Ano XIII | Edição 757 | 21 de Julho de 2017
08 de Março de 2013 às 15h16

A eleição do novo Papa

É grande a expectativa da Igreja e, de uma certa forma, de todo o mundo, quanto aos preparativos para a escolha do novo sucessor de São Pedro, o primeiro Papa.

Provavelmente, todos os 115 cardeais com direito a voto no “Conclave” já terão chegado ao Vaticano e participam da rígida programação preparatória a que os eleitores têm que se submeter, incluindo reflexões e, sem dúvida, muita conversa.

Se ainda não começaram (escrevo na quarta-feira, dia 6), a partir de agora não tem dia, nem hora, para começarem as reuniões de votação.

Tudo transcorre sob um clima muito discreto e reservado o que provoca – do lado de fora - muita especulação sobre o que pensam e o que pretendem os privilegiados eleitores. Difícil, para quem está aqui – do lado de fora – é distinguir naquilo que ouve ou lê – o que é verdade e o que é fantasia.

Baseando-me no que falou o Papa emérito, Bento XVI, quando participou de sua última celebração na imponente Basílica de São Pedro, na quarta-feira de cinzas deste ano, o futuro Pontífice receberá uma Igreja profundamente dividida.

- Penso em particular nas culpas contra a unidade da Igreja, nas divisões no corpo eclesial – afirmou alto e bom som.

Ele não explicitou quais os mais pesados ou os mais influentes fatores dessa preocupante divisão, mas sem meias palavras, deu a entender que, na raiz de tudo, está a hipocrisia da maioria dos que, na própria cúpula da Igreja, não dão um testemunho verdadeiro e autêntico da sua fé.

Tão grave foi o quadro pintado por Sua Santidade que ele nos legou um chamado que encontrou nas páginas do Profeta Joel: “Assim diz o Senhor: Retornai a mim de todo vosso coração com jejum, com lágrimas e com lamentação”.

Não é à toa que nos corredores do Vaticano vem ecoando a voz de curiosidade de muitos cardeais querendo acesso a documentos onde poderão encontrar, de forma mais explícita, as razões de tamanha preocupação do papa renunciante.

Quem assumirá a responsabilidade de comandar o barco de Pedro num momento tão delicado e difícil?

Pode ser até um brasileiro. Por que não? Não é o Brasil a nação de maior população católica em todo o mundo?

Contudo, independente de quem seja, uma verdade – também proclamada por Bento XVI – deverá alimentar a esperança de todos no futuro da Igreja:

- O retorno ao Senhor é possível como graça, porque é obra de Deus e fruto da fé que nos repropomos em sua misericórdia. 

01 de Março de 2013 às 12h40

Candidato do PMDB

As regras eleitorais para 2014 ainda podem mudar, mas planos estão sendo articulados nos diversos partidos e até desafios para apostas estão sendo colocadas.

Um amigo meu lá de São Gonçalo, observador astuto e calejado de atitudes políticas, me avisou: "Uma aposta que qualquer um pode fazer sem medo com relação ao próximo pleito é que o PMDB terá candidato próprio a governador".

E explica: Jamais em sua história no RN, mesmo sob o comando do grande e inesquecível Aluizio Alves, o PMDB havia construído uma estrutura política tão consolidada como a de agora. Não lançar candidato, dispondo das condições que tem é "deixar o cavalo selado passar batido".

Em nossa conversa, tentei argumentar que essa é, de fato, uma possibilidade muito concreta, mas não definitiva. E lembrei recente entrevista dado por Henrique Eduardo Alves a Alex Viana, do JH: "Ainda tá cedo para esse tipo de definição" - sentenciou o presidente da Câmara dos Deputados e do PMDB estadual.

O observador, porém, tem um entendimento mais amplo das colocações feitas pelo dirigente peemedebista. Para ele, com a responsabilidade que hoje carrega nos ombros, como o segundo na linha da sucessão da Presidência da República, Henrique não poderia dizer outra coisa:

- A hora é de esquecer tudo o que for de divergência - seja partidária, seja política, seja ideológica, e priorizar o Rio Grande do Norte.

"E ele tá certo" - prosseguiu o meu interlocutor, lembrando, inclusive a provocação lançada por Henrique aos seus colegas da classe política: "Vamos aprender as lições que o Pernambuco e o Ceará têm nos dado".

Contudo, assegurou o observador sãogonçalense, a certeza que tem de que, em 2014, o PMDB sairá com candidato próprio à sucessão da governadora Rosalba, não é afetada pelo que disse Henrique na entrevista a Alex Viana.

Voltei, então, a interrogá-lo: - E quem será o candidato?

A resposta veio rápida: "Aí, meu amigo, não vou dar nenhum chute. O candidato do PMDB será aquele que Garibaldi e Henrique indicarem".

Questiono o estimado amigo lembrando declaração que outro amigo, Agnelo Alves, atribui ao falecido presidente Tancredo Neves. Não esqueça o que dizia o dr. Tancredo: "A política é como as nuvens. Agora estão de um jeito; no minuto seguinte estão de outro".

E ele: "Tudo bem. Mas, minha aposta esta. Pelo menos agora". 

15 de Fevereiro de 2013 às 14h13

O recado de Bento XVI

Em sua última celebração na Basílica de São Pedro, como chefe da Igreja Católica, na quarta-feira de cinzas, o Papa Bento XVI externou contundente preocupação com a divisão da Igreja e seu distanciamento de Deus.

O Santo Padre usou como ponto de partida de sua homilia um trecho do Antigo Testamento. Mais precisamente do profeta Joel (2,12):

"Assim diz o Senhor: Retornai a mim de todo vosso coração com jejum, com lágrimas e com lamentação".

Ora, pra um bom entendedor, meia palavra basta. Quem é que pode (e/ou deve) retornar "com jejum, com lágrimas e com lamentação"?

Pra mim, a resposta é clara: Quem saiu, quem se afastou, que se distanciou, quem foi embora, num gesto de descrença, de desamor, de ingratidão e de egoismo.

Bento XVI assinalou que a conclamação divina transmitida por intermédio de Joel "nos faz refletir sobre a importância do testemunho de fé e de vida cristã de cada um de nós e das nossas comunidades para manifestar o rosto da Igreja e como este rosto é, por vezes, deturpado".

Sabe Deus que fatos específicos influenciaram o Sumo Pontífice a tornar pública essa preocupante reflexão.

Mas, na própria homilia, isto é, em seu próprio pronunciamento, de forma discreta, mas muito forte, ele fornece uma pista:

- Penso em particular nas culpas contra a unidade da Igreja, nas divisões no corpo eclesial.

Em seguida, porém, o Papa deixa clara a sua fé na reconstrução da unidade:

- O retorno ao Senhor é possível como graça, porque é obra de Deus e fruto da fé que nos repropomos em sua misericórdia.

Logo adiante, Sua Santidade indica o caminho a ser trilhado no "retorno":

- Viver a Quaresma numa mais intensa e evidente comunhão eclesial, superando individualismos e rivalidades, é um sinal humilde e precioso para aqueles que estão distantes da fé ou indiferentes.

Nas entrelinhas do pronunciamento de Bento XVI há uma advertência com relação às teses da chamada "teologia da prosperidade". Disse ele:

- O "retornar a Deus de todo coração" passa pela Cruz, seguir Cristo  no caminho que leva ao Calvário, à doação total de si. É um caminho onde aprendemos, a cada dia, a sair sempre mais do nosso egoísmo e dos nossos fechamentos para dar espaço a Deus, que abre e transforma o coração.

Vamos ver, se essas palavras do Santo Padre terão a repercussão que merecem. 

08 de Fevereiro de 2013 às 13h02

Seca implacável

O Rio Grande do Norte está enfrentando uma dos períodos de seca mais penosos da história. Eu sei que a situação de hoje é diferente daquela que vivi no passado em que havia uma sólida atividade produtiva no meio rural, mas precisamente naquilo que chamavam de setor primário da economia.

Na seca deste ano, segundo relato oficial do governo do RN, o prejuízo já alcança a fantástica soma de 5 bilhões de reais. Fico imaginando uma seca dessa há 50 - 60 anos, quando a falta dágua além de dizimar o rebanho dos pecuaristas, também acabava com os nossos algodoais, durante muito tempo uma espécie de ouro branco que fazia a riqueza, senão do Estado, certamente, dos antigos coronéis.

Hoje, grande parte dos norte-rio-grandenses não sabem nem o que é um pé de algodão. De qualquer forma, porém, quem ainda tem alguma coisa no meio rural está nas últimas. Sem poder produzir nada, restam ao homem e ao rebanho que sobrevivem no interior, a sede e a fome que consomem suas últimas reservas de resistência.

Não é fácil sobreviver sem ter água pra beber e sem o alimento para enfrentar a fome.

Há alguns dias, a Arquidiocese de Natal deu o seu grito de alerta. Urgem providências. No eco desse grito, veio a voz insuspeita do deputado estadual José Adécio, integrante da base aliada do governo estadual: É preciso que se restabeleça um antigo programa de distribuição de ração, como tentativa desesperada para evitar o extermínio total do que ainda resta do sofrido rebanho potiguar.

Despertada pelo barulho dessas vozes, a governadora Rosalba Ciarlini revela: O debilitado RN, apesar de todas as dificuldades não está inerte,  embora poucos vejam o resultado do que vem sendo feito.

Cabe, então, à governadora explicitar. Ela generaliza: Em ações emergenciais, já foram utilizados 90 milhões de reais; em obras estruturantes, quase 600 milhões.

Dito assim e tendo em vista nossa histórica situação de pobreza, parece até muito dinheiro. Mas, será suficiente?

Outra coisa: Eu, particularmente, não duvido da palavra da governadora, que, com certeza, me bastaria. Mas, grande parte da população, especialmente a mais necessitada, mesmo também não duvidando, precisa saber muito mais. Inclusive o verdadeiro destino de cada tostão dessa soma, até para que aprenda o roteiro que deve trilhar a fim de poder dela, também, beneficiar-se. 

01 de Fevereiro de 2013 às 19h43

E agora, a saúde?

Sempre ouvi falar que não existe coisa melhor para um prefeito em começo de mandato do que suceder a um administrador, digamos, ineficiente.

Por que? Porque o mínimo que o cidadão ou a cidadã conseguir fazer, logo vai aparecer - de forma positiva - diante do que foi a administração anterior.

Sob a minha visão, em Natal, o prefeito Carlos Eduardo está "saboreando" esse momento inicial de avaliação positiva.

Não é que ele esteja fazendo alguma coisa do outro mundo. Mas, o fato de ter priorizado a limpeza pública e o estado das ruas e avenidas, salto aos olhos e, sem dúvida, a população já começa a reconhecer.

Claro: mesmo em matéria só de lixo e de buracos, ainda falta muito a fazer. Na Rua Felizardo Moura, por exemplo, não deu ainda pra tapar um único buraco. Lá, buraco é o que não falta.

Mas, que a coisa está mudando, está; e isso reacende a esperança de que dias melhores poderão vir. Ele, porém, não pode guardar ilusões. A população tem pressa.

Surge, agora a expectativa quanto aos próximos 30 dias. O que será priorizado? A saúde pública?

Tomara que sim. Ou seja: Do mesmo jeito que ele está conseguindo demonstrar que manter a cidade limpa e sem buracos não é nenhuma coisa do outro mundo, que demonstre também com relação a cada unidade de saúde desta cidade.

Hoje, pelo insucesso registrado nessa área, inclusive na primeira gestão do próprio Carlos, poderíamos até imaginar que o funcionamento decente de uma unidade de saúde é missão para uma super administração.

Faz muito tempo que Natal não vê um posto de saúde oferecendo à população um atendimento de qualidade, um atendimento de vergonha, digno, decente.

Torço para que Carlos Eduardo, como fez nos últimos 30 dias com o lixo e com os buracos, nos 30 que virão, demonstre que, também, na saúde pública a história agora é outra. Que a administração por ele comandada tem compromisso e assume a responsabilidade de resgatar a dívida social da Prefeitura com a população de Natal em matéria de saúde pública.

Pesa sobre os seus ombros, portanto, a responsabilidade de responder se a população de Natal pode esperar - ou não - dispor de um serviço público de saúde decente, ágil e que se dê ao respeito.

Afinal, se a resposta for negativa, do que adiantou tê-lo elegido?  

25 de Janeiro de 2013 às 12h34

Os primeiros dias

O prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, está passando pelo vestibular dos "primeiros dias" de governo. Atacou de frente os dois problemas mais visíveis - buraqueira e lixo - e está conseguindo fazer com que resultados positivos apareçam.

Agora, o seu desafio mais imediato é o de fazer com que também se tornem visíveis os resultados de suas primeiras providências nas unidades de saúde pública.

Depois é só segurar; isto é, não permitir que esses setores vitais voltem ao padrão de 31 de dezembro de 2012 (um padrão de calamidade) e ir buscar avanços, também, na educação, na mobilidade urbana e, digamos, na própria maquiagem da cidade (bem que os canteiros de Natal precisam recuperar a beleza e o cheiro perfumado que exalavam nos tempos da saudosa secretária de Serviços Urbanos, Marilene Dantas).

Considero necessário fazer esse registro porque, em comentário no começo deste ano, final do ano passado, externei o ponto de vista de que os prefeitos que assumiram no dia 1º não deviam (nem podiam) se iludir. O risco que corriam de decepcionar como administradores, era incalculavelmente maior do que a chance de se projetarem como executivos realizadores e administradores merecedores de boa avaliação.

Claro: As novas administrações municipais não completaram, ainda, o seu primeiro mês de atividades. Apenas engatinham. Não podem, ainda, passar por qualquer tipo de julgamento e avaliação. No caso específico de Natal, os resultados até agora alcançados embora promissores - altamente promissores, é verdade, ainda são insuficientes como indicadores de toda uma gestão, ou mesmo de uma simples tendência administrativa marcada pelo zelo, pela cuidado, pela responsabilidade.

É evidente que nada disso está acontecendo a um toque de mágica. Está exigindo redobrada atenção do novo prefeito e de sua equipe, como a cidade parece reconhecer. Mas, o passar do tempo vai exigir muito mais. Logo chegará o momento em que apenas cuidar de lixo, de buraco, de saúde, de educação e de mobilidade urbana não será "tudo". E nesse "tudo" inclui-se o problema matemático de adequar as necessidades de Natal à sua capacidade de arrecadação.

Carlos Eduardo recebeu a cidade com suas contas, no minimo, descontroladas, tal a quantidade de bloqueios judiciais que herdou. Vai ter que organizá-las e isto não será nada fácil. 

18 de Janeiro de 2013 às 21h57

O desafio da fé

Guardo muitas lições que a vida e alguns mestres iluminados me proporcionaram.

Um deles foi dom Manoel Tavares de Araújo, a quem tive o prazer de conhecer no seu tempo de pároco de Angicos.

Em 1959, quando o então Monsenhor Tavares foi eleito bispo de Caicó, pelo Papa João XXIII, eu estudava no Seminário de São Pedro.

Foi exatamente no Seminário de São Pedro que o novo bispo veio fazer o retiro que precedeu sua sagração episcopal no dia 5 de abril daquele ano.

Durante bons 15 dias, ficou hospedado num apartamento anexo à biblioteca da casa, que, na época era por mim coordenada. Isso me proporcionou a oportunidade de ter, durante o período, pelo menos uma conversa diária com dom Tavares.

Certo dia, ele me surpreendeu com uma pergunta de ordem pessoal:

- Qual a sua idade?

- Em julho estarei fazendo 15 anos, dom Tavares.

Ele me disse então que estava com a minha idade quando começou a imaginar o quanto o mundo seria diferente - e melhor - se todas as pessoas que dizem ter fé a vivessem.

- Por que o senhor está me dizendo isso, dom Tavares.

- Porque este é exatamente o tema da reflexão que estou fazendo hoje - respondeu-me.

Bem... Esta lição me vem à mente agora, porque, há pouco, estava lendo um registro da história da Igreja no Rio Grande do Norte e me deparei com a informação de que, há pouco, no dia 8, foi o dia do 54º aniversário da eleição episcopal de Dom Tavares.

Nada mais oportuno, pois, do que homenageá-lo nestas linhas dando o testemunho de que a busca da vivência da fé foi uma das principais características do seu pastoreio, primeiro como sacerdote e, depois, como bispo.

- Fé qualquer um pode dizer que tem. Mas, quem pode dizer que vive a sua fé? 

Era como se a cada um perguntasse: "Na hora das suas decisões, você decide em função da sua fé?" Ou então: "É a sua fé que dita o seu comportamento? As suas atitudes?"

Dom Manoel Tavares de Araújo foi, sem dúvida, um dos grandes nomes da Igreja no Rio Grande do Norte. Ele, na realidade, se entregou à sua fé, vivendo-a em profundidade e exercendo um apostolado de verdadeira doa-ção, dando efetiva e decisiva contribuição à formação de várias gerações norte-rio-grandenses.

Esteja sempre conosco, dom Tavares.

 

11 de Janeiro de 2013 às 18h23

Mãos à obra

Talves já seja até tarde; mas, não custa nada lembrar: Os prefeitos empossados no dia 1º de não podem (nem devem) guardar ilusões. As possibilidades que têm de decepcionar quem os elegeu são infinitamente maiores do que as de satisfazer.

Portanto, não têm tempo a perder. Há cuidados básicos que não podem ser desprezados.

Primeiro: nunca pensear que você é superior a qualquer outra pessoa, por mais humilde que esta seja, só porque ganhou o melhor emprego do seu município. Pelo contrário, é exatamente a cada um dos mais humildes, dos mais necessitados, dos que mais precisam, que os eleitos devem esse emprego dos sonhos. Foram essas pessoas que os colocaram onde, hoje, se encontram.

Segundo: É dever de qualquer eleito - mais do que isso - é  obrigação, servir aos que lhe deram o emprego que pediu. Servir com firmeza, determinação, honestidade e competência, durante as 24 horas do dia.

Terceiro: Nunca querer demonstrar força, poder, autoridade. Porque a força, o poder, a autoridade de quem quer que sejam só se justificam quando utilizados em benefício coletivo, nunca para a satisfação de vaidade ou ambição individuais.

Quarto: O eleito tem que procurar ser previdente, Evitar contar com o ovo no fundo da galinha. Não acreditar nos que dizem que o poder público não quebra. Quebra. Nada mais incerto do que o poder arrecadador do município.

Quinto: Tem que ser, também, transparente e sincero com o povo. Estar sempre pronto a dizer o destino de cada centavo gasto com sua autorização - com que foi gasto, em benefício de quem, e em que gaveta (ou bolso) a grana foi parar.

Sexto - Procurar melhorar a receita municipal cortando despesas e ampliando a base tributária. Evitar aumentar os impostos que o povo já paga com tanta dificuldade.

Sétimo - Definir prioridades. Fazer o possível e o impossível para realizar uma administração reconhecida por oferecer uma saúde pública de qualidade; criar incentivos para que as crianças e jovens do seu município sintam-se estimulados a estudar, a praticar esportes, a construir vitórias.

Oitavo - A população tem muitas necessidades reprimidas, está com a paciência no limite e o tempo corre contra o recém-empossado. Exatamente por isso - é bom repetir - o risco de decepcionar é muito maior do que a chance de corresponder e dignificar o voto que recebeu.

Nono - O recém-empossado tem que ir devagar, mas não pode parar.

Décimo - Se tem fé (de verdade), procurar vivê-la. Deus estará torcendo a favor. 

04 de Janeiro de 2013 às 15h32

Sonho e realidade II

Há exatos quatro anos Natal vivia um contagiante clima de otimismo e de esperança diante da administração municipal que estava prestes a começar.

Contra tudo e contra todos, o eleitorado sentia-se de peito lavado pelos ares de sua rebeldia, com a eleição da prefeita Micarla de Sousa.

As principais lideranças do Estado e do país não a queriam. Nem o presidente Lula, nem a governadora Wilma, nem o senador Garibaldi, nem o deputado Henrique, nem o prefeito Carlos Eduardo.

Num fato inédito na política local, todas as forças políticas mais tradicionais do Estado fecharam com o nome indicado pelo PT - a deputada Fátima Bezerra.

À época, qualquer um poderia parafrasear o ex-presidente Lula e dizer: "Nunca antes na história desse país, o PT do Rio Grande do Norte revelara tamanha capacidade de aglutinação".

O problema é que, independente da posição dessas grandes lideranças, o povo já tinha pendido para o lado de Micarla e lá ficou, frustrando a expectativa dos que julgavam possível uma reviravolta.

A aliança anti-Micarla era tão forte, tão cacifada, que chegou a enganar um dos homens que mais conhece a política do Rio Grande do Norte - o senador Garibaldi Filho.

No dia em que foi anunciada a opção de todos os grandes pela deputada Fátima, o senador chegou a afirmar que tinha até pena daquela que, até então, vinha ganhando todas as pesquisas. Tanta confiança ele tinha (como, aliás, imaginavam todos que acreditavam que existe lógica em política) de que haveria uma "virada".

Foram pra ela, na minha avaliação muito mais por falta de alternativas, a senadora Rosalba e o senador José Agripino; e, já na reta final das articulações, o deputado federal João Maia e o então presidente da Assembleia, Robinson Faria e seu filho, o deputado federal Fábio Faria.

Mas, o fato é que Micarla foi a vencedora inquestionável. 

Contra tudo e contra todos, alcançou uma vitória consagradora logo no primeiro turno.

Nada mais natural, portanto, que o clima que Natal e seu povo respiravam há 4 anos fosse de muito otimismo e de grande esperança.

Infelizmente, porém, esse clima não se concretizou. Ficou demonstrado, mais uma vez, lamentavelmente, que do sonho para a realidade a diferença e a distância são, de fato, gritantes. 

