguais exigem registros, análise, gestão, controle e auditoria também iguais. Daí surgiram as ações nacionais que visam a uniformização de um parâmetro contábil internacional que atendam as necessidades globais, sem desprezar as peculiaridades de cada região, de cada país. Em um mundo globalizado, a linguagem contábil deve ser entendida e exercida por todos os povos - não como imposição, mais como convergência da lógica científica.

Tomislav Femenick é um profissional de Auditoria Contábil com larga experiência, inclusive gerenciando e/ou supervisionando trabalhos executados no exterior, além de professor da matéria. Seus "papers" e livros nas áreas de estoque têm sido usados como base para diversas dissertações de mestrados e teses de doutorado em Ciências Contábeis, Economia e Administração, em universidades de quase todos os estados do País, o que comprova a seriedade com que elabora sua obra acadêmica.

"Controladoria e Auditoria de Estoques", o seu novo livro, é mais um passo nessa direção, e pode ser tido como um aperfeiçoamento e atualização de seus estudos anteriores. Alguns capítulos - tais como Considerações sobre a rubrica estoques, A Contabililzação dos Estoques em ambiente de mercado globalizado, Normas internacionais de contabilização de estoques, Princípios e técnicas usados na contagem de estoques, Sincronismo temporal nas verificações  dos estoques, com o uso do "cut-off", Princípios e técnicas usados na contagem de estoques e Ajustes por redução de valor ou perdas em estoques - têm uma abordagem quase que eminentemente gerencial, de Controladoria. Enquanto isso, outros - entre eles O planejamento da auditoria, Considerações gerais sobre a auditoria de estoques, Participação do auditor na elaboração do projeto e na realização do inventário, Responsabilidade do auditor no levantamento dos estoques, Auditoria rotativa dos estoques (contagem cíclica) e Auditoria e a evidência do valor realizável líquido dos estoques - se concentram na atividade de auditoria. Todavia, em todos eles há um benfazejo entrelaçamento, em que Controladoria e Auditoria se encontram, no intuito de otimizar a profissão contabíl.

Um aspecto que não poderia deixar de abordar é a tecnica e a forma de exposição usada pelo autor. Além de extremamente cuidadoso com as suas pesquisas (contemplou todas as atualizações legais e normativas), seu texto é de leitura perfeitamente compreensível até para os profissionais de outras áreas. Aliás, se costuma dizer que ele escreve fácil sobre temas dificeis. O professor Hilário Franco - com quem Tomislav trabalhou na diretoria do grupo de auditores Deloitte/ Revisora Nacional - costumava dizer que sua escrita é "concisa, direta, sem acessórios, porém completa". É assim que vejo este livro: completo na abordagem dos assuntos necessários à compreensão do tema, coeso na abrangência, enxuto na forma de explanação e tudo isso com uma linguagem que atrai o leitor e que espelha sua experiência de jornalista desde os treze anos de idade.

Por todas essas peculiaridades, o livro "Controladoria e Auditoria de Estoques" é de inigualável utilidade tanto para os profissionais de Auditoria e gestão empresarial, como para os professores e alunos dessas matérias. Os profissionais para que eles confirmem ou alterem seus procedimentos; os professores para que eles ratifiquem ou retifiquem seu entendimento e pratica de ensino; os alunos para que eles aprendam métodos corretos de tratamento de um dos itens mais importantes do ativo das empresas: os estoques. Mais uma vez temos constatada a importância deste novo livro do mestre Tomislav R. Femenick. 

28 de Outubro de 2011

“Sordados de políça”

Paulo Correia - E-mail: paulo.correia@r7.com

 

No domingo (02), o jornal Gazeta do Oeste, de Mossoró, estampou no seu caderno Cidades uma matéria que mostra o preparo de alguns homens da força policial de nosso Rio Grande do Norte. A reportagem, assinada pela jornalista Sayonara Amorim, é altamente explicativa e seria motivo de piada, se não fosse a mais pura realidade.

No texto, a informação que a polícia da cidade de Jucurutu, localizada na região do Seridó, prendeu no início de agosto o deficiente físico Manoel Marques de Araújo e dois dos seus objetos pessoais: um livro contando a vida do bandido José Valdetário Benevides Carneiro e um quadro com a fotografia do lendário assaltante de bancos. O motivo da prisão de Manoel? Ele fazia apologia ao crime.

Só mesmo na cabeça de homens totalmente despreparados e autoritários para se conceber uma idéia absurda como essa. Desde quando possuir um livro que trate sobre a vida de um criminoso ou um quadro com o seu retrato se configura crime? 

Esses homens que prenderam o rapaz e ficaram com os seus pertences são personagens muito conhecidos em todo o Brasil, são os chamados "sordados de políça". Uma turma que cresceu na hierarquia das forças policiais sem nenhum tipo de formação adequada. Homens que somente aprenderam uma lição: bater agora e perguntar depois. Homens que deveriam está fora dos quadros da polícia, mas que por um motivo ou outro, ainda permanecem na folha de pagamento do Estado.

Na visão desses gênios, qualquer pessoa que possui um livro sobre algum meliante é automaticamente considerado membro da quadrilha ou um bandido em gestação. 

Com essa notícia, pensei seriamente em jogar fora os meus livros que tratam sobre o cangaço no Nordeste, as famílias mafiosas da Itália ou a vida entre tiros e prisões do traficante de drogas Marcinho VP.

Ê Brasil sem jeito! 

28 de Outubro de 2011

As Ciências

Tomislav R. Femenick - (Autor do livro "Para Aprender Economia")

 

Um dos conceitos da história como ciência está sendo revisto: a civilização do ser humano não se iniciou isoladamente na Mesopotâmia, como se presumia até há poucos anos.  Parece ter acontecido concomitantemente, ao mesmo tempo, na Mesopotâmia, na China e, provavelmente no Vale do Rio Indo, hoje território da Índia e do Paquistão. Entretanto esse desenvolvimento que estamos falando - embora comporte alguns elementos cognitivos, como conhecimentos técnicos, percepção, memória e raciocínio - não incorporava um saber capaz de analisar percepções, concatenar ideias, deduzir conceitos. As civilizações mesopotâmicas, chinesa e harappeana (do Vale do Indo) desenvolveram técnicas de fazer coisas e normatizaram alguns procedimentos administrativos, jurídicos, religiosos etc. As incursões que fizeram na arte do raciocínio lógico foram esporádicas e não tiveram grandes repercussões ao longo da historia. 

Foi na Grécia antiga que o processo civilizatório tomou forma com base na percepção, na dedução, na indução e, principalmente, na lógica. Os gregos foram os precursores em quase todos os campos do saber, tomando consciência dos elementos do meio ambiente através das sensações físicas, porém primordialmente por produzir representação intelectual da realidade; fazendo indagações e focando a razão. Foram tão profundas e amplas as incursos dos filósofos gregos que moldaram a forma de pensar do homem ocidental e, por decorrência, a forma de pensar da humanidade. 

Uma característica da filosofia grega é a multiplicidade de temas, de tal forma que incluía aquilo hoje não chamamos de filosofia: a religião e as ciências - pois o filosofo era o sábio "que refletia sobre todos os setores da indagação humana". A religião era tratada como ética, história etc.; as ciências eram investigadas por conclusões lógicas. Ai estava o problema. Algumas ciências exigem testes empíricos, demonstrações práticas que comprovem seus postulados, impossíveis de serem realizadas com simples elementos de discussão, por mais racionais que sejam. Nas ciências exatas, as chamadas ciências duras - tais como a física, química, matemática - essas provas são obtidas em laboratórios, onde as experiências repetidas apresentam sempre o mesmo resultado. Tantas vezes se junte duas porções de hidrogênio a uma porção de oxigênio, tantas vezes sem obitem água.

Todo esse preâmbulo é simplesmente para delimitar o comportamento dos pensadores das ciências humanas, ciências cujas teorias e leis não podem ser comprovadas em laboratórios. As ciências econômicas, contábeis e da administração encontram-se nesse caso. Como, então, procedem os pensadores dessas ciências? O trabalho desses cientistas é realizado com o uso do método construtivo, que utiliza uma cadeia de processos que se alimentam e se entrelaçam, com avanços e recuos constantes, até se encontrar a verdade do fato pesquisado. Esse sistema tem quatro etapas distintas. A primeira delas é a "Observação", que consiste na coleta de dados a respeito de determinados fatos, sobre os quais se propõe fazer um estudo científico. Esses dados devem ser representativos da vida real. Em seguida vem a fase de elaboração da "Hipótese". Isto é, de posse desses elementos formula-se um modelo, que nada mais é do que uma explicação provisória para o conjunto de fatos a ele relacionados. É um pressuposto teórico simples que ainda deverá ser comprovado. 

As etapas seguintes são as decisórias. A terceira delas, a "Experimentação", é a fase em que se testa a consistência da hipótese e se procura encontrar falhas em sua proposta, estrutura e conceito, bem como verificar se suas afirmações são aplicáveis, sempre que o fenômeno acontecer nas mesmas circunstâncias. A experimentação é o confronto da hipótese com o mundo real, quando há oportunidade de se fazerem alterações e correções. Quando suas afirmações não são comprovadas, a hipótese deve ser abandonada. A última é a aquela em que se constrói a "Teoria". As teorias científicas são modelos que procuram representar a realidade de forma organizada. Uma teoria em particular é, então, uma abstração racional que explica um determinado fenômeno ou uma série de fenômenos. Para isso ela deve passar por todas as etapas anteriores e se basear em todos os conhecimentos necessários e disponíveis. As teorias são as bases lógicas e racionais de todas as ciências e fazem com que elas deem ao ser humano a possibilidade de conhecer a si mesmo e a natureza, bem como de fazer as coisas. 

Aqui está o bizarro da coisa toda. Para se confirma a integridade das teorias das ciências humanas, há que se voltar à filosofia, que se recorrer à epistemologia, um ramo da filosofia que analisa "cientificamente" as formulações teóricas dessas ciências. Também identificada como a teoria do conhecimento, ela tem como ferramentais, entre outras, a metafísica e a lógica, com o que valida ou não a consistência das premissas, dos métodos, das teorias e das leis dessas ciências. Os pressupostos das ciências econômicas, contábeis e da administração somente têm consistência, quando comprovados pela epistemologia.  

21 de Outubro de 2011

Um homem que amou o povo brasileiro

PAULO CORREIA - Jornalista - paulo.correia@r7.com


No último dia 6 de agosto o Brasil lembrou os dez anos de falecimento do escritor Jorge Amado. Dez anos sem a presença alegre do grande autor baiano e cronista fiel da população mais simples. Dez anos sem a presença do homem que amou profundamente o povo brasileiro.

Foi na noite do dia 6 de agosto de 2001, aos 88 anos, que Jorge Amado partiu para a sua última viagem. Uma partida que deixou o Brasil triste e órfão do escritor que melhor retratou as dores e alegrias da camada menos assistida do país. Um homem que soube descrever a vida dos pescadores de Salvador, dependentes do mar e dos seus saveiros para levarem alimentos para as suas casas. A tristeza de suas Lívias, que como Helenas, esperavam o regresso dos seus maridos e somente aliviavam essa pressão quando avistavam os barcos no cais.

Um homem que nas páginas dos seus livros falou sobre toda a hipocrisia, misticismo e crueldade que existiam no sertão nordestino do começo do século XX. Um homem que escreveu sobre os coronéis, as putas, os bêbados e os profetas que circulavam por esse imenso território ainda bastante deserto e sem Lei.

Jorge Amado, o escritor que deu vida a personagens fascinantes como Florípedes Guimarães, a famosa dona Flor, e Valdomiro Guimarães, o brincalhão Vadinho. Em sua obra Dona Flor e seus dois maridos, Jorge soube aglutinar muito bem o contraste entre a pequena burguesia de Salvador e o baixo meretrício local. E esse embate foi melhor descrito na cabeça de uma mu-lher: dona Flor. Uma jovem perdida entre o pudor e o conservadorismo da classe média e a lascívia do amado Vadinho.

Outra faceta do escritor baiano foi a denúncia social. Nas décadas de 1930 e 1940, ele lançou no mercado obras fundamentais para entender o Brasil do começo do século passado. Livros como Suor e Jubiabá exibiam esse olhar crítico sob as mazelas da sociedade urbana. Em Suor, ele descreveu o dia a dia de um cortiço encravado na ladeira do Pelourinho e os seus inúmeros moradores. No retrato pintado por Amado, a pobreza extrema dessas pessoas, as doenças e perigos que circulavam o antigo prédio e, mesmo sob todas essas adversidades, a busca pela alegria e o amor.

Em Jubiabá, o autor contou a trajetória de Antônio Balduíno, um garoto da periferia de Salvador que resolve tentar a vida nos circos mambembes que passam pela cidade. No livro lançado em 1935, observamos as apresentações de Balduíno pelo interior da Bahia, o pouco di-nheiro que elas trazem e os muitos aborrecimentos na vida do jovem.

É também dessa época a obra que, para esse pobre jornalista, coloca o nome de Jorge Amado entre os grandes escritores mundiais. O livro é Capitães da Areia. Um verdadeiro tratado sobre as condições deploráveis em que vivem os meninos de rua de Salvador. Condições que não mudaram muito de 1937, quando o livro foi lançado, até hoje. Um retrato que não é apenas de Salvador, mas de todas as cidades do Brasil.

E é por esses livros citados e muitos outros publicados até a década de 1990 que Jorge Amado será sempre lembrado como o escritor que verdadeiramente amou a população brasileira. Amou sem preconceitos.

Salve Jorge!

14 de Outubro de 2011

CORTESIA APOSENTADA

Nadja Lira - Jornalista PEDAGOGA - nadjalira@bol.com.br


A palavra cortesia é definida nos dicionários de Língua Portuguesa, como sendo maneiras delicadas de civilidade; polidez; afabilidade. O trato diário com os mais variados tipos de pessoas nos mostra que essas virtudes estão se transformando em meras palavras adormecidas nos livros e dicionários, porque na vida real elas já não fazem mais sentido. Isso porque a correria à qual as pessoas são submetidas pela vida moderna, vem fazendo com que elas se esqueçam de algumas regras importantes para uma boa convivência social. Desse modo, percebemos que algumas virtudes como a cortesia, a delicadeza, a amabilidade e a gentileza nos gestos, atitudes e nas palavras parecem estar em vias de extinção.

Se continuarmos nesse ritmo, não sei o que ocorrerá com as crianças de hoje, os adultos do futuro, para os quais estamos deixando um legado de má educação. Como muito bem afirmou o filósofo Pitágoras, "devemos educar as crianças para não punir os adultos". Portanto, é necessário ensinar um pouco de amabilidade às nossas crianças. Afinal, a vida se torna mais prazerosa quando lidamos com um pouco de polidez.

Palavras como, por favor, com licença, obrigada e desculpe, parecem ser completamente desconhecidas de um considerável número de pessoas, enquanto pequenos gestos civilizados e gentis como ceder a cadeira no ônibus a um idoso ou gestante, estão completamente fora de uso. Nem mesmo os assentos preferenciais instalados nos transportes públicos ficam livres para serem ocupados a quem estão destinados. Não é raro verificar esses assentos ocupados por pessoas jovens, enquanto grávidas e idosos viajam em pé.

Os idosos, aliás, mais parecem portadores de doença contagiosa, porque ninguém quer chegar perto. Poucos são os que têm paciência para lidar com eles e poucos também são os motoristas de transportes coletivos que param nos pontos, para levá-los. É como se todos imaginassem que permanecerão jovens e fortes para sempre. O tempo, porém, é implacável e não livra a cara de ninguém: Se vivermos suficientemente, todos seremos idosos cedo ou tarde.

Valendo-se da justificativa de que a violência é grande e que a gente não sabe com quem está falando, as pessoas estão criando um muro de proteção em torno de si, e esquecendo até de dizer bom dia, boa tarde, boa noite, ou até mesmo de dar um sorriso para os que estão na fila do supermercado, por exemplo. Não existe pessoa tão dura que não responda a um cumprimento, um pedido de desculpa, ou que não se emocione diante de um sorriso.

Um dos maiores e mais difíceis ensinamentos deixados por Cristo foi justamente "amar ao próximo como a si mesmo". Na prática, porém, não é isto que estamos fazendo. Não podemos negar que a qualquer momento podemos ser vítima da violência, passando a fazer parte dos números frios das estatísticas da criminalidade, entretanto, não podemos nos permitir perder nossa civilidade.

A intolerância, aliada à falta de cortesia, tem crescido de forma assustadora e tudo porque as pessoas estão esquecendo de que, as mais difíceis situações podem ser apaziguadas através de um diálogo, ou um pedido de desculpa. No dicionário da Língua Portuguesa existem algumas palavras mágicas, com o poder de abrir portas, conquistar sorrisos, acabar discussões: Obrigada, desculpe, com licença, por favor. Essas palavras precisam ser mais colocadas em prática no nosso dia-a-dia. (06/out/2011).

07 de Outubro de 2011

Uma corporação ferida de morte

PAULO CORREIA - Jornalista - paulo.correia@r7.com


A notícia que o ex-comandante geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Mário Sergio Duarte, entregou uma carta ao secretário de Segurança Pública com a sua exoneração mostrou até que ponto estão corroídas as forças policiais no Rio e porque não, no restante do Brasil.

Uma degradação perigosa que ganhou novo destaque na mídia com o assassinato da juíza Patrícia Acioli, morta com 21 tiros de pistola no dia 11 de agosto. Com essa notícia, a grande imprensa parece que voltou a sua carga investigativa para o grave problema da corrupção policial. Um problema que tem início nos baixos salários pagos e no despreparo de grande parte das forças policiais. Uma realidade que termina nas chamadas milícias que infestam o Rio de Janeiro e na relação promiscua entre policiais e políticos.

Até quando os nossos governantes irão fechar os olhos para essa realidade que está ferindo de morte uma das instituições mais importantes de qualquer Nação? Até quando os administradores desse Brasil irão empurrar com a barriga esse monstro que poderá engolir a todos nós muito em breve? Um monstro que já engoliu as favelas e periferias e que coloca as suas patas sujas agora nos recintos da classe média.

No Rio de Janeiro, um dos estados mais ricos do Brasil, o piso salarial de um policial militar é de R$ 950. Como um homem casado e com filhos consegue se manter com essa quantia irrisória? Como poderá arriscar a sua vida todos os dias e ficar feliz com essa beleza de salário?

O canto da sereia da corrupção já puxou para o seu lado muita gente boa, muitos homens e mulheres que poderiam estar servindo a sociedade de outra maneira, mas que hoje servem nas fileiras da bandidagem.

E não pensem os nobres leitores que essa espiral de corrupção e brutalidades começa da noite para o dia ou que todos os homens de farda azul que penderam para o lado sujo fizeram isso de caso pensado. Muitos somente se deram conta que estavam nessa trincheira quando sua convivência, em suas próprias casas, já era insuportável.

A omissão total do poder público com os policiais brasileiros é vergonhosa. Deixar sem orientações e vigilância correta homens mal preparados, mal pagos e sem as condições necessárias para enfrentar a criminalidade é algo que beira o suicídio. E não o suicídio desses homens de farda, mas de toda a sociedade.

No filme Tropa de Elite 2, já no seu final, há uma cena em que o coronel Nascimento, interpretado pelo ator Wagner Moura, diz para os deputados estaduais cariocas e toda uma platéia que o policial não puxa o gatilho sozinho. Isso é uma verdade. E uma verdade que parece não afetar os burocratas do Governo.

Talvez para esses poderosos homens e mulheres, a violência é algo que não baterá nos seus carros de luxo, nos seus nobres restaurantes ou nas suas belas casas. Uma perigosa ignorância que um dia cobrará a sua conta.

Uma pena que essa conta apareça primeiro nos endereços menos elegantes do País. Nas ruas e becos dos desassistidos.

Até quando?

30 de Setembro de 2011

Professor: Uma espécie em extinção

NADJA LIRA  - Jornalista – Pedagoga - nadjalira@bol.com.br


A manchete dos jornais informando que uma criança de 10 anos atirou em uma professora, já não desperta mais a atenção dos leitores. Isso porque, pelo andar da carruagem, não é difícil prever que dentro de alguns anos não haverá mais pessoas interessadas em exercer a nobre missão do Magistério e seremos obrigados a viver em um mundo sem professores. Como se não bastasse o pouco caso do poder público para com esses profissionais, agora são os próprios alunos que dão cabo à vida dos professores e a escola, ambiente idealizado para formar cidadãos cultos, éticos e críticos acaba por se transformar em um lugar perigoso; uma arena; um campo de batalha, onde o professor é diariamente sacrificado de inúmeras formas.

Ao contrário do que apregoam as autoridades desse País, a Educação Brasileira é tratada com desdém, e o professor parece ser um cidadão de terceira categoria, que dia após dia testemunha uma orquestração para minar suas forças e promover sua retirada do mercado de trabalho. Especialmente porque o trabalho desse profissional contribui para abrir os olhos e a mente das pessoas para que percebam os descalabros praticados por esse Brasil à fora.

Assim, não oferecem condições dignas de trabalho a esse profissional, cuja remuneração não corresponde às exigências crescentes dentro da atividade, deixando que a desmoralização do profissional torne-se pública e notória. Não bastassem as dificuldades naturais as quais o professor é submetido, até mesmo comer no seu ambiente de trabalho não lhe é mais permitido.

Não existe estímulo ou qualquer incentivo àqueles que esboçam o desejo de trilhar os caminhos da Educação. O Governo Federal já percebeu que em breve vai faltar professor na rede pública de Ensino e tem divulgado algumas propagandas na tentativa de seduzir candidatos. Mas, não temos conhecimento do efeito produzido por essa publicidade. O fato é que poucos enveredam por essa difícil trilha, porque existem milhares de carreiras bem mais atraentes do que a de formar cidadãos.

As escolas da atualidade estão lotadas de crianças, cujas famílias são cadastradas no Programa Bolsa-Escola e que em sua maioria expressa o desejo de se tornar jogador de futebol, juiz de Direito ou político. Essas são algumas das profissões que povoam os sonhos das crianças que freqüentam as escolas públicas e tal escolha já não causa mais surpresa aos professores.

Afinal, no que se refere ao jogador de futebol, ele ganha o salário dos sonhos de qualquer trabalhador; tem fama e prestígio; é respeitado pela população, desde que faça gols; ostenta carros e mansões cheias de luxo; usam roupas e sapatos de grife; participam de grandes recepções; viajam ao redor do mundo e não precisam estudar para conquistar tudo isso.

Para enveredar na política também não precisa ter esmerada formação acadêmica já que a carreira pode ser trilhada por qualquer semi-analfabeto. Basta saber assinar o nome e ter o dom de iludir as pessoas com uma boa conversa para garantir o voto e pronto: Nasceu mais um político. É necessário falar bem, mas isso não significa que o indivíduo precise estudar para tornar-se bem sucedido na carreira. O salário também é atraente e a carga horária trabalhada é quase imperceptível. O sujeito tem direito a uma infinidade de mordomias pagas com o dinheiro público e isso sem contar com as negociatas, geradoras de mais proventos.

A carreira do Juiz é sedutora não apenas pelo salário, mas porque esse profissional conquista, através de muitos anos de estudo, o objeto de desejo de grande parte da população: O poder de, como se fosse um Deus, decidir sobre o destino das pessoas. Essa possibilidade encanta, não apenas às pequenas criaturas. Enquanto em alguns países do Oriente, os reis e imperadores curvam-se diante de um Professor, aqui no Brasil, qualquer mortal curva-se diante de um Juiz.

O professor que forma todos os outros profissionais tais como, médicos, engenheiros, advogados, dentistas, jornalistas, arquitetos e tantos outros, curiosamente não forma jogadores de futebol nem políticos. Acredito que a presença de um professor na formação profissional dessas categorias faz uma enorme diferença.

Suspeito que seja justamente pela ausência de professores em suas vidas, que uma parcela significativa dos políticos não se porta com a devida ética na vida pública. Também acredito que a ausência de professores na formação de boa parte dos jogadores de futebol seja a responsável pelo assassinato à nossa gramática em suas entrevistas, assim como o seu envolvimento em escândalos internacionais.

Nas salas de aula por onde passei, jamais ouvi uma criança expressar o desejo de querer estudar para se tornar Professor - atividade sem qualquer atrativo. Professor sai de casa às 5:00h da manhã levando uma marmita e retorna às 23:00h; não pode parar de estudar; ganha mal; é obrigado a trabalhar três horários, inclusive nos fins de semana, para garantir seu sustento, seus livros e seus estudos. Portanto, assim como o mico leão dourado, o lobo guará e o jacaré de papo amarelo, acreditem: O professor também se encontra entre as espécies ameaçadas de extinção.

16 de Setembro de 2011

A ÚNICA COISA QUE NÃO MUDA É QUE TUDO MUDA

Flávio Rezende  - escritor, jornalista e Ativista Social - escritorflaviorezende@gmail.com


Quando mais jovem gostava muito de participar de todos os eventos esotéricos que aconteciam em Natal. Apesar do assunto ser um tanto quanto novo nos idos dos anos 80, 90, já ia para palestras do Dr. Flávio Zanatta sobre macrobiótica; entrevistava o homem do Rá, Thomas Green Morton; frequentava o restaurante Amai, de Véscio Lisboa, que depois passou a ser chamado de Subhadro; comia ainda no A Macrobiótica do já desencarnado Dr. Martins e, chupava cristais, dormia dentro de uma pirâmide, lia o Bhagavad Gita, praticava Meditação Transcendental do Mahahishi Manesh Yogi, além de cantar o mantra Hare Krishna e fazer jejuns prolongados entre outras milongas mais.

De todas essas experiências restou hoje a adesão ao vegetarianismo, a devoção ao santo e educador indiano Sathya Sai Baba, o gosto pela prática do seva - que é a filosofia de que se serve a Deus servindo aos homens e, o amor por tudo e por todos, esteja onde estiver, fazendo o que for.

Lembrando do quanto as coisas passam faço uma leitura positiva da vida e da trajetória que venho tendo, incorporando a meu viver um rosário de boas lembranças e, a certeza que ao decidir enveredar por estes assuntos dei o rumo certo a minha vida.

Acredito que se não tivesse tido interesse nestas questões espirituais, especialmente sob o prisma da cultura oriental, estaria hoje mais materialista que espiritua-lista e, mais egoísta que solidário, cuidando mais do meu ouro, que do pão do próximo e, focado mais no meu nariz, que no coração do irmão necessitado de ajuda fraterna.

A vida passa e vez por outra faz bem a gente olhar o passado para que possamos compreender melhor o presente. Meu interesse pelos mestres indianos e pela filosofia espiritualista aconteceu por volta dos meus 20 anos. Quando esta pérola luziu de maneira mais forte estava envolvido com álcool, maconha, cigarros Plaza ou Hollywood e vivenciava a difusão da idéia do cada um por si  e um Deus mais alegórico que real, por todos.

Se não tivesse começado a juntar as areias que foram construindo este castelo interior dentro de meu ser, tenho certeza que hoje, poderia estar com minhas paredes ruidas, mal pintadas e, meu castelo abrigando apenas meus próprios sonhos.

