Ano XIII | Edição 757 | 27 de Junho de 2017
Fernando Luiz

Fernando Luiz

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30 de Abril de 2015 às 11h24

SERÁ QUE O DIABO É BRASILEIRO?

Amo o Brasil, mas nosso país parece que cada vez mais se torna uma piada, embora uma espécie de ufanismo exacerbado e um falso otimismo que parecem querer engabelar nossa inteligência tenham dado origem a expressões ridículas, como por exemplo a famigerada frase "Deus é brasileiro", cujo sentido é exatamente ser uma frase absolutamente sem sentido. Vendo o noticiário, a cada dia sinto meu patriotismo enfraquecido e luto para não entregar os pontos e não deixar de acreditar que este país tem jeito. Envergonho-me de viver em um país onde políticos ladrões disfarçados de benfeitores da população roubam nosso dinheiro, superfaturam obras, dilapidam um dos maiores patrimônios do nosso país (no caso a  Petrobrás); sinto náuseas em ver um simples mosquito colocar a saúde da população em risco por falta de planejamento; sinto nojo ao ver que nosso país se propõe a fazer  uma Olimpíada sem ter condições de cumprir os compromissos assumidos para garantir o sucesso de tal evento - exatamente como aconteceu na Copa do Mundo - e se torna motivo de achincalhe  entre desportistas internacionais que "detonam" este belo Pais Tropical cujos governantes têm "talento" para roubar, mas são incapazes de efetuar a limpeza da lagoa Rodrigues de Freitas para as competições náuticas da referida Olimpíada; enfim fico frustrado, decepcionado, envergonhado e, sobretudo revoltado em saber que moro numa terra tão bela, mas palco de tantos descalabros vergonhosos. Uma terra onde uma Presidenta aumenta o fundo partidário comprometendo o Orçamento da União, para comprar desavergonhadamente o apoio de políticos venais e também porque seu partido, um covil de corruptos,  abriu mão de receber doações de empresas; uma terra onde menores matam, estupram, roubam e ficam impunes e, ainda existem pessoas (muitas das quais, alinhadas com a filosofia do partido que está batendo records de corrupção equer se perpetuar no poder impondo uma ditadura socialista disfarçada de democracia) que são contra a redução da maioridade penal; uma terra onde a polícia não tem estrutura para combater o crime organizado; uma terra onde milhares de cidadãos agonizam diariamente nos corredores dos hospitais e onde professores mal remunerados são agredidos por alunos delinquentes que "pintam e bordam" por ter a certeza da impunidade. 

Não sinto vergonha do país que amo, e sim da corja de ladrões e corruptos, verdadeiros lobos sob a pele de ovelhas, que, comprando a consciência de pessoas despreparadas e usando como arma uma falsa política de amparo social através de "Bolsas-Misérias" deixa de qualificar milhões de cidadãos para o mercado de trabalho, tornando-os viciados numa esmola oficial que estimula a ociosidade e a vagabundagem. E por causa de todas as coisas que aqui coloquei, tenho vontade de gritar bem alto: Deus não tem nacionalidade, mas do jeito que as coisas andam por aqui, O Diabo deve ser brasileiro. 

Ainda bem, que assim como tenho certeza que Deus não é brasileiro, também tenho certeza que o Diabo não existe. Mas se existisse, é provável que tivesse nascido num pais como o nosso, onde cada vez mais os cidadãos são vítimas das diabruras dos seus dirigentes.

 

 

 

LENO E LILIAN  - O potiguar Leno Azevedo, que mora há vários anos em Natal, prepara-se para voltar a atuar junto com Lilian, a partir de Junho. A dupla Leno e Lilian foi uma das maiores atrações do período da Jovem Guarda e o ressurgimento da dupla deve-se ao fato de que em agosto o movimento Jovem Guarda estará comemorando 50 anos.

 

NOVO CD - Depois de cinco anos sem gravar, estamos lançando nosso mais recente CD. O disco, gravado no Garagem Estúdio e com a produção musical e arranjos de Roberto Gomes, tem 19 faixas: 8 regravações de músicas minhas que marcaram épocas, e 11 regravações de músicas de outros artistas que foram sucesso nos anos 70 e 80. O lançamento oficial será no final de maio.

 

TALENTO POTIGUAR - Neste fim de semana, o programa Talento Potiguar vai receber como atração principal a banda Romance Real. Sem esquecer que agora o Talento Potiguar vai ao ar pela Band Natal, aos sábados, a partir das 11:30.

 

DIA DO TRABALHADOR - Hoje, a Força Sindical/RN vai promover um grande evento em comemoração ao Dia do Trabalhador, a partir das 10 horas, na Ribeira. Além do sorteio de um HB20 da Hyundai, haverá shows com Messias Paraguai, Carlos Alexandre Junior, Selminha Ferrari e Forró da Ousadia. Estarei fazendo um show e apresentando o evento. 

24 de Abril de 2015 às 12h45

NATAL NA PASSARELA?

No ano de 1999, Natal foi tema do Salgueiro, no carnaval carioca, comemorando o quarto centenário da cidade, com o samba-enredo "Salgueiro é sol e sal, nos quatrocentos anos de Natal. Um samba fraco, que falou até no Carnatal, mas não houve sequer uma citação ao fato histórico mais importante já ocorrido no nosso estado e que mudou a história do mundo: a criação da base aérea de Parnamirim durante a Segunda Guerra Mundial. É tanto que o Salgueiro, naquele ano, ficou em quinto lugar. Um vexame.

Agora, o governo do RN quer que o nosso estado seja tema de samba enredo. O juiz Jarbas Bezerra, criador do projeto Setembro Cidadão, elaborou a sinopse de um enredo para ser apresentada à Beija-Flor, campeã do carnaval carioca deste ano. No dia 11 passado, o secretário de Turismo do RN, Ruy Gaspar, esteve na quadra da Beija-Flor, quando conversou com a diretoria da escola e com Neguinha da Beija-Flor. Não resta dúvida que se a ideia emplacar será muito bom para o nosso estado, tão esquecido e tão desimportante na cena cultural brasileiro. Mas este é o lado bom da história. O lado ruim vem a seguir...

Existem informações de que a Beija Flor apresentou um "pedido de patrocínio" de oito milhões de reais ao secretário de Turismo do Rio Grande do Norte, Ruy Gaspar, e que o secretário tem até o dia 30 deste mês para apresentar uma contra proposta. O ruim de tudo isto é que o secretário de Turismo está pensando em tirar dinheiro das Leis Djalma Maranhão e Câmara Cascudo para patrocinar o projeto, o que seria um crime contra a produção cultural local, e que iria inviabilizar dezenas de projetos locais que só existem e sobrevivem por causa das leis de incentivo. A classe artística precisa se mobilizar para que esta ideia não vingue e que o Governo Robinson Faria, que na sua campanha eleitoral se comprometeu a defender a nossa arte e nossa cultura, não permita que o secretário de Turismo interfira numa área que não lhe diz respeito, apenas para prejudicar nossa arte, nossa cultura, nossos artistas em troca de 90 minutos no sambódromo para "promover" nosso Estado. Sei que ele dispõe de outros mecanismos - a Lei Rouanet, por exemplo e, para não ganhar a antipatia e a inimizade dos artistas potiguares deve procurar outros meios de financiamento para este projeto, sem que para viabilizá-lo, tenha que tirar o pão da boca dos nossos artistas. Em tempo 1: a Beija flor foi criticada por receber 10 milhões em "patrocínio" para homenagear no carnaval deste ano e ditadura da Guiné Equatorial. Em tempo 2: lembram-se da Flor do Caribe? O que ganhamos com aquela novela? NADA. Que a história não se repita às custas do sacrifício da nossa cultura.

 

 

 

PROGRAMAÇÃO CULTURAL SESC/FECOMERCIO 2015 - A partir deste mês e até dezembro, 15 cidades do nosso estados serão contempladas com a programação multicultural  promovida pelo SESC RN e pela Fecomércio. Eis alguns do dos projetos inseridos na programação: Parcerias Sinfônicas, Semana da Dança Palco Giratório, Circuito de Artes Cênicas, Sonora Brasil, Ação Literatura, e Mostra de Cinema.

 

100 DIAS DE AÇÃO?  - Segundo informação da Presidência da Fundação José Augusto, os primeiros cem dias de atividade da entidade neste 2015, sob a nova direção, foram marcados por  "encontros e reuniões com artistas em várias frentes culturais, na busca da construção de uma nova narrativa para as políticas públicas culturais no RN". Divulgado pela assessoria da FJA, o balanço serve como prestação de contas. Resumo: nos primeiros cem dias da nova administração da FJA, a meu ver a entidade NÃO FEZ ABSOLUTAMENTE NADA.

 

ECO PRAÇA - O projeto  Eco Praça, idealizado por Geraldo Gondim,  representa uma forma de dar uma forma de ocupar e dar outro significado às praças, lugares normalmente esquecidos na capital potiguar. Tendo começado em dezembro de 2013, em Candelária, passou um tempo em Capim Macio, e recentemente foi realizado na Área de Lazer do Conjunto Panatis. O projeto, que envolve música, discussões sobre direitos das minorias e dança, é um novo alento para a nossa arte e nossa cultura.

 

TALENTO POTIGUAR - Amanhã, é dia de Talento Potiguar, na BAND, a partir das 11:30. Música, diversão e valorização nos nossos artistas e da nossa cultura.

 

17 de Abril de 2015 às 11h17

PORQUE OS ARTISTAS NÃO PROTESTAM?

Mais uma vez o povo foi às ruas protestar no domingo passado. Desde julho de 2013 que nós nos acostumamos com manifestações onde a população mostra a disposição de lutar pelos seus direitos e xigir que os políticos cumpram com seus deveres. Com o desmoronamento moral dos nossos governantes  e o surgimento da operação lava-jato, que mostrou que os piores ladrões do país são pessoas sem caráter disfarçadas de executivos, os protestos se ampliaram, e ganharam um ar de legitimidade maior, porque deixaram de ser meramente políticos e passaram a ser protestos em favor da soberania nacional.  Estudantes, profissionais liberais, trabalhadores, e várias entidades representativas da sociedade gritam por mudanças e sonham com um país melhor. A recessão está batendo à porta, a inflação ameaça botar as unhas de fora, mas, pelo menos por enquanto, os políticos corruptos continuam impunes e os demagogos tentam mudar o discurso, embora pareça que algo novo realmente está no ar.  

Além dos protestos contra a roubalheira que se instalou do centro do poder nacional, fazendo com que a Petrobrás se tornasse a galinha de ouro de muitos ladrões "top de linha", todos nós sabemos que é lastimável o estado em que se encontram a Saúde, a Educação a Segurança, os Transportes, e  em muitas outras áreas, cujos problemas são tão graves quanto estes quatro: o estado das nossas rodovias, o problema da moradia, a sujeira das cidades, a impunidade tanto para políticos corruptos como para marginais comuns. Mas também existe uma área que também é esquecida e até maltratada  pelos gestores: a cultura.

Talvez a cultura não seja colocada entre as prioridades daqueles que lutam por mudanças, por duas razões: primeiro, pelo fato de que, além do combate rigoroso à corrupção, é importante continuar a luta pela melhoria na Educação, Saúde, Segurança e Transportes, temas de maior  gravidade; segundo, porque, no nosso país, a cultura é considerada como algo de elite. Todavia, muitos daqueles que militam na área da cultura - principalmente os artistas populares - vivem em dificuldades e sentem na pele todos os problemas comuns à grande maioria de população. Entretanto, não se tem visto nas manifestações a participação ostensiva de artistas lutando pelos seus direitos. E aqui cabe a pergunta: Porque os artistas não protestam?  Por uma razão muito simples: em quase todo o país - e aqui no Rio Grande do Norte ieto fida evidente, as entidades que dizem representar os interesses da classe artística não têm poder de mobilização e nenhuma credencial que as qualifiquem para tal, pois geralmente são entidades corporativistas que descriminam artistas populares, só lutam em defesa de uma minoria privilegiada e embora tentem assumir uma posição em defesa da classe artística, só lutam em defesa dos seus próprios interesses.

 

 

ZERO - Nota zero para o que ocorreu com a Casa de Cultura de São José de Campestre:  no último dia 24 de março, três dias depois de um encontro positivo entre artistas que utilizam o espaço com o ator Rodrigo Bico, presidente da FJA, um novo agente de cultura foi nomeado via Gabinete Civil da Governadoria e, de maneira arbitrária, desconstruiu o que vinha sendo feito. 

 

INOVAÇÃO EM PROJETOS CULTURAIS - Um dos colaboradores do portal Cultura e Mercado, o produtor, professor e conferencista  André Martinez  está em Nata  para ministrar o curso 'Inovação em Projetos Culturais'. Martinez é coautor do Guia do Empreendedor Sociocultural e autor do livro Democracia Audiovisual e um estudioso na área da economia criativa. O evento será realizado na UnP da Roberto Freira. Informações: 9978-0771 | 9805-9073.

 

COM A BOCA NO TROMBONE -  Continua à venda na Nobel Salgado Filho o livro que lancei no final de fevereiro passado, Com A Boca No Trombone. O livro contem cinquenta textos selecionados entre os mais de duzentos que escrevi desde 2004 em vários bolgs e jornais natalenses, inclusive nesta coluna Conversa Afinada do O Metropolitano.

 

TALENTO POTIGUAR - A atração deste sábado no programa Talento Potiguar é o Forró dos Balas. Não esqueça: o programa agora está na Band Natal e vai ao ar aos sábados, das 11:30 ao meio dia.

 

02 de Abril de 2015 às 12h18

"AMANHÃ" JÁ É SÃO JOÃO

Não há dúvidas de que a Prefeitura de Natalresgatou o Carnaval na nossa capital. Pelo segundo ano consecutivo a Administração Carlos Eduardo, tendo a frente a competência de Dácio Galvão, presidente da FUNCARTE, mostrou que a cada ano o evento é ampliado. Todavia a meu ver, muito ainda tem que ser melhorado, principalmente com relação aos altos cachês pagos aos artistas de fora em detrimento dos cachês (limitados) impostos aos artistas locais através de editais. Entretanto, isto é algo a ser discutido amplamente com a classe artística e o poder público, pois se, por umlado existe algo na Lei chamado de Notoriedade - que permite o pagamento de altos cachês a artistas de fora sem burocracia - por outro lado com certeza também está claro que, com boa vontade dos gestores públicos, não só se conseguirá diminuir a burocracia para pagamento a artistas locais em eventos públicos, como até mesmo a melhoria dos cachês dos nossos artistas. 

Este ano o carnaval de Natal foi ampliado com o objetivo de incluir na programação escolas de sambas, bandas de frevo, blocos e outras agremiações identificadas com a folia de Momo e foram publicados editais de credenciamento, ficando a cargo da própria FUNCARTE criar uma equipe para analisar os editais e fazer depois a distribuição dos recursos, o que foi feito. No carnaval de 2015 a prefeitura do Natal investiu mais de quatro milhões de reaiso resultado foi o melhor possível para os artistas, para a população e, principalmente para a nossa economia, de vez que foram gastos na capital, milhões de reais por parte de turistas de várias partes do Brasil, que aqui estiveram durante o carnaval.

Agora, passado o período momesco, a cidade se prepara para as festas juninas. Com certeza, teremos aqui artistas de renome nacional - e até regional - contratados pela Prefeitura para animar o nosso São João. E também, com certeza, novos editais serão abertos para permitir que artistas locais e entidades que promovem os arraiás espalhados pelos diversos bairros natalenses. Acreditamos, que, a exemplo do ocorreu com o Carnaval, a Prefeitura de Natal vai realizar um grande São João em 2015. Torcemos apenas que a programação das festas juninas seja elaborada com antecedência, afim de que os artistas locais tenham que se preparar e que a população tenha conhecimento antecipado do que vem por aí durante o São João. Digo isto, porque o tempo corre e, apesar de ainda estarmos no início de abril, a verdade é que, para que haja um trabalho bem feito na elaboração do período junino na nossa capital, é preciso começar a trabalhar com se amanhã já fosse São João.

 

 

 

PROGRAMA TALENTO POTIGUAR - A estreia do programa Talento Potiguar, que estava prevista para amanhã, na Band Natal, às 11:30, tem nova data: o programa irá ao ar a partir do sábado, dia 11, com muitas novidades e novas atrações, sempre tendo como foco a valorização dos artistas potiguares e a descoberta de novos talentos.

 

VOLUME 15 - Já concluímos a gravação do nosso CD volume 15. O disco, que foi gravado no Garagem Estúdio e teve a produção artística de Roberto Gomes (Ex-Terríveis), traz 19 músicas, das quais 9 foram gravadas por mim entre a segunda metade dos anos 80 e a primeira metade dos anos 90. As demais são regravações de grandes clássicos do brega-romântico e do forró-brega. O lançamento está previsto para o mês de maio.

 

JUVINO BARRETO - O Instituto Juvino Barreto foi contemplado com uma emenda do vereador Doutor Joanilson Rego que destinou R$ 60.000,00 para aquela instituição. Uma atitude louvável do vereador filiado ao PSDCe Presidente da Comissão de Ética.

 

SHOW DAS COMUNIDADES - A próxima edição do Show das Comunidades, que foi adiada por conta das chuvas, será realizada no bairro de Nazaré, no próximo dia 07, terça-feira. O projeto, que tem o patrocínio da Prefeitura de Natal através da Lei Djalma Maranhão, há 12 anos percorre bairros populosos e periféricos da capital, descobrindo talentos e usando a arte como instrumento de promoção social. 

 

FELIZ PÁSCOA - Desejamos a todos os leitores desta coluna e do jornal O Metropolitano, uma feliz pascoa.

 

20 de Março de 2015 às 11h37

QUEM É ESSE TAL MIGUEL ROSSETTO?


Com certeza, se for perguntado à grande maioria do povo brasileiro quem é Miguel Rosseto, nove entre dez pessoas não saberão de quem se trata. Pois bem: este cidadão, ilustre desconhecido da grande maioria dos brasileiros, é o Secretário Geral da Presidência da República, mas que certamente entrará para a História como um tremendo cara de pau, que ocupou ontem uma rede nacional de TV para afirmar que as manifestações ocorridas em todo o Brasil neste 15 de março eram "manifestações de eleitores que não votaram em Dilma". 

É realmente inacreditável, que alguém que ocupa um cargo estratégico no Governo Federal apareça na TV para afirmar algo que todos os brasileiros sabem tratar-se no mínimo de uma ingenuidade gritante, talvez dissimulada, ou simplesmente uma mentira consciente para minimizar aquele que foi o maior movimento popular já visto neste país, por ter se tratado de uma mobilização gigantesca que não teve à sua frente lideres políticos ou religiosos, partidos políticos, instituições públicas, ou qualquer tipo de liderança.

Mister Rosseto quis (ou quer?) nos fazer de bobos. Pra ele, o mar verde e amarelo que se espalhou ontem por dezenas de cidades brasileiras não representa o verdadeiro sentimento do povo brasileiro; para ele, os panelaços, os buzinaços, o Hino Nacional cantado com a voz embargada vinda do coração ou simplesmente gritado entre lágrimas, gestos e abraços, com o entusiasmo nascido da alma de milhões de brasileiros que se sentem traídos, foi um movimento "criado por pessoas que não votaram em Dilma". Não sabe Mister Rosseto que do alto da sua empáfia está correndo o risco de que, amanhã ou depois, sua fala e sua imagem, com as mudanças que hão de vir, se transformem numa declaração que, além de infeliz, vai servir também para envergonhar seus descendentes, mostrar sua falta de respeito pela inteligência do povo brasileiro e sua subserviência a um governo que começou há menos de noventa dias, mas que parece já estar no fim.

Houve momentos em que temi ter vergonha de ser brasileiro. Mas o que testemunhei ontem, está reacendendo na minha alma o fogo de uma esperança que eu pensei que já tinha se transformado em cinzas. E sei que, como está ocorrendo comigo, as vozes de milhões de brasileiros de todas as raças, partidos, religiões e classes sociais que foram ontem para as ruas, soam como um grito de alerta, que nos ensina que nem tudo está perdido e que um dia nós teremos nosso país de volta. Independente do que pensem os desastrados Rossetos da vida.

 

 

 


ANJO AZUL - O Anjo Azul é uma obra do artista plástico Jordão, com cerca de 12 metros de altura e 28 toneladas de ferro e cimento. Durante algum tempo, ficou exposta na calçada de uma galeria de arte na Avenida Hermes da Fonseca, no bairro Tirol e impressionava a quem passava pelo local, por suas dimensões e por sua beleza.

 

ANJO AZUL II - Há quatro anos, quando a galeria de arte mudou de dono, a escultura foi retirada do local pela SEMSUR - Secretaria de Serviços Urbanos. Alguns moradores da Praça Omar O'Grady, no conjunto Alagamar manifestaram interesse em adotar o Anjo Azul. Com o passar do tempo, a escultura foi desmontada e sob a alegação de que sua reinstalação teria um alto custo, a sua estrutura, aos pedaços, foi abandonada.

 

ANJO AZUL III - Atualmente, o Anjo Azul está esquecido na Praça onde deveria ter sido reinstalado. Pedaços da estrutura espalhados pelo chão são um retrato vivo do descaso com que a cultura é tratada no nosso estado. Todavia, pior do que a frustração causada pelo abandono de uma escultura, é a decepção que todos nós sentimos pela falta de apoio aos nossos artistas de modo geral. 

 

FIC - Algumas pessoas contempladas com verbas do Fundo Municipal de Cultura 2014 (FIC) continuam insatisfeitos com a demora no repasse das verbas aprovadas por meio de edital. Desde 2011 que FIC disponibiliza anualmente, através da FUNCARTE, um total de R$ 400 mil, contemplando projetos nas áreas da Música, Patrimônio Material e Imaterial, Artes Cênicas, Literatura, Artes Visuais, Audiovisual, Artesanato,  Literatura e Artes Integradas.


 

13 de Março de 2015 às 11h58

IGNÊS MADALENA ARANHA DE LIMA

A não ser que o meu amigo leitor seja expert em cultura popular, com certeza, não saberá quem é a pessoa cujo nome intitula meu artigo desta semana nesta coluna Conversa Afinada. Eu mesmo, embora seja um "pesquisador informal" da área da cultura popular, cujo interesse por Música começou quando eu ainda era pré-adolescente e se intensificou a partir dos meus 17 anos, quando comecei a cantar profissionalmente, confesso que não sabia que havia, na cena da Música brasileira alguém com este nome. Estou falando de Inezita Barroso, que nos deixou no domingo passado, às 22 horas. Cantora e apresentadora, Inezita faleceu aos 90 anos (completados no dia 4 de março), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde estava internada desde 19 de fevereiro. A causa da sua morte foi insuficiência respiratória aguda. 

Inezita, que encantou-se pelas modas de viola aos 7 anos, apresentava, há mais de 30 anos, na TV Cultura, o programa Viola, Minha Viola, uma das últimas trincheiras de defesa da Música genuinamente caipira, estilo musical que retrata o perfil cultural de várias regiões do Brasil, notadamente o interior dos estados de Minas Gerais e São Paulo.

Enfrentando a resistência dos pais e oriunda de uma família abastada proprietária de fazendas no estado de São Paulo, ela se dedicou à música caipira e se tornou uma referência no gênero. Conheceu o sucesso em 1953, na gravadora RCA, quando gravou um compacto em que tinha de um lado "Marvada Pinga" e do outro o primeiro registro de "Ronda", esta última, um clássico da MPB, composta por Paulo Vanzolini. A consolidação do sucesso veio alguns anos mais tarde, já contratada da gravadora Copacabana, onde Inezita ficou por quatro décadas.

Inezita Barroso era uma pessoa multifacetada: professora, arranjadora, violonista, instrumentista, folclorista e atriz, (atuou em nove filmes, chegando a receber um prêmio por sua atuação no filme "A Mulher de Verdade", de 1954). Independente como artista, Inezita sempre "caminhou um pouco à margem", segundo suas próprias palavras, em entrevista ao jornal O Globo, no ano de 2012: era intransigente (e exigente) e nunca deixou que as gravadoras influenciassem na escolha do seu repertório: só gravava o que queria.                                                                                            

Inezita discordava da plastificação da música caipira e certa vez afirmou: "A verdade é que esse pseudosertanejo atual é música inventada pela indústria, sem raiz, paupérrima, sempre a mesma letra, sempre o mesmo ritmo!". Ela chamava o estilo musical sertanejo moderno de "sertanojo". O que, apesar do radicalismo presente na frase não deixa de ter um fundo de verdade. 

 

 


POESIA - Amanhã, 14 de março será comemorado o Dia da Poesia. A data remete ao dia de nascimento do poeta Castro Alves. Poetas, artistas, escritores, entidades culturais e vários órgãos elaboraram uma extensa programação para comemorar a data.

 

POESIA II -  Durante toda esta semana estão sendo realizados shows, saraus, mesas redondas, oficinas, lançamentos de livros, feiras e mostras de cinema, dentro da Semana Potiguar de Poesia. O Dia da Poesia começou a ser comemorado aqui no estado no ano de 1978, com o movimento Poesia Marginal, idealizado por um grupo de poetas potiguares.




POESIA III - Dentro da programação da Semana Potiguar da Poesia, estão programadas para hoje, várias ações na cidade de Currais Novos, ondehaverá sarau poético, roda de conversas e outras intervenções poéticas, culminando com show artístico com a banda pernambucana Tibério Azul.

 

POESIA IV - Sociedade de Amigos do Beco da Lama - SAMBA promove amanhã, às 14 horas, no Beco da Lama, uma feijoada em comemoração ao Dia da Poesia. Às 19 horas Zé Martins e Fibra do Coco se apresentam na Pinacoteca que, às 20 horas recebe o show Música e Poesia, com a banda pernambucana Tibério Azul.

 

POESIA V - Dentro das comemorações do Dia da Poesia, a Fundação Capitania das Artes/Secult-Natal realiza entre hoje e amanhã a Virada Poética. O evento que constará de debates, exposições, shows musicais e lançamentos de livros, se estenderá pela própria Funcarte, Memorial de Natal, Mercado de Petrópolis, Parque da Cidade e também as duas novas estações de transferência da Zona Norte e da Zona Sul da capital.

 

06 de Março de 2015 às 11h12

O MUNDO É DAS MULHERES

Nova Iorque, 8 de março de 1857. Operárias de uma fábrica de tecidos, reivindicam melhores condições de trabalho, como redução na carga diária de trabalho (que era de 16 horas e as mulheres queriam reduzir para 10 horas), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas.

Em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o dia 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem às mulheres que morreram na fábrica em 1857. Na antiga União Soviética, durante o stalinismo, o Dia Internacional da Mulher tornou-se elemento de propaganda partidária. Nos países ocidentais, a data foi esquecida por longo tempo e somente recuperada pelo movimento feminista, já na década de 1960. Em 1975, foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e, em dezembro de 1977, o Dia Internacional da Mulher foi adotado pelas Nações Unidas, para lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres. Na atualidade, a celebração do Dia Internacional da Mulher perdeu parcialmente o seu sentido original, adquirindo um caráter festivo e comercial. Nessa data, os empregadores, sem certamente pretender evocar o espírito das operárias grevistas do 8 de março de 1857, costumam distribuir rosas vermelhas ou pequenos mimos entre suas empregadas. No Brasil, como em vários países do mundo, as mulheres sempre foram discriminadas e, embora nos últimos 50 anos - notadamente a partir da década de 60 - as mulheres tenham obtido muitas conquistas, ainda existe um longo caminho a percorrer, para que elas realmente tenham realizado todas as conquistas que merecem.

Hoje quero aproveitar este espaço para parabenizar a todas as mulheres; não vou recitar versos decorados nem simplesmente ser galanteador para impressionar. Entretanto quero afirmar aqui que me orgulho de uma coisa: dentre todas as músicas que compus e gravei (mais de duzentas) não existe nenhuma que tenha sequer uma frase que desrespeite a mulher. Por isto, minha homenagem a todas as mulheres, se resume nisto: admiração e respeito.

Parabéns, mulheres. Esta semana é de vocês. Aliás: o mundo, é de vocês. 

 

 


NOVO CD DE CARLOS ZENS -  O compositor e flautista Carlos Zens lançou, no último dia 27, no Teatro Alberto Maranhão o seu novo CD, num show concorrido, que contou com a participação de vários convidados especiais.

 

LEI DJALMA MARANHÃO - Os artistas e produtores culturais deverão ficar atentos, pois a mensagem do Executivo que determina o percentual de renúncia fiscal do município de Natal (2,5% do orçamento) já foi encaminhada à CMN e deverá ser votada em breve.

 

OFICINA DE ARTES CIRCENSES - Continuam abertas as inscrições para oficina de artes circenses (que devem ser feitas exclusivamente através do e-mail tropatrupe@ gmail.com). Cuja mensalidade custa R$ 80, mais taxa de matrícula de R$ 30. As oficinas terão lugar na Fundação Hélio Galvão fica na Av. Campos Sales, 930, Tirol. Informações pelo telefone 9846-6909.

 

NATAL NA SEGUNDA GUERRA - Para comemorar os trinta anos da editora Sebo Vermelho, Abmael Silva está relançando um livro fundamental para recontar o período da Segunda Guerra em Natal, quando a cidade viveu sua maior ebulição no século 20, está sendo relançado. Amanhã: "Contribuição Norte Americana à Vida Natalense.

 

ANTES TARDE DO QUE NUNCA - Graças à grita geral da opinião pública, o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recuou do benefício que garante passagens aéreas para cônjuges de parlamentares, que deverá passar a ser exceção e os parlamentares terão que requerer a passagem à Mesa, que decidirá caso a caso. Ainda bem.

 

27 de Fevereiro de 2015 às 11h20

Talento Potiguar 2015

No ar há seis anos, o programa Talento Potiguar foi apresentado inicialmente pela TV Tropical, onde permaneceu de março de 2008 a dezembro de 2010, quando passou a ser veiculado pela então Sim TV, hoje REDE TV! RN. Agora, neste início de temporada, o nosso programa se prepara para estrear em outra emissora dentro de algumas semanas. Durante todos estes anos, o programa Talento Potiguar, que tem o patrocínio da Lei Municipal Djalma Maranhão de Incentivo à Cultura, da Prefeitura de Natal, contribuiu imensamente para a valorização da nossa arte e não há como negar que foi pioneiro em vários aspectos, no que diz respeito ao modelo de programas de entretenimento apresentados pelas TV's locais. Criado inicialmente para ser um instrumento de divulgação do Show das Comunidades, o Talento Potiguar foi além: aos poucos cresceu em dimensão e tornou-se um dos mais importantes instrumentos de divulgação dos nossos artistas, fugindo a qualquer modelo pré-concebido, ou seja: sempre abriu espaço para todos os tipos de manifestações culturais.  