07 de Dezembro de 2012 às 11h58

Só cacimbão come corda

Pois é: Foi dessa tirada bem nordestina que me lembrei quando li o noticiário sobre o lançamento da candidatura do senador Aécio Neves (MG) à Presidência da República.

O ex-presidente FHC e o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE) tomaram essa iniciativa durante reunião do colegiado de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores tucanos eleitos este ano.

São eles - FHC e Guerra - é certo, dois legítimos cardeais do tucanato. Mais do que ninguém sabem que, partido sem perspectiva de poder (como está agora o PSDB) é um risco n´água, um zero à esquerda. Ou seja, não vale absolutamente nada.

Por isso, não pensaram duas vezes. O ex-candidato e ex-governador de São Paulo, José Serra, não estava presente e eles não contaram história: Empurraram o nome de Aécio Neves como candidato do partido à Presidência da República em 2014.

Claro: Lá dentro, lá no seu íntimo, Aécio deve ter ficado feliz da vida com a lembrança. Quem na sua situação e na sua condição não ficaria? Ninguém. Por isso, não tenho dúvida. Ficou feliz, sim.

Contudo, Aécio, neto de Tancredo, não é nenhuma criança política. Sabe que ninguém chegará ao sonhado cargo só porque o deseja; sabe também que botar a carapuça de candidato neste momento seria uma precipitação imperdoável.

Pelas mais diversas razões.

Enfim, como bom mineiro, pensou lá com os seus botões:

- Tão pensando que eu sou cacimbão, uai?

- Cacimbão é quem come corda...

E podia até ter prosseguido: "Quero muito alcançar a Presidência, mas até lá, tem um longo caminho a percorrer".

Com efeito, ainda é muito cedo para prever se Aécio ou outro nome qualquer se credenciará, com chances, para disputar a próxima eleição presidencial.

Hoje, pelo que mostram as poucas pesquisas já divulgadas, é inquestionável o favoritismo da presidente Dilma, caso se confirme o seu propósito de buscar a reeleição.

Confesso que tal favoritismo me surpreende, e muito, diante da grande gama de problemas que hoje afetam a qualidade de vida da população brasileira. Mas, queiram não, é a realidade que as pesquisas projetam.

De qualquer forma, as circunstâncias políticas, às vezes costumam mudar mais depressa do que imaginamos, e aí pode residir alguma dose de esperança para as forças de oposição. Mais difícil, com um candidato convencional. Mais provável, talvez (quem sabe?) com um fenômeno que encarne a decantada bandeira do fim da impunidade. 

30 de Novembro de 2012 às 12h08

Primeiro os bois

Logo depois do fechamento das urnas do segundo turno, em Natal, o prefeito eleito, Carlos Eduardo Alves, proclamou:

- A única certeza que tenho com relação ao meu futuro político é de que, em 2016, serei candidato à reeleição.

Estaria Carlos colocando o carro diante dos bois?

Ou dando uma demonstração explícita de auto-suficiência, projetando-se para 2016, na convicção de que realizará uma administração consagradora?

Não vou botar a mão no fogo, até porque prefiro optar por uma terceira possibilidade: De propósito, preferiu sair pela tangente.

Afinal, depois de uma campanha repleta de "chega prá lá", especialmente no 2º turno, cujos votos acabavam de ser apurados, mandava a prudência evitar cair em provocação.

Naquele momento, uma palavra sobre 2014, como queriam os repórteres, poderia basear-se nas cicunstâncias politico-eleitorais da campanha recém-terminada e que, supostamente, teria deixado muitas cicatrizes.

E a realidade é que, embora 2014 esteja em cima, até lá ainda tem bastante água para passar por baixo da ponte.

Claro: os que pretendem ser personagens, já estão arquitetando, projetando, articulando, em suma: se mexendo. Mas, sabem que, até 2014, existem definições que extrapolam os limites deste pequeno Rio Grande do Norte, pois, primeiro, precisam passar pelos interesses de cada partido a nível nacional.

Quais serão os candidatos à presidência da República? O PT vai unido para a reeleição da presidente Dilma? Qual o reflexo que as composições acertadas para o âmbito nacional terão no âmbito estadual? O ministro Joaquim Barbosa vai manter a palavra de não querer envolver-se em política partidária ou vai se render aos apelos dos que gostariam de vê-lo como a "bandeira" da mudança?

E isso acontecendo? Que consequência terá? Na teoria, tudo bem, sem dúvida, uma bomba; mas, e na prática, em que poderá resultar?

E aqui no RN? O marasmo vai persistir? Teremos em 2014 o mesmo "Tomé com Bebé" de todos os anos?

Quantos palanques entrarão na disputa? O PMDB terá mesmo candidatura própria? A governadora topará disputar a reeleição? Fátima Bezerra sairá para o Senado? A base do Governo Dilma marchará unida na campanha estadual? Quem vai sobrar?

Enfim, 2014 está em cima, mas ainda faltam muitas definições.

O certo é o seguinte: pra Carlos Eduardo ter algum pitaco a oferecer, terá que estar fazendo uma grande administração. Bom pra ele, é que Natal precisa torcer para que isso, de fato, possa acontecer. 

23 de Novembro de 2012 às 10h43

Lá se vão dois anos

A governadora Rosalba Ciarlini está chegando a um momento crucial de sua administração. Ela está a pouco mais de um mês do segundo aniversário do mandato, que transcorre no dia 1º de janeiro, e, se até lá, não tiver conseguido colocar o Walfredo Gurgel em condições decentes de funcionamento, depois é que não vai conseguir.

Confesso que a inoperância do governo me surpreende. Em quatro mandatos executivos que exerceu como prefeita de Mossoró, Dra. Rosalba construiu a imagem de uma política competente, dinâmica e séria.

No governo do Estado, não tem feito jus à sua fama. Por que?

É a pergunta que não quer calar. Tenho ouvido suas queixas, quanto à "herança maldita" que recebeu, mas, sinceramente, essa queixa não é coisa nova e costuma ser repetida por todos os novos governantes que sucedem a adversários.

Nada mais incômodo para ela própria que, dois anos depois de ter assumido a administração estadual, constatar que não conseguiu, sequer, "ajeitar" a situação do Walfredo Gurgel.

Poderia muito bem chegar no dia 1º de janeiro e proclamar:

"Tá aqui: Não pude fazer tudo, pois recebi uma herança maldita. Mas, pelo menos, hoje podemos dizer que temos um hospital de vergonha".

Realisticamente, temos que reconhecer: será muito difícil alcançar tal façanha. Afinal, para completar os dois anos, faltam pouco mais de 30 dias. Lá já se foram quase 720. Nesse particular, 720 dias praticamente perdidos. É uma pena. Uma pena para ela e, muito principalmente, para o Estado. Para o povo que a elegeu, então, uma decepção claramente manifestada nas últimas pesquisas de avaliação aqui divulgadas.

Terá se apagado na governadora Rosalba a chama de sua competência? Pra onde terão ido a sua capacidade realizadora? O seu dinamismo?

Ou o governo do RN terá extrapolado o limite de sua competência (como diriam os canadenses Laurence J. Petter e Raymond Hull, autores do livro "Todo mundo é incompetente - inclusive você")?

Poder-se-ia dizer que a governadora ainda tem dois anos para demonstrar que não foi isso o que aconteceu. E tem. Mas, esses dois próximos anos, ela não deve guardar ilusões, não darão pra nada. Passarão muito mais depressa do que esses dois que serão completados, em breve, a 1º de janeiro de 2013.

Então, se a dra. Rosalba quiser, realmente, recuperar o tempo perdido, terá que correr. Agindo. Uma coisa de cada vez. Claro. Pra mim, não há dúvida: Dar condições decentes de funcionamento ao Walfredo é absolutamente primordial. 

16 de Novembro de 2012 às 13h08

Cantiga da perua

Antigamente, em recantos interioranos por onde andei, quando algo não dava certo; ou quando em vez de melhorar, piorava, um velho amigo que já viu muitas coisas na vida e não se acostumava com o que via de errado, sempre sentenciava quando provocado:

- Tá igual à cantiga da perua. É de pior a pior.

Confesso que desconheço o verdadeiro significado dessa expressão. Mas, dá pra compará-la, sem nenhuma dúvida, com a realidade que estamos enfrentando no dia-a-dia brasileiro. 

Tá tudo de pior a pior, que me perdoe a coitada da perua e sua triste e aterrorizante cantiga.

A situação da saúde pública?

Tá de pior a pior. E faz muito tempo que não dá sinal de que vai melhorar.

O atendimento do cidadão nos órgãos públicos?

Tá de pior a pior.

A fila pra tirar uma Carteira Profissional?

Tá de pior a pior.

Conseguir uma ficha pra dar entrada no seguro-desemprego?

Tá de pior a pior.

A onda de violência que assola o país?

Tá de pior a pior.

A arrogância dos moralistas que só enxergam a imoralidade dos outros?

Tá de pior a pior.

A empáfia dos marajás que não se cansam de consolidar seus privilégios em detrimento do direito dos pobres mortais?

Tá de pior a pior.

A embromação, a empulhação, a manipulação, as meias-verdades?

Tudo de pior a pior.

E não é só aqui em Natal, nem no Rio Grande do Norte. É no Brasil todo.

A única coisa que o Rio Grande do Norte, hoje em dia, é diferente do resto do Brasil, é quando os institutos de pesquisas divulgam resultados de pesquisas sobre a avaliação dos governantes.

Os nossos - aí estão os casos que nem preciso citar nominalmente - estão de pior a pior.

Mas, no resto do Brasil, não. É como se os demais governantes, do país e dos outros Estados e municípios, nada tivessem a ver com o caos que se espalha por toda parte - o caos do desemprego, o caos da saúde pública, o caos do atendimento ao cidadão, o caos da insegurança, o caos da roubalheira desenfreada, o caos do falso moralismo, o caos da hipocrisia, o caos do desperdício do dinheiro público, o caos das obras paradas - lembram da transposição?

Das duas uma: Como tudo isso não ocorre só aqui, ou a população perdeu a capacidade de julgar seus governantes; ou os institutos de pesquisa insistem em apostar em nossa imbecilidade generalizada. 

09 de Novembro de 2012 às 15h08

É proibido gastar

São grandes e múltiplos os desafios que terão de enfrentar os prefeitos eleitos este ano.

Não bastassem dificuldades administrativas que só fazem se agravar em muitos municípios; as demandas sociais são, cada vez, mais incontroláveis, apesar de previsíveis; e, para complicar, não obstante a asfixiante carga tributária brasileira, a capacidade do poder público gerar receitas vai diminuindo.

Ou seja - Ninguém que se elegeu porque, na campanha, "vendeu" esperança e plantou, na mente do eleitorado, a confiança de que dias melhores viriam, pode assumir o governo pensando, primeiro, em piorar as coisas - aumentando impostos, metendo a mão no já combalido bolso da população, como, por mais incrível que pareça, alguns, com a maior cara de pau, já estão acenando.

Um primeiro passo básico, fundamental, em qualquer administração que se inicia sob a égide do respeito ao povo - é o que foi ditado pelo saudoso presidente Tancredo Neves no discurso que preparou para a solenidade de sua posse, em 15 de março de 1985, que o destino não permitiu que ocorresse. Que pena. Mas o recado ficou: "É proibido gastar".

Esta é que tem que ser a prioridade zero de qualquer administração. Zelar pelo recurso público. Velar por cada tostão que entrar no erário. Só gastar naquilo que for realmente essencial para o suprimento de necessidades da coletividade.

Paralelamente, uma atitude administrativa indispensável para respaldar a determinação de não gastar: Transparência total. Não esconder nada.

Em nossas contas pessoais, ensinam economistas populares: Uma boa forma de fazer render o dinheirinho suado do trabalhador (não estou falando de marajás) é anotar em que é gasto cada tostão que sai do nosso bolso. Por mais insignificante que seja a despesa.

Segundo eles (os economistas, claro), essa prática sendo adotada, até por aqueles cujo salário não consegue ser esticado até o final do mês, trará à tona uma série de despesas que, diante de prioridades, a própria pessoa chegará à conclusão de que podem ser evitadas; e, portanto, cortadas, dando ao dinheirinho suado do salário um pouco mais de elasticidade.

Ora, se é assim na vida pessoal, no serviço público não será diferente. Onde quer que seja (na vida privada ou na vida pública) a consequência do descontrole é uma só: a inadimplência, o atraso, o desastre, o caos. Infelizmente, o descontralado ou aprende a controlar, ou não tem pra onde correr. 

02 de Novembro de 2012 às 16h35

De olho em 2016

Em sua primeira entrevista coletiva após o fechamento das urnas do 2º turno, ainda no dia 28, o prefeito eleito de Natal, Carlos Eduardo, foi logo dando "um aviso aos navegantes":

- Com relação ao futuro, o que posso dizer é que, em 2016, serei candidato à reeleição.

Eu sei que é um direito de cada um ter o seu próprio projeto, o seu próprio sonho, sua própria aspiração, seu próprio desejo. Não seria Carlos Eduardo uma exceção.

E eu, como observador e analista da cena e dos fatos políticos, entendo que não me compete suscitar algum questionamento sobre a oportunidade dessa afirmação do prefeito eleito, colocando-se como candidato à própria sucessão antes mesmo de assumir.

O certo é que, daqui para 2016, não falta praticamente nada; afinal, o tempo voa quando se tem muito trabalho a realizar e, no caso específico do prefeito eleito de Natal, trabalho acumulado - que já era para ter sido feito há muito tempo - é o que não lhe faltará.

Ou seja: Além do trabalho novo que surge a cada dia, no caso de Natal, há o trabalho que foi relegado e que, por isso mesmo, deixou de ser feito no tempo certo. Aliás, diga-se por dever de justiça, não deixou de ser feito apenas na gestão que vive os seus últimos dias sob o comando da prefeita Micarla de Sousa.

Claro: Pra se declarar candidato à reeleição em 2016, Carlos Eduardo guarda a expectativa de que chegaremos lá numa situação muito melhor do que esta em que nos encontramos.

Ele próprio - na mesma entre-vista em que anunciou a candidatura a reeleição - delineou a herança nada confortadora que vai receber: saúde praticamente desativada, um grande lixão em cada rua, buracos por toda parte; compromissos atrasados (e também acumulados) com terceirizados, fornecedores e prestadores de serviço; e, para complementar, uma perspectiva arrecadadora bem abaixo das necessidades do município, não obstante o peso de sua carga tributária, já insuportável para a grande maioria da população da cidade.

Quer dizer: Literalmente, Carlos Eduardo não tem tempo a perder se, na realidade, pretende mesmo se consolidar como candidato à reeleição em 2016. Pois - ele sabe - hoje em dia, não basta o líder político querer. Ou ele atende a expectativa da população e cumpre os compromissos que assume, ou ele próprio se toca e reconhece que perdeu a prerrogativa de voltar a pedir a confiança da população. 

26 de Outubro de 2012 às 10h59

Pressão total da midia

Nesses dias de final de mais uma novela da Globo, outra vez apontada como um fenômeno de comunicação de massa, andei me questionando: Serei um alienado?

Pois, a tal "Avenida Brasil" acabou e não vi - nem tive vontade de ver - uma única parte de qualquer dos seus capítulos, não obstante a badalação diária em jornais impressos e digitais, nos mais diversos canais de TV, inclusive, nos concorrentes da própria Globo.

Poderia até dizer como disse o grande Zeca Pagodinho a respeito de caviar: "Nunca vi, nem comi, só escuto falar".

E vou dizer mais uma coisa: Pelo menos por onde ando, não vejo - ou melhor, não vi esse fenômeno todo não. No máximo, aqui e acolá um comentário ingênuo, sem maior importância, muito mais ligado aos encantos de determinados personagens mais chamativos e suas taras.

Mas, não posso negar. Pela mídia, "Avenida Brasil", no mínimo, chegou perto do maior espetáculo da Terra. Ao amanhecer do sábado, vendo o portal de O DIA, fiquei sabendo: "Foi Carminha" (que matou Max); na VEJA: "Último capítulo tem a maior audiência do ano". Mas, a própria VEJA, não sei porque cargas d´água, lá na frente admite em outro destaque: "Avenida Brasil tem final óbvio e cheio de lacunas".

Nunca gostei de novela de TV - sem dúvida um fenômeno de comunicação pela audiência (eu diria) "avassaladora" que alcança, mas sem outra preocupação, pelos menos há algum tempo, que não seja a de estimular o consumo e banalizar a sacanagem.

Claro: Salvo as raras e honrosas exceções que justificam a regra.

De minha parte, se esse desinteresse por novela e outras modas significar, mesmo, que estou por fora, tudo bem. Não é de hoje que nunca fiz questão de estar na moda, embora respeite e, muitas vezes, até, admire, os que pensam de forma diferente e preferem, exatamente, o contrário.

Imagino que seja, exatamente, pra isso que fomos contemplados com o direito ao "livre arbítrio".

Do mesmo modo, numa outra seara, me recuso a entrar no coro generalizado contra os desprezados. Se me coubesse julgá-los - ainda bem que não me cabe, pois não tenho nem vocação nem competência para isso - poderia até condená-los; mas, jamais, negaria a qualquer deles um gesto de solidariedade. Não pelos seus hipotéticos erros. Mas, pela sua solidão, pelo seu isolamento; pelo verdadeiro e desumano linchamento social a que são submetidos. 

19 de Outubro de 2012 às 12h23

Transição básica

Os prefeitos eleitos a 7 de outubro devem aproveitar o período de transição para receber informações fundamentais destinadas à formulação do seu plano de governo.

Na realidade, pelo que a história registra, muitos aproveitam o período de transição querendo bisbilhotar a administração do antecessor. Como se isso, fosse trazer alguma coisa (prática) de positivo.

Não traz. 

Uma preocupação básica de cada novo governante deve ser com o custo da máquina e dos seus setores fundamentais.

Os principais, como em janeiro a educação ainda deverá estar em férias, são os setores de saúde, de limpeza pública e da iluminação pública.

Se o prefeito que sai, não tiver grandeza e quiser prejudicar o sucessor, tem condições de criar uma série de bombas de efeito retardado para explodirem, exatamente, no início da gestão do seu sucessor.

Já pensou o sujeito assumir uma Prefeitura no dia 1º e, quando chegar no dia 2, por alguma razão, a iluminação pública estiver apagada, os postos de saúde fechados, e o serviço de limpeza pública sem condições de funcionar?

Um caos.

Estará começando, sem nenhuma dúvida com o pé esquerdo, mesmo nos primeiros dias podendo usar o argumento de que a culpa foi do governo passado.

É importante saber, pois, quanto custa, por mês, o bom funcionamento de todos esses setores. A transição terá que ter, pelo menos, os números dos últimos 12 meses, a fim de determinar se o valor médio mensal apurado é estável ou se varia de mês em mês ou em determinadas épocas do ano.

Outra coisa que precisa de atenção: Como andam os pagamentos das contas de água, luz e telefones nas repartições municipais. É comum, sempre que começam novas administrações, logo na primeira semana, as companhias de água, luz e telefone chegarem para os novos gestores querendo cobrar contas atrasadas, inclusive ameaçando com cortes.

O novo gestor não deve esperar por esse tipo de surpresa, prevenindo-se logo no período de transição.

Outra coisa. Até ter uma noção exata da real capacidade arrecadadora do município, conter ao máximo os gastos públicos. Essa noção exata só se terá depois que a administração começar. Não foi à toa que o falecido presidente Tancredo Neves, no discurso de posse que não teve a oportunidade de fazer, deixou a ordem básica que transmitiria aos seus auxiliares; "É proibido gastar". 

11 de Outubro de 2012 às 22h51

Grande desafio

Por maior que tenha sido a vitória obtida por qualquer candidato a prefeito, ele não deve guardar ilusões: O pavio da paciência popular está ficando, cada vez, mais curto.

Ou seja: a contagem regressiva para que essa paciência acabe começou a correr, mal os resultados sairam das urnas. 

Assim não há tempo a perder.

Pois, quem não for conseguindo concretizar, logo nos primeiros atos, a expectativa que despertou no período da campanha, de imediato, começará a ser cobrado.

Por maior que tenha sido o rombo herdado, há problemas cujas soluções o eleitorado precisa pra ontem, por mais complicadas que sejam, inclusive, na área da saúde e em outros setores básicos, como na limpeza e na iluminação públicas e, ainda, no estado das ruas e avenidas.

Antigamente, dizia-se de quem recebia uma administração, que o primeiro ano deveria ser destinado à arrumação da casa; o segundo para equilibrar as finanças e fazer caixa; o terceiro para administrar; o quarto e último ano, para enfrentar a campanha seguinte.

Hoje, essa pragmática estratégia já não contempla mais o desejo da população. O povo tem pressa. Cansou de tantas promessas não cumpridas; de tantos problemas que só fazem se agravar.

Eu não quero ser redundante citando nomes e exemplos concretos, até para não ferir suscetibilidades. Mas, aqui, bem perto da gente, há expressivas e respeitadas lideranças que, em sua mais recente experiência eleitoral, conquistaram nas urnas verdadeiras consagrações. Agora, porém, amargam o desencanto e a frustração da insatisfação popular.

É fundamental que os eleitos não se deixem contaminar pelo vírus do deslumbramento que as vitórias costumam provocar.

Está ficando cada dia mais penoso o exercício da vida pública, até porque a capacidade da "viúva" de produzir atitudes e realizações positivas parece estagnada. Pelo menos não cresce na mesma proporção com que explodem as necessidades da população.

Quer dizer: Os eleitos precisam estar conscientes de que, na realidade, o que buscaram nas urnas foi um verdadeiro "imprensado"; e de que precisam dar contas do recado, especialmente se pretenderem continuar en-frentando o desafio da vida pública. Difícil? Claro que sim. Muito difícíl, mas não impossível, desde que haja talento administrativo, zelo com a coisa pública e a convicção de que, na administração de dificuldades, a transparência precisa ser total e absoluta. 