Olhando pelo retrovisor do tempo lembro como se fosse hoje, que foi ao cobrir jornalisticamente o lançamento do livro de um paulista devoto  de Krishna  que, surgiu interiormente, o desejo de ir ate à Índia. Aquela viagem marcou minha vida e foi onde travei contato pela primeira vez com Sai Baba, que acredito ter sido o responsável pela grande mudança em minha presente encarnação, pois, foi através da crença em suas afirmações que consegui abandonar todos os vícios, direcionando minha vida do meu para o nosso bem estar, do egoísmo para o universalismo, conseguindo, mesmo sem a adesão da grande maioria de minha geração, seguir por um caminho que considero ter sido a coisa certa que foi feita.

Em algum momento de nossa vida os caminhos surgem e precisamos ter alguma certeza de seguir para o lado certo. Hoje meu castelo é habitado por uma multidão de seres, pois, segui o caminho da inclusão. Abraço as causas sociais, amo verdadeiramente as pessoas ca-rentes, tenho preocupação com elas, encontro tempo para buscar melhorias para essas pessoas em todos os níveis e, sei que não faria isso se não tivesse enveredado pelo caminho espiritual tempos atrás.

O bom neste olhar para o passado é que essa rota espiritual que segui nunca foi radical, amo igualmente Jesus, Buda, Krishna, Krishnamurti, Sai Baba, Osho e tantos outros mestres ascensionados ou não, que vou co-nhecendo neste caminhar. Não excluo ninguém, freqüento e ajudo todas as correntes, já fiz assessoria de imprensa voluntária para espíritas, evangélicos, católicos, iogues, eventos diversos de todas as filosofias exotéri-cas, esotéricas, hindus, indianas, o que for.

Gosto de tudo e de todos, vejo em todos os mestres e em todos os seres a centelha divina, me vejo em todos, sinto que estou em todos e todos estão em meu ser, por qual motivo então os condenaria se ali também existo?

A vida segue, tudo muda, hoje acordei no bairro República, passei a manhã caminhando entre pessoas drogadas, chantadas nas calçadas de São Paulo, com seus pés descalços pretos, cobertores sujos, uns tremiam, outros estavam praticamente mortos, foi uma caminhada dura.

Depois um amável sobrinho, o Beto Rezende, me pegou no hotel e agora estou em seu apartamento no Itaim-bi, belo bairro paulistano. De frente para este sexto andar frondosas e maravilhosas árvores, ao fundo os prédios com suas luzes já acesas anunciam a noite. Torres diversas e coloridas da Avenida Paulista revelam um novo tempo, a era das comunicações.

Dos meus vinte anos para cá muitas coisas mudaram e, olhando para trás sinto que tomei o rumo certo. Da manhã de hoje para este início de noite algum tempo passou e vivi duas realidades, a de pessoas escravas de escolhas que as aprisionaram num mundo que mais parece um inferno e, as pessoas que vivem e moram num lugar saudável, com padarias sortidas e lindas.

09 de Setembro de 2011

Trabalhando em um covil

Paulo correia  - Jornalista - paulo.correia@r7.com 


Acaba de chegar às locadoras de vídeo um dos filmes mais chocantes e reveladores do ano: A Informante, com a linda e talentosa Rachel Weisz no papel principal. Na história, baseado em fatos verídicos, a atriz interpreta a policial Kathryn Bolkovac, americana que em 1999 aceitou participar de uma força-tarefa montada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para ajudar na recuperação da Bósnia-Herzegovina (devastada pela sangrenta guerra racial que abalou a região dos Bálcãs depois do colapso da Iugoslávia) e que descobre fatos acobertados pelos seus "insuspeitos" chefes.

Na película, observamos que o que aconteceu de verdade com a chegada dessa força-tarefa foi um aumento significativo da prostituição e da corrupção policial na região. Dois fatos que tinham o total apoio dos ho-mens contratados por essa força pacificadora.

Na história, a policial Kathryn começa a sua investigação meio que por acaso, quando descobre duas jovens espancadas em um bar local. Logo depois disso, ela irá descobrir que o bar é na verdade um ponto de prostituição da cidade, e mais do que isso, descobre que o local é freqüentado pelos seus colegas de força-tarefa. Mais a frente, ela descobrirá que as prostitutas não estão ali por que querem, mas porque são obrigadas. Uma extensa rede de tráfico e escravização de jovens búlgaras é apresentada a policial nesse momento. Uma violenta rede que não encontra resistência nos funcionários a serviço da ONU, mas acolhimento e parcerias.

No filme, a policial tenta de todas as formas alertar as autoridades para o fato e encontra pouca ajuda com os seus superiores. Com isso, descobrirá que trabalha em um covil.

A Informante é um recado sobre a tragédia de uma guerra e o descaso com milhares de jovens. Uma história real que aconteceu na Bósnia de 1999 e que ainda ecoa nos quatro cantos do mundo em 2011. Uma realidade de escravidão sexual e assassinatos pouco investigados.

Para o leitor ter uma idéia, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou em 2010 dados sobre o tráfico de pessoas no mundo. De acordo com a instituição, 2.4 mi-lhões de pessoas estão nessas condições atualmente, vivendo como mercadoria em permanente troca. Desse número, 43% destinam-se à exploração sexual.

Aqui no Brasil, e principalmente no Nordeste, a mão-de-obra escrava que mais se exporta é o nicho feminino. Notadamente para os bordéis e casas de massagem na Europa e países como a Venezuela, Colômbia, Paraguai e Guiana Francesa.

No relatório da OIT, as cidades de Recife, Salvador, Natal e Fortaleza são os pontos iniciais de partida dessas mulheres para os grandes centros. Os destinos finais na Europa são países como a Alemanha, Espanha, Itália e Portugal.

Destinos que exibem para essas meninas o mundo das dívidas na chegada, sexo sem hora para acabar, drogas pesadas e mortes em valas comuns no final do dia.  Até quando?

02 de Setembro de 2011

Uma dor chamada Saudade

NADJA LIRA  - Jornalista – Professora - nadjalira@bol.com.br


Existem algumas dores insuportáveis. Dor de ouvido é uma delas. A dor é tão intensa que dói a cabeça inteira e o indivíduo acredita que o crânio vai explodir. Dor de dente também é muito ruim; especialmente aquelas que só passam de manhã; quando o Sol começa a raiar. Outra dor insuportável é dor de unha encravada. Só sabe o quanto dói quem já sofreu com a dor.

Incontáveis são as dores que fazem o ser humano padecer. Depilação com cera, injeção intramuscular, prender o dedo na porta do carro e cólica menstrual, são algumas delas. Os homens dizem que não existe dor maior do que uma bolada nos testículos, enquanto para as mulheres nenhuma dor pode ser mais dolorida do que ter um filho de parto normal. Arrancar as sobrancelhas também é muito doloroso, mas o resultado compensa o sacrifício.

Martelar o próprio dedo, queimar a boca com sopa quente, restaurar um dente, morder uma pedra no meio da feijoada, tudo isso provoca dores que o ser humano consegue suportar. Nada, porém, pode doer mais do que um coração partido de saudade. Esta, sem sombra de dúvidas, é uma das maiores dores que alguém pode suportar.

Esta dor é como muito bem descreve Clarice Lispector: "Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas, às vezes, a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a pessoa toda. Essa saudade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida".

A saudade também está presente na letra de diversas músicas. Sobre a saudade Bob Marley afirmou o seguinte em uma de suas canções: "Meu dia-a-dia é mais tranqüilo até o momento em que minha cabeça me leva até você. Minha cabeça me trai, o coração aperta, a atenção esvanece o frio na barriga... Com tantos sintomas a saudade até parece doença, mas sei que a cura é a sua presença".

Os estudiosos dizem que a palavra "saudade" foi cunhada na época dos Descobrimentos e no Brasil Colônia esteve muito presente para definir a solidão dos portugueses numa terra estranha, longe de entes queridos. Define, pois, a melancolia causada pela lembrança; a mágoa que se sente pela ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou ações. Provém do latim "solitáte", solidão.

Fernando Pessoa escreveu um poema com o nome de Saudade, no qual relata seus sentimentos sobre a amizade: "Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos. Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido. [...] A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... E nos perderemos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades seja a causa de grandes tempestades... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"

Saudade é não saber o que fazer com os dias e as noites que se tornaram longos demais; é não saber como conter as lágrimas ao ouvir uma música; é não saber como quebrar o silêncio que toma conta de uma dor que não passa. Nada pode doer mais no corpo e na alma, do que a saudade que fica depois que um grande amor vai embora.

De tão grande, a dor tira o sono e o apetite; tira todas as vontades, o interesse pelas coisas. A dor da saudade endurece o coração; deixa as pessoas amargas, amarguradas e vazias de emoção. E, diante de dor tão grande, tão infinda, tão profunda, dor de dente, dor de ouvido, unha encravada e injeção na testa passam a ser fichinhas.

26 de Agosto de 2011

O CORDEL E SUAS MULTIPLAS ADAPTAÇÕES

Eliabe Davi Alves - Escritor - eliabe-david@hotmail.com


A literatura oral é um bem do povo, presente em todas as civilizações humanas desde os tempos mais remotos. Voltando algumas páginas no livro do tempo, veremos que no Brasil de antigamente, sobretudo na região nordeste no limiar do século XX, havia nas comunidades rurais, pessoas que se expressavam de forma quase que ágrafas, sendo que poucos  eram os habitantes que sabiam decodificar os códigos  dos registros escritos, valendo-se, na maioria das vezes,  dos saberes da oralidade.  Nesse contexto sócio cultural, inicialmente a literatura de cordel exerceu um papel fundamental no processo de sua formação cultural e humana.  Nesses lugares, quem sabia ler era procurado para, no cair da noite, á luz da lamparina, ler os folhetos de cordel. Em seu entorno  agrupavam se pessoas com olhos e ouvidos atentos as histórias romanescas, ali cantadas. Todos envolviam-se por meio das  narrativas fantásticas e encantadoras  transmitidas pela a força da rima e da métrica da poesia popular.

Era comum, as  pessoas comprarem os  folhetos que eram vendidos nas feiras a preços acessíveis ás donas de casas e aos lavradores. Através desse contato com a escrita, algumas  pessoas foram alfabetizadas e passaram a exercer sua cidadania com mais dignidade principalmente com o acesso á literatura de Leandro Gomes de Barros, João Martins de Athayde, José Pacheco, José Camelo, Chico Traíra, José Melquíades  Ferreira e Patativa do Assaré, que integram o cânon dos celebres poetas nordestinos. O universo da poesia de Cordel o Rio Grande do Norte está servido de talentosos cordelistas do porte de: José Saldanha, o decano dos trovadores potiguares, com 93 anos de idade, e de muita produção no campo da poesia popular. É de sua autoria os seguintes versos "Ergui-te sertão amado/ Com tua gleba risonha/ Teu horizonte dourado/ Com que o poeta sonha "além de Saldanha ainda temos os bem humorados poetas Bob Motta, Paulo Varela e o premiado Antônio Francisco que com sua arte singular contribuem de forma significativa para a elevação da cultura brasileira.  

Com o passar do tempo, esses contos e histórias dos impérios, cangaceiros, príncipes, princesas, amores proibidos, lutas e pelejas dos personagens das páginas dos romances de cordel foram adaptadas para as mais diferentes formas e linguagens artísticas como: teatro, cinema, música, quadrinhos, e novelas. Em 1952, a editora paulista Prelúdio lançou uma versão em quadrinhos do clássico Romance do Pavão Misterioso, com dese-nhos de Sérgio Lima que apesar de ter sido produzido com poucos recursos gráficos esse HQ torna-se um marco nas adaptações desse gênero. Depois surgiram os HQS (Juvêncio o Justiceiro e Simãozinho); A chegada de Lampião no Inferno); (Juvenal e Dragão, A  Donzela Teodora); e o Quadrinho "A Maça que Namorou com o Bode"do talentoso cartunista cearense Klévisson Viana uma edição que julgo de grande qualidade editorial. Na sétima há também uma experiência de adaptação do romanceiro popular no filme de Tânia Quaresma: "Nordeste: Cordel, Repente e Canção" (1974). Nesse momento o cordel passou por sua primeira adaptação, de linguagem escrita para o meio imagético. O folclorista Câmara Cascudo também  se rendeu as encantos dos folhetos de Cordel quando escreveu o livro: Cinco contos do povo (1953). O escritor Bráulio Tavares incorporou a estética e a forma da poesia popular em sua vasta produção intelectual que vai da música, ao teatro e literatura.

O Movimento Armorial, por sua vez, começou em 1970, liderado pelo também Escritor Ariano Suassuna, provocando uma enorme agitação criativa na arte Pernambucana e nordestina, tornando-se o movimento que mais utilizou o cordel para digerir e implementar uma nova forma de conceber o seu fazer artístico. O próprio Ariano formulou o conceito de todo esse processo quando teceu o seguinte depoimento: "A arte Armorial brasileira é aquela que têm como troca comum principal a relação como espírito realista e mágico dos folhetos do Romanceiro popular do Nordeste, literatura de cordel, com música de viola, rabeca ou pífano que acompanhava seus cantores com a xilogravura que ilustra suas capas, assim como o espírito e a forma das artes e espetáculos populares com esse romanceiro relacionado" .Esse movimento ainda revelou para o Brasil os pintores: Gilvan samico, Francisco Brennand. Os escritores Virgílio Maia e Raimundo Carreiro bem como o músico Antônio Nóbrega.

Todas essas adaptações e influências da literatura de cordel, nas mais diversas  linguagem artísticas são comprovações da qualidade e da criatividade dos poetas populares. No entanto,  vejo com certo olhar de desconfiança na TV Globo, a telenovela "Cordel Encantado". Essa é mais uma produção que absorveu elementos do cordel na sua construção narrativa. Por ser  artificialmente encenada por atores que são oriundas de uma região onde historicamente, a grande mídia vendeu a imagem do homem do Nordestino para o resto do Brasil, como o coitadinho e que passa fome. Na verdade, acredito que o nosso povo só será representado com respeito e dignidade quando for sujeito de seu próprio itinerário cultural, com igualdade de oportunidade para que os nossos bons escribas e artistas mostrem todo o seu potencial criativo. Diante disso, faz-se  necessário que o ministério da cultura desenvolva cada vez mais políticas públicas voltadas para a valorização das produções culturais no nordeste,  descentralizando  os investimentos do eixo Rio-Sul. Ou do contrário continuaremos relegados ao atraso e ao dolorido esquecimento.

19 de Agosto de 2011

SEREJO-MARUJO

RUBEN G NUNES - Desfilósofo de Natal - rubengeddes@gmail.com


Há amigos que a gente vê de séculos em séculos, de encarnação em encarnação. De sábado a sábado. Ou, até, nas tardesmansas da imaginação, puxando papo-lento. Desfilosofando a VidaViva, ali, nos mares e bares do (in)finito. Amigos que quebram a regra da presença. Mas que, mesmo na despresença, nos brindam com sua amizade antiga fluindo no encontro de sensibilidades grafadas. 

Fiz toda essa festiva divagação acima para dizer que pelas esquinas.com do web-mundo, dou de cara com meu velho amigo Jornalista Vicente Serejo. Encontro virtual, of course. Recebo de Serejo-velho-de-guerra um email lá de Recife. Agradece e retribui o web-abraço do Dia Internacional do Amigo que enviei pela Rede do (In)Finito a amigos e alunos mais chegados. Vocês sabem que um abraço amigo é sempre uma dose de energiafetiva. Serejopoetando, diz ele no email: “olhos mergulhados nas águas do Capiparibe, um abraço afetuoso deste seu leitor e amigo”. Um Serejo-abraço que acalenta amizades. Tão marujo quanto eu, Serejo contempla rio e mar e confia ao Capibaribe a mensagem amiga, como a garrafinha do náufrago em sua solidão.

Aqui abro parêntesis. Como desfilósofo assumido, pra mim “marujo” não é só o que navega “porque é preciso”, como poetava PessoaFernando. Marujos são, sobretudo, os que amam o mar. Marujos são os que abrem o velame da imaginação e navegam os mistérios desse mar massa plena profunda, solidão remansa, navio longe partindo, navegante saudade, gaivotas lentiriscando azul, praia gozo-alongada na branquiespuma dos sonhos, e o porto seguro da mulher amada. Marujos são os que nesse navegar pescam sentires, emoções, poesias. E amores perdidos-e-achados. Lembro uma das crônicas da Cena Urbana, de Serejo-marujo, dos anos 90, onde ele capta essa alma-maruja. Serejo diz de seu sonho em embarcar num “navio cinzento, da cor da Ribeira”. E, então, ao se apresentar ao comando, numa continência plena de sonhos, abrir a alma de autêntico marujo e declarar: “Comandante, vim embarcar minhas emoções!”. Confesso que, até hoje, ao lembrar dessa força expressiva do Serejo-velho, me deixo levar nesse sonho e me convenço que marujos e poetas são meio-imortais. Fecho parêntesis.

Sem dúvida a boa amizade é uma sintonia afetiva. Que irradia-capta a BoaEnergia da VidaViva e das estrelas perdidas-e-achadas. Que de tempos em tempos conjunta coincidências, mapas astrais, horóscopos e encontros inesperados, mesmo virtuais. Quero dizer que ao abastecer, hoje, meu carro, recebi de brinde o Jornal de HOJE. Chego em casa. Me ajeito. E vou direto ao Bardo(In)Finito. Filial do último bar das estrelas perdidas-e-achadas. Chamo meus daímons e Sir Johnnie Walker prum papo-lento, na noitechegando. Abro o jornal na Cena Urbana do Serejo-velho. A madrugada caminha. Dou um uísquetrago pros caboclos. Xanavá! Vou uísquetragando, enquanto leio a crônica de Serejo. Capta ele esse mar de agoras-e-eternidades em que navegam marujos, poetas, escritores - e que me permito transcrever pela intensa beleza desfilosófica e musical.

Antes, esclareço que: Desfilosofia é o streap-tease maturado da filosofiacadêmica ou o retorno do pensar ao seu habitat natural do sentir a Vidaviva.

Mas, ouçamos as sábias e emocionantes palavras de Serejo: “Escrever é tatear as realidades com as próprias mãos, tocando o relevo das coisas. É uma busca, uma tentativa de remontar a vida em forma de sensações. O táctil. O dúctil. O útil e o inútil. Um feixe tenso e nervoso de mesmices e descobertas. Escrever é apreender o que está fora do olho para apropriar-se. Escrever é impregnar-se. É não neutralizar-se diante da vida. É ferir com o olho, essa ponta de faca, a paisagem que passa pelas pessoas que passam como se não passassem.”. Assim é a VidaViva.

12 de Agosto de 2011

Desrespeito com os artistas da terra

PAULO CORREIA - Jornalista - paulo.correia@r7.com


Esses dias, um jornal local publicou matéria sobre os atrasos de pagamento, por parte do Governo estadual, para com os artistas do grupo teatral Artes e Traquinagens. Um calote que já se arrasta desde 2010, na administração de Iberê Ferreira, e que agora é seguido pela administração da senhora Rosalba Ciarlini, que adora se vangloriar de ser uma apoiadora da cultura potiguar.

Nas informações repassadas ao jornal por um dos diretores do grupo artístico, João Pinheiro, a notícia que o governo deve mais de R$ 30 mil e que outros grupos da cidade também esperaram receber da atual gestão. No total contabilizado pelas entidades, a dívida já bate na casa dos R$ 220 mil.

De acordo com João Pinheiro, o problema começou no festival "Agosto de Teatro", promovido pela Fundação José Augusto (FJA), braço cultural do Estado, e que de lá para cá somente piora. Agora em 2011, a governadora prometeu que o mês de agosto receberá um novo festival no lugar do antigo, será o "Agosto da Alegria", lançado esses dias pela governadora Rosalba e pela secretária de cultura, Isaura Rosado.

Tomara que a administração estadual não esqueça as dívidas antigas e faça novas promessas aos artistas locais. Esse desrespeito é inaceitável e mostra uma face dos nossos governantes. Homens e mulheres que adoram se exibir em eventos e que possuem um verdadeiro asco com os nossos atores e equipes que trabalham com a cultura popular.

Nos toques finais desse texto, a notícia que a Prefeitura de Natal está sendo investigada pelo Ministério Público por ter efetuado convênio no valor de R$ 250 mil com o instituto mineiro Fundação Oásis para divulgação do show da banda Diante do Trono, promovido em julho.

Nas explicações oficiais, a informação que o Executivo natalense não pagou o valor, mas que deu apoio logístico ao evento (estrutura de segurança, banheiros, trânsito).

De volta ao grupo Artes e Traquinagens. Na sede da trupe, contas de aluguel e manutenção do espaço se acumulam. Para se manter e continuar com os trabalhos e oficinas de fi-gurino e adereços, teatro de bonecos e outros cursos gratuitos disponibilizados para a população, os diretores fazem o que podem.

Uma pena que os nossos competentes e batalhadores artistas ainda dependam de governantes mambembes para se manter.

Até quando?

12 de Agosto de 2011

PRECISAMOS DE VISIONÁRIOS

Márcio Cézar - Jornalista  - E-mail: marcio.cezar@uol.com.br


Confesso que não vive essa época, mas todos que falam dela e viveram confirmam que foi o maior governador do Estado. Visão de futuro colocou nosso Rio Grande do Norte a frente dos grandes temas da época. Estamos falando de Aluizio Alves que se vive estivesse estaria com 90 anos. Mesmo com todos esses depoimentos fica em mim alguns questionamentos.

Se Aluizio foi Governador a partir de 1961, tinha uma visão de futuro, que para muitos era distante, muito distante para sua época, então por que pós Aluízio não surgiu outro governante com essa visão? O mundo está mais moderno, as informações chegam mais rápidas, é a globalização, mas onde estão os homens e mulheres com essa visão de futuro? O que falta para termos um grande governante?

Talvez tudo isso seja questionamentos sem necessidade, mas que merece uma reflexão de todos nós, não é possível que nosso Estado e nossos municípios padeçam ano a ano de projetos que possam melhorar a sustentabilidade de nosso povo. Temos nos últimos anos, de acordo com depoimentos de quem viveu o momento do governo Aluízio Alves, governos.

Quando se comemora 90 anos de Aluízio Alves é necessário procurarmos entre os homens de boa vontade, aqueles que possam ser um visionários podemos dizer que o ex-governador foi isso, e necessitamos dessa pessoa que pensa, olhe anos à frente nosso Rio Grande do Norte e que deixem marcas para sempre junto a todos nós.

Essa data não deve ser só comemorativa, mas de procura de uma figura que possa surgir e ver muito além dos nossos olhos para construir um novo Estado, digo isso agora porque sempre estamos refletindo e discutindo o cotidiano, sem vamos ou não ter a Copa, se terá a mobilidade urbana e por ai vai. E o futuro? O que devemos esperar do Rio Grande do Norte daqui a 50 anos, um século? São respostas que todos devemos cobrar de nossos governantes.

05 de Agosto de 2011

QUANTOS SEREMOS ?

Márcio Cézar - Jornalista  - E-mail: marcio.cezar@uol.com.br


O reinicio dos trabalhos nas Câmaras Municipais em todos Estado trás uma expectativa para alguns e esperança para outros, tudo em volta do número das vagas nas Casas Legislativas. Para quem está fora e pretende disputar uma vaga nas eleições do próximo ano, o aumento do número de vagas é fundamental, para os que estão dentro às opiniões estão divididas.

Mas o que fazer se tudo até então não está nada definido? Quais as regras das eleições do próximo ano? Haverá ou não coligações? São algumas dúvidas que levam os atuais legisladores, principalmente os presidentes das Câmaras Municipais a protelarem a decisão quanto o número de cada Casa Legislativa. Isso deixa aqueles que estão fora angustiados sem saber como irão enfrentar a próxima luta.

Enquanto nada é decido todos está à procura de um lugar a “sombra”. A Câmara de Natal já deu ponta pé inicial levando o parlamento mais próximo a população. Uma iniciativa interessante para os próprios parlamentares, que terão a população mais próxima e aqueles que tiverem a oportunidade de acompanhar uma sessão irão saber como funciona o parlamento e como se comporta seus representantes.

Enquanto isso os representantes do povo usam todos os artifícios para chegar junto a suas “bases” e nessa guerra vale tudo, pois os atuais edis sabem que o desgaste do mandato, muitas vezes leva a derrota e para isso será necessário correr atrás do prejuízo e quanto mais cedo melhor. Além disso, tem os novos nomes, sem desgastes – muitas vezes antigos “cabos” eleitorais -, fora aqueles que são apontados como portadores de uma condição financeira privilegiada que pode dificultar a vida de muita gente que pretende chegar ao legislativo municipal.

É bem verdade que os detentores de mandatos sempre levam vantagem. Tem uma base eleitoral, tem um gabinete montado – e com isso já uma equipe montada e a experiência de ter concorrido a uma eleição. Mas existe um dado novo, como em toda eleição: os filhos. Todo deputado ou vereador que não vai para uma reeleição, como é o caso do vereador Dickson Nasser, lançará o filho para substituí-lo. O deputado Antônio Jácome pretende lança também o filho entre outros. Então vamos aguardar as regras para saber quantos irão para essa nova luta.

05 de Agosto de 2011

CORRUPÇÃO CUSTA CARO

Tomislav R. Femenick - Mestre em economia e historiador


Uma das verdades incontestáveis das ciências econômicas, contábeis e da administração é que, via de regra, quanto menores são os custos menores também são os preços de venda dos bens e serviços elaborados pelas empresas. O resultado é um ganho dos consumidores, porém eles não ganham sozinhos, pois preços menores impulsionam a produção e proporcionam a chamada economia de escala, custos unitários menos. Assim, junto com os consumidores ganham os empresários, que terão mais lucros; trabalhadores, que passam a ter melhores salários, e a sociedade como um todo, por meio da aplicação dos tributos (pagos pelas empresas e pelas pessoas) em saúde, educação, segurança e outras funções próprias do aparelho estatal.

Todavia essa premissa trás consigo a outra face, a outra verdade: todo dispêndio das empresas, quaisquer que sejam os motivos, terminam por onerar os custos de produção e, consequentemente, encarecem os bens e serviços, reduzem os lucros, os salários e os tributos recolhidos pelo governo, ficando este sem recursos para empregar em obras e serviços que visam o bem-estar das pessoas.

Não importa a causa, o motivo ou o fim, a corrupção é um custo para as empresas. A corrupção tem dois lados. Alguém paga soborno a uma pessoa, visando tirar vantagem de alguma situação. Outro alguém, do serviço público ou particular, recebe soborno para facilitar certas condições de interesse do subornador. Vezes há em que o soborno é iniciativa de empresários desonestos. Outras há em que, os empresários são achacados, intimidados a comprar "facilidades" governamentais.