O programa Talento Potiguar utilizou, como mais ninguém neste estado, o seu espaço para divulgar, promover e, sobretudo, defender - de modo elegante, mas intransigente e ferrenho - nossos artistas. Embora muitas vezes tenha ido, aparentemente na contramão do "modo correto" de se fazer Televisão no nosso estado, nosso programa se diferenciou dos demais pelo fato de fugir ao lugar comum e, de certa forma, ousar não fazer exatamente o que a grande maioria dos programas locais fazem. Uma das principais diferenças do nosso programa em relação à maioria dos programas privados que são apresentados em alguns veículos de TV do nosso estado, é o fato de que colocamos a defesa da utilização da arte como instrumento de promoção social em primeiro lugar, em detrimento de interesses puramente financeiros. Nosso programa consegue ser popular sem ser popularesco: leva ao telespectador bandas de rock, repentistas, forrozeiros, cantores românticos, sambistas, artistas bregas, grupos de dança e, além de tudo isto ainda cria concursos como os pioneiros Festival de Novos Talentos, Comunidade Fashion, até os mais recentes concursos Voz Revelação e Mais Bela Voz Gospel, dando prêmios e gravando CD's com artistas novatos.

Agora, em 2015, nosso programa vai mudar de casa, o que está ocorrendo pela necessidade que sentimos em ampliar nossos horizontes. Nesta nova fase, esperamos - e sabemos que podemos - contar com a audiência de um grande público  conquistado nestes seis anos e que (me perdoem a falta de modéstia) nos acompanhará para onde formos; é um público fiel, que ama o que é nosso, e cujo perfil se identifica com o Talento Potiguar, cujo objetivo é aliar diversão e entretenimento à luta pela valorização do que é genuinamente norte-riograndense. 

 

 


"MEUZÓVO" - Achei estranho ver em um jornal local um gestor da área de cultura fazer um protesto (que só ele deve ter achado engraçado) contra o movimento de Impeachment da Presidente Dilma, segurando um cartaz onde estava escrito que "Impeachment é meuzóvo", referindo-se à própria genitália. A meu ver, quem tem a função de gerir a cultura de um estado, de uma cidade, ou até mesmo de uma comunidade, tem o direito de fazer qualquer tipo de protesto, desde que não perca a postura. Quem faz isto não tem envergadura para ocupar nenhum cargo público.

 

EM DEFESA DOS ANIMAIS -  A Natura vai apoiar, a partir deste ano, uma ONG  natalense que cuida de animais de rua em Natal. A entidade, denominada Focinhos Felizes, existe há seis anos e já cuidou de quase quatrocentos animais que sofrem maus tratos ou que vivem na rua. Segundo Hilana Ubarana, fundadora da ONG, o apoio da multinacional de cosméticos será fundamental para a continuidade das ações da entidade.

 

DESCENDO A LADEIRA - Mais do que nunca, a música que foi sucesso nos anos setenta com Os Ovos Baianos, que fala num Brasil descendo a ladeira, está parecendo uma profecia às avessas: a letra da música queria se referir a um pais alegre, multicolorido, carregando de maneira simbólica um pandeiro, símbolo da musicalidade brasileira e da alegria do nosso povo. Hoje, parece que a ladeira que o Brasil está descendo leva a um enorme abismo. O o plandeiro que o nosso país carrega nas mãos (como sugere a letra da música) foi trocado por uma bomba relógio. 

 

MPB PETROBRÁS - João Bosco, cantor e compositor mineiro fará um show com voz e violão, no Teatro Riachuelo, no próximo dia 5.  Embora o projeto tenha o patrocínio da PETROBRÁS, - ou seja, o artista já está no lucro, com todas as despesas garantidas - , os ingressos custarão R$ 40,00 (inteira) e 20,00 (meia). Com um detalhe: a banda de João Bosco será... Ele mesmo. O show é voz e violão.

 

MPB PETROBRÁS II - Esta sigla significa: Música Popular Brasileira PETROBRÁS. Embora a intenção pareça boa, pessoalmente acho um absurdo que uma empresa, transformada em antro de corrupção, além de contribuir com a miséria do país dando ao Brasil um prejuízo de bilhões de dólares, ainda invista alguns milhões de reais em projetos culturais com bilheteria paga, destinados a plateias privilegiadas. Do jeito que as coisas andam, MPB PETROBRÁS - vai ter seu significado mudado para Miséria do Povo Brasileiro: PETROBRÁS.

 

13 de Fevereiro de 2015 às 12h03

TALENTOS LOCAIS E O CARNAVAL 2015

Ontem, com o tradicional Baile de Máscaras, no Largo do Atheneu, o Carnaval de Natal foi aberto oficialmente, quando o prefeito Carlos Eduardo entregou ao Rei Momo a chave da cidade. A abertura ficou a encargo da Spok Frevo Orques-tra, de Recife (PE) e participaram do evento os artistas natalenses, juntamente com a banda Dugiba, sob o comando do trombonista Gilberto Cabral.

O Carnaval deste ano, segundo Dácio Galvão presidente da FUNCARTE, foi ampliado com o objetivo de incluir na programação escolas de sambas, bandas de frevo, blocos e outras agremiações identificadas com a folia de Momo. Este ano foram publicados editais de credenciamento e ficou a cargo da própria FUNCARTE criar uma equipe para analisar os editais e fazer depois a distribuição dos recursos. A prefeitura do Natal está investindo R$ 1.327,100,00 (hum milhão, trezentos e vinte e sete mil reais) no Carnaval, dos quais  R$ 180.000,00 foram disponibilizados para a seleção de artistas  e grupos musicais,  R$ 668.600,00 (seiscentos e sessenta e oito mil reais) para o credenciamento e seleção de Bandas, R$ 446.000,00 (Quatrocentos e quarenta e seis mil reais) para agremiações carnavalescas e R$ 32.500,00, (trinta e dois mil e quinhentos reais) para a  escolha do Rei Momo e da Rainha do Carnaval. 

O Carnaval Multicultural de Natal - inspirado no Carnaval Multicural de Recife - terá polos em Ponta Negra, na Redinha, no Centro Histórico e nas Rocas e durante os quatro dias, espalhados por este polos, haverá shows com vários artistas nacionais: Armandinho, Gereba, Margareth Menezes,  Morais Moreira, Silvério Pessoa, Gabi Amarantos, Elba Ramalho e Monobloco. As atrações locais são: Jubileu Filho, Cavaleiros do Forró, Isaque Galvão, Antônio de Pádua, Grafith, Leão Neto, Rastafeeling, Sérgio Groove, Rodolfo Amaral, Kryhstal e Lane Cardoso.

A Prefeitura de Natal está de parabéns pelo resgate do Carnaval na nossa capital. Pelo segundo ano consecutivo a Administração Carlos Eduardo, tendo a frente a competência de Dácio Galvão, presidente da FUNCARTE, mostra que a cada ano o evento é ampliado. Todavia a meu ver, muito ainda tem que ser melhorado, principalmente com relação aos altos cachês pagos aos artistas de fora em detrimento dos cachês (limitados) impostos aos artistas locais através de editais. Por isto, eu pergunto: embora exista na Lei algo chamado Notoriedade que permite privilégio aos grandes nomes da Música não haveria uma maneira de melhorar os valores pagos aos nossos talentos em eventos públicos? 


 


 


DESVIO DE ATENÇÃO - É provável que durante o período do Carnaval, os brasileiros fiquem anestesiados pela folia e a atenção do momento vergonhoso pelo qual passa o nosso país seja desviado. Mas, e quando chegar a quarta-feira de cinzas? Provavelmente a nação voltará a cair na real.

 

ORGULHO DA PETROBRÁS...  - Pago com nosso dinheiro, está no ar pela TV, um novo comercial da Petrobrás que, tentando disfarçar a situação de derrocada da empresa, afirma que a produção de petróleo aumentou e que a estatal está acostumada a superar desafios. E conclui com a palavra "Todos" (confundindo desafio com corrupção), certamente insinuando que a empresa sairá incólume da situação que atravessa. E durante as comemorações do 35º aniversário de fundação do  PT, a presidenta Dilma afirmou que nós brasileiros devemos nos orgulhar da Petrobrás...

 

...OU VERGONHA DE SER BRASILEIRO? - Pelo que se vê na imprensa estrangeira, os brasileiros não têm motivo de se orgulhar do país onde nasceram. Infelizmente, o momento é de desgaste na imagem do país, onde ocorre atualmente, de acordo com o noticiário internacional, "o maior escândalo mundial de corrupção da história moderna". E aí, o que nós vamos fazer? Seguir a sugestão da nossa presidenta e nos orgulharmos da PETROBRÁS, ou encarar a realidade e ter vergonha de ser brasileiro?

 

O AMOR INCONDICIONAL - Cristo, quando aqui esteve, não criou nenhuma religião, mas parece que muita gente não entendeu sua mensagem. Entretanto, mesmo entre os religiosos existem exceções abençoadas. Uma dela é Irmã Lúcia, que em 1987 fundou a Casa do Menor Trabalhador. Tendo como lema a máxima de São Vicente de Paulo"Ver Cristo no pobre e o pobre em Cristo", ela é um verdadeiro exemplo para quem quer seguir a Religião do Cristo:O Amor Incondicional. 

 

 

 

 

06 de Fevereiro de 2015 às 16h53

OS PALHAÇOS E A POLÍTICA

Há muito tempo que o Circo agoniza. Os artistas circenses passam, a cada dia, por situações vexatórias inimagináveis. Sem uma politica cultural que realmente defenda seus interesses, os verdadeiros artistas populares que passam suas vidas a divertir milhares de pessoas geralmente chegam à velhice sem amparo, sem reconhecimento pelos anos em que se dedicaram à arte circense.

Chegando ao Brasil em meados do século dezenove, durante décadas o circofoi praticamente a única diversão para milhões de brasileiros de cidades do interior e dentre suas atrações a que mais encantou multidões foi a figura do palhaço. E os palhaços serviram de inspiração para o surgimento de grandes humoristas, entre eles Renato Aragão, para citar apenas um.

Uma prova inequívoca de que os palhaços são figuras que estão presentes no inconsciente coletivo, foi o fato de que um dos deputados mais votados do Brasil, se elegeu tendo como plataforma política... fazer palhaçadas. Entretanto, precisamos admitir algo: se a grande maioria dos políticos eleitos pelo povo fossem palhaços (literalmente), com certeza nós teríamos menos ladrões e corruptos  ocupando cargos públicos.Na verdade, os verdadeiros palhaços, aqueles que pintam a cara para divertir e para tirar seu sustento fazendo um trabalho honesto, são seres humanos que merecem muito mais nosso respeito do que certos políticos que, embora não sendo palhaços, são piores do que isto: nos fazem de palhaços roubando, trapaceando e fazendo das Câmaras Municipais, Assembleias Estaduais, da Câmara e do Senado Federal espécies de seus circos particulares onde só quem ri são eles, ou sejam: riem das desgraças que "proporcionam" aos seus eleitores e a milhares de brasileiros. 

Nosso estado, na legislatura passada, infelizmente mandou também um palhaço para a Câmara Federal. Felizmente, durou apenas um mandato. Mas, por incrível que pareça, ainda conseguiu uma palhaçada extra, ao apagar das luzes do seu mandato: aposentar-se, e ser sustentado por nós pelo resto da vida.

Por isto, eu não hesito em dizer: gosto de ver um palhaço como Tiririca na Câmara Federal. O que me causa repulsa é saber que certos políticosdesonestos, embora não pintem a cara e nunca tenham pisado num picadeiro para divertir plateias façam seus eleitores de palhaços ou, pior do que isto: colaborem, através da corrupção, para que, cada vez mais este país se transforme naquilo que se chama um "circo de horrores".

 

 

CINTO APERTADO - Em virtude da crise no abastecimento de água e dos seus desdobramentos, o governador Robinson Faria informou que não vai ter como apoiar as cidades do interior nos festejos carnavalescos deste ano. Atitude sensata.

 

CARNAVAL EM NATAL - Na próxima quinta-feira, dia 12, ocorrerá a abertura do Carnaval em Natal, que contará com a participação da Spock Frevo Orquestra. O evento ocorrerá durante o tradicional Baile de  Máscaras, em Petrópolis, no largo da Confeitaria Atheneu.

 

PERGUNTAR NÃO OFENDE - As bandas Grafith e Cavaleiros do Forró participarão do Carnaval de Natal neste ano. As duas atrações são daqui, tem notoriedade, têm nome e um público fiel superior a certas atrações nacionais, como por exemplo Gaby Amarantos. Mas será que vão receber seus cachês à vista como as atrações de fora, ou irão passar por todos os processo burocráticos que só existem para os artistas locais?

 

PELA ARTE POTIGUAR - O RN Criativo, tendo à frente o incansável Esso Alencar, está tentando implantar, com o apoio dos órgãos culturais e da classe política, um movimento de valorização da Música Potiguar. Participam do movimento a COMPOR, o Centro Cultural DoSol e a ANDAR.

 

TALENTO POTIGUAR - Amanhã é dia de Talento Potiguar, pela Rede TV!RN, canais 17 - TV Aberta e 21 - Cabo TV - , às 11:15, com reapresentação domingo, às 10:15. O programa continua mostrando os melhores momentos de 2014.

 

30 de Janeiro de 2015 às 13h50

BEBER CACHAÇA, RAPARIGAR, OU... FAZER BILU BILU?

Obviamente, tenho que começar esta coluna pedindo desculpa aos leitores pelas expressões chulas utilizadas no título deste artigo. Mas todos nós estamos cansados de saber que cada vez mais as músicas que são lançadas no mercado têm como objetivo principal alcançar um sucesso imediato de duração meteórica, visando o maior retorno financeiro no menor espaço de tempo possível e que, de tanto usarem estas expressões nos seus versos, tornaram-nas corriqueiras. Já não se faz música "cafona" como antigamente, quando canções que falavam de amor, saudade, distância, ausência, perdão etc., eram consideradas inaudíveis e de mau gosto pelas elites. Ah, que saudade da cafonice sem imoralidades...

Acredito que a banalização dos versos musicais começou a partir do uso de linguagem inadequada por parte de ícones como Reginaldo Rossi que, ao afirmar que em vez de "cheirar cocaína preferia cheirar as xoxotas das meninas" passou a abrir um caminho para a música com letras de conteúdos fortes e agressivos. Coincidentemente (ou não?), mais ou menos na mesma época o forró estilizado tomou conta do mercado exaltando a cachaça, o whisky, a cerveja. (Afinal, tudo isto é "preferível" às drogas)...  Paralelamente a Axé Music com suas canções de refrões repetitivos e harmonia de três tons virou indústria,  o chamado estilo musical sertanejo jovem explodiu e o forró estilizado seguiu o mesmo caminho. 

Hoje, a MPB, o samba, o forró tradicional, a (verdadeira) música romântica e o sertanejo tradicional, em crise criativa, sobrevivem graças ao prestígio alcançado junto a um público fiel, e não dependem de execuções maciças em rádio ou aparições frequentes na TV para se manter. Por outro lado, os dj's surgidos nas comunidades pobres alcançam popularidade através das redes sociais e  depois que são "descobertos" pela mídia, se tornam ídolos (ricos) da periferia. A Axé Music, o forró estilizado, o chamado sertanejo jovem dominam o mercado. Correndo por fora, surgem novos nomes na música romântica, que conquistam espaço junto ao povão, também através da força das redes sociais. Um exemplo disto é Pablo, que canta quase chorando e cunha palavras como sofrência, resgata expressões ingênuas como Bilu Bilu e conquista milhares de fãs com sua música, considerada por muitos sem qualidade. Cada povo - ou público - tem a música que merece, de acordo com seu gosto pessoal e seu nível intelectual. Pessoalmente sou contra qualquer tipo de descriminação ou preconceito musical (até porque já fui vítima de preconceito e descriminação por ser um cantor popular) e, sem entrar no mérito da chamada "qualidade musical" - que para mim é um conceito relativo -, não tenho medo de afirmar: prefiro fazer bilu bilu a tomar cachaça e raparigar.

 

 

 

ARROCHO CULTURAL - Segundo Rodrigo Bico, o novo presidente da Fundação José Augusto, a situação financeira da entidade é delicada, e o presidente prevê um ano de "arrocho cultural" por causa de um orçamento previsto para este ano, de apenas 42 milhões. Esperamos que o novo presidente (indicado pelo PT) tenha êxito no seu trabalho de "operar milagres" (segundo suas próprias palavras), mas de uma coisa todos já sabem: há décadas, a situação da FJA é de "arrocho" não só cultural mas, principalmente, financeiro para os nossos artistas que são desprestigiados, enquanto muitas "estrelas" de fora já engordaram suas contas bancárias com nosso dinheiro, ganhando pequenas fortunas em eventos "culturais" para deliciar plateias privilegiadas.

 

PERGUNTAR NÃO OFENDE - Segundo Kerginaldo Alves, presidente da Associação das Escolas de Samba e Tribos de Índios de Natal, não existe diálogo entre o poder público e os grupos que fazem o Carnaval na capital. Diante de uma situação que perdura há muito tempo, eu pergunto: Porque os artistas locais têm que participar de editais, enquanto os grandes nomes da música são contratados diretamente, por cachês altíssimos?

 

PERGUNTAR NÃO OFENDE II -  Sei que na Lei existe algo denominado Notoriedade que permite aos grandes nomes da música - ou de outro segmento ligado à arte - cobraremdo poder público um cachê determinado por eles próprios, inclusive recebendo o dinheiro antecipadamente. Mas o poder público, nos eventos que promove aqui no estado, mesmo publicando  editais para projetos culturais a serem executados por artistas locais,  não poderia  utilizara modalidade "convite" para contratar pelo menos os artistas que têm notoriedade no nosso  Estado e até mesmo em vários estados do Nordeste?  Ou o poder público está impedido legalmente de fazer isto?

 

TOINHO SILVEIRA - O novo diretor do Tetro Alberto Maranhão, Toinho Silveira, jornalista e apresentador de TV, com larga experiência na área de eventos tem tudo para fazer um bom trabalho à frente da direção do TAM. Garantindo que sua intenção é abrir as portas do Teatro para os artistas, Toinho já disponibilizou estrutura para que o produtor William Collier volte a executar o projeto Seis e Meia, e já teve uma primeira reunião com a Rede Potiguar de Teatro.

 

12 de Dezembro de 2014 às 12h09

O RECONHECIMENTO DE UM TRABALHO

Nos primeiros dias de dezembro de 2007, eu me encontrava no Rio de Janeiro quando um amigo me ligou e me informou que o meu nome era um dos cotados para a presidência da FUNCARTE  na administração da prefeita Micarla de Sousa, que tomaria posse no dia primeiro de janeiro de 2008.  Posteriormente, foi indicado Cezar Revoredo. Nos primeiros dias de janeiro de 2008, já com Cezar á frente da FUNCARTE, Edson Soares, jornalista e meu amigo pessoal, confidenciou-me que, realmente, meu nome havia sido cogitado para o cargo.

Nos últimos dias, um grupo de artistas criou um movimento pelas redes sociais, sugerindo o meu nome para a presidência da FJA, o que fez surgir uma expectativa na classe artística a respeito de uma possível indicação do meu nome para dirigir aquele órgão. Estou utilizando este espaço para fazer um esclarecimento: não mexi uma palha, não fiz nenhum lobby e nem me articulei para que meu nome fosse indicado para nenhum cargo, nem na gestão da ex-prefeita Micarla de Sousa, nem na futura administração do governador eleito Robinson Faria. Pelo contrário: em uma plenária realizada no IFRN, da qual participei, foi elaborada uma lista tríplice com os nomes de Josenilton Tavares, Rodrigo Bico e Gilson Matias para serem apresentados a Robinson Faria, como sugestão para ocupar a presidência da FJA.

Em virtude do apoio que recebi por meio dos e-mails, telefonemas, das mensagens pelo what's e principalmente pelo facebook, não posso deixar de usar este espaço para me manifestar a respeito do movimento iniciado pelas redes sociais por um grupo de artistas capitaneados por Josean Rodrigues em defesa do meu nome. Este movimento é algo que muito me estimula a seguir na minha árdua luta em defesa dos nossos artistas. Não posso negar que me sinto preparado para ocupar qualquer espaço em qualquer órgão ligado à cultura, na administração pública no nosso estado; e isto, não só porque sou, há mais de 10 anos, um ferrenho defensor da nossa arte e da nossa cultura, como também sou graduado em Gestão Pública, o que me qualificaria a ocupar qualquer cargo público no âmbito municipal, estadual e até federal. Todavia, preciso ser sincero: não sei se este anseio popular vindo dos artistas terá força suficiente para suplantar os interesses que colocam os acordos políticos muitas vezes acima dos interesses da sociedade. Mas duas coisas eu posso afirmar: primeiro, que estou preparado para aceitar qualquer desafio em nome da valorização dos nossos artistas; segundo, que este movimento é o reconhecimento de um trabalho que iniciei há doze anos, defendendo a utilização da arte como instrumento de promoção social. Reconhecimento este que nunca recebi da parte do poder público. 


 



RECLAMAÇÃO - Através das redes sociais, Rosália, a esposa de Roberto do Acordeon, reclamou do fato de que o artista ficou de fora da programação do Natal em Natal. Posteriormente o próprio músico, que tem 50 anos de profissão, ligou para mim e também reclamou do fato. Fica aqui o registro.

 

SHOW DAS COMUNIDADES - O projeto Show das Comunidades, que idealizamos há 12 anos, encerrará sua temporada de 2014 no próximo dia 18, no Conjunto Pajuçara II. O evento, na sua última edição será realizado no Ouro Verde Society, em parceria com a ASPA Produções realizará, simultaneamente, o Natal Solidário, arrecadando gêneros alimentícios para distribuir com famílias carentes da comunidade.

 

OS FILHOS DO BREGA - Um projeto para resgatar o trabalho de cantores bregas está sendo articulado por Bartozinho Galeno, filho de Bartô Galeno; fazem parte do projeto, além do próprio Bartozinho, Carlos Alexandre Júnior, Mauricio Reis Filho e Ivanildo Peter (filho do cantor Ivan Peter). É isso ai; por mais que alguns intelectuais torçam o nariz, o Brega é um movimento cultural e precisa ser preservado.

 

COM A BOCA NO TROMBONE - Já tem data marcada o lançamento do livro Com a Boca no Trombone, que contém sessenta artigos escritos por mim nos últimos dez anos em vários órgãos da imprensa potiguar, sempre defendendo nossa arte e nossa cultura: 14 de janeiro.

 

TALENTO POTIGUAR - O Talento Potiguar recebe neste fim de semana, uma das bandas mais importantes do Forró Potiguar: Forró Rodado. O programa vai ao ar no sábado, às 11:15, com reapresentação no domingo, às 10:10, pela REDETV! RN, canais 17 (sinal aberto) e 21 (Cabo TV).

 

20 de Novembro de 2014 às 15h12

A AGONIA DO RN CRIATIVO

Transcrevo aqui, com autorização do autor, trechos do e-mail que recebi do músico Esso Alencar, um dos membros do RN Criativo, que retrata muito bem o quanto nossa cultura não está tendo por parte da Fundação José Augusto o tratamento que merece. Segue o texto.

O RN Criativo foi Implantado em Natal sob convênio entre o Ministério da Cultura e a Fundação Jose Augusto, com o objetivo de efetivar uma ação na área da Economia Criativa, visando a expansão dessa área e o fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura. A equipe contratada para a execução dessa meta, selecionada por uma comissão chefiada pela Secretaria de Economia Criativa, formada por profissionais competentes e experientes, tem se empenhado desde o primeiro momento em cumprir sua função. No entanto, após cinco meses sem depositar a contrapartida devida (R$ 300 mil), a Fundação José Augusto compromete de forma desrespeitosa e acintosa mais um projeto relevante para a comunidade artística e produtiva do estado pois, sem gastar pouco mais de 30 mil/mês, durante um ano, é impossível capacitar dezenas de agentes culturais espalhados pelo  RN, carentes de novos saberes que querem se tornar aptos a gerirem suas ideias com clareza e desenvoltura. Este foi um dos pilares para a abertura do escritório em Natal, que mesmo com o descaso da FJA com a cultura, ainda chegou a realizar palestras, oficinas, credenciamento de agentes culturais, atendimento em consultorias e articulações com parcerias para a execução deste convênio. Tudo agora está a um passo de ser descartado pela FJA, que ameaça sustar o acerto entre ela e o Ministério, segundo alega, por falta de recurso para honrar o contrato. Será mesmo? 

Qual é a implicação da FJA com nossa cultura e a sua função nesse contexto? A única biblioteca pública de Natal ficou fechada durante toda essa gestão, as Casas de Cultura são uma Política de fachada, o Plano Estadual de Cultura sequer foi enviado ao Legislativo para ser discutido e votado, o Fundo Estadual de Cultura é um engodo, o Agosto da Alegria, cartão-postal da famigerada Secult/RN foi um tremendo fiasco, ruborizador, pra quem tem vergonha na cara, e o pior: alguns dos membros da equipe do RN Criativo passam por dificuldades circunstanciadas, em virtude da"roubada" em que foram enfiados por uma entidade de dúbio caráter que, ao invés promover nossa cultura, é apenas um cabide de empregos com feições eleitoreiras. Apesar de tudo, ainda acreditamos numa solução, e que nossa mobilização faça surgir uma negociação que chegue a bom termo entre partes envolvidas. Quem dera!

Eu, Fernando Luiz, torço para que o RN Criativo tenha no novo Governo o tratamento que merece; isto, se não morrer antes. O que espero que não aconteça.

 

 

DESCASO - Realmente chega a ser acintosa a forma com que a Fundação José Augusto tem administrado a Cultura no Rio Grande do Norte, particularmente nos últimos quatro anos. O desabafo de Esso Alencar tem razão de ser, pois ele é um articulador na área cultural e não tem medido esforços no sentido de promover ações para qualificar centenas de atores da cena cultural do nosso estado.

 

COM A BOCA NO TROMBONE - Já se encontra na fase final de diagramação o livro Com A Boca No Trombone, uma coletânea de 60 artigos dos mais de 150 que publiquei em vários jornais da nossa cidade nos últimos 10 anos, sempre defendendo nossa cultura e nossos artistas.

 

NATAL EM NATAL - A Administração do prefeito Carlos Eduardo continua no processo de revitalização do Natal em Natal, que este ano foi aberto no dia 5 de novembro e vai até o dia 6 de janeiro com uma intensa agenda cultural com shows, espetáculos, exposições, feiras literárias e diversos eventos.

 

RASTAPÉ - A comemoração dos oito anos do Rastapé prossegue hoje com shows de Will Di Paiva e Farra de Playboy, Gaviões do Forró e Dussete. Na última quarta-feira, dia 19 as atrações foram: Jair e Forró Melado, Farra das Boas e Forró Legal.

 

TALENTO POTIGUAR - Amanhã, às 11:15 é dia de Talento Potiguar, pela REDETV! RN. Mais uma vez estarei dividindo o comando com minha filha Luiza Tavares. Domingo, tem reapresentação a partir das 10:10. 

31 de Outubro de 2014 às 13h05

UM MOMENTO ESPECIAL

Não há como negar que estou vivendo um momento especial na minha vida. Por proposição do vereador Júnior Grafith, fui homenageado nesta semana, às 18:30 horas, na  Câmara Municipal de Natal, pelos meus 45 anos de vida artística, quando também foi comemorado o Dia da Música.

A Música sempre esteve presente na minha vida: desde quando, sentado no colo do meu avô Paulino eu ouvia as cantorias de Patativa e Chico Traíra, passando pelos shows infantis promovidos pelo Colégio Nossa Senhora do Carmo em Nova Cruz e, já adolescente, no Ginásio Nestor Marinho também naquela cidade; pelas serenatas feitas para as namoradas na adolescência e pelo palco do Comercial Atlético Clube, também em Nova Cruz, onde cantei pela primeira vez em público aos 11 anos de idade, em agosto de 1963. Depois, passei pela Sabatina da Alegria em Natal, até estrear profissionalmente como crooner nos Apaches, de João de Orestes, no dia 29 de maio  de 1969, cantando a música Férias na Índia, num cabaré chamado Zeni Drink's, que ficava escondido em um local qualquer no  bairro de Morro Branco, que naquela época ainda tinha muito verde e era quase desabitado. 

Eu tinha apenas 17 anos. Andando de ônibus e estudando em escola pública (eu fazia o curso Clássico no Instituto Padre Miguelinho, apenas porque detestava Matemática)  eu tentava enganar a mim mesmo, dizendo que iria fazer o vestibular de Direito, quando tudo o que eu queria era ser cantor, embora minha mãe quisesse me ver médico.  

Agora, depois de 45 anos dedicados à Música, uma certeza toma conta de mim: todos os amigos que conquistei ao longo desta caminhada não caberiam no plenário da Câmara Municipal de Natal. Mas uma coisa posso afirmar, sem medo de errar:  no meu coração sempre haverá espaço não só para todos os amigos que conquistei, como também para aqueles que a vida ainda vai me dar de presente. E hoje, mais do que nunca, percebo que cada homenagem recebida é como se fosse um pedido para eu continuar na estrada, exercendo minha profissão de artista, e lutando em defesa da nossa arte, da nossa cultura e dos nossos talentos. Por isto,  agradeço imensamente ao meu amigo, vereador Júnior Grafith, propositor desta sessão solene pelo Dia da Música e pelos meus 45 anos de vida artística. Para ele e para todos aqueles que contribuíram para que eu chegasse até aqui, deixo meu agradecimento e o compromisso de seguir em frente, pois ainda existe um longo caminho a percorrer.

 

 

PLENÁRIA - Segunda-feira passada, o Fórum Potiguar de Música realizou no IFRN, uma plenária para discutir os caminhos da Cultura potiguar durante a gestão do Governo Robinson Faria, que se iniciará no próximo dia primeiro de Janeiro. Na ocasião foi discutida a possibilidade de o Fórum indicar uma listra tríplice para ocupar a Secretaria Estadual de Cultura, com nomes para serem submetidos à apreciação do Governador. Espero que os interesses da classe artística prevaleçam sobre os interesses meramente políticos.