08 de Outubro de 2012 às 15h18

Carlos Eduardo tem razão

O líder das pesquisas para a Prefeitura de Natal, Carlos Eduardo, tem razão quando coloca pontos nos iis ao ser questionado sobre o papel do vice-prefeito.

- Vice é vice!

E é mesmo. Não é que ser vice seja pouco. Nem todo mundo, porém, está preparado para o exercício de uma função tão relevante mas que lhe impõe limites, reserva, discrição, serenidade e bom senso.

A maioria dos políticos, mesmo na posição de vice, é chegada à busca do estrelato, adora chamar a atenção, atrair holofotes, ignorando completamente o ensinamento de que, na política, como na vice, tudo tem seu tempo.

Na realidade, pra se segurar como vice - ficar na retaguarda esperando uma oportunidade de fazer alguma coisa na hora certa, não é pra todo mundo.

O próprio Carlos Eduardo, eleito vice no ano 2000, na chapa liderada pela então prefeita reeleita, Wilma de Faria, nem fez questão de ter um gabinete como vice-prefeito. Mas, também não aceitou o ostracismo, o segundo plano.

Conseguiu ser convocado - mais uma vez - para o secretariado do governador de então, Garibaldi Filho e ali consolidou o reconhecido trabalho que iniciara, já na primeira gestão do primo, como secretário do Interior, Justiça, Trabalho, Habitação e Cidadania.

Para Wilma foi um achado, pois, 1) teve um vice que somou os votos de que precisava para se reeleger sem lhe criar qualquer tipo de embaraço; e 2) na hora em que precisou dele para sucedê-la, mal teve tempo de estalar o dedo. Tudo deu certo.

Como prefeito, Carlos não teve a mesma sorte com sua única vice até agora - a atual prefeita Micarla de Sousa,

Micarla foi eleita vice de Carlos Eduardo, em 2004, pensando que este colocaria um pedaço da Prefeitura para ser por ela  comandado. Logo teve que tirar o cavalinho da chuva, rompeu, em 2006 elegeu-se deputada estadual e, em 2008, prefeita, sob o discurso da competência administrativa.

Sob sua ótica, está fazendo um grande trabalho - "priorizando gente", como gosta de repetir. Na realidade, porém, sob a ótica da maioria do povo, tem sido uma prefeita que muito deixa a desejar e que não soube aproveitar a grande chance que lhe foi dada na vida pública do RN.

Em matéria de vice, porém, teve sorte: Paulinho Freire está sendo um vice discreto, resguardado, que nunca lhe incomodou e ainda tem a grandeza de se segurar no barco afundado pra não deixá-la sozinha. 

28 de Setembro de 2012 às 15h23

Seremos todos iguais?

Tenho minhas dúvidas. 

Mas, em princípio, diria que sim.

Não em termos materiais, claro.

Sob esse ponto de vista, logo ao nascimento, sobressaem-se as nossas múltiplas e inquestionáveis diferenças. 

Há os que nascem em berço de ouro e são minoria; há os muitos que nascem em berço de madeira mesmo e, ainda, aqueles que chegam sem dispor, sequer, de uma manjedoura.

Tem alguma coisa nessa destinação que, ainda não consegui entender. Mas, adianto que não compartilho da teoria de alguns, segundo os quais, isso "provaria" a inexistência de Deus ou, no mínimo, que é injusto.

Diria até que, pra mim, desigualdades são inevitáveis consequências de atitudes humanas.

Não se diz que toda ação, promove uma reação?

Pois bem. Não são tão poucos assim, os nascidos em berço de ouro que, também por atitudes humanas, acabaram morrendo na pobreza; enquanto outros, nascidos em meros berços de madeira ou em manjedouras, tiveram atitudes que os levaram a uma situação de prosperidade ou de satisfação social (que, pra mim não significam a mesma coisa).

O que nos torna iguais é a capacidade que Deus nos assegura  de procurar definir o que é nossa vida e o que pretendemos fazer com ela. Ou seja: É o chamado livre arbítrio, um dom divino - invisível, mas presente em cada decisão que tomamos em nosso dia-a-dia - que cada um de nós recebe ao nascer. Tenhamos nascido em berço de ouro, em mero berço de madeira ou numa simples manjedoura.

Por ironia, a igualdade que o livre arbítrio nos assegura é que gera - em termos materiais - as nossas desigualdades.

Acho esse tema apaixonante; e sempre que vejo um jovem ou uma jovem pobre (principalmente) superar suas privações, suas necessidades materiais, em cima de sonhos que podem transformá-los em exemplos de luta, de garra, de determinação e conquistas, no que depender de mim, eles sempre terão uma palavra de estímulo, de incentivo, de apoio absoluto.

Pois, sei, o quanto é difícil e penoso, você conviver, todo dia, com a precisão, com a falta disso ou daquilo (que, às vezes, outros têm em excesso), e enfrentar, com dignidade, essa manifestação explícita de desigualdade, sem perder a consciência de que, só depende de cada um, a tarefa de transformar em realidade os seus próprios sonhos. 

21 de Setembro de 2012 às 12h13

Ta explode... não explode

O Estado do Rio Grande do Norte está uma verdadeira tábua de pirulito de problemas. Todo dia aparece uma emergência em setores vitais.

É na saúde; é na segurança pública; é no sistema penitenciário; é na guarda de crianças e adolescentes infratores; e vai por aí afora. 

Todos, rigorosamente, todos os setores da administração estadual encontram-se em situação de calamidade, especialmente aqueles que dizem respeito, diretamente, à dignidade das pessoas.

Não são problemas que surgiram agora. São problemas que vêm se agravando, governo após governo; sem que alguém tenha sido capaz de dar um basta. 

Pelo menos um basta.

Um governante realista, sério, determinado, valente e pragmático capaz de proclamar, e cumprir, diante de cada um desses desafios - "Pior do que isso, não posso deixar ficar".

Até hoje, porém, nem esse compromisso alguém teve a coragem de assumir.

E tudo vai piorando numa velocidade incontrolável.

No caso específico dos hospitais, das cadeias, das casas de custódia e equipamentos congêneres, hoje, todos, literalmente, entupidos de necessitados, estão, sem dúvida, no limite. Caminham para uma verdadeira explosão. Pois a demanda só faz aumentar e sua capacidade de atendimento é a de vários anos passados.

Estamos chegando a um ponto que não tem pra onde correr. A governadora poderia reconhecer que, sozinha, não tem como fazer uma divisão justa da escassa receita estadual e optar, então, pelo menos, por dividir responsabilidades com os demais poderes.

Porque, na realidade, não existe segredo. O governo só pode contar - para resolver todos os problemas da população - com o que recebe.

Hoje, na prática, os Três Poderes e o próprio Ministério Público dão a impressão de que só pensam - primeiro - na sua própria manutenção. Só o que sobra fica para o "resto", que, na realidade, é o mais importante - saúde, educação, guarda de crianças e adolescentes infratores, sistema previdenciário e instituições congêneres.

Pelo sistema atual, até o que falta para o Judiciário e o Ministério Público, é culpa do Executivo; o que falta para o "resto", então, nem se fala.

Esse quadro interessa a quem? Minha convicção é de que não pode interessar a quem quer seja. Muito menos ao povo. Que paga a conta toda e só fica com as migalhas.  

14 de Setembro de 2012 às 12h32

E o Walfredo, governadora?

Só pode ser muito caro o custo do funcionamento decente e digno de um hospital como o Walfredo Gurgel.

Agora: Será que esse custo é impagável?

Afinal, um Estado como o Rio Grande do Norte tem ou não tem condições de ter - funcionando decentemente - um hospital como o Walfredo Gurgel?

Os fatos estão aí para demonstrar que, das duas, uma: 1) ou não tem; ou 2) tem, mas os governantes, não querem.

Não me vem outra explicação para a situação atual do Walfredo um ano e nove meses depois da médica Rosalba Ciarlini ter assumido o governo do Estado.

Reconheço que ela recebeu o Walfredo numa situação muito ruim. Deplorável. Uma situação de verdadeira calamidade. Mas, um ano e nove meses depois, o quadro só fez piorar, segundo depoimentos que tenho lido, com a assinatura de profissionais que lá trabalham.

Não quero acreditar, que essa piora seja uma determinação da governadora. Até porque não há razão para isso. O povo a consagrou com uma vitória fulminante no primeiro turno de 2010. O dever da governadora era, no mínimo, ser grata à generosidade do povo potiguar; e,  - por gratidão - poder chegar hoje, já que não pôde antes, e dizer: "Tá aqui a consequência do seu voto. Outra coisa não pude fazer. Mas, hoje, - enfim - posso entregar ao Rio Grande do Norte um hospital digno do seu povo; um hospital de respeito e que garante ao povo um atendimento com o respeito e a dignidade que merece".

Infelizmente, não é isso que acontece. A consequência do voto tão esperançoso que o povo deu em 2010 e que está refletida na situação do Walfredo hoje, desilude, decepciona e desencanta. 

Agora, eu não entendo, como é que não tem dinheiro pra dar ao Walfredo condições dignas de funcionamento e tem pra outros setores do governo que, nem de longe, podem ter a sua importância comparada à importância de um hospital como o Walfredo Gurgel.

Não se diz que governar é administrar prioridades? O que, no Rio Grande do Norte de hoje é mais prioritário do que o Walfredo Gurgel? 

Por mim, enquanto não tivesse condições financeiras de garantir um atendimento hospitalar digno no Walfredo Gurgel, no seu dia-a-dia, a governadora não deveria aplicar em qualquer outro setor da admnistração um único cen-tavo da limitada e insuficiente arrecadação deste pobre Rio Pequeno do Norte.

E mais: Por mim, um governante sério iria lá pra dentro e só sairia quando a coisa estivesse funcionando como o povo merece que funcione. 

06 de Setembro de 2012 às 12h50

Ônibus e bom senso

Natal corre o risco de jogar fora o tempo e os recursos que estão sendo investidos no processo preparatório para a convocação de licitação pública relativa à concessão dos serviços de transporte coletivo da cidade. Não sei o montante dessa despesa, mas, com certeza, representa uma grana ra-zoável que, sem dúvida, a cidade não pode desperdiçar.

A realização dessa licitação foi um dos compromissos de campanha assumidos pela prefeita Micarla de Sousa que, em 2008, despontava como a grande esperança da população de Natal como instrumento de renovação dos quadros políticos da cidade.

Mas o certo, é que, passados três anos e oito meses, pelas mais diversas razões - muitas das quais à revelia da prefeita, acredito - a licitação não pôde ser realizada. Falta, inclusive, o seu passo inicial, o seu ponto de partida: a necessária autorização legislativa para que seja convocada, conforme reportagem circunstanciada de Louise Aguiar publicada na última terça-feira, dia 4, no NOVO JORNAL.

Ora, diante dessa realidade, o que manda o bom senso? Que a atual administração, não apenas por isso, mas, também, por isso, assuma que, o preferível é deixar essa responsabilidade - eu diria mesmo, esse grande abacaxi - para o próximo gestor.

Primeiro, porque será humanamente impossível concretizar, em um mês ou, no máximo, dois, todo um elenco de providências institucionais que não se conseguiu efetivar em três anos e oito meses; segundo, porque encontrando-se em delicada situação financeira, o município defronta-se com outras prioridades muito mais urgentes; e, terceiro, porque todos os candidatos à sucessão de Micarla de Sousa, entre os quais aquele que será o seu sucessor, já revelaram que têm restrições à forma como a atual prefeita vem conduzindo essa questão.

Ou seja: no mínimo, pretendem começar tudo de novo, fazendo com que todo o dinheiro e o tempo hoje gastos com esse objetivo, sejam completamente desperdiçados.

Quer dizer: Para evitar um prejuízo ainda maior, o melhor é parar de gastar hoje o que não vai servir de nada amanhã.

É chato para a prefeita tomar conhecimento dessas restrições? Claro que é. Chato e desagradável. Pra qualquer um seria; não apenas para Micarla. São os ossos do ofício. 

Mas, pior ainda, será dedicar-se a responder aos seus críticos com atitudes de mera pirraça, desperdiçando tempo, capacidade e recursos que dariam muito melhor proveito se investidos na saúde pública, na recuperação das ruas e na limpeza pública da cidade.  

31 de Agosto de 2012 às 11h09

Lá se vão 20%

Só com INSS e transporte, o trabalhador que ganha o salário mínimo está gastando 20% do que recebe. Isso, se só trabalhar 20 dias por mês e se só gastar duas passagens de ônibus por dia. Pode fazer a conta.

Poderia aqui plagiar aquela professora que calou os deputados - Amanda Gurgel - e lançar o desafio: Quero ver qual o ser humano capaz de sobreviver com tão pouco. Não o farei. Pois, do meu sonho à realidade, a diferente é gritante.

São milhares (ou milhões?) os que sobrevivem até com menos pelo Brasil afora. Sobrevivem? Deus sabe como, mas a realidade é que conseguem sobreviver.

Agora mesmo, em plena campanha eleitoral, a passagem de ônibus em Natal passou para R$ 2,40. Um preço muito salgado pra quem ganha o salário mínimo. Entretanto, ao que se diz, apesar disso, isto é: apesar de caro pra quem paga, a tarifa não parece ser tão doce assim pra quem a recebe - os empresários.

A questão da tarifação do transporte de massa em Natal merece, na realidade, um debate mais aprofundado, até porque, além da questão do preço, é constante e antiga a queixa da população quanto à sua qualidade.

O momento da campanha talvez fosse um instante propício e oportuno para a formulação desse debate. Talvez - repito. Primeiro, porque não sei se os candidatos teriam interesse e coragem para enfrentá-lo, de forma séria e honesta; segundo, porque correríamos o risco de ter um debate "pra inglês ver", marcado muito mais por promessas mirabolantes do que por compromissos capazes de serem resgatados na hora do pega pra capar.

Agora, que esse debate, mais cedo ou mais tarde, terá que ser feito, disso eu não tenho dúvida. Está se esgotando a validade da política atual de deixar como está para ver como é que fica; ou, simplesmente, ir empurrando com a barriga, porque há, em jogo, interesses de toda ordem.

Aliás, em algumas cidades - poucas, é verdade - experiências novas estão em andamento objetivando segurar o preço e melhorar a qualidade do serviço. E não há segredo: A única maneira de segurar o preço e melhorar o serviço é o poder público assumir o ônus das gratuidades que concede.

Do contrário, salvo alguma ideia criativa que ainda está para surgir, não tem pra onde correr. Essa ideia, porém, não surgirá do acaso. Terá que ser buscada, promovida, estimulada, procurada. Daí porque disse e vou repetir: Esse debate, mais cedo ou mais tarde, terá de ocorrer. 

24 de Agosto de 2012 às 11h33

Eis a campanha

Aberta a temporada da propaganda eleitoral no Rádio e TV, a campanha municipal alcança o seu grande momento.

Em Natal, particularmente, este é um momento crucial, tal o estado em que a cidade se encontra, necessitando de uma administração comprometida, de verdade, com a busca de soluções para os seus problemas.

Natal, tão sofrida e desencantada; que, há quatro anos, viu-se embalada por uma nova esperança que não se concretizou, merece uma campanha limpa e absolutamente sincera. Sem demagogia.

O eleitor, creio eu, não precisa de um prefeito que faça milagres, que invente a roda, que bote a roda grande dentro da roda pequena. Não.

O prefeito de que precisa, é aquele que bote pra funcionar a unidade de saúde do seu bairro; que garanta uma escola de qualidade para todas as crianças; que mantenha limpa a sua rua e todas as ruas vizinhas; um prefeito que não deixe os buracos continuarem se multiplicando; um prefeito que dê um basta na escuridão com que se encontra ao sair de casa de noite, seja pra ir à padaria, à farmácia, ao supermercado ou ao lazer.

Isso é o básico, o principal, uma espécie de alicerce para que possamos sonhar com providências mais complexas e onerosas. Quem não sabe cuidar dessas pequenas coisas, que credibilidade merece ter ao apresentar projetos mirabolantes? 

Eu, particularmente, gostaria de ouvir propostas simples, acreditáveis e de parte de quem tenha credibilidade para apresentá-las.

Natal precisa de alguém com muito talento e competência gerencial, mas acima de tudo com efetiva vocação para a vida pública. Que encare o cargo de prefeito como uma oportunidade para servir ao bem comum, não como um trampolim para novos cargos ou para ganhar dinheiro.

Alguém que encare a delegação popular como o que pode existir de mais sagrado no exercício da cidadania; e que lhe impõe uma pesada relação de deveres; não um cheque em branco para a cobertura da vaidade ou da ambição pessoal de quem quer que seja.

Tenho o maior respeito pelo sonho e pelas aspirações de todos os candidatos. Se estão preparados ou não, capacitados ou não, para a difícil e penosa missão que buscam, só o tempo nos ajudará a definir. Espero que sejam verdadeiros, autênticos, sinceros. E que sejam capazes de compreender o ceticismo com que grande parte da população acompanha, pelo menos por enquanto, o presente momento eleitoral.

Afinal, "gato escaldado tem medo de água fria". 

17 de Agosto de 2012 às 12h25

Reflexão necessária

Fiquei estarrecido com as distorções apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado na gestão financeira do governo do Rio Grande do Norte no ano de 2011.

A favor da governadora Rosalba Ciarlini diga-se que ela herdou um orçamento elaborado na gestão anterior.

Por esse orçamento, previa-se que o RN teria uma receita de 9 bilhões e 500 milhões de reais. Mas, na realidade, a arrecadação esbarrou em 7 bilhões e 800 milhões de reais.

Diferença grande, é verdade. Um bilhão e 700 milhões a menos. Muito grande. Mas, qualquer governo um pouco mais previdente, no mínimo, desconfiaria que isso iria, de fato, acontecer.

Eu sei que, pra qualquer um, de longe, é muito cômodo, fácil e tranquilo criticar. Mas, sinceramente, compete ao governo dar uma palavra de satisfação à sociedade em cima das principais distorções apontadas no relatório do conselheiro Paulo Roberto Alves.

Eu sou um ardoroso defensor de gastos públicos com publicidade. Não pelo fato de ter o meu salário pago pela publicidade, como trabalhador da área de Comunicação. Mas, porque, sem publicidade, não existe a decantada transparência, tão fundamental e necessária ao acompanhamento da gestão pública.

Mas, daí a aceitar que se gaste mais com publicidade do que com saúde pública, vai uma distância muito grande. E foi isso o que ocorreu no ano passado, aqui no Rio Grande do Norte, segundo o já citado relatório do Conselheiro Paulo Roberto Alves.

No caso específico, não vejo os gastos com publicidade como algo extraordinário. Agora, indubitavelmente, o que se destinou à saúde foi, por demais, insuficiente.

Aliás, na circunstanciada reportagem de Jalmir Oliveira publicada no NOVO JORNAL, edição do dia 14/08/12, chamou a atenção o montante das despesas feitas com diárias para servidores públicos. Elas representaram mais do dobro do que se gastou, diretamente, com saúde pública em todo ano de 2011.

Claro: O TCE não detectou nenhum ato de desonestidade por parte da administração. Mas elencou nada menos que 19 ressalvas, algumas referentes ao governo anterior e que, nem por isso, podem deixar de merecer uma profunda reflexão por parte da governadora.

Como já coloquei, S. Excia. deve uma explicação  à sociedade, especialmente, se puder garantir que as distorções apontadas estão sendo todas corrigidas. 

10 de Agosto de 2012 às 11h17

Pra onde vamos?

É das mais ingratas a missão que a governadora Rosalba Ciarlini pediu ao povo potiguar que fosse deixada sob a sua responsabilidade.

Tanto é assim que, até hoje, mais de um ano e meio depois, Sua Excelência não conseguiu desatar o nó cego que lhe entregamos. Não por imposição, claro. Mas, a seu pedido.

Já disse aqui neste espaço, até mais de uma vez, que torço pelo sucesso da Dra. Rosalba. Por ela, como gente, mulher aguerrida, determinada, honesta e que por vários mandatos dera provas de eficiência e competência à frente da Prefeitura de Mossoró.

Torço muito mais pelo povo - que a escolheu e não merece mais uma frustração, mais uma decepção, mais um arrependimento por outro voto - dado com tanta esperança, mas que está se revelando um novo equívoco.

Por que? Pergunto-me a todo instante. O que foi que aconteceu? Por que não tá dando certo? Ela desaprendeu?

Já confessei que, a partir mesmo do período de transição, comecei a desconfiar que alguma coisa tinha mudado. A decantada competência da governadora eleita, pra mim, estava em xeque. Era como se a eleita não estivesse nem aí para a pesada responsabilidade que tinha pela frente. Os secretários das pastas mais complicadas, mais desafiadoras, só foram anunciados, praticamente, no dia da posse.

Pois bem: Entendo que a realidade de hoje tem muito de consequência do uso equivocado que foi feito do período de transição. Perdeu-se tempo com aspectos menos importantes de uma transição e os resultados estão aí.

A saúde em estado de calamidade reconhecida oficialmente, sem nenhuma perspectiva de superação. E olhe, que não é estado de calamidade em uma ou outra unidade de atendimento. É um estado de calamidade generalizado, afetando todas - rigorosamente todas - as unidades de sistema.

Quem adoece - coitado...

Aí, vem agora, este outro desafio que, como o da saúde, não é de hoje - o desafio do sistema penitenciário. Está numa situação deplorável e, mesmo assim, já não cabe mais ninguém, conforme constatação do Poder Judiciário.

E ai? Como a governadora vai desatar esse nó?

Torço muito para que ela consiga, mas a cada dia, estou achando as coisas mais complicadas.