A história recente do Brasil é recheada de casos em que a corrupção é a tônica: um dos temas da "re-volução de 1930" foi o combate à desonestidade com o "dinheiro público". Trinta anos depois, a construção de Brasília foi envolta em denuncia de "desvio de recursos do governo", também estopim do golpe de 1964. Collor foi cassado em função de existência de um "esquema de corrupção generalizada". Depois veio o escândalo dos "anões do orçamento", que faziam ciranda com o dinheiro do orçamento da União. FHC teve que demitir seu ministro da agricultura e fechar o banco do qual sua nora era herdeira, ainda por causa de maracutaias. No tempo de Lula os atos revoltantes foram tantos, como "nunca houve na história deste país". Agora seguem no tempo de Dilma.

Sabendo-se que quase todo dinheiro que entra nos cofres públicos tem origem no trabalho da iniciativa privada (que para lá vão através de impostos, taxas e contribuições), a pergunta que se faz é: quanto custa a corrupção no Brasil? Um relatório preparado pela Policia Federal no ano passado conclui que de cada R$ 100,00 pagos pelo poder público, cerca de R$ 29,00 tiveram origem em propinas. Outro documento, este elaborado pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias de São Paulo-FIESP, calcula que no Brasil a corrupção atinge algo em torno de R$ 41,5 e R$ 69,1 bilhões por ano. Esse dinheiro, que sai do bolso dos contribuintes, pessoas físicas e das empresas, é um custo extremamente elevado e "prejudica o aumento da renda per capita, o crescimento e a competitividade do país, compromete a possibilidade de oferecer à população melhores condições econômicas e de bem-estar social e às empresas melhores condições de infraestrutura e um ambiente de negócios mais estável", diz o relatório da FIESP.

Algumas pessoas tentam amenizar, dizem que não é um caso somente brasileiro. Não é bem assim e essa não é toda a verdade. Recentemente, o Fórum Econômico Mundial, realizou um estudo sobre a renda e a qualidade de vida das pessoas de 132 países. No quesito "ética e corrupção", ficamos no 125º lugar, atrás apenas sete países. No item "ineficiência do poder público", estamos na 120º posição. É inacreditá-vel, mas existem doze países onde o governo é mais ineficiente que o brasileiro.

Há poucos meses, a falta de escrúpulos de alguns homens públicos e da iniciativa privados, o histórico e a conjuntura da depravação moral, levaram o ministro Marco Aurélio Mello a dizer, em um julgamento do TSE, que o país vive "uma quadra de absoluta perda de parâmetros, de abandono a princípios, de inversão de valores". E como isso atinge o povo? Para cobrir seus gastos, o governo faz com que os mais pobres trabalhem 91 dias por ano para pagar tributos - de 1º de janeiro até 16 de julho; os mais ricos trabalham só 75 dias - até 16 de março.  É a velha história. Mesmo nos governos populistas, quem paga a conta são os mais pobres. Não fora a corrupção o número de dias poderia ser bem menor.

29 de Julho de 2011

A CULPA DA PROVETA

NADJA LIRA  - Jornalista – Pedagoga – Psicopedagoga - nadjalira@bol.com.br


As crianças de hoje parecem que já não são feitas como antigamente e acredito que a culpa seja da proveta. Cheguei a esta conclusão depois de ouvir várias palestras de especialistas, que defendem a idéia de que as crianças não podem levar umas boas palmadas, para não ficarem traumatizadas.

As palmadas, segundo eles, deixam as crianças mais agressivas, revoltadas podendo desenvolver o sentimento do ódio contra os pais. Não sendo trabalhado, esse ódio pode se avolumar com o decorrer dos anos levando o indivíduo a cometer algumas atrocidades, como matar os pais, por exemplo.

Com base nesse discurso, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) apresentou um projeto de lei aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, que "estabelece o direito da criança e do adolescente a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados, sob a alegação de quaisquer propósitos, ainda que pedagógicos..."

A deputada pediu ainda, que a lei fosse incluída no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) alegando que "o objetivo é que seja criada uma cultura da educação através de diálogos".

Eu não sou especialista em crianças, sou contra a violência, mas discordo deste ponto de vista utilizado para a aprovação da lei. É claro que o diálogo com os pais contribui para transformar as crianças em indivíduos confiantes e seguros, mas, mesmo nas famílias bem estruturadas emocionalmente, os diálogos nem sempre são suficientes para resolver as situações de conflito.

Acredito que a palmada é uma maneira bastante eficiente para mostrar as crianças que existem limites a serem respeitados desde que aplicadas moderadamente. Não as considero como uma agressão imposta às crianças; mas uma forma de aperfeiçoar o seu caráter e de lhes ensinar a respeitar os mais velhos.

Por outro lado, existem famílias nas quais os adultos não sabem como conversar com as crianças, perdem a paciência com facilidade e o que poderia ser resolvido com uma inocente palmada, pode acabar se transformando numa tragédia. É necessário, portanto, manter a calma, evitar agir por impulso e não se deixar dominar pela raiva.

Eu também fui criança, fiz as travessuras naturais da idade e levei boas palmadas sempre que minha mãe achava que eu merecia. As minhas amigas e amigos da época também passaram por tal experiência, mas ninguém ficou traumatizado por causa delas. Também não tenho notícia de algum dos meus contemporâneos, que depois de adulto guarde mágoa ou que cultive qualquer sentimento rancoroso contra os pais. Muito pelo contrário: eles são nossos ídolos e a eles agradecemos toda a dedicação que nos tornou os adultos que somos hoje.

É claro que não defendo o espancamento de crianças, porque estaria compactuando com um crime grave. Mas acredito que as palmadas, depois de esgotadas as possibilidades de conversas e persistindo a birra, só ajudam a mostrar que existem alguns limites e regras impostas pela vida e que estas precisam ser respeitadas. (07/julho/2008).

22 de Julho de 2011

O MEU PÃO DE CADA DIA

Flávio Rezende  - escritor, jornalista e ativista social - escritorflaviorezende@gmail.com


Os seres que conseguem identificar no cotidiano de suas vidas as maneiras, lugares, pessoas e acontecimentos que tem potencial de tornar seu viver mais feliz são, no meu entender, os magos, os verdadeiros alquimistas da existência.

Quase todos moramos em algum lugar e, nos arredores, existem outros lares, estabelecimentos comerciais, às vezes praças, grupos de amigos que se reúnem cinemas, barzinhos e, é possível manter relacionamento e freqüentar essas coisas, estabelecendo com irmãos de jornada terráquea diversos tipos de relação.

Para quem não tem uma vida noturna intensa como eu, a melhor opção para sair um pouco do círculo do trabalho-casa é buscar em algum lugar da circunvizinhança um porto seguro para o exercício da conversa agradável, da amizade sincera e do passatempo sadio.

Quando sai de Mãe Luiza para morar em Ponta Negra, cerca de dois anos e pouco atrás, encontrei na Padaria Ponta Negra, esse lugar agradável para o gozo dos sentidos uma vez que, lá, posso ouvir bons papos com amigos, funcionários e passantes, degustar comidas que decido ingerir e, vivenciar momentos memoráveis que vão desde brincadeiras sobre os times ABC e América - posto que o funcionário Severo é o único americano do quarteirão, até amenidades do bairro e atualização da vida pessoal dos frequentadores.

Dirigida pelo amigo uruguaio Eduardo Craciun Otormin, um cavalheiro, homem calmo e muito querido por todos, a Padaria Ponta Negra brilha no universo do bairro como um farol, pois, vejo ali a prática da caridade com alguns transeuntes menos favorecidos, o atendimento cordial, o respeito a todas as figuras, entre os quais bêbados, mal-educados, trambiqueiros, maloqueiros ou drogados, que às vezes testam a paciência dos funcionários com atitudes nada santas, mas, tenho observado que em todas as circunstâncias, prevalece à calma e a sabedoria dos grandes mestres, terminando o dia sempre com a ata registrando a paz divina e a integridade dos valores morais.

Registro para meus leitores que, entre as muitas alegrias que identifico na vida como as caminhadas, o mar, a sinfonia dos pássaros em alegres piruetas aéreas, a família, o trabalho, Casa do Bem, escritos e o jardim de bênçãos que torna meu coração uma sementeira de amor, entrono a Padaria Ponta Negra e seus habitantes como um espaço digno de ser eternizado na memória e, que por ser tão agradável, continuará merecendo não só a minha, como a presença de todos que ali encontram um motivo a mais para gostar e apreciar a arte de viver socialmente bem.

15 de Julho de 2011

FESTAS, INFORMÁTICA E NAVIOS QUE PASSAM

Tomislav R. Femenick - Mestre em economia e historiador


Uma das melhores características de nós brasileiros é esse viver alegre, essa postura bem humorada, a nossa propensão ao riso fácil e atendência de fazer piada sobre tudo. Queremos mesmo é festa; samba, futebol e praia. E, para melhorar, com uma cervejinha que ninguém é de ferro. Isso é bom. O que não é tão bom é o outro lado da moeda: estamos cada vez mais deixando de encarar a vida com responsabilidade.

Há exemplos. Certa vez, quando participava de um debate em um programade TV, fiz uma afirmação universalmente aceita. Afirmei que se a renda nacional não crescesse não é possível aumentar o nível do bem-estar das pessoas. Um cidadão que participara do mesmo programa quis desqualificar esse argumento, simplesmente dizendo que não aceitava muito “essa coisa de economia”, que mais importante é fazer o povo feliz. Como feliz, ganhando salários de fome? Recentemente, durante um conclave sobre contabilidade, em Salvador, assisti a uma palestra sobre o uso da informática. O expositor usou e abusou de ganchos humorísticos para prender a atenção do auditório. Até ai nada de mais. Entretanto enveredou por caminhos obscuros ao tentar fazer a defesa de que os funcionários não devem ser cerceados no uso pessoal da Internet, nos locais de trabalho. Ora, se local de trabalho é para se trabalhar e uso pessoal não é trabalho, a empresa não estaria pagando para o empregado não trabalhar? Piada é bom de ouvir, mas trabalho é coisa séria.

Essa palestra me chamou a atenção para outro assunto ligado à computação: a grande maioria de nossas empresas não fazer uso racionalda informática. Muitas delas usam seus equipamentos como se fossem máquinas de datilografia para seus relatórios e outros escritos, ao mesmo tempo em que imprimem planilhas que ninguém sabe para que servem e, além do mais, em número de vias desnecessário.

Enquanto isso, o resto do mundo e algumas empresas brasileiras, aquelas que brilham no Panteão do êxito, vão pelo caminho certo e já se preparam para usar a Web 3.0, a chamada terceira onda da Internet, que projeta reestruturar todo o conteúdo disponível rede aberta e das intranets (as redes internas das companhias), com um novo conceito: a “compreensão das máquinas”; a “semântica das redes”. Vamos traduzir em linguagem simples. A Web 3.0, que já engatinha e que está prevista para os próximos cinco anos, pretende usar todo o conhecimento armazenado nas redes de maneira analítica e inteligente. Por mais espantosos que sejam os sistemas atuais (inclusive os “googles” da vida), eles nada mais fazem que encontrar e mostrar uma lista de dados armazenados. São os chamados “programas sintaxes”, que estudam cada parte de uma relação de arquivos, como elementos de uma mesma identidade. O que a nova era da informática se propõe a fazer é uma nova abordagem, com “plataformas semânticas”, que buscam o significado dos arquivos. Assim, o programa será capaz de entender mais sua necessidade do usuário e responder com mais eficiência as suas consultas, organizando e agrupando páginas por temas, assuntos e interesses previamente expressos.

Vejamos um exemplo possível. Se a engenharia de produção de uma empresa desejar saber quais as matérias-primas possíveis de serem usadas em sua manufatura, quais os fornecedores, quais os melhores custos, quais os prazos de financiamento e de entregas e, ainda, qual a experiência da empresa com cada um dos possíveis fornecedores, a resposta será ponta, rápida e sem exigir que se façam comparações, cálculos ou análises. O sistema fará tudo isso e, de quebra, ainda apontará as melhores opções e dará oportunidade de se saber tudo sobre os possíveis fornecedores. As redes serão capazes de fazer e refinar a pesquisa, realizando o trabalho que atualmente é executado por milhõesde pessoas em empresas de todo o mundo.

Como todo avanço tecnológico, esse também tem duas faces: vai sere ficaz e não somente eficiente, vai reduzir os custos nas empresas e, portanto, baratear seus produtos o que é ótimo para os consumidores, porém vai penalizar as empresas que não acompanharem os novos tempos e desempregar quem acha que trabalhar e ocupar o tempo de trabalho com as redes sociais é a mesma coisa. Tudo é importante, desde que no lugar e tempo apropriados.

A tecnologia, como um dos fatores de produção, tem sido um grande impulsionador da economia e, portanto, da elevação do bem-estar social. Todavia, é uma senhora exigente. Quem a despreza paga caro. Nós sofremos alguns anos de atraso porque, no governo Sarney, foi proibida a importação de equipamentos e programas de computadores. Agora, se não nos prepararmos desde já para a nova informática, corremos o risco que ficarmos a “ver os navios” que passam ao largo, como ficou o porto de Rio de Janeiro quando, no Século XIX, preferiu o trabalho escravo em detrimento dos guindastes comprados, pagos e abandonados.

08 de Julho de 2011

Sendo possível voltar no tempo, o que você faria?

Dalmir Sant'Anna - Palestrante comportamental


Depois de muita turbulência e intensa chuva, o comandante consegue com louvor, pousar no aeroporto de Congonhas (SP). Os passageiros estavam preocupados e com sinais de intranquilidade. Observo uma aeromoça andando pelo corredor da aeronave, solicitando aos passageiros que permaneçam sentados. Sem êxito, comenta com outra aeromoça: "Eu ganho uma miséria para fazer isso e ninguém obedece!". Ouço com atenção e faço reflexões, do quanto o ser humano desperdiça oportunidades, pois ao contrário de mostrar fragilidade emocional, essa profissional poderia mostrar segurança, confiabilidade e profissionalismo. Você concorda? Como diz o antigo ditado "não adianta chorar por leite derramado". Há ocasiões que o desejo de voltar é algo inevitável, mas não há como regressar.

O momento de fazer a diferença é agora - Entrevistei recentemente, importantes empresários, artistas e esportistas brasileiros para o meu próximo livro. Todos foram unânimes em afirmar que o medo de tentar, seria substituído pela confiança em vencer. Ampliariam o comprometimento, o entusiasmo e a paixão pelo trabalho que realizam. Para conquistar mais resultado na sua vida, acredite que não há como voltar o ponteiro do relógio e, viver novamente um tempo passado. Coloque em prática, o ingrediente do amor ao seu trabalho e jamais esqueça que o momento de fazer a diferença não é no passado, mas sim no presente.

Você é o principal responsável em transformar erro em acerto - A palavra erro vem do latim errare, que significa vaguear, ou ainda, andar sem direção fixa. Portanto, só pode dizer que existiu um erro, quando há uma prévia direção adotada incorretamente. Há pessoas que não possuem planejamento e visualização de seus sonhos. Com frequência respondem "não sei", ao serem questionadas sobre suas responsabilidades, desejos e metas. Você conhece pessoas assim? Quando há planejamento e objetivos, o monitoramento dos resultados passa a ser frequente, principalmente para a correção de algo equivocado que possa ocorrer. Lembre que você é principal responsável por transformar erro em acerto. Faça uma avaliação de seus resultados e perceba que, inúmeras vezes, você pode evitar o retrabalho, colocando em prática o compromisso de monitorar seu desempenho. Vamos tentar?

Apresentei no início do texto, a conduta da aeromoça no interior da aeronave. Lembra? Certamente seu desejo seria voltar no tempo e corrigir o comentário realizado. Sendo possível voltar no tempo, o que você faria diferente na sua vida? O que impede você de colocar em prática o desejo de uma transformação agora. Qual motivo de deixar para amanhã, a oportunidade de demonstrar profissionalismo, competência e desejo de vencer? Um aluno gostaria de voltar o tempo, e estudar mais para uma avaliação que não conquistou uma nota suficiente para passar de ano. Mas isso não é possível, você concorda? Lembre que o passado serve como recordação e experiência. O amanhã pode ser tarde demais para você viver um grande amor, uma nova descoberta, um novo amanhecer.

08 de Julho de 2011

DECISÃO DE PRONÚNCIA NO TRIBUNAL DO JÚRI

Gabriel Henrique Pisciotta - ADVOGADO  - Laís Caldeira Pegoraro - Estagiária


Há um grande embate doutrinário e, principalmente, jurisprudencial, sobre qual dos dois princípios (in dubio pro reo ou in dubio pro societate) deverá ser aplicado quando, mesmo após a instrução da primeira fase do procedimento do júri, houver razoáveis dúvidas quanto à autoria ou a participação do acusado. É oportuno aqui esclarecer que in dubio pro reo, também conhecido como favor rei, favor inocentiae ou favor libertatis, é um princípio constitucional implícito ao processo penal. Segundo esse princípio, quando, na relação processual, houver conflito entre a inocência do réu, e sua liberdade, e o direito/dever do Estado de punir, havendo dúvida razoável, deve o juiz decidir em favor do acusado. O mesmo ocorre no tocante à interpretação de dispositivos processuais penais, pois, havendo dúvida razoável quanto ao seu real alcance e sentido, deve o magistrado optar pelo entendimento mais favorável ao réu. Um exemplo concreto da aplicação desse princípio no Código de Processo Penal é encontrado em seu artigo 386, VII, referente à absolvição do acusado quando não existir nos autos provas suficientes da imputação formulada pela Acusação. "Art. 386. O juiz absorverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça: VII - não existir prova suficiente para a condenação"  Nesse contexto, o acusado é presumido inocente até que se demonstre o contrário. O princípio do in dubio pro reo situa-se dentre aqueles vinculados ao indivíduo. Na realidade, ele tem estreita relação com o princípio da não culpabilidade (art. 5º, LLVII, CF), o qual define que todos os seres humanos nascem livres e em estado de inocência, sendo permitida a alteração desta situação somente quando houver prova idônea produzida por meio do devido processo legal. Não existindo tais provas idôneas ou havendo dúvidas sobre a ocorrência do fato e os seus possíveis autores, o magistrado deverá optar por uma decisão favorável ao réu, preservando-se assim o seu estado natural de inocência.  Até mesmo, porque, em regra, compete ao órgão acusatório a prova da materialidade e da autoria delitiva (art. 156, caput, CPP); se a Acusação não foi hábil a comprovar o alegado contra o indivíduo, este não pode ser condenado com base em provas circunstanciais e temerárias, resguardando-se, além do mais, o Estado Democrático de Direito e a dignidade humana. In dubio pro societate, por sua vez, embora muitos o considerem como sendo um princípio inerente ao direito processual penal, mais especificadamente ao procedimento especial do júri, ele não passa de um brocardo jurídico criado por vias doutrinárias, cujo significado é "na dúvida, em favor da sociedade". Trata-se de um "princípio" antagônico ao do in dubio pro reo, eis que, ao contrário deste, não havendo nos autos elementos probatórios firmes e livres de risco a indicar a provável autoria ou participação do crime, prefere adotar uma medida mais gravosa ao réu.

Atualmente, a grande maioria dos magistrados atuantes nas diversas varas do júri espalhadas por todo o país prefere remeter o acusado a julgamento perante o Tribunal Popular mesmo havendo significantes dúvidas no tocante à sua autoria. Tais juízes argumentam que, como o objetivo da fase do judicium accusationis é meramente a realização de um juízo de admissibilidade da acusação, não é necessário, para a pronúncia do réu, que exista certeza sobre a sua autoria ou participação, bastando meramente indícios nesse sentido, independentemente se o conjunto probatório, analisado como um todo, gere dúvidas sobre esse assunto. Daí que não vige o princípio do in dubio pro reo, mas sim o in dubio pro societate, resolvendo em favor da sociedade as eventuais incertezas propiciadas pela prova. Os adeptos desse entendimento, para reforçar as suas convicções, utilizam como argumento o fato de que como a competência para julgar os crimes dolosos contra vida, sejam eles consumados ou tentados, é fixada constitucionalmente, somente os jurados podem dirimir quaisquer dúvidas, não podendo aqueles adentrarem ao mérito da causa. Consideram essa medida a mais adequada, uma vez que, não remetendo tais casos a julgamento perante o seu juiz natural, estariam usurpando essa competência constitucional do júri. Sendo assim, entregam o acusado ao Tribunal Popular, tendo os jurados o papel de resolver as dúvidas, prevalecendo-se assim as suas vontades, que, no caso, será a vontade da sociedade. É daí que surge o nome in dubio pro societate. Outrossim, outro argumento frequentemente utilizado é concernente ao fato desses adeptos acreditarem que, mesmo após a pronúncia do acusado e até a sessão do plenário, há a possibilidade de surgirem novas provas que esclarecerão as presentes dúvidas. Entretanto, em conclusão, constata-se que os argumentos a favor da incidência do brocardo jurídico in dubio pro societate são insuficientes, não possuindo, tal brocardo, qualquer relação de parentesco com o ordenamento jurídico pátrio. Deste modo, conclui-se que perdurando dúvidas após a instrução processual realizada na primeira fase do júri, sejam elas referentes à materialidade ou à autoria delitiva, deve o magistrado optar pela impronúncia do acusado, aguardando-se provas mais aptas antes de remetê-lo a um Tribunal leigo e soberano, evitando-se assim que qualquer inocente seja condenado, resguardando o princípio da dignidade da pessoa humana.

01 de Julho de 2011

Arraiás da memória

Walter Medeiros - Jornalista - E-mail: waltermedeiros@supercabo.com.br


Os festejos juninos, principalmente para nós, nordestinos, proporcionam momentos agradáveis e felizes, que vêm das nossas raízes e ligações com a terra, a caatinga, o sertão. Algo como ouvir aquele acorde da sanfona e as batidas da zabumba e do triângulo; como comer aquela espiga de milho cozido ou assado; aquele pratinho de canjica; aquela pamonha. Tudo isso junto forma aquele tradicional arraiá, que antigamente era feito quase por rua, e há alguns anos passou a ser concentrado na disputa para saber quem faz o maior do mundo.

Meus arraiás estão guardados na memória, e deles tenho aquela saudade de quem já sabe que foram felizes e ficaram lá no passado. O “Arraiá do Xico Careca”, do tempo da Av. Rafael Fernandes – anos 60; o arraiá da Rádio Cabugi e Tribuna, feito aos pés da antena que ficava nos transmissores da estrada da Redinha, à época tão longe; o arraia do Movimento Estudantil, onde dançamos até ao som de Belchior; o Arraiá do Pinguinho de Gente, acompanhando a criançada; o Arraiá do SESCT aguatinga, quando morava em Brasília; o Arraiá de Alfama, com o manjerico, dois anos atrás (foi de lá que vieram tantos trejeitos bons); e hoje o “Arraiá da UNICAT”, nosso local de trabalho.

Sempre que se fala em arraia, vêm à mente aquelas músicas que tanto marcaram os citados momentos: “Ai, São João / São João do Carneirinho...”, “Tem tanta fogueira / tem tanto balão...”, “Zabé como é que pode / eu viver longe de você...”, “Eu fiquei tão triste / eu fiquei tão triste naquele São João...” mas para marcar as quadrilhas eram sempre as marchas animadas, porém não tanto. Hoje multiplicaram as batidas e as quadrilhas dançam num ritmo frenético e desconforme, que as distancia daquele passo tão confortável de antigamente.

Movimentando o arraia, agora vemos gente fantasiada com trajes meio carnavalescos, e na TV dizem também que a estrutura de confecção das vestes é idêntica à dos barracões das escolas de samba, algo meio Carnaval. Aos poucos foram sumindo aquela fogueira em que se assava milho e elegia os compadres, as comadres, os afilhados e as afilhadas, sob os versos inesquecíveis do “São João Disse / São Pedro confirmou...” tão fortemente cantado por Luiz Gonzaga.

Não sou contra os grandes forrós. Apenas não consegui ainda me situar neles. E até mesmo por bairrismo, torço para que Mossoró ganhe de Caruaru e Campina Grande, para que nossos conterrâneos passem a ostentar o título de maior São João do Mundo. Apesar da discriminação da mídia, que mostra até coisas menos importante, pois deixa demostrar qualquer festejo junino do Rio Grande do Norte, haja vista o Globo Repórter passado.

01 de Julho de 2011

A ALDEIA

Tomislav R. Femenick  - Professor - Autor do livro “O Brasil na Crise Global”


Em 1967 o psicólogo canadense Marsshall McLuhan desenvolveu o seu tão falado conceito de “aldeia global”: o mundo se transformaria numa aldeia, como resultado da revolução tecnológica, principalmente nos setores das comunicações e transportes. McLuhan visualizou a sua aldeia global muito antes da existência da Internet, dos telefones móveis, da banalização da aviação de massa e quando o Brasil era uma espécie de ilha exótica, isolada do resto do mundo pela ditadura militar e pelas peculiaridades de nossa política econômica.

O nosso país só entrou na atual fase de globalização econômica na última década do século XX. Até o governo de José Sarney, vivíamos quase que segregados técnico e economicamente do resto do mundo. Não obstante o crescimento das exportações, nossas relações com os outros países revelavam-se reduzidas, pequenas e limitadas. As importações eram restritas a poucos itens e chegamos ao ponto máximo da insensatez quando foram proibidas as entradas de produtos de informática (hardware e software), isso para que os computadores, seus componentes e programas fossem desenvolvidos internamente. Estávamos desesperadamente tentando reinventar a roda.

Somente no governo Collor o Brasil se inseriu na atual onda daglobalização, porém de maneira desordenada, sem planificação e sem se preocupar com os reflexos desestabilizadores que uma abertura econômica abrupta teria sobre o sistema produtivo nacional. O que se questiona é o quanto de acerto teve essa política de abrir o mercado interno, sem medir o risco que a importação descriminada e descontrolada traria para a indústria, para a agricultura e outros setores produtivos do país. Dando continuidade ao processo, o país adotou a globalização como filosofia econômica, durante o primeiro e o início do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, com todos os benefícios e riscos: livre entrada e saída de capitais, flutuação da moeda, livre importação de mercadorias etc.

Os meios de comunicação de massa vêm utilizando a palavra globalização nos mais variados sentidos e contextos. Os termos globalização, global, globalizante, mundialização, internacionalização etc. tornaram-se palavras com o poder de explicar os mais variados temas da atualidade. Mas, afinal de conta, o que é essa tão falada globalização? Segundo o também canadense John Kenneth Galbraith, a “globalização é um processo de integração mundial que está ocorrendo em todos os setores: de comunicação, economia, finanças, negócios, e está afetando indivíduos, empresas e nações. O principal fator da globalização para a administração [das empresas], é que altera os fundamentos sobre os quais a economia mundial se organizou” nos últimos 60 anos.

Embora pareça paradoxal ver as pessoas lutando por suas individualidades, cada um buscando sua identidade, sua cultura, sua impressão digital, mais respeito à sua privacidade, ao mesmo tempo em que o conceito de globalização se espalha por todos os campos. Talvez essa convivência paradoxal tenha origem na própria essência humana, que busca a concretização da ideia de um mundo sem fronteiras. O crescimento brutal da informática e das telecomunicações tem sido determinante para esse processo de integração da pluralidade humana. A queda das barreiras alfandegárias, a formação de blocos econômicos, a velocidade nas comunicações, as mudanças tecnológicas e o fluxo de capitais internacionais são as principais forças que estão alterando e moldando uma nova visão mundial.