 

SHOW - Hoje estarei realizando um show com o grupo Talismã, na Feira de Arte e Antiguidades de Petrópolis, na Praça das Flores, a partir das 19 horas. O evento é um projeto da ONG OPDS (Organização Para o Desenvolvimento Sustentável), que tem à frente Maria das Graças Queiroga e conta com o patrocínio da Lei Municipal Djalma Maranhão de Incentivo à Cultura.

 

PRÊMIO HANGAR - O produtor cultural Marcelo Veni, idealizador do Prêmio Hangar de Música, trabalha com sua equipe na elaboração da edição deste ano, que terá como tema central os programas de auditório. Serei um dos homenageados juntamente com meu amigo Gilliard. A entrega do Pêmio Hangar ocorrerá no dia 19 de novembro no Teatro Riachuelo.

 

TALENTO POTIGUAR - Amanhã é dia de Talento Potiguar, na Rede TV! RN, a partir das 11:15, com reapresentação domingo, às 10:10, ainda sob o comando da minha filha Luiza Tavares. O programa, patrocinado pela Lei Djalma Maranhão, tem como meta principal descobrir talentos e valorizar nossa arte.

 

PEGOU MAL - Nesta semana as redes sociais divulgaram amplamente uma postagem na página do Facebook da vereadora professora Eleika, onde havia um mapa do Brasil dividindo o pais em dois: um "país" (Brasil) e um "país" vermelho (Nova Cuba). Além de colocar as regiões mais pobres do país no trecho em vermelho - onde supostamente seria localizada uma nova Ilha Castrista - o mapa sugeria a implosão do estado de Minas Gerais (terra do candidato derrotado Aécio Neves), que seria transformado no lado. Não pegou bem para a imagem da vereadora.

 

 

 

24 de Outubro de 2014 às 12h16

PROJETOS CULTURAIS

Ao longo dos últimos 12 anos, tenho desenvolvido vários projetos que contribuem para o fortalecimento da cena artístico-cultural do nosso estado, particularmente de Natal,dos quais o que mais alcançou visibilidade foi  o Talento Potiguar/Show das Comunidades,  que desde 2005 conta com o patrocínio da Lei Djalma Maranhão. A partir de 2008 o projeto ganhou mais abrangência e amplitude com a criação do programa de TV semanal Talento Potiguar e da revistado mesmo nome, com circulação semestral e distribuição gratuita, que agora se transformou no guia cultural Talento Potiguar.

Eu sempre soube que, como diz o ditado popular, "uma andorinha só não faz verão", e embora não possa negar que os projetos por mim idealizados representem uma importante contribuição ao movimento artístico e cultural da nossa cidade, não são suficientes para transformar a nossa cena cultural do dia para a noite. Por isto, sempre alimentei a esperança de que, com o passar do tempo, com o avanço das políticas culturais e com a ampliação das leis de incentivo surgiriam projetos culturais objetivando a valorização da nossa arte em diversos segmentos. 

Para minha alegria, tenho percebido que em Natal, nos últimos 10 anos nasceram projetos culturais idealizados por produtores, artistas, entidades culturais ou até mesmo por empresas que, beneficiando-se da renúncia fiscal proporcionada pelas leis de incentivo, criaram e executaram projetos nas áreas da Música, Teatro, Cinema Audiovisual,Literatura, etc. Além das leis de incentivo, também  surgiram os editais, a criação dos Pontos de Cultura e outros mecanismos que permitiram a criação de vários projetos culturais em todo o Brasil. 

No nosso estado, através do trabalho obstinado de alguns músicos, produtores e entidades, foram surgindo, nos últimos anos, projetos culturais de suma importância. Alguns destes projetos se solidificaram e foram ampliados, outros apenas sobrevivem e muitos ficaram no meio do caminhopor falta de apoio. Mas o mais importante é que, com o passar do tempo, tem aumentado cada vez mais o número de projetos culturais alternativos, fundamentais para a preservação da nossa memória cultural e para a valorização da nossa arte.

 

 

 

Som o comando do incansável poeta Erivaldo Leite de Lima, o Abaeté, a Casa do Cordel está funcionando em novo endereço:embora continue na Rua Vigário Bartolomeu, mudou-se para o nº 605, próximo ao local onde funcionou o Supermercado São Cristóvão. 

 

A revista Forró RN, única no gênero no nosso estado, com circulação bimensal, publica matérias com cantores, bandas e anúncios do segmento do Forró. Com circulação no Rio Grande do Norte e em vários estados brasileiros, a revista, que traz reportagens com artistas potiguares e também de renome nacional, está circulando no sua 4ª edição e marcou presença na Festa do Boi 2014.

 

Pelo segundo ano consecutivo o projeto Palco Potiguar marcou presença e foi sucesso na Festa do Boi. Idealizado pelo músico Itanildo Medeiros - Itanildo Show - o projeto, que tem o patrocínio da Lei Câmara Cascudo, abriu espaço para vários artistas locais se apresentarem e mostrar seu talento. A iniciativa de Itanildo merece aplausos

 

Neste domingo será escrito o último capítulo das eleições presidenciais deste ano. Milhões de brasileiros irão às urnas e na segunda-feira próxima já se saberá quem será o mandatário da nação pelos próximos quatro anos. Vamos torcer para que o país eleja a pessoa certa.

 

Amanhã, pela Rede TV! RN, é dia de Talento Potiguar, às 11:15 da manhã, com reapresentação domingo, às 10:15, sob o comando de Luiza Tavares, que tem dado um show de comunicação e vem agradando a todo o público. Em novembro estarei de volta ao programa, com muitas novidades. 

17 de Outubro de 2014 às 11h12

VOLTANDO

Depois de uma ausência de dois meses, em virtude do cumprimento da legislação eleitoral, estou voltando com a nossa Conversa Afinada, aqui no Jornal Metropolitano.

Inegavelmente, embora aparentemente Arte não tenha nada a ver com Política, saio desta campanha convicto de que é exatamente por existir este conceito errôneo que os políticos não colocam a Arte como prioridade nas suas propostas. Falando apenas como observador da cena, posso afirmar que, ao longo da campanha política não vi um só candidato fazer propostas CONCRETAS sobre Arte e Cultura. Muitos deles falaram de modo genérico sobre estes dois temas, mas a grande maioria usou o horário eleitoral para prometer soluções para os problemas que mais afligem a sociedade:Segurança, Educação, Saúde e Transportes. Obviamente, nenhum deles - principalmente os concorrentes a cargos legislativos - terá condições de resolver os problemas existentes nestas quatro áreas, cuja solução depende muito mais de políticas públicas de médio e longo prazo, do que de meras promessas em trinta segundos de propaganda eleitoral.

A ausência de propostas nas áreas da Arte e da Cultura deve-se ao fato de que grande parte dos políticos, além de não conhecerem a fundo as consequências negativas que a falta de políticas públicas nestas duas áreas trazem para a sociedade, consideram os temas em questão como algo elitizado, privilégio de uma minoria privilegiada da população. Entretanto se fossem mais esclarecidos ou se, pelo menos tivessem mais sensibilidade, veriam que Arte e Cultura não são apenas dois temas de interesse de uma minoria intelectual: são também instrumentos de promoção social e também um antídoto poderoso contra influências maléficas para jovens e adolescentes, particularmente aqueles que vivem em bolsões de pobreza.

Da minha parte continuarei não só minha luta incansável na defesa da Arte e da Cultura como instrumento de promoção social, como também usarei todos os espaços disponíveis possíveis - nos meus shows, no programa Talento Potiguar, nas redes sociais e nesta coluna - para combater o tratamento desrespeitoso que nossas autoridades dão aos nossos artistas populares e para incentivar a valorização dos nossos talentos. Mais do que fazer apenas política cultural, colocarei a minha condição de homem público como instrumento de defesa dos interesses da nossa Arte, da nossa Cultura e dos artistas do nosso Estado.

 

 

- Nestas eleições pelo menos uma justiça foi feita: em Natal, com a rleição do vereador Jacó Jácome para Deputado Estadual, o Doutor Joanilson Rego vai assumir uma cadeira na Câmara Municipal, coisa que, ao meu ver,  já deveria ter acontecido há muito tempo. Como afirmou um jornalista, a ida do Doutor Joanilson para a CMN, foi "um presente de Natal para Natal." Concordo plenamente.

 

- semana passada, o Mercado de Petrópolis realizou uma feira de vinil, onde centenas de LP's, discos 78 Rotações e compactos simples (entre estes algumas raridades) foram colocados à venda. Se tivesse havido mais divulgação, com certeza a feira teria atraído um público maior.

 

- A cada dia que se passa, o sebo Balakaika, na Rua Vigário Bartolomeu se consolida como um espaço multicultural onde se encontram poetas, escritores, artistas plásticos, intelectuais e músicos dos mais diversos estilos para trocar ideias, bater papo e  "dar canjas",  sempre aos sábados, a partir das 11 horas da manhã.

 

- No próximo dia 30, a Câmara Municipal de Natal estará realizando uma sessão solene em homenagem ao Dia do Músico. Por proposição do vereador Júnior Grafith, estarei sendo homenageado pelos meus 45 anos de carreira. Fico honrado e grato a Júnior pela lembrança.

 

- A Festa do Boi termina neste final de semana com a seguinte programação de shows: hoje JORGE & MATEUS, GABRIEL DINIZ, MATEUS & KAUAN e BONDE DO BRASIL. Amanhã: BELL MARQUES, RAÇA NEGRA, FORRÓ DA PEGAÇÃO e SWELLEN PIMENTEL. 

20 de Junho de 2014 às 13h01

DAQUI A TRINTA ANOS...

Passei quatro dias em Mossoró. Fui na quarta, dia 11 e voltei no domingo, dia 15. Andei pelo centro da cidade, visitei alguns sebos, mas, por causa do corre-corre da Copa do Mundo, não tive tempo de fazer uma das coisas que mais gosto: visitar as emissoras de Rádio AM. Mas ouvi Rádio. E, para surpresa minha, acordei, na manhã de quinta-feira feira, ao som de Garotinha, numa FM local. Pra mim foi sintomático, ouvir em pleno período do Mossoró, Cidade Junina, o meu maior sucesso, uma música que, neste mês de setembro próximo vai fazer trinta anos que foi gravada pela primeira vez. Embora eu saiba que o simples fato de ouvir uma música minha tocando numa  FM não é motivo para escrever um artigo, acho que vale o registro, pois se uma música gravada a três décadas ainda é executada em uma FM, não deixa de ser algo digno de registro.

Faço parte da geração brega dos anos oitenta. Naquele período, onde nasceram grandes bandas de rock no cenário nacional, uma onda surgiu no Pará misturando elementos latinos com a sonoridade da guiana francesa e com o ritmo do carimbó paraense. Com uma fórmula simples - melodia sem dissonantes, letras que falavam de amor e os arranjos dando destaque ao teclado nas introduções - aquele tipo de música que ficou conhecido como lambada tomou conta do Norte, Nordeste e várias regiões do Brasil. Hoje, três décadas depois, tanto o rock brasileiro como a lambada paraense deram lugar a outros ritmos e a outros estilos musicais. E o que é mais interessante: a Música em si mesma deixou de ser o principal atrativo: no seu lugar surgiram "atrativos mais importantes": megas estruturas, belas dançarinas, e... músicas pobres de conteúdo. Embora na cena musical atual existam exceções à regra, onde bons compositores colocam nas suas obras algum resquício de musicalidade nordestina - como é o caso de Dorgival Dantas, alguns compositores pernambucanos,  cearenses e os potiguares Raniere Mazzile, Cabeção do Forró e Zé Hilton - a grande maioria do que é produzido hoje no mercado da Música, notadamente no chamado Forró Estilizado, é de uma pobreza gritante na melodia e na letra, com um agravante: muitas vezes a poesia é substituída por versos ofensivos à figura feminina.

Não sou saudosista, não tenho nem um pingo de inveja dos novos astros da Música regional  e respeito todos os estilos, pois, afinal de contas, a banalização dos costumes é uma consequência do avanço da tecnologia e da competição no mundo dos negócios. Mas de uma coisa tenho certeza: pouquíssimas - ou nenhuma - das músicas que fazem sucesso (fabricado) hoje, serão ouvidas ou lembradas daqui a trinta anos. 


 


ASSOCIAÇÃO CULTURAL DO BOM PASTOR - A  Associação Cultural do Bom Pastor é um bom exemplo de como é possível fazer um trabalho sério de preservação das nossas tradições culturais aliada a um trabalho de apoio social a idosos, que tem naquela entidade uma oportunidade de participar ativamente de eventos artísticos e momentos de lazer.


SERESTAS AO LUAR - O projeto Serestas Ao Luar, que une vários nomes da nossa Música em um cortejo que percorre as principais ruas do centro de Natal, terminando na calçada do Café São Luis, na Cidade Alta merece não só elogios por parte de todos, como também a atenção da imprensa e do Poder Público. É mais um exemplo de como recursos públicos podem ser utilizados par fomentar a criatividade, resgatando tradições e gerando trabalho para nossos artistas.


PIADA - Há alguns dias, fui buscar minha filha caçula, Luanda, de 14 anos no seu curso de Inglês. Como sempre acontece, algumas pessoas me abordaram para falar do meu programa Talento Potiguar e na saída do curso, quando eu me preparava para entrar no meu carro, um jovem me chamou pelo nome e me perguntou, sorrindo: "Vai participar da FAN FEST?" Só tive uma resposta - a única - para lhe dar; "Boa piada, amigo".


MARLENE - A morte de Marlene, na semana passada, aos 92 anos de idade, põe fim, em definitivo ao simbolismo de uma época em que a "rivalidade" entre dois ícones da Música - Marlene e Emilinha Borba - servia para aquecer o mercado do disco e promover a carreira dos rivais.


 

13 de Junho de 2014 às 12h11

GENTE HUMILDE

A copa do Mundo está rolando. O Brasil será hexa?  Por mais que torçamos, não sabemos. Haverá protestos? Com certeza, sim. Haverá um legado? Como desejávamos, não. As pessoas vão torcer pelo Brasil? Sem dúvida nenhuma, sim. Pessoalmente acredito que até aqueles que são contra a Copa, não deixarão de estar ao lado da nossa seleção e desejar o melhor para ela; afinal de contas, os que são contra a Copa do Mundo e protestam nas ruas contra sua realização, fazem isto por patriotismo. E será exatamente  este patriotismo que, embora os incentivem a protestar, também fará com que, na hora em que nossa seleção entrar em campo, estejam torcendo pela sua vitória.

As bandeiras tremulam nas janelas dos edifícios, nos carros que circulam pelas tuas e muitas pessoas se vestem de verde. A cidade de Natal - como tantas outras pelo Brasil afora - está enfeitada de verde e amarelo. Mas é nas ruas dos bairros populosos onde as bandeirolas tremulam amarradas aos postes, e muitas ruas parecem um tapete colorido com a bandeira brasileira desenhada no asfalto. Pelas comunidades onde tenho andado, tenho visto ruas inteiras com cordões verde e amarelo espalhados de um lado ao outro, dando aos bairros um colorido especial e fazendo crescer dentro de cada um de nós um sentimento nacionalista que impregna nossas mentes e corações. Sentimento este que  faz cada vez mais com que todos os brasileiros, (até mesmo aqueles que sequer sabem que um dia existiu alguém chamado Nelson Rodrigues) sintam que durante esta Copa, o Brasil é, inevitavelmente,  a Pátria de chuteiras.

E é exatamente a camada mais humilde dos brasileiros, aquela fatia mais pobre da nossa população, sem Segurança, Transporte, Saúde e Educação que, alheia a tudo o que não diga respeito à conquista do hexa, torce, enche as ruas e vielas de verde e amarelo e coloca o coração acima da razão, torcendo pela vitória da nossa seleção. É essa gente humilde, que muitas vezes, vítima de políticos inescrupulosos, colocam no Poder exatamente pessoas que, por conta de interesses econômicos, se tornam responsáveis por todas as mazelas que atingem exatamente aquelas pessoas que os elegeram. Mas vou confessar uma coisa: nesta Copa, estou ao lado deste gente humilde: colocarei minha mente e meu coração a serviço da Seleção. Vou torcer pela vitória dos nossos jogadores e fazer o que acho mais sensato: ao invés de protestar nas ruas e contribuir para arranhar a imagem do Brasil que tanto amo, protestarei no dia da eleição, quando darei através do meu voto livre, a minha contribuição para que este país saia  das garras dos políticos corruptos. Mas por enquanto, repito:  não só estarei ao lado da gente humilde que coloca o patriotismo acima de tudo, como também deixarei aqui, no lugar das minhas notícias semanais sobre arte e cultura, a letra da canção Gente Humilde, escrita pelo genial músico Garoto nos anos 30 e musicada por Toquinho e Vinícius de Moras.

 

Tem certos dias em que eu penso em minha gente e sinto assim todo o meu peito se apertar 

Porque parece que acontece de repente, como um desejo de eu viver sem me notar

Igual a como quando eu passo no subúrbio, eu muito bem vindo de trem de algum lugar

E aí me dá como uma inveja dessa gente que vai em frente, sem nem ter com quem contar

São casas simples com cadeiras na calçada e na fachada escrito em cima que é um lar

Pela varanda flores tristes e baldias, como a alegria que não tem onde encostar

E aí me dá uma tristeza no meu peito, feito um despeito de eu não ter como lutar

E eu que não creio peço a Deus por minha gente é gente humilde, que vontade de chorar

 

BOA SORTE BRASIL! 

 

25 de Abril de 2014 às 11h48

EU (TAMBÉM) TENHO UM SONHO* (II)

Eu tenho um sonho de que amanhã - e que não demore - o cheiro da pobreza e o odor fétido oriundo da sujeira espalhada pelas ruas dos bairros afastados não sejam obstáculos ao exercício da cidadania e muto menos ao florescer do direito à liberdade de expressão manifestada através da arte dos seus moradores.

Eu tenho um sonho de que os filhos daqueles que nasceram talentosos, mas pobres, um dia viverão numa terra que lhes dará um tratamento mais digno do que o tratamento que deram aos seus pais. 

Eu tenho um sonho de que um dia - e que não demore - a prepotência de alguns privilegiados  caia por terra e junto com ela caia também a descriminação que eles têm com relação a muitos dos seus próprios colegas, só pelo fato de eles serem artistas humildes.

 Eu tenho um sonho de que, com a morte da prepotência dos presunçosos, também morra junto sua influência nefasta e que no seu lugar nasça um fio de esperança para os seus colegas que sofrem a dor da descriminação e a humilhação do esquecimento.

Eu tenho um sonho de que junto com o nascimento deste fio de esperança, também surjam os acordes de uma sinfonia de fraternidade que será cantada por todos os artistas,  exaltando o respeito mútuo e o dever de cada um reconhecer o direito do outro, e de que todos aqueles que tenham valor sejam reconhecidos.

Mais do que um sonho, eu tenho uma esperança: a de que os nomes Cornélio Campina, Djalma Maranhão, Deífilo Gurgel de Câmara Cascudo, Dona Militana, Chico Daniel,  Manoel Marinheiro, e tantos outros não sejam pronunciados em vão, nem que suas memórias se apaguem das memórias das novas gerações por falta de um trabalho permanente para preservar a herança cultural  que eles  nos deixaram.

Mais do que um sonho e do que uma esperança, eu tenho a fé de que um dia - e que não demore  -  tenha fim o descaso para com os talentos humildes das comunidades esquecidas. 

 

 

TITINA MEDEIROS - Não a conheço pessoalmente, nunca nos encontramos e creio que, como se dizia antigamente no sul do país, ela "nunca me viu mais gordo", ou seja: também não me conhece. Mas sou fã dela, pelo seu talento e por sua personalidade, ao optar por continuar aqui, mesmo depois do seu sucesso como Socorro, numa novela da TV Globo. Agora  Titina está escalada para atuar na próxima novela das 7 da TV Globo, cuja estreia está prevista para  dia 3 de maio. Será ambientada no Recife Antigo.

 

DUVIDO  -  Flor do Caribe, supostamente ambientada aqui no Rio Grande do Norte, foi amplamente anunciada como algo que traria visibilidade ao nosso estado e dividendos na área do turismo. Nada disto aconteceu. Duvido que o mesmo ocorra em Recife.

 

FORRÓ MEIRÃO - Depois de mais de 10 anos na estrada, já tendo representado o Brasil em seis oportunidades na Europa, o grupo Meirinhos do Forró, está dando início a uma nova fase. Mesmo mantendo no repertório clássicos do Pé-de-Serra nordestino, o trio modernizou  o visual, incluiu nas apresentações músicas atuais e passou a se chamar Forró Meirão.

 

DIA DO TRABALHO - A Força Sindical do Rio Grande do Norte se prepara para realizar em Natal, uma das maiores festas em comemoração ao Dia do Trabalho, com um grande show que se realizará no largo da antiga Rodoviária da Ribeira. O evento, que começará às 09 horas do próximo dia primeiro, contará com shows de Fernando Luiz, Messias Paraguai, Carlos Alexandre Júnior e Forró Rodado. Além de vários prêmios, será sorteado um HB20 entre os trabalhadores filiados aos sindicatos ligados à Força Sindical.

 

TALENTO POTIGUAR - Neste fim de semana, o programa Talento Potiguar terá como convidada especial, a banda Plutão Já Foi Planeta, a mais grata revelação do Rock potiguar. Também estará no programa Paulinho dos Teclados, mostrando músicas do seu novo DVD. É no sábado às 11:15, com reapresentação domingo, às10:10.  Na Rede TV! RN, canal 17 - sinal aberto e 21 - Cabo TV.

 

17 de Abril de 2014 às 12h33

EU (TAMBÉM) TENHO UM SONHO* (I)

Tenho consciência de que sozinho ninguém chega a lugar nenhum. E sabedor disto, não posso negar que tenho recebido ajuda de muitas pessoas que apoiam o meu trabalho. Como também não posso negar que, de vez em quando, encontro no caminho alguém que procura de um modo ou de outro, dificultar a minha luta. Mas três coisas me fazem prosseguir: 1) o número dos que ajudam é infinitamente superior ao dos que tentam atrapalhar; 2) sempre agi pensando no bem comum. 3) nunca perdi a capacidade de lutar para transformar meus sonhos em realidade. 

Ainda adolescente li o discurso de Martin Luther King, I Have a dream, e descobri ali verdades tão profundas, que seu conteúdo pode ser adaptado para qualquer situação, em qualquer época. E ainda hoje as palavras do pacifista negro americano me inspiram ao ponto de, sem medo de errar, eu ter adaptado suas palavras à realidade - triste realidade - dos nossos artistas talentosos e esquecidos, adaptação esta que li durante uma audiência pública realizada na Câmara Municipal de Natal.

É desejando que os obstáculos cada vez maiores para a continuação do projeto Talento Potiguar/Show das Comunidades não consigam detê-lo, que deixo aqui registrado o meu desejo maior: o de que os sonhos dos artistas de pés descalços, verdadeiros representantes da arte e da cultura, não morram no nascedouro:

Hoje eu afirmo e reafirmarei sempre: eu ainda tenho um sonho enraizado no sonho dos artistas humildes da minha terra.

Eu tenho um sonho: o de que um dia Natal e o Rio Grande do Norte despertarão para o respeito aos seus valores culturais e, ao deslumbrar esta verdade, darão a todos os seus artistas um tratamento respeitoso, independente de cor, raça e classe social.

Eu tenho um sonho: o de que um dia - e que não demore - nas ruas mal iluminadas e sujas de bairros afastados, brilhará uma luz para clarear  a estrada dos talentos esquecidos e permitir a estes seguirem o rumo certo na busca da conquista dos seus ideais.

 

*Inspirado no discurso I Have a Dream, feito pelo pastor e ativista político norte-americano Martin Luther King, no dia 28 de agosto de 1963, nos degraus do Lincoln Memorial, em Washingto, D.C., como parte da da Marcha de Washington por Empregos e Liberdade, no qual ele combatia o racismo e falava da necessidade de união e coexistência harmoniosa entre negros e brancos no futuro. 


 



ANTENADOS - Programado inicialmente para estrear no dia 14, o programa Antenados, que será apresentado de segunda à sexta-feira por Luiza Tavares na TV Metropolitano - Canais 30 e 130 da Cabo TV - teve sua estreia adiada para o dia 21, segunda-feira próxima.

 

ANDAR - Já está em fase de implantação a nova estrutura da ANDAR - Associação Norte-Riograndense de Arte,Cultura, Assistência Social e Desenvolvimento Sustentável, na  Rua Padre Antônio, em Lagoa Seca.

 

CANTO DA LIRA - O programa apresentado por Lucinha Lira na Rede TV! RN continua dando apoio aos artistas potiguares. Neste fim de semana, estarei participando do programa, mostrando algumas das minhas músicas que foram sucesso.

 

NOVA IMAGEM - Em nova fase da sua carreira, o grupo de forró Meirinhos do Forró se prepara para gravar seu novo CD, agora com nova denominação: Forró Meirão. Por várias vezes o grupo representou o Rio Grande do Norte na Europa.

 

TALENTO POTIGUAR - Amanhã é dia de Talento Potiguar, na Rede TV!RN, Canal 17 (Sinal Aberto) e 21 (Cabo TV), às 11:15, com reapresentação no domingo, às 10:10.

 


 

11 de Abril de 2014 às 11h33

SUGESTÕES AO PREFEITO DE NATAL, CARLOS EDUARDO (III)

Encerramos aqui a publicação do conteúdo do documento entregue ao então candidato a prefeito Carlos Eduardo, com sugestões para a implantação de uma política cultural em Natal.

 

07. INCLUSÃO DE ARTISTAS DE RENOME LOCAL EM EVENTOS OFICIAIS

Tem-se observado que grande parte dos profissionais conhecidos, veteranos e experientes da nossa cidade ficam não participam de eventos oficiais, enquanto muitas vezes artistas de fora são privilegiados, o que é uma falta de respeito para com nomes tradicionais da nossa Música.

 

08. DISPARIDADE DE CACHÊS ENTRE ARTISTAS LOCAIS

Muitas vezes grandes nomes da nossa arte se veem relegados ao esquecimento, ou são obrigados, por uma questão de sobrevivência, a participar de eventos com baixa remuneração financeira, quando deveriam participar das programações oficiais, recebendo um cachê justo. 

 

09. VALORIZAÇÃO DE MÚSICOS DE FORMAÇÃO ERUDITA

Falta uma política de valorização de músicos de formação erudita que, por não terem um perfil popular, muitas vezes ficam de fora de eventos promovidos pelo poder público. Faz-se necessário a criação de projetos permanentes que remunerem bem a estes profissionais e os popularizem.

 

10. MELHORES CACHÊS PARA NOSSOS ARTISTOS EM EVENTOS  DA PREFEITURA

Nos eventos em que sejam contratados artistas de renome nacional os artistas locais precisam receber cachês menos desproporcionais em relação ao que se paga aos artistas de fora.

 

11. MAIOR DIVULGAÇÃO DOS NOSSOS ARTISTAS EM EVENTOS PÚBLICOS

Nos eventos com artistas de renome nacional que contem com a participação de artistas locais, deve-se dar a estes últimos o mesmo destaque na mídia que é dado ao artista de fora pois, ao minimizar a divulgação dos nomes dos nossos artistas em detrimento de um grande destaque ao artista nacional, o poder público está contribuindo para o enfraquecimento da imagem de artistas de outros estados e enfraquecendo o nome e a imagem nossos artistas.

 

12. DESCENTRALIZAÇÃO DE AÇÕES NA ÁREA CULTURAL

Realizar anualmente, em espaços públicos distribuídos nas quatro Regiões Administrativas de Natal, eventos segmentados (exemplos: Festival do Samba, Festival da Seresta, Festival do Folclore, Festival de Orquestras e Bandas Tradicionais, etc.) e festivais multiculturais com apresentações de cantores, instrumentistas, bandas, grupos folclóricos, artistas regionais, artistas circenses, grupos de dança de rua, cordelistas, humoristas e outros atores da cena cultural das nossas comunidades, com remuneração justa para os artistas participantes. 

 

 


CULTURA E LUZ - Continua, na Pinacoteca do Estado, até o dia 3 de maio, a exposição coletiva Cultura e Luz, com trabalhos de estudantes de artes visuais que são alunos de escolas da rede pública. O projeto foi idealizado pelo produtor cultural Yuri Dantas. Uma boa ideia, que, com certeza, além de permitir a descoberta de novos talentos, é um incentivo à criatividade. 

 

SÁBADO DE RAMOS - O sarau a céu aberto que visa homenagear poetas potiguares no último sábado de cada mês, já prepara sua edição do próximo dia 26. O evento acontece sempre no período da tarde, na Rua Vigário Bartolomeu, no centro histórico, conta com a presença de poetas, músicos, intelectuais, artistas plásticos, jornalistas e é aberto ao público. O nome do evento é uma homenagem ao produtor cultural Severino Ramos, do sebo Balalaika, um dos seus idealizadores.

 

ANTENADOS - A TV Metropolitano, de Parnamirim, afiliada à Rede Brasil, e que está em fase de expansão, já tendo chegado a Mossoró, vai apresentar mais uma novidade aos seus telespectadores: no próximo dia 14, estreia o programa Antenados, que irá ao ar de segunda à sexta-feira, às 14 horas e que terá a apresentação de Luiza Tavares.

 

GRAFFITI EXPO NATAL - Hoje é o último dia para conhecer a segunda exposição do Graffiti Expo Natal, na galeria Newton Navarro,  na Fundação Capitania das Artes. A exposição, que se realiza pelo segundo ano consecutivo, mostra trabalhos de 20 artistas e conta com criações livres, onde foram utilizados sprays, tintas, estêncil e outros itens que são ligados a este tipo de arte. O horário de visitação é das 09 às 16 horas.  

 

ANDAR - A Associação Norteriograndense de Arte, Cultura, Assistência Social e Desenvolvimento Sustentável está em plena fase de expansão, associando novos membros.  A entidade, que foi criada em 2002 e tem apoiado projetos como o Show das Comunidades, Futuro Feliz, Talento Solidário, programa Talento Potiguar e Sementes do Amanhã, está aberta a músicos, atores, dançarinos, folcloristas, artistas circences, produtores culturais, artistas plásticos e profissionais que atuem na área do entretenimento, da arte e da cultura. Informações pelos telefones 8801 9041 e 9198 7410.