E olhe que aqui só pude citar esses dois problemas. Nem esses dois, nem os demais, foi ela quem criou, mas com ela só fazem se agravar. Até quando? 

03 de Agosto de 2012 às 11h37

A vez do mensalão

É visível a tripolaridade em que se divide, hoje, a sociedade brasileira diante da corrupção.

Aparentemente, todo mundo é contra. Todo mundo a condena.

Mas, na realidade, nem todos - como fica claro na discussão do momento em torno do julgamento pelo STF do processo do "mensalão".

Uma parte dos que se declaram contra a corrupção e pedem, com ênfase apaixonada, cadeia para os corruptos, considera com a mais absoluta convicção que o "mensalão" simplesmente não existiu. Foi uma invenção de Roberto Jefferson - dizem.

Ou seja: Para esses, os denunciados estão sendo alvo de um processo eminentemente político. Baluartes da moralidade, mereceriam, isto sim, estar nos altares do PT, nunca no banco dos réus.

Outra parcela da população não tem dúvida: Tenham ou não argumentos de defesa, todos os denunciados são culpados. E por uma razão muito simples: São culpados por que são do "outro lado". Provas eventualmente levantadas (ou não) comprovando (ou não) as falcatruas denunciadas, são meros detalhes.

Por fim, existe ainda uma terceira parcela, do meu ponto de vista, mais realista, que evita prejulgamento e alimenta a expectativa de que, no fim, justiça seja feita - que culpados não sejam inocentados; e que inocentes não sejam condenados.

Afinal, o fim da impunidade passa por uma atitude de consciência ética; jamais pela condenação de meros bodes expiatórios, de preferência do partido adversário.

A sociedade em que vivemos não tem nada de santa. Não pode, porém, fugir do desafio da própria sobrevivência. E a sobrevivência da sociedade passa pelo respeito ao pluralismo e à diversidade mas, também, pela intolerância com a corrupção, não apenas dos outros, mas esteja aonde estiver.

Independente do número de correntes mobilizadas pelo julgamento do mensalão, o certo é que, este é um momento essencialmente tenso do tênue sistema democrático brasileiro.

Cada um de nós tem o direito de optar por uma das correntes existentes. Mas, não pode esquecer de que tem deveres e responsabilidades nessa virada de página da nossa história. 

Só tapar o nariz e ficar apontando o outro lado é muito pouco e não leva a lugar nenhum. 

27 de Julho de 2012 às 15h59

Transparência, já

Agora que a prática da transparência no serviço público começa a assumir a proporção de exigência irreversível da sociedade, bem que poderia transformar-se, também, numa arma implacável dos bens gestores a serviço da população.

Cada unidade administrativa, começando pelas da Educação e da Saúde deveriam ostentar, logo na sua entrada, a relação de quantos e quais servidores lá estão lotados, permitindo ao contribuinte um rigoroso controle de frequência.

Tal providência me parece absolutamente indispensável, inclusive por sua conotação de complementar a divulgação dos solários mostrando quanto custa cada servidor à administração pública.

Aliás, esse procedimento resultaria num verdadeiro reconhecimento público àqueles servidores que não faltam ao trabalho. Um ato de justiça, portanto, para todos que, chova ou faça sol, estão lá no batente, fazendo o seu trabalho ou, pelo menos, procurando fazê-lo, no exercício de uma atividade profissional que exige dos que a abraçam dignidade, competência e disposição para bem atender.

Quanto à questão dos salários, salta aos olhos um quadro de absoluta desigualdade que precisa ser corrigido. A elite dirigente dos três poderes precisa se conscientizar de que não pode continuar se privilegiando em detrimento da classe, digamos, "dirigida".

A legislação salarial brasileira é acentuadamente benevolente quando trata de resolver pleitos de quem se encontra no topo da pirâmide, e verdadeira madrasta quando colocada diante das necessidades e agruras de quem mais precisa.

Historicamente, o "grande" sempre encontra, no nosso ordenamento jurídico, uma brecha por onde empurra novos privilégios, novos "direitos adquiridos". Do outro lado, porém, a turma do "andar" de baixo, sempre vê legítimas e justas aspirações esbarrarem em limitações verdadeiramente intransponíveis. Ora são limitações ditadas por irredutíveis normas da Lei de Responsabilidade Fiscal, ora por indisponibilidades de ordem financeira e/ou orçamentária.

Quer dizer: os avanços que estamos alcançando não podem parar. Certamente. Mas, precisam provocar consequências. E consequências racionais, positivas - que não aumentem os privilégios, pelo contrário, os contenham e conduzam à correção de distorções e desigualdades tão injustas.

Se isso ocorrer, não tenho dúvidas: A transparência mudará o Brasil. E mudará pra melhor. 

20 de Julho de 2012 às 12h19

Calamidade na saúde

A governadora Rosalba Ciarlini levou um ano e meio de administração para sentir a necessidade de decretar estado de calamidade no setor de saúde pública.

Não me cabe questionar se foi tempo de mais ou se foi tempo de menos. Mas, acredito ser oportuno deixar claro o entendimento, com certeza compartilhado por Sua Excelência, de que só esse reconhecimento não vai resolver absolutamente nada.

O problema é que, as consequências da oficialização da calamidade na saúde pública estão sendo tão discretas, que, até parece, nada começou a melhorar.

Se era para reconhecer a situação de calamidade e nada acontecer, melhor teria sido deixar tudo como estava. Pelo menos, não se teria levado a população a imaginar que as coisas iriam melhorar de repente, poupando-a de mais uma decepção.

É brincadeira decretar situação de calamidade num setor tão vital quanto a saúde pública e estabelecer um prazo tão elástico para superá-la. A não ser que se queira, apenas, fazer de conta, jogo de cena,  ganhar tempo, empurrá-la com a barriga.

Calamidade, emergência ou coisa que o valham, pressupõem tratamento de choque, ação efetiva, concreta e urgente.

De concreto mesmo, o que chegou ao conhecimento da opinião pública - não sei nem se procede - é que foram abertos 29 leitos de enfermaria no Hospital Ruy Pereira, em Natal. Pouco demais, diante de uma reconhecida situação de calamidade. Só?

Logicamente, a questão da saúde pública é um desafio para qualquer governante. Aqui e, praticamente, no resto do Brasil. Mas, é do governante - não digo que só dele ou dela, no nosso caso, mas essencialmente dela, a responsabilidade de enfrentá-lo. Não a passos de tartaruga, como a realidade estadual indica há tempos, mas com a agilidade que a calamidade exige.

Não entendo porque, numa área tão essencial quanto complicada como é a da saúde pública, as autoridades - historicamente - têm se recusado a abrir o jogo sobre o seu custo. Por exemplo: qual o custo/dia da Saúde Pública do RN hoje? Quanto seria necessário para que a população passe a receber um tratamento de qualidade? Um tratamento digno?

Esses dados são fundamentais para que os "patrocinadores" encarem a questão de forma mais realista e pragmática. E aí possamos perguntar a nós mesmos: Podemos ou não podemos pagar?  

13 de Julho de 2012 às 15h57

A casa é sua, dom Eugênio

O falecimento de Dom Eugênio de Araújo Sales, aos 91 anos de idade, ocorreu na noite do dia 9 de julho, mas só vim tomar conhecimento da triste notícia no dia seguinte. Logo imaginei: Todas as portas do céu estão escanca-radas para recebê-lo.

Nunca vi, de tão perto, um líder religioso tão concentrado na sua fé. Tem razão o atual arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta: "Ele foi um homem que seguiu Jesus Cristo".

Conheci-o mais de perto, quando entrei no Seminário de São Pedro, em 1957. Dom Eugênio era bispo auxiliar de Natal. Com o arcebispo de então, dom Marcolino Dantas, tolhido na sua força de trabalho por encontrar-se cego, era dom Eugênio, ainda muito jovem, quem tocava o governo arquidiocesano e, mais do que isso, comandava o chamado "Movimento de Natal".

Durante um certo período de nossa convivência, eu e um grupo de mais quatro ou cinco seminaristas, tivemos o privilégio de ter com ele, a cada semana, um encontro mais fechado, no lanche que ele nos oferecia todos os sábados, após a missa das 7 da noite que celebrava na antiga Catedral de Natal, hoje matriz de Nossa Senhora da Apresentação, na Praça André de Albuquerque.

O lanche era na sua casa, na Av. Rio Branco e preparado por dona Teca, sua mãe.

Era a grande oportunidade que tínhamos de ouvir mais de perto aquele grande líder, que nos entusiasmava e empolgava com a sua contagiante disposição para o trabalho e com a capacidade que tinha de atrair os outros para segui-lo. Isto mesmo. Dom Eugênio empolgava e entusiasmava não só pelo que dizia, mas, essencialmente, pelo que fazia, pelos exemplos que transmitia.

Não foi à toa que tornou-se um dos grandes nomes da hierarquia eclesiástica brasileira, respeitado e ouvido nas mais altas esferas do Vaticano. Que eu me lembre, de Pio XII pra cá, não teve um Sumo Pontífice, passando pelos consagrados João XXIII e João Paulo II, que não fizesse questão de escutá-lo sobre as questões mais polêmicas do tempo de cada um.

Vanguardista nato, apesar de priorizar mais a ação do que a palavra, dom Eugênio sempre foi um comunicador por excelência. Começou com ele o sistema de comunicação da Arquidiocese de Natal, primeiro com o jornal A ORDEM, depois com a Emissora de Educação Rural, pioneira no ensino à distância no Brasil.

Tudo que se disser para engrandecer os feitos de Dom Eugênio em sua passagem por aqui - será pouco. Nada mais justo, portanto, do que a grande festa que os santos estão fazendo no céu para recepcioná-lo com toda pompa. 

06 de Julho de 2012 às 16h47

Reflexão sobre o poder

Quanto maior o poder; quanto maiores forem as prerrogativas do cargo - menores devem ser a empáfia, a ostentação, a vaidade, a truculência. Só o que deve ser maior é a responsabilidade.

Deixa-se subjugar pela empáfia, pela ostentação, pela vaidade, pela truculência, quem ainda não está preparado para o exercício do poder ou para administrar as prerrogativas de um cargo.

É fundamental que quem tem poder em suas mãos, nunca esqueça que o poder não é seu. É uma delegação. Política (e maior) se decorrente da soberania do voto popular; ou institucional, se consequência de uma posição na burocracia do Estado. Sempre que se tiver de usá-lo, não se pode nem deve deixar de lembrar que todo poder tem limites pré-estabelecidos na Lei.

Tais limites - em nenhuma circunstância poderão ser ultrapassados. O poder que ultrapassa limites perde sua eventual legitimidade.

Na face da Terra, especialmente sob o império da democracia, nenhum poder é ilimitado.

Vez por outra faço essa reflexão porque sei que, muitos detentores de poder, pelas mais diversas razões, ainda não tiveram a oportunidade - eu diria, também, a chance, de entrar em sua própria consciência, e de encará-la nos termos aqui colocados.

Não tenho outro propósito a não ser o de provocar esse encontro.

Tenho certeza que vale a pena. Tanto do ponto vista subjetivo, quanto do ponto de vista mais racional, mais pragmático.

Há exemplos marcantes - que a história registra - de detentores de poder que, por o quererem ilimitado, o transformam em ilegítimo e quando se aper-cebem do mal que fizeram - geralmente foi muito tarde e sem chance de volta.

Pra mim - que não tenho poder - essa é uma reflexão natural em muitos momentos da minha vida. O poder cega e embriaga. E quando passa a ser utilizado como palmatória do mundo, aí doutor, saia da frente porque não tem quem segure nem o seu limite, nem a sua legitimidade.

Como o arrependimento geralmente só chega tarde, torço para que, estimulando tal reflexão, possa contribuir para diminuição dos casos de exercício ilegal e ilegítimo do poder.

Por falar de poder, quero mandar um abraço para o amigo e colega, João Batista Machado, cujo livro "Política em atos e fatos" foi lançado na quarta-feira, dia 4. Para mim, foi uma honra ter sido convidado para escrever sua apresentação. O prefácio foi de outro estimado amigo - Roberto Guedes. 

29 de Junho de 2012 às 16h12

Micarla em 2008 e 2012

Há quatro anos, a então deputada Micarla de Sousa vivia momentos de glória.

Era a favorita na lista de pretendentes à Prefeitura de Natal.

Durante a fase de pré-campanha, todas as pesquisas a indicavam como a preferida do povo para desencanto do então prefeito Carlos Eduardo Alves.

Numa jogada que, na época, muitos consideraram "de mestre", Carlos ainda tentou dar a volta por cima atraindo para a campanha de Natal ninguém menos do que o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Com isso, numa única tacada, ele pensou estar matando dois coelhos. O primeiro, inviabilizando dentro do seu partido na época, o PSB, a pretensa candidatura do deputado Rogério Marinho; o segundo, criando condições para dar um breque na candidatura de sua ex-vice-prefeita e, agora, desafeta Micarla de Sousa que, como já disse, nesse período de convenções, em 2008, era dada como imbatível por todas as pesquisas.

Efetivamente, há exatos quatro anos, Micarla era o xodó do povo e foi consagrada nas urnas. Ganhou logo no primeiro turno, derrotando as mais poderosas lideranças do Estado e do país.

Tão grande foi a consagração da vitória que a própria Micarla perdeu o rumo. Seus adversários, inclusive o próprio presidente da República, tinham sido, literalmente, humilhados pelas urnas. 

Não só o presidente Lula: A governadora Wilma, o senador Garibaldi, o deputado Henrique, o prefeito Carlos Eduardo... quem estivesse contra ela.

O "cara"... - se existia, era ela: Micarla.

Imaginávamos - todos - na época que, não poderia existir dali a quatro anos - agora em 2012, reeleição mais tranquila.

Que nada... Micarla está ai. Doente, desgastada e sem condições de disputar a reeleição, embora orgulhosa por dirigir Natal como disse que está.

São as voltas que o mundo dá. O mundo e a vida, que funcionam como uma verdadeira roda gigante, talvez até para confirmar a advertência bíblica contida no Eclesiastes e que a própria Micarla tanto gosta de citar.

Nesta vida - é assim que traduzo para o português de hoje o que diz o texto citado - tem hora pra tudo e nada é definitivo. Tem a hora da glória; tem a hora da decepção.

Para Micarla, 2008, foi sua hora da glória; 2012 é sua hora de decepção. Mas, o certo mesmo é que a vida continua - e o gira-gira de sua roda não vai parar. 

22 de Junho de 2012 às 11h52

Padre e política

A proximidade da campanha eleitoral deste ano faz voltar ao centro da discussão uma questão que não é nova: a presença de padres e outros representantes de religiões como militantes da disputa política.

Tem gente que é contra e tem gente que é a favor.

Há religiões, especialmente, as evangélicas, que até estimulam a conquista de espaço político-partidário por seus pastores.

Outras, como a Católica, ora admite, ora reprime a presença de padres na luta partidária. 

Ou seja, de tempos em tempos, cada  Igreja, isto é, cada Diocese, interpreta as normas do Direito Canônico que estabelecem essa proibição, em função de circunstâncias e interesses de cada momento.

Agora mesmo, aqui em Natal, o Arcebispo dom Jaime Vieira Rocha, emitiu comunicado aos padres deixando claro que a sua linha é a de seguir o que diz o Código de Direito Canônico.

E está lá, no parágrafo 3º do artigo 285: "Os clérigos são proibidos de assumir cargos públicos que impliquem participação no exercício do poder civil". E, mais na frente, no parágrafo 2º do artigo 287, os clérigos são orientados a evitarem participar de partidos políticos e associações sindicais".

Claro, sedimentando esse gesto de dom Jaime Vieira Rocha, lembrando tais preceitos do Direito Canônico, está o seu zelo apostólico. A política, não obstante constituir uma das formas mais sagradas do exercício da cidadania, está sujeita a muitas distorções, a muitos vícios e possui, em si mesma, um forte conteúdo divisionista.

Ou seja: Para um padre, cuja principal missão é evangelizar - e evangelizar "gregos e troianos" - quanto menor for o seu comprometimento com o que divide, com o que separa, com o que distorce, muitas vezes até sem medir distância, melhor.

É assim que compreendo a orientação e a diretriz que o arcebispo transmite ao seu rebanho. Agora, até por um dever de justiça, não posso deixar de reconhecer a grande contribuição que um padre, que eu tive o privilégio de conhecer, pôde oferecer à política e à administração do Rio Grande do Norte: o saudoso monsenhor Walfredo Gurgel, que foi governador do Estado, no período de 31 de janeiro de 1966 a 15 de março de 1971.

Que a lembrança dele e o exemplo que nos deixou sejam a luz para aqueles que, hoje, para entrar na política, tiverem que fazer a difícil escolha entre ser fiel ao seu ministério ou buscar nas urnas uma forma de contribuir para o resgate da atividade política. 

15 de Junho de 2012 às 12h42

Todo mundo sonha

Não conheço uma única pessoa que não deseje um mundo melhor. Mais justo, mais solidário; mais saudável, mais fraterno; mais igual. Um mundo seguro e pacífico.

O problema é que são tantos os problemas que o mundo tem, que não está sendo fácil a construção desse mundo melhor tão sonhado.

Aqui e acolá me vejo refletindo sobre a realidade do mundo em que vivemos e as propostas que cada um de nós elenca como contribuição à concretização do sonho.

De repente, me perguntei: E se todos os que se dizem cristãos lessem mais o "Sermão da Montanha"? Refletissem mais sobre as lições que através dele Jesus nos deixou? E, ao menos, houvesse um esforço de cada um para colocá-lo em prática? 

Vivê-lo integralmente as 24 horas do dia, julgo quase impensável para o ser humano. Não que seja impossível. Mas, porque, como o próprio Jesus avisou, pra consolo dos seus próprios primeiros apóstolos, "A carne é fraca".

Tal advertência, porém, assim o entendo, ele não colocou como um impeditivo, como desestímulo: "Você não pode". 

Pelo contrário foi uma maneira de estimular: "Você pode!" 

Por mais difícil que seja, quem se declara cristão deveria enfrentar, todos os dias - em casa, no trabalho, no lazer, em toda parte - a desafiadora experiência de começar a tentar, recomeçando sempre a cada necessidade, a cada falha, a cada erro.

Seria ou não seria um bom começo? Agora: Não nos iludamos. Falando assim parece até fácil, cômodo até. Mas, se fosse na realidade, o número dos que já começaram a tentar e continuam tentando seria muito maior, hoje em dia. Inclusive, o número dos que recuaram, desistiram de tentar e, depois, voltaram a recomeçar.

Eu sei que não tenho currículo nem bagagem pra ficar tratando do "Sermão da Montanha".

Longe de mim tal pretensão. Mas, também, não tenho como segurar as reflexões que sou levado a fazer e que me chegam sem bater. Preciso compartilhá-las, submetê-las à apreciação de outros, sem outro propósito, a não ser o de buscar uma fórmula que me permita fazer a minha parte, por mais insignificante que seja.

Voltando ao "Sermão da Montanha". Quem se declara cristão, não pode deixar de lê-lo sempre que necessário, até como forma de procurar ter coragem pra começar a tentar (e recomeçar sempre) a desafiadora experiência de vivenciá-lo. Está em Mateus, Capítulo 5, a partir do versículo terceiro. 

08 de Junho de 2012 às 02h03

E agora, como tudo ficará?

Existem duas grandes incógni-tas, sobre os processos sucessórios de Natal e de Mossoró. 

Na capital, só este ano a Câmara pôde deliberar sobre a prestação de contas de 2008, último ano da gestão de Carlos Eduardo Alves. 

Quatro anos depois, portanto.

Terá sido de propósito?

Não entro no mérito da legitimidade da decisão. Afinal, se a Câmara tinha, legalmente, que se manifestar, nada mais legítimo que o tenha feito com absoluta liberdade.

Mas, por que só agora? Tal decisão não poderia ter sido antecipada em, pelo menos, dois anos? Quem foi que a ficou segurando e qual a justificativa oficial para tal procedimento?

Para todos, está mais do que claro: ao decidir contrariamente - e só agora - a uma prestação de contas de quatro anos atrás, os vereadores sabiam que estavam criando uma dificuldade inesperada para que Carlos, líder das pesquisas em Natal, consiga concretizar essa sua aspiração.

Aguardo para saber qual a tendência da reação popular que, provavelmente, as próximas pesquisas anteciparão; e, ainda melhor, qual a verdadeira reação do eleitorado natalense a ser manifestada nas urnas de 7 de outubro.

A outra questão é quanto à sucessão mossoroense.

Por uma pequena diferença - quatro votos - os petistas mossoroenses decidiram enfrentar a sucessão da prefeita Fafá Rosado com a candidatura própria do professor Josivan Barbosa.

Na realidade, o professor Josivan é uma das novidades que surgem no processo político estadual. Mas, ele e os que o apoiavam sabiam e sabem que, no momento, o seu projeto pessoal colide com o projeto maior - do partido.

E não deu outra: A ordem do diretório nacional ao PT mossoroense é engavetar a candidatura de Josivan (a prefeito, pelo menos) e assumir o apoio ao nome da deputada Larissa Rosado, como forma de abrir perspectivas de uma luta menos desigual com o maior adversário petista no Brasil inteiro e que, em Mossoró, é o outro lado político, comandado pelo DEM.

Resta a reação de Josivan. Quem a ditará? O coração ou razão? 

Pelo que sei, no primeiro momento, Josivan, que - insisto - é uma das raras novidades no cenário político estadual, resistiu. Mas, o PT não desiste dele e tenta convencê-lo a fechar com partido, fechando com Larissa. 

Eis aí, portanto, a outra pendência política, cujo desfecho só me resta aguardar. 