Hoje, vive-se um momento de transformação equivalente ao ocorridodurante a Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, com a diferença de que agora a velocidade das mudanças é muito maior. Embora não tão perceptível para todos, é interessante notar que o que ocorre no panorama mundial também ocorre no interior das empresas. Esse fato tem exigido uma grande transformação organizacional e por isso se tornou em um enorme desafio para muitas organizações que são, em muitos casos, incapazes de reinventar seus setores e refazer suas estratégias e táticas para enfrentar as novas situações; a novaconjuntura tecnológica, econômica e empresarial e, mais importanteainda, de enfrentar o fato de que seus concorrentes não são somente internos, mas do mundo todo. Nas sociedades que não encaram a realidade do novo tempo, os problemas de refazer a feição organizacional são proporcionais às suas crises, pois perdem o caminho e o trem do lucro, Grandes empresas brasileiras fizeram o dever de casa e até mais, se internacio-nalizaram, como Grendene, Embraer, Gerdau, JBS-Friboi, Vale, Volcarás/Azaleia, Petrobras etc. Outras se fortaleceram internamente, para concorrer em pé de igualdade com suas concorrentes estrangeiras. Outras fecharam suas portas. O capitalismo não perdoa a ineficiência.

24 de Junho de 2011

UMA DISCUSSÃO AMPLA

Márcio Cézar - Jornalista                           


Tenho acompanhado a discussão e noticiário sobre a mobilidade urbana de Natal, em preparação a Copa de 2014, quando está previsto que a cidade será uma das sedes. Nada mais justo a preparação da cidade quando se espera que milhares de torcedores e turistas estejam por aqui.

Agora, não adianta nada realizar essa grande obra, tão esperada e discutida por muitos, quando não se coloca nos projetos a discussão da Região Metropolitana, composta por dez municípios: Macaíba, Extremoz, Ceará-Mirim, Monte Alegre, Nísia Floresta, São José de Mipibu e Vera Cruz, sendo considerado o núcleo urbano da capital, Parnamirim e São Gonçalo, que são municípios limítrofes. 

É bom relembrar que a Região Metropolitana, apesar da existência de uma Lei que regulamenta, não conseguiu sair do papel, tudo por causa da "paternidade", muita gente querendo ser o mentor e isso impediu seu desenvolvimento. Como vamos justificar essa obra de mobilidade em Natal se não existe nada para essa região? Será que os governos - Federal e Estadual - não estão observando essa nova realidade?

A Região Metropolitana de Natal corresponde a 5,16 por cento do território do Estado, com uma população superior a 1,350 milhão de habitantes, isto representa 42 por cento da população do Estado, além de 48 por cento do PIB. A partir desses dados, começo a observar que não estão levando muito a sério essa Região Metropolitana.

Não tenho conhecimento que prefeitos ou seus representantes tenham sido convocados, pelo Governo do Estado, para discutir o impacto que a Copa 2014 trará para esses municípios, onde parte deles são corredores de entrada de torcedores/turistas.

Em uma ação isolada da CBTU, há poucos dias, pela primeira vez, os prefeitos de Parnamirim e Macaíba foram convidados para discutir sobre o Veículo Leve sobre Trilho - VLT, os grandes interessados estavam ausentes da discussão. Não acredito, que se obras estruturantes não forem realizadas no cinturão da capital, o seja na Região Metropolitana, possamos ter sérios problemas para a realização da Copa 2014. Vamos esperar que todos os interessados- municípios que serão atingidos pelo evento, sejam convocados para saber o que será feito para diminuir o impacto da Copa.

24 de Junho de 2011

SEU EGO CABE NA SALA DE REUNIÕES?

Dalmir Sant'Anna - Palestrante comportamental - www.dalmir.com.br


Cheguei a um resort para apresentar palestra. Estava tudo pronto paracomeçar minha apresentação, quando um participante do evento comenta: "Dalmir, você está preparado? Na platéia terá a maior quantidade de ego, por metro quadrado, que você já imaginou". Comecei a sorrir com o comentário e depois da palestra, fiz várias reflexões de como há também em universidades, empresas e órgãos públicos, pessoas fazendo questão de mostrar suas conquitas para inflar o ego e transmitir um ar de superioridade, arrogância e prepotência. Nas dicas a seguir, descubra como neutralizar um exibicionista durante uma reunião e conquiste maior envolvimento dos participantes. Tempo é algo precioso demais - Ao participar de uma reunião, note que o tempo é algo primoroso. Outras pessoas abriram mão de atividades para estar ouvindo, opinando e corrigindo equívocos de questões que fazem parte da pauta. Se você está com o uso da palavra, evite ficar enaltecendo suas conquistas, ou ainda, demoradamente fazer expressivos elogios a si mesmo. Busque tornar o tempo de uma reunião um debate amistoso, produtivo e rentável. Esteja atento aos resultados - Desenvolva o hábito de anotar os itens acordados durante a reunião. Não permita tornar as promessas em simples palavras soltas ao vento. Crie a disciplina de registrar o nome de quem assumiu o compromisso e um prazo (data) para a realização. Quando uma pessoa permite que seu ego, seja maior do que sua ação diz com frequência: "Deixa comigo! Eu sempre fiz isso! Eu sou o bonzão!". Além de distanciar respeito ao próximo, abandona ênfase aos resultados. Na estrutura psíquica do ser humano, o ego pode ser um aliado positivo para contribuir com a autoestima e motivação, entretanto, algo prejudicial quando usado parade monstrar autoritarismo, prepotência e arrogância. Acredito ser algo louvável sentir orgulho de conquistas, mas algo hipócrita está na ação de tornar suas conquistas um orgu-lho somente para inflar o ego diante de outras pessoas. Agora responda: Como está o tamanho de seu ego? Você controla seu ego durante uma reunião?

17 de Junho de 2011

REFLEXÕES SOBRE A CONCRETIZAÇÃO DO ATO DE FAZER O BEM

Jornalista Flávio Rezende - acasadobem@gmail.com


Como a grande maioria dos meus leitores sabe, dirijo na cidade do Natal a ONG intitulada Casa do Bem. Para que uma entidade assim funcione é preciso ter um suporte financeiro. Nos últimos anos de minha existência na presente materialidade terrena, dediquei boa parte do que chamam de horas para construir este ma-ravilhoso espaço solidário de amor ao próximo. O sonho foi realizado e a Casa do Bem existe de fato. Depois me esforcei e até que estou tendo êxito em dotar o equipamento com a mobília necessária para sua funcionalidade. Agora chegou a vez de obter junto aos amigos, os recursos necessários, para que somados aos que pessoalmente coloco lá, a Casa do Bem possa continuar beneficiando tantas pessoas, com ações humanitárias nas áreas da educação, cultura, esporte, lazer e alimentícia também. É justamente nesta parte, que acreditava ser fácil, pois o que estou pedindo através da campa-nha “Gente do Bem” é a simplória colaboração dos que me conhecem e acreditam que o que fazemos é importante, no valor de R$ 20, 30, 50, 100 ou o valor que for possível, através de transferência bancária, mas, o que está acontecendo, é uma total indiferença a campanha, com poucos abnegados realmente fazendo as programações mensais de ajuda. Tenho pensado muito a respeito do assunto, pois recebo e-mails, posts no facebook e no twitter de pessoas dizendo que vão ajudar, ai quando olho no extrato da conta, não aparece àquela boa vontade. Muitos amigos falam maravilhas da Casa do Bem, louvam minha dedicação, acreditam que esse é o caminho certo, ai falo que estamos precisando de ajuda, mas o interlocutor não manifesta desejo de ajudar e, geralmente são pessoas que podem, pois, afinal o que é doar algum valor para uma ONG que não se envolve nem com política e nem com religião, que ajuda tanta gente, uma colaboração mensal entre R$ 20 e R$ 100 reais? Eu mesmo apesar de ter perdido praticamente todos os meus clientes de assessoria de imprensa pelo receio que eles têm da minha companhia, certamente temendo que eu peça algo para a Casa do Bem, colaboro não só com a Casa do Bem, mas com diversas outras entidades. Não consigo entender então por qual motivo amigos meus que ganham sempre mais que 10, 15 e uns até 20, 30 mil reais, não ajudam com algum valor? Tenho ou não tenho motivo para ficar reflexivo? O que engessa essas pessoas no sentido de não mover palha para finalizar o ato e programar a ajuda? Sentar no computador – o que todo mundo faz todo dia em vários momentos, entrar em sua conta e programar a transferência não leva mais que minutos. Vejo pessoas às vezes removendo montanhas para conseguir a cortesia do ingresso para um show, o abadá de um bloco, que prestigia aniversários, comemorações, atendem todos os convites de formaturas, batizados, festinhas de amigos, inauguração de lojas, vão para jogos de futebol, mas, fazer o bem, atender o  convite, a convocação de um amigo para ajudar de maneira simplória uma causa humanitária, exigindo apenas uma sentada no computador e uma programação rápida de transferência de valores, não fazem isso. Não consigo entender essa dificuldade que as pessoas têm de fazer o bem. Se não pode ir lá dar uma aula, ensinar algo, participar da festinha das mães, da páscoa, da quadrilha, do Natal, colabore financeiramente que é muito importante. Nenhuma entidade vive de elogios e quase todas em Natal passam por problemas. Tudo que estou desabafando aqui serve também para as outras ONGs que passam pela mesma situação da Casa do Bem. Algumas conseguiram projetos e convênios, ótimo, na Casa do Bem prefiro trabalhar com essa ajuda dos amigos, não quero muito dinheiro de convênios e projetos, pois quero conduzir os trabalhos de maneira poética, com amor, quando entra muito di-nheiro a gente perde o controle e a corrupção pode se instalar, eu ficarei preocupado com aprestação de contas de tanto dinheiro e, a partir daí, não conseguirei mais dormir e, perdendo a poesia da coisa, perderei a tesão e a vontade de amar a todos e de servir a todos sem querer nada em troca. Peço ajuda simplória de valores pequenos para dar suporte financeiro a Casa do Bem e continuar ajudando tantas pessoas de diversas maneiras. Basta você sentar no computador alguns minutos e entrar em sua conta do Banco do Brasil ou de outro banco e realizar a transferência mensal por tempo indeterminado. Quando quiser cancelar, entra novamente e cancela você mesmo. O procedimento via Banco do Brasil é, depois da senha, você vai ao link conta corrente e consulta depois transferências, depois mesada e em seguida autorização. Neste momento aparece o quadro e você preenche o valor, o tempo, o dia que sai de sua conta. A nossa conta é 26847-X – agência 1668-3 – Banco do Brasil. Se você não gerencia sua conta pela internet, vá ao seu banco e peça ajuda dos funcionários que eles fazem isso. Temos mais informações no site www.casadobem.org.br.

10 de Junho de 2011

VENCER OU PERDER: O DESAFIO DE VALORIZAR O TRABALHO EM EQUIPE

Dalmir Sant'Anna - Palestrante comportamental


Já fazia algum tempo, que eu não assistia a um jogo de futebol ao vivo. Chegando ao estádio, a agitação da torcida, os gritos e aplausos transmitiam intensas emoções. Sentado na arquibancada, antes de iniciar o jogo, por alguns momentos imaginei a relação existente entre um time de futebol e o ambiente corporativo. Perceba nos itens abaixo, algumas considerações para contribuir com o clima organizacional e valorizar o trabalho em equipe.

A entrada dos atletas no campo - Muita comemoração na entrada dos jogadores ao campo, com faixas, papel picado, aplausos, buzina e festa. Pare durante alguns segundos para refletir, como seus funcionários são recebidos na segunda-feira. O que você está fazendo para inspirar e motivar um novo integrante da equipe? O que você faz para comemorar o aniversário de um funcionário? Com base na minha experiência na área comportamental, convido você a fazer um teste que consiste em preparar uma recepção para quem está voltando de férias. Transforme o retorno ao trabalho em algo gratificante e estimulante. Vamos tentar?

O momento do gol - Realmente é algo indescritível sentir a torcida no estádio levantar eufórica ao comemorar um gol. O atleta pula e grita com a torcida, celebrando sua competência. Um sinal de vitória que na vivência operacional, muitas vezes é esquecida. Um vendedor conquista uma meta e o gerente diz: "Não fez mais que a obrigação". Mas qual era a obrigação da gerência? Quantas vezes você reuniu a equipe para comemorar uma vitória? Lembre que a ausência de reconhecimento pode ser capaz de gerar desmotivação e a falta de comprometimento.

Ataque e defesa permanente - Quando sua equipe conquista um triunfo, você também é uma pessoa vitoriosa. O individualismo cede espaço ao trabalho coletivo. De que adianta contar com uma equipe de vendas excelentes, se o setor de logística apresenta resultados insatisfatórios? Em uma escola não adianta dispor de excelentes professores, se na secretaria o aluno recebe um péssimo atendimento. O ataque é importante para marcar gol, mas deve existir uma defesa permanente para coibir a derrota.

Nenhuma torcida vai ao estádio para assistir o time perder. Próximo ou distante, há alguém torcendo para você conquistar o melhor posicionamento, receber o passe, dominar a bola e marcar o gol da vitória. Transformar o suor em troféu não é uma tarefa fácil. Muitas pessoas pensam que é somente jogar e, esquecem a relevância do treinamento. Ao término do jogo, os atletas precisam rever seus pontos negativos e aprimorar os pontos positivos. Isso somente é possível com treinamento, diálogo e troca de experiências. Quando apresento palestra para empresários, gosto de enfatizar que "vencer não é sorte. Vencer é se comprometer com o sucesso que você quer alcançar". Qual é o resultado que você deseja para você e sua equipe?

10 de Junho de 2011

ABANDONADO

Márcio Cézar - Jornalista 


A minha formação como homem e cidadão teve três pilares importantes: a família, a escola pública e a Igreja. Aqui quero destacar a importância que a Igreja teve nessa formação, iniciada em Potilândia sob a orientação de Padre Pio, que chegou para desbravar esse bairro, na época, tão distante do resto da cidade.

Quem conhece a história da Igreja, em Natal, sabe que duas figuras marcaram esse trajeto: Padre Pio na zona sul da cidade e Padre Tiago na zona oeste, hoje na zona norte. Por coincidência os dois estrangeiros, um holandês e outro belga. Eles foram responsáveis pela formação de centenas de jovens na cidade de Natal. Hoje, esses jovens, já são adultos, médicos, advogados, jornalistas, entre profissões escolhidas. Outros enveredaram por caminhos da política exercendo cargos públicos que tem como meta o bem comum tanto difundido pela Igreja nas décadas de 60, 70 e 80.

Faço essa contextualização para que possam compreender a situação que passa Padre Tiago, que foi festejado por muitos, entre políticos e go-vernantes e hoje se encontra doente com poucos visitantes por lá. Em conversa com um amigo tomei conhecimento que era necessário 35 reais para comprar um medicamento e foi solicitado a ele.

Como se explica que uma pessoa como Padre Tiago, que desenvolveu um trabalho social importante na cidade do Natal passe por essa situação. Tenho discutido com algumas pessoas a situação dos Padres e me pergunto: quantos passam por essa situação? Lembro de Padre Alcides, falecido recentemente, que morava no seminário São Pedro porque não tinha onde ficar, Padre Penha, que passou pela mesma situação de abandono. Agora, estamos vendo a situação de Padre Tiago que passa dificuldades para comprar sua medicação.

Muitas vezes criticamos os padres porque "pedem demais", mas quando vemos esse tipo de situação tomamos consciência que tudo é em função de um trabalho desenvolvido e que eles - os padres - terminam abandonados, sem um apoio quando mais precisam de ajuda. É o alerta para o futuro de muitos que desenvolvem seu trabalho Pastoral no Estado, terminam abandonados e sem apoio no fim da vida,quando merecem o descanso.

03 de Junho de 2011

O ESCRITOR JOSÉ BEZERRA GOMES E O SERIDÓ

Eliabe Davi Alves - escritor


É notável a não valorização de nossos bens culturais. Há também certos governos que não colaboram com a preservação do patrimônio cultural, que formaram a nossa identidade coletiva. E, geralmente por falta de conhecimento, o cidadão comum não percebe o valor das produções artísticas locais. Diante dessa problemática não é difícil compreender quais são os motivos que levam as pessoas a desconhecerem José Bezerra, escritor cuja obra literária é o mais perfeito retrato poético e ficcional da região do Seridó Potiguar.

José Bezerra Gomes traduziu em palavras as tradições e costumes do povo seridoense, cantou em verso e prosa o encantamento da vida sertaneja. Seus romances estão situados na estética modernista do regionalismo prosaico nordestino protagonizado por um time de grandes escritores como: José Lins do Rego, que escreveu Menino de Engenho, Fogo Morto e Usina, romances relacionados ao ciclo da cana de açúcar; Jorge Amado, com os livros Cacau, Suor e Jubiabá; Graciliano Ramos, com o dramático Vidas Secas; José Américo de Almeida, autor de A Bagaceira e Rachel de Queiroz, com o memorável O Quinze. Nesse dado momento, José Bezerra escreve Os Brutos, depois Por que não se casa doutor?, romances do ciclo do algodão.

O também advogado José Bezerra Gomes nasceu em Currais Novos/RN em 09 de marco de 1911. Publicou os seguintes livros, por ordem cronológica: Os Brutos (Irmão Pogentti Editores, Rio de Janeiro, 1938); Por que não se casa, Doutor? ( Edição Surto, Natal, 1944); A Porta e o Vento ( Fundação José Augusto, Natal, 1975), Retrospectiva da vida do presidente Tomaz de Araújo Pereira, Clima-separata do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte em 1981 (IHDG). Publicou ainda Teatro de João Redondo (Fundação José Augusto, Natal, 1975), uma monografia de interesse histórico e geográfico sob o título “Sinopse do município de Currais Novos”. Faleceu em Natal/RN no dia 26 de maio de 1982, deixando vários estudos preparados, que reclamam às autoridades, providências em termos das publicações: Minha árvore genealógica, A figura do Duque de Caxias e, sobretudo, o romance inédito, Ouro Branco.

Segundo o intelectual Nei Leandro de Castro, a estréia de José Bezerra na literatura foi saudada pelo que havia de melhor na crítica do Rio de Janeiro. No universo ficcional de suas criações narrativas estão: a paisagem física e humana do Seridó, campos de algodão e os tipos humanos às voltas com dramas socias e existenciais.

Moacir Cirne disse, certa vez, que oito ou nove poemas de José Bezerra valem por quase toda a literatura norte-rio-grandense anterior a 1960. É conveniente lembrar que, este ano, comemora-se o seu primeiro centenário de nascimento. Por isso, quero chamar a atenção das pessoas e instituições culturais de nosso Estado para que não deixem passar em branco esta data, a qual merece celebrações e homenagens. Como disse o grande Monteiro Lobato, “um país se faz com homens e livros!”. Se você gosta de bons livros, leia as obras de José Bezerra Gomes, e perceba a riqueza de sua produção literária.

27 de Maio de 2011

CENTO E NOVE ANOS DA TRAGÉDIA DO PAX

No dia 12 de maio último celebrou-se cento e nove anos de morte do aeronauta, cientista, deputado federal, pesquisador, escritor e pioneiro da aviação Augusto Severo de Albuquerque Maranhão.

Nasceu em Macaíba a 11 de janeiro de 1864, num sobrado já demolido na praça que tem o seu nome. Filho de Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão e Feliciana Maria da Silva e Albuquerque, Augusto, enquanto garoto e adolescente, teve mais contato com a cidade, dividindo-se com Natal onde fez os estudos preparatórios. Matriculou-se na Escola Politécnica no Rio de Janeiro, onde o clima foi hostil a sua saúde, voltando para o Rio Grande do Norte. Recuperou-se mas não quis retornar ao Rio para concluir os estudos, dedicando-se ao magistério no colégio fundado por seu irmão Pedro Velho. Trabalhou no Porto dos Guarapes com Fabrício Gomes Pedroza, mas logo envolveu-se nas agitações políticas pela causa abolicionista e na propaganda republicana, onde destacou-se como orador e jornalista.

Foi deputado ao Congresso local em 1892 e no ano seguinte deputado federal reeleito sucessivas vezes até a sua morte. Mas, apesar de haver desempenhado a vida pública com brilhantismo, não foi através dela que se tornou famoso mundialmente. Foi, exatamente, a pesquisa e o estudo desenvolvidos desde o verdor dos anos para descobrir a dirigibilidade dos balões. O ano de 1893 assinala definitivamente o marco de sua luta cientifica no enfrentamento das maiores dificuldades para provar a sua teoria. Quando obteve do governo federal a autorização e aporte financeiro para que fosse construído no Realengo (RJ) um pequeno balão para provar as suas experiências e o valor do seu invento, surgiram inimigos políticos que lograram a revogação da ordem anterior, prejudicando o seu projeto.

Ato contínuo, Severo não desanimou, e em 1901, seguiu para Paris. Com os recursos próprios e de doações de amigos construiu o balão Pax para voar na efervescente capital da Europa, para onde haviam aportado os mais consagrados inventores e pioneiros da aviação no crepúsculo do século dezenove e nos albores do século vinte. "O balão subiu, obedecendo docilmente o seu comando, mas, num momento dado, a explosão do motor produziu o incêndio da aeronave e a sua consequente queda, sendo Augusto Severo precipitado, gloriosamente morto, sobre a Cidade Luz", é a descrição histórica, repetida e triste do dia 12 de maio de 1902, da morte do mártir da ciência e patrimônio moral da humanidade.

Mas a pergunta que não quer calar e que desafia os pesquisadores e biógrafos do aeronauta é a seguinte: Severo não teria sido vítima da dificuldade financeira que lhe impôs a aquisição de equipamentos de inferior qualidade? Ele mesmo reconheceu, aflito, que poderia ocorrer um sinistro. Mas o entusiasmo e o afã de servir à ciência, á humanidade foram superiores ao medo físico, à dor e à saudade de deixar a família que unida assistiu contrita o desenlace em Paris. Um inventor brasileiro ao qual o Governo da União fechou as portas, obrigando-o ao "asilo" na França para provar o seu invento. Se fosse hoje, o presidente da República teria o repúdio da sociedade porque o país que expulsa cientistas só merece a lata do lixo da história.

Por tudo que Augusto Severo sofreu, desde as humilhações no Brasil até a terrível dor física do corpo em chamas, sem renegar a pátria, merece com justiça e justeza que todos os potiguares se unam numa prece votiva pelos cento e nove anos dessa tragédia.

20 de Maio de 2011

CAUSOS POR CIMA DE CAUSOS

01) Noite de autógrafo no Iate Clube de Natal. O nosso condestável jornalista e imortal Paulo Macedo lançava o seu novo Dicionário Social do Rio Grande do Norte. Amigos de perto e da distância se espalhavam por toda parte numa noite de glamour que só Paulo sabe produzir. Ali perto, o rio e o mar exalavam o cheiro forte de sal e sargaço. O nosso grupo: Manoel de Brito, Tertuliano Pinheiro, Patrício Junior e eu, comentávamos a vida, o tempo e a circunstância. Durante o papo, a unanimidade do aplauso recaiu no jurista e escritor Ivan Maciel de Andrade, que escreve na Tribuna do Norte. Ante a observação literária e prazerosa de que o arti-culista, vez em quando, gosta de dissecar sobre a sensualidade das voluptuosas personagens femininas, Manoel de Brito não reprimiu a sua verve: "O autor deu pra vida. Aderiu ao ramo".

02) Mossoró sempre foi palco de campanhas políticas acirradas. Após uma delas, prefeito empossado, Dix-Huit Rosado com a folha do funcionalismo à mão chamou o seu auxiliar Hirohito, que me repassou esta história. "Você conhece essa moça?", pergunta o velho alcaide. "Sim senhor", respondeu o servidor municipal. "Indaguei porque um amigo nosso pediu a promoção dela para um cargo maior, o que você acha?". E continuou ante a hesitação do auxiliar. "Não foi ela que jogou um balde de água em nós na caminhada pelo bairro Carnaubal? ". A boa memória do prefeito não podia ser contestada. "Foi, sim senhor", anuiu o correligionário. Mas Dix-Huit se debatia também dentro de si mesmo. E cresceu a perplexidade: "Como é que o nosso amigo me exige beneficiá-la?". Por fim, veio a reflexão, na qual o estadista sobrepujou o político: "Pior seria, Hirohito, se fosse um balde de bosta, não acha?". No dia seguinte, saiu a portaria promocional.

03) De Mossoró vamos a Baraúna, onde Moisés de Oliveira exercia liderança política no município. A sua filha era bonita e o pai, de tão orgulhoso de sua beleza, afirmava sempre: "Minha "fia" só casa com o cabra que for prefeito. Vereador num é nada". Moisés mal sabia que a filha curtia uma paixão secreta pelo motorista da prefeitura. Numa noite festiva com parque de diversão, serviço de som e suas mensagens musicais "de alguém para outro alguém", a jovem Rosália, sorrateiramente, chegou ao "estúdio" da amplificadora e endereçou uma "jóia musical" sob o título "Amor proibido". A oferenda estava assim escrita: "De um alguém de saia azul para outro de iniciais "OX"". Aí, o locutor curioso, se interessou e puxou conversa só para desfrutar da presença da linda mulher. "Quem é esse felizardo?", quis ele saber. Rosália para se camuflar cada vez mais confidenciou: "É segredo e não diga a ninguém. "OX" quer dizer "Ontonho Xofer"".

04) O velho Mineca Guilherme, senhor de muitos hectares de terras em Angicos, foi informado por um dos seus vaqueiros que em sua propriedade, havia um acampamento de ciganos e o "sumiço" de algumas ovelhas. Mineca, à tardinha, selou o cavalo e foi até local indicado. O cigano Carnaúba, chefe do grupo, foi receber o fazendeiro. "Boa tarde, meu rei", disse Carnaúba. "Estamos em suas terras, mas logo, logo, vamos levantar acampamento". Mineca falou: "Acho bom mesmo. Até por que, meu morador viu esse menino (apontando para um guri), levando umas das minhas cabras. Eu não estou gostando disso". O cigano rebateu: "O quê? Se foi esse moleque eu vou dar-lhe uma surra agora e pagar seu animal. Vem cá, Pedro Nega", chamou o menino já com a chibata à mão. "Diz logo Pedro Nega, tu pegou ao menos nos chifres dessa cabra? Fala Pedro Nega...". O menino fingindo medo, choramingou: "Não sinhô...". "Tá vendo ganjão", disse o cigano, "Esse menino não mente nem pra ganhar dinheiro". "Eu acho que sua cabra caiu foi no açude e se afogou. Levanta vôo turma, o povo daqui vê chifre em cabeça de cavalo". E deu no pé pra não pagar o caprino.