 

28 de Março de 2014 às 12h15

12 SUGESTÕES AO PREFEITO DE NATAL, CARLOS EDUARDO (I)

No dia 14 de setembro de 2012, convidado por Dácio Galvão, participei de uma reunião entre o então candidato a prefeito de Natal, Carlos Eduardo e artistas dos mais vários segmentos ligado à arte e à cultura (Teatro, Artes Plásticas, Cinema, Folclore, Música, Dança, etc.), com o objetivo de discutir com o candidato a inclusão, no seu programa de governo, de ações em favor da nossa arte e da nossa cultura. Fui o único a levar um documento contendo 12 sugestões para a implantação de uma política cultural em Natal e entregá-lo oficialmente ao candidato em nome da ANDAR, entidade que presido.  

Motivado pelas ações desenvolvidas pela Prefeitura de Natal, através da FUNCARTE no Carnaval Multicultural da nossa capital este ano e acreditando que, na atual gestão muita coisaainda vai ser feita pela arte e pela cultura da nossa cidade, resolvi tornar público, através deste espaço, o conteúdo daquele documento entregue ao então candidato Carlos Eduardo, pois, como os amigos leitores poderão observar, as sugestões nele contidas são exequíveis e o aproveitamento de pelo menos algumas delas poderá contribuir em muito para o fortalecimento da cena cultural da nossa capital. Exponho aqui a primeira das sugestões contidas no documento; as demais ficam para as colunas das próximas edições.

 

SUGESTÕES PARA A IMPLANTAÇÃO DE UMA CULTURA CULTURAL EM NATAL

1. FIM DA BUROCRACIA PARA PAGAMENTO DE CACHÊS AARTISTAS LOCAIS

Embora os cachês pagos aos profissionais da Música para a realização de shows estejam condicionados às leis do mercado do entretenimento, cujas regras são flexíveis e variáveis, pois sempre dependem de negociação direta, defendemos que, nos casos de shows e apresentações de artistas locais em eventos públicos, seja dado a estes o mesmo tratamento que se dá ao artista de fora, pois não é justo que o artista local tenha que enfrentar uma enorme burocracia, através da apresentação de documentação para posterior empenho, num processo que demora dias, semanas e até meses para receber o pagamento dos serviços prestados, quando o artista nacional, livre de todos os entraves burocráticos, tem sempre garantido o pagamento antecipado de 50% do seu cachê na hora em que assina o seu contrato, e os demais 50% antes do início da sua apresentação. É necessário - e justo  -  que o mesmo sistema utilizado para pagar os cachês aos artistas de fora se aplique  aos artistas locais, ou seja: cachê definido através de negociação direta, (sempre obedecendo às leis do mercado local), com o pagamento de 50% no ato da assinatura do contrato e 50% no dia da prestação do serviço. 

 

 

 

 


ANDAR - A Associação Cultural ANDAR está iniciando um trabalho para aumentar o seu número de associados. Os músicos, cantores, produtores, dançarinos e artistas de outros segmentos podem se associar. Informações pelos telefones 9983 4321 e 8868 8671.

 

UNIMED NATAL CULTURAL - A Unimed está disponibilizando 320 mil reais por meio de renúncia fiscal para patrocinar projetos culturais através da Lei de Incentivo à Cultura Djalma Maranhão, da prefeitura de Natal. As inscriçõesestão abertas até o dia 31 deste mês. O Regulamento completo e a Ficha de Inscrição estão disponíveis no sitewww.unimednatal.com.br. 

 

TALENTO POTIGUAR - Domingo passado, o cantor Leno, natalense que fez parte da dupla Leno e Lilian durante a Jovem Guarda e que depois alcançou grande sucesso na carreira solo com músicas como A Pobreza e A Festa Dos 15 Anos, participou no fim de semana passado do programa Talento Potiguar. Além de relembrar seus grandes sucessos, Leno reclamou muito da falta de apoio dos órgãos culturais aos artistas locais, da qual ele também afirma ser vítima. 

 

TALENTO POTIGUAR II - Neste fim de semana, o programa Talento Potiguar apresenta um programa especial com Zezo, o mais popular cantor potiguar na atualidade.  Além de cantar, Zezo falar da sua carreira, seu sucesso no Teatro Riachuelo e contar um pouco da sua história, num depoimento que emociona. Vale a pena conferir:o Talento Potiguar vai ao ar pela Rede TV! RN, sábado às 11:15, com reapresentação aos domingos, às 10:10.

 

TV METROPOLITANO EM MOSSORÓ - A TV Metropolitano dá mais um passo no seu plano de expansão: desde o dia 21 o sinal de emissora chegou a Mossoró, onde sua programação está sendo transmitida pela TCM, canal 25.

 

14 de Março de 2014 às 11h47

POLITICO NÃO GOSTA DE CULTURA; POLÍTICO GOSTA DE ARTISTAS

Existem certos políticos que, nos anos pares,  "AMAM" os artistas populares; nos anos ímpares FOGEM (LITERALMENTE) desses e passam a "AMAR"  pessoas  humildes, pobres, ignorantes, necessitadas, desempregadas, pois elas são um instrumento importante na troca de favores. E se existe uma classe que não troca voto por nenhum favor, é a classe dos artistas (dos verdadeiros artistas populares e não daqueles que se fingem de neutros nas campanhas, para "mamar" nas tetas dos eventos oficiais de todos os governos).

Desde que eu, há 45 anos, iniciei a vida artística, tenho visto, a cada eleição, algo que não mudou em todos estes anos: nos programas de governo e nas plataformas dos partidos políticos, o item Cultura, além ocupar sempre uma posição irrelevante no ranking das prioridades, sempre é encarado como algo de elite, que não interessa às massas, ou que está longe da compreensão do povão, cuja grande maioria está mais interessada em projetos e ações assistenciais ou até mesmo em vantagens pessoais para melhorar as condições de vida.

O que grande parte dos nossos políticos e gestores públicos não percebe - ou não faz questão de não perceber - é que a Cultura, além de ser importância para a preservação da identidade de qualquer povo, também é um instrumento de promoção social, de geração de renda, além de funcionar como mola propulsora para melhorar o IDH - Índice de Desenvolvimento - humano de cidades e regiões carentes, segundo o Ministério da Cultura, e estudos realizados até mesmo pela ONU. Qualquer estado que valorize seu potencial cultural a partir das manifestações artísticas mais populares, sempre estará contribuindo para o fortalecimento da sua economia, do seu turismo e abrindo espaço para o surgimento de novos valores artísticos. Mas esta valorização só ocorre em cidades e estados cujos gestores tenham a coragem de, ao invés de "gostarem" apenas de artistas nos anos pares e de uma , passem a gostar de Cultura - assim mesmo com letra maiúscula - sem descriminar  nenhum tipo de manifestação cultural. A partir da adoção deste modelo, qualquer região terá dado um primeiro passo para a preservação dos seus valores culturais e a melhoria do padrão de vida do seu povo. E é disto que nosso estado está precisando: de mecanismos - ou até de leis que façam com que a valorização do que temos de melhor na arte e nas tradições culturais, se torne em um instrumento de combate às desigualdades sociais, e consequentemente um meio de melhorar a vida de milhares de pessoas, muitas das quais vivem isoladas e esquecidas nos bolsões de pobreza. 


 


REVITALIZAÇÃO - O primeiro passo já foi dado na revitalização do Carnaval de Natal. Apesar de alguns artistas nacionais terem decepcionado por conta dos seus shows de curta direção, e de outros contratempos na organização, a programação feita pela Prefeitura de Natal através da FUNCARTE, com os polos multiculturais, deixou a certeza de que, finalmente, o Carnaval natalense começou a renascer.  

 

QUEQUEISSO??? - Já faz um mês e meio que Renato Fernandes deixou a Secretaria de Turismo e até agora, não foi nomeado seu sucessor. O que significa isto? Em minha modesta opinião, significa que o Governo do Estado não está nem aí para um segmento do qual o nosso estado um dia se orgulhou. E todas aquelas ideias "revolucionárias" e "inovadoras" que iriam fortalecer o nosso Turismo na atual gestão deram em nada. O descaso do atual Governo com o Turismo está causando a revolta de todos os que atuam no segmento, "por causa da perda da competitividade", segundo as palavras de Habib Chalita, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, ABIH/RN.

 

SÓ ATÉ HOJE - A quem interessar possa: termina, às 20 horas de hoje as exposições "Mosaico das Cores: linha e cor" e "Poética dos Contrastes: na escala entre moderno e abstrato". Abertas ao público a partir das 9 horas, as exposições contém obras dos artistas plásticos Wodson Silva e Rauly Araújo.

 

PERGUNTAR NÃO OFENDE - Alguém aí já viu - ou ouviu - algum pretendente a cargo público nas eleições deste ano, nas suas entrevistas falar alguma coisa em benefício dos artistas populares do nosso estado?

 

LEIDE CÂMARA - Justíssima a eleição de Leide Câmara, pesquisadora incansável da nossa Música, para a Academia norte-rio-grandense de Letras. Leide mantém um acervo com inúmeros discos, cd's, partituras, livros e documentos raros sobre músicos, compositores e intérpretes potiguares. Um acervo que nem o poder público tem.

 

 

28 de Fevereiro de 2014 às 13h42

HÁ 40 ANOS E 16 DIAS...

 


Hoje mais uma vez me dei conta do quanto eu sou desligado. Só hoje, me lembrei que no dia 10 de fevereiro do ano de 1974, há exatamente 40 anos e 16 dias, aconteceu um dos fatos mais importantes da minha vida: eu conquistei o título de Calouro Exportação da Buzina do Chacrinha, na TV Tupi. Embora nos dias de hoje isto pareça não ter importância, aquela conquista teve um significado especial, pois eu, então com 22 anos de idade, havia chegado ao Rio dois meses antes, de ônibus, e naquele curto espaço de tempo tinha passado por enormes dificuldades até conquistar o título mais cobiçado por cantores desconhecidos  de todo o Brasil. O prêmio para o vencedor era um contrato com uma gravadora e um carro zero quilômetro. Aquele concurso, guardadas as devidas proporções, hoje equivaleria a um Fama ou The Voice, com uma diferença: nele se inscreviam, durante todo o ano, milhares de candidatos de todo o Brasil, que passavam por um "peneirão". Os melhores eram selecionados semanalmente e a cada domingo era escolhido o melhor da semana, que ganhava uma TV portátil em preto e branco; no último programa de cada mês, era feita a disputa entre os quatro vencedores semanais e o melhor de cada mês estava classificado para a Grande Final, reunindo 12 finalistas, cada um correspondendo a um mês do ano.

Com o passar do tempo, as coisas mudaram, mas ainda hoje, um dos meios mais eficientes para se revelar novos talentos, são os chamados "shows de calouros", que perdeu muito da sua originalidade, porque atualmente, ao invés de se escolher realmente o melhor, se elege o mais votado (que às vezes é realmente o melhor - mas nem sempre), num modelo que privilegia aqueles candidatos que têm mais capacidade de fazer um lobby em torno do seu nome, ou que pertencem a regiões com maior densidade populacional.

Mas existe outra data importante para mim: 29 de maio, quando estará completando exatos 45 anos da minha primeira apresentação como profissional, como crooner do conjunto Apaches, do saudoso João de Orestes. Naquela ocasião eu cantei  Férias na Índia, de Nilton Cezar, num cabaré chamado Zeni Drinks. Esta data, eu não posso esquecer, pois num estado como o nosso, que não respeita seus artistas populares, acontecimentos como estes não chegam ao conhecimento do grande público, principalmente pelo descaso por parte do poder público. Mas desta vez, pelo menos EU vou me lembrar, pois 45 anos não são 45 dias.


 


EXPOSIÇÃO - Continua no Salão Nobre do Teatro Alberto Maranhão e vai até o dia 14 de março, a exposição Retratos, com 35 obras, que conta com 32 quadros e três bustos  de personalidades  do Rio Grande do Norte,  dentre os quais se destacam o advogado e professor universitário Diógenes da Cunha Lima,  a atriz e diretora do Teatro de Cultura Popular, Sônia Santos e a procuradora Anna Maria Cascudo. Os homenageados  foram retratados por vários artistas, entre os quais, Dorian Gray. Informações pelo telefone 3222 2669.


BAHIA E PERNAMBUCO - Na sexta-feira passada, duas entidades culturais que são conhecidas por promover shows e eventos em defesa da nossa cultura  realizaram, na Ribeira, uma prévia carnavalesca em homenagem ao frevo... de Pernambuco, e à música... da Bahia. Pode? Aí, é de lascar.


BAHIA E PERNAMBUCO II  - Não sou contra a música da Bahia e muito menos contra o frevo pernambucano no Carnaval, até mesmo porque não pode haver folia carnavalesca sem a Música destes dois estados; entretanto, ao meu ver, mesmo realizando uma festa homenageando a Música da Bahia e o frevo de Pernambuco, bem que se poderia incluir na programação uma homenagem também à Música potiguar. Por exemplo: porque não homenagear a nossa Música, através dos frevos e das marchas de Dozinho?  Por isto, eu repito: lembrar-se da Bahia e de Pernambuco e se esquecer de Natal, é de lascar, mesmo!


TALENTO POTIGUAR - Neste fim de semana, o programa Talento Potiguar terá uma programação especial de Carnaval, mostrando como foi o Carnaval do Mercado de Petrópolis. A cobertura do evento foi feita pelo Mercado da Foto.


MERCADO DE PETRÓPOLIS - Sucesso total, na quinta-feira feira, dia 19, o carnaval do Mercado de Petrópolis, que foi realizado numa parceria com o produtor cultural Amaury Júnior. Entre as atrações, Isaque Galvão, Bruno Josuá e Orquestra de Frevos.  Para que o evento acontecesse, foi fundamental o apoio da SEMSUR, que assumiu toda a responsabilidade pela instalação da iluminação do local e a colocação de banheiros químicos, além de disponibilizar a fiscalização do comércio informal, vigilantes e seguranças para atuar nas dependências do Mercado.  Parabéns ao secretário SEMSUR, Raniere Barbosa. O Mercado de Petrópolis está precisando mesmo de apoio.


 


 


 

21 de Fevereiro de 2014 às 11h47

O RENASCIMENTO DA FOLIA

Finalmente, depois de um bom período em que praticamente esteve "nas cinzas", o carnaval de Natal está renascendo.

Em 2013, a administração do prefeito Carlos Eduardo, iniciou o esforço para iniciar um processo de reabilitar o carnaval de Natal, realizando uma programação espalhada pelos quatro cantos da cidade, mas com algumas limitações. Entretanto, tudo indica que a partir deste ano a Prefeitura de Natal inicia um processo de fazer o carnaval da capital potiguar renascer, literalmente, das cinzas. A abertura da folia momesca em Natal, ocorrerá na quinta-feira, 27, a partir das 20 horas, com a apresentação da Orquestras Spok Frevo, no Baile de Máscaras, no Largo do Atheneu. A festa, que irá até 04 de março, vai contar com a presença de artistas nacionais e locais, que se apresentarão nos cinco polos multiculturais espalhados por vários pontos de Natal.

Entre as atrações nacionais, figuram os nomes de Elba Ramalho, Alceu Valença, Martinália, Morais Moreira e Jorge Aragão.

Moraes Moreira se apresenta em Ponta Negra na sexta-feira e no sábado, dia 1º de março, a folia no mesmo local ficará por conta de Alceu  Valença. 

No domingo, dia 02 será a vez do Desfile das Kengas, no centro histórico, evento que contará com o show de Mart'nália. No mesmo dia, Elba Ramalho animará os foliões na praia da Redinha. Nos dois últimos dias de folia, os dias 03 e 04, as Rocas, berço do samba potiguar, receberá os Originais do Samba, grupo de samba tradicional, que surgiu nos anos setenta e do qual fazia parte o saudoso Muçum; agora o grupo ressurge totalmente renovado.

Além das atrações nacionais, haverá ainda, no Carnaval da capital potiguar, bandas de frevo, escolas de samba, blocos, troças e grupos carnavalescos de tradição..

Inegavelmente, a gestão de Carlos Eduardo realiza um trabalho de fortalecimento da folia em Natal a partir deste ano. Eu torço para que este trabalho seja contínuo, o que vai contribuir para que nossa cidade seja vista como uma boa alternativa para quem quer, além de conhecer as nossas belezas naturais, curtir um período carnavalesco, se não do porte de cidades como Salvador, Olinda e Recife, mas pelo menos com muita animação e com a presença de artistas nacionais - o que vai chamar a atenção de turistas e visitantes - e também com a participação de talentos locais - o que também vai dar aos turistas e visitantes uma boa amostra dos valores artísticos de nossa capital. Não há como negar que o carnaval deste ano vai marcar o renascimento da folia em Natal. 

 

 


MERCADO DE PETRÓPOLIS - Segunda-feira passada, um grupo de permissionários do Mercado de Petrópolis, entre eles Dalvanice Lima (Nicinha) se reuniu com o Secretário Raniere Barbosa, da SEMSUR, com o objetivo de incrementar a programação cultural naquele espaço. O secretário não está medindo esforços para apoiar o esforços dos permissionários no sentido de que haja uma revitalização das atividades artísticas e culturais no Mercado de Petrópolis.

 

MERCADO DE PETRÓPOLIS II - A IDEARTE,  do jornalista e produtor Amaury Júnior,  também está numa parceria com o Mercado de Petrópolis, o que será, com certeza, meio caminho andado para o fortalecimento do mercado como um espaço para a realização de eventos artísticos e culturais.

 

MERCADO DE PETRÓPOLIS III - O Espaço Cultural Abraham Palatinik, reaberto em outubro do ano passado, e que está situado no mezanino do Mercado de Petrópolis, realiza periodicamente eventos culturais, geralmente promovidos pela FUNCARTE. Todavia, seria importante que o espaço funcionasse ininterruptamente como um meio de atrair visitantes. Seria bom para todos. Porque a Prefeitura de Natal não pensa nisto?

 

ESPETÁCULO - Continua em cartaz, sempre aos domingos neste mês de fevereiro, no horário às 17 horas, no Teatro Alberto Maranhão, o Musical A Bela e a Fera. O Espetáculo é uma realização da IDEARTE e tem o patrocínio da NEToficial. Informações pelos telefones 3213 8245 e 3222 2669.

 

TALENTO POTIGUAR - Amanhã é dia de Talento Potiguar, pela Rede TV!RN. Agora, no seu horário normal: das 11:15 ao meio dia. Sem esquecer, que tem reapresentação no domingo, no mesmo horário. Vale a pena conferir: é importante valorizar o que é nosso.

 

07 de Fevereiro de 2014 às 13h29

POBRE RAMPA...

"Todo  mundo sabe que Natal mudou o rumo da Segunda Guerra Mundial". Esta frase, que afirma uma verdade, também contém um trecho mentiroso.     

Que todos sabem que foi instalada em Parnamirim uma base militar para abastecer os aviões norte-americanos e servir de apoio para as operações aliadas na África, durante a Segunda Guerra, é um fato; que a partir de 1942, os americanos estiveram aqui e que durante um bom tempo nossa cidade foi "americanizada", é inegável;  que durante este período os soldados americanos esbanjaram dólares e deram à cidade um clima hollywoodiano, também é provável que todos saibam. O que muita gente não sabe é que, sem a Base Aérea de Natal, a Segunda Guerra Mundial provavelmente teria durado mais alguns anos e que talvez tivessem existido outros desdobramentos que poderiam até mesmo mudar o rumo do conflito. E foi exatamente por ajudar os aliados a ganhar a Segunda Guerra, que nossa cidade ficou conhecida como Trampolim da Vitória. 

A mentira contida na frase que abre este artigo está nas palavras: "Todo mundo sabe..."  Aí existe uma mentira embutida porque, embora todos saibam da existência de Parnamirim Field, poucas pessoas se dão conta da sua importância para a História da Humanidade. 

No dia 28 de janeiro de 1943, a Rampa foi o palco do encontro entre os presidentes Getúlio Vargas, do Brasil e Franklin Delano Roosevelt, dos Estados Unidos; deste encontro, nasceu o acordo para a implantação de uma base aérea aqui.

Além de seu papel fundamental na história da aviação mundial, quando servia como base para as primeiras rotas regulares de correio aéreo transoceânico, em 1930, a Rampa tem estreita ligação com a fundação da Base Aérea de Natal. E hoje, quem conhece a Rampa de perto, custa a acreditar que aquele espaço foi cenário de acontecimentos que teriam desdobramentos no Mundo inteiro. Hoje a Rampa está entregue ao descaso, com suas instalações depredadas e completamente abandonada pelo poder público.  Entregue às moscas, a Rampa depende hoje do trabalho de um grupo de pessoas obstinadas, que criaram a Fundação Rampa e lutam desesperadamente para que um pedaço da nossa memória cultural não deságue no mar. Pobre Rampa... 


 


 

CARA NOVA - Segundo a Secretaria de Estado da Infraestrutura (SIN), continuam as obras de revitalização da Biblioteca Câmara Cascudo, que logo, logo, vai estar de "cara nova." A meta é transformar o local em um espaço para eventos, além de modernizar as instalações para tornar o lugar mais confortável, que possa comportar eventos culturais.

 

CARNAVAL - Já foram anunciadas algumas das atrações nacionais que participarão do Carnaval em Natal. Segundo a Prefeitura de Natal, a programação também terá presença de blocos e artistas locais espalhados pelos cinco polos de foliada capital: Redinha, Ponta Negra, Centro Histórico, Alecrim, Rocas/Redinha.

 

POESIA - O Festival Literário de Natal contará com a presença do poeta Eucanaã Ferraz. Ele deverá estar por aqui no dia 14 de março próximo. Eucanaã é consultor de Literatura do Instituto Moreira Salles e esteve na mais recente edição do PLIPIPA.

 

CARNAVAL EM PERNAMBUCO - Na mídia local - principalmente na TV, o veículo mais importante -, o Carnaval de Pernambuco já está sendo divulgado com força total. Inclusive, tem com um comercial muito agressivo, cujo áudio diz: "Atenção, passageiros de Natal, embarque para o Carnaval de Recife..." Enquanto isso, nada de divulgação do nosso Carnaval. Aí é de lascar...

 

TALENTO POTIGUAR - Amanhã, pela Rede TV! RN, - Canal 17 (TV aberta) e 21 (Cabo TV),a partir das 10:15, tem mais um programa Talento Potiguar, dando continuidade à série Melhores Momentos de 2013.

 

31 de Janeiro de 2014 às 10h24

BBB 14


Acabei de ler no jornal O Globo que, neste fim de semana o Big Brother Brasil alcançou, neste fim de semana, um dos menores índices de audiência da sua história. Sinceramente, jamais fui de vibrar com o fracasso de alguém, muito menos de demonstrar qualquer alegria ou contentamento com o insucesso de quem quer que seja. Nem mesmo de quem tem poder, dinheiro e exerce algum tipo de influência junto à opinião pública, no caso, a TV Globo. Mas não posso negar que a queda nos índices de audiência do BBB até que me deixou um pouco feliz. Estou afirmando isto porque, além de estar falando verdade, meu sentimento não vai influir em absolutamente nada com relação ao sucesso ou fracasso do reality show da TV Globo. Sei que muitas pessoas não vão gostar do meu ponto de vista, mas o que posso fazer?

O Big Brother Brasil é um dos programas de TV mais maléficos que pode existir, cujo conteúdo (que tem como único objetivo render anualmente milhões de reais aos cofres da TV  Globo) desinforma e deseduca ao colocar no ar, através da TV, imagens e conversas entre pessoas que estão "confinadas" numa casa com um único objetivo, aliás dois: ganhar uma boa grana e popularidade, usando para isto todos os meios que estejam à sua disposição, mas cujas arma principais variam: vão de puro exibicionismo a intrigas, passando por fofocas, cenas sensuais e testes de resistência. 

Neste fim de semana, pela primeira vez em toda a minha vida, assisti ao Big Brother Brasil, mas certamente com um objetivo muito diferente dos milhões de telespectadores: sentei-me em frente à TV não para receber um banho de desinformação, e muito menos para usar meu celular para escolher a "próxima vítima" do paredão: assisti ao Big Brother para ver a apresentação dos Aviões do Forró. Não que eu seja fã da consagrada banda de forró do Ceará: embora respeite o talento de Solange Almeida (que antes de se consagrar na banda cearense foi cantora do grupo Show Terríveis e uma das primeiras sócias da ACIM - entidade que criei e que agora denomina-se ANDAR), eu assisti ao Big Brother, porque sabia que uma das músicas que a banda iria cantar era de autoria de três autores potiguares amigos meus: Raniere Mazille, Zé Hilton do Acordeon e Cabeção do Forró: "Me Jogar Nos Braços", que foi a segunda música que Aviões cantou no sábado passado. Todavia, tive a decepção de não ver nos Créditos finais do programa, o título da música e muito menos os nomes dos autores. Mais uma falta de respeito com talentosos artistas potiguares. E mais uma razão para eu continuar detestando o Big Brother Brasil.

 

 

 


CARNAVAL -  O Governo do Rio Grande do Norte vai distribuir R$ 460 mil em prêmios e R$ 59 mil em custos administrativos para o carnaval de 2014.  Os recursos serão divididos meio a meio: 50% para Natal e Grande Natal e 50% para os outros municípios do estado. O edital encontra-se à disposição de entidades interessadas desde o dia 03 passado, no site da Fundação José Augusto.

 

CARNAVAL II - A prefeitura de Natal, através da FUNCARTE, também já publicou o edital para o Carnaval Multicultural de Natal, desde o dia 17 passado.  Os recursos, num total de R$ 1.296,100, serão distribuídos para as agremiações carnavalescas que forem selecionadas. Neste ano,  o Carnaval Multicultural de Natal terá polos na Redinha, Rocas, Ponta Negra e Centro Histórico. O edital também se encontra disponível no site da prefeitura.

 

CHIQUE: MPB JAZZ - Termina hoje, no Teatro Riachuelo, a partir das 20 horas, o 3º MPB JAZZ,  que oferece ao público uma mistura de música genuinamente potiguar e o verdadeiro Jazz de Nova Orleans.

 

BREGA: TRIBUTO AO "REI" - Hoje é dia de tributo ao "Rei" Reginaldo Rossi, em Gilson Buffet Neópolis. A noitada ficará por conta de um trio de cantores talentosos que garante o sucesso de qualquer festa brega: Ari Maia, Messias Paraguai e Cyro Robson, o Papinha.

 

TALENTO POTIGUAR - Amanhã, pela Rede TV! RN, - Canal 17 (TV aberta) e 21 (Cabo TV),a partir das 10:15, tem mais um programa Talento Potiguar, dando continuidade à série Melhores Momentos de 2013.


 

24 de Janeiro de 2014 às 10h34

A Arte de pés descalços

Terça-feira passada, dia em que completei 62 anos, recebi um presente especial: a notícia de que a Comissão Normativa da Lei Djalma Maranhão aprovou o projeto do livro A Arte de Pés Descalços, que apresentei, contando a história do Show das Comunidades, projeto que idealizei há 12 anos e que já realizou mais de setenta shows em bairros periféricos de Natal.

O livro A Arte de Pés Descalços terá distribuição gratuita em escolas da rede pública e em algumas entidades de ensino superior e tem como objetivo mostrar não só aos professores mas, principalmente aos alunos e às novas gerações, as enormes dificuldades que enfrentei para iniciar o projeto, dificuldades estas que, por incrível que pareça, só aumentam, apesar de todos os benefícios que o Show das Comunidades traz para a nossa arte e nossa cultura, não só por representar um espaço importante para divulgar o trabalho dos nossos artistas, mas, sobretudo por seu alcance social. 

O projeto que, nos seus primeiros anos era realizado em um palco cedido pela URBANA, demorou cinco anos para começar a receber os recursos da Lei Djalma Maranhão. Ao longo dos anos tornou-se, lentamente uma espécie de "Mix" artístico-cultural: dois anos depois da criação do projeto, iniciamos a gravação anual de um CD com os talentos descobertos nas comunidades, totalizando o lançamento de 05 volumes, entre 2004 e 2010. Em 2005, idealizamos o projeto Futuro Feliz, que, durante cinco anos proporcionou Reforço Escolar, Merenda e Fardamento para 60 crianças carentes do bairro de Mãe Luiza. No ano seguinte criamos o projeto Sementes do Amanhã (que promovia o plantio de árvores em escolas públicas das comunidades visitadas pelo Show das Comunidades) e lançamos a revista Talento Potiguar, que foi transformada no ano de 2012 em um guia cultural. E Em 2008, conseguimos aquela que foi, realmente, a maior das conquistas do projeto: a criação do programa de TV Talento Potiguar, inicialmente apresentado através da TV Tropical e que, desde 2011 vai ao ar pela Rede TV! RN aos sábados com reapresentação aos domingos, sempre às 11:15, mas que durante o horário de verão está começando uma hora mais cedo.

Para escrever o livro, inspirei-me na história de dezenas de artistas de diversas comunidades natalenses, que conheci de perto e que, embora sejam talentosos, não tem como mostrar seu trabalho simplesmente por morarem em bolsões de pobreza e por não fazerem parte da elite cultural, são ignorados pelo poder público e vivem à margem do mercado. Estes talentos fazem parte de um grupo que, lutando contra todas as adversidades possíveis, encontraram no projeto Talento Potiguar/Show das Comunidades, a única forma de mostra a sua arte feita com suor, talento, e não raro, lágrimas: a arte de pés descalços. 


 


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CHICABANA BEACH - Amanhã será realizada no Clube da Praia, na Praia de Camapum, uma espécie de prévia do carnaval de Macau, o "Chicabana Beach", com a banda baiana Chicabana e com Serginho Lisboa, cantor do estilo Arrocha. Também marcará presença o forró de Araújo Filho & A Farra. Para o evento está sendo montada uma superestrutura, com pista e área VIP.


FIASCO EM PIRANGI - O desabamento do camarote da Arena Circo da Folia em Pirangi está trazendo transtornos para a Destaque Promoções. Quem teve a sorte de não estar no camarote na hora em que houve o acidente, não escapou da decepção causada pelo show da dupla Fernando e Sorocaba que, apesar de toda a badalação foi um fiasco. De público e de qualidade. 