25 de Maio de 2012 às 15h25

Muda tudo em Natal

A desaprovação da prestação de contas do ano de 2008 da gestão Carlos Eduardo como prefeito de Natal, muda tudo no processo sucessório municipal.

Essa desaprovação consubstanciou-se na quarta-feira, dia 23, numa decisão da Câmara Municipal.

Só para relembrar: As contas de 2008 de Carlos Eduardo foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado. Mas, de acordo com a lei vigente, precisavam passar, também, pelo crivo dos vereadores.

E não passaram. Quinze dos 21 vereadoresl, baseados num relatório feito por Enildo Alves, argumentaram ter encontrado uma série de irregularidades não percebidas pelo TCE.

Entre essas irregularidades, citaram a concessão de benefícios funcionais e até nomeações proibidas pela legislação eleitoral.

Votaram, então, pela sua desaprovação. E, com isso, botaram uma grande pedra na caminhada que Carlos Eduardo pretende percorrer na tentativa de voltar a ser prefeito de Natal.

Claro está que ele tem todo direito de reagir da maneira que bem quiser e entender. Mas, agora, a coisa fica muito complicada.

Insistindo com a candidatura, como parece determinado, Carlos terá que enfrentar árduas e sucessivas batalhas na esfera judicial, correndo o acentuado risco de chegar o dia da eleição e a sua pretensão continuar subjudice.

Como reagirão seus principais apoiadores - o PPS de Wober Júnior; o PC do B, de George Câmara, o próprio PRB de Ranieri Barbosa; e os que chegaram mais recentemente, como o PSD do vice-governador Robinson Faria e o PSB da governadora Wilma?

Terão coragem de apostar tudo no marketing, acreditando, como Carlos Eduardo, que voto de vereador não vale um fósforo queimado?

Sei não. Se o caso de Natal fosse único no Brasil, seria uma coisa. Dificilmente a Justiça iria impedir que um candidato líder de pesquisa fosse impedido de disputar a eleição porque teve uma prestação de contas desaprovada numa Câmara Municipal.

Mas, será único? Pode até ser, mas é muito difícil que seja. Como também acho muito difícil que alguém com contas rejeitadas possa sustentar, pelo menos num primeiro momento, um discurso de ficha limpa.

Não estou aqui, porém, pra fazer adivinhação.

Carlos Eduardo desistir? Não acredito. Mas, sem dúvida, terá que encarar uma nova realidade.  

18 de Maio de 2012 às 11h52

Carlos X Vereadores

Esse novo imbroglio entre vereadores de Natal e o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves não era para estar surpeendendo. Estava na cara que os vereadores aguardariam a hora da virada.

Assim é a roda da vida.

Todos sabem que é assim. Não apenas de agora. Desde que o mundo é mundo. 

O problema é que parece fazer parte da configuração humana o esquecimento dessa realidade, especialmente se isso convier ao interesse momentâneo de cada um.

Não é à toa que existe aquela teoria imprevidente - a teoria da cigarra - sugerindo que o "agora" deve ser vivido e aproveitado em toda extensão de sua dimensão, pois ninguém sabe o que vai acontecer no instante seguinte.

Aonde vai dar o imboglio, não posso prever. Mas, arrisco-me a considerar que, neste primeiro momento, em que é mínimo o conhecimento público sobre a raiz do problema e suas consequências, para a maioria da opinião pública, a vantagem pende para o ex-prefeito Carlos Eduardo.

Acontece que a batalha está apenas começando e o andar da carruagem indica que haverá desdobramento em diversas, complicadas e imprevisíveis etapas.

Não sei até onde vai o fôlego da aparente vantagem que, supostamente, a opinião pública, neste momento, atribui a Carlos Eduardo. Resistirá a todas as etapas? Pode ser que sim; pode ser que não.

Na vez anterior decidiu peitar vereadores que se opunham a sua proposta de Plano Diretor, e, no voto, o então prefeito Carlos Eduardo perdeu. Mas, foi à forra com a posterior judicialização da questão, submetendo a Câmara e seus integrantes à humilhação de uma condenação praticamente generalizada.

Agora, o problema não é mais o Plano Diretor de Natal. É a deliberação da Câmara sobre a prestação de contas que fez de sua administração à frente da Prefeitura.

Pode a Câmara desaprová-la? O ex-prefeito entende que não e com um sólido argumento: As contas foram tecnicamente aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado. Uma decisão em contrário dos vereadores, consubstanciará o que Carlos Eduardo chama de "complô politiqueiro e arbitrário".

Da vez passada, a Câmara pagou pra ver e foi para o desafio do voto. Deu no que deu. 

E agora, o que vai acontecer?

Incluo-me entre os que não sabem. Nem a palavra final da Câmara nem o seu inevitável desdobramento sobre a eleição municipal deste ano. Fico esperando. 

11 de Maio de 2012 às 11h17

Seja o que Deus quiser

Não me surpreendem as dificuldades enfrentadas pela governadora Rosalba Ciarlini em sua busca por um novo secretário estadual de Saúde.

É como procurar agulha num palheiro. 

Ora, se foi assim antes do governo começar, quando tudo é empolgação, esperança, sonhos, projetos, imagine-se agora.

A governadora está à procura de alguém que, sendo da sua confiança, conheça a (difícil) realidade da estrutura que passará a dirigir.

E não apenas isso: Que tenha credibilidade junto à comunidade sanitária, muita coragem para enfrentar desafios e obstáculos, e, ainda, um pavio quilométrico para administrar, com determinação e muito jeito, principalmente, duas coisas:

1) A insatisfação dos que precisam de um serviço de saúde mais digno; e 2) A pressão de quem, ganhando quatro vezes mais do que ele, fica numa rede, só apontando "erros" e exigindo providências que, humanamente, fogem do seu alcance. 

Na hora em que escrevo essas linhas, não sei se, nesse particular, a via crucis da governadora terminou. Mas, uma coisa parece óbvia: Quem vier a aceitar (ou já aceitou) o desafio, saiba que não está recebendo um prêmio. Na realidade, receberá um grande abacaxi.

Primeiro, porque vai assumir a responsabilidade por um setor vital, não apenas para o governo; para a sociedade de uma maneira geral.

Segundo, porque, ao que se diz, os recursos orçamentários com que poderá contar, nem de longe lhe permitem satisfazer, de forma digna, as principais necessidades da população.

E terceiro, porque, mesmo sabendo de tudo isso, a sociedade e os órgãos de fiscalização não estão nem aí para essa realidade. Querem é cobrar. A sociedade com toda razão, pois mesmo uma parte dela estando desempregada ou recebendo salários miseráveis, é quem sustenta a máquina e pode exigir; os órgãos de fiscalização porque parecem existir mesmo com essa cômoda e aprazível finalidade.

Diante do quadro nada encantador e aprazível que o espera, tenho pra mim que o próximo secretário de Saúde terá que buscar um aliado fundamental - a transparência.

Partindo do princípio de que não vai dispor de tudo que precisa para enfrentar a realidade, ele tem que fazer uma opção pela transparência. Abrir as contas da Secretaria e escancará-las. Pra cada encargo, dizer quanto tem e de quanto precisa.

Fora isso, é arregaçar as mangas, trabalhar e levantar as mãos para o céu pedindo a luz, a bênção e a proteção de Deus. 

04 de Maio de 2012 às 12h07

O buraco é mais em cima

A espetacularização da luta contra a corrupção, por maior audiência que dê, não leva à solução do problema. Penso eu.

Na realidade, a espetacularização interessa aos corruptos maiores. Acho até que eles é que a promovem como forma de conter a indignação da massa. Ou, então, quando um deles é flagrado querendo ser mais esperto do que os outros. 

Fora disso, os corruptos maiores nunca aparecem. Ficam na moita; num mundo muito distante do nosso; numa outra realidade, tão diferente daquela que encaramos todos os dias, que mal conseguimos imagina-la.

Não é fácil o combate da corrupção. Se fosse, de tão antiga que é, já a teriam exterminado. Por que ela resiste há milênios de história?

Primeiro, porque ela é forte mesmo. Segundo, porque, ao longo do tempo, nós - a turba, o povão - jamais paramos pra pensar, pra definir uma estratégia de luta mais racional, e temos nos saciado com a pura e simples espetacularização, que os verdadeiros corruptos, os maiores, manipulam com esmerada competência e primorosa habilidade.

Um lugar comum da luta contra a corrupção é o de que os maiores corruptos estão na classe política. 

Não vou dizer que discordo. Mas, tenho, sim, minhas dúvidas a respeito dessa conjectura.

Por uma razão muito simples. Se os políticos, que precisam de nossa crença, do nosso voto; tendo que nos olhar de frente, no nosso olho, muitos deles ainda nos enganam; imagine aqueles que, não sendo políticos sem precisar da nossa crença e do nosso voto; nem de nos encarar olho no olho, chegam aos postos mais importantes da administração e do serviço público na nossa República?

Saia da frente.

O buraco é muito mais em cima. Alguém já fez a conta para imaginar quanto é que o poder público brasileiro - em seus três níveis - movimenta todos os dias em dinheiro, comprando - de um simples rolo de esparadrapo a uma plataforma de petróleo? Contratando serviços - desde a limpeza de uma janela a um complicado sistema de informática? Da recuperação de uma calçada de praia a uma mega-usina, uma grande ponte? Todo dia, todo dia, todo dia, sem parar?

São bilhões de reais. Todo dia. E o que aparece na espetacularização, mesmo no caso de um Carlinhos Cachoeira? Migalhas. Nada mais do que migalhas. Só o que eles querem mostrar.

Por isso, não me canso de repetir: o caminho é outro. 

27 de Abril de 2012 às 12h24

Nosso Código de Ética

Em tempos de sucessivos escândalos, principalmente no âmbito nacional, achei por bem compartilhar com você que me honra com sua leitura, esta reflexão: 

O Código de Ética dos jornalistas brasileiros relaciona, em seu capítulo II, artigo sexto, 14 deveres dos quais o profissional da informação não pode fugir.

O primeiro - claro - é fundamental. Está lá: "É dever do jornalista opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos".

Dos 14, o oitavo, pra mim, é básico: "É dever do jornalista respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão".

O décimo também: "Defender os princípios constitucionais e legais, base do Estado Democrático de Direito". O décimo primeiro: "Defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas".

E fechando o listão, o dever décimo quarto de cada um de nós, profissionais do jornalismo: "Combater a prática da perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental ou de qualquer outra natureza". 

No artigo sétimo, o Código relaciona nove ações incompatíveis com a dignidade do jornalista. Dessas, destaco: 

"O jornalista não pode:

II - Submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação.

III - Impedir a manifestação de opiniões divergentes ou o livre debate de idéias.

IV - Expor pessoas ameaçadas, exploradas ou sob risco de vida, sendo vedada a sua identificação, mesmo que parcial, pela voz, traços físicos, indica-ção de locais de trabalho ou residência, ou quaisquer outros sinais.

V - Usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime".

O capítulo III, em seu artigo 9º é emblemático: "A presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística".

Por fim, no mesmo capítulo, cito o artigo 11, item III: "O jornalista não pode divulgar informações obtidas de maneira inadequada, por exemplo, com o uso de identidades falsas, câmeras escondidas, ou microfones ocultos, salvo em casos de incontestável interesse público e quando esgotadas todas as outras possibilidades de apuração".  

20 de Abril de 2012 às 10h37

Seremos todos Pilatos?

A sociedade brasileira está chegando a um estágio no qual precisaria parar a fim de fazer um exame de consciência, uma espécie de auto-crítica.

Por que? 

Existe nas ruas um clamor generalizado pela moralidade no serviço público e o fim da impunidade e é como se não tivéssemos nada com isso. Só os outros.

Limitamo-nos, quando muito, a apontar e a exigir punição - às vezes de verdadeiros culpados; outras de meros bodes expiatórios, quando não de vítimas de uma investigação apressada ou equivocada ou até de infelizes desafetos de quem fez a investigação.

Isso vai resolver?

Não sou dono da verdade, mas imagino que não.

Primeiro, porque é uma utopia inalcançável esperar que o ser humano chegue a perfeição total. Pelo menos em sua vida terrena, não acredito que isso venha a ocorrer.

Diante dessa convicção pessoal, então, entendo que é tarefa de todos - e não apenas dos outros - a de contribuir na restauração da credibilidade das instituições e da moralidade na administração pública.

Não é por isso que a sociedade está clamando?

Então, que a sociedade toda se mobilize para conquistar essas metas, e não, que continue lavando as mãos diante de tal responsabilidade, como Pilatos fez ao ser pressionado pela turba para determinar a crucificação de Jesus Cristo.

Diante da corrupção, disse segunda-feira aqui em Natal, a ministra Eliana Calmon, musa e principal intérprete do anseio social pela moralidade, existem duas armas: 1) Transparência; 2) Gestão.

Ora, transparência e gestão, não dependem dos outros.

Dependem de cada um de nós - os eleitores do Brasil, legítimos detentores do poder soberano, conforme o nosso texto constitucional.

Somos pois, todos, e não somente os que nos representam, os grandes responsáveis pelas mudanças que clamamos para o Brasil. E só existe uma maneira de exercitar tal prerrogativa e tal responsabilidade.

Que maneira é essa? Votando de forma consciente.

Quer dizer: Nisso não existe nenhuma novidade; a não ser o reconhecimento, que, humildemente temos de assumir, de que primeiro, temos que aprender a votar conscientemente. Pois, é o nosso voto que vai eleger aqueles que, amanhã, terão de fazer - institucionalmente - a opção pelas prioridades que as ruas estão ditando no dizer da ministra Eliana Calmon: Transparência e Gestão.  

13 de Abril de 2012 às 13h29

O grito do Papa

Foi o próprio Papa Bento XVI que fez o alerta: A Igreja católica está diante de um novo desafio: A partir da Áustria, cresce junto ao clero europeu, um movimento de contestação a dogmas históricos.

Em sua homilia da quinta-feira santa, dia que a tradição católica dedica à criação dos sacramentos da Ordem e da Eucaristia, o Santo Padre proclamou em plena Basílica de São Pedro:

- A desobediência não é o caminho para a renovação da Igreja.

Diante dessa manifestação explícita de preocupação do Sumo Pontífice, fui atrás de saber o que esta inquietando e despertando os padres austríacos.

Não pude ir mais longe, nem me compete, na verdade, realizar uma pesquisa mais profunda - pelo menos neste momento. Mas, pelo que me foi permitido perceber, os padres da Áustria apenas colocaram no papel - e saíram divulgando - anseios que não constituem novidade alguma nos bastidores da Igreja há muitos anos.

Não apenas na Áustria. Muitos menos, só na Europa. Aqui no Brasil, também. Inclusive aqui no Rio Grande do Norte.

Entre os dogmas contestados estão: O celibato obrigatório que impede a ordenação sacerdotal de casados ou que os padres se casem; a proibição da ordenação sacerdotal de mulheres; e a condenação perpétua imposta a católicos que precisaram se divorciar.

O fato do Sumo Pontífice ter dedicado a sua homilia da quinta-feira santa deste ano a essa questão não deixa dúvida: Se o Papa falou - e falou numa transmissão dirigida ao mundo, numa das datas mais significativas da tradição católica - é porque entendeu que esse questionamento chegou a um ponto absolutamente incontrolável.

Pra mim, na sua condição de ex-prefeito da Sagrada Congregação da Doutrina da Fé, considerada por alguns como a "sucessora" do "Santo Ofício", Bento XVI, que está para completar 85 anos de idade, emitiu, claramente, a sua "carta de seguro", diante de algo que, a cada dia, vai se tornando mais inevitável.

É como se quisesse deixar registrado para o futuro: "Eu não me omiti. Eu tentei evitar. Dei o meu grito de alerta".

Claro: a Igreja deve ter suas razões para sustentar, por tantos séculos, uma posição de total irredutibilidade diante desses dogmas. Eu, como pecador, entendo que, no dia em que se fizer uma avaliação de sua real dimensão e de suas consequências, ficará claro que elas mais prejudicaram do que contribuíram para o fortalecimento da fé. 

05 de Abril de 2012 às 12h39

2012: As primeiras frituras

O zum-zum está no meio do mundo. O PT tem duas prioridades na eleição municipal deste ano: Prioridade nº 1: Sustentar a Prefeitura do Recife; prioridade nº 2: Conquistar espaço na disputa municipal de São Paulo, principal reduto eleitoral do País.

Aliás, para ser mais preciso, essas duas prioridades, na verdade, não são prioridades do PT. São prioridades do seu cacique maior - o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é, sem quase nenhuma dúvida, quem manda no partido.

Fatos recentes têm mostrado que, quando o presidente Lula põe a cabeça pra um lado, não adianta questioná-lo, nem querer discutir, muito menos contestar. Nem sempre tudo dá certo, mas - percalços à parte - tem sido assim que o ex-presidente exerce o poder político que construiu, com inquestionável capacidade, carisma e determinação.

Pois bem: No afã de viabilizar suas duas prioridades quanto ao pleito municipal deste ano, o ex-presidente definiu como um dos seus principais interlocutores no presente momento, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB.

Este é outra "cobra criada" da política. Sabe ver, sabe ouvir, sabe articular, sabe a hora de falar e a hora de calar. Com elevado índice de aprovação, mesmo já no segundo mandato, nem passa pela cabeça ter no seu PSB um candidato próprio à Prefeitura do Recife. Pra ele, essa ainda é uma prerrogativa indiscutível e inquestionável do PT.

Em matéria de Prefeitura para o PSB, Eduardo Campos, tem duas prioridades - Natal e Mossoró, com a mesma paixão com que o presidente Lula está focado em São Paulo e no Recife.

O fato de Lula e Eduardo Campos terem prioridades absolutamente distintas, sendo aliados tão chegados e entendidos, é, como se diz no popular, "casar Tomé com Bebé", para infortúnio dos pré-candidatos petistas às Prefeituras de Natal (deputado Fernando Mineiro) e de Mossoró (Professor Josivan Barbosa).

Sem dúvida nenhuma, tanto Mineiro quanto o professor Josivan conseguiram construir, dentro do PT, uma base muito sólida que alicerça suas respectivas pretensões. Não será fácil derrubá-los. Não sei, porém, até onde irá a capacidade de resistência dos dois e de suas bases.

Na realidade, há exceções, mas não faz parte da história do PT, gestos de rebeldia às decisões do seu comando.  

30 de Março de 2012 às 11h30

2012: As primeiras definições

Enfim o taboleiro político relativo ao pleito municipal deste ano, em Natal, começa a registrar as primeiras definições.

A do PPS assumindo o apoio ao retorno de Carlos Eduardo deve ser emblemática para as aspirações do ex-prefeito.

Agora ele "não está mais sozinho", como bem registrou este NOVO JORNAL, na reportagem de Cláudio Oliveira publicada ontem - terça-feira. Uma bem lembrada referência à incômoda realidade que vinha sendo vivida por Carlos: Líder inconteste de todas as pesquisas divulgadas até hoje, mantinha-se incrivelmente limitado, em matéria de apoio, ao respaldo do seu próprio partido - o PDT.

É cedo, porém, para anunciar e analisar desdobramentos.

Carlos e Wober - diga-se PDT e PPS - estão na oposição (à prefeita Micarla e à governadora Rosalba Ciarlini), mas, em princípio, não parecem capazes de aglutinar outros setores da oposição local, especialmente o PT e o PSB, além do próprio PSD, o partido do vice-governador Robinson Faria.

O PT já está em campanha em torno da candidatura do deputado Fernando Mineiro. Já o PSB, seu aliado preferencial em todas as eleições disputadas neste século, a partir de 2002, em Natal e no RN, sente-se "desafiado" também a enfrentar as urnas de 2012 com uma candidatura própria - a da ex-governadora Wilma de Faria.

Percebi esse sentimento de "desafio" socialista ao ouvir, ontem, uma entrevista da deputada Márcia Maia aos jornalistas Alex Viana e Daniela Freire, na 94 FM.

Ou seja: Os principais segmentos da oposição local julgam irreversíveis os índices de desaprovação aos governos de Micarla e Rosalba e parecem determinados a marcharem divididos por três candidaturas principais (Carlos Eduardo, Wilma e Mineiro) para a disputa do primeiro turno da eleição natalense.

Restariam, ainda, as definições dos partidos menores e a do PSD do vice-governador Robinson Faria. 

Com isso, Robinson vê-se, mais uma vez, como fiel da balança das forças políticas norte-rio-grandenses. Escaldado com as lições que deve ter aprendido nesses dois últimos anos, certamente entende que deve ser cauteloso e sereno na definição do seu novo rumo.

Vai pra Carlos, pra Wilma ou pra Mineiro? Não me arisco a nenhum palpite nem me disponho a fazer qualquer aposta.

Até porque, Micarla ainda dirá se vai pra reeleição; e Rosalba ainda terá de confirmar se vai, mesmo, com Rogério Marinho. 

23 de Março de 2012 às 11h02

E o resto da verdade?

Desculpem, mas não me espantei nem um pouco com os vergonhosos e repugnantes casos de corrupção apontados pelo "Fantástico" de domingo e pelo "Jornal Nacional" de segunda-feira.

Achei foi pouco. Num Estado corrupto como o Rio de Janeiro, um funcionário da Globo se travestir de chefe de compras de uma repartição pública durante dois meses e só "flagrar" quatro empresas corruptas, é pouco demais pra ser verdade.

Será que é verdade? Ou melhor: Será que foi mostrada toda verdade? Pra mim, ali não tem 10% da verdade.

Me pareceu, muito mais, que dando pra fazer espetáculo, a Globo não tá nem aí pra verdade. Muito menos pra verdade total. Pra ela, o importante é o show. 