13 de Maio de 2011

MANIFESTO CONTRA O PREÇO DO COMBUSTÍVEL

Eric Cavalcanti


Após refletir, por diversas vezes, sobre o que nós estudamos nos bancos das universidades, emano inquirindo se o que meus ilustres docentes e por que não proferir catedráticos, afirmam que, na área jurídica, apenas os juízes adotavam o principio da inércia, ou seja, deveriam ser provocados para poder tomar determinada atitude. Todavia na contemporaneidade, não entendo isso, ou melhor, eu não creio que só os nobres magistrados são inertes, acredito que os senhores procuradores do Ministério Público não estão achando nada errado, melhor dizendo, eles não estão procurando, pois, até um cego, percebe o que está acontecendo em Natal: a máfia do combustível anda assombrando o povo potiguar, isso para não dizer assaltando, na cara limpa. Nós aqui não temos cartel, temos quadrilha! Aqui está pior do que no tempo da alta inflação, quando você não sabia quanto pagaria por algum produto dentro de poucas horas porque, naquela época, a inflação girava em torno de 80% ao mês enquanto hoje o governo afirma que não chega a 5% ao ano. Será que os nobres colegas do MP estão reivindicando para si o principio da inercia que outrora pertencia aos juízes togados?

Caros bacharéis do MP basta darmos uma volta pela cidade para constatarmos o óbvio: que estes embusteiros estão achando graça da inércia dos nobres colegas. Ao trafegar por todos os bairros de Natal averiguamos que o preço da gasolina era R$ 2,99 em quase todos os postos, porém após o @BoicoteRN ir às ruas, o preço decaiu para R$ 2,85. Indago: Se um posto centrado na Av. Roberto Freire, que emprega no mínimo oito funcionários e atende vinte quatro horas, tem os mesmos custos que um posto situado na Av. Xavantes, na Cidade Satélite, com apenas dois funcionários e fecha às vinte e duas horas? Alguns são grandes postos outros, todavia, médios ou pequenos, porém os preços praticados são os mesmos por todos eles, independentemente do bairro em que estejam situados.

Você não precisa ir muito longe para ver que o que comentamos aqui é verídico: na vizinha Paraíba, no ano de 2007, a Policia Federal desarticulou o CARTEL formado pelos proprietarios de postos, onde a margem de lucros era a mesma praticada em Natal, qual seja R$ 0,507 (quinhentos e sete milésimos de real), como aparentemente, hoje na Paraíba não existem cartéis, constatamos preços de gasolina de R$ 2,35 (dois reais e trinta e cinco centavos) á R$ 2,82 (dois reais e oitenta e dois centavos). E vejam que eles compram a mesma gasolina que as súcias do Rio Grande do Norte.

Falando um pouco do etanol (álcool): se este combustível tivesse sido desenvolvido por nosso não tão vizinho EUA, seria muito melhor aproveitado, por se tratar de combustível renovável e menos poluente que a gasolina. Mas, infelizmente, foi desenvolvido pelo brasil (com b minúsculo mesmo) e, os usineiros, que sempre se mancomunaram com o poder, ao perceberem que o consumo de etanol estava aquecido, começaram a subir o preço demasiadamente, não se importando com o bem estar do planeta, ignorando que, se você usa etanol você polui menos o ambiente.

Passemos agora para o GNV[1] que é um combustível altamente ecológico, pois sua queima, por ser mais completa, libera uma quantidade menor de poluentes, beneficiando o meio ambiente. Temos também uma menor probabilidade de combustão por ser mais leve do que o ar, possibilitando assim uma dispersão mais rápida, tornando-o menos perigoso que o etanol e a gasolina, pois sua queima é a 620ºC, tendo um risco de combustão de até 322% menor que de outros combustíveis. Em se tratando de GNV, que é menos poluente que a gasolina e o etanol, em Natal é um dos mais caros do mundo, não tem incentivo do governo nem de ninguém, muito pelo contrario, quem tem carro movido a GNV paga caro para colocar o KIT, para abastecer, e ainda tem que pagar mais caro pelo seguro, pelo CRLV, sem contar que anualmente tem que fazer uma inspeção veicular.

Falando em inspeção, para completar os governantes inventaram uma revisão veicular para controlar os gases poluentes que emanam de nossos veículos. Todavia estes não estão se importando tão somente com o nosso meio ambiente, mas sim com suas arrecadações, cada vez mais milionárias, pois se estivessem interessados em melhorar o ar que respiramos, dariam incentivos para a produção e consumo de álcool combustível que, além de ser renovável, é menos poluente que a gasolina, e adotaria uma postura em favor do consumo de GNV que é muito menos poluente do que os demais combustíveis, ao invés de penalizar com taxas extras, quem utiliza esse combustível.

A população indignada e cansada de ser estuprada por este CARTEL manifestou-se nas redes sociais tendo em vista que ninguém fazia nada por elas tomaram a iniciativa de pôr a cara à tapa e ir às ruas em busca de seus direitos de constituinte, por combustível mais barato já, por um combustível de qualidade e com preço justo. Todavia me aparecem os pulhas donos de postos de combustíveis alegando que o @BoicoteRN não passa de um palanque eleitoral, na realidade eles estão querendo desacreditar a movimentação perante a sociedade civilizada, todavia o @BoicoteRN está simplesmente querendo que o SINDPOSTO abaixe o preço do combustível, o que é um direito do constituinte - pagar por um combustível de qualidade boa por um preço justo. E, nós realmente temos apoio de entidades politicas, entretanto pluripartidárias, quão também temos o apoio de entidades estudantis, sindicatos, redes sociais, centrais trabalhistas, e de toda a população indignada, que também está insatisfeita com os preços cobrados em Natal.

06 de Maio de 2011

COMÉDIAS DA VIDA

01) Zé Gago de Itajá, sonhava com a emancipação do distrito, do qual seria o primeiro prefeito. Como político estava em todas. Batizado, missa de sétimo dia, casamento e etc. Numa festa de casório o pretenso líder foi a Itajá que se chamava "Saco". Exagerou na comida e se empazinou com tanta buchada de carneiro, sarrabulho, etc. Meia-noite, a barriga do rapaz mais parecia um pote com três latas de dezoito litros. Começou a passar mal e a providência foi levá-lo ao hospital-maternidade (SESP) em Assu. Zé Gago só ouviu as primeiras palavras dos socorristas improvisados. Antes de desmaiar ainda escutou: "Vamos para a maternidade!". Anestesiado, Zé não sentiu a introdução de um enorme chifre de boi do Piauí no seu bufante. Era o famoso clister apimentado. Ao despertar, ainda tonto, sentiu a barriga vazia e ouvindo muito choro de recém-nascidos, bastante assustado, imaginou: "Vixe! Será que eu tava mesmo grávido e não sabia? Vou pedir para não espalharem a notícia..".

02) O governo Aluízio Alves chegara ao sertão com a energia elétrica de Paulo Afonso. Angicos, como várias outras cidades, possuía energia "movida a motor". Coisa precária. Seria necessária reforma na fiação, principalmente nas residências para receber "a nova luz redentora de Aluízio!". O vereador Zé Doido, oposição sempre, bateu o martelo: "Sou contra. O povo não pode com uma despesa dessas!". O colega Ivan Costa que sempre batia de frente com ele, argumentou: "Mas, vereador, só tem vossa excelência contra! É para o bem comum. A política é a arte do consenso. Vamos nos unir ao prefeito, nessa hora!". José Barbosa (o Zé Doido), rebateu: "Nobre colega, a política também é a arte da teimosia! Eu discordo! Minha bancada é contra!". É bom frisar que a "bancada" do Zé era ele sozi-nho. Mesmo assim aconteceu o "fiat lux".

03) O velho Silvestre Veras de Paraú, vizinho e amigo do prefeito Costa Leitão, via bilhete, convidava-o para curtirem um fim de semana. Em certo trecho, lia-se: "Venha pra Parau. No meu açude pescar pacu...". Costa, que lia pouco e ruim, entendeu: "pescar pro c...". Não foi nem lá, e a pescaria pifou. Ela foi só de letras.

04) Na saída de um motel próximo a Via Costeira, Natal, acontecia a checagem de um carro, efetuada por viatura policial. O condutor identificou-se como sendo da reserva da Marinha. A moça muito chique e perfumada, demonstrava nervosismo com a situação. "A senhora", indagou o policial, "sua identidade, por favor". A mulher, perturbada, adiantou: "Eu sou promotora...". E, o militar, cheio de dúvidas, interrompeu fitando o colega que logo tratou de amenizar o vexame. "Desculpe doutora, mil vezes me desculpe. Mas, em que podemos servir? A "vossa senhoria" é da promotoria da infância, civil ou criminal?". A jovem respondeu timidamente: "Eu sou promotora da Avon!". No ar, continuou, apenas, uma leve brisa do oceano.

05) Virou tradição comemorar o aniversário do ex-deputado Alexandre Cavalcanti, em São Gonçalo do Amarante. Todo ano, sua granja ficava superlotada para os comes-e-bebes às 0800 de lá matina. Bandas e serestas completavam a festa. Zezo, o astro da terra, cantor popular e periférico, fazia-se presente e mostrava porque era o sucesso do momento. Numa extensa mesa composta somente de políticos, o vereador Rafael Nagildo comentou: "Hoje, Zezo está altamente "expirado"". Alguém cochichou maldosamente: "Por que? Acabaram com o Mobral?". É que o seresteiro aqui e acolá, durante a cantoria tropeçava no vernáculo.

29 de Abril de 2011

DEVOLUÇÃO DE GENTILEZAS

01) O doutor Uziel, quando de férias, não perdia um luar sequer, sem esbanjar seu vozeirão em serestas pelas ruas do velho Assu. O motor da usina era desligado às onze horas e os namorados, com seus plangentes violões, faziam a festa. Uziel, apaixonado por uma linda moça, cantava uma música do antigo cancioneiro nacional, com esses versos: "Eu vi numa vitrine de cristal, num majestoso pedestal, uma boneca encantadora... Seus cabelos pareciam raios de luar, seus pés muito pequenos. Enfim, eu vi nessa boneca uma perfeita Vênus". No dia seguinte, Renato Caldas desmoralizou a musa do seresteiro: "Uziel, ou está míope, ou cegou de vez! Essa moça, outro dia, foi à lojinha de dona Nazinha e um sapato de número quarenta e quatro não entrou no seu pé, nem com a ajuda do cabo de colher. Lá no colégio, ela é conhecida por Lucinha Pé-de-Prancha".

02) Joaquim Silveira, velho taxista do Amarante, São Gonçalo, tinha como marca registrada tratar bem às pessoas. Fino e educado, criara assim, um grande círculo de amizade. Certo dia, uma senhora de idade mediana, caminhava numa calçada e ao passar junto ao táxi, ele aproximou-se e cumprimentou: "Boa tarde, moça. Essa linda jovem deseja apanhar um táxi?". A mulher olhou com cara de poucos amigos e censurou: "O senhor é um galanteador muito barato. Eu não quero porcaria de táxi nenhum e, se quisesse, não seria o seu! Você mais parece um Don Juan da periferia!". Joaquim, sem escorregar na classe, devolveu: "Se eu soubesse que você mordia não teria pisado no seu rabo. Desculpe, ok?".

03) Maria Rita do Assu era setentona que não perdia a pose, detestava a velhice, vivendo a lembrança dos dias em que fazia a rapaziada suspirar ao vê-la passar. Certo dia, encontrando o então prefeito Costa Leitão numa praça foi logo puxando conversa. De repente, o vento levantou a saia de uma moça que não teve como evitar. Os circunstantes passaram o "visto em tudo". Rita logo comentou: "Quando eu vejo um bicho grande, preto e peludo, só me lembro do meu. Ali sim! Bicho gordo, liso, bonito!". Costa repreendeu-a na hora: "Dona Rita! Mais respeito. Isso é conversa para um lugar público!". A velha Rita contestou raivosamente: "O senhor é que tem a mente suja. Eu tô falando do meu bode enjeitado, que eu crio desde novinho, seu "enxerido"...". E concluiu ameaçadoramente: "O cedenho da moça aí, não tem nada a ver com isso. A imaginação desse peste vai longe. Figa pra você, figa...!".

04) Para dar o último adeus ao colega ex-prefeito Jaime Batista, de Angicos, o atual gestor e presidente da Femurn, Benes Leocádio, saiu de Lages com seu motorista e o seu vice-prefeito Mário Madruga. Em nome da Femurn, Benes conduzia uma enorme coroa com faixa e tudo. Dado o avançado da hora, Benes dirigia "voando". O seu motorista, já habituado com o chefe, recostou a cabeça, tentando um cochilo. O vice-prefeito, assustado com a velocidade desenvolvida, puxou no ombro do motorista e advertiu baixinho: "Diga aí a Benes, que essa coroa é pro enterro de Jaime. Não é pro meu não!". Orate frates!

05) Na campanha municipal do Assu, entre o folclórico Costa Leitão versus Edgar Montenegro, João Turco, nome conhecido na sociedade local, assumiu a bandeira verde de Costa abertamente. Em seguida, vieram as reuniões, ajudas e doações por parte dos amigos. Na relação constava o nome forte e de posses de João Turco. Antonio Traíra da comissão de finanças do partido cheio de dúvidas e de dívidas, indagou: "Vocês estão ficando doidos? Já viram o penteado de João Turco? Aquela raça não dá nada a ninguém e não divide nem o penteado. Ali é mão de figa!!".

20 de Abril de 2011

DOSES DUPLAS

01) Petronilo Varela, hoje nome de um terminal rodoviário, velho caminhoneiro, sofreu muito na vida, até comprar um chevrolet gigante, duas boléias, que fazia a linha Assu/Angicos. Dia sim, dia não, de acordo com o trem, lá estava Petronilo na estrada. O dia de folga, era para apertar o carro velho. O que chamava a atenção, o velho motorista escreveu em letras garrafais no para-choque do caminhão: "Só dou carona, a quem já me deu...!

02) Maria José, senhora já às portas dos setenta janeiros, veio do interior, e aqui precisando de um exame médico, descobriu coisas jamais imaginadas. O médico depois de "um visto" em dona Maria, ponderou para a acompanhante: "Será preciso fazer uma colonoscopia". Até aí, tudo bem. Passada as primeiras duas horas, de volta da sala de exames, a acompanhante perguntou: "E aí, Maria, que tal?". Com seriedade esta respondeu: "Eu ainda vi uma borracha que tinha bem um metro, e eles me enfiaram de frinfa a dentro. Depois deu-me uma leseira, e eu não vi mais nada. Aquilo pra mim foi um estupro, não acha?". Ali mesmo aconteceu um silêncio de morte.

03) Em Assu, o  escândalo estava por demais explícito. José de Belo, rapaz da sociedade local, boa família, etc. foi flagrado num triângulo amoroso: ele, uma jumenta, e um jumento, naturalmente "esposo" da quadrúpede. O proprietário dos animais, exigia "um reparo" da situação. O caso foi parar no Juizado. Dr. Uziel, defensor "dos pobres e oprimidos" assumiu a causa gratuitamente. Fórum lotado. com "oito ou dez lapadas nas idéias", disse Uziel: "Meritíssimo, como advogado, já tenho visto muitas causas dantescas e grotescas, mas iguais a esta que se nos apresenta, é de se clamar por justiça. É de doer nos chifres do pobre burro, se é que burro tem chifres. É necessário que se diga a esse racional que quer ser irracional, que por aí tem muitas nêgas na promoção de R$ 1,99, e facilitada em até dois pagamentos. É só fazer freguesia. Meritíssimo, se nossas leis permitissem, eu pediria a "amputação máxima" para esse monstro! Como não é possível, eu pedirei seja imposta a pena de um saco de milho semanalmente para a estuprada. Tenho dito".

04) O rio Assu estava "de barreira a barreira" como o sertanejo gosta. Mas dessa vez a natureza caprichou e o inverno superou as expectativas, e o velho rio chegou a invadir parte da cidade. Os vereadores da oposição reclamavam do prefeito, tachando-o de indolente, e faziam pouco caso da situação. Abraão, o grande paladino do prefeito Costa Leitão, defendia o chefe afirmando: "Eles falam porque querem, mas seu Costa está "endividando" todos os esforços para resolver essa situação calamitosa e "calamiteira" da cidade! Algum vereador já deu pelo menos um cavalo pra servir os alagados?". E concluiu: "Seu Costa mandou foi duas tropas: a dos cavalos e a do burro pro povo invadido!".

15 de Abril de 2011

BAZÓFIAS

01) A velha Maria Preta, em Caicó, era dinartista de quatro costados. No seu bar-boteco, não faltava buchada, tripa de porco e outros petiscos muito apreciados pela clientela, que contava entre outros com o prefeito Irami Araújo e o gerente Chicão do Banco do Brasil. Maria Preta vivia cantando as marchinhas dinartistas, mesmo fora de época. Um dia, Chicão deu-lhe de presente uma rede vermelha. Maria Preta acabara de sair do banho, e claro, com pouca roupa. Mesmo assim, foi receber o presente. Enrolou-se na rede, e na calçada, explodindo de alegria, cantava: "Bate com a mão, bate com o pé, é o velho (Dinarte Mariz) que o povo quer!" (bis). Um freguês contumaz e bacurau, gracejou com ironia: "Maria Preta agora deu pra endoidar ou endoidou pra dar! Eita coceirinha braba naquele canto!".

02) Um grande clássico do nosso fuleiro futebol, acontecia no Machadão. Um novo locutor, entortador do vernáculo, repetia frases assim: "... entrou na boca da área"; "pimba na gorduchinha"; "invadiu a meia-lua"; "engoliu três frangos..." etc!. Quando falou no comercial de uma clínica protológica, assim se referiu ao microfone: "Próstata não é mais bicho de sete cabeças! Com a gente, só uma cabeça, a do dedo, resolve! Visite a clínica tal e faça um teste sem compromisso". Antes da segunda rodada ou dedada do campeonato, o locutor saiu do ar, e perdeu o contrato.

03) Tico Balduino, de Mossoró, caboclo afeito a agricultura, vivia cuidando da roça, e era daqueles que "acreditando nas nuvens", plantava com antecedência, isto é, "no seco". Tico nem esperava pelo dia de São José. Certa tarde, ao voltar do roçado, onde não havia caído "nem uma gota d'água", apesar do dia do santo das chuvas estar de véspera, Balduino notou que, a distância de dois quilômetros, chovera - e ainda chovia - a manhã toda. Bastante cético, rabugento e chateado, comentou: ""Óia", como São José é babão. Aqui nas terras dos Mendes, é água de fazer lama. No meu roçado, nem pingou!". Instantes depois, a chuva engrossou, e a descarga de um raio derrubou Balduino de cima do jumento, lançando-o num lamaçal. O sertanejo bronco levantou-se, olhou para cima, e berrou: "Eu disse e tá dito: Babão, babão, babão!".

04) Ainda de Mossoró, Cícero Brilhante, que já teve muitas posses, hoje, em queda livre, vive a lembrar, quando fechava o cabaré, e era disputado pelo mulheril. Não suportando a pressão da uretra, abriu o zíper e começou uma sessão de xixi escorado num poste. Já sem aquela potência para expelir a micção, observou que estava molhando as sandálias. O folclórico Brilhante, olhando para a "péia de fumo", desabafou de si para consigo: "Você acabou com o meu dinheiro, minha saúde, agora quer acabar com meus pobres chinelos, né seu c..., fela da p...!!. Desmoraliza o velho! Desmoraliza...!".

05) No terceiro mandato de Dix-Huit, foi posta em prática a lei do Código de Postura. Lei ótima para a população, mas antipática para os que nela são enquadrados. A irmã Dorotéia, superiora de um estabelecimento de ensino, viu-se nas malhas da lei. Ao falar com o prefeito tentando amenizar a multa, a madre se explicava: "Mas prefeito, foram apenas dois caminhões de metralhas sobre a calçada". Chico Babão, - o nome já diz tudo - ao lado, interviu, sem ser chamado: "A senhora fez o maior "escangaio" na rua, e ainda que ter razão?". A religiosa ruborizada, devolveu: "Dobre a língua, que eu nunca "escangaiei", não senhor! Engula o que disse!". Chico Babão, grosseiro e chaleira, respondeu: "Só engulo se a senhora engolir aquela metralha toda lá da rua". Dix-Huit repreendeu Chico na sacada do Palácio da Resistência e, o proibiu de entrar no seu gabinete por um mês.

08 de Abril de 2011

VIDAS

001) Antes da mecanização das salinas, Macau era um eldorado. Chico Bento, nativo atarraxado, analfabeto, mas na área salineira sabia tudo. Chico era chefe de produção dos "baldes". A turma, pelo fato de trabalhar sujeita a intempéries do tempo e aos mosquitos maruim, também conhecidos como a "turma dos comunistas" - no caso, os mosquitos. Veio 64 e a caça às bruxas invadindo os sindicatos. Chico Bento veio parar no quartel general, em Natal sem saber o porquê. Começa o interrogatório. O coronel Werneck indagou-lhe: "O senhor é comunista?". "Sou, sim "sinhô", com muito "orguio"", respondeu. "Mas confirma na minha cara, que é comunista?". "Mais "óia", e eu num "sô"?", devolveu Chico Bento, inocentemente. Nisso, um ajudante de ordens acertou um tapa no ouvido do detido ameaçando: "Fala direito, sujeito!". A bofetada fez Chico ficar atrofiado da audição por alguns segundos. O coronel, continuando, indagou: "O senhor sabe o que é comunista?". Chico abriu o bico: ""Seio", é um "mosquitim" bem "pixototim", preto, que ferroa feito a praga! Também se chama lacerdinha. Morde feito a "goitana"...". O coronel, aborrecido, ordenou: "Levem ele daqui. Ponham no ônibus de Macau, e paguem a passagem! Pensei que ia encontrar um moscovita ora bolas...". Em Macau fizeram festa pra Chico Bento. Alguém curioso perguntou: "Como foi, Chico?". O salineiro respondeu convencido: "Eu "seio" falar meu "fio". Eu converso até com o papa".

02) João Maria, lá de Pedro Velho, romeiro de muitas viagens, passa o ano pagando um carnê, onde se inclui passagem e hospedagem rumo ao Juazeiro do padre Cícero. Nessa última romaria, João se viu numa situação embaraçosa. Dois batedores de carteiras, acompanharam o nosso romeiro, e surrupiaram-lhe um plástico onde estava guardado cerca de quinhentos reais. Ao sentir falta do saquinho, e vendo um sujeito com o mesmo ainda à mão, João Maria pediu socorro. "Pega o ladrão! Pega o ladrão!". O alvoroço foi grande e prejudicou até certo ponto a procissão que seguia. Um grupo de amigos cercaram os gatunos e alguém logo gritou: "Chamem a polícia!". O tal que estava com o pacotinho das economias de João Maria, jogou-lhe nos peitos e advertiu: "Não precisa chamar a polícia, não. Tome essa merda, romeiro pobre. Da próxima vez traga mais dinheiro, seu lascado". Dizendo isso, o larápio aproveitou um descuido, e disparou na carreira. João Maria na inocência de pagador de promessa salientou aos gritos: "Foi meu "padim" que ajudou". O pessoal que o socorreu, fulo da vida esbravejou: "É? E se não fossemos nós?... Nem temos agradecimentos?". Coisas de romeiro.

03) Nos anos sessenta, padre Adriano assumia a supervisão do pátio, jardinagem, etc. do Colégio Salesiano. Velho bonachão, o sacerdote brincava com a meninada, e prosava com os funcionários. Mamute Thomé, um rapaz autêntico, representante da raça negra - era filho de angolanos da gema - cuidava da poda dos jardins. O velho vigário apelidava Mamute, chamando-o de "meia-noite sem luz acesa". O angolano levava na prosa. Uma manhã, padre Adriano foi se aproximando e o Mamute falava baixinho, dizendo: "Assim é phoda! Como é que pode? É phoda!". O vigário quis saber: "Que é isso negão? Ficou louco?". Mamute ponderou: "Olhe, padre, o senhor diz que eu sou da cor de pneu molhado. Shiana minha "mulé", é mais pretinha do que eu. Aí nasceu antes "donte", lá em casa um "minino" bem lourinho, dos "óios" de gato!". Padre Adriano, passou a mão no queixo e sentenciou: "Assim, meu filho é mesmo phoda!".

01 de Abril de 2011

DESCONTRAINDO OS IDOS DE MARÇO

01) João Nicácio, sujeito bem sucedido na vida, metido a galã, conheceu Gerusa lá pelo sul maravilha e a trouxe para cá. A mulher era um jumbo, loura, cabelos longos, um metro e oitenta, busto saliente, olhos azuis, linda de viver. À princípio, tudo bem. João desfilava com seu troféu, que, por sua vez, não se adaptava com a vida pacata do interior. Aí ele começou a desconfiar que sua Gerusa "queria mais". Alguns amigos já estavam se dando bem com a loura. Pensativo e preocupado, João procurou conselhos com o amigo Domício, velho guru para todos os atos e fatos da cidade do Assu. Depois de ouvir as lamentações do cornudo, o grande Domício, com uma forte dose de irreverência, e profecia, assim falou: "É, amigo Nicácio, mulher bonita é como jaca do agreste: ninguém come sozinho!".

02) A batalha democrática estava posta e exposta. De um lado, Luiz Pinto, candidato da máquina. Do lado oposto, Dix-Huit e a sobrinha Sandra, contando apenas com o povo. No palanque oficial, as grandes bandas baianas. Do outro lado, um grupo caseiro chamado "Café com Sal". Depois de uma noite toda de vigília pelas ruas da cidade, o sol de Mossoró já raiava forte e queimava a tez do velho alcaide. Este com voz de trovoada declamava: "Abro os braços a lá Cristo, faço desta praça um Pretório de Justiça, e peço ao meu povo: me julguem com retidão! Façam um exame de consciência, e lembrem-se: quem comete uma injustiça é sempre mais infeliz que o injustiçado. Nenhum juiz julga sem conhecimento dos autos! O que está nos autos, não está no mundo! Minha vida é um livro aberto. Mais que nunca, meu lema "É Mossoró toda vida"." Pra variar, deu Dix-Huit de novo. O povo foi juiz e júri, ao mesmo tempo.

03) Na residência do saudoso doutor Leodécio Fernandes, Néo, em Mossoró, acontecia uma reunião de adeptos do então MDB. Ali, eram postos e analisados nomes para concorrer a deputado estadual e a vereador. Para federal, um só nome: o próprio Leodécio. O candidatável Luiz Sobrinho, fazia um grande alarde sobre seu nome, e falava mais que os outros. Lá para as tantas, uma parada para um cafezinho. Leodécio, para acalmar os ânimos e desviar os rumos, sublinhou: "Hoje eu vi uma cena constrangedora. Num posto de gasolina, um bombeiro pegou uma bucha úmida de gasolina, e esfregou-a no fio-fó de um cachorro. O animal, corria enlouquecido claro, pela forte queimação". A platéia compadecida, ouvia a narração do líder. "O bichinho", continuou Leodécio, "corria trinta, quarenta metros, e voltava esfregando o fundilho no asfalto. Depois de várias voltas, o animal caiu no pé da bomba, e ficou teso com os olhos arregalados, sequer batia as pálpebras!". Nesse momento, foi um "oh!" geral. Leodécio engrenou uma pausa na narrativa, o bastante para Luiz Sobrinho, sem pedir aparte, salientar: "Doutor Leodécio, e o cachorrinho morreu ali?". Leodécio incontinente, explicou: "Não, Luiz, estava faltando mais gasolina!". Todos riram e o ambiente se descontraiu, sem um latido sequer.