VALE CULTURA & IMPROBIDADE - Na sexta-feira passada, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, lançou em São Paulo a operacionalização do Vale Cultura, com a entrega simbólica de cartões magnéticos pré-pagos, carregados com o crédito de R$ 50 mensais (valor cumulativo), que beneficiam trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos para gastos com produtos culturais. A ministra, que é do PT e que foi condenada por  improbidade administrativa, é mãe e Supla, aquele que é roqueiro sem nunca ter sido, e que, apesar da influência dos pais e da força "jabática-midiática", tudo indica que não deixará o menor rastro da sua passagem pela cena do Rock nacional.


OBRIGADO AOS AMIGOS - Quero agradecer aqui a todas as pessoas que ligaram, que postaram ou enviaram mensagens via facebook, e-mails, e também aos amigos da imprensa que registraram meu aniversário no dia 21, passado, quando completei 62 anos. Como sempre, comemorei a data em um jantar no meu apartamento ao lado da minha mulher, de parentes mais próximos e de quatro dos meus cinco filhos: Stefenson, Cássio, Luiza e Luanda. Muito obrigado a todos pela lembrança. O maior e melhor presente, para mim, não é o mais caro: é a lembrança vinda das amizades sinceras. 


 

 

10 de Janeiro de 2014 às 09h42

VOLTEI RECIFE?

A cada final de ano, eu desejo que o ano seguinte seja melhor para todos, inclusive para os nossos artistas, para a nossa cultura. Mas, infelizmente, quando começo a verificar a programação artística natalina, certo desânimo se abate sobre mim. 

Nos últimos quatro anos uma espécie de furacão, que poderia ser chamado de "Katrina Cultural", causou enormes estragos na programação de final de ano da nossa capital. Agora, o clima natalino renasceu: nossa cidade ficou bem iluminada, foram criados vários polos para a realização de shows, e não só o turista, como também os natalenses puderam perceber que realmente houve um resgate da beleza do clima natalino na cidade que, pelo próprio nome, deveria ter o Natal mais belo do Brasil.

Com relação aos shows, embora a programação tenha merecido elogios, pessoalmente acho que ainda há muito a fazer pelos artistas locais que participaram da programação, principalmente no que diz respeito ao valor dos cachês pagos a estes (extremamente desproporcional ao que é pago aos artistas de fora) e a maior um aproveitamento de nossos talentos nos espaços nobres da programação artística. Mas creio - e espero - que, com o início do trabalho de resgate do Natal em Natal verificado neste final de 2013, dias melhores poderão vir para nossos artistas a partir do próximo ano. Mas preciso fazer um registro de algo que me intrigou e até me deixou aborrecido...

Na antevéspera do Ano Novo eu estava assistindo ao RN TV, pela Inter TV Cabugi, quando o repórter entrevistava um cantor da nossa cidade - cujo nome declinarei, por motivos óbvios - que ia realizar um show durante a festa de Reveillon da Redinha. Fiquei animado quando o artista, no meio da entrevista, falou que, durante o show iria predominar um clima animado com frevos e e seriam prestadas homenagens a vários artistas, entre eles o nosso querido compositor Dozinho. Pensei comigo mesmo: pelo menos este aí vai fazer justiça a um ícone da nossa música. E quando o repórter pediu ao artista para encerrar a entrevista cantando, me preparei para ouvir pelo menos um trecho de "Só Presta Quente", "Carnaval de Norte a Sul", ou "Carnaval Na Barreira do Inferno" (sucessos do nosso querido Dozinho), o cara atacou: "Voltei, Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço..." Aí, não aguentei: desliguei a TV.

Podem me chamar de radical, xiita, conservador, chato, ou o que quiserem; mas, a meu ver, um cantor que faz um show pago com dinheiro público numa festa natalina na cidade dos Reis Magos e encerra uma entrevista cantando uma música em homenagem a outra cidade, só está dando "corda" ao poder público para continuar tratando mal nossos artistas; além disso, está vendendo a falsa imagem de que nosso estado, em termos culturais, não tem o que mostrar. Parece ser alguém não tem noção das coisas. 

 

 

 

20 de Dezembro de 2013 às 13h34

O BUICK VERDE

Era noite de Natal. Morávamos numa casa humilde na Rua do Condor. O ano era 1958 e eu tinha seis anos de idade. Fui dormir esperando Papai Noel, quando lá pelas tantas, acordei ouvindo um barulho estranho. Abri os olhos, mas, com medo, fingi que estava dormindo e deixei os olhos semicerrados. Foi aí que vi a porta do quarto se abrir lentamente e surgir a figura de um velhinho rechonchudo, com uma longa barba branca, segurando com uma mão um saco que trazia às costas e, com a outra, um embrulho vermelho, da cor da sua roupa. Olhando fixamente para mim, ele agachou-se lentamente e deixou o embrulho no chão, encostado à parede, próximo à porta. Em seguida, o velhinho de barbas de algodão reergueu-se em silêncio e com sua mão alva como flocos de neve, fez um aceno pra mim, jogou um beijo, encostou a porta lentamente e sumiu tão silenciosamente como chegara. Com o coração batendo a mil, fixei meus olhos no embrulho vermelho e pensei: "Ele trouxe o presente que eu pedi!" Dividido entre a certeza de ter visto Papai Noel e o medo de apenas ter sonhado, adormeci.

No dia seguinte, ao acordar e abrir o embrulho, vi que ali estava o presente que eu havia pedido em preces a Papai do Céu, para ganhar de Papai Noel: um Buick verde, sem capota, com direção, pneus de borracha, com um motorista de quepe e uniforme branco.  Aquele Buick, que corria sozinho depois de alguns impulsos, era o sonho de qualquer criança daquela  época.

Brinquei com o Buick verde por muito tempo. Com o passar dos meses ele foi se deteriorando: os pequenos pneus ficaram carecas e se soltaram, o boné do motorista caiu e o para-brisa dianteiro de plástico se soltou. Depois, o motorista sumiu e o motor à corda se quebrou; meu Buick verde não andava mais. Mesmo assim, durante anos guardei sua carcaça. O tempo passando e minha família passou a morar em lugares diferentes: São José do Mipibú, Ceará-Mirim, Nova-Cruz. Numa destas mudanças, alguém jogou no lixo o meu Buick verde. No dia em que isto aconteceu, eu percebi que tinha começado a deixar de ser criança...

Até hoje, quando se aproxima a noite do Natal, renasce na minha memória a imagem do Papai Noel silencioso e generoso. E eu revejo mentalmente a imagem do Buick verde, novinho em folha, em todo o seu esplendor. Aquele presente inesquecível me ensinou uma coisa, da qual jamais me esquecerei: o melhor presente de Natal não é o mais caro e sim aquele que fica guardado na memória pelo resto da vida...

 

FELIZ NATAL  PARA TODOS! 


 


 



Depois de amanhã, domingo, dia 22, Dodora Cardoso e o grupo Arquivo Vivo  são as atrações da edição natalina do Brechó Cultural. O evento, realizado através de uma parceria com a Semsur e a Funcarte, que acontece entre 10h e 17 horas, terá lugar na área verde por trás do supermercado Extra da Avenida Roberto Freire, das 10 às 17 horas. 

 

De forma quase "milagrosa", devido aos poucos recursos, Valério Andrade, mais uma vez conseguiu realizar o Festival de Cinema de Natal. Murilo Rosa levou a estatueta de melhor ator por seu desempenho em Vazio Coração, que ganhou também o troféu Estrela do Mar como melhor filme.

 

Com o tema "Mestre Elpídio e seu Boi de Reis nos Destinos de Parnamirim", o tradicional espetáculo "Nas Asas da História" é o destaque na programação de fim de ano em Parnamirim. Este ano o espetáculo será apresentado de forma itinerante, sempre às 20 horas e percorrerá oito bairros diferentes entre os dias 15 e 22 de dezembro. O elenco é formado por 45 atores e a direção  é de Makários Maia. Malakia Barbosa e Ismael Alves Dumingues escreveram o texto.

 

Será amanhã a grande Final do concurso A Mais Bela Voz Gospel, que vai dar ao vencedor um troféu, um instrumento musical e a gravação de um CD. O projeto, realizado pelo programa Talento `Potiguar, que vai ao ar aos sábados às 10:15 com reapresentação aos domingos às 10:10 pela Rede TV!RN, conta com a parceria do Garagem Estúdio, Valmir Som, Art Record e Acrilart. Vale apena conferir, pois os candidatos são de altíssimo nível. Emoção garantida

 

13 de Dezembro de 2013 às 12h21

"ASTROS" SEM LASTROS

A cidade do Natal e o Rio Grande do Norte são ricos em talentos. Na música, por exemplo, temos inúmeros exemplos de artistas que, mesmo não tendo projeção, têm muita qualidade e não conseguem se firmar, ou nem mesmo aparecer. Em minha opinião, ocorre no nosso estado um fator que dificulta ainda mais o surgimento de novos talentos: a falta apoio aos artistas das comunidades mais carentes. Muitas vezes é nos bolsões de pobreza onde se encontram talentos que só se tornarão conhecidos, se existirem projetos patrocinados pelo poder público e que tenham como objetivo descentralizar a atividade cultural, permitindo desta maneira, o surgimento de novos nomes no cenário artístico e cultural do estado.

Não há razão (acho que nunca houve) para que determinado estado seja privilegiado com relação a outros em termos culturais; cada região tem sua tradição cultural, geralmente proporcional ao tamanho do seu território, à sua população, e até ao seu desenvolvimento. Sabemos que nos grandes centros, como Rio e São Paulo, é onde se projetam para o Brasil inteiro nomes talentosos que, muitas vezes, ficariam sem chance de se projetar, caso permanecessem em seus lugares de origem. No Nordeste, estamos cansados de saber que existem três estados que, por valorizarem seus talentos, independente da classe social a pertençam, se destacam no cenário nacional: são os estados da Bahia, Ceará e Pernambuco.

O Rio Grande do Norte, rico em talentos, sofre de um problema crônico, para mim inexplicável: por mais que tenha bons artistas, está sempre à sombra dos estados citados. Pessoalmente acredito que o fato de estarmos sempre numa posição desconfortável no ranking cultural do Nordeste é porque o poder público dá pouca atenção ao potencial artístico e cultural que existe nos bairros periféricos da nossa cidade. Além disso, outra questão impede que talentos desconhecidos das comunidades natalenses tenham oportunidade de mostrar seu trabalho para o grande público: enquanto no Recife, Fortaleza e Salvador, músicos, cantores e bandas geralmente percorrem um longo caminho cantando em gafieiras, clubes de subúrbios, circos e espaços alternativos da periferia para conquistarem o direito de se apresentar em espaços nobres e se tornarem nomes de destaque, aqui em Natal, ocorre exatamente o contrário: basta o artista novato ter amigos influentes e competência para se movimentar, para que, mesmo sem a devida bagagem profissional já estreie na vida artística com uma estrutura de "superstar local": tem equipe de produção, assessoria de imprensa, empresário, claque, fã club, dá entrevistas na TV, consegue patrocínio para fazer seu primeiro show em um lugar cult, consegue também, através de amizades, um contrato para abrir o show de um artista de renome nacional, aparece nas colunas sociais, e pronto: nasceu mais um "astro". Só que sem lastro. Enquanto isto, as comunidades fervilham de talentos que terão que ralar muito antes de conseguirem uma chance de mostrar seu valor. Se conseguirem. 

 

 

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NATAL EM NATAL - Começam neste fim de semana as festividades natalinas na nossa capital. Com a iluminação renovada, por meio de um trabalho competente da SEMSUR, que tem à frente o Secretário Raniere Barbosa, a cidade brilha com as luzes e com os shows que se realizam a partir de hoje.

 

NATAL EM NATAL II - Nossa cidade precisava ressuscitar os festejos natalinos que estavam mortos havia quatro anos. O prefeito Carlos Eduardo conseguiu fazer o que parecia impossível. A meu ver, isto justifica a contratação de grandes nomes da música para garantir o sucesso do Natal em Natal. Mas espero que a partir do próximo ano, haja mais espaços (e melhores cachês) para os nossos artistas. 

 

NATAL EM NATAL III - Hoje tem Roberta Sá na Árvore de Mirassol. Amanhã será a vez de Elba Ramalho se apresentar no Ginásio Nélio Dias, na Zona Norte. No centro da cidade, também haverá uma programação cultural diversificada no Centro Cultural Ruy Pereira. Toda a programação do Natal em Natal poderá ser conferida no site www.natal.rn.gov.br.

 

NATAL EM NATAL IV - O projeto "Luzes da Cidade Alta", coordenado pelo professor Lerson Maia e pela professora Lourdinha Lima Medeiros e produzido por alunos do 6º período do curso de Produção Cultural, encerra-se hoje à noite, no IFRN, no centro da cidade.  O projeto, que foi programado para levar música durante o período natalino, tem entrada franca.

 

PROGRAMA TALENTO POTIGUAR -  Neste fim de semana, será conhecido o último finalista do concurso A Mais Bela Voz Gospel, cuja final ocorrerá no próximo fim de semana. O programa terá como convidados os cantores Silveirinha e João Batista, que ficou famoso ao participar, há alguns anos, do Fama, da Rede Globo.

 


 

06 de Dezembro de 2013 às 12h18

UM PROJETO AMEAÇADO

Na última quarta-feira feira de novembro, seria realizado no conjunto Pajuçara II, na Zona Norte de Natal, o 79º Show das Comunidade. Entretanto, uma série de acontecimentos impediram a realização do show. Embora eu tenha cumprido toda a parte burocrática dentro dos prazos exigidos pelos órgãos públicos, como o envio dos ofícios e os pagamentos de todas as taxas, a URBANA  não enviou a equipe para fazer a limpeza do local, a SEMSUR não enviou os 600 metros de gambiarra para iluminar o local, problema que foi resolvido pelo Secretário Raniere Barbosa, que providenciou o envio de  uma equipe, depois de uma ligação minha para Aarão, funcionário da SEMSUR, que levou o problema ao conhecimento do secretário. 

Mesmo assim, o pessoal só conseguiu chegar ao local do show para instalar a gambiarra por volta das 19:30. Embora eu seja grato ao meu amigo Raniere pelo envio da gambiarra, não foi possível a instalação, pois o pior já tinha acontecido: embora no dia anterior ao show eu tivesse efetuado o pagamento da instalação da energia à COSERN, não fui informado de que tinha havido nenhuma alteração no sistema de ligação da energia elétrica, com a exigência da colocação de um quadro de instalação trifásica; em 11 anos de existência deste projeto, esta exigência nunca tinha sido feira. Resultado: a energia não foi instalada. 

Quase à beira do desespero, eu, que desde as 15 horas estava no local do show,  contratei às pressas um caminhão gerador com a Erociano Promoções, mesmo sem saber de onde iria tirar o dinheiro para arcar com esta despesa extra. E um gerador foi enviado ao local às pressas. Aí veio o "golpe de misericórdia". Os bombeiros interditaram o show, alegando que o palco estava armado sob fios de alta tensão. Só que há um detalhe: o palco estava armado no mesmo local do Pajuçara Fest, um evento que dura TRÊS DIAS, e que é realizado no mês de julho pela líder comunitária Claudete Trindade que me cedeu a planta baixa para o local do show. Segundo Claudete, o Pajuçara Fest foi realizado com a autorização do Corpo de Bombeiros.

Não sou de desistir. Mas, diante de um fato como este, que para mim é símbolo de desrespeito para comigo e pelo trabalho que desenvolvo há mais de ume década em defesa dos artistas da nossa terra eu me pergunto: por que tanto descaso com um projeto tão importante? Não sei a resposta, mas sei de uma coisa: se eu não contar com o apoio por parte do poder público, o Show das Comunidades está estará correndo um sério risco. E aqui, cabe outra pergunta: se eu utilizei a mesma planta baixa e coloquei o caminhão palco no mesmo local do Pajuçara Fest, porque então o Show das Comunidades foi interditado? 

 

 

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O Natal bate à porta. E Em Natal, o brilho ressurgiu. Parabéns ao Secretário da SEMSUR, Raniere Barbosa, pelo renascimento de uma bela iluminação natalina, do jeito que a cidade que leva o nome da maior festa da cristandade merece.

 

Que não compareceu ao sarau em homenagem a Newton Navarro, realizado na última terça-feira na Academia Norte-rio-grandense de Letras na última terça-feira, pode adquirir, na livraria Cooperativa Cultural Universitária, no Centro de Convivência da UFRN, os livros que "O Solitário Vento do Verão", "Saudades de Newton Navarro" e "Sete Poemas Quase Inéditos e Outras Crônicas, que foram divulgados durante o evento.

 

Até que enfim, um cristal realmente precioso, da Música Potiguar, começa a brilhar no cenário brasileiro.

 

Na próxima terça-feira, dia 10, no palco do Teatro Riachuelo, vai acontecer a última edição do projeto Música no Ar/Unindo Talentos, que contara com as participações de Chico Cesar, Rosa de Pedra, Tiquinha Rodrigues, Daúde e Antônio de Pádua. O show, que é gratuito, terá a abertura a cargo da dupla Groove/Primata, às 21 horas.

 

Amanhã estarei pegando a estrada para Caicó, onde farei show ao lado de Gilliard e Lairton dos Teclados. Em seguida, será a vez de João Câmara, onde encerrarei o Top Brega Talismã, que contará também com as presenças de Cinzeiro de Motel e Cyro Robson. 

 

22 de Novembro de 2013 às 12h28

OS "SEPULCROS CAIADOS" DA COMUNICAÇÃO

Aurélio Fernandez Miguel nasceu em São Paulo, no dia 10 de março de 1964. Nos Jogos Olímpicos de 1988 foi campeão na categoria meio pesado e ganhou a medalha de bronze em Atlanta em 1996. Também obteve três medalhas no Campeonato de Judô (duas pratas em 1993 e um bronze em 1987) e conquistou medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos em 1987 e a prata nos Jogos Pan-americanos de Caracas em 1983. Aurélio Miguel, em 1988, ao receber a medalha de ouro, era orgulho nacional. Em 2004, depois de abandonar o Judô se elegeu vereador  em São Paulo, reelegendo-se em 2008 e 2012.

Aurélio Miguel, que é filiado ao PR (Partido da República) e está no seu terceiro mandato, em 2012 teve seu nome envolvido em um escândalo de corrupção, ao ser acusado de receber propina para facilitar a liberação de alvarás de funcionamento para shoppings. De acordo com matéria publicada pela Folha de S. Paulo, após se eleger vereador, ele multiplicou seus bens, que passaram de 4,5 milhão em 2005  para 25 milhões atualmente.

No seu depoimento, o auditor fiscal paulistano Eduardo Barcellos, da "quadrilha do ISS/IPTU", que causou um prejuízo de mais de 500 milhões à prefeitura de São Paulo, afirmou que o vereador recebia dinheiro de Ronilson Rodrigues, chefe do esquema de corrupção.

Não podemos acusar precipitadamente Aurélio Miguel. Mas a citação de um ex-campeão olímpico num esquema de corrupção, no mínimo levanta uma dúvida: se um ícone do esporte brasileiro passa a ser suspeito de corrupção, não está na hora de nós desconfiarmos dos gurus, ativistas, atletas exemplares, "celebridades", e líderes comunitários e sindicais que entram na Política pela porta da fama conquistada do dia para a noite apenas por causa de  um "feito heroico"?

Além de mandarmos para a cadeia políticos corruptos, precisamos, através do voto, impedir que entrem na Política pessoas que usam os meios de comunicação com aura de santidade ou para se promover através de atos isolados considerados "de grandeza" pela grande massa. Desconfiemos de quem, pela imprensa e pelas redes sociais vende a Vida Eterna à prestação, fala em Deus sem ter uma vida exemplar, defende os humildes e vive na opulência, sorri para as câmeras e trata mal as pessoas no dia-a-dia; desconfiemos e, sobretudo, não deixemos que pessoas deste tipo ocupem cargos públicos, pois, se os elegermos, estaremos dando a estes "sepulcros caiados da comunicação" (bonitos por fora e podres por dentro) não só o poder de usar a máscara da demagogia para aumentar as desigualdades sociais e o sofrimento de milhões de brasileiros: também estaremos dando a eles as armas para nos roubarem. 

 

 

 


CIDADÃO NATALENSE - Por proposição do vereador Júnior Grafith, Roberto do Acordeon recebeu, na terça-feira passada, o título de cidadão natalense. Homenagem merecida ao sanfoneiro carioca que optou por viver em Natal e se tornou uma das maiores referências da nossa música regional.

 

GUIA CULTURAL - O número 03 do guia cultural Talento Potiguar será lançado nos primeiros dias de dezembro, num evento especial no Jiqui Country Clube. O guia faz parte do mix cultural que criamos em 2002 no qual estão inseridos o Show das Comunidades e o programa de TV Talento Potiguar.

 

ONG'S E ONG'S - Os sepulcros caiados da comunicação (tema do nosso artigo desta edição) não são apenas pessoas físicas: existem algumas entidades que atuam na área social, cuja divulgação é altamente desproporcional ao trabalho executado, ou seja: para cada grama de ação, uma tonelada de divulgação. São entidades que contratam assessoria de imprensa a peso de ouro (muitas vezes com recursos públicos), para mostrar na mídia - de modo exagerado e retocado - suas "ações".

 

A MAIS BELA VOZ GOSPEL - O programa Talento Potiguar apresenta neste fim de semana, pela Rede TV! RN a última classificatória do concurso A Mais Bela Voz Gospel, que está sendo elogiado pelo alto nível dos concorrentes. A grande final será no mês de dezembro.

 

FESTIVAL GASTRONÔMICO DE NATAL - A prefeitura de Natal e a FUNCARTE  estão de parabéns pelo sucesso do Festival Gastronômico de Natal 2013. No fim de semana passado, a Praça das Flores foi palco de shows artísticos com sabor especial.

 

14 de Novembro de 2013 às 11h33

CESTA BÁSICA CULTURAL (FINAL)

Nas três semanas anteriores escrevemos sobre as distorções da Lei Rouanet. Mas está muito claro que a má aplicação de recursos públicos na Lei Rouanet também está presente em muitas leis estaduais e municipais de incentivo à cultura em vários estados brasileiros. 

Aqui no Rio Grande do Norte, a grande maioria dos artistas vive à margem das leis de incentivo. Como se isto não bastasse, estamos cansados de ver anúncios de shows com artistas de fora e projetos elitizados inacessíveis à população, patrocinados pelas Lei Câmara Cascudo e Djalma Maranhão: muitas vezes, peças teatrais e espetáculos caríssimos realizados em espaços culturais de grande porte, com a participação de artistas de renome nacional, cujos ingressos são vendidos a peso de ouro,  são patrocinado por estas duas leis, quando na verdade, os projetos culturais aprovados por elas deveriam servir única e exclusivamente para promover nossa arte, prestigiar nossos talentos e permitir a um público carente acesso aos bens culturais. 

Infelizmente, também não há como negar que outro aspecto não só contribui para o mau uso dos recursos públicos no patrocínio a projetos aprovados por nossas leis de incentivo, como também aumenta o grau de injustiças contra nossos artistas populares: o fato de muitos produtores culturais colocarem o interesse financeiro acima dos interesses da produção eminentemente cultural. Precisamos de projetos que, além de proporcionar lucro a quem os execute, fortaleçam nossa cena artística e cultural, possibilitem a ampliação do mercado de trabalho para nossos artistas, e que, principalmente, tenham um viés social, levando arte, cultura e entretenimento às populações carentes. Não é justo que recursos que deixam de ser aplicados em serviços básicos para a população patrocinem eventos artísticos onde a intenção do lucro vem antes da intenção de promover a cultura. Nada contra o lucro, pois o mercado de eventos fortalece a economia; mas o mercado de entretenimento e eventos tem patrocinadores fortes e pode caminhar com as próprias pernas, sem recursos provenientes de leis de incentivo à cultura. Por isso, se não for feito algo para acabar com as distorções existentes na aplicação de recursos públicos nas leis de incentivo à cultura, as coisas continuarão como estão: para os mais fortes economicamente, isenção fiscal, e ganho de imagem; para os produtores culturais, status, e lucro financeiro; para os produtores e artistas independentes, a sensação de continuar com o pires na mão. Em outras palavras: para quem não precisa, caviar; para quem precisa, uma cesta básica cultural. 

 

 

 


AUDIOVISUAL - Entre os dias 26 e 29 deste, o IFRN - Campus da Cidade Alta - será palco de mais uma edição do Goiamum Audiovisual. Durante o evento, profissionais da área audiovisual respeitados em todo o Brasil estarão ministrando gratuitamente quatro minicursos para quem se inscreveu dentro do prazo.

 

SHOW DAS COMUNIDADES - No próximo dia 27 o bairro de Pajuçara II será palco da edição de número 78 do Show das Comunidades, uma realização da ANDAR -  Associação norte-riograndense de Arte, Cultura, Assistência Social e Desenvolvimento Sustentável, criada por nós há treze anos. É o único projeto que tem um olhar especial para os talentos das comunidades carentes de Natal, há muito esquecidos por todas as esferas de poder no nosso estado.

 

MAIS UMA DA LEI ROUANET - A famigerada Lei Rouanet (tema de uma série de artigos nossos neste jornal) deu mais uma vez exemplo de como se deve gastar dinheiro nosso para patrocinar projetos ditos culturais que não têm nada a ver com nossa cultura, ao patrocinar um espetáculo sobre as tradições culturais da China, que está percorrendo o país. Um espetáculo caríssimo, pago com nosso dinheiro, mas ao qual só tem acesso uma parcela mínima da população.

 

NOSSOS TALENTOS - Quarteto Linha, Rosa de Pedra, Khrystal, Simona Talma, Swellen Pimentel: nomes que participaram recentemente e de forma muito positiva, de programas nacionais através da Rede Globo, mostrando o nosso potencial artístico e cultural. Apesar de tudo, continuam - e com certeza continuarão por muito tempo - sendo praticamente ignorados pelo poder público do nosso estado: quase não participam de eventos oficiais e quando o fazem, recebem verdadeiras "merrecas" (ou migalhas, se preferirem), com "carência": só veem a cor da grana, meses depois que se apresentam. Bem ao contrário dos artistas de fora.

 

A MAIS BELA VOZ GOSPEL - O programa Talento Potiguar realiza neste final de semana a penúltima classificatória do concurso A Mais Bela Voz Gospel, que vai dar ao vencedor(a) um troféu, um instrumento musical e a gravação de um CD. Vale a pena conferir: sábado às 10:15, com reapresentação domingo, às 10:10

 

08 de Novembro de 2013 às 11h30

CESTA BÁSICA CULTURAL (III)

Continuando nossa análise sobre a má aplicação de recursos públicos na utilização de projetos aprovados através de leis de incentivo, vamos mostrar alguns exemplo do quanto a renúncia fiscal é aplicada equivocadamente no patrocínio de projetos aprovados pela Lei Rouanet. Vejamos:

- A arquidiocese de Campinas (SP), aprovou R$ 7 milhões para reformar sua catedral. Para a catedral de Brasília, foram R$ 25 milhões. Em São Paulo, as igrejas da Santa Ifigênia e de Santo Amaro tiveram juntas aprovação de R$ 9 milhões.

- Pernambuco e Rio de Janeiro, por sua vez, aprovaram a captação de R$ 20 milhões e R$ 12 milhões para reformar os palácios do Campo das Princesas e das Laranjeiras.

- Houve ainda projetos aprovados de obras em igrejas em Curitiba (PR), Goiana (PE), Pelotas (RS) e Porto Alegre, entre outras, em mais de R$ 26 milhões. A Oktoberfest de Igrejinha, no Rio Grande do Sul, pôde captar R$ 653 mil.

- Até a Mancha Verde, torcida organizada do Palmeiras, teve R$ 1,2 milhão aprovado para organizar seu Carnaval.

Para o bem dos nossos artistas, pela preservação da nossa cultura, pela moralização da utilização de recursos públicos, para que as classes mais humildes tenham acesso aos bens culturais, não através de "bolsas-esmolas" no valor de míseros R$ 50 mensais, mas sim de projetos concretos que não só contribuam com a preservação da nossa  memória cultural, dos nossos valores artísticos e com a melhoria da qualidade de vida da nossa população, ESTAS DISTORÇÕES IMORAIS PRECISAM SE ACABAR.  E para isto se faz necessário que haja um movimento partindo da parte mais interessada: os próprios artistas e produtores independentes. Não é fácil, pois para que um movimento neste sentido possa ter inicio e ser bem sucedido, os artistas e produtores precisam: A) Estarem unidos; B) Ter uma visão abrangente, ou seja: não pensar apenas nos seus próprios projetos; C) Ter disposição para trabalhar em prol de uma causa comum; D) Estudar os mecanismos das leis de incentivos, para defenderem suas ideias com conhecimento de causa.

As leis de incentivo à cultura foram criadas para satisfazer os anseios da sociedade, beneficiando a todos, sem distinção de classe social, raça, credo, religião, etc. E infelizmente, como a Lei Rouanet, as leis estaduais e municipais também estão cheias de distorção. Mas isto é tema para nosso próximo e último artigo sobre este tema. 

 

 

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FLIPIPA - A Flipipa (Feira Literária de Pipa) deverá ocorrer neste fim de semana. Embora o curador da feira seja Dácio Galvão, a formalização de convênios junto aos parceiros é feita através da Fundação e, em virtude do estado de saúde do seu presidente,  José Arno Galvão, alguns processos tiveram sua agilização dificultada, mas a Feira, segundo Dácio Galvão deverá ser mesmo realizada.

 

BURRO ELÉTRICO - Está confirmado: o Burro Elétrico, chamado "bloco dos jornalistas" não participará do Carnatal 2013. Mas, segundo seus diretores, voltará a ocupar o corredor da folia no próximo ano.

 

DOSE TRIPLA -  As presenças de Simona Talma, Swellen Pimentel e Khrystal, classificadas no The Voice, mostra que nosso estado tem um grande potencial artístico: classificar três concorrentes em um concurso de nível nacional, não é fácil. Estamos orgulhosos pela performance das três; vamos torcer para que uma delas seja a grande vencedora e ganhe o prêmio de R$ 500.000,00 e mais um carro 0 KM.

 

FALVES - Continua na galeria da FUNCARTE  e vai até o dia 29 deste mês a exposição "Cápsulas da Memória", que mostra o trabalho vanguardista de Falves Silva, que comemora quase cinquenta anos de atividade como artista visual.

 

ALTO NÍVEL - O concurso A Mais Bela Voz Gospel, promovido pelo programa Talento Potiguar, que vai dar ao vencedor a gravação de um CD, numa parceria com o Garagem Stúdio, tem surpreendido pelo alto nível dos participantes. Neste final de semana, será realizada a quarta classificatória, que definirá mais um semifinalista do concurso. O programa, que vai ao ar pela Rede TV! RN aos sábados às 10:15, com reapresentação aos domingos às 10:10, neste fim de semana tem o Quarteto Linha como convidado especial.