Não cabe nem discutir, neste espaço, de onde partiu a proposta de propina na maracutaia exposta na reportagem da Globo: Se do "chefe de compras" do hospital, ou das empresas chamadas para acertar o esquema da carta-convite.

O certo é que, por maior que fosse a soma supostamente em vias de ser desviada na negociata apresentada na reportagem, não passaria de uma gota dágua no verdadeiro oceano de corrupção que está enchendo de lama a burocracia brasileira.

Não me conformo com o fato da Globo ter se satisfeito com a "gota dágua", omitindo-se com relação ao "Oceano", representado pelas outras formas de licitação - tomada de preços e concorrência pública, que dizem respeito a contratos envolvendo recursos muito mais volumosos.

Pra mim, a Globo ficou devendo uma reportagem com a verdade total sobre essa história da corrupção enraizada na administração pública brasileira. E não apenas no Estado do Rio de Janeiro.

Aliás, desde aquela reportagem denunciando fraude em bombas de gasolina, que eu estava esperando o resto da história. 

Cadê o resto da história? 

A fraude era só aquela que foi mostrada em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Curitiba?

Acabou? Não existe mais? Ficou tudo por isso mesmo?

Eu sei que a maioria da sociedade brasileira está aí, espantada e indignada com o que viu. Mas, é difícil imaginar que a Globo não saiba que sua reportagem ficou devendo, e muito, sobre a corrupção real que é praticada no dia-a-dia da vida pública brasileira.

Ou seja: a história da Globo foi bem armada e bem contada. Mas, sem dúvida, está incompleta. Mostrou reles bois de piranha. 

16 de Março de 2012 às 10h39

Nosso voto é sagrado

Um "ônus" inerente à vida pública é o do cidadão e/ou cidadã que a exerce está sempre preparado ou preparada para dar ex-plicações. 

Outro é ter de reconhecer (e aceitar) o destino de ser colocado - muitas vezes injustamente - na vala comum de que todos são iguais. De que todos "calçam 40".

Claro, até aí, nenhuma novidade. Nada disso é de hoje. É coisa antiga. Há exceções. Sem dúvida. Ex-ceções que, com toda certeza, contam. Graças a Deus e a nós eleitores.

Agora: Não podemos fugir da nossa responsabilidade. Somos nós que escolhemos os políticos que temos.

Para mim, numa democracia, nada é mais sagrado e exige de quem o exerce total responsabilidade, do que o direito de votar.

Porque penso assim, me sinto desrespeitado, não apenas como eleitor, mas também como cidadão, toda vez que uma decisão popular, expressada através do voto - livre, secreto, soberano e universal - é anulada seja por qual via for.

Pra mim, em qualquer circunstância, a última palavra tem que ser do povo, na forma que a lei estabelece.

Mas, aí, vem aquela história revivida durante o não muito distante período do regime militar em que foram perguntar a Pelé: "E o povo brasileiro sabe votar?"

Tem muita gente que, ainda hoje, acha que não. Não entro em tal discussão, mas também não escondo: Um dia haveremos de aprender. Praticando, claro.

E tanto mais rápido aprenderemos, quanto mais onerosas e prejudiciais sejam as conseqüências dos nossos erros. Aliás, tirando por mim, já foram tantas as lições recebidas, que, de há muito, deveríamos ter aprendido.

Está lá, no parágrafo único do Art. 1º da nossa Constituição:

"Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos, ou diretamente nos termos desta Constituição".

"Todo poder". Não é um pedaço. É "todo".

Reconheço não dispor de embasamento jurídico para elaborar uma tese que defenda ou interprete esse princípio constitucional que coloca tão ilimitada gama de poder nas mãos da sociedade brasileira.

Mas, entendo estar mais do que na hora de cada um de nós assumir a sua parte, por mais modesta que seja, nesse projeto de sociedade democrática que a Constituição nos assegura. Como? Encarando com a máxima responsabilidade o sagrado direito de votar. 

09 de Março de 2012 às 12h26

Eike, o insaciável

Contava minha avó, que ouvira dos seus avós, a história de um sãogonçalense ateu - que se vangloriava de advinhar o futuro.

Uma de suas especialidades era a previsão de que haveria chuva ou seca, logo ao início de cada ano.

Estamos falando de uns dois séculos passados, quase três.

Minha avó nascera nos anos 1800, seus avós ouviram a história que lhes contava, no mínimo, por volta de 1700 ou até mesmo 1600.  Época em que não podia haver tragédia maior do que um ano de seca.

Certo ano, todos os sinais naturais enviados ao sertão eram de que se teria um ano de grande inverno. O tal profeta, contudo, preconizava o contrário. O ano seria de seca.

Em meio a uma das acirradas discussões que travou, o profeta não suportou a admoestação de um compadre:

- Compadre, esses sinais vêm do céu. É Deus que nos manda pra que a gente se prepare...

- Que Deus que nada, compadre. Este ano é de seca... Se Deus puder mudar essa minha previsão e mandar um ano de chuva, que me transforme num sapo... Estou pronto pra aproveitar a primeira lagoa que se formar na estrada daqui pra Macaíba...

Mal o profeta acabou de falar, já tinha se transformado num sapo...

Ficou aproveitando a lagoa até o fim do inverno. Só quando as chuvas pararam, a lagoa secou, ele desencantou e depois da necessária "quarentena" pra fugir da gozoção da vizinhança, voltou a profetizar.

- Este ano vai ser de bom inverno, vou plantar algodão (que saudade dos áureos tempos do algodão...), ganharei muito dinheiro e darei uma volta ao mundo... Vou bater no Japão, nos Estados Unidos, na Europa...

O mesmo compadre de antigamente atalhou:

- Compaaadre.... fala ao menos "Se Deus Quiseer" , compadre...

E ele, de bate-pronto, respondeu:

- Eu vou compadre... Se ele não quiser, a lagoa taí.

Pois bem: Lembrei-me dessa história neste início da semana, lendo, no portal do Estadão, uma notícia sobre a lista dos 20 homens mais ricos do mundo, segundo a agência Bloomberg, de Nova Iorque.

O brasileiro Eike Batista ficou em 10º lugar. Procurado pela agência, achou pouco e foi logo assegurando: "Em 2014 não serei o décimo. Serei o primeiro. Estarei no topo dessa lista. Serei o homem mais rico do mundo".

E nem falou "se Deus quiser". 

02 de Março de 2012 às 11h19

O enviado do Senhor

Dom Matias Patrício de Macedo foi muito feliz ao resumir, na expressão bíblica, a saudação com que acolheu o seu sucessor no comando da Arquidiocese de Natal, dom Jaime Vieira Rocha: "O bendito que vem em nome do Senhor".

Não poderia haver uma forma mais solidária, mais fraterna, mais cristã, bem ao perfil de Dom Matias, um pastor que ao final de sua missão, sem nenhuma dúvida, pode proclamar como São Paulo: "Combati o bom combate... Guardei a fé".

Claro: Não me compete fazer um balanço da gestão de Dom Matias à frente da Arquidiocese. Não tenho dúvida, porém, de que, quem o fizer, certamente, encontrará números positivos e alvissareiros.

Agora, começa a era de Dom Jaime, sob a marca de grande esperança, não apenas pela gama de experiência que acumulou como pastor das Dioceses de Caicó e de Campina Grande; principalmente pelo seu carisma e pelo exemplo de vida cristã que tem construído.

Em sua homilia de posse, está delineado o alicerce sobre o qual pretende sedimentar o trabalho a que se propõe: A voz de Deus, os seus sinais e designios - "Considerando sempre a sua santa vontade e buscando conhecer o que se apresenta à realização da minha missão em Natal". 

Na realidade, a trajetória de Dom Jaime, desde o nascimento à sagração episcopal, o revela e o projeta como um predestinado a chegar, em qualquer lugar, como "o que vem (e, portanto, chega) em nome do Senhor", como bem proclamou Dom Matias: Foi batizado pelo padre Alair Vilar (mais tarde eleito arcebispo de Natal); crismado por Dom Eugênio de Araújo Sales; ordenado sacerdote por Dom Nivaldo Monte; eleito e sagrado bispo pelo atual Beato e então Sumo Pontífice João Paulo II.

Na minha limitada e laica visão de fatos tão significativos quanto esses - que ele citou na homilia de posse - essas coisas, muito dificilmente, acontecem por acaso.

Estavam escritas e parecem indicar com muita precisão que, lá atrás, ele já estava escolhido.

A igreja que lhe foi confiada - a de Natal - não é uma Igreja qualquer. Poucas igrejas - na hierarquia católica - em todo o mundo, alcançam uma posição de tanto crédito e de tanto respeito quanto a de Natal. Não é à toa que todos os arcebispos para  cá designados, foram tirados do próprio clero de Natal.

Até o baiano dom Marcolino Dantas, que foi o primeiro, ao ser nomeado arcebispo estava integrado ao clero natalense, como seu bispo diocesano.

Todas as bênçãos, pois, para Dom Jaime Vieira Rocha e sua sagrada e desafiadora missão. 

24 de Fevereiro de 2012 às 11h23

É muito dinheiro

Em sua mensagem perante a Assembléia Legislativa, na tarde do dia 15, a governadora Rosalba Ciarlini afirmou que a economia do RN vai receber investimentos de 35 bilhões de reais de 2012 a 2014.

Quer dizer: em três anos. Este em que estamos e os dois seguintes - 2013 e 2014, o ano da Copa.

R$ 35 bilhões correspondem, aproximadamente, a quase cinco orçamentos estaduais a preços de hoje. Ou seja: 35 bilhões é a soma de tudo o que o Estado arrecada, na situação de hoje, em cinco anos.

O anúncio da governadora significa dizer que, em 2012, 2013 e 2014, além do orçamento de cada ano (cerca de R$ 7 bilhões/ano para custeio da máquina e pequenos investimentos), o Rio Grande do Norte disporá a mais, em cada ano, em média, de 12 bilhões de reais/ano só para investimentos.

Perceberam? Em cada ano, serão, em média, 12 bilhões/ano, livres de encargos. Só para investir. Mais de um orçamento e meio de acréscimo na receita anual. "Livres". Só para investimentos.

É tanto dinheiro que a própria governadora projetou, para o período - três anos (2012, 2013 e 2014), a criação de 70 mil empregos, sendo 20 mil diretos e 50 mil indiretos, num "patamar mínimo" - conforme a expressão da própria chefe do executivo em sua mensagem ao Rio Grande do Norte através da Assembléia Legislativa. "Num patamar mínimo", isto é, num cálculo pessimista.

Agora, como dinheiro não cai do céu, de onde será que a governadora está esperando que caia essa grana toda sobre o Rio Grande do Norte?

Acho que a afirmação da dra. Rosalba ganharia maior credibilidade se ela se dispuser a revelar as fontes de onde sairão esses sonhados e abençoados 35 bilhões de reais.

Claro: Não estou aqui divulgando da afirmação da governadora. Como duvidar de alguém que, entendendo que tem que fazer, faz, mesmo que isso lhe acarrete uma situação de desgaste da qual não pode saber se conse-guirá sair?

Não estou nem duvidando, nem torcendo contra. Pelo contrário. Mas, entendo que, como os 35 bilhões anunciados, devem se destinar ao bem de todos - ao bem comum - é natural que os futuros beneficiados tenham conhecimento de sua origem.

Afinal, são tantas as promessas descumpridas hoje em dia que, cada vez mais, se enraíza no imaginário do povo a antiga e verdadeira expressão: "De esmola grande, cego desconfia". 

17 de Fevereiro de 2012 às 15h42

Difícil recomeço

Fico imaginando a encrenca em que a prefeita Micarla de Sousa se envolveu com a sociedade natalense e tento visualizar as alternativas ao seu dispor para que possa se levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.

Conheço Micarla de outros tempos. Firme, determinada, capaz, corajosa e sem medo, especialmente quando provocada.

Tudo a ver, portanto, com o sonho que acaba de proclamar: "Vou recomeçar!"

O problema é que, do sonho para a realidade, a diferença é imensurável.

Um saudoso amigo de Carlos Alberto, pai de Micarla (tam-bém um amigo inesquecível),  quando via uma pessoa sonhar muito alto, não perdia a oportunidade de tentar fazê-la cair na real, dizendo como se falasse a outra pessoa:

- Nega pensa que é assim.

Essa expressão que, tantas vezes, ouvi Firmino Moura repetir em rotineiros encontros políticos e amigáveis que promovia, especialmente no Samburá, inúmeras dessas vezes na presença de Carlos Alberto e Miriam, calha bem com o "recomeço" sonhado por Micarla.

- Nega pensa que é assim...

Já vi muita coisa em política. O cara (ou a cara), num momento, está lá em cima; noutro - nem sempre muito distante - está lá embaixo.

A recíproca é verdadeira tam-bém: Às vezes o sujeito está lá embaixo, humilhado, esquecido, marginalizado e, de repente... buuumm... explode e dá um pulo lá pra cima.

Mas, não devemos nos iludir: Pra subir, o sujeito tem que penar. E muito. Pra cair, basta um escorrego.

Tenho certeza: Deve ser muito triste pra Micarla, consagrada, verdadeiramente idolatrada pelo povo de Natal em 2008, olhar pra trás e chegar à conclusão de que não pôde corresponder.

Não vou dizer que a prefeita não tem culpa por não ter podido corresponder. Não. E digo mais: A vejo como a principal responsável pela situação em que se encontra. Agora, uma verdade ninguém pode desconhecer: Os "amigos" de Micarla, aqueles que a elegeram pularam do seu barco, sem nenhuma contemplação.

Ta certo que eles iam pulando fora e era como se não fosse com ela. A firmeza e a determinação de Micarla, nesses instantes de provocação, se transformam num incontrolável teor de presunção.

Mas, na verdade, os "amigos", os "correligionários" a deixaram literalmente sozinha. Tiraram-lhe a escada que construíram e lhe ofereceram e a deixaram pendurada no pincel.  

10 de Fevereiro de 2012 às 11h11

A ordem do dia

Impossível não refletir hoje sobre a grande aspiração do momento - segurança pública.

Aos recentes acontecimentos aqui no RN - fugas, assaltos, violência, somam-se dois fatos da maior dimensão. Um local; outro nacional.

O local - o assalto à padaria em Petrópolis, do qual os marginais sairam atirando, covardemente, contra pessoas desarmadas e indefesas; o nacional, essa greve da PM baiana e a presteza com que o governo federal vem procurando esmagá-la.

Na boca do povo, porém, a conversa é uma só: 

Primeiro: A avassaladora sensação de insegurança que domina hoje o po-vo baiano tem uma justificativa: A polícia está em greve. E aqui? Como explicar a mesma sensação com a Polícia em plena atividade?

Segundo: Se tropas federais, inclusive do Exército, podem ser utilizadas na Bahia em defesa da ordem e da segurança públicas, por que não ocorre o mesmo no nosso Rio Grande do Norte?

Essas são as duas questões básicas que, por esses dias, entram em todas as conversas - sejam nos gabinetes, sejam nas esquinas, em mesas e calçadas.

Claro: Elas têm uma conotação emocional muito forte. Pois, de uns tempos para cá, a população só tem visto a situação da segurança pública se agravar, consolidando a sensação de cada um que começa a enxergar, cada vez mais próxima, a sua ameaça, sempre carregada de terror, medo e perdas.

Então, estamos esperando o que para um enfoque realista e racional dessa absoluta prioridade brasileira? Está mais do que provado que a fórmula atual está falida e, não apenas, atrasada. Se Estados poderosos e economicamente robustos, como são os casos de São Paulo, Rio de Janeiro, a própria Bahia, têm se revelado incapazes de prover o seu povo de condições adequadas de segurança, como esperar que o Rio Grande do Norte o consiga?

A União Federal não pode continuar de braços cruzados. Muito menos, descruzá-los apenas quando, politicamente, lhe parece oportuno, como nos casos da Polícia Pacificadora no Rio de Janeiro e, agora, nesse episódio do estado de greve decretado pela Polícia baiana.

Esta expectativa de um trabalho sério e imediato para tentar restaurar a política de segurança no Brasil e, não só, num ou noutro Estado, é que deve ser, hoje, a questão colocada na ordem do dia de todos os brasileiros.

A partir da presidente Dilma, os dirigentes do País, precisam dar uma resposta urgente a esse grande anseio nacional. 

03 de Fevereiro de 2012 às 10h55

Henrique em queda

Está em queda a cotação de Henrique Alves como candidato à presidência da Câmara - é o que mostram os fatos mais recentes.

Em política, é certo, nada é definitivo, mas não vai ser fácil para o líder do PMDB na Câmara, levantar-se, sacudir a poeira e dá a volta por cima.

Será, então, uma carta fora do baralho? Claro que não. 

Mas, é exatamente aí que mora o perigo.

Pois, as forças que querem impedir que o deputado potiguar realize o sonho de chegar à presidência da Câmara não pretendem lhe proporcionar nenhuma trégua.

Pelo contrário. As indicações são de que a pressão não vai parar, com o agravante de que essa pressão se alicerça em palavras do próprio Henrique, naquele inexplicável desafio público que fez, diretamente, à presidente Dilma Roussef.

 Resultado: Está sendo atribuída à presidente da República a determinação de rifar a candidatura de Henrique à presidência da Câmara.

Ainda segunda-feira, em sua badalada coluna em vários jornais, Cláudio Humberto cita duas afirmações que teriam sido proferidas pela presidente.

Uma, ao vice-presidente Michel Temer: O compromisso com a candidatura de Henrique à presidência da Câmara não é dela; é do PT. A outra, a "um senador": Com Henrique tendo  o controle do PMDB e mais o da pauta de votação da Câmara, o governo estará  morto.

Quer dizer: com o desafio que fez à presidente, o próprio Henrique jogou por terra uma das características mais decantadas de sua atuação política: a fidelidade ao governo.

Agora, a expectativa é saber quais os próximos passos que serão dados pelos personagens desse enredo. Por exemplo: Aceitará Henrique fazer a indicação do próximo diretor-geral do DNOCS?

Certamente, a ele compete escolher uma das alternativas - sim ou não, sem esquecer, é claro, que qualquer das duas terá desdobramentos.

A presidente Dilma, por sua vez, com uma visão política inquestionável, tem se portado, de público, como se nada disso lhe interessasse.

Segunda-feira, antes de viajar a Cuba, dedicou ao ministro Garibaldi Alves Filho o seu programa semanal de rádio " Café com a presidenta". Encheu a bola do trabalho que Garibaldi está realizando e anunciou, como grande feito do seu governo que, até o final do ano, serão inaugurados mais 182 postos do INSS pelo Brasil afora. 

Coincidência?

27 de Janeiro de 2012 às 12h03

E a fraude? Engolimos?

Permita-me as duas perguntas. A fraude a que me refiro é aquela mostrada há coisa de um mês - um pouco menos, no "Fantástico", da Rede Globo, nas bombas de gasolina.

Segundo a reportagem, arranjaram um "chip" que, colocado numa bomba de gasolina, faz com que a máquina passe a nos roubar da forma mais escancarada, sem que tenhamos a menor chance de descobrir a falcatrua.

Ficou claro, em tudo que a TV mostrou, que se tratava de uma verdadeira e inesgotável mina para os ladrões.

Já tive a oportunidade de escrever aqui o quanto fiquei estarrecido com o que vi. E imaginava que seriam tomadas providências efetivas e defintivas pelo oneroso sistema de fiscalização custeado pela sociedade brasileira.

No entanto, se alguma coisa foi feita para acabar essa roubalheira, nada nos disseram. A própria Globo que fez a denúncia de forma tão clara e apresentando, inclusive, provas aparentemente irrefutáveis, deixou muita coisa no ar.

Por exemplo: Foram mostrados exemplos da falcatrua em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. Mas, de responsável, só o de Curitiba, preso preventivamente no dia seguinte, mas já liberado, mediante habeas corpus. 

Pelo menos, o Brasil o conheceu. E os demais?  Os do Rio e de São Paulo, aonde estão? Quem são? E nos demais Estados? Nada aconteceu?

Ora, está claro que um "negoção" como o que foi mostrado não poderia ficar limitado a duas ou três cidades. Aqui no RN, por exemplo, foi noticiado que havia milhares de bombas adulteradas. 

Mas, não houve, ainda, uma palavra oficial de informação destinada a tranquilizar a sociedade, tipo: "Pode ficar tranquila que vamos enfrentar essa máfia".

Daí a segunda pergunta que utilizei no título de mais esse desabafo cidadão: "Engolimos?"

Descobrem um roubo, denunciam, fazem de conta que vão contê-lo, percebemos que uma cortina de silêncio passa a encobrir a falcatrua, e ninguém diz mais absolutamente nada.

O pior pra mim, é que, o gênio que inventou o "chip" que põe pra roubar as bombas de gasolina, não deve ter ficado satisfeito com essa criação única. O mais provável é que, no mínimo, a tenha aperfeiçoado para utilização em outros medidores.

Os outros, não sei. Mas, de mim, não vou esconder:  Todo mês, quando recebo a conta de água e de luz, é grande a dúvida que me assalta. Mas, infelizmente, estou condenado a engolir calado. Não calo. 

20 de Janeiro de 2012 às 13h23

Sensação de pobreza

Este começo de 2012 tem me trazido a sensação de que o contingente de pobreza, ou seja, o número de pessoas que enfrentam uma realidade de incerteza e de necessidade, tem aumentado.

É o tipo da sensação real, não apenas "sentida", mas vista com os próprios olhos, embora bata com as estatísticas do discurso oficial que alguns meios de comunicação não se cansam de propagar repetidamente.

Por essas estatísticas, tentam nos impingir uma realidade que os olhos não enxergam: a pobreza está diminuindo, a classe média e até a quantidade de "milionários" encontra-se em expansão, inclusive - imaginem - aqui no Rio Grande do Norte.

Claro: Não disponho de informações técnicas para contestar as estatísticas oficiais. Também não desconheço o quanto é significativa a esmola do Bolsa Família para milhões de brasileiros e milhares de norte-rio-grandenses.

Pior ainda seria a realidade que vejo diariamente, não fosse esse gesto paternalista e eleitoreiro do governo federal. 

Ruim com ele - porque vicia, acomoda, dá preguiça; pior sem ele, porque, pelo menos, a fome diminui.

O que não diminui, desgraçadamente, é a desigualdade social reinante no Brasil.

A sensação - pelo menos ela - é de que é cada vez maior a distância que separa os brasileiros mais ricos dos brasileiros mais pobres. Aqueles têm cada vez mais; esses cada vez menos.

Tal realidade desafiava - na minha mente - a estatística e o discurso oficial ontem de manhã, quando me dirigia para escrever este artigo.

Chegando no cruzamento da Prudente de Morais com a Antônio Basílio, no canteiro de frente do Hiper Bom Preço, lá estavam sete pessoas. Uma, já sentada, olhando para a incerteza do dia que começava; as outras seis, ainda deitadas, aparentemente dormindo, como se acostumadas à chocante rotina de necessidades.

Pouco depois, de frente para o computador e ainda buscando um tema para dedicar estas linhas, alguém falou como se estivesse acompanhando as dúvidas e incertezas do meu pensamento:

- Estão fazendo um edificio, onde cada apartamento custa 9 milhões e meio de reais.

Confesso que tomei um susto. Em Natal? Ainda indaguei. Era.

Pois bem: Se não temos sensibilidade, não apenas para nos espantar, mas para nos assustar com uma realidade dessa, não quero nem pensar no tipo de futuro que estamos construindo. 

13 de Janeiro de 2012 às 10h56

Fraude nos postos

A reportagem mostrada domingo no "Fantástico" revelando o esquema de roubo montado nos postos de gasolina foi estarrecedora. Claro: Tendo sido apresentada num dos programas de maior audiência da TV brasileira, quase todo mundo viu.

Só para relembrar: Um gênio do roubo inventou uma placa eletrônica, administrada por controle remoto, que, integrada ao mecanismo de uma bomba de gasolina, a coloca para roubar. da forma mais escancarada e escandalosa que se possa imaginar.

Confesso: Fiquei, literalmente, pasmo.

A um simples toque no controle remoto, a placa diminui (sorrateiramente) a quantidade de combustível descarregada no tanque do veículo em abastecimento, mantendo a cobrança pelo que foi previamente programado, o que termina por representar, para o consumidor, um prejuizo em torno de 10% do valor da conta.

Ou seja: Você pede para colocar 20 litros. O frentista programa a bomba pra colocar 20 litros no tanque do seu carro. Mas, ela, sem você, sequer desconfiar, só coloca em torno de 90% do programado. Agora, cobra pelos 20 litros. 

O tipo do roubo de primeiro mundo, praticado na cara da vítima - o pobre do consumidor - que, infelizmente, não dispõe de qualquer mecanismo de pro-teção contra esperteza dessa e de outras naturezas.

Há quanto tempo tal esquema vem funcionando? 

Quem poderá determinar? 

O "Fantástico" comprovou o envolvimento de postos em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. Quem poderá assegurar que os espertalhões se satisfizeram em operar, somente, nesses três Estados? O mais provável é que um "negoção" desse já tenha se espalhado por todos os rincões deste país.

Ou estarei sendo injusto, imaginando tal probabilidade? 

Quantos milhões de pessoas terão sido prejudicadas por esse esquema? Quantos milhões de trabalhadores terão sido roubados dessa forma tão discarada e hoje - revoltados e indignados pelo alto peso da carga tributária com que são penalizados, descobrem-se absolutamente entregues à própria sorte? 

Afinal, o que faziam - enquanto éramos afanados - os múltiplos órgãos de fiscalização, que nos custam os olhos da cara?

Qual a explicação que vão nos dar para o fato de terem passado "batidos" enquanto estávamos sendo roubados "nas suas barbas"? E agora, que certeza podem nos oferecer de que tal esquema fraudulento foi ou está sendo contido? 

06 de Janeiro de 2012 às 10h58

O desafio de Rosalba

As últimas pesquisas de avaliação do governo do Estado, divulgadas aqui no RN, apontam para um inquestionável desgaste da governadora Rosalba Ciarlini ao final do primeiro ano de sua gestão. 

Quem sou eu para desmenti-las?

Agnelo Alves, um dia, me ensinou: "Só se pode questionar uma pesquisa com outra pesquisa".

Aliás, posso dizer que o quadro de desgaste apontado pelas pesquisas não me surpreende.

Por que?

Pelas atitudes da governadora, ainda nos dias seguintes de sua consagradora vitória, em primeiro turno, na eleição de 2010.

A consagração da vitória deve te-la embevecido ao ponto de que "não estava nem aí" para o desafio que passara a campanha pedindo e que o povo decidiu lhe entregar: O desafio de assumir um estado com pendências sérias junto ao funcionalismo; com o equilíbrio financeiro comprometido; e precisando de medidas enérgicas de adequação às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Não somente isso: Tudo isso e mais a indiscutível circunstância agravante representada por problemas administrativos crônicos em três áreas absolutamente vitais: Segurança, Saúde e Educação.

Mas, talvez, por degustar o sabor agradabilíssimo e embevecedor da vitória, a governadora agia como se tivesse a convicção de que o tempo pararia e ficaria esperando que ela tivesse a disposição de começar a se preocupar com as responsabilidades que as urnas - a seu pedido - haviam colocado sobre os seus ombros.

Naquela época - não faz tanto tempo assim - quando via os dias passarem, sem que ela conseguisse formar o seu time, uma certeza incômoda me dominava: O primeiro ano do novo governo vai ser uma barra pesada.

Para quem não se lembra, os secretários de Segurança, Saúde e Educação, só foram anunciados ao apagar das luzes do período de transição. O da Saúde, só algumas horas antes da posse.

Nas outras áreas vitais não foi diferente. Só as pastas de Planejamento e de Finanças, entre as mais importantes, tiverem seus nomes definidos ainda no começo da transição. Os demais só ao apagar das luzes.

Então, o que se poderia esperar de um governo que só viu o abacaxi quando, concretamente, ele chegou às duas mãos? Isto aí.

É o fim? Não! A governadora tem um currículo de seriedade que a alicerça. O seu desafio, agora, é saber que tem de correr. O tempo não espera. 

09 de Dezembro de 2011 às 13h16

Haja desigualdade

A casta de brasileiros mais privilegiados, formada por aqueles 10% da po-pulação considerados mais ricos, ganha nada menos que 50 vezes mais que os 10% considerados mais pobres.

Isso é o que diz o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Claro: Não tenho como aferir, pessoalmente, a procedência da informação, mas sei que a OCDE é uma instituição de reputação internacional inquestioná-vel. O relatório a que me refiro, li numa reportagem publicada no portal da BBC-Brasil e, 24 horas depois, quando escrevo estas linhas, não sofreu contestação, especialmente de parte das autoridades brasileiras.

Então, tenho que tomá-lo como verdadeiro.

É uma desigualdade escandalosa, embora a própria OCDE chame a atenção para o fato positivo de que essa diferença vem diminuindo. Imagine se não estivesse.

Aqui com os meus botões, fico imaginando o que muda, na cabeça das pessoas, o fato de ter mais ou menos poder e dinheiro. Nossa Senhora: Como muda. E muito. O modo de ver, de sentir, de pensar, de se relacionar, de se posicionar... enfim, muda rigorosamente tudo.

Normalmente, a turma que está em cima - os marajás que formam a casta dos 10% mais ricos, não está nem aí para a situação da turma de baixo - os miseráveis contabilizados entre os 10% mais pobres.

Literalmente, a turma de cima está se lixando para a plebe - a turma de baixo.

Um exemplo concreto dessa realidade foi dada na mesma segunda-feira passada em que a BBC divulgou o relatório da OCDE: O Jornal Nacional mostrou o desdém com que as instituições bancárias encaram a determinação legal que assegura tratamento preferencial a idosos no seu atendimento.

Todo mundo sabe que o "atendimento preferencial" prestado pelos bancos aos idosos é coisa para " inglês ver". Especialmente em dia de pagamento.

Nada diferente do que acontece com o restante da população mais pobre nas ruas, no trânsito, no mercado de trabalho, nas unidades de saúde e na rede pública de ensino.

Entre os mais ricos e os mais pobres, fica esprimida a classe média, (literalmente) apertada, mas majoritária. Indiferente?

Pelo menos aparentemente, sim.

Até quando vai continuar como mera espectadora dessa realidade?

Afinal, chega de desigualdade! 

04 de Novembro de 2011 às 11h57

Lula, Chaplin e Jesus

Lendo segunda-feira o artigo "Homenagem à vida", que o professor João Faustino escreveu para o "Jornal de Hoje", deparo-me com uma citação de Chaplin: "Pensamos em demasia e sentimos pouco. Mais que de máquina, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura".

Há quanto tempo isso foi proclamado? Precisamente, não sei. Mas, imagino, há mais de 50 anos. Como poderia ter sido há mais de 2000, pois sob a minha ótica, essas três frases do imortal Charles Chaplin constituem um resumo muito preciso do que falou, no Sermão da Montanha, o pregador de Nazaré - Jesus.

Pois bem: Essas frases foram trazidas de volta à nossa realidade pelo professor João Faustino, num momento muito especial e oportuno - este agora, em que o Brasil se depara com o drama enfrentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diagnosticado no sábado, dia 29, com um tumor cancerígeno na laringe.

Só Deus e o próprio Lula podem dimensionar, com exatidão, o impacto que uma realidade dessa provoca numa pessoa, por mais forte que seja. Com câncer, o mais poderoso dos humanos, sente-se um ninguém - dependente total da misericórdia divina; e da luz que essa misericórdia assegurar aos cuidados médicos que puder receber.

Junto-me aos que, neste momento, unem-se em orações e em votos de esperança pela completa recuperação do ex-presidente. Confesso: Dou graças a Deus pelo fato do presidente Lula ter condições de bancar o melhor tratamento que a medicina pode lhe proporcionar. Respeito os que pensam em contrário - afinal, cada pessoa é livre para exercer o direito de pensar e agir da maneira que bem quiser e entender. 

Entendo, porém, que está nos faltando muito da "afeição e da doçura" de que falava Chaplin; como considero, também, que estamos muito esquecidos do que disse Jesus na montanha da Galileia: "Não condeneis".

Essa posição, entretanto, nada tem a ver com uma postura omissa e de comodismo quanto à situação caótica em que se encontra a saúde pública brasileira. Pelo contrário. Contudo, sem dúvida, a solução jamais estará na condenação de quem quer que seja a que precise do SUS. Por mim, o ideal seria que ninguém precisasse do SUS. 

Como precisamos, temos é que agir. De forma consciente. Com afeição e doçura. E não apenas com palavras.  

21 de Outubro de 2011 às 12h43

Transporte - A vez do coletivo

Enfim, o Brasil parece despertar para a necessidade de investimentos urgentes e maciços em transporte de massa.

Pelo menos foi isso que entendi, segunda-feira, agora, ao ler no "Blog do Planalto", um resumo das afirmações que a presidenta Dilma fez, naquele dia, no seu programa de rádio "Café com a presidenta".

Já não era sem tempo. As ruas das cidades brasileiras - grandes, médias e pequenas - já não agüentam mais tanto transporte individual em circulação initerrupta; e a população já não suporta mais o padrão do serviço de transporte de massa que lhe é oferecido.

Uma luz no fim do túnel - a palavra da presidenta?

No mínimo isso - acredito eu.

Aliás, foi a primeira vez que ouvi um ocupante da principal cadeira política e administrativa da Nação tratar desse assunto.

Não deve ter sido à toa, portanto. A presidenta devia estar convicta de que estava fazendo história e abordando um assunto que interessa à grande maioria da população brasileira.

O seu governo - disse - está com 30 bilhões de reais para aplicar em obras de mobilidade urbana, com o objetivo de melhorar o transporte coletivo por todo o País.

E assegurou (cito textualmente como está no blog):

"Vamos ajudar a construir metrôs, corredores exclusivos de ônibus, Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) e vamos, também, investir na integração desses vários tipos de transporte (…). Precisamos, Luciano [Seixas, apresentador], acabar com a ideia de que o transporte individual é para os ricos, e o transporte coletivo é para os pobres".

E mais: "Vamos garantir quali-dade para que todas as pessoas queiram utilizar o transporte público, o transporte coletivo, independentemente de sua renda. É assim nas grandes cidades dos países desenvolvidos. Queremos que seja assim também no Brasil - transporte público de qualidade e, ao mesmo tempo, direito de ter acesso ao seu próprio carro".

Claro: A presidenta vai ter que estabelecer prioridades. E, é claro também, Natal - o Rio Grande do Norte inteiro, aliás - quer saber quando vai chegar a sua vez.

Recentemente, Porto Alegre e Curitiba foram contemplados com 2 bi-lhões de reais. A fundo perdido. Quando chegará a vez de Natal? Recife e Fortaleza já entraram na fila. E Natal? Vai entrar, também, ou não?

Temos que entrar, claro. Não vamos sediar alguns jogos da Copa?

14 de Outubro de 2011 às 13h19

A senhora LRF

Se governar fosse fácil qualquer um, tenho pra mim, seria um bom ou uma boa governante,

Veja-se o caso do RN.

Entra governo e sai governo e a impressão que se tem é que os problemas não apenas não são resolvidos; eles se agravam.

E, dentre os problemas coletivos, há aqueles que são básicos e que, sem nenhuma dúvida, afetam a maioria da população.

Exemplo número um - a questão da segurança.

Exemplo número dois - a questão da educação.

Exemplo número três - a questão da saúde.

Exemplo número quatro - a questão da falta de emprego.

Exemplo número cinco - a questão do servidor público.

Cada problema desse - e não são apenas eles - não se resume a ele próprio. Desdobra-se em vários e tem em sua base aquele (aquela, na verdade) que, na realidade, deve ser o centro de tudo - a pessoa humana. Sua formação, seu preparo, sua motivação, seu talento, sua habilidade, as condições que lhe são oferecidas para realizar o que tem de fazer, e... sua felicidade.

O que tem acontecido com eles aqui no RN, que é onde estamos e é onde vivemos? Têm melhorado ou têm piorado?

Não é brincadeira.

Não sei - confesso - que percentual dos que me honram com sua leitura optariam por uma das alternativas disponíveis, mas, repito: governar é um negócio por demais complicado.

Não acredito - por exemplo - que a dra. Rosalba Ciarlini esteja satisfeita (uma vez que é ela a governante da vez), com o tratamento (aparentemente desdenhoso) que vem dispensando ao funcionalismo público.

Tenho pra mim, porém, pelo que vejo e ouço bem perto do seu próprio gabinete, que a insatisfação é grande e só tem feito aumentar. Mais ainda, diante do fato inquestionável de que, se está ruim este ano com um orçamento de "X", pior será em 2012 com um orçamento de "X menos Y".

A governadora tem que se tocar e buscar uma fórmula que possa interromper essa "cantiga da perua" que está de "pior a pior". Do contrário vai terminar tão insatisfeita quanto a população. O servidor (pequeno), especialmente, já não agüenta mais essa história de que a situação não pode melhorar por conta do orçamento e da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Até porque, se olharmos atentamente para a nossa realidade, saltará aos nossos olhos que essa tal de LFR e esse tal de orçamento existem pra uns e outros não.

07 de Outubro de 2011 às 12h05

Marcante lembrança

Lendo, há alguns dias, reportagem com a cobertura da visita do ator Reinaldo Gianechini (que Deus o proteja) a uma casa de crianças com câncer, em São Paulo, fiz uma viagem no tempo e me vi, em 1998, vivendo uma situação parecida.

Foi aí que tive uma noção muito concreta de que "Deus escreve certo por linhas tortas" e que, nem sempre, somos capazes de entender ou de traduzir, integralmente, o recado que ele vive a nos transmitir.

Eu também tinha acabado de receber a notícia de que estava com câncer e, no meu caso específico, só havia uma alternativa - pra dá certo ou não - o tratamento cirúrgico.

Eu estava completamente desnorteado, fulminado, literalmente, abatido. Desejei muito poder ter encontrado pessoalmente ou de qualquer outra forma, alguém que, pela sua experiência, pudesse me transmitir alguma esperança de que "aquilo" - a descoberta de que estava com câncer - podia não ser o fim.

Não encontrei. Vali-me de um amigo que passou momentos piores. Ela não tivera câncer, mas estava com filho sofrendo da doença há algum tempo. Nunca tinha visto, tão de perto, uma família sofrer tanto e viver esse sofrimento de forma tão digna e engrandecedora.

Fui encontrar o amigo José Adécio, sua esposa, Neyde e os filhos Adecinho, Gustavo e Eduardo numa casa de criança com câncer. A força que eles me proporcionaram, já contei em artigo que escrevi na época e foi incorporado ao livro "Câncer - Reflexões de um sobrevivente", que Abmael Silva editou no ano 2000.

Mas, além dessa força, outra conseqüência marcante da visita à casa, foi o impacto da constatação da verdade que passei a admitir como fato consumado: "Deus escreve certo por linhas tortas". Eu não podia admitir que aquelas crianças estivessem sendo castigadas.

Que eu, na época prestes a completar 54 anos, estivesse sendo, tudo bem. Pra mim, ainda inconformado com aquele momento tão difícil, era uma "injustiça", mas, enfim... Era o desígnio divino e eu não teria a mínima chance, se tivesse me atrevido a contestá-lo ou, mesmo, a ousadia de clamar por um gesto de clemência.

Quantas daquelas crianças de 1998 estarão hoje podendo contar a sua história? O saudoso e brilhante jovem Eduardo, sei que não está. Esta dolorosa lembrança que transformo em artigo é uma homenagem à sua memória, na convicção de que, no julgamento de Deus, ele veio e cumpriu sua missão.

30 de Setembro de 2011 às 13h31

Segurança, já

É evidente que o problema da segurança Pública no Brasil não se resume à questão salarial de policiais militares e agentes da Civil.

Mas, sem dúvida, o fator remuneração constitui ingrediente fundamental na raiz da questão.

A cada dia, a família brasileira fica mais acuada, mais temerosa, mais insegura, quanto à proteção do seu patrimônio e de sua integridade física.

Claro que não é um problema fácil. É complicado. Complicado e caro.

Mas, não será por isso que tenha de ser continuamente empurrado com a barriga, sem um aceno, sequer, de que o poder público se dispõe, senão, a resolvê-lo, pelo menos a enfrentá-lo.

Agora que se volta a discutir, no âmbito do Congresso Nacional, a chamada PEC 300, que dispõe sobre a definição de um piso salarial para policiais militares, números estarrecedores chegam ao conhecimento da opinião pública.

Por exemplo: Segundo recente pronunciamento do senador Paulo Paim (PT-RS), o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro são os dois Estados que pior remuneram os seus PMs. O RS paga R$ 1.170,00 e, o RJ, R$ 1.031,00.

Ou seja: Por esses números, é urgente e inadiável a tomada de providências. Com se diz popularmente, do jeito que está não dá para continuar.

Por outro lado, é licito perguntar e questionar: Por que Estados menores e sem a capacidade econômica de um Rio Grande do Sul, de um Rio de Janeiro e, principalmente, de um São Paulo, podem oferecer uma melhor remuneração?

Dá para entender, por exemplo, que Sergipe pague melhor à sua PM do que todos os demais? Como? Qual o milagre que as autoridades de lá operam de modo a assegurar - sem PEC 300 - um piso de R$ 3.012,00 aos seus PMs?

Sem dúvida, a sociedade anseia por respostas para tais indagações.

Não as tenho e nem poderia querer ou apregoar a pretensão de tê-las. Mas, uma coisa parece certa: vontade política e determinação constituem a metade do caminho de qualquer emprei-tada no campo administrativo. Sem vontade política, sem coragem, sem determinação, é muito difícil que se chegue a algum lugar.

Agora: Também não podemos nos iludir. Não existem fórmulas mágicas. A solução terá que ser construída alicerçada na realidade de cada Estado e com a imprescindível e indispensável parceria do Governo Federal.

23 de Setembro de 2011 às 12h37

Uma sábia lição

Os últimos dias têm sido marcantes.

Bandidos demonstram que fazem o que bem querem e entendem; servidores públicos e políticos que podem, aproveitam para tirar sua casquinha; figurões se mobilizam para garantir a sonhada boca de ministro do Tribunal de Contas da União...

Mas, também tem o outro lado: Pesquisadores não se cansam de buscar soluções científicas para salvar vidas; almas generosas estendem as mãos a necessitados; herois colocam suas vidas em jogo para garantir a segurança de terceiros.

Vivemos num mundo de contrastes. Absolutamente desigual.

Não raro me surpreendo a questionar-me:

- Por que? Por que? Por que?

Ontem enquanto divagava sobre isso, lembrei de lição recebida ainda nos idos da segunda metade dos anos de 1950.

Eu, aluno do Seminário de São Pedro, era o encarregado da Biblioteca, onde havia um apartamento destinado a visitantes. Foi lá que se hospedou um dos sacerdotes mais virtuosos que conheci: o então ex-pároco de Angicos, aqui no Rio Grande do Norte, Monsenhor Manoel Tavares de Araújo, que acabara de ser eleito bispo da Diocese de Caicó.

Como me competia a administração do tal apartamento, essa condição me propiciou a oportunidade e o privilégio de conhecer mais de perto Dom Manoel Tavares e um pouco de sua personalidade reta, bem formada, curtida nos ensinamentos e nos exemplos de Jesus, bem como de sua sedimentada formação intelectual.

Pude perceber que o novo bispo, sucessor de outro grande nome do clero potiguar, dom José Adelino Dantas, era, antes de mais nada, um homem de fé. E que se empenhava em fazer de sua fé - e da fé das outras pessoas - um instrumento promotor do desenvolvimento integral da pessoa humana.

Não me recordo se, naqueles instantes, ainda adolescente, já percebia que o futuro bispo não pretendia, simplesmente, estar falando por falar, soltando palavras ao vento, nas raras ocasiões em que, quebrando o silêncio do seu retiro, podíamos trocar algumas palavras. Só sei que, um dia, lhe perguntei:

- Dom Tavares, por que o mundo é assim, tão cheio de contrastes, tão desigual?

E ele, ora me encarando olho no olho; ora encarando o infinito, um tanto quanto desapontado, me disse:

- Muita gente ainda se recusa a receber as bênçãos de Deus.

16 de Setembro de 2011 às 11h39

Enfim, uma luz no ENEM

Os dados relativos ao ENEM de 2010 divulgados segunda-feira mostram a situação dramática do sistema público de educação no Brasil.

Mas, ao lado da preocupação e - eu diria - até da vergonha, que essa realidade deveria provocar em todos nós, não podemos, simplesmente, relegar, passar por cima e nem prestar atenção a um fato promissor anunciado pelo MEC: A situação melhorou, por pior que esteja.

Ou seja: Apesar de tudo - Glória a Deus! Glória aos professores; Glória à sofrida, mas forte e determinada juventude brasileira - o ENEM registrou uma evolução na educação pública do nosso país de 2009 para 2010.

Claro: Não foi uma evolução revolucionária. Algo que, realmente, chame a atenção. Mas, diante da realidade que todos conhecemos; diante do descaso, da falta de compromisso generalizado; da inquestionável incapacidade da maioria dos Estados de cuidarem de um desafio tão significativo, qualquer evoluçãozinha é uma evolução, é um avanço que não temos o direito, também, de desconhecer.

Estou me baseando em dados oficiais do Ministério da Educação e Cultura e que não mereceram da mídia, em sua cobertura do dia seguinte, um destaque mais chamativo. De 2009 para 2010, o ENEM registrou um aumento da média de 501 para 511 pontos.

Ta bom? Claro que não.

Mas, repito, diante da realidade vivida pela educação brasileira - esquecida, relegada, sucateada, um avanço desse tem que ser saudado, tem que ser celebrado, comemorado pois, se proclama que ainda temos um grande caminho a percorrer e um grande tempo perdido a recuperar, mostra também, com muito clareza, que a nossa juventude está determinada a fazer a hora. E não a esperar acontecer.

Se, com a escola que têm, os nossos jovens foram capazes de construir essa evolução, imagine no dia em que lhes for assegurada uma escola, digamos, de vergonha, com professores motivados, estimulados, qualificados e, também, conscientes do papel que precisam exercer para que possam oferecer a contribuição que deles espera o nosso sistema educacional.

Agora, não nos esqueçamos. Nada acontece por acaso. A educação não pode ficar à mercê da boa vontade do Poder Público. A sociedade tem que despertar, gritar, espernear, exigir. Educação tem que ser, verdadeiramente, a maior das prioridades do Brasil, principalmente do nosso Rio Grande do Norte.

09 de Setembro de 2011 às 12h30

Contagem regressiva

A Prefeitura de Natal anunciou que a contagem regressiva dos mil dias para o início da Copa de 2014 começará no dia 16.

O que é que isso significa? Significa que, pelo noticiário oficial, tudo está correndo às mil maravilhas.

Às vezes, eu me sinto assim como se estivesse perdido em Natal diante de tantos fatos conflitantes, quando deveriam ser convergentes.

Por exemplo: Pra mim, uma Copa do Mundo de futebol é um negócio tão grandioso, tão caro, tão cheio de detalhes que é incompatível com uma cidade incapaz de resolver pequenos problemas do seu dia-a-dia.

Comecei esta semana de setembro dominado por essa sensação. Sensação da incompatibilidade de Natal com a responsabilidade, com a palavra dada, com o compromisso assumido.

Logo na segunda-feira, data em que a Prefeitura anunciou que, no dia 16, botaria pra funcionar um cronômetro que fará a contagem regressiva dos mil dias que estarão faltando para o início da Copa de 2014, li outra notícia que, sob a minha visão, conflita, totalmente, com essa do cro-nômetro.

A notícia diz, simplesmente o seguinte: A Prefeitura de Natal tem 30 dias para desocupar uma casa que alugou em março do ano passado, por dois mil e poucos reais ao mês, e, até hoje, não pagou, sequer, o primeiro mês.

Em sã consciência, alguém pode imaginar, uma Prefeitura que se expõe a sofrer uma condenação dessa, tendo condições de assumir a responsabilidade pela promoção de uma Copa do Mundo?

Sinceramente...

Eu sei que qualquer um - seja no serviço público ou na vida pessoal - está sujeito ao cons-trangimento de ter que atrasar o pagamento de um contrato de aluguel. Mas, atrasar logo no primeiro mês - desculpem - é inaceitável.

Pior é que, para a Prefeitura, é como se nada estivesse acontecendo... Est'aí a cidade, tocando "a todo vapor", as providências para a contagem regressiva dos mil e poucos dias que nos separam da Copa de 2014.

Sei não, viu? E olhe que essa história do aluguel com mais de um ano de atraso, desde o primeiro mês, não passa de uma gota d'água no oceano de dificuldades que atormentam a administração natalense.

Acho que já é mais do que tempo da prefeita Micarla de Sousa se tocar e reagir. Aliás, ela não poderia aceitar - muito menos permitir - que essas coisas estejam acontecendo.

02 de Setembro de 2011 às 11h21

Setembro taí

Setembro é um mês emblemático para a decolagem das obras da Copa de 2014 aqui em Natal. Foi o último prazo - ou melhor, o prazo mais recentemente anunciado para o início do primeiro lote de obras de mobilidade urbana, pegando desde a Tomaz Landim, na Zona Norte, até as proximidades do Machadão, ali no cruzamento da Mor Gouveia com a São José.

Vai ser um "ruge-ruge" de obras que Natal nunca viu. Sem dúvida, saindo do papel, será o maior canteiro de obras de toda história desta cidade. Será um momento auspicioso, vibrante, para ser visto, acompanhado, testemunhado. Máquinas pra lá e pra ca, trabalhadores em permanente operação, trânsito ainda mais complicado, atropelos, contra-tempos, etc. mas, sem dúvida, tudo isso formando um cenário vivo, movimentado, belo, de futuro, porque terá o destino de fazer a cidade melhor.

Confesso: Tenho minhas dúvidas. Não posso negar. A realidade material que me cerca me conduz a esse mundo de incerteza e de descrédito.

Agora, também não posso negar: Torço para que esteja errado e que todas as promessas que ouvi, realmente, se tornem realidade, se efetivem, saiam do papel. Natal e o Rio Grande do Norte bem que merecem.

Não podemos nos esquecer, porém, que a Copa não depende somente dessas obras. E não apenas a Copa, a própria cidade só, não; o Estado, o Brasil inteiro - clamam por medidas urgentes que salvem o nosso sistema público de saúde e de segurança.

Há quanto tempo não se faz nada nesse sentido? Muito tempo.

Dois passos importantes começaram a ser dados. Mas, permanecem incompletos, continuam cambetas. A emenda 29 para a saúde e a PEC 300 para a segurança. São duas providências fundamentais, mas, repito, ainda estão absolutamente incompletas. Têm por princípio, a destinação dos recursos que a saúde e a segurança estão precisando. Mas, não definem de onde saem esses recursos.

Quer dizer: Por enquanto são recursos, na realidade, fictícios, inexistentes. Como se fossem apenas sonhados, desejados, precisados, mas sem que se saiba onde ir busca-los. Essa é a definição que urge neste momento e que não pode ser atrapalhada por outros interesses - sejam do governo, sejam da oposição.

É uma questão de prioridade. Saúde e segurança, já.

26 de Agosto de 2011 às 11h50

Reinventando a roda

Engasgada em dívidas, a Prefeitura de Natal anunciou, no início desta semana, um elenco de projetos de leis tentando ampliar sua capacidade de arrecadação e, com isso, reconquistar o equilíbrio financeiro.

Quando li a matéria sobre o assunto, na site da Prefeitura, a primeira idéia que me veio à cabeça foi esta: "Mais uma vez estão querendo reinventar a roda".

Entre as medidas projetadas, não existe uma, sequer, cortando despesas supérfluas ou eliminando gastos desnecessários. Ab-solutamente nenhuma. Nem pra remédio.

Agora, manobras, jogadas com o objetivo de forçar ainda mais o bolso, já combalido, do pobre do contribuinte, é o que não faltam nas propostas que aprontaram para prefeita Micarla de Sousa mandar à apreciação da Câmara Municipal.

E não apenas para mandar. Mandar deixando clara não só a expectativa, mas a necessidade até, de que os vereadores aprovem tudo "em regime de urgência". Vale dizer: "A toque de caixa" - que é o verdadeiro significado dessa expressão "regime de urgência", usada de forma tão sem cerimônia, em nossa burocrática linguagem parla-mentar e política.

É uma pena. A realidade de Natal é muito dolorosa.

Nada disso pode dar certo. Estão querendo brincar de administrar. E brincar na mais ingênua expressão da palavra - como se administrar fosse uma mera história de "trancoso".

A cada momento, arranjam uma "saída" nova para Natal. E o resultado é isso que está aí. Um município sem rumo, desnorteado, as necessidades pipocando a toda hora, em toda parte, e os governantes querendo inventar, como se ainda houvesse tempo pra algum tipo de invenção.

A última novidade agora é essa: A prefeita está enviando um pacote de projetos para a Câmara Municipal e esses projetos, tão logo sejam aprovados em "regime de urgência", sem precisar aumentar um centavo na carga tributária, até reduzindo-a, terão o condão de ampliar a arrecadação e restabelecer o equilíbrio financeiro do município.

Quanta pretensão.

A essa altura dos acontecimentos - um mandato de quatro anos caminhando para completar o terceiro - acreditar na possibilidade de fazer dinheiro do nada, só pode estar mesmo querendo reinventar a roda a fim de poder pegar a roda grande e colocar dentro da roda pequena. Um delírio.

19 de Agosto de 2011 às 12h21

Cordeiro de Deus

Está imperdível o novo livro de Agnelo Alves - "Carta ao humano", editado por outro querido amigo, Osair Vasconcelos, e que acaba de ser lançado.

O livro é um documento vivo, histórico em momentos específicos, mas acentuadamente atual quando relata, com sagacidade e extrema maestria, o dia-a-dia, a rotina, a prática do exercício político.

Nesse particular, tem muita coisa que não mudou. Até, de uma certa maneira, não vou dizer que "evoluiu" ou que "avançou", mas que certamente sofreu uma "piorada". Claro: Com as raras, mas honrosas exceções.

Sempre dou graças a Deus pelo privilégio de conhecer, de perto, vários mestres do jornalismo potiguar, aos quais rendo respeito e admiração - pelo talento com que expõem fatos, defendem suas idéias e retratam os personagens que focalizam. Agnelo é um deles.

Nesse seu terceiro livro - escrito aos pedaços, não para ser livro, mas para ocupar, no dia-a-dia, um dos espaços mais nobres da imprensa norte-riograndense, Agnelo está por inteiro - não apenas o jornalista, o escritor. Está o homem, o filho, o irmão, o chefe de família, o amigo, o correligionário, o perseguido, o político, o gozador incurável, o cidadão, e, acima de tudo, o ser humano.

Sim: o ser humano na sua expressão mais literal - com suas virtudes e seus defeitos, seus sonhos, suas dúvidas e suas certezas e, muito mais do que tudo isso, um comportamento acentuadamente solidário, alimentado, na certa, por uma profunda e marcante sensação de sede e fome de justiça.

O artigo em que chama a atenção dos órgãos de segurança, que perdiam tempo investigando, perseguindo e criando problemas para o trabalho social desenvolvido pelo saudoso padre Sabino, é um exemplo de sua extrema e acentuada grandeza humana.

Ou seja: Não é à toa, como ele próprio proclama, que o seu nome vem do latim e significa "Cordeiro de Deus".

Agora, sem dúvida, o forte do livro é a política, especialmente a política do Rio Grande do Norte - política de todos os níveis - do mais rasteiro ao mais dignifi-cante, de 1974 a 1982, principalmente, pulando 77 e 78 que ninguém é de ferro.

Por esses dias, portanto, vou até comunicar ao amigo Roberto Guedes, o meu livro de cabeceira está sendo "Carta ao Humano". Ainda tenho muito o que aprender. E quero aprender. Em todos os sentidos.

29 de Julho de 2011 às 12h25

Há sete meses

A contagem regressiva que o amigo Roberto Guedes vem fazendo no rumo da Copa de 2014 indica que faltam 1.046 dias.

Pois bem: Há quase sete meses, no dia 30 de dezembro do ano passado, a Prefeitura de Natal publicou em sua página na Internet: "Pefeitura assina contrato do 1º lote das obras de mobilidade urbana da Copa de 2014".

Foi uma notícia que surgiu assim, de repente. Na realidade como se tivesse nascido do nada.

Na época, já se dizia que a Prefeitura estava falida, devia a Deus e ao mundo e, a cada dia, a novidade que havia era de uma conta nova a entrar na lista dos atrasados.

Então, na ante-véspera do Ano Novo, aquela notícia do dia 30 de dezembro, poderia ter uma dupla interpretação. Poderia ser prenúncio de um novo tempo. Palavra dada era palavra empenhada. Palavra empenhada seria palavra resgatada. Ou pura balela.

Mas, confesso: Apesar da máxima boa vontade que sempre alimenta minha esperança, preferi pagar para ver. Ou seja: Não acreditei, mas também não desacreditei. Decidi dar tempo ao tempo.

- As obras - acrescentava a notícia publicada na página da Prefeitura na Internet - começariam ainda no primeiro quadrimestre do ano seguinte. Mais precisamente entre janeiro e abril do ano que estava chegando, este 2011 que vai entrar, agora, no último mês do seu segundo quadrimestre.

O que seria esperar quatro meses? Afinal, falava-se de obras fundamentais para a cidade, independente de sediar ou não a Copa do Mundo. Aliás, tinha sido, inclusive, realizada uma licitação (047/2010), a EIT fora a vencedora e pela bagatela de 138 milhões de reais Natal receberia "obras de readequação do sistema viário e execução do corredor de ônibus para interligação das Zonas Norte, Sul e Oeste".

A notícia me parecia, de fato, empolgante. Sem dúvida, sendo verdadeira, tinha tudo para se constituir numa arrancada definitiva da prefeita Micarla de Sousa em busca da credibilidade perdida.

Lamentavelmente, porém, o tempo passou e nada. Ao final do primeiro quadrimestre do ano ninguém lembrou, sequer, de cobrar o compromisso assumido. É uma pena.

A própria Prefeitura não teve a grandeza de explicar o que impediu a concretização de sua promessa e a empresa ganhadora da licitação também preferiu optar pelo silêncio, que ainda persiste.

22 de Julho de 2011 às 11h18

Silencio ensurdecedor

Há mais de um ano, os quartéis das Polícias Militares brasileiras, inclusive aqui no Rio Grande do Norte, estão em silêncio apesar do golpe do Governo colocando uma pedra em cima da proposta de emenda constitucional que estabelece um piso salarial para os soldados. A PEC 300. Piso acima de 3 mil reais.

Há várias alegações visando oferecer uma explicação para essa atitude que, na realidade, reflete um certo desprezo pela busca de uma solução para o gravíssimo problema da segurança pública.

E olhe que, a questão da segurança foi um dos compromissos primordiais assumidos pelo País na hora em que procurou se credenciar para promover a Copa de 2014.

Estou achando ensurdecedor o barulho do silêncio que está ecoando nos quartéis. Não acredito que seja o silêncio da resignação. O mais lógico é espe-rar que alguma reação esteja sendo arquitetada, até porque, não é de hoje que a tropa como um todo - e não apenas os soldados - reclama da defasagem de seus vencimentos.

Urge, portanto, que o governo tome uma posição em relação a esse problema. Não pode deixar que o processo do seu agravamento siga sem interrupção.

É claro que o nó da questão não se resume à pendência de ordem salarial, mas, sem dúvida, ela representa, senão a principal, uma grande pedra na ca-minhada da construção de uma política de segurança para o País.

Ou você acha que a responsabilidade pela garantia de sua segurança pode ser jogada sobre os ombros de trabalhadores mal remunerados?

Um passo fundamental que precisa ser dado é o da abertura de uma discussão em torno disso. Podem as Polícias Militares avançar permanecendo como responsabilidade de Estados empobrecidos e com suas finanças debilitadas?

Aliás, essa é uma das questões que se encontram no bojo da PEC 300, à medida em que estabelece o piso salarial para os soldados, sem definir quem vai arcar com o seu custo, nem muito menos de que fonte sairá o dinheiro.

Tenho a nítida impressão de que, mais cedo ou mais tarde, vai eclodir nos quartéis um movimento reivindicatório levantando esse tema. Será que os governos vão alegar que não estavam sabendo de nada?

A Nação tem o direito de esperar muita seriedade e bom senso da parte dos que vão se envolver nessa discussão.

15 de Julho de 2011 às 11h35

Voltando ao batente

Três semanas de férias forçadas depois, a volta ao batente.

Foi um período de poucas mudanças.

Principalmente, no quesito relacionado com os problemas que afligem à população. Mesmo assim, uma coisa ma perece inquestionável: a cada dia está diminuindo o campo de manobra de que disponhem os governantes brasileiros.

Não apenas porque suas dificuldades e desafios aumentam numa velocidade extrema (na hora de suprir os anseios da população) numa proporção, portanto, diametralmente oposta àquela em que ganham melhores condições para superá-los.

Outro fator de encurtamento do campo de manobra das lideranças políticas é que o povo não lhes dá um norte a respeito do rumo que pretende seguir, como revelaram os números da última pesquisa por aqui divulgada.

São vários os ângulos com que uma pessoa pode direcionar a avaliação que faz de uma pesquisa, inclusive o ângulo da comparação com o último resultado eleitoral.

Sob esse aspecto, então, salta uma evidência: Os derrotados de ontem não são os mesmos de hoje.

Serão os de 7 de outubro de 2012?

Não me arrisco a responder.

Qual o norte, qual a indicação, que a realidade mostrada por essa pesquisa traz? Que lição dela podem tirar aqueles que se dedicam à prática política? Qual o perfil de candidato o povo está delineando como o ideal para a batalha eleitoral do próximo ano?

Imagino que, a esta altura dos acontecimentos, os estrategistas dos diversos partidos e campanhas devem estar perdidos.

O povo está sendo sincero ou aprendeu a jogar? O que norteou o julgamento do povo há dois anos? O que está norteando a manifestação popular nos dias atuais? Quais as principais diferenças entre um momento e outro – na cabeça da população e na realidade? O que é que vai pesar mais na sua decisão em 2012?

São perguntas que só um cientista político muito bem informado poderá se arriscar a responder. Uma outra que não quer calar e que deixo aqui para estudiosos e curiosos:

- Por que a população tem sido tão inclemente com a prefeita Micarla e a governadora Rosalba e tão condescendente com a presidente Dilma?

E outra:

- Micarla e Rosalba poderão ser o Carlos Eduardo e a Wilma de amanhã?

17 de Junho de 2011 às 14h41

Nada de subterfúgio

Em poucos momentos na história de Natal um prefeito se viu tão pressionado quanto está sendo agora a prefeita Micarla de Sousa.

Pressões de ordem política; pressões de ordem institucional e jurídica; pressões de ordem eco-nômico-financeira; pressões de aliados; pressões de adversários e, mais recentemente, a pior de todas as pressões - a pressão da impaciência popular.

Não é fácil sair-se bem no lugar em que Micarla está. Micarla e não apenas ela. Todos os governantes, especialmente aqui no Brasil, os governantes de municípios como Natal e outros até piores, cujas receitas não co-brem a metade das reais necessidades de sua população.

Mas, a questão não é essa.

Afinal, Micarla e os outros não estão lá obrigados; à força, como se estivessem condenados.

Estão lá porque pediram; imploraram ao povo que os colocassem lá - e de forma até insistente - proclamando-se capazes de superar e vencer a dura realidade em que vivem os municípios brasileiros.

O tempo passa e a capacidade que apregoavam não aparece.

Os problemas se agravam; a paciência do povo se esgota; a crise aumenta; os políticos procuram tirar proveito da situação - como aliás, Micarla também tirou, no tempo de Carlos Eduardo e, no frigir dos ovos, para eles - os políticos - tudo se ajeita, e só quem paga o pato é o povo.

Tenho ouvido e lido manifestações de Micarla achando que a insatisfação popular está sendo levada longe demais, às vezes ameaçando até a sua integridade pessoal e familiar. Não tenho razões para desacreditar desse desabafo da prefeita.

Cada um é que sabe onde o sapato está apertando. Mas, ela tem de olhar a realidade do momento sob uma outra ótica, sob um outro prisma.

Ninguém tira dela o direito de se sentir, em alguns momentos, desrespeitada. Mas, mais direito ainda de se sentir desrespeitado, tem o povo.

Até porque, a sua parte, o povo fez. A elegeu. Contra tudo e contra todos. E quando vê, a cidade esburacada, a rua onde mora no escuro, a unidade de saúde sem funcionar, a escola em condições precárias, a dengue matando, o lixo se espa-lhando, o IPTU aumentando; a prefeitura gastando... é natural também que o povo se sinta desrespeitado e reaja.

Só vejo uma saída para crise. É Micarla dá razão ao povo, fugir dos subterfúgios e trabalhar para que o resultado apareça. O tempo de prometer passou.


JM