04) Estava agendada outra reunião partidária na praia de Tibau, Mossoró. A expectativa era grande, vez que significava uma convocação do então deputado federal Vingt Rosado. O vereador Expedito Bolão, no seu jeep, dava carona a alguns amigos. Paciente, Expedito dirigia o veículo à baixa velocidade. Um vereador do conhecido grupo babão, querendo ser dos primeiros a pedir a benção ao parlamentar e líder, reclamou: "Vamos lá, Expedito! Apressa essa viagem! Parece que tá peado! Tira essa "peia"!". Sem tirar os olhos da estrada, Bolão soltou o verbo: "Se eu tirar essa "pêia", você não vai gostar". A política de Mossoró era uma festa.

25 de Março de 2011

POLUIÇÃO VISUAL

O rio Jundiaí, no trecho em que atravessa a cidade de Macaíba, perdeu o solo, o curso, o chão, o cheiro, a visão e é ameaça a segurança dos habitantes. Entre o parque governador José Varela e a praça Antônio de Melo Siqueira deixaram crescer no leito poluído imensos manguezais que enfeiam um dos mais bonitos logradouros urbanos. Essa selva esconde lixo doméstico, carcaças de animais, marginais do tráfico de drogas em todo o seu percurso e os galhos já ultrapassam a altura da ponte e das balaustradas. A imprensa já publicou, excelente matéria sobre tudo que ameaça e destrói os rios Potengi e Jundiaí. Mas, o foco da minha questão e, creio, dos cidadãos macaibenses, reside exatamente neste aluvião de perguntas: por que o Idema e o Ibama não evitam, aparando, podando, somente nesse trajeto o "matagal" entre o antigo cais do porto até a outra lateral da ponte? Por que não licenciam a prefeitura para o fazer?

A praça e o parque perderam o charme de antigamente. Ninguém enxerga ninguém, olhando de um lado para o outro. A conscientização ambiental deve ser obedecida até onde não prejudique a funcionalidade urbanística e o senso prático e plástico do mapa citadino. Desde quando, em 1950, se planejou e se construiu a estrutura de pedra e cal das duas margens, o choque do progresso jamais prejudicou a superfície do rio. Nem, tão pouco, o molestaram, a expansão e o desafio do crescimento habitacional. Pelo contrário, a construção ordenou a trajetória das águas e defendeu as ruas pe-riféricas contendo os transbordamentos. Contemplo, hoje, que os problemas das inundações estão equacionadas com a construção da barragem de Tabatinga. Por que o Idema  e o Ibama, tão preocupados com o meio ambiente, não permitem, apenas, nesse, pequeníssimo trajeto fluvial o corte da poluição visual da pai-sagem urbana e memorial de Macaíba?

Ali, a vegetação gigantesca e desproporcional encobre um dos pontos históricos do município. Refiro-me ao cais das antigas lanchas que faziam o percurso fluvial entre Macaíba e Natal: a lancha do mestre Antonio, o barco de João Lau, além da lancha "Julita" que transportou tantas vezes Tavares de Lyra, Eloy, Auta e Henrique Castriciano de Souza, Augusto Severo, Alberto Maranhão, João Chaves, Octacílio Alecrim e tantas ou-tras figuras notáveis da vida social, cultural, política e econômica. Todos se destacaram nos planos estadual, nacional e internacional. Ali, o centenário cais, jaz sob os escombros de verdes balizas envergadas e fantasmagóricas. A visão noturna é tétrica e arrepiante. Desfigura e mutila os padrões estéticos do planejamento da urbe que a faz parecer abandonada e suja. Até a lua cheia que nasce lá por trás do Ferreiro Torto foi encoberta.

Assim como se deve obedecer a educação ambiental, do mesmo modo, exige-se o tratamento e o corte do matagal por parte do Idema e do Ibama a fim de evitar o represamento do lixo no leito, exclusivamente urbano. Nas capitais e cidades importantes do Brasil banhadas por rios não se vê tratamento tão dispersivo e indiferente da parte dos órgãos responsáveis. Sei que a prefeita de Macaíba, já postulou a solução do assunto várias vezes. Ao redimensioná-lo neste texto, cabe aos institutos prefalados uma reflexão, um reestudo sobre o cenário dantesco do rio Jundiaí na parte descrita. O povo macaibense tem o direito de ouvir e a coragem de duvidar que essa "selva amazônica" que devora e perturba a todos seja explicada e resolvida, sem slogans, clichês, palavras de ordem, lugares comuns, peças de marketing ou princípios dogmáticos. Que venha à lume as boas intenções e que não fique Macaíba submersa na floresta de manguezais.

18 de Março de 2011

CAUSOS A 3/4

01) Nos anos sessenta, a firma Tertuliano Fernandes, fabricante do Óleo Pleno - óleo comestível - tinha um time de futebol, por sinal, respeitado na região, o Pleno Futebol Clube. Eis a formação da equipe: Chaleira, Pau Duro, Xexéu, Gambeu e Chinês, Batata, Vermelho e Lamparina, Louro, Manoel Gogó e Carestia. Banco de reservas: Bem-Te-Vi, Avoete e Galo de Campina. Em um jogo difícil, Manoel Gogó, que era ponta-de-lança, esperando a bola, gritou com todas as forças: "Entra na (bola) dividida; vai firme, Pau Duro do diabo!!". O microfone da rádio difusora captou e a aberração saiu irradiada. O assunto foi comentário até no sermão do padre Humberto, à noite, na matriz.

02) Nas regiões de Mossoró, Caraúbas, Patu, etc., tem um verdadeiro exercito que é a família Moura. Inteligentes os Moura dominaram as áreas do comércio, da educação e da política. O último exemplo é o deputado Gilson Moura, que nunca ligou de ser tratado por Túlio Lemos de "gambia" - um antigo apelido da família. No meio dessa multidão, surgiu o irreverente, Leonardo. Certa vez, depois de uma noite de farra, Léo foi se inscrever para um concurso federal. Ainda "melado", postou-se diante de uma atendente quarentona cheia de pudor. Rindo do estado etílico do rapaz, perguntou: "Seu nome?". "Leonardo", respondeu o rapaz. "Leonardo da Vinci?". "Que nada", deu com os ombros o gambia. "Quando muito, dou duas". A mulher fechou a cara e saiu da sala.

03) Muito antes da "era cibernética", quando até emissora de rádio "era luxo", vários municípios montavam suas "divulgadoras", a "Voz do Município", etc. Com Parnamirim não foi diferente. O locutor oficial Douglas Silva - nome artístico - deitava falação. No quadro "Mensagens musicais", o moço mandou o verbo: "Atenção Maria Lúcia, assim como as flores se abrem para receber o orvalho matinal, "também se abra" para receber "Cabeça Inchada". O vinil rodava "Estou doente morena, doente tô morena, cabeça inchada morena, tô, tô e tô". O disco parou de rodar e, Douglas parou na delegacia para explicar o real com o subentendido.

04) O nosso Hirohito Santiago continua mandando as suas histórias do bravo oeste. Esta se reporta à época que Mossoró, se superou em valores e deu show no resto do estado, mandando para a Assembleia quatro deputados estaduais. Isso foi a glória. Entre eles, um fazia forte oposição ao prefeito Dix-Huit Rosado. Num certo período eleitoral, esse grupo parlamentar, além de difamar, tentou boicotar algumas obras do velho burgomestre. Um amigo em conversa com o prefeito aconselhou: "O senhor ouviu o que fulano disse no rádio? Coisa própria de mafioso siciliano". O velho alcaide sorriu e sentenciou: "Aquilo é um puro 'carcamano'. Eu não vou chamá-lo assim no rádio, porque o analfabeto vai pensar que eu o estou elogiando. As 'férias' dele estão acabando". Foi uma premonição forte. O "carcamano" perdeu a eleição e, nunca mais foi nada. Quem teria sido o "carcamano"? Cartas para a finada Aliança Renovadora Nacional - Arena.

05) Nivaldo Dantas foi funcionário público, ex-vereador de Mossoró, ex-atleta do Baraúnas e do Potiguar. Mostrava mais uma qualidade: comentarista esportivo. Tarde de domingo, estádio lotado para assistir ABC x Potiguar. Era a rivalidade Natal x Mossoró. No decorrer da partida, falta perigosa próxima a área do Potiguar. O locutor comandante pergunta: "E aí 'capitão Nivaldo', o perigo ronda a meta do Potiguar, o que você diz?". O comentarista foi enfático: "Meus amigos, o 'cracão' Drailton é quem vai bater. Falta que leva perigo à cidadela do Potiguar. Eu já joguei com esse negão e sei que o 'cacetaço' dele não é mole não. O goleiro que se cuide". Não demorou muito o carão do dono da emissora.

11 de Março de 2011

USO E ABUSO DE DISFARCES

O Brasil é um país saturado de feriados e pontos facultativos. O desperdício do tempo útil, em vez de ser um sinal de reverência a santos ou eventos cívicos, corresponde a uma insuficiência de conteúdos pragmáticos. Isto, pela inexpressividade de alguns costumes e mediocridade cultural de pífios acontecimentos. Existem até guias práticos de feriados. Verdadeiros suplementos de superficialidades, onde a caótica natureza humana prefere a profissionalização do não produzir e o consumo de buscar a felicidade química do divertir-se a toque de caixa, burlando o erário. Num país de fronteiras quebradas pela violência que cresce mais do que a educação; com a justiça lenta e tardinheira; com a vida pública desacreditada e incoerente, pergunto: em que superfície social o espelho medonho dessa realidade de pontos facultativos, ausências, abandonos, dispersões, vai reaver e refletir o tempo perdido?

Sempre triunfa o esforço concatenado entre os poderes públicos para se desvencilharem de normas e padrões que imprimem seriedade. O congresso nacional e assembléias legislativas somente funcionam três dias por semana. Um feriado quando cai num sábado ou domingo, muda-se a vigência para o dia útil. Se o feriado é santificado, como preconiza a igreja católica, oitenta por cento dos seguidores vão as praias ou viajam. Mas, somente na hora da dor ou da provação pegam no terço. Quando o feriado é cívico, muita gente passa diante do monumento da "vítima" só para vaiar. Aí depreende-se que vivemos num mundo aleatório, fútil, instável e irresponsável. Instala-se o império burocrático do vazio, da sufocação. O ponto facultativo é pior do que o feriado porque estimula a vadiagem oficial. Feriado não é doutrina nem dogma de fé. E o ponto facultativo é má fé com a coisa pública e com a produtividade da economia.

Enquanto isso, no primeiro mundo, países capitalistas, democráticos da Europa, da América do Norte e nos mulçumanos da Ásia, além das nações da África e Oceania não vigoram tais licenciosidades. O ridículo no Brasil irá ao extremo quando chegarem os jogos da copa do mundo em 2014 e as olimpíadas internacionais de 2016. Já imagino um deputado federal propondo projeto de lei para tornar todo o calendário de 2015 ponto facultativo, por ser imprensado entre dois certames.

O meu espanto é com relação, unicamente, ao abuso. Lembro-me, que há quase quarenta e cinco anos passados, o governo militar suprimiu, com acerto, os feriados juninos dos santos Antônio, João e Pedro, além do próprio dia de todos os santos (primeiro de novembro), apesar de, paradoxalmente, a liturgia cristã salmodiar: "Só vós sois Santo, só vós o Senhor, só vós o Altíssimo Jesus Cristo!". Os outros são, apenas, santificados, padrinhos, padroeiros que devem ser reverenciados sem precisar interromper, com tanta frequência, o processo econômico, financeiro, administrativo e judiciário do Brasil.

Nada mais deprimente para a nação o fato de não optar pela ordem, pelo equilíbrio e funcionalidade e optar pelo esbanjamento do tempo. O edifício e o aprimoramento da pátria, não podem ser construídos através da desfaçatez, da preguiça ou do comodismo. Não pense o leitor que estou oferecendo lições de vida ou de cidadania. Os pedagogos plantonistas estão aí para o ensino dessas matérias. Quero, apenas, protestar ante a parafernália de feriados no calendário de 365 dias no nosso estado e capital. É preciso rasgar essa fantasia que já virou luxuria. Sair da alegoria do ôba-ôba para fazer da concretude do trabalho um instrumento de elevação e da pedra facejada um espírito verdadeiro de brasilidade. O sentido é despertar os acomodados contra a superficialidade compulsiva da multidão desregrada de feriados e pontos facultativos. Dia seis de janeiro é um feriado municipal despropositado porque os Reis Magos estão inseridos no contexto das festas natalinas. O ponto facultativo de quarta-feira é pura fanfarronice de Baltazar, Belchior e Gaspar que chegaram atrasados para anunciar o Senhor.

04 de Março de 2011

ANDANÇAS E LAMBANÇAS

01) No centro de Assu havia um mendigo boa praça, que por ser raquítico, recebeu o codinome de "Castanha Xôxa". O povo, de modo geral, é bom nesses batismos. Castanha possuía uma "freguesia" selecionada. Certa tarde, bateu à porta de Maria Anunciada: "Vim buscar minha esmolinha!". O que o pedinte não sabia, é que a infeliz estava aborrecida porque não havia recebido a aposentadoria do mês. Anunciada gritou lá de dentro: "Venha amanhã. Hoje eu estou "virada"!". Castanha Xôxa, talvez não tenha ouvido e, aí, bem, repetiu a petição. A mulher zangada, falou mais alto: "Hoje só se eu der a minha b.! Você quer?". Castanha Xôxa, animado, respondeu: "Você me dar mermo, fia de Deus?". Esmola grande nem sempre se desconfia.

02) Quando percorria a região Oeste, Odilon Coutinho tinha por certo a companhia de José Andrade, o Zé Gago, que chegava a abandonar a sua casa para correr o mundo com aquele a quem denominara, o "Bigode sem Medo". De volta a Mossoró, Odilon perdia o jeito austero diante de Zé Gago. Certa vez, este o interpelou: "O... O... Odilon, on... onde você fo, fo, foi bus, bus, buscar, e, e, essa história de car, car, ca, carcará? Com e, e, essa, vo, ocê, você fu, fu...".  Odilon interrompeu Zé Gago, retrucando: "Zé, cuidado com as palavras; tem muitas mulheres por perto". Zé Gago, rebateu de pronto: "Eu qué, ero dizer, que você fu, fu, fulminou o caneco ama, ama, amassado do Ceará". Era uma referência explicita a Castelo Branco.

03) O Movimento de Educação de Base (MEB), chegava ao interior. Governo e igreja se preocupavam com os avanços da esquerda. Muita gente queria aprender outros idiomas. Espanhol estava na moda. O vereador Ivan Costa, também "dentista provisionado" por ter uma melhor situação financeira adquiriu um toca-fitas e vivia exercitando o inglês e o espanhol, sem mestre. José Barbosa, o Zé Doido, que agora enlouquecera de vez, o mais que conseguiu foi um radiozinho telespark que, às vezes, sintonizava a radio de Havana muito ruim. Passados uns dias, Ivan Costa encontrando-se com Zé Doido, quis testar: "Ok Zé. Do you have money?". Zé, ainda com o aparelho colado ao ouvido, respondeu: "Tropnoscov, toiiii, puf, puft.". Era o som emitido pelo pobre rádio que misturava Moscou com Havana. A partir daí, passou a ser conhecido como o poliglota do sertão.

04) O prefeito de Tangará Jorge Eduardo, bastante preocupado com as chuvas que ameaçavam o açude Guarita no município, comentava com os amigos: "É muito complicado. Cai o FPM, cai o ICMS, cai tudo que é de repasse. Agora, vão cair as paredes do açude Guarita. Quem já viu uma coisa dessa?". Um cidadão comum, que ouvia a conversa, soltou a pérola: "É prefeito, pelo que "tô" vendo, é "mió" fazer carreira pra Brasília. Se acuda da "presidenta". Ela tem as costas largas."

05) Francisco Albuquerque, o Chicão, quando gerente do BB, em São José do Mipibu, foi vítima de um assalto na sua agência, coisa digna de Al Capone. Chicão, reunindo todas as forças, sob o sufoco e a mira de pesados calibres, ainda conseguiu dizer: "O dinheiro está aí. Agora deixem-me em paz". Semanas depois, os ladrões foram presos. O banco mandou um advogado para acompanhar Chicão a fim de depor na justiça. Os larápios estavam postados para uma acareação, e junto a eles, um defensor de porta de delegacia. O magistrado perguntou: "Senhor Francisco, reconhece esses elementos como assaltantes do banco?". Chicão, sem sequer olhar para os meliantes, falou: "Eu nunca nem os vi, nem na missa do domingo, meritíssimo". E completou: "Deixe-me ir embora, que tá na hora de tomar meu comprimido". Deu branco. E de medo!

18 de Fevereiro de 2011

DA TERRA NASCEM OS CAUSOS

01) Já se disse que em Assu, em cada rua tem um poeta. Isso faz sentido. O meio-maluco Bonzinho, foi chegando na praça, e Walter Leitão pilheriou versejando: "Bico de chaleira, bico de chaminé, hoje eu vou transar com a tua mulher!". Bonzinho olhou de lado, e deu o troco: "Bico de chaleira, bico de urubu. Eu "arranco seus documentos", e você transa com o c...". Assim é a terra dos verdes carnaubais. Vive sem ligar para a dúvida ou a dívida externa.

02) Candidato a deputado estadual, o violeiro Luiz Sobrinho aportava na praça pública de Caraúbas fazendo sua preleção: "Quero ser o grande defensor desta região. Minha coragem e minha voz serão as armas que usarei e aqui teremos união, paz e trabalho!". No entanto, o líder local Zilmar Fernandes, que de sua calçada ouvia tudo, comentou: "Esse rapaz não conhece essas bandas. Por aqui, união só nas cadeias, paz só no cemitério e trabalho só para os coveiros. É melhor ele botar a viola no saco e picar a mula". A intuição de Zilmar funcionou. O candidato desceu da kombi-palanque e pegou o beco.

03) O prefeito Dix-Huit tentava sempre desviar as águas do rio Mossoró, para evitar as enchentes no centro da cidade. Chegou a tricotomização, e com isso, achava que estaria resolvido o problema. No ano seguinte a invernada fez um estrago bem maior. Olhando o "mar doce" de cima da ponte, o secretário Chico Monte comentou: "Parece que não deu certo, né prefeito?". Mirando algumas casas da região ribeirinha inundadas, o velho alcaide respondeu com ar de tristeza: "Nada é tão ruim que não possa ficar pior". Assim falava Zaratustra sobre a lei da compensação e das perdas...

04) Transcorria o almoço de confraternização dos municípios. Abraços de reencontro e beijinhos entre as primeiras damas fervilhavam um salão de eventos em Natal. Numa mesa elasticida pelo grau de autoridades, uma primeira dama "ainda abastecia" seu corpanzil de mais ou menos cento e vinte quilos, quando involuntariamente deixou escapar um sorrateiro flato, daqueles que assobiam, e que só segundos depois vem o efeito-enxofre. Declarado "o órgão emissor", alguns olhavam entre si, porém não se manifestavam, nem sequer riam, quando o prefeito-esposo (reserva-se os nomes) para salvar a cena, lembrou-se do comercial da TV, e passando a mão nas gordas ancas da companheira, disse: "Respira bumbum!!". Estava liberada a sessão do riso.

05) Lendo nos jornais sobre o defeso ao caranguejo, Seu Cuzim, de Jardim Lola, bastante popular em São Gonçalo do Amarente, comentou: "Quem deve tá feliz com isso, é a mulher de compadre Manoel, segundo ele, a "carangueja" dela faz tempo que tá no defeso". O tempo fechou, pois o coitado não sabia que perto dele estava um irmão que o levou a delegacia do bairro para explicar a pesca.

11 de Fevereiro de 2011

AMBIGUIDADES

01) Raimundo Bila, médio comerciante, amante do futebol, chegou à vice-presidência do Baraúnas, clube de massa, tendo como titular o doutor bioquímico Luís Escolástico. Bila não era letrado, porém muito esforçado. Certa vez, ia acontecer uma reunião na Federação de Futebol e a data coincidia com uma exposição de obras de arte, numa certa galeria. Doutor Luís era fã e colecionava bons quadros. O presidente veio agendado para os eventos trazendo a tiracolo o velho Bila. Passeando pela galeria, os amigos pararam diante de um nu artístico. Bila admirou-se pelo quadro (era um negrão) e pelo preço: cinco mil cruzeiros. "Tudo isso, doutor Luís?", falou Bila. O atendente disse: "Amigo, aí é uma réplica de um autêntico Picasso". Bila não sabia nada disso. Mais adiante, um outro nu artístico. Era uma linda mulher. Bila confidenciou com o amigo: "Luís, se o tal Picasso é cinco mil, quanto não será este Tabacasso, heim?".

02) O velho Izidro Moura, pai do amigo João Ismar, lá em Patu, foi procurado pelo vaqueiro de sua fazenda: "Seu Izidro, manicaca é o que de corno? Porque se for alguma coisa eu volto para dá uma facada num macho que me insultou". Seu Izidro, calmo, nem pensou para responder: "É primo carnal".

03) Em Portalegre, no oeste potiguar, a eleição municipal estava disputadíssima. Ivanaldo Costa, duas vezes eleito vereador, tentava mais um mandato que se afigurava difícil. A concorrência era grande e, num comício, o candidato implorava: "Meus amigos, vocês já me conhecem. Eu preciso ganhar essa 'inleição'. Duas vaquinhas que me restavam eu vendi pra 'invistir' na campanha. Pelo amor de Deus vocês me 'aleijam' e podem contar comigo". Nem precisa dizer que a sua eleição foi, de fato, aleijada pelo povo.

04) Cego Aderaldo era um repentista de primeira linha. Dentro de casa, encontrava certa dificuldade para se locomover em virtude de manter uma pequena creche com onze crianças adotivas. Contava com o repentista José Alves Sobrinho, que o aconselhou a se casar ou arranjar uma mulher para tomar conta da creche e assim se dedicar mais à cantoria. O poeta ouviu o conselho e versejou: "Eu já pensei nisso, não nego! / Mas em batata quente eu não pego! / Pois já vi muita gente com vista / Levando chifre quanto mais eu que sou pobre e cego".

05) Tilon Gurgel, nos idos de 1963, sofreu um derrame cerebral que o fez ficar um tanto esquecido. O detalhe mais comum era fazer xixi e esquecer de fechar a braguilha. Certa vez, seu Tilon, quando caminhava pelas ruas de Felipe Guerra, uma comadre, em sentido contrário, chamou-o e disse: "Compadre, seus 'teréns' tá de fora". Tilon não se preocupou. "Besteira comadre... pra boi morto, cancela aberta!".

04 de Fevereiro de 2011

PRÊMIOS DE CONSOLAÇÃO

Valério Mesquita* - mesquita.valerio@gmail.com


01) No calçadão de Renato Caldas, vários amigos conversavam sobre o inverno, que, segundo, as adi-vinhações sertanejas, seria promissor. Apareceu um cambista perguntando a João Turco, figura popular: "Seu João, vamos fazer uma fezinha? O bicho de hoje é viado!". João Turco, que não era de gastar, logo deu de ombros: "Isso é pra quem tem sorte... Eu não tenho nenhuma!". O velho Renato entrou na conversa, e olhando uma nuvem que se formava, filosofou: "Pra tudo precisa sorte. Pra lavadeira também. No dia que não faz sol, a roupa não quara bem e o cabra quando tá mole, solta um pum, e a merda vem!". Risos de todos, e todos jogaram para ajudar o cambista. Coisas do Assu, mesmo não dando o bicho...

02) Nos anos cinquenta, a escolinha do professor Titico Coutinho, fez, história. O velho era duro no mister e usava a palmatória e mais grãos de milho, onde o menino ficava de joelhos, caso não aprendesse a lição. O mestre criava uma neta de nome Elvira, que aos quinze anos, já mexia com a rapaziada do bairro. A menina era pura, linda e meiga. Vizinho à residência-escola, funcionava uma oficina, e o que mais se ouvia era o refrão: "Zeca, traz aí o cambão. Vamos puxar carro tal, etc, etc.". Zeca, um mulato forte, sempre cuidava do chamado cambão, que guinchava os carros com a ajuda de um velho jipão. Professor Coutinho, descobriu um namorico às escondidas, entre a querida neta e o tal sujeito. "Minha filha", disse o avô, "Eu quero algo melhor para você... Você tá com cara de apaixonada. Que diacho você viu no mulato Zeca, minha filha?". A menina-moça com os olhos fixos no nada, respondeu: "O cambão, vovô Coutinho, o cambão...".

03) Manoel de Nenem, motorista à moda antiga, hoje virou nome do Terminal Rodoviário da cidade. Fazia a linha Caicó/Natal, nos velhos tempos de estrada de piçarra. Muito mulherengo, arrumou duas namoradas em cidades diferentes. Vez por outra, dizia em casa: "O carro quebrou. Tive que dormir na estrada!". As brigas eram constantes. A esposa um dia preveniu: "Se você dormir fora novamente, ou você, ou eu, sai dessa casa!". Em poucos dias, tudo se repetiu. Ao retornar de uma viagem, Manoel encontrou duas bolsas arrumadas. A mulher foi logo esbravejando: "Aqui estão suas roupas, e aqui estão as minhas. Vai sair? Se você não for, saio eu!". A mulher decidida, pegou na alça da bolsa, quando Manoel, pasmo e amarelo, explicou: "Posso fazer um último pedido?". A mulher, já cruzando o batente, quis ouvir: "Diga lá traste!!". Manoel, triste e meloso, apelou: "Minha filha, me leve com você!...".

04) O irreverente Clidenor Xavier lá de Boa Saúde, é desses que mete o bedelho em todo e qualquer assunto. Puxa conversa, torna-se íntimo e se insinua. A igreja recebia na cidade novo vigário. Este era já, um tanto idoso. Clidenor, logo fez amizade, e o sacerdote estava até gostando. Um dia, Clidenor indagou: "Padre Paulino, o senhor já "comeu uma donzela"? - Abro aqui um parêntese, para explicar que "donzela" naquela região, é uma "franga de galinha", que ainda não botou ovo. Clidenor, com naturalidade, ante o espanto do padre, completou: "Vou ajeitar uma para o senhor". "Cruz credo!", exclamou o vigário, "Isso é um pecado sem perdão! Por isso eu não confio nos homens!". Clidenor ainda ousou responder: "Só tem três coisas que eu não confio". Ainda indignado e arrasado o vigário quis saber. Aí Clidenor chegou junto: "Primeiro; mulher! Eu não sei quando ela tá pensando em me trair. Segundo: calça velha! Quando penso que não, os bolsos estão furados! Terceiro: Não confio em padre! Por causa da batina, nunca se sabe quando ele tá de "bilolão duro"!". Padre Paulino de olhos arregalados gritou: "Vate retro Satanás...!!".

28 de Janeiro de 2011

CAUSOS MOSSOROENSES

Valério Mesquita* - mesquita.valerio@gmail.com


01) Médico de primeira linha, doutor Zé Leão era querido e admirado por toda a população mossoroense. Irreverente e brincalhão, consultava em qualquer lugar. Às vezes, acontecia aviar uma receita até em mesa de bar, onde gostava de tomar umas e outras. Tardinha de sábado, sob forte efeito etílico, sua esposa tentava despertá-lo. "Zé acorda! Compadre Chico está ali na sala, passando mal. Chega, homem! A comadre está chorando muito!", implorava. Zé Leão, a muito custo, abriu os olhos e, com a voz arrastada balbuciou: "Traga o compadre Chico aqui". Levaram Chico Zuza até o quarto, onde Zé Leão ainda deitado, ordenou: "Estenda aí o braço, compadre". Com esforço estenderam o braço do paciente, que tremia mais que veículo Toyota. Com a meia-luz do abajur, o médico segurou seu pulso esquerdo e diagnosticou: "Hei, compadre! Você tá mais bêbado que um gambá". A esposa depressa acendeu a lâmpada central e protestou: "Zé, você tá pegando no seu próprio braço, homem!". Zé Leão, sem abrir os olhos, mandou o veredicto final: "Pode ser. Só que não errei o diagnóstico". Consulta encerrada.

02) Carlito Lima, de Mossoró, era um gozador até de si mesmo. Achava que com ele nada dava certo. Certa noite, entrou numa farra e esqueceu a hora de voltar. Consultou o relógio: ia dar quatro horas. "Valha-me Deus!", exclamou o boêmio, "vou embora pois tá quase na hora da mulher ir pra missa". Chegando em casa, tirou os sapatos e foi adentrando de mansinho. Ao aproximar-se, a mulher acordou. "Carlito, agora?". Carlito não se deu por achado. "Tás doida, mulher! Eu estou me arrumando para ir à missa! Tu não vai?". Ele foi, mas não viu o padre. O ronco era grande...

03) Em Mossoró o cabo Ladislau era o que podia se chamar o "maior inspetor de quarteirão". Às dez da noite soava por três vezes o apito de alerta. Hora de recolher. O cabaré do "Café do Povo" silenciava. Mas o cabo valente, tinha um ponto fraco: era torcedor doente do Botafogo carioca. Uma tarde de domingo, Ladislau conduzia preso um bêbado arruaceiro. Aqui e acolá um empurrão. "Anda, vagabundo. Vai curtir sua cachaça no xilindró". Após alguns safanões, o preso começou a chorar. Destilava soluço atrás do outro. O velho cabo admoesta: "Para com isso. Você não levou nenhuma porrada. Que choro besta é esse?".  O bêbado, passando a mão no rosto, explicou: "Né isso não, cabo. O meu desgosto é que eu não vou ouvir o jogo do meu querido Botafogo. Logo hoje, que "nóis vamo" dar no Flamengo". "Você "troce" pelo Botafogo, cabra?", quis saber o militar. "É , sim "sinhô"", disse o papudinho. "Então vá pra casa e acenda um maço de velas pro nosso time ganhar". E liberou. Ainda dizem que futebol não tem violência e paixão.

04) Numa reunião presidida pelo deputado Vingt Rosado, em Mossoró, vários nomes se lançavam à vereança, outros se apresentavam apenas como lideranças de comunidade. O líder a todos recebia com cordialidade. No grupo havia um elemento recém-chegado, muito petulante e boçal que já se dizia eleito. O deputado não acreditava em fanfarrões. O sujeito chegou questionando o sistema. Vingt dizia: "Calma, doutor, não é por aí". O sujeito teimava: "Mas, deputado, era bom que fosse assim". "Calma, doutor", respondia o parlamentar. Terminada a reunião, um amigo chegou junto: "Deputado, nunca vi o senhor tão calmo. Esse sujeito não é doutor coisa nenhuma. O senhor o chamou assim várias vezes?". Vingt respondeu didaticamente: "Meu filho, quando você presenciar eu chamar um cara de doutor, e todo mundo sabendo que ele não é, eu estou me contendo para não chamá-lo de f.d.p e mandar sair de perto de mim". Aula gratuita encerrada.


                                                         (*) Escritor.

21 de Janeiro de 2011

DIVERSÃO E DEVOÇÃO

Eu me acosto aos que defendem que o Evangelho deve continuar a dá sentido a nossa vida. As igrejas, tanto a católica quanto a evangélica devem socializar os procedimentos de evangelização e não capitalizá-los para o usufruto de castas. As igrejas precisam oferecer lições de humildade e caridade aos seguidores e não o luxo das construções suntuosas, a ostentação de riqueza do lucro imobiliário, da usura dos empreendimentos enganosos, sob a capa de que o paraíso do cristão é aqui e não o Reino de Deus. Jesus, ao expulsar os vendilhões do templo, deixou claro que as dependências da fé não podem ser mercadejadas. E ninguém foi mais humilde, sofrido, sacrificado do que ele, justamente para salvar o mundo.

 Deixo claro que o meu entendimento é meramente filosófico, doutrinário, ou, até moralístico se assim o leitor quiser interpretar. Lavro, apenas, um alerta isolado, sujeito as escaramuças naturais dos que defendem o "portal do paraíso". Sou livre para opinar. Admiro e respeito todos os credos religiosos naquilo que têm de verdade contra a hipocrisia e a ganância dos dias atuais. Aprendi, ao longo da vida, que não se pode usar o nome de Deus em vão, principalmente, para acobertar iniciativas que privilegiam mais os ganhos de capital do que a religião em si. A Lagoa do Bonfim, ou a Lagoa de Extremoz, por exemplo, é um dos principais mananciais de fornecimento de água potável a cidade de Natal. Para se instalar um mega projeto nas suas margens constantes de: dez quadras esportivas, dois campos de futebol, piscina semi-olímpica, salas de diversões (jogos) eletrônicos, pista de cooper, anfiteatros, auditórios, praça de alimentação, loja de conveniência, parque aquático, tobogãs, apartamentos, etc., pergunta-se: qual a repercussão de tudo isso no meio ambiente, no lençol freático, e, se houve um estudo acurado desse impacto? Por outro lado, entendam, que o meu posicionamento não objetiva atingir quem quer que seja. Não sou contra o progresso nem, tão pouco, agnóstico. Sou comentarista, analista, articulista, cronista, escritor e eleitor. Frequento templos, igrejas, mas não posso deixar de me preocupar com os capitalistas que envolvem os nomes e os pronomes para ganhar dinheiro fácil e rápido.

A imensa maioria do povo cristão passa fome. Não possui o que vestir nem calçar. Milhões estão desempregados e parte envereda pela prostituição, violência e morrem à mingua sem o remédio nem o hospital. A ordem estabelecida pelos sinais do tempo é a soalidariedade, o sacrifício e a caridade, já que, os governos são falhos e demorados. Sonho com o dia em que as igrejas de todos os credos transformem os seus repetidos cultos, missas e atos religiosos em campanhas efetivas em favor das favelas, dos abrigos, dos cárceres, dos orfanatos e dos marginalizados de toda a sorte. Não se edifica a fé e a salvação do cristão erigindo-se catedrais ou complexos turísticos, mas investindo-se na sua humanidade. Mas, isso, dirão, não dá lucro ao construtor. Quando se alargam as portas para as coisas materiais, fecham-se as espirituais.

                                             

(*) Escritor.

07 de Janeiro de 2011

RESGATANDO CAUSOS DE LEONEL

Valério Mesquita* - mesquita.valerio@gmail.com


Leonel Mesquita foi agropecuarista, proprietário da Fazenda Arvoredo, Faleceu ainda moço, em 1979. Foi prefeito constitucional de São Gonçalo do Amarante tendo, durante muito tempo, militado na UDN, como membro do diretório estadual desse partido em Macaíba. Foi seguidor fiel de Dinarte Mariz e Djalma Marinho, nos quais sempre votou. Era homem de coragem pessoal, de fidelidade aos amigos, mas implacável como inimigo. A sua marca registrada era a irreverência.

01) Ticiano Duarte me narrou esta estória que tem o sabor dos bons tempos da boêmia natalense dos anos sessentas. Convidado por Leonel, saíram numa tarde verânica, em viagem de circunavegação polar pelos bares da vida. Navegantes de longo curso, no início da noite atracaram no famoso bar do Hotel Internacional dos Reis Magos. Ao chegar, se defrontaram com uma confusão à porta do hotel que envolvia amigos comuns com estranhos. No meio deles Raimundo do cartório, João Câncio, entre outros. Apaziguados os ânimos, Leonel e Ticiano iniciaram os trabalhos de imersão alcoólica. Lá pras tantas, Leonel resolveu tomar uma atitude insólita, pra espanto do pacífico Ticiano: "Vou quebrar esse bar!! Esse gerente (Hans, um alemão que administrava o hotel) tratou mal os meus amigos!!!". De repente, o tempo fechou. Era copo e cadeira pra todos os lados. Todo mundo debandou. Com muito custo Ticiano convenceu o seu amigo a sair. Do lado de fora a polícia já havia chegado e se preparava para agir. O cabo da guarnição, que conhecia Leonel, foi logo perguntando: "Seu Leonel o que é que está acontecendo aqui?". Com a serenidade que só aos bêbados é concedida nessas situações, respondeu: "Um cara lá dentro está quebrando tudo!". Quando Leonel manobrou o carro para sair do estacionamento, toda a guarnição já havia entrado no hotel, de cassetete em punho, à procura do desordeiro.

02) Liseu é doença grave. Que o diga o ex-senador Moacyr Duarte, seu amigo e primo-irmão de Leonel Mesquita, que me contou, certa vez, essa estória. Lá pelos idos de 1966, o então deputado Moacyr Duarte andava preocupado com sua reeleição e, naturalmente, com problemas de "caixa". "Cizinho", como costuma chamá-lo em família o próprio Leonel, estava deprimido. Adoeceu. Enfurnou-se dentro de casa. Não estava para ninguém. A família começou a se preocupar. Chamaram médicos. Os diagnósticos eram os mais desencontrados. Os dias se passavam. E já se pensava em levá-lo para São Paulo, quando, um dia, Leonel veio visitá-lo. Foi direto aos seus aposentos no primeiro andar da casa. Ao cabo de uns dez minutos desce Leonel e, ao seu redor, aconchegaram-se logo vários amigos e familiares. "Que acha mesmo, Leonel, do estado de Moacyr?", perguntou um deles. Sério, com seu jeitão matreiro e irreverente, Leonel deu o diagnóstico curto e incisivo: "O problema de 'Cizinho' é liseu!! Ligue pra Dinarte e dê o número da conta bancária. Ele fica bonzinho", completou. Dia seguinte Moacyr teve alta.

03) Leonel era abecedista de carteirinha. Vez em quando, freqüentava o Machadão. Certa vez, estacionou, à tarde, o seu carro em frente ao estádio e pediu os cuidados de um garoto "pastorador". Ao final do jogo, constatou que seu automóvel havia sido deslocado do ponto onde o deixou, o que danificou a sua caixa de marchas. O "pastorador" narrou de pronto, que empurraram o veículo, mas anotou a placa do carro do responsável. Dia seguinte, Leonel foi ao DETRAN e, descobriu o nome do proprietário. Era um conhecidíssimo engenheiro, dono de uma construtora. Sem maiores contemplações, Leonel colocou um paralelepípedo no banco do seu carro e se dirigiu à sede da empresa. Lá encontrou o automóvel do empreiteiro. Ato contínuo, atirou o petardo no pára-brisa do automóvel do empresário e, sob os olhares dos curiosos, sentenciou: "Tamos quites!!!". Resgatando os seus causos, homenageio o seu aniversário de nascimento, que ocorreu dia sete próximo passado.




                                                              (*) Escritor.

24 de Dezembro de 2010

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS

01) Nivaldo Dantas foi funcionário público, ex-vereador de Mossoró, ex-atleta do Baraúnas e do Potiguar. Mostrava mais uma qualidade: comentarista esportivo. Tarde de domingo, estádio lotado para assistir ABC x Potiguar. Era a rivalidade Natal x Mossoró. No decorrer da partida, falta perigosa próxima a área do Potiguar. O locutor comandante pergunta: "E aí 'capitão Nivaldo', o perigo ronda a meta do Potiguar, o que você diz?". O comentarista foi enfático: "Meus amigos, o 'cracão' Drailton é quem vai bater. Falta que leva perigo à cidadela do Potiguar. Eu já joguei com esse negão e sei que o 'cacetaço' dele não é mole não. O goleiro que se cuide". Não demorou muito o carão do dono da emissora.

02) Seu Caldas, o grande vate assuense, com o peso da idade, começou a sentir dificuldades visuais. Em alguns casos, o sábio passava a mão e, os dedos "viam" as coisas. Procurou a velha costureira Martinha para lhe pedir que cerzisse uma camisa com pequeno rasgão no ombro. A amiga mandou que uma das filhas fizesse o serviço. A moça, aborrecida, obedeceu a ordem materna e rapidamente alinhavou a costura. Caldas, ao receber a camisa, passou os dedos para senti-la, encostando o tecido mais perto dos olhos e, em seguida, dobrou a peça. A moça arriscou: "Ficou bom, seu Caldas?". O velho não perdeu a esportiva e devolveu: "Ficou bom, minha filha. Agora se me perguntarem quem fez, eu direi que foi uma ceguinha, minha amiga".

03) As Rocas sempre foram o celeiro de grandes nomes do nosso futebol. Entre alguns destacou-se "Pancinha", que jogou pelo América Futebol Clube. Pancinha logo foi convidado a fazer testes no Fluminense do Rio de Janeiro. A primeira semana nas Laranjeiras foi de treinos de dia e farra à noite. Numa dessas noitadas, nosso craque arranjou uma pesada doença venérea. Não obstante o bom futebol apresentado, o atleta foi mandado de volta. Um jornal de Natal estampou a seguinte manchete: "PANCINHA VAI PRO RIO DE AVIÃO E VOLTA DE MULA".

04) Alexandre Herculano, poeta, romancista e historiador português do século dezenove, escreveu um livro com este título. Mas, lendas e narrativas existem em toda parte do mundo. Principalmente na política. No Rio Grande do Norte, lembrei-me de Tarcísio Maia, que pagava os almoços e jantares com amigos e auxiliares do seu próprio bolso. "Lira, (dono da "Carne Assada" na Ribeira), não é por conta do estado", dizia sempre para resguardar a liturgia do cargo. Hoje, secretários de estado têm até cartões de crédito pagos pelo povo para custearem bambochatas e rega-bofes. Aqui e alhures, como gosta de dizer o jornalista Paulo Macedo.

05) Transcorria em Ponta do Mel uma festa para os colonos, sob a direção do prefeito Cortez Pereira. A Superintendência da Petrobrás foi convidada, pois falava-se na possibilidade de petróleo naquela área. Uma moça muito bonita, filha de um vereador, dava as boas vindas a todos. Ao ser apresentada a um engenheiro bonitão, a moça sentiu-se atraída pelo rapaz. "Muito prazer, senhorita", disse o profissional. "Quanta beleza numa só pessoa. Muito prazer, mesmo", fechou o cumprimento beijando a mão da jovem embevecida. A moça, encantada e inebriada soltou essa pérola de orgasmo: "O gozo é todo meu".

   

                                                                                                                                                                                                                       (*) Escritor.

17 de Dezembro de 2010

CENAS URBANAS E PERIFÉRICAS

Valério Mesquita* - mesquita.valerio@gmail.com


01) Cena urbana ocorrida num coletivo descobrindo, mais uma vez, o pitoresco do dia-a-dia. João Batista, profissional do volante - como a maioria da classe - vive estressado. Outro dia, no percurso São Gonçalo/Natal, viu-se às voltas com uma turista de araque. Chateada, entrou num coletivo, da Zona Sul e esbravejou: "Essa droga vai ou não vai chegar na praia? Eu quero ir pra Santa Rita". O são-gonçalense João, quase perdendo as estribeiras, ponderou: "Moça, se você espera por Santa Rita, eu lhe aconselho ficar calma. Se ela prometeu lhe encontrar, ela vem. Acontece, que de Santa Cruz do Inharé até aqui, é longe. E se ela vem à pé? Aí sim. Vou levar você para esperar na garagem, pois vai demorar muito.

02) O são-gonçalense Edvaldo Oliveira - Didi para os amigos - trocava idéias com o ex-prefeito Ítalo Monte. Em tom de queixumes, Ítalo reclamava: "Rapaz, um amigo nosso, setenta e cinco anos, cinco de viúvo, acaba de casar com uma menina de vinte e três. Só você vendo. É de dar inveja, a sorte do cara". Didi, assumindo ar geriátrico pontificou tal qual um sábio em pesos e medidas: "Nem pensar, amigo. Numa idade dessa, seu amigo tá ficando doido! É comida pesada demais para um idoso".

03) O eterno revolucionário José Andrade - o Zé Gago - tendo por base a Consolidação das Leis Trabalhistas - a velha CLT - procurou o INPS de Mossoró, tentando uma aposentadoria. Frente ao doutor Zé Holanda, Zé Gago, colocando sobre a mesa um monte de papel, explicou-se, devagar: "Dou, dou, doutor, eu vim re, re, requerer minha apo, minha aposentadoria". O magistrado examinando a papelada, sentenciou: "O senhor não tem idade nem tempo de serviço exigido por lei". Zé Gago não gostou do que ouviu. "Co, co, como não, doutor? Tá, tá, dizendo aí, no, no papel que eu tem, tenho direito sim!". O juiz José Holanda, ríspido de dar coice no vento, encerrou o papo: "Papel aqui "não diz nada"! Quem tá falado aqui sou eu! Doutor José Holanda!". Zé Gago juntando os documentos, apenas deu de ombros: ""Vixe"! Como tem Zé... Vou pro, procurar ou, outra co, co, comarca".

04) Nos anos sessenta, asfalto era fruta rara, e o piçarro nas estradas cansavam até camelo. Padre Antas, de Santana do Matos, sempre que ia a Natal fazia uma paradinha na casa paroquial de Angicos. Lá tomava banho, trocava idéias com padre Pinto, e puxava uns tons e sons num acordeon do colega. O vigário Antas tocava muito bem. Um dia, ele achou que havia descoberto a pólvora: "Achei uma fórmula de levar os fiéis à igreja!. Vou para a praça, meto o dedo na sanfona e quando juntar um certo número de admiradores eu paro, e digo: agora, vamos rezar para pedir perdão dos pecados". Um dia, uma carola resolveu lhe confidenciar: "Padre, eu ainda não pequei hoje. Talvez só de noite". Só disse isso para não ir a missa. Mas que foi estranho, foi...

05) Num papo informal na Federação das Indústrias, um grupo de prefeitos jogava conversa fora antes da reunião. O prefeito Pachica do município de Coronel João Pessoa, comentava: "Quando o tema é novela, o povo fala em reprise. Quando o assunto é filme, alguém chama "remake". Quando se fala em esporte, se diz replay. Porém quando se fala em política, até a velha Joaquina lá de Poço de Varas, logo sai com a piada: Lá vem enrolada". Quem tem razão?


                                                       (*) Escritor.

10 de Dezembro de 2010

Boninho: Um estúpido no comando

PAULO CORREIA


Esses dias, o jornal O Globo divulgou alguns comentários do diretor de TV José Bonifácio Brasil de Oliveira, o famoso Boninho. O rapaz, que já dirigiu vários programas da Rede Globo, atualmente é o responsável pelo Big Brother Brasil (BBB), um festival de bobagens e culto a idiotice que já caminha para a sua décima primeira edição. Pois bem, no seu comentário postado no twitter e publicado pelo O Globo, o diretor do BBB informou que em 2011 o show de horrores vai ganhar outros elementos: "Esse ano tudo vai ser diferente... Nada é proibido no BBB, pode fazer o que quiser. Esse ano... liberado! Vai valer tudo, até porrada". E ai caro leitor, a nossa televisão tem futuro com um diretor desses, que incentiva a violência gratuita?

Já faz alguns anos que acompanho a trajetória desse nobre, que é filho de José Bonifácio Sobrinho, o Boni, um dos maiores diretores e produtores da TV brasileira. E acompanho sempre com muito espanto os seus passos, muito diferente da carreira de sucesso de seu pai. Boninho, diferentemente do velho, é um espertalhão que adora jogar ovos podres de sua cobertura em desavisados pedestres que passam perto do seu prédio. Tudo isso, filmado para melhor deleite desse pobre homem e dos babões que o acompanham.

Desta vez, o midiático resolveu liberar geral no programa que comanda com mãos de ferro na TV Globo, o BBB. Resolveu deixar o circo pegando fogo, para melhor vender o seu produto e ganhar os rios de dinheiro que recebe da Vênus Platinada. Um programa que já é extremamente pobre e que transforma babacas e dondocas com zero de conteúdo em estrelas da noite para o dia. Um show de horrores que já deveria ter sido extirpado da grade da TV, e que nada acrescenta ao público, mas que mantém sua enorme audiência por conta de bundas e peitos.

Enquanto isso, esse espertalhão que informa para os quatro cantos que até porrada vale na disputa pela grana do programa, sai rindo a toa.

Quando é que o povo brasileiro vai acordar dessa letargia e ignorância total? Quando ele irá descobrir que esse tipo de atração só o coloca para trás? Quando ele irá descobrir que pessoas como Boninho só visam o lucro pessoal, que não se importam com ninguém? Quando a televisão brasileira irá colocar um sujeito desses no seu devido lugar?

Alguém responde?

24 de Novembro de 2010

DISSE-ME-DISSE PARLAMENTAR

01) Tempos atrás, a Assembléia estava convocada extraordinariamente. O deputado Ricardo Motta chegara de véspera do Rio de Janeiro para participar da votação e estava ansioso pelo término da sessão, pois já se prolongava além das 14 horas e teria que chegar ao aeroporto às 15. Seu assessor, aflito, telefona: "Deputado, aquela carne de sol que o senhor vai levar está ficando preta!". "Bota no gelo!", instrui o deputado. "Já está!", respondeu o assessor. "Então deixe assim mesmo", orienta Motinha, "como paçoca tudo é preto, ninguém vai desconfiar".

02) O deputado Wober Júnior contou-me uma cena ocorrida com um seu colega, lá nas profundezas da zona oeste. Narrou que um deputado dançava animado com uma bonita garota, numa festa municipal, quando foi interrompido por um emissário do prefeito seu correligionário. "Deputado, o prefeito manda avisar que a moça que o senhor está dançando é filha do nosso principal e radical adversário". Com muito uísque na cabeça, o deputado foi rápido na resposta: "Rapaz, diga ao prefeito que p... não tem partido político não".

03) Na sonolenta sessão extraordinária (avalie se não fosse extra) o deputado Targino Pereira fez um longo aparte ao discurso do deputado Leonardo Arruda. O aparte longo é fogo! O mestre nesses apartes intermináveis é o guru Lara Ribeiro. O deputado Targino já estava patinando no final do seu aparte, mas recebia "sopros" dos colegas ao lado Ronaldo Soares e Elias Fernandes. Talvez, atrapalhado pelas "ajudas" dos vizinhos, Targino descarrilhou: "Estou aqui pegando as coisas dos colegas...".

04) O médico e deputado Arnóbio Abreu consultava a sua clientela no Açu quando lhe apareceu um gago. Instalou-se logo aquele ar de impaciência e dificuldades. O deficiente começou a gaguejar falando a respeito dos filhos. Ao mencionar com extrema dificuldade o primeiro, o segundo, o terceiro, Arnóbio cortou a entediante conversa, perguntando logo quantos filhos ele tinha. "Tre, tre, tre, treze!". "Todos são gagos assim como o senhor?". "Na, na, não. Eu, eu, não fi, fi, fiz eles com, com a lin, língua não!!". A consulta foi encerrada.

05) Antônio Paulino, então prefeito de Paraú, estava sendo "trabalhado" pelo deputado Arnóbio Abreu para apoiar Ismael Wanderley a deputado federal. Para a formalização preparou um encontro com "comes e bebes". Prá início de conversa, Ismael foi informado que Antônio Paulino tinha umas reivindicações a fazer. "O que é que ele quer?", perguntou Ismael todo enfarado. Com habilidade, Arnóbio colocou os dois de frente, e Paulino foi debulhando os pedidos e Ismael, com a inapetência política que lhe é peculiar, anotava as coisas numa carteira de cigarro. Concluído o peditório, voltaram todos a beber e a conversar. Fumante inveterado, lá pras tantas, Ismael consumiu o último cigarro e, como de costume amassou e atirou fora a carteira, sob o olhar atônito do prefeito. Encerrado o encontro, Paulino, que não despregara os olhos da carteira de cigarro no chão, apanhou-a e dirigiu-se a Arnóbio: "Não vou votar mais no seu candidato". "Por que Paulino, o que houve?". "Olhe o que restou da agenda dos meus pedidos. Eu ia ou não entrar numa fria?", indagou, desolado, o prefeito de Paraú.


                                                 

24 de Setembro de 2010

A ARTE IMITA A VIDA

01) Na Natal dos velhos tempos, as noites eram de festas. Depois dos galãs e do Jaraguá, era vez dos pa-lhaços Berico e Mateus animarem o circo ambulante nos bairros da cidade. Mateus mais comedido, declamava: "João Pessoa faleceu num dia de quinta-feira, levava na mão direita um livro e na outra uma bandeira. Essa alma de conceito, postava escrito no peito: terra ilustre brasileira!". Era uma alusão ao assassinato do político paraibano. O povo se comovia. Berico, ao contrário, encarnava o bronco e obsceno, recitava dando voltas: "Entrei de mar a dentro, fui bater na pedra oca. O bicho que mata o homem mora debaixo da roupa! Boa noite para os rapazes. Boa noite para a moçada. Boa noite pra essas véias que tão de bu... chechas "engiadas"". Severino Bahia, o dono do terreiro - que não admitia imoralidades - assistia a tudo de cipó broxa à mão, bem alto, comentava: "Dessa vez ele escapou. Mas eu ainda dou umas bordoadas nesse palhaço sem vergonha que quebra todos os tratos...".

02) O deputado Odilon Ribeiro Coutinho, atendendo uma reivindicação do prefeito de Grossos Raimundo Pereira, conseguiu uma verba federal para construção de um hospital na cidade salineira. O dinheiro, como sal, diluiu-se n'água e sumiu. Chegavam a eleição, e o político avisou que iria fazer uma visita ao município. Raimundo perdeu o sono. O que ia dizer sobre o hospital? Um auxiliar direto - ainda não existia a figura do assessor - logo sugeriu: "Prefeito, mande dar uma pintura no barracão da velha Laura, e pronto!". O barracão da Laura era um galpão abandonado pela estrada de ferro, e que servia de bordel para as prostitutas dos salineiros. A maquiagem foi feita. Faltava apenas a data da visita e o fotógrafo. Dias depois, chegou a notícia que o parlamentar não viria mais, questão de agenda, etc. etc. Raimundo, ficou entre feliz e triste ao mesmo tempo, pelo gasto inútil. As meretrizes estavam felizes, e comemoravam: "Que prefeito bacana, "alimpou" nosso prédio". A velha Laura, por sua vez, foi mais adiante: "Se "alembre"! "Vamo" votar no seu Mundinho Pereira!". Menos mal. Menos mal. Mas, a pior impressão é a que fica. 

03) Erivan Souza Costa foi três vezes prefeito do município de Lagoa Nova, prova de sua forte liderança junto ao povo. Outro dia, um eleitor da velha guarda cobrou: "Prefeito, nessa campanha eu vou precisar da sua ajuda. Nunca pedi nada, mas agora a coisa apertou...". "Diga aí amigo, qual o problema?", quis saber. "Negócio é o seguinte: tou precisando de cinco mil reais. Você sabe, lá em casa são dez votos, e são todos seu!". O prefeito Erivan coçou a cabeça, e raciocinou pessedistamente: "Ora, se já são todos meus, pra quê "comprar" isso tão caro? Olhe compadre, tenho muito tempo de política, mas não aprendi a arte de trambicar não!". O eleitor, meio desapontado, virou pedagogo: "Mas "home", passe um mês em Brasília, que você vem formado e informado...".

04) O Serviço Social da Indústria - SESI, pensando em qualidade de vida, levava o teatro às camadas mais pobres, através do artista maior, à época, Jesiel Figueiredo. Na ribalta sesiana, Jesiel declamava com toda alma, o poema "As mãos de Eurídice"!. Era de fazer inveja ao grande Paulo Autran. O artista prendia a platéia. Mas, quando "a coisa" é de graça ou gratuita, tem gente de todo naipe. Um sujeito lá do meio do auditório gritou: "Sou mais as mãos de Aluízio ou as de Tarcísio, que por onde passam tudo vira riqueza!". O riso foi geral. Jesiel sem perder a pose, fez uma paradinha, e retomou o microfone: "Aqui, tá todo mundo liso. Mas, se o senhor quiser vir aqui, mesmo com as mãos de Paulo Maluf, pode subir!". A ovação foi geral, e o engraçado pegou o beco.


 

10 de Setembro de 2010

NOVIDADES, ESTRATÉGIAS E ASSOMBRAÇÃO

Valério Mesquita* - E-mail: mesquita.valerio@gmail.com


01) O poeta e escritor Sanderson Negreiros é um permanente capataz dos mistérios circundantes da vida. Sabe perfeitamente que viver é extremamente perigoso. Certo dia, recebeu um telefonema do seu amigo e colega João Batista Machado indagando, como de costume fazem os profissionais da imprensa: "Alguma novidade?". Sanderson, exasperado e reticente: "Machadinho, tenho horror a novidade...".

02) Era o ano de 1970. Esboçava-se a nova equipe do governo Cortez Pereira. As especulações surgiam de toda parte. Numa manhã clara de dezembro, um matutino publica a foto e a notícia do primeiro secretariável do futuro governo: o compositor e professor Roberto Lima. A ala dinartista afanosa por novidades para informar ao seu líder, liga imediatamente para Brasília, através de Joanilo de Paula Rêgo: "Dinarte, temos novidade. Saiu o nome do primeiro secretário do governo. É um músico". "Um músico?", surpreso, interroga Dinarte. E com aquela voz arrastada do Seridó e fazendo esforço de memória para adivinhar, o senador pergunta: "É Paulo Lira?". Para quem não conhece, Paulinho era uma figura muito estimada e conhecida em Natal, da geração de Dinarte e tocou piano em inúmeras casas, cinemas, teatros e restaurantes de Natal.

03) Zé Cearense era um pacato cidadão, motorista de praça, que residiu algum tempo à rua do Vilar, em Macaíba. Trabalhou também na Empresa São Cristóvão e depois foi ser motorista na antiga praça de jeep no centro da cidade. Sofria de asma e, vez por outra, quando se agitava, sobrevinham acessos da doença. Lá pelos anos setenta, o assunto em Macaíba eram as aparições da rua do Vilar, à noite, perto do bueirão, juntamente na parte escura próxima ao antigo sítio do Dr. Enock Garcia. Todo dia chegava à praça de veículos uma notícia de quem foi apavorado ou viu uma alma do além. Às vezes, o próprio Zé Cearense narrava com riqueza de detalhes o que lhe contavam. Homem crédulo e temente às coisas do outro mundo, Zé tornou-se presa fácil para alguns amigos planejarem uma brincadeira. Certa noite, guardou o carro na garagem do proprietário e se dirigiu a sua casa. No caminho, igual a todas as noites, sempre se benzia ao se aproximar do local. Nena, um espertalhão, havia se escondido dentro da bueira. De repente, uma voz quase sumida, trêmula, abafada, saiu de dentro: "Zé Cearense, Zé, é você que está passando?". Um frio percorreu as pernas do motorista fazendo-o parar ali mesmo: "Sim, sim, sou eu", respondeu ofegante e nervoso. Novamente a voz "sobrenatural" inquiriu: "Você trabalha tanto e não tem nada. Quer ficar rico, Zé?". Sugestionado pelo medo e temendo deixar a alma sem resposta, o pobre balbuciou aos sopros, incomodado pela asma: "Queeero! Queero!". "Então, Zé Cearense", replicou a assombração, "vá dar o c...". Ato contínuo, Zé sacou da peixeira de catorze polegadas e desafiou o fantasma: "Saia daí, seu fela da p.... Quem já viu alma do outro mundo falar sacanagem!". Nena somente desocupou a bueira quando a crise de asma piorou, forçando Zé a se recolher a sua casa, bufando de raiva. No outro dia, na praça, Zé não foi trabalhar.


(*) Escritor.

03 de Setembro de 2010

FABULÁRIO

Valério Mesquita* - E-mail: mesquita.valerio@gmail.com


01) Em 1963, a safra de candidatos para prefeito e vereador de Bom Jesus era toda de analfabetos. Pimenta foi logo chamado para ministrar curso de oratória a todos, inclusive ao próprio Lelinho. Nos comícios Pimenta era o soprador oficial e ventríloquo. Certa noite, tomou a decisão de escalar para discursar a raia miúda, isto é, os candidatos dos sítios. E logo foi chamado o famoso Chico Tempero. "Você tá doido, Pimenta?", protestou Lelinho. Pimenta encheu Chico Tempero de "cana", escalando-o pra falar. Chico começou assim o seu temperado discurso: "Num "tô" nem aí pra votar em Vicento Terto, "pruquê" eu tenho tesão "mermo" é em Lelinho!!".

02) Uma história de gemido. Contou-me Agnelo Alves, o nosso Neco, que Alcebíades que não é o de Santana do Matos, era um boêmio incorrigível. Nos porres homéricos, chegava em casa de madrugada e iniciava uma sessão de gemidos histriônicos provocados pelo quase estado de coma-etílica. As irmãs seriamente afetadas e preocupadas, impuseram um armistício a Alcebíades: "ou para com a bebedeira e os gemidos ou não dorme mais em casa". Solteiro, dependente das manas indulgentes, aceitou as cláusulas impostas. Mas, estava escrito que, pelos descaminhos do mundo, o boêmio é um ser terrivelmente frágil. Numa alta madrugada, Alcebíades traiu-se e "cheio de mé", soltou uns longos gemidos seguidos de uma frase pungente: "Ninguém pode mais nem gemer nessa casa, ai, ai, ai, ai, ai...". A partir daí, igual a Maisa Matarazzo, o seu mundo caiu.

03) Contou-nos Fernando Caldas, duas tiradas de espírito tipicamente assuense. Oscar Fernandes, conhecido como Oscazinho, é comerciante no ramo de parafuso. Certo dia, foi visitado por um viajante. Conversa vai, conversa vem, perguntou-lhe o vendedor: "Seu Oscar, o senhor tem irmãos em Natal que se chamam Oscarnilson, Oscairton, Oscarnóbio e Oscarina?". "Tenho sim". O viajante mais curioso ainda fez-lhe nova pergunta: "E o seu nome completo, como é?". Irritado, respondeu: "Oscaralho!!!".

04) O poeta Sanderson Negreiros contou-me essa. Newton Navarro sonhava com uma viagem a Paris. Passou muito tempo economizando. Finalmente, um ano depois, conseguiu. Iria passar dois ou três meses na Cidade Luz. Viajou. Em menos de um mês Navarro abreviou o retorno. Saudade e liseu. Apavorado, sem apoio e sem ninguém foi para o aeroporto de Orly. Mas, estava escrito que estrela de poeta não se apaga, assim facilmente. E lá se encontrou com o conterrâneo deputado Djalma Marinho. "Djalma, que sorte a minha, me socorra. Preciso voltar urgente para Natal!!". Sem precisar conter o susto por ver Newton ali, Djalma, displicente todo, foi logo respondendo: "Não posso fazer nada. Perdi passaporte, carteira, talão de cheque, tudo!!". Esse, sim, era poeta mesmo. E que dupla?

05) Avelino Matias, o famoso "Meu Pai", ex-prefeito de Brejinho foi uma das melhores expressões do folclore político do Rio Grande do Norte. Certa vez, tendo chegado atrasado a Macaíba onde se  encontraria com o governador, Avelino foi aconselhado pelo então prefeito Luizinho a almoçar no restaurante Carne e Queijo. Fez-se aquela festa, muita conversa, efusivos cumprimentos "Como vai Meu Pai", "Como vai Minha Mãe, etc.", chega o garçom e se dirige a ele: "Vou trazer o cardápio pro senhor". "Meu filho eu não como cardápio, eu como é carne, galinha, feijão".


                                                  (*) Escritor.

27 de Agosto de 2010

ESCREVER: CASTIGO OU CONSOLO?

SEBASTIÃO CARNEIRO


Já falei numa de minhas anotações malucas sobre a impunidade do ato de escrever. A referência não é minha. Li-a não me recordo em qual veículo. A ação de escrever, entendam bem. É dela, da ação, a dispensa do castigo. A punição virá, não tenham dúvida. Um pouquinho mais tarde, mas virá, sim. Não ter seu escrito soletrado, essa sem dúvida, é a penalidade maior para o escrevinhador, gente.

Bom, devo pedir socorro a vocês. Vocês, no caso, o meu quinteto de leitores. Cinco, sim senhor. Já tive oito, porém a anemia de minhas prosas terminou afastando três. O socorro, gente, é alguém sentir pena de mim e me internar no João Machado. Vejam se a internação não tem sentido. Só tenho cinco leitores, mas, mesmo assim, continuo rascunhando bobagens. Isso é ou não é retrato de abilolado?

Você, Eloíza, pode até pensar assim: Tião nunca vai passar de cinco leitores. O homem não se esforça a fim de escrever melhor? Tião é muito é do acomodado.  O estilo dele é embaçado, caolho e coisa e tal. Daí ele ter contaminado de miopia os olhos daqueles três.

Não é verdade, Eloíza. Dou um duro dos diabos pra ver se melhoro a escrita. Vou lhe dar uma amostra dessa boa vontade. Descobri um escritor de verdade, arretado pra burro, um tal de Rubens G. O bicho escreve no Jornal Metropolitano.  Dá gosto ler as belezuras do danado. Ele não só escreve, como descreve. Não só filosofa, como disfilosofa. Leio, e muito, François, Nei, Adauto, e por aí vai. Sou viciado na leitura da patota do Substantivo Plural. Leio feito um carneiro doido (carneiro lê, sim), mas não saio do canto.

Sabe a minha última babaquice, Janice? Ser poeta, menina. Vou escrever poemas. Quer imbecilidade maior? Se o alesado já é ruim de prosa, imagine de poesia? Isso é segredo, amiga velha, mas alimento a doideira já faz um tempão. Estou lendo adoidado a Marize Castro, a Nina Rizzi e a Carmen Vasconcelos. Essas três mandam bem nas palavras. E as palavras obedecem, acredite. Mas a leitura não é aquela assim, assim, como se diz, insossa, não. É leitura com ardor, acompanhada do delicioso sal poético entranhando de prazer a alma da gente. É leitura com o frescor de temperos verbais fazendo sangrar de gozo a caixa de nossos sentimentos.

Mas a verdade é dura. Nada dessas atitudes, Danielle, está atenuando a burrice deste desastrado. A prosa teima em soltar o consolo, o estilo não se desprega da chupeta, e a imaginação já ficou de bico torto de tanto bicar o bico. Quando o ameninado aqui vai se livrar dessas criancices literárias, Marta, só Deus sabe.

Querem uma prova da infantilidade? Estou me dando conta, e espero o devido perdão, de franciscana carência estilística. Falta um negocinho pra lá de comum, uma liguinha morfológica, digamos, neste esboço de escrito. Todos os textos o usam, mas a obtusa mente deste acriançado o aboliu. Já tinha percebido, Mônica, o aborto sintático? Não vejam afetação nisso, por favor. Entendam como comportamento de um impostor literário e percebam na brincadeira o último suspiro de alguém louco, não digo pra adquirir, mas ao menos não perder um daqueles cinco leitores.

Vamos fazer um trato? Se não descobrir de qual idiotice estou me reportando, você deverá me ler mais algumas vezes. Outras prosas, quero dizer. Do contrário, deverá me por na lixeira e me mandar praquele canto. Dou-lhe 2 minutos. Fechado? Então? Escrever é ou não é um ato impune?

Até mais. Ou seria até mais nunca?

20 de Agosto de 2010

RUMOS E PRUMOS

Valério Mesquita* - E-mail: mesquita.valerio@gmail.com


01) Encontrei certa vez, o saudoso Danilo Bessa no verão de Graçandu a beira-mar, tido e havido como o maior pescador e contador de estórias da região. Recém-chegado da Europa, colocou-me em dia com alguns causos. O primeiro foi o aviso que viu no aeroporto de Lisboa no avião da TAP: "Apertar os cintos quando estiver sentado". E em pé?

02) Viajar para conhecer um país ou uma cidade tem que ser de relativa duração. Sobre o assunto um grupo discutia uma agenda de viagens com o médico Ivis Bezerra na residência de um amigo comum, alcunhado de "o filósofo da Mor-Gouveia", pelas frases lapidares que profere. Lá pras tantas ouviu-se do filósofo essa sentença irrecorrível: "Para se conhecer bem uma cidade do exterior tem que se comer e se cagar nela".

03) Mas turistas existem para todos os gostos. Conta-se que o major Theodorico Bezerra, grande viajor dos cinco continentes, quando retornou da Europa após percorrê-la inteirinha, ofereceu a um jornalista que o entrevistava, a seguinte impressão de viagem, com aquele sotaque inconfundível: "Estive na Inglaterra no palácio da rainha e vi aqueles soldados com os seus cavalos bonitos e a coisa que mais me impressionou foi quando alisei o focinho do animal, todo lisinho...".

04) Danilo Bessa, fiel bebedor de vinho, se esbaldou na viagem. Mas no aeroporto de Lisboa, esperando o avião, não se conteve e pediu quatro dólares do "velho liquido". O balconista português explicou que não recebia dólares, mas, só escudos. E sugeriu-lhe trocá-los na casa de câmbio, ali perto. Sedento, Danilo pediu quatro dólares de escudos. O português com aquele sotaque de quem está dizendo a coisa mais séria do mundo, desculpou-se, pedagogicamente: "Ora, ora, pois, pois, se trocar os quatro dólares o senhor nada receberá pois é exatamente o valor da taxa do governo. Darei o recibo e mais nada". Negócio típico de português. A abstinência de Bessa durou somente até o avião.

05) O major Ademar Cirilo, falecido há pouco tempo, norte-riograndense de Ouro Branco, era uma figura humana das melhores. No início dos anos sessenta, como ordenança do general Muricy, foi enviado ao Rio para fazer o curso da Escola Superior. Foi quando conheceu João Goulart, então vice-presidente da república. A sua cultura impressionou Jango e daí nasceu uma grande amizade. No final do curso, interpelado pelo vice-presidente qual seria o grande sonho de sua vida, o major Cirilo foi honesto ao dizer que gostaria de se eleger deputado federal pelo seu estado. Jango pediu para que ingressasse no PTB e começasse o trabalho de arregimentação. Passado algum tempo, o ex-presidente cobrou o sonho político ao amigo. Cirilo pretextou que não poderia ingressar em outro partido que não fosse o de Dinarte (UDN). Mas, Jango estava decidido a ajudá-lo e respondeu que isso não importava. Deu-lhe três viaturas e dinheiro. Em 1962, Ademar Cirilo andou perto de se eleger, ficando na segunda suplência. Mas, foi após a Revolução de 1964, que um fato marcante revelou toda a dignidade de Ademar Cirilo. Dedurado, juntamente com outros, como um dos oficiais simpatizantes do governo deposto, Ademar passou por uma constrangedora situação. Na fase inicial e aguda da caça às bruxas, o general Muricy tratou logo de limpar a "Caserna". Formou os suspeitos diante de si e mandou dá um passo a frente quem discordava do movimento. Ademar Cirilo foi o primeiro e único. Mais tarde, revelou a Muricy, que lhe nutria admiração, as razões do seu gesto. Foi entendido pelo seu superior mas punido pela Revolução que lhe cassou os direitos políticos, posteriormente.


                                                        (*) Escritor.

13 de Agosto de 2010

PERDIDOS E ACHADOS

Valério Mesquita* - E-mail: mesquita.valerio@gmail.com


01) O causídico Uziel, em Assu, quando sentava à mesa de cervejadas, esquecia o resto do mundo. Com um vozeirão de fazer inveja a Cid Moreira, Uziel era poeta, e gostava de declamar poemas de Castro Alves, Augusto dos Anjos, etc. De uma feita, saindo de casa na sexta-feira à noite, a esposa só foi vê-lo no sábado à tarde, numa roda boêmios. A senhora parou o carro e, descendo escorou-se na porta. Uziel vendo a cena, dirigiu-se a mulher e explicou-se: "Minha filha, vá pra casa. Seu esposo é assim mesmo. Eu sou o Incitatus!". E entonando mais a voz de locutor: "Eu sou um cavalo alado!". A esposa com muita presença de espírito, respondeu ali mesmo: "E eu sou sua égua de sustentação". Dito isso, foi embora e o boêmio voltou novamente, apesar de não muito contente.

02) O eterno vereador das Rocas, o saudoso Caubi Barroca, jamais tirava o velho paletó, e não perdia a chance de lançar galanteios para as mulheres. Na época do "vestido saco", duas moças passaram rebolando. Caubi não se conteve: "Balança minha filha. É assim que eu gosto!". Uma das jovens olhou de lado e ironizou: "Te manca coroa. Esse balanço não é pra você". Caubi rebateu de pronto: "Tem nada não. Um dia isso tudo vai ficar mole sacolejando! Aí vou estar aqui esperando sua volta, tá legal?".

03) Recentemente, um repórter perguntou ao governador  Geraldo Melo sobre a atual crise na área açucareira do Vale do Ceará-Mirim. O inesquecível homem do tamborete foi enfático na resposta: "Meu filho, na crise, ou você amadurece ou apodrece. Eu amadureci um pouco mais". Dedução: em qual situação GM não é sábio?

04) Miguel Mossoró, sonhando com um mandato, recomeçou com as idéias mirabolantes. Em conversa com lideranças de Salgada, Miguel apresentou-se: "Aqui está o homem que irá adoçar a vida do povo de Lagoa Salgada! Irei começar adoçando toda água daquela lagoa em frente a prefeitura. Ali será grande atração turística. Pode confiar!". João Oliveira, liderança no município, irritado comentou com os circunstantes: "Geraldo Melo quando tinha mel, açúcar e cana, disse coisa parecida a todos nós. Agora, chega esse maluco que não tem nem o bagaço da cana, com promessa furada e  conversa mole".

05) O deputado Carlos Augusto Rosado, buscava apoio para sua reeleição em Mossoró. Encontrando Pitéu, dono da torrefação "Café Kimimo", sorridente, dirigiu-lhe a palavra: "Meu velho amigo, conto com o seu apoio". Pitéu abrindo os braços, assim se expressou: "Deputado, tô com o senhor e não abro nem pro trem! Agora, se eu não arranjar um negócio aí, eu abro já!". O deputado riu com a franqueza do oestano, e perguntou: "Qual é o problema Pitéu?". O velho passou a ficha: "Tenho aqui oitenta e cinco pais de famílias. Meus votos são prá você. Mas eu tô precisando de um poço na minha granja. Topa?". "Mas aquelas terras são muito tórridas", atenuou o parlamentar. "Não sei se dará água por ali". "Ora, deputado", falou Pitéu. "Com as máquinas do governo, e eu sei que o senhor manda, é só cavar "até bater no côco dos japoneses" que a água jorra". Carlos Augusto retirou-se rindo. Com sessenta dias o poço estava pronto. Côco furado, água jorrada.


                                                  (*) Escritor.

06 de Agosto de 2010

PREVISÕES DE UM ASTRÓLOGO PALERMA

SEBASTIÃO CARNEIRO


Estou preocupado, gente. Acho que estou ficando lelé da cuca. Coisas estranhas estão me acontecendo numa espantosa velocidade. Hoje à tarde, sábado, vejam vocês, eu estava esparramado na minha tipóia favorita, na área, quando 2 bem-te-vis passaram pelas brechas do portão interno da casa e gritaram no meu pé de ouvido: TEVI!!!, TEVI!!!

Caramba! Esses dois andaram bicando o livro "A Senhora 2 e o Senhor 2", do tal de Tião Carneiro. Só pode ter ser isso. Ouvi dizer que esse cara deu uma de escrevinhador e alucinou na prosa um bem-te-vi morando na pousada da Cecília Meireles. Será que por eu ter o mesmo nome do impostor das letras, os bichinhos me confundiram e vieram me agradecer pela homenagem?

Nem bem havia me livrado do susto, então meu gatinho branco, o chane, deu-me carinhosa unhada, seguido de um miau, que a mim, juro por tudo que não é sagrado, chegou com o som de Skol. Não me fiz de rogado, apanhei uma latinha do sugestivo miado e comecei a refrescante operação. Emborquei 4 goladas aí peguei no sono. Ou o Morfeu me pegou, já não tenho certeza. Sono brabo, amigos.  Deu até pra sonhar!

Sonhei, galera, que chegava um aloprado com cerca de dois metros de altura, mais magro do que um "I", mas de barriga mais cheia do que um "G". A pança do infeliz, colegas, transportava umas duas carretas de lombrigas. Calçava sandálias de rabicho, usava calças largonas, camisa de toalha de mesa do tempo de vovó, daquelas quadriculadas, e trazia na boca um pequenino bubu. Pense numa criatura esquisita! Pensou? Agora multiplique por mil! O espantalho me deu boa-tarde. Aí tive a certeza de que o esquisitão chegara do além. O lombriguento tinha a voz do horror, o sotaque do pavor, modulados na mesa de som da dor.

"Sou astrólogo", disse ele. "Grave logo a previsão da próxima semana que estou apressado. Vou começar pelo seu signo." Então o tantã mandou brasa:

* Touro - tenha cuidado com as brincadeiras. Qualquer fiapo de prosa que disser ou escrever pode se voltar contra você. Você vai morrer com as próprias mãos, num dia de feira. De dia ou de noite, isso ainda está sendo planejado.

* Áries - Semana extremamente feliz para quem trabalha com processos. E para quem não trabalha também. Você sentirá uma irresistível vontade de ler um livro que tenha 2 no título.

* Peixes - Se você mora no meio rural, não perca a esperança. Mas se reside na cidade, é bom ter a esperança de que não vai ser assaltado. Veja o que diz a página 522 de certo livro de capa preta.

* Aquário - Busque a poesia das estrelas. Amor em alta. Desconforto em baixa. Entre altos e baixos, siga os conselhos da página 133 do romance escrito por um tal Carneiro.

* Capricórnio - Uma pessoa vai lhe pedir um dinheiro emprestado. Não o desaponte, mesmo sabendo que vai levar um calote. É por importante causa. Esse coitado quer comprar um livro de coração na capa.

* Sagitário - Esta semana você vai se apaixonar por alguém. Mas o alguém só corresponderá essa paixão se você presenteá-lo com os mimos da página 228 do livro do signo de peixes. Quer dizer, do livro que o cara, ou a menina, do signo de peixes comprou.

* Escorpião - Ótima semana para namorar e fazer compras. Naturalmente que não ao mesmo tempo, a depender da ardência do namoro. Aconselha-se que vá a uma livraria e compre um tijolão com dois 2 à vista. À vista, tá? Na capa, entendeu? Você pode usar o cartão de crédito.

* Libra - Divida bem o tempo, multiplique a emoção, some o prazer e diminua o estresse. Saiba calibrar as coisas. Não faça como fez certo personagem no início da página 437 do tijolão que o rabo-torto do escorpião comprou.

* Virgem - Você terá grandes noites nesta semana. Noites de afetos sólidos e tórridos, se é que você está entendendo. Entender isso é primordial para se beneficiar das benesses astrais. Principalmente se for a primeira vez que se depara com um enigma. Recomenda-se, nesse caso, a leitura das páginas 17 e 18 do livro de capa no coração. Digo, de coração na capa.

* Leão - Livre-se do medo que limita sua felicidade. Baratas e outros bichos não existem pra causar medo a ninguém. Use a mente, como instruído às página 37 a 39 do romance que a virgem está lendo, que seu temor vai tomar doril e sumir.

* Câncer - Desafio é a palavra de que você mais gosta. Mas palavras não significam ação, como agora você está confundindo. Esta semana é propícia para você se curar dessa tormenta, desde que procure a sapiência. Sugiro dar uma olhadela na página 35 do livro que acabou com a covardia dos nativos de leão.

* Gêmeos - Dê vazão à curiosidade. Viaja, conheça outros países. Caso esteja liso, mas não muito, compre livros. Há livros que leva você a deslumbrantes cenários. Que tal conhecer os cenários descritos no tijolão de capa preta que tem 2 no título e um coração na capa feito um par de gansos, cujo nome é "A Senhora 2 e o Senhor 2"?

Nisso, pessoal, o adivinhão se transforma numa linda mulher. Pense numa mulher linda. Já pensou? Então multiplique por 1000! Agora, choque grande, turma, foi quando a doçura falou assim: "Oi, você tá legal, Tião?".

Foi a bonitona falar pra eu ter a certeza de que a belezura viera de outro mundo. A deusa tinha a voz da sensualidade, o sotaque da libido, amplificados no áudio da luxúria.

Como é o seu nome, perguntei, mais ancho do que pinto em beira de cerca.

A encarnação da volúpia deu uma gargalhada e respondeu:

"Sou a Glorinha, Tião. Você me encontra na página 348 e 349 do livro da capa preta. Vá lá pra gente bater um papo íntimo?".

Acordei, pessoal, tremendo que só vara verde e, certo que estava tirando um fino na loucura e passado de raspão no delírio, rascunhei o horóscopo do lunático e me mandei pra Poty Livros, a procura do sonhado livro. Ou do livro de meu sonho.

Que tenham vocês uma semana pra lá de supimpa, de muitos sonhos e de literárias compras.


                                               


JM