 

01 de Novembro de 2013 às 11h25

CESTA BÁSICA CULTURAL (II)

As imoralidades relativas à Lei Rouanet não se limitam a destinar milhões de reais a empresas e entidades ricas: enquanto, no ano de 2012 a arrecadação fiscal foi reduzida em R$ 1,2 bilhão para apoiar projetos "culturais" (que não tem nada a ver com Cultura) de fundações milionárias, as universidades federais brasileiras receberam, juntas, apenas 2 bilhões, numa proporção totalmente absurda e injusta para o setor da Educação no Brasil. A partir de absurdos como estes, a Lei Rouanet se tornou um "Robin Hood" às avessas: tira dinheiro do serviço público para bancar eventos caros de grandes empresas e fundações, que obtém lucros exorbitantes e fortalecimento de imagem às custas do empobrecimento da nossa arte, da nossa cultura e dos nossos artistas. E a vergonha não para por aí: segundo o portal de notícias Tailandia (www. portaltailandia.com.br), o próprio Secretário de Fomento do Ministério da Cultura, Henilton Menezes, em apresentação a empresários gaúchos em maio, criticou isso: "O acesso das classes C, D e E é baixo; a Lei Rouanet não estimula o investimento de recursos privados no setor e a prestação de contas é inadequada". Segundo a Folha de São Paulo numa matéria publicada em 2002, naquela época, 92% dos recursos oriundos da Lei Rouanet  eram abocanhados pelos 07 estados mais ricos do Brasil, enquanto apenas 0,5 por cento destes mesmos recursos ficavam com os 07 estados mais pobres. E nestes últimos 11 anos as coisas não mudaram muito: atualmente, 81% dos recursos estão concentrados nas Regiões Sul e Sudeste e a grande maioria destes recursos vai para fundações mantidas por grandes empresas. Mas, que tal, agora, citar pelo menos duas das imoralidades e distorções absurdas da Lei Rouanet? É só um aperitivo entre milhares de casos vergonhosos. Vamos lá:

- Em 2012, a lei apoiou nada menos que 29 eventos de jazz. Aí eu pergunto que o jazz tem a ver com a cultura brasileira? É justo que dinheiro que deveria ser aplicado na educação, saúde, segurança, transporte público e outros serviços essenciais para a população financie projetos desta natureza, onde são pagos cachês - muitas vezes polpudos - a artistas, alguns deles estrangeiros?

- No relatório dos incentivos de 2012, consta que a Fundação Catarinense de Cultura, ligada ao governo daquele Estado, conseguiu autorização para captar R$ 64 milhões para reformar a ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, com recursos de desoneração fiscal. 


 


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NATAL EM NATAL - A Prefeitura de Natal lançou, terça-feira feira passada, em um Café da Manhã, a programação do Natal em Natal deste ano. A programação que também tem lançamento previsto em algumas cidades, entre as quais João Pessoa, Recife e Campinas, está à disposição no site www.natal.rn. gov.br

 

THE VOICE - Pela primeira vez - pelo menos nos últimos anos -  o Rio Grande do Norte tem mais de um representante em um concurso de talentos a nível nacional, com a classificação de Simona Talma e Swellen Pimentel no The Voice.

 

THE VOICE II - Apesar de não nutrir muita simpatia pela Rede Globo, com certeza, o vereador Sandro Pimentel está feliz pela classificação de sua filha no The Voice.

 

TALENTO - Neste fim de semana, no programa Talento Potiguar, tem mais uma fase classificatória do concurso Mais Bela Voz Gospel, que vai dar ao vencedor a gravação de  um cd. É  na Rede TV! RN, sábado às 10:15 e domingo, às 10:10.

 

GRAFITH - A banda Grafith, prepara-se para comemorar, no dia 23 deste mês, com um grande show, na Norte Show, da Zona Norte, os seus 25 anos de sucesso.

 

25 de Outubro de 2013 às 11h20

CESTA BÁSICA CULTURAL (I)

As leis de incentivo à cultura, que foram criadas para permitir que a produção cultural independente - desvinculada de interesses puramente comerciais - pudesse caminhar com as próprias pernas, representaram um grande benefício para a arte e a cultura, permitindo que um grande número de projetos importantes pudesse se tornar realidade. Entretanto, o maestro Julio Medalha, afirmou em um artigo que escreveu para o jornal O Globo, há algum tempo atrás, que está havendo, com relação às  leis de incentivo, um fenômeno semelhante ao que ocorre com a concentração de renda (uma das principais causas das desigualdades sociais do nosso pais): são liberados milhões de reais, através das leis, para projetos em áreas ricas do Brasil, enquanto regiões mais carentes - e riquíssimas em manifestações culturais - não conseguem o mesmo benefício. A Lei Rouanet, criada em 1991, passou a ser questionada por apoiar projetos que não tem nenhum perfil cultural como desfiles de modas, Oktoberfest e até mesmo um Carnaval fora de época organizada pela torcida Mancha Verde. A lei tornou-se uma imoralidade quando passou a ser utilizada por empresas de grande porte, que criam suas próprias instituições culturais nas quais investem os incentivos fiscais que ganham do governo. Desta forma, terminam concentrando milhares de reais em projetos do seu interesse, sem gastar um centavo. Outras vezes, estas empresas apoiam projetos de entidades oficiais (que têm dotação orçamentária própria). Nos dois casos há, no mínimo, uma tremenda injustiça, pois milhões de reais oriundos da renúncia fiscal do governo são usados por estas empresas segundo sua conveniência, muitas vezes em parceria com instituições governamentais, enquanto os produtores culturais independentes, principalmente das regiões mais pobres, ficam a ver navios. Esta imoralidade está comprovada pelos números: as quatro empresas que mais utilizam os incentivos da Lei Rouanet são Petrobrás, Vale, Banco do Brasil e BNDES. E não para por aí: as campeões de projetos aprovados com incentivos fiscais são fundações vinculadas a grandes empresas, como, por exemplo, Itaú Cultural e Fundação Roberto Marinho, esta última pertencente às Organizações Globo. Mas se o amigo leitor pensa que estas imoralidades estão no limite da admissibilidade, preparem-se: a Time for fun teve, em 2012, autorização para captar a soma absurda e inacreditável de R$ 28 milhões para realizar espetáculos como O Rei Leão e a Família Adams, cujos ingressos chegaram a  R$  280.  

 

 

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O projeto Parcerias Sinfônicas, promovido pela Fecomércio/RN, estreia hoje no anfiteatro do campus da UFRN, o show "Vinícius, uma canção pelo ar...", em homenagem ao centenário de Vinícius de Morais, com a a participação da Orquestra Sinfônica da UFRN, Lysia Condé, Alzeny Melo, Hilkélia Carlen, Erici Von Sohsten, Rogério Ferraz e Quitéria Kelly. O evento será gratuito e tem apresentações programadas para Mossoró, Caicó e Pirangi do Norte.

 

Em apenas dois meses de aplicação, o programa Lixo Zero já multou 7.683 pessoas no Rio de Janeiro em 21 bairros da cidade. Deste total, 63% das autuações foram aplicadas a pessoas que jogaram guimbas de cigarro, latas, copos descartáveis, e plásticos fora das lixeiras. Como seria bom se algum vereador da Natal, Parnamirim ou outra cidade de grande porte do nosso estado lesse esta matéria e criasse uma lei semelhante aqui...

 

Segundo pesquisa do IBGE, a cultura, no Brasil encolheu 2009 e 2012, desempregando 15,6% no setor, enquanto que, no geral, a economia cresceu 2,2%. E enquanto isto a Lei Rouanet continua gastando milhões em patrocínio a centenas de projetos "culturais" de grandes instituições com o dinheiro do contribuinte.

 

E continua a polêmica com relação à chamada lei da biografia. Escritores ameaçam parar se a proibição para a publicação de biografias não autorizadas realmente passar a valer. Neste imbróglio o ministro do STF, Marco Aurélio Melo até chamou  Caetano Veloso de "jurista".

 

Numa realização conjunta da Prefeitura de Parnamirim, Ministério Público e o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (COMDICA) , se realizará nos dias 1, 4 e 8 de novembro, a partir das 8 horas da manhã, o Seminário Municipal denominado "Sistema de Atendimento Socioeducativo de Parnamirim". O seminário, que terá lugar na UnP/Santos Reis, vai discutir a conjuntura atual da socioeducação.

 

18 de Outubro de 2013 às 09h56

UM EXEMPLO A SER SEGUIDO


A entrega do Prêmio Hangar de Música, cuja 11ª edição ocorreu no dia 08 passado no Teatro Riachuelo, foi um assunto muito comentado pela imprensa natalense nos dias seguintes à sua realização. Portanto,  não é mais novidade. Entretanto, embora já tenham se passado 10 dias desde a realização do evento - o que é muito tempo, nesta época em que as informações se renovam com bastante rapidez -, volto a falar do Prêmio Hangar de Música, pois, para mim ele tem uma importância muito maior do que se possa imaginar.

Aprendi a admirar o trabalho de Marcelo Veni como produtor cultural quando percebi que ele, além de ser uma pessoa antenada, cujo trabalho é direcionado para a  promoção dos movimentos alternativos na área da música, tem uma virtude que a grande maioria daqueles que se intitulam "produtores culturais" não têm: não alimenta preconceito contra nenhum tico de manifestação cultural. O trabalho de Marcelo Veni visa, principalmente, a divulgação de artistas e grupos musicais que não têm espaço na mídia convencional - principalmente no Rádio -, pelo fato de, na maioria das vezes, não terem um trabalho com apelo comercial. Todavia, nos seus projetos ele sempre encontra uma maneira de abrir espaço para resgatar o trabalho de artistas populares cuja obra se identifica com o dia-a-dia das pessoas simples. Foi assim quando ousou, há muitos anos atrás, o que ninguém tinha tido coragem de fazer: levar a Música de Carlos Alexandre para o Teatro Alberto Maranhão, através de Carlos Alexandre Júnior; foi assim quando idealizou o projeto Música Na Feira, há alguns anos atrás. E foi assim quando idealizou o Prêmio Hangar de Música com o objetivo de reconhecer e premiar o trabalho de nossos cantores, produtores, compositores e músicos, sem descriminar nenhum estilo musical. 

A maior ousadia de Marcelo Veni não foi apenas levar o Prêmio Hangar de Música para o palco do Teatro Riachuelo; sua maior ousadia, aquela que merece a maior admiração por parte de todos nós, foi permitir que a arte feita nas comunidades por artistas de perfil eminente popular pudessem, ao lado de grandes nomes da nossa música, ter seu trabalho reconhecido. Diversidade musical, produção de alto nível organização esmerada: para mim, estes três itens representam o grande mérito, este ano, do Prêmio Hangar de Música, que sofreu uma interrupção injusta, mas que se tornou, com, este novo formato, o acontecimento mais importante da música potiguar. Por isto, o Prêmio Hangar de Música não pode mais parar. E Marcelo Veni é um exemplo a ser seguido.

 

 

 

A 8ª Exposição de carros antigos, que realizou-se no final de semana passado, atraiu uma multidão e foi sucesso total, na praça Pedro Velho, em Natal. Além da exposição, um palco foi armado para a apresentação de artistas potiguares, entre os quais a Banda Anos 60 e o forrozeiro Fernando Farias, filho do grande Arnaldo Farias. A organização do evento está de parabéns.

 

Artur Soares, embora seja um nome desconhecido do grande público, é hoje, de longe, a mais grata revelação da música potiguar. Irreverente e criativo, bom compositor, suas músicas, sem excessos harmônicos na melodia e sem pretensões filosóficas nas letras, representa são algo novo na cena musical do nosso estado.



A Câmara Municipal de Natal aprovou, em definitivo, a lei municipal que garante aos artistas natalenses a abertura de shows de artistas nacionais realizados na capital, com a garantia de cachês nunca inferior a 10% do que é pago ao artista de fora. A lei é de autoria do vereador de Luiz Almir.



Termina no próximo domingo a programação cultural da Festa do Boi, com um dia dedicado ao público infantil. O evento, que está na sua 51ª edição é considerado pela ANORC - Associação Norte-riograndense de Criadores - como o 3º em importância no país.



Amanhã, pela RedeTV/RN, às 11:15, será exibida mais uma edição do Talento Potiguar.  O programa, que tem o patrocínio da Lei Djalma Maranhão, tem reapresentação sempre aos domingos, a partir das 10:10.

 

11 de Outubro de 2013 às 10h21

SOU DO TEMPO DA "QUARTINHA

Eu sou do tempo de beber água de quartinha. E também sou do tempo da Brilhantina Glostora, do Sputnik, dos discos 78 rotações, das serenatas, do Paredón em Cuba, de pedir as meninas em namoro por carta, de dançar nos "assustados", de Cristaleira, Petisqueira, "Difruço" (defluxo catarral), do Biotônico Fontoura e Emulsão de Scott, do tênis Sete Vidas, de  tomar banho de açude numa câmara de ar, de ouvir Jerônimo o Herói do Sertão e a Ronda dos Fantasmas, de assistir aos filmes em preto e branco de Oscarito e Grande Otelo, Roy Rogers e Tarzan, e os seriados de Bill Elliot e Jim das Selvas. Sou do tempo da primeira Campanha da Fraternidade (que começou aqui, no Rio Grande do Norte), dos espetáculos dos circos mambembes, de trocar gibis nas portas dos cinemas, de ler O Cruzeiro e a Revista do Rádio, de ouvir as músicas de Ângela Maria, Cauby Peixoto, Núbia Lafayette, Trio Irakitan,  Dolores Duran e de um cara que "cantava pra dentro" chamado João Gilberto. Sou do tempo em que se dançava no escuro sob a luz negra ao som de "Detalhes", dos festivais de MPB da Record, do futebol no Juvenal Lamartine, da Ditadura Militar, do "Milagre Brasileiro", do Festival de Woodstock, da Jovem Guarda, das "Casas de Recurso" (locais para encontros amorosos) e, em Natal, dos conjuntos de baile Apaches, Infernais, Terríveis, The Jetsons, Sempre Alerta e dos restaurantes Pouso do Tetéu, na 15 (Salgado Filho), Casa de Mãe e Carne Assada do Lira.     Também sou do tempo do surgimento da TV a cores, da Discotheque, da fita cassete, da pornochanchada, dos faroestes italianos e das matinées do ABC e da ASSEN, do fim da guerra do Vietnã, do Impeachmant de Richard Nixon, da morte misteriosa do papa João Paulo I (que morreu dormindo no 33º dia do seu pontificado), da abertura política,da super inflação, do aparecimento dos teclados eletrônicos, das máquinas filmadoras portáteis, da volta das eleições diretas. Hoje, sou do tempo dos CD's, do telefone celular, da Internet, das redes sociais, do avanço científico, mas também de magistrados desonestos, da saúde sucateada, da segurança falida, da educação negligenciada, de pessoas que morrem por causa da omissão de políticos corruptos, da violência contra a mulher, do desrespeito ao meio ambiente, de ladrões e assassinos impunes (inclusive menores de idade) dos filhos que não respeitam os pais, da imoralidade disfarçada de modernidade. Enfim, sou de "vários tempos" e lembro as coisas boas do passado sem saudosismo, encarando as coisas ruins do presente como uma oportunidade de dar minha contribuição na luta contra as desigualdades sociais e pelo surgimento de uma nova Ética na relação entre os homens.

 

 

 

 

Termina amanhã o 9º Festival Gastronômico de Pipa, que este ano teve como novidade, os  jantares particulares. Além das suas belezas naturais, Pipa também é uma verdadeira delícia durante a realização do Festival Gastronômico, que anualmente conta com uma programação variada com concursos, shows e oficinas, no espaço denominado arena gastronômica.



Durante a Final do FORRAÇO, em junho passado, os vencedores do festival receberam um troféu e um prêmio em dinheiro. O troféu foi real, mas o cheque foi simbólico. E até hoje o simbolismo continua porque, pelo menos até o início desta semana o ganhador do festival, Cesar Holanda ainda não havia recebido o seu prêmio de R$ 1.200,00 (uma "merreca"). Aqui cabe uma pergunta e uma certeza. A pergunta: de quem será a culpa? A certeza: se o prêmio fosse para um artista de fora, com certeza já teria sido pago há muito tempo.



Simona Talma está classificada no The Voice. É motivo de orgulho para todos nós, mas nós sabemos que a parada é dura. Torço por ela, pois nosso estado precisa ocupar mais espaço no cenário artístico nacional. Como nossos melhores artistas não são bem remunerados, o que dificulta a luta pela conquista de um maior espaço fora do nosso estado, o jeito é se inscrever em festivais desta natureza. O que é um perigo, mas também uma necessidade.



Amanhã é dia do programa Talento Potiguar, que agora está com novo cenário e novo visual. A atração desta semana especial em homenagem à crianças é o flautista João Vitor, filho de Antônio de Pádua que fará uma apresentação especial acompanhado pelo pai ao violão e pela sua mãe Roberta ao pandeiro.



Zezo, o cantor para quem os intelectuais torcem o nariz, continua sendo o artista potiguar que mais faz shows fora do estado, sempre com grandes públicos e, de quebra, ainda é o que cobra o maior cachê. Ou seja: enquanto os cães ladram, a caravana passa. Ou melhor: enquanto os preconceituosos estrebucham, Zezo fatura.

 

04 de Outubro de 2013 às 10h32

INDIGÊNCIA CULTURAL

Apesar do Rio Grande do Norte ser rico em talentos, tem revelado ao Brasil poucos nomes de peso no campo artístico. Temos apenas três artistas que são, a seu modo e dentro do tipo de música que fazem, as únicas referências norte-riograndenses atualmente, fora das nossas fronteiras: Roberta Sá, Marina Elali e Zezo. Mas, se levarmos em consideração o inúmero potencial de outros artistas nossos, chegaremos à conclusão de que nosso estado bem que poderia ter uma presença mais forte no cenário artístico nacional e até regional.

No final da década de setenta revelamos ao Brasil três nomes de destaque: Gilliard e Carlos Alexandre estavam entre os dez artistas mais populares do país e Terezinha de Jesus encantava a crítica nacional; nos anos oitenta, além desses nomes de projeção nacional, tínhamos as bandas mais estruturadas do Norte e Nordeste: o Grupo Show Terríveis "mandava" na Paraíba e em grande parte do Ceará, o grupo "Por do Sol" reinava no interior de Pernambuco e em grande parte de Alagoas, o "Circuito Musical" era o conjunto de baile mais respeitado do Piauí e do Maranhão e ainda havia um detalhe: nossos conjuntos musicais, além de terem prestígio lá fora,  eram donos do mercado aqui dentro. Mas as coisas começaram a mudar: enquanto, a partir dos anos noventa alguns estados do Norte e Nordeste se distinguiram no Brasil através de seus próprios movimentos musicais, como o Mangue beat e o brega de Pernambuco, o Reggae no Maranhão,  o Boi Bumbá do Amazonas, o Forró cearense e até o  Brega Pop do Pará, nós nos tornamos "Colônia Cultural" do Ceará, da Bahia e de Pernambuco.

Acredito que uma das principais razões de nosso estado estar numa posição tão obscura no cenário cultural do Brasil e até do Nordeste, é o fato de que não existe aqui uma política cultural permanente através da criação de festivais, ou eventos populares realizados de forma descentralizada, onde novos artistas tenham liberdade para mostrar o seu trabalho e onde o talento seja valorizado sem nenhum preconceito contra qualquer tipo de manifestação cultural.

Também se faz necessário, por parte do poder público, não só um maior aproveitamento de artistas nossos em eventos culturais de grande porte, mas também o pagamento de melhores cachês estes profissionais. Se continuarmos pagando aos nossos talentos "migalhas a prazo", através de um sistema burocrático) e "altos cachês à vista" a atrações de fora,  nossos artistas, ao invés de sentirem profissionais da arte, se sentirão verdadeiros indigentes culturais.

 

 

PIADA CULTURAL DE MAU GOSTO: Por falta de representantes na Conferência Estadual de Cultura, que ocorreu há alguns dias no Teatro de Cultura Popular, na Fundação José Augusto, Natal não terá nenhum delegado para representá-la na Conferência Nacional de Cultura, que ocorrerá no final de Novembro.

 

PIADA CULTURAL DE MAU GOSTO II: Se a ausência daqueles que se autointitulam "representantes" do segmento cultural de Natal já pode ser considerada uma piada de mau gosto, que termo poderá ser usado para definir a ausência da própria Secretária Isaura Rosado, que não compareceu a um evento tão importante? No mínimo, descaso. Pra mim, foi falta de respeito mesmo.

 

PIADA CULTURAL DE MAU GOSTO III:  Pelo que estou sabendo, a Conferência Estadual de Cultura, também não contou com a presença de nenhum dos produtores culturais, promotores de eventos, artistas "de nível" representantes de entidades, ONG's e tantos outros "defensores da nossa cultura" que protestaram violentamente contra a lei de Luiz Almir que obriga a abertura de shows nacionais por artistas locais, pagando a estes um cachê jamais inferior a 10% do que é pago à atração nacional.

 

No próximo dia 08, no Teatro Riachuelo, a partir das 20 horas, acontecerá a 13ª edição do Prêmio Hangar de Música, uma iniciativa louvável do incansável produtor cultural Marcelo Veni, que vai premiar várias categorias da nossa música potiguar. Um evento importante para a música do nosso estado.

 

Também no dia 08, no Centro Administrativo da Prefeitura de Parnamirim, será realizado o Ato Literário por uma Parnamirim de Leitores, que está sendo organizado pela Secretaria de Educação do município e faz parte da programação da Semana Nacional da Leitura, aproveitando a Semana da Criança.

 

27 de Setembro de 2013 às 11h55

COISAS QUE JÁ VI E COISAS QUE SEI QUE JAMAIS VEREI

Coisas que eu já vi: a música "Voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço..." ser o "tema"da abertura do carnaval de Natal, há alguns anos, no largo do colégio Atheneu; artistas baianos serem agraciados com titulos de cidadãos natalenses, sem que tenham feito nada merecerem tamanha honraria; uma orquestra formada por adolescentes abrir, há alguns anos atrás, uma homenagem a Câmara Cascudo, com a música PrettyWoman, de Roy Orbison, (tema do filme Mulher Bonita com Richard Gere e Julia Roberts); numa festa realizada há alguns anos em homenagem aos 96 anos do mestre Cornélio Campina, realizada em frente ao clube Araruna, nas Rocas, o DJ responsável pelo som abrir a programação com a música "Amor de rapariga", de uma banda paraense; um personagem engraçado chamado Cinderela, interpretado por um talentoso ator pernambucano, ser assediado, e exaustivamente entrevistado por canais de TV da nossa cidade, por várias vezes, durante a realização do nosso carnaval fora de época; o maior humorista do nosso estado, Espanta - que para ser reconhecido em todo o Brasil teve que se mudar para o Ceará - ser homenageado por um bloco, também no nosso carnaval fora de época... Depois de morto.

Coisas que sei que jamais verei: uma musica do nosso querido compositor de frevos, Dozinho, ser executada na abertura do carnaval pernambucano; um artista norte-rio-grandense ser agraciado com o título de cidadão baiano (ou pernambucano, ou cearense) pelo fato de todos os anos ser contratado para se apresentar em shows naqueles estados; em um estado como Pernambuco, por exemplo, uma orquestra, um artista ou um grupo musical abrir um evento em homenagem a um pernambucano ilustre,ao som Pretty Woman, ou qualquer outra música que não tenha relação com sua cultura; em uma festa que possa, no futuro, ser feita em homenagem aos 90 anos de um ícone da cultura brasileira (Ariano Suassuna, por exemplo), o DJ abrir a programação com uma forró que tenha a palavra "Rapariga"no  título, principalmente se a música for de uma banda ou artista de um outro estado. nenhum artista nosso - cantor, compositor, comediante, etc. - ser assediado, prestigiado e exaustivamente entrevistado por canais de TV de Recife, Salvador ou Fortaleza, por ocasião da realização do carnaval de Recife, de Salvador ou no FORTAL, em detrimento dos artistas de lá.

Certas coisas que eu já vi, gostaria de não ver mais. Mas temo que meu desejo não se realize... 

 


 



São Miguel do Gostoso vai ser palco da 1ª Mostra de Cinema de Agosto, que durante cinco dias,exibirá lançamentos cinematográficos brasileiros em sessões abertas ao público. O evento, que também terá sessões em ambientes fechados, terá inscrições abertas até 09 de outubro, pelo site mostradecinemadegostoso.com.br

 

A Banda Anos 60 se prepara para realizar um super show na AABB, com Renato e Seus Blue Caps. O evento será para comemorar os 50 anos da banda carioca criada por Renato Barros, que foi responsável, no Brasil,pela gravação de inúmeras versões dos sucessos dos Beatles e marcou época como um dos grandes nomes da jovem guarda.

 

Parabéns à Fundação de Cultura de Parnamirim, que realizou comsucesso a 4ª Semana da Cultura, cujo encerramento ocorreu domingo passado no Parque Aluízio Alves, com os shows de Mazinho e Regina e DuSouto. Seria bom que eventos similares se realizassem em outras cidades e tivessem uma maior divulgação.

 

Amanhã o programa Talento Potiguar, que apresentamos pela SimTV, às 11:15, com reapresentação aos domingos, às 10:10, começa a mostrar as imagens do Show das Comunidades que realizamos no Bairro de Nazaré.

 

O Jiqui Country Clube, que comemorou no domingo passado seus 50 anos de existência com um café da manhã para convidados, continua com sua programação alusiva à data amanhã, com shows de Trio Irakitan e Cristiane Velassy. Manoel Augusto continua desenvolvendo um excelente trabalho como presidente do clube.

20 de Setembro de 2013 às 11h06

O PIABÓDROMO DE BARCELOS

Barcelos é uma cidade histórica do interior do Amazonas que, embora seja o maior município daquele estado em área territorial e o segundo do Brasil, tem pouco mais de 25 mil habitantes. Quem tem aquários em casa, sabe que um dos peixes ornamentais mais bonitos - e mais frágeis - é aquele que parece irradiar uma luz incandescente; o que pouca gente sabe é que este peixe, nas cores azul e vermelho, é o peixe ornamental mais exportado da Amazônia brasileira. O peixe cardenal, com sua cores de neon, encanta pela sua exuberância, tem sua habitat natural nas águas negras dos rios da região amazônica, e o município de Barcelos é o maior exportador da espécie. Barcelos também exporta outro tipo de peixe, o acará disco, nas cores preta e amarelo, bastante cobiçado pelo mercado internacional.

Em julho de 1994, a prefeitura de Barcelos instituiu o Festival do Peixe Ornamental de Barcelos - FESPOB, com o objetivo de divulgar a cultura e os produtos regionais, principalmente o peixe ornamental, por sua potencialidade como fonte de renda para as famílias barcelenses. Foi então criado o Piabódromo, um espaço onde se realiza anualmente o Festival do Peixe Ornamental, que se tornou o um dos maiores eventos culturais do Amazonas. O festival, que ocorre sempre na última semana do mês de janeiro e envolve música, arte cabocla e indígena, começa na quinta-feira, com a Feira do Visitante, culminando no fim-de-semana, com a disputa entre o cardenal e o acará disco. Os dois grupos são as estrelas da festa, que já encantava o Amazonas e se tornou um evento de grande expressão cultural. Hoje a cidade de Barcelos é conhecida mundialmente como a Capital do Peixe Ornamental e atrai milhares de turistas anualmente.

O detalhe interessante é que o Piabódromo de Barcelo não é utilizado apenas para a realização do Festival do Peixe Ornamental: durante todo o ano são realizadas no espaço exposições, festivais culturais, feiras e vários eventos artísticos e culturais.

Enquanto no Amazonas, uma pequena cidade cria um espaço para promover as tradições culturais durante o ano inteiro, o Rio Grande do Norte segue o caminho contrário: gasta milhões em "espaços culturais" que se transformam em elefantes brancos e não consegue aproveitar a sua riqueza cultural para gerar renda e promover o turismo através da arte. Aqui, não é Barcelos: lá, os pequeninos peixes são utilizados de forma inteligente pelos gestores e torna um município de apenas 25 mil habitantes, conhecido no mundo todo. Aqui, a cultura popular e a arte são esquecidas e, ao contrário do que ocorre no pequeno município amazonense, quem manda nos eventos são os "tubarões" artísticos importados de outros estados às custas do cidadão potiguar. Resultado: nosso estado ocupa uma posição inexpressiva no cenário cultural do Brasil e os nossos artistas estão empobrecendo cada vez mais. 

 

 

 


Neste ano, o Natal em Natal terá apresentações teatrais. Os projetos Encruzilhada do Mundo e O Milagre da Fé foram selecionados por meio do edital "Natal em Cena". As apresentações serão durante os comemorações natalinas de dezembro, na Árvore de Mirassol e na Zona Norte.                                                                                                                                         

A convite de Dácio Galvão, Presidente da FUNCARTE, participei, segunda-feira passada, na Prefeitura, da reunião - a segunda - que está discutindo a elaboração do Natal em Natel. Sugeri a criação de um evento cultural com artistas das comunidades natalenses. A ideia foi bem aceita pelo prefeito e estou elaborando um projeto com Castelo Casado, para apresentar na próxima reunião, no dia 30 deste  mês.

 

No dia 08 de outubro ocorrerá a 11ª edição do Prêmio Hangar de Música. Idealizado por Marcelo Veni, o evento dá visibilidade a artistas da área musical, e tem, durante os últimos anos, contribuído enormemente para o incentivo à produção musical do nosso estado. Neste ano o prêmio contemplará 20 categorias diferentes.

 

De 04 a 12 de outubro, ocorrerá o Festival Gastronômico de Pipa, que será realizado pela Associação Educacional Comunitária de Pipa, com o patrocínio da prefeitura de Tibau do Sul.

 

Apesar das dificuldades, o Show das Comunidades segue em frente, prestigiando os artistas dos bairros populosos. Depois de Felipe Camarão no mês de agosto, foi a vez do bairro de Nazaré receber o projeto, no dia 18 passado. O próximo show está previsto para a Zona Norte. Até o final da próxima semana, será definido o local.

13 de Setembro de 2013 às 10h39

OS DESDOBRAMENTOS SOCIAIS DA CULTURA

Embora o Brasil não tenha incluído a cultura nos indicadores de desenvolvimento sustentável, em 2003 o IBGE apresentou um "Sistema de Informações e Indicadores Culturais" com o objetivo de organizar e sistematizar informações relacionadas ao setor cultural, objetivando democratizar o acesso à cultura. Em 2007, o Ministério da Cultura lançou o programa "Mais Cultura", objetivando investir R$ 2,2 bilhões do orçamento da União e mais R$ 2,2 bilhões em parcerias. Segundo estudiosos, estas ações visaram aumentar a acessibilidade da população aos produtos culturais em regiões metropolitanas com maiores índices de violência e baixos índices educacionais, para que parte da população, hoje marginalizada, também tenha acesso aos bens e produtos culturais, enfatizando a inclusão social.

As leis de incentivo visam, através de renúncia fiscal, patrocinar projetos por parte do poder público: shows musicais, concertos, espetáculos teatrais, formação de públicos e a manutenção do patrimônio público. 

Embora eu respeite o apoio de empresas por meio de leis de incentivo a espetáculos e eventos de grande porte, acredito que o fortalecimento da imagem das empresas é maior quando elas apoiam projetos culturais com desdobramentos sociais duradouros. Se uma empresa apoia um evento pontual (por exemplo, uma peça de teatro com atores globais, cujos ingressos são inacessíveis à grande parte da população), a associação da sua marca se fortalece momentaneamente, mas os desdobramentos sociais do espetáculo patrocinado praticamente inexistem, pois embora o apoio tenha sido definido como "investimento em cultura" não representa uma possibilidade prática de resultados em benefício da sociedade de um modo geral.

Cada vez que uma empresa é parceira ou patrocinadora de um projeto que tenha a denominação de cultural, ela torna-se, no mínimo, corresponsável pelas consequências sociais das ações desenvolvidas pelo projeto. Neste sentido, a empresa estará apoiando não só um evento que tem como foco o entretenimento e o lazer: estará dando apoio a uma ação cultural que traz consequências duradouras e positivas; e quanto mais duradouras e positivas forem estas consequências, mais a empresa terá contribuído para o fortalecimento de uma identidade cultural, para a descoberta de novos valores artísticos e até mesmo para a geração de renda da população e para o combate às  injustiças sociais, o que contribuirá para um maior fortalecimento da sua marca. 


 


 


Desde o dia 09 passado que o canal de TV do SESC está apresentando documentários gravados durante o Festival Íbero-Americano de Artes Cênicas da Cidade de Santos. Os documentários, gravados no anos de 2010 e 2011, além de contar com depoimentos de diretores, atores e especialistas do teatro ibero-americano, mostram aspectos de produções teatrais da America Latina, Espanha e Portugal.


A UFRN está realizando um projeto cultural, coordenada pela professora Tânia Regina Barbosa de Oliveira, para prestar uma justa homenagem ao compositor Taiguara. As inscrições ocorrerão entre os dias 16 e 30 deste mês na UFRN. O projeto prevê a gravação de um CD e a realização de 24 shows - sendo 12 com ingressos pagos. Esperamos que, um dia, a UFRN também homenageie artistas potiguares como Zé Menininho, Aldair Soares, Trio Irakitan, Núbia Lafayette e outros que precisam ser conhecidos pelas novas gerações.

 

Lembrete: É só até hoje que a Fundação Capitania das Artes está recebendo inscrições para curtas de ficção. A premiação é de R$ 15 mil. Pergunta feita pelo jornalista Sérgio Vilar, no seu blog do Portal Noar: por que danado um Rastafeeling, um Dusouto, um Poetas Elétricos, iria se inscrever no Circuito Cultural da Ribeira, para receber, no máximo, R$ 600 em receber nenhuma moeda de troca?  Aí eu ergunto: o que e esperar de um estado onde um grupo de vanguarda recebe uma proposta de cachê no valor de R$ 300,00 em um "circuito cultural?"

 

Está sendo criado um projeto para juntar em uma única banda, músicos remanescente de grupos musicais que dominaram a cena natalense na década de 80, como Fernando Luna (Impacto Cinco e Terríveis), Roberto Cantor (Terríveis), Romário (Sui Generis) e Leonel (Impossíveis). Uma grande sacada para resgatar uma época em que quem mandava na cena cultural daqui eram os grupos musicais natalense e não os de outros estados.

 

Lembrete: termina hoje, na Fundação Capitania das Artes,  as  inscrições para curtas de ficção. A premiação é de R$ 15 mil.

06 de Setembro de 2013 às 10h53

AGORA, MODA É CULTURA

O projeto que idealizei em 2002, Talento Potiguar/Show das Comunidades, tem tentado, ao longo de todos estes anos, abrir janelas para nossos talentos na área da música,  da dança, do humor, das artes circenses, etc, procurando dar visibilidade a todas as nossas manifestações artísticas e culturais. No ano de 2007, criei um evento denominado Comunidade Fashion, cujo objetivo era descobrir talentos na área da moda em bairros periféricos, pois sabemos que a maioria dos eventos de moda que se realizam de vez em quando em hotéis de luxo de Natal, promovidos por promotores ligados ao chamado mundo fashion, para, supostamente revelar futuras top models, são direcionados a um público de alto poder aquisitivo. Muitas garotas talentosas, por serem de origem humilde, não têm acesso este tipo de evento, onde muitas  jovens pobres, bonitas e talentosas, ficam de fora por não terem como pagar as famosas "taxas de inscrição". Se estes concursos fossem mais democráticos, teriam como objetivo principal não apenas dar lucro, e sim a descoberta de novos talentos na área da moda, independente da classe social das participantes. 

 

Quando tentei incluir o Comunidade Fashion no projeto Talento Potiguar/Show das Comunidades, ouvi de pessoas esclarecidas - inclusive com conhecimento dos mecanismos de funcionamento das leis de incentivo - que "Moda não é Cultura". Diante disso, tive que fazer o concurso durante dois anos, na "marra": as garotas desfilavam nos bairros, eu as mostrava na TV e, numa parceria com a Pérola Model, escolhíamos, no final do ano, a Top Model das Comunidades na, ASSEN, num concurso onde as melhores eram contempladas com prêmios, books, produtos de beleza e um curso gratuito de modelo e manequim, como forma de incentivá-las a seguir a carreira de modelo.                                         

Agora, Moda virou Cultura: a ministra da Cultura, Marta Suplicy (que, quando era  Ministra do Turismo, pediu, durante uma crise na aviação civil, que os brasileiros "relaxassem e gozassem") sugeriu, durante uma reunião com o grupo Brasil Fashion System, realizada na sede da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, que a Lei Rouanet  destinasse, através do patrocínio de grandes empresas, um total de R$ 7,4 milhões para os estilistas Pedro Lourenço, Alexandre Herchcovitch e Ronaldo Fraga.  Moral da história: se for para dar oportunidade a jovens de comunidades carentes, Moda é Moda; se for para destinar milhões de reais dos contribuintes para promover empresas de grande porte e encher os bolsos de estilistas famosos às nossas custas, Moda é Cultura. Afinal, que país, é esse? 


 


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O cantor Edy Lemos, depois de residir por mais de vinte anos em Portugal, está de volta ao Brasil e vai residir em Mossoró, sua terra Natal. Damos-lhe boas vindas, e lhe desejamos boa sorte. Com certeza, ele terá muita luta pela frente...

 

Geraldinho Carvalho, que não teme desafios nem tem medo de percorrer caminhos árduoS, depois de uma boa permanência em Brasília, está na terra, nos brindando com seu talento, sua simpatia e seu sorriso. Sorriso sincero. Coisa que falta em algumas nas "celebridades" da música potiguar. Seja bem vindo, amigo.

 

O Projeto Som da Mata, que voltou no dia 1º deste, promete grandes atrações semanais no Parque das Dunas, sempre aos domingos. Para o bem da cultura potiguar. E, para provar que não se pode mensurar o valor material de um bem cultural - neste caso a música - o ingresso custa apenas 1 real.

 

Na primeira quinzena de outubro a UFRN realizará os ensaios, as aulas e os recitais que farão parte da programação da Semana da Musica. Mas as inscrições para as oficinas gratuitas que acontecerão durante o evento se encerram no próximo dia 8. Mais informações na Internet, pelo sistema Siga da Universidade Federal: sigaa.ufrn.br.

 

Nunca é demais lembrar: amanhã, a partir das 11:15, tem o programa Talento Potiguar, pela SimTV, Canal 17 (aberto) e 21 (fechado). Reapresentação no domingo, às 10:10. Vale a pena assistir e valorizar o que é nosso. Além de atrações de peso, neste domingo vamos continuar mostrando as imagens do Show das Comunidades de Felipe Camarão.

30 de Agosto de 2013 às 11h54

NOVOS TALENTOS NO FESTIVAL BOSSA & JAZZ DE PIPA

Desde os primórdios do Rádio e da TV, os programas de entretenimento, além da apresentação de atrações famosas, sempre incluíram na sua programação, um quadro para dar oportunidade a pessoas que queriam fazer parte do mundo artístico. Só para lembrar aqueles que marcaram época, nomes como Ary Barroso (que em 1943 estreou o programa A Hora do Calouro, na Rádio Cruzeiro do Sul, do Rio de Janeiro, através do qual descobriu e apoiou vários artistas que se destacaram no cenário artístico nacional, entre estes Elza Soares), Cezar de Alencar e Renato Murce - só para citar alguns - deram oportunidade a muitos cantores e cantoras iniciantes. Com o advento da TV, inúmeros apresentadores surgiram e todos eles, nos seus programas, além das atrações principais, tinham concurso de calouros. Dentre estes, podemos destacar Jota Silvestre, Airton Rodrigues, Flávio Cavalcante e Sílvio Santos, mas não se pode negar que o maior de todos eles foi o Chacrinha, com a Buzina do Chacrinha, do qual tive a felicidade de participar e ganhar o título de Calouro Exportação em 1974, na TV Tupi.

Com o passar do tempo, os concursos de calouro mudaram de nome e, embora mantendo a intenção original, ganharam novo formato, dando lugar aos reality shows e passando a ser conhecidos como festivais, ou concursos de novos talentos.

No Rio Grande do Norte, este tipo de competição artística começou com Genar Wanderley, passou por Rui Ricardo (apresentador da Sabatina da Alegria) e culminou com Carlos Alberto que foi o pioneiro deste tipo de programa na TV potiguar e encerrou o ciclo de programas desta natureza no nosso estado. Hoje, o concurso A Mais Bela Voz, da Rádio Rural de Mossoró ainda tenta manter a antiga tradição dos concursos de calouros.

Em 2002, quando idealizei o Show das Comunidades, resgatei este formato, ao criar o Show de Novos Talentos, que mantenho até hoje no projeto e no programa Talento Potiguar que apresento pela SimTV aos sábados, com reapresentação aos domingos. Recentemente, ao tomar conhecimento que o festival Bossa & Jazz de Pipa criou um espaço para a descoberta de novos talentos, fiquei surpreso e feliz; surpreso porque este tipo de atitude representa uma oportunidade para que se possa enriquecer a nossa cena musical num festival de alto nível; e feliz, porque, ao ver um festival deste porte abrir um edital para a inscrição de novos talentos, percebo que, mesmo que eu não seja o inventor deste formato, é provável que o concurso criado por mim para a descoberta de novos talentos nos bairros e na TV, possa inspirar o surgimento de festivais que revelem novos talentos ao público do Rio Grande do Norte. 

 

 

 

 


Poucas pessoas sabem, mas a Lei 11.769/08, que torna obrigatória a educação musical nas escolas de ensino médio e fundamental em todo o Brasil nunca foi cumprida (talvez por não ter o nome de Bolsa-Qualquer-Coisa). Foi criado o Grupo de Ação Parlamentar Pró-Música (GAP) que já conta com a participação de vários artistas para ver se a lei "emplaca". Tem que "emplacar"!

 

O Show das Comunidades realizado no dia 21 passado em Felipe Camarão, comemorando o aniversário do bairro, foi sucesso absoluto. Cantores, bandas e grupos musicais de diversos estilos, grupos folclóricos e desfile de moda com jovens do bairro fizeram uma bela festa. O evento, que é gratuito, tem o patrocínio da Lei Municipal de Inentivo à Cultura Djalma Maranhão.

 

No Rio de Janeiro, existe um projeto chamado Mais Leitura que vende livros ao custo de R$ 2,00 e 4,00. Atualmente o projeto atua em São João de Meriti,  em São Gonçalo  e em Bangu. Desde que o projeto foi implantado, já foram vendidos mais de 600 mil livros. Este sim, é um projeto que merecia ser adaptado e implantado aqui no nosso estado.

 

Anteontem vi um banner anunciando uma festa de padroeiro em uma cidade do interior. No cartaz, ao lado da foto da igreja, aparece a foto de um grupo de Arrocha e as informações sobre a data e o local da festa. Até pensei que o show seria dentro da Igreja. Não tenho nada contra nenhum estilo musical; mas colocar a foto da Igreja ao lado da atração mundana não é um pouco de exagero? Daqui a pouco vão colocar uma foto do padre dançando...

 

Estive recentemente na FM 87,5 de Parnamirim, sendo entrevistado por Sérgio Luiz e pelo professor Armando Souza, idealizador da Oficina Livre de Música. Um papo agradável e sério sobre a situação vergonhosa em que se encontram a música e arte potiguar, por falta de incentivo.

 

23 de Agosto de 2013 às 09h59

A VENDEDORA DE PIRULITOS

Em meados da década de oitenta, durante o verão, uma garota, cujo nome artístico era Regina Taylor, vendia pastéis na praia da Redinha, e para aumentar as suas vendas usava um "marketing" diferente: se identificava como dançarina do Circo Guarani, do palhaço Bolachinha, que nunca teve cobertura e que, a cada ano, passava a metade do verão na Redinha e a outra metade na praia de Pipa. O tempo passou, os circos pequenos tiveram que enfrentar a concorrência da TV e de eventos de grande porte, e centenas de artistas circenses passaram a viver em situação de extrema pobreza ou procurar outros meios de sobrevivência.

No dia 15 passado, por iniciativa do vereador Aroldo Alves, a Câmara Municipal de Natal realizou uma audiência pública para discutir a situação de músicos, cantores e artistas de rua que vivem cada vez mais em dificuldades e não contam com o apoio do poder público. A audiência, que tinha como objetivo levantar questões e sugerir soluções, contou com a presença de músicos profissionais, cantores de vários estilos, humoristas e produtores. A Fundação José Augusto não enviou nenhum representante e a FUNCARTE esteve presente, embora sua representante tivesse chegado atrasada.

Aquela audiência, pra mim, foi uma das mais autênticas, pois, pela primeira vez, vi dois palhaços de circo, um humorista, um músico profissional,um cantor de brega, um cantor de forró pé de serra e  artistas de vários segmentos ocuparam a tribuna da Câmara Municipal de Natal para expor as dificuldades que enfrentam para exercer suas atividades. Foi formada uma comissão com representante dos artistas e outra formada por vereadores, para fazer uma série de reivindicações junto ao presidente da FUNCARTE.

Durante a audiência, um fato chamou a minha atenção: num determinado momento entrou no plenário uma vendedora de pirulitos. Era a filha de Michelin, o palhaço que teve de encerrar as atividades do seu circo por falta de apoio. E aquela menina com aquela tábua de pirulitos no plenário da Câmara Municipal me relembrou Regina Taylor. Com uma diferença: enquanto a dançarina vendia pastéis na praia da Redinha no verão para obter uma renda extra, a filha de Michelin vende pirulitos pelas ruas de Natal diariamente porque seu pai, a exemplo de centenas de artistas populares esquecidos pelo poder público, não pode sustentar a família trabalhando na única coisa que sabe fazer: ser um profissional da arte circense. 

 

 

 

 

 


Na próxima quarta-feira, dia 28, estarei fazendo um show na 86ª edição da Assembleia Cultural, a partir das 18 horas. A abertura será feita pelo cantor Ramon Gomes. A Assembleia Cultural é um projeto que dá visibilidade aos talentos da nossa terra e o seu formato bem que poderia ser adaptado e implantado nas cidades do interior através das Câmaras Municipais.

 

O compositor e poeta e Célio Ferreira, autor de várias músicas de sucesso de Gilliard, entre as quais Quem Me Dera, que foi tema de novela da TV Globo, está se preparando para lançar o seu primeiro livro de poesias. Célio foi meu companheiro no grupo Apaches, de João de Orestes, no início da década de 70.

 

Só para registrar: pouca gente sabe, mas graças ao trabalho do professor e pesquisador Aucides Sales, com o apoio do Coronel Reis, Assessor Parlamentar da 7ª Brigada de Infantaria Motorizada do Estado, o Índio Felipe Camarão é o primeiro potiguar a ser considerado  Herói Nacional. O decreto oficializando a decisão foi publicado em agosto de 2012 no Diário Oficial da União.

 

A FJA realizou no dia 17 passado o pagamento do Prêmio RN Junino a 141 arraiás e quadrilhas contemplados pelo edital 17/2013. A professora Isaura Rosado afirmou  "Este ano, decidimos pelo pagamento dos editais, em vez de empregarmos verbas na contratação de atrações nacionais". Quer dizer que nos anos anteriores, os pagamentos dos editais foram prejudicados por cauda de verbas empregadas na contratação de atrações nacionais?

 

Se no Rio Grande do Norte a imprensa divulgasse fatos ligados à nossa arte e à nossa cultura numa proporção de pelo menos 50% do que divulga fatos ligados à nossa política, com certeza, nosso estado acabaria definitivamente com o "complexo de inferioridade cultural" que tem com relação aos estados da Bahia, de Pernambuco e do Ceará.

16 de Agosto de 2013 às 07h56

EU (TAMBÉM) TENHO UM SONHO

EU (TAMBÉM) TENHO UM SONHO

 

Hoje eu afirmo e reafirmarei sempre: eu ainda tenho um sonho enraizado no sonho dos artistas humildes.

Eu tenho um sonho de que um dia Natal e o Rio Grande do Norte despertarão para o respeito aos seus valores culturais e, ao deslumbrar esta verdade, darão a todos os seus artistas um tratamento respeitoso, independente de cor, raça e classe social.

Eu tenho um sonho de que um dia - e que não demore - nas ruas mal iluminadas e sujas de bairros afastados, brilhará uma luz para clarear a estrada dos talentos esquecidos e permitir a estes seguirem o rumo certo na busca da conquistas dos seus ideais. 

Eu tenho um sonho de que amanhã - e que não demore - o cheiro da pobreza e o odor fétido oriundo da sujeira espalhada pelas ruas dos bairros afastados não sejam  obstáculos ao exercício da cidadania e muito menos ao florescer do direito à liberdade de expressão manifestada através da arte dos seus moradores.

Eu tenho um sonho de que os filhos daqueles que nasceram talentosos, mas pobres, um dia viverão numa terra que lhes dará um tratamento mais digno do que o tratamento que deram aos seus pais.

Eu tenho um sonho de que um dia - e que não demore - a prepotência de alguns privilegiados  caia por terra e junto com ela caia também a descriminação que eles têm com relação a muitos dos seus próprios colegas, só pelo fato de eles serem artistas humildes.                                                                                                                                        

Eu tenho um sonho de que, com a morte da prepotência dos presunçosos, também morra junto sua influência nefasta e que no seu lugar nasça um fio de esperança para os seus colegas que sofrem a dor da descriminação e a humilhação do esquecimento.           Eu tenho um sonhoo de que junto com o nascimento deste fio de esperança, também surjam os acordes de uma sinfonia de fraternidade que será cantada por todos os artistas,  exaltando o respeito mútuo e o dever de cada um reconhecer o direito do outro, e de que todos aqueles que tenham valor sejam reconhecidos.                                                                                                             

Mais do que um sonho, eu tenho uma esperança: a de que os nomes de Câmara Cascudo, Dona Militana, Chico Daniel, Manoel Marinheiro, Cornélio Campina, Djalma Maranhão, Deífilo Gurgel e tantos outros não sejam pronunciados em vão, nem que suas memórias se apaguem das memórias das novas gerações por falta de um trabalho permanente para preservar a herança cultural  que eles  nos deixaram. 

 

*Inspirado no discurso I Have a Dream, feito pelo pastor e ativista político norte-americano Martin Luther King, no dia 28 de agosto de 1963, nos degraus do Lincoln Memorial, em Washingto, D.C., como parte da como parte da Marcha de Washington por Empregos e Liberdade e no qual ele combatia o racismo e falava da necessidade de união e coexistência harmoniosa entre negros e brancos no futuro.  

 

 

 

 

 


Dentro da programação do Agosto da Alegria, que irá até o dia 31, a Galeria de Artes do IFRN Rio Branco abriga a exposição da Coleção Naif do Governo do RN, com curadoria da museóloga Ângela Ferreira, de segunda a sexta, das 8h às 21h. E no SESC-Centro, tem artes visuais com Flávio Freitas, com visitação de segunda a sexta, das 8h às 17h.

 

Amanhã, pela SimTV , Canal 17 - Sinal aberto -  e 21 - Cabo TV, é dia de Talento Potiguar, a partir das 11:15, com reapresentação no domingo, às 10:10. Sempre abrindo espaço para artistas consagrados e novos talentos do nosso estado.

 

Será neste sábado, das 08 às 11horas, na Escola Anísio Teixeira, próxima ao Palácio dos Esportes, o II Encontro Comunitário, promovido pela FECAP RN - Federação dos Conselhos e Associações Comunitárias do Rio Grande do Norte, que contará com a presença de representantes do CONAM - Conselho Nacional de Associações Comunitárias.

 

De acordo com a Ministra Marta Suplicy, serão liberados, para 2014, durante a Copa do Mundo, R$ 19 milhões para a cultura no Brasil, além de R$ 12 milhões para os espaços fan fests, que terão lugar nas cidades-sede. Perguntar não ofende: em se tratando do Rio Grande do Norte, será que sobrará alguma migalha para os nossos artistas?

 

O bairro de Felipe Camarão se prepara para comemorar mais um aniversário na próxima quarta-feira, dia 21, com uma edição especial do Show das Comunidades, que contará com a participação de vários artistas do bairro. O evento será gratuito, e se realizará a partir das 19:30 horas, na rua Antonio Carolino.


 

09 de Agosto de 2013 às 10h37

NÃO DÁ PARA FAZER POR MENOS?

O Rio Grande do Norte é conhecido por suas belezas naturais; disto nos orgulhamos e o Brasil inteiro sabe. O que o Brasil talvez não saiba é que o Rio Grande do Norte é um dos estados que mais desrespeita seus artistas e que mais bajula os artistas de fora. E não é culpa do povo, mas dos governantes que não fazem a menor questão de valorizar o que é nosso.

Tenho a impressão que depois que os americanos estiveram aqui durante a Segunda Guerra Mundial, ficou impregnado no inconsciente coletivo da nossa gente uma espécie de complexo de inferioridade, segundo o qual parece que tudo o que vem de fora é melhor do que o que existe aqui. E este complexo de inferioridade evoluiu com o tempo, ao ponto de hoje, embora tenhamos uma imensa riqueza cultural, não ocuparmos um lugar de destaque no cenário cultural do Brasil e nem mesmo do Nordeste. Aqui, há uma política de bajulação a cantores, grupos musicais e humoristas de estados como a Bahia, Ceará, Pernambuco e até da Paraíba, enquanto nossos artistas são tratados a pão e água. E a culpa da manutenção deste estado de coisas é do poder público que, mais do que desvalorizar nossos artistas, desrespeita-os, desde o valor de um cachê, passando pela forma de pagamento, e até ao tratamento pessoal. Existem vários exemplos do que estou dizendo, mas vou citar apenas um: um sambista das Rocas idealizou um belo projeto, que consiste na gravação de um CD resgatando sambas de grandes compositores daquele bairro, alguns dos quais se destacaram no Brasil. O sambista juntou um timaço de intérpretes da música potiguar e foi pedir o apoio a uma entidade cultural, no valor de doze mil reais (uma "merreca", comparada com o que o CD representa para a memória musical do nosso Estado. A entidade afirmou que só poderia "ajudar" com dois mil reais, um sexto do valor pleiteado. Diante de um fato tão vergonhoso, creio que posso dar aqui uma sugestão a esta entidade: quando for contratar um artista de fora,  antes de pagar sem discutir um cachê que muitas vezes gira em torno de R$ 100.000,00, bem que o gestor responsável pelo pagamento poderia perguntar à estrela nacional: "Não dá para fazer por menos?" E oferecer, também, um sexto do valor do cachê pedido. Como a resposta, com certeza seria não, ao invés de pagar uma fortuna a um artista de fora com nosso dinheiro, o órgão poderia contratar bons artistas locais por cachês mais modestos, porém decentes. Agindo assim, além de contribuir com a valorização da arte potiguar, o órgão também estaria economizando dinheiro de um estado que está à beira da falência.

 

 

 

 


Cangaço Tatuado no Traço, livro que mostra o talento de Reinaldo Azevedo, músico, artista plástico, pesquisador e também odontólogo, encontra-se à venda no Sebo Balalaika, no centro da cidade.

 

O Agosto da Alegria talvez tenha contribuído mais com a crise do Estado, com a contratação de artistas de fora por cachês altíssimos, do que com o fortalecimento da nossa cultura. Agora, sem dinheiro, não vai contratar ninguém. Mas, quando a crise passar, com certeza voltará a contratar atrações de outros estados a peso de ouro e a pagar migalhas a artistas daqui.

 

Os artistas de todas as áreas - música, dança, teatro, cinema, artes plásticas, artes circenses, etc -podem se cadastrar junto à Capitania das Artes para apresentarem projetos pela Lei Djalma Maranhão de Incentivo à Cultura. Existem R$ 5.400.000,00 disponíveis para serem utilizados pela Lei. Informações pelo Telefone 3232 4956, de segunda a sexta-feira, das 09 às 13 horas.

 

A próxima edição do Show das Comunidades, será para comemorar mais um aniveraário de Felipe Camarão, no próximo dia 21. O Show das Comunidades há 13 anos faz o que o poder público ignora: descobre talentos e promove a arte e a cultura nos bairros periféricos de Natal.

 

Glorinha Oliveira não pôde comparecer ao Teatro Riachuelo na sexta-feira passada, para abrir o show do Trio Irakitan, por motivo de estar com sua saúde debilitada. Tive o prazer de produzir seu primeiro disco e escrever, especialmente para ela a canção "Cidade Amor", que fiz questão de musicar junto com ela. Vamos torcer por sua melhora.

02 de Agosto de 2013 às 13h02

RATOS DE IGREJA

Dizer que o Papa Francisco é simpático, humilde, carismático e educado, virou redundância; não faz sentido, um artista popular como eu tentar comentar as atitudes surpreendentes de um papa que enfrenta engarrafamentos sorrindo, deixa o vidro do carro aberto, bebe chimarrão num canudo que alguém já usou, entra na casa de um favelado e "toma café em lugar de um copo de cachaça", abraça pessoas humildes, põe crianças no colo, desenha corações no vazio com as mãos, e que afirma não ser ninguém para julgar uma pessoa gay que procura Jesus. Não tenho como falar sobre este homem, porque as mudanças que suas atitudes já provocaram - e ainda vão provocar muito mais - no seio da Igreja e até da sociedade, ao meu ver são tão profundas, que apenas pessoas muito preparadas para interpretar de modo correto as palavras e as atitudes de Francisco poderão analisar as possíveis consequências dos gestos e palavras deste papa que já conseguiu fazer em poucos meses o que muitos dos seus antecessores não conseguiram realizar durante anos.

Muitas vezes os meios de comunicação são usados para iludir ouvintes, leitores, telespectadores e até eleitores incautos, através de gestos ensaiados e sorrisos pré-fabricados de autoridades e políticos treinados para forjar imagens falsas e causar boa impressão. Por isso, seria razoável supor que o Papa Francisco apenas obedeceu a uma estratégia de marketing para impressionar ao mundo na sua primeira viagem internacional, e melhorar a imagem da Igreja, desgastada por corrupção, pedofilia e desrespeito aos direitos de determinadas minorias. Mas não tenho medo de afirmar - e é apenas uma opinião pessoal - que os gestos que vimos e as palavras que escutamos daquele septuagenário de branco, embora pronunciadas pelo "Papa Francisco", partiram do coração de Jorge Mario Bergoglio. Basta conhecer sua história, ler sobre seu passado, assistir a documentários sobre sua vida que alguns canais de TV por assinatura já começam a exibir, para perceber porque o Cardeal Bergoglio afirmou que padres não podem "ser ratos de igreja", e ao invés ficar confinados nos templos deveriam ir às ruas e visitar as comunidades carentes para conhecer de perto a pobreza e a triste realidade dos excluídos. Ele falou do que estava acostumado a fazer: o exercício da caridade - ou, no mínimo, da luta por justiça social - no contato direto com os mais humildes, uma prática da qual muitos líderes religiosos vivem afastados.

Que Deus nos livre dos padres que não saem das igrejas, dos pastores que não saem dos templos e dos espíritas que não saem dos centros. Ah, e também dos gestores culturais que não saem dos gabinetes. 

 

 

 

 


PLANO ESTADUAL DE CULTURA

A Secretaria Extraordinária de Cultura, com a presença de representantes de 33 municípios finalizou o texto do Plano Estadual de Cultura, que será encaminhado para a votação pela Assembleia Legislativa no princípio de agosto. Até o momento, 85 municípios já aderiram ao Plano. 

 

REPRISE

No fim de semana passado, o programa Talento Potiguar foi especial, explicando a importância da Lei Djalma Maranhão. A repercussão foi tanta, que neste fim de semana estaremos reapresentando o programa que vai ao ar sábado pela SimTV às11:15, com reapresentação domingo, às 10:00 horas. Vale a pena assistir”.

 

DOMINGUINHOS

Com a velocidade com que ocorrem novos fatos a cada momento, escrever algo agora sobre a morte de Dominguinhos, pode parecer algo meio ultrapassado. Mas não é. Primeiro: nunca é demais falar sobre ele; segundo, vale a pena afirmar sempre que ali sim, era um ser humano humilde no mais amplo sentido da palavra.  

 

GRANDE ENCONTRO

Hoje, dentro da programação do Palco Brasil, um encontro que vai proporcionar prazer aos ouvidos e emoções aos corações: Trio Irakitan e Glorinha Oliveira. É no Teatro Riachuelo, numa promoção da IDEARTE.

 

IDH

Parnamirim está de parabéns: segundo dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Parnamirim ocupa uma posição de destaque na conquista do IDH sendo o primeiro colocado entre os quatro municípios potiguares que conquistaram IDH alto. Mas 97% dos municípios do estado ainda estão com baixo ou médio IDHM.

26 de Julho de 2013 às 14h50

PORQUE OS ARTISTAS NÃO PROTESTAM?

O povo está nas ruas. Todos nós sabemos que as manifestações iniciadas a algum tempo e que estão se tornando quase rotineiras, representam o surgimento de uma nova maneira de reivindicar direitos da população e deveres dos governantes. Estudantes, profissionais liberais, trabalhadores e várias entidades representativas da sociedade gritam por mudanças e, embora vândalos, marginais e pessoas sem escrúpulos se infiltrem entre aqueles que realmente sonham com um país melhor, o Brasil clama por mudanças. A economia dá sinais de fraqueza, a inflação ameaça botar as unhas de fora mas, pelo menos por enquanto, os políticos corruptos continuam impunes e os demagogos tentam mudar o discurso, embora pareça que algo novo realmente está no ar. 

Embora saibamos que é lastimável o estado em que se encontram a Saúde, a Educação, a Segurança e os Transportes, ainda existem outras áreas cujos problemas são tão graves quanto estes quatro que têm prioridade na pauta dos manifestantes: o estado das nossas rodovias, o problema da moradia, a sujeira das cidades, a impunidade tanto para políticos corruptos como para marginais comuns. E também existe uma área que é esquecida e até maltratada  pelos gestores: a cultura.

Talvez a cultura não seja colocada entre as prioridades daqueles que lutam por mudanças, por duas razões: primeiro, pelo fato de que, realmente os quatro temas que são alvo das manifestações exigem mudanças radicais e urgentes, por se tratarem de problemas de maior gravidade; segundo, porque, no nosso país, a cultura é considerada como algo de elite. Todavia, muitos daqueles que militam na área da cultura - principalmente os artistas populares - vivem em dificuldades e sentem na pele todos os problemas comuns à grande maioria de população. Entretanto, não se tem visto nas manifestações a participação ostensiva de artistas buscando pelos seus direitos. E aqui cabe a pergunta: Porque os artistas não protestam? Por uma razão muito simples: as entidades que dizem representar os interesses da classe artística não têm poder de mobilização e nenhuma credencial que as qualifiquem para tal, pois geralmente são entidades corporativistas que descriminam os verdadeiros artistas populares, só lutam em defesa de uma minoria privilegiada e embora tentem assumir uma posição em defesa da classe artística, só lutam em seu próprio interesse. 

 

 

 


MERCADO DE PETRÓPOLIS

Aos poucos o Mercado de Petrópolis  vai ganhando cara nova e volta a ter uma programação cultural permanente, com a realização semanal da Quarta Cultural, uma idealização da Associação dos Permissionários do Mercado de Petrópolis.

 

SAINDO POR NÃO TER O QUE FAZER

A saída de Franklin Jorge da Fundação José Augusto, onde exercia o cargo de diretor da Pinacoteca do Estado há cerca de sete  meses, seria apenas um fato normal no serviço público, onde alguém que ocupa um função resolve deixar o cargo, se o ex-diretor não tivesse alegado um motivo no mínimo sui-generis:  alegou estar saindo por que lá “o trabalho foi extinto”.

 

NOBEL SALGADO FILHO

Sob a direção do escritor Aluizio Azevedo Filho, a Livraria Nobel da Avenida Salgado Filho  é um lugar acolhedor, onde, além de contar com mais de 20 mil livros à disposição dos clientes, tem um espaço reservado para autores locais e organiza periodicamente saraus, exposições, lançamentos de livros e contação de histórias infantis.  

 

OBSCURIDADE

Enquanto nossos gestores não perceberem que a Cultura tem desdobramentos na área social, nossos mamulengueiros, cantadores, compositores, forrozeiros, cantores populares, atores, artesãos e tantos outros que militam na seara da cultura popular, estarão sempre à margem do mercado de trabalho e da mídia. Consequência: nosso estado continuará ocupando uma posição obscura na cena cultural do Nordeste. Até quando, só Deus sabe.

 

ORDEM DOS MÚSICOS

Os músicos práticos que sobrevivem do seu ofício podem ficar tranquilos: têm o direito de trabalhar garantido pela Constituição e, apesar de algumas postagens intimadoras no Facebook por parte do dirigente de um órgão classista que nada faz pelos músicos potiguares, a Ordem dos Músicos, não pode fiscalizar nem multar profissionais da música, a não ser os que têm formação técnica.

19 de Julho de 2013 às 10h22

A FLOR (MURCHA) DO CARIBE

Quem assiste ao programa Talento Potiguar, ou me segue pelo twitter e pelo facebook, sabe da indignação que expressei várias vezes  (e continuo expressando) acerca da novela Flor do Caribe. Eu sempre achei que, apesar de todo o estardalhaço feito pela imprensa e pelos gestores do Turismo no nosso estado, a novela não promoveria a nossa cidade como deveria.

Sou amigo pessoal de Renato Fernandes, Secretário Estadual de Turismo, por quem tenho grande admiração e, embora não seja amigo pessoal de Fernando Bezerril, Secretário de Turismo da Prefeitura de Natal, tenho com ele uma relação cordial. Conheço a competência e o profissionalismo de ambos e sei que os dois realmente elaboraram planos para tirar proveito (no bom sentido) da novela em benefício do Turismo potiguar. Os dois Secretários fizeram sua parte. O grande problema é que a TV Globo não ligou a mínima para promover  Natal como destino turístico. 

Na novela, quando aparecem as nossas belas paisagens, a música de fundo é quase sempre de Alceu Valença, de Paula Fernandes, ou de outros artistas que a maioria dos telespectadores nem sabe quem é; nunca foi mostrado sequer um trecho de uma música de um artista nosso. Os personagens da novela de vez em quando falam em Natal e às vezes usam expressões se referindo ao "hospital" ou à "delegacia" de Parnamirim. Nunca foi mostrada a obra de um artista plástico nosso, nunca um personagem da novela apareceu citando nosso artesanato, nem detalhes da nossa história; não me lembro de nenhum deles ter visitado o Forte dos Reis Magos ou ter assistido a uma apresentação de um grupo folclórico de Natal. Até uma festa junina que a novela mostrou foi animada por um desconhecido trio de forró pé-de-serra com sotaque paulistino (sotaque de nordestino que mora há muito tempo em São Paulo). Como consolo, de vez em quando aparece na tela o morro do careca, o que é  pouco.

O resultado deste descaso é que a Flor do Caribe teve para o nosso Turismo um efeito contrário ao que se esperava: as previsões de ocupação hoteleira para o mês de julho em Natal sofreram uma queda, o que mostra que minha indignação tem razão de ser. 

Agora, estão montando estratégias de última hora para reverter o quadro. Mas não adianta. O tiro saiu pela culatra e a culpa não é dos nossos gestores. A estas alturas, o prejuízo é inevitável e não há como negar que, para o turismo potiguar, a Flor do Caribe não passou de uma rosa murcha. 

 

 


 

 

PERDA

Domingo passado, o Rio Grande do Norte perdeu mais um ícone do seu folclore, com a morte do mestre Sérvulo, de Santo Antônio do Potengi. Um dos principais representantes das nossas tradições culturais, particularmente da cidade de São Gonçalo do Amarante, ele era mestre dos Congos de Calçola e brincante do Pastoril Estrela do Norte.

 

ESQUECIDOS

Artistas circenses do Rio Grande do Norte reclamam das dificuldades encontradas para trabalhar. Além da falta de público, a burocracia torna praticamente impossível a donos de circos pequenos manter os seus circos em atividade. E pouquíssimos  deles têm acesso aos editais da FUNARTE, que disponibiliza recursos para circos de todo o Brasil, através do projeto Carequinha de Incentivo ao Circo.

 

ACUADOS

As manifestações ocorridas em todo o Brasil vão proporcionar muitas mudanças no País. Por causa delas, a partir de agora, os  políticos estão acuados pela força das mobilizações e terão que pensar duas vezes antes de fazer bobagem. E alguns eleitores, ao invés de votar em políticos que sabem fazer política, talvez passem a votar em pessoas que saibam fazer projetos.  

 

NOITE DO CANTOR POTIGUAR

Hoje, no Plaza Casa Show, na Avenida Itapetinga, na Zona Norte, a partir das 22 horas, acontece a Noite do Cantor Potiguar, uma realização da ANDAR, que terá 10 atrações: Messias Paraguai, Luiz Almir, Carlos Alexandre Júnior, Jorge Luiz, Ari Maia, Fernando Luiz, Edvanilson Show, Riva Junior, Kaio, o Garotinho do Forró e Fernando Luna.

 

MUITO MAL

Como em todos os estados do Brasil, o Rio Grande do Norte vai mal  nas áreas da Saúde, da Educação, da Segurança e da Mobilidade Urbana. Com um agravante: nosso estado também vai muito mal no Turismo, no incentivo à Cultura, no respeito aos nossos artistas e no Futebol.

12 de Julho de 2013 às 13h19

SEMPRE POR BAIXO

Quando eu defendo com unhas e dentes uma melhor remuneração por parte do poder público para nossos artistas, não estou apenas lutando pela valorização do que é nosso: também estou mostrando que pagar míseros cachês a nossos talentos tem consequências funestas para o mercado da arte e até para a nossa economia. Senão vejamos:

1 - Quando vem um artista de fora fazer show na nossa cidade contratado por um órgão público, o cachê (que é pago antecipadamente), na pior das hipóteses é de R$ 50.000,00 (sem falar que existem a cachês de 80, 90, 100 e até 150 mil reais).

2 - Quando o show é de um artista da terra, por mais talentoso que este seja, o cachê nunca é superior a R$ 5.000,00, que são pagos através de um sistema burocrático, em que o artista leva semanas e até meses para receber seu cachê.

3 - Com um cachê que mais parece uma esmola cultural, que vem com Imposto de Renda descontado, nosso artista tem que pagar (mal) aos seus músicos, a um estúdio para ensaiar, e não tem como investir em um guarda-roupa decente nem na compra de bons equipamentos, o que faz com que seus show não tenha o nível artístico desejado.

4 - Enquanto a atração nacional  ganha em média quinze ou vinte vezes mais que os daqui, nosso artista, depois de pagar todas as despesas, fica com uma "merreca" de saldo, para pagar suas dívidas (algumas das quais, com certeza, já atrasadas)...

5 - Conclusão: ganhando mal e recebendo seu cachê com semanas - ou meses -  de atraso, os  nossos artistas, por não terem como investir na própria carreira, na compra de bons instrumentos musicais, na elaboração de bons cenários para seus shows e para a gravação de CD's e DVD's, estão sempre realizando um trabalho aquém do seu potencial. E pior de tudo é que a iniciativa privada se "inspira" no modelo oficial para dar também aos nossos talentos um tratamento vergonhoso e  desrespeitoso.

6 - Este modelo cruel tem consequências negativas para nossos artistas, para o mercado, para os músicos e, principalmente, para a arte e a cultura potiguar que, embora rica, não pode ser mostrada em toda a sua plenitude, o que nos leva a uma situação vergonhosa e humilhante: estaremos sempre numa posição de inferioridade com relação aos artistas de outros estados, que serão sempre considerados os melhores, embora muitas vezes seu potencial seja inferior aos artistas da nossa terra. Por causa disto nossos artistas, - até mesmo os melhores - estarão sempre por baixo. 

 

 

 


OPORTUNIDADE - Além de contribuir para o incremento da economia, do segmento publicitário e do mercado de eventos, o surgimento da TV Metropolitano, de Parnamirim representa uma excelente oportunidade para o desenvolvimento da arte e da cultura na região. Espero que os gestores municipais percebam isto e que não deixem passar esta oportunidade. 

 

ECAD - Tudo indica que a farra do ECAD com o dinheiro dos artistas está com os dias contados. Com a aprovação da lei 129/12 pelo Senado e com a garantia de que também será aprovada na Câmara e sancionada pela presidenta Dilma Roussef, o órgão arrecadador, agora terá suas ações fiscalizadas pelo Ministério da Cultura, além de ter sua taxa de administração reduzida de 25% para 15%. 

 

NOITE DO CANTOR POTIGUAR - A Noite do Cantor Potiguar, evento promovido pela ANDAR, que se realizaria nesta sexta-feira, dia 12, foi adiada para a pró-xima sexta, dia 19.  O evento será realizado no Plaza Casa Show, na Zona Norte e contará com a presença de 10 cantores natalenses, como Luiz Almir, Fernando Luna, Jorge Luiz, Carlos Alexandre Júnior, Messias Paraguai e, é claro, Fernando Luiz. 

 

GLORINHA OLIVEIRA - O projeto Palco Brasil fechou mais um show no Teatro Riachuelo e traz ao público o Trio Irakitan e a participação especial de Glorinha Oliveira, em celebração aos seus 88 anos, no próximo dia 2 de agosto.  Os ingressos custam R$ 100 e R$ 50 (meia). 


 

05 de Julho de 2013 às 13h20

UMA SUGESTÃO A DOIS "CIDADÃOS NATALENSES"

Todos sabem que a concessão de um titulo de cidadania é concedido (pelo menos deveria) a alguém que, não tendo nascido em determinada cidade ou estado, tenha feito algo em benefício da comunidade em que vive, ao ponto de merecer esta honraria, concedida por uma Câmara de Vereadores, ou Assembleia Estadual. Entretanto, embora eu não pretenda criticar nenhuma Casa Legislativa por concessão de títulos que, pessoalmente eu possa considerar injusta, não há como negar que certos títulos de cidadania concedidos pela Câmara Municipal de Natal há alguns anos, foram frutos de interesses corporativistas (ou outros tipos de interesse que não me compete colocar aqui), por terem sido auferidos a pessoas que, embora sejam profissionais sérios e pessoas respeitadas, jamais mereceriam, em hipótese alguma receber tal honraria. 

Cito aqui dois exemplos: os títulos de "cidadão natalense" concedidos a Cláudia Leite e Ricardo Chaves retratam uma situação absurda, simplesmente porque os dois, apesar de serem pessoas simpáticas e artistas bem sucedidos, não fizeram nada - ABSOLUTAMENTE NADA - para merecerem tal honraria. Os dois artistas baianos nada mais fazem do que vir aqui para ganhar dinheiro - e não é pouco - e não existe nada de errado nisto. O que existe de errado é que eles, mesmo sendo "cidadãos natalenses", APENAS ganham dinheiro para fazer shows em Natal e nada fazem - pelo menos que eu saiba - por nossa cidade, em contrapartida pelo título que receberam. Aliás, Claudia Leite "fez": desenhou um violão e doou o quadro a uma instituição de caridade, o que é pouco; aliás, não é nada.

O Brasil está - mais do que nunca - mudando. E cada pessoa (inclusive os artistas) tem a obrigação de dar sua contribuição para, dentro das suas possibilidades, contribuir de uma forma ou de outra, com estas mudanças e procurar, fazer sua parte até mesmo para ajudar a diminuir as desigualdades sociais. É por isso, que deixo aqui uma sugestão aos "cidadãos natalenses" Cláudia Leite e Ricardo Chaves: que quando vierem fazer shows em Natal (no Carnatal, por exemplo), façam uma doação de pelo menos 10% dos seus cachês para instituições daqui. Não as que já são conhecidas, e que recebem vários tipos de ajuda; mas entidades que lutam com dificuldade, como a Ilha da Música, por exemplo, que é uma ONG comandada por Gilberto Cabral que trabalha com crianças e adolescentes da comunidade da África, na Redinha.

Se de alguma forma esta sugestões chegarem aos baianos e eles a acatarem, com certeza, ganharão mais fãs, mais respeito e eu, pessoalmente, sempre que me referir a eles, os chamarei de CIDADÃOS NATALENSES. Assim mesmo: com letra maiúscula e sem aspas.

 

28 de Junho de 2013 às 15h03

UMA MENTIRA DESLAVADA

Segunda-feira passada, dia 24, participei do Júri da Final do FORRAÇO 2013, atendendo a um convite de Antônio Nápoles, da InterTV Cabugi e coordenador do evento. O nível das 14 músicas finalistas estavam dentro da minha expectativa e algumas músicas chamaram minha atenção por conquistarem de imediato o gosto do público presente. Mas o que me impressionou mesmo foi o grande público que prestigiou o evento.

Todos nós sabemos da força da InterTV Cabugi, como também o fato de que, por ser um festival que já está na sua décima terceira edição, o FORRAÇO já tem força suficiente para levar um grande número de pessoas para torcer pelos seus artistas e suas canções preferidas. Todavia, não devemos nos esquecer que o FORRAÇO é um festival de músicas juninas, inéditas e, embora alguns dos seus participantes já sejam conhecidos e todos sejam bastante talentosos, nenhum deles é o que se chamaria de uma estrela da música potiguar com grande popularidade. Portanto o grande público presente ao evento foi prestigiar nossos talentos e nossa cultura.

Projetos como o FORRAÇO, como o Ensaio Geral (também realizado pela InterTV Cabugi e coordenado por Antônio Nápoles no período carnavalesco) e até mesmo o Show das Comunidades, que idealizei e coordeno há 11 anos, jogam por terra a velha máxima de que "eventos musicais em locais abertos só obtêm sucesso se contarem com a participação de grandes nomes nacionais". 

Como a grande maioria dos eventos gratuitos realizados durante períodos festivos são sempre promovidos pelo poder público, como Carnaval, São João, Ciclo Natalino e eventos pontuais (Agosto da Alegria, por exemplo), é sensato supor que, embora seja necessário contratar artistas nacionais, isto deve ser feito tendo em vista a necessidade de oferecer às pessoas, de vez em quando, shows de nível nacional e não porque "os nossos artistas não levam público". 

E quando as atrações nacionais são contratadas por cachês milionários, sendo tratadas como semideuses e com destaque na mídia, enquanto os nossos artistas recebem míseros cachês, e não têm o tratamento privilegiado dos "forasteiros culturais", aí a coisa se torna mais séria. Aliás, até merece um pouco mais de atenção por parte de todos nós, neste momento de mudanças pelo qual passa o Brasil.

Os gestores públicos precisam remunerar melhor e também respeitar mais os artistas potiguares, pois o conceito de que nossos artistas não têm público, é um grande equívoco, um falso mito. Ou, como se diz na linguagem popular, uma mentira deslavada.

 

21 de Junho de 2013 às 12h51

A HISTÓRIA DO SHOW DAS COMUNIDADES (FINAL)

Com a denominação de Talento Potiguar/Show das Comunidades, o projeto ganhou nova dimensão e o nosso trabalho começou a ganhar reconhecimento através de várias homenagens que só nos estimularam a continuar. 

Em 2006 recebemos uma menção honrosa da Câmara Municipal de Natal, numa proposição do então vereador Hermano Moraes; em 2008 a Escola de Samba Balanço do Morro nos homenageou com o Samba-Enredo "Fernando Luiz é Talento Potiguar"; em 2010, a Câmara Municipal de Natal realizou uma sessão solene especial em reconhecimento ao nosso trabalho, numa proposição do vereador Ney Lopes Júnior e em 2011, recebemos uma menção honrosa da vereadora Júlia Arruda, quando lançamos o guia cultural Talento Potiguar.

No dia 15 de março deste ano, o Show das Comunidades completou onze anos de existência, atravessando três administrações municipais e três estaduais e tornando-se o projeto cultural mais duradouro e com maior alcance social do Rio Grande do Norte, tendo uma vida útil muito mais longa e trazendo muito mais benefícios à cena cultural da cidade do que alguns projetos similares oficiais, com custos muito mais altos, e resultados práticos pífios (se comparados aos conquistados pelo Show das Comunidades). 

Durante todos estes anos, vinte bairros das quatro regiões administrativas de Natal puderam aplaudir seus talentos, num total de 79 shows realizados entre março de 2002 e abril de 2013, ao mesmo tempo em que milhares de pessoas tiveram a oportunidade de conhecer um pouco da arte e da cultura verdadeiramente popular, através de um evento gratuito que proporciona conhecimento, lazer e diversão a milhares de pessoas por meio dos shows gratuitos, do programa de TV Talento Potiguar e da revista do mesmo nome. 

Durante este período, inúmeras empresas tiveram a oportunidade de apoiar artistas iniciantes, escolas puderam mostrar seu trabalho na área da música, da dança, do folclore e da literatura, e dezenas de artistas puderam mostrar seu trabalho.

Apesar de tudo o que já foi feito, não hesito em afirmar: estamos só no começo; ainda hei de trabalhar muito em benefício do talento potiguar. Desta missão não abro mão.

 

14 de Junho de 2013 às 11h41

A HISTÓRIA DO SHOW DAS COMUNIDADES (4)

O projeto Futuro Feliz, braço educacional do Show das Comunidades se consolidou. Trabalhar com crianças carentes foi uma das coisas mais gratificantes que já fiz na minha vida. Durante cinco anos o Futuro Feliz funcionou no Centro Social de Aparecida, na Rua Guanabara, em Mãe Luiza e por ele passaram mais de 100 crianças durante o período em que funcionou, sendo que, anualmente podiam matricular-se um máximo de 60 alunos, que eram divididas em duas turmas, uma pela manhã e outra à tarde, de segunda à sexta-feira, cada turma com 25 alunos. 

Durante este período criamos um Coral, eu participava de encontros mensais com os pais, fazíamos programações culturais, beneficentes  e de lazer como passeios, datas comemorativas (Páscoa, Dia das Mães, Dia das Crianças, Dia dos Pais, Natal, etc.) e bazares e rifas para arrecadar fundos para ajudar a manter o projeto

O tempo passava, o Show das Comunidades se consolidava. Em 2005, depois de três anos de tentativas, o projeto foi aprovado pela Lei Djalma Maranhão. Em 2007 já tínhamos realizados mais de 40 eventos em bairros de Natal e criado outros projetos paralelos sempre procurando desenvolver atividades que beneficiasse as comunidades por onde o Show das Comunidades passava. 

Idealizei o projeto Sementes do Amanhã, que realizava plantio nas escolas dos bairros visitados pelo projeto; o jornal Talento Potiguar, que depois se transformou em revista e hoje é o Guia Cultural Talento Potiguar; o projeto Talento Solidário, que distribuiu durante dois anos consecutivos cestas básicas com famílias de comunidades carentes visitadas pelo Show das Comunidades; o concurso Comunidade Fashion, que descobria talentos na área da moda nos bairros e que dava à vencedora o troféu Fernanda Tavares à vencedora. 

Apenas a partir da sua 5ª edição o Show das Comunidades  teve o patrocínio da Lei Municipal de Djalma Maranhão, o que foi fundamental para sua continuidade e a melhoria da sua estrutura: substituímos o palco da Urbana por um palco maior, melhoramos o som e a iluminação, e demos início à gravação da série de 05 CD's Show das Comunidades. 

Desde então o projeto só tem crescido e virou referência em todo o estado. Mas a nossa maior vitória viria apenas em 2008, quando eu idealizei e consegui colocar no ar o programa semanal Talento Potiguar, que era apresentado aos domingos pela TV Tropical. A partir de então o projeto passou a ser denominado Talento Potiguar/Show das Comunidades. 

 

07 de Junho de 2013 às 00h00

A HISTÓRIA DO SHOW DAS COMUNIDADES (3)

Para produzir o Show das Comunidades, eu fazia tudo sozinho: visitava os comerciantes dos bairros em busca de patrocínio, tomava todas as providencias relativas à documentação de praxe exigida pelos órgãos públicos, acompanhava a montagem da estrutura, realizava o trabalho de divulgação junto à imprensa, fazia a programação dos artistas, apresentava o show e, de quebra ainda cantava.

O segundo show foi no conjunto Soledade I, no dia 26 de abril de 2002, uma sexta-feira. No dia do evento caiu uma forte chuva e embora à noite não estivesse chovendo, fomos prejudicados, pois com o tempo nublado e as ruas repletas de poças d'água, as pessoas não quiseram sair de casa, o que fez com que um público de cerca de apenas 150 pessoas comparecessem. 

Programei o terceiro Show das Comunidades para o Bairro de Mãe Luiza e enfrentei a resistência dos membros da Diretoria da ANDAR, que afirmaram ter aquele bairro um elevado índice de violência e marginalidade. Aleguei que, se o projeto tinha como meta principal visitar exatamente os bolsões de pobreza e os bairros populosos, como Mãe Luiza poderia ficar de fora?

Na última quarta-feira do mês, realizamos o show em Mãe Luiza. E dentre os artistas do bairro que se apresentaram, um grupo de danças infantil e uma dupla de adolescentes imitando Sandy e Júnior fizeram bastante sucesso. Descobri que aquelas crianças faziam parte de um reforço escolar mantido por um jovem voluntário chamado Cícero dos Ramos.  

Ao ser informado que o rendimento dos alunos do Reforço Escolar Sabedoria da Criança tinha melhorado bastante nas suas respectivas escolas, decidi ajudar a Cícero. Reuni-me com ele e comuniquei-lhe minha decisão. Em seguida, aluguei o Centro Social de Mãe Luiza pelo valor simbólico de R$ 50,00, graças à compreensão do seu presidente, senhor Saturnino, conhecido líder comunitário do bairro. 

Consegui com amigos a doação do fardamento e da merenda  e, uma semana depois, o Reforço Escolar Sabedoria da Criança estava funcionando no seu novo endereço, no Centro Social de Mãe Luiza, na Rua Guanabara. Batizei o projeto de Futuro Feliz e a partir daquele momento o Show das Comunidades, que já tinha um alcance social, passou a ser também um projeto com desdobramentos na área da educação. Para mim, era a realização de um sonho antigo: trabalhar com crianças carentes. 

31 de Maio de 2013 às 00h00

A HISTÓRIA DO SHOW DAS COMUNIDADES (2)

Entre  os anos de 1984 e 1990, período em que eu era um dos principais nomes da Música (dentro do meu estilo musical, é claro) no Norte e Nordeste, vendendo milhares de discos, realizei centenas de viagens para dezenas de cidades destas duas regiões, não só para divulgar meus discos, como também para fazer shows. Sempre interessado na cultura de outras regiões, aproveitei muitas destas minhas viagens para me informar acerca das tradições culturais e do movimento artístico das cidades por onde passava. 

Foi a partir destas observações aparentemente desinteressadas, que eu comecei a perceber que nos estados do Ceará, Paraiba e Pernambuco - os que eu visitava com mais frequência - não só havia uma maior integração cultural entre as capitais e as principais cidades do interior como também existiam nas capitais destes estados shows gratuitos em bairros populosos promovidos por emissoras de Rádio e TV, com o patrocínio de várias empresas.  E estes shows contribuíam imensamente para revelar novos talentos, divulgar o trabalho de artistas locais, gerar renda nas comunidades, levar lazer e cultura a uma população carente, além de contribuir para o fortalecimento da cena cultural daquelas cidades.

Aos poucos, comecei a perceber que o Rio Grande do Norte, apesar da sua riqueza cultural, era o estado onde menos se valorizava os artistas de origem popular, onde era maior a falta de integração da cena cultural da capital com o interior e onde mais se valorizava artistas de outros estados, dando a estes um tratamento infinitamente superior aos da própria terra, inclusive em termos de pagamento de cachês. E isto muito me incomodava.

No final dos anos 90 eu já tinha saído da Gravason e o meu ritmo de viagens tinha diminuído. Com o tempo livre para exercer outras atividades ligadas à música,  resolvi seguir o exemplo de Fortaleza e do Recife e idealizei um projeto não só para realizar shows nos bairros carentes de Natal, como também para dar a estes shows um sentido mais amplo do que simplesmente levar entretenimento às comunidades carentes: meu objetivo era valorizar os artistas dos bairros periféricos e descobrir novos talentos nos bairros populosos e nos bolsões de pobreza. Foi aí que tive a ideia de criar o Show das Comunidades, cuja primeira edição foi realizada no dia15 de maio de 2002, uma sexta-feira, na Avenida da Chegança, no bairro de Nova Natal.  

24 de Maio de 2013 às 13h41

A HISTÓRIA DO SHOW DAS COMUNIDADES (1)

A partir de hoje, e de forma resumida, eu vou contar, nas próximas quatro edições, a história do Show das Comunidades, como havia prometido, para que os leitores de O Metropolitano possam conhecer de perto as dificuldades de se implantar e manter no nosso estado um projeto cultural com alcance social.

No ano de 1984, depois de 15 anos como profissional, quando já pretendia abandonar a vida artística e desiludido com tantas decepções, eu consegui realizar o sonho de me tornar um artista conhecido. Já tinha praticamente desistido de tentar a sorte no disco e se ainda continuava a cantar era pura e simplesmente por uma questão de sobrevivência. 

Tendo começado a cantar profissionalmente em 1969, eu já tinha trabalhado como disc-jóquei na Rádio Nordeste AM de Natal entre janeiro de 1972 e dezembro de 1973, já sido crooner dos Apaches, em Natal, dos 17 aos 21 anos, ganhador do maior Concurso de novos talentos da época, o Calouro Exportação, da Buzina do Chacrinha, na TV Tupi, aos 22, cantor da noite no Rio de Janeiro dos 23 aos 26 anos, eu já tinha passado por algumas experiências dolorosas na minha árdua luta. 

Em 1975 gravei um compacto que vendeu apenas 50 cópias. Dois anos depois, em 1977, tomei uma decisão: joguei tudo pro alto e decidi trabalhar em outra atividade para sustentar a minha família. Fui ser vendedor de livros na Abril Cultural.

Em 1980, depois de ter morado durante sete anos no Rio de Janeiro, voltei para Natal e em 1982, fui trabalhar na Rádio Trairy como disc-jóquei. Naquele ano gravei meu segundo disco, outro compacto simples patrocinado pelo então Deputado Estadual Osvaldo Garcia. O disco vendeu 1.680 cópias e foi a partir de então que eu passei, literalmente, a conhecer de perto a árdua luta de um cantor popular, para sobreviver no mundo da Música. 

Fiz dezenas de shows em localidades longínquas para públicos exíguos, cantei em circos descobertos para plateias minúsculas, enfrentei vaias de jovens mal educados em cidades do interior, recebendo míseros cachês, tendo que suportar a prepotência de contratantes bossais e, não raro, desonestos. 

Mas, em 1984, ao gravar meu primeiro LP, tornar realidade o sonho que eu havia perseguido por mais de 15 anos: tornar-me um artista conhