Ano XIII | Edição 757 | 27 de Junho de 2017

ARTIGOS

01 de Abril de 2011 às 13h13

DESCONTRAINDO OS IDOS DE MARÇO

01) João Nicácio, sujeito bem sucedido na vida, metido a galã, conheceu Gerusa lá pelo sul maravilha e a trouxe para cá. A mulher era um jumbo, loura, cabelos longos, um metro e oitenta, busto saliente, olhos azuis, linda de viver. À princípio, tudo bem. João desfilava com seu troféu, que, por sua vez, não se adaptava com a vida pacata do interior. Aí ele começou a desconfiar que sua Gerusa "queria mais". Alguns amigos já estavam se dando bem com a loura. Pensativo e preocupado, João procurou conselhos com o amigo Domício, velho guru para todos os atos e fatos da cidade do Assu. Depois de ouvir as lamentações do cornudo, o grande Domício, com uma forte dose de irreverência, e profecia, assim falou: "É, amigo Nicácio, mulher bonita é como jaca do agreste: ninguém come sozinho!".

02) A batalha democrática estava posta e exposta. De um lado, Luiz Pinto, candidato da máquina. Do lado oposto, Dix-Huit e a sobrinha Sandra, contando apenas com o povo. No palanque oficial, as grandes bandas baianas. Do outro lado, um grupo caseiro chamado "Café com Sal". Depois de uma noite toda de vigília pelas ruas da cidade, o sol de Mossoró já raiava forte e queimava a tez do velho alcaide. Este com voz de trovoada declamava: "Abro os braços a lá Cristo, faço desta praça um Pretório de Justiça, e peço ao meu povo: me julguem com retidão! Façam um exame de consciência, e lembrem-se: quem comete uma injustiça é sempre mais infeliz que o injustiçado. Nenhum juiz julga sem conhecimento dos autos! O que está nos autos, não está no mundo! Minha vida é um livro aberto. Mais que nunca, meu lema "É Mossoró toda vida"." Pra variar, deu Dix-Huit de novo. O povo foi juiz e júri, ao mesmo tempo.

03) Na residência do saudoso doutor Leodécio Fernandes, Néo, em Mossoró, acontecia uma reunião de adeptos do então MDB. Ali, eram postos e analisados nomes para concorrer a deputado estadual e a vereador. Para federal, um só nome: o próprio Leodécio. O candidatável Luiz Sobrinho, fazia um grande alarde sobre seu nome, e falava mais que os outros. Lá para as tantas, uma parada para um cafezinho. Leodécio, para acalmar os ânimos e desviar os rumos, sublinhou: "Hoje eu vi uma cena constrangedora. Num posto de gasolina, um bombeiro pegou uma bucha úmida de gasolina, e esfregou-a no fio-fó de um cachorro. O animal, corria enlouquecido claro, pela forte queimação". A platéia compadecida, ouvia a narração do líder. "O bichinho", continuou Leodécio, "corria trinta, quarenta metros, e voltava esfregando o fundilho no asfalto. Depois de várias voltas, o animal caiu no pé da bomba, e ficou teso com os olhos arregalados, sequer batia as pálpebras!". Nesse momento, foi um "oh!" geral. Leodécio engrenou uma pausa na narrativa, o bastante para Luiz Sobrinho, sem pedir aparte, salientar: "Doutor Leodécio, e o cachorrinho morreu ali?". Leodécio incontinente, explicou: "Não, Luiz, estava faltando mais gasolina!". Todos riram e o ambiente se descontraiu, sem um latido sequer.

04) Estava agendada outra reunião partidária na praia de Tibau, Mossoró. A expectativa era grande, vez que significava uma convocação do então deputado federal Vingt Rosado. O vereador Expedito Bolão, no seu jeep, dava carona a alguns amigos. Paciente, Expedito dirigia o veículo à baixa velocidade. Um vereador do conhecido grupo babão, querendo ser dos primeiros a pedir a benção ao parlamentar e líder, reclamou: "Vamos lá, Expedito! Apressa essa viagem! Parece que tá peado! Tira essa "peia"!". Sem tirar os olhos da estrada, Bolão soltou o verbo: "Se eu tirar essa "pêia", você não vai gostar". A política de Mossoró era uma festa.


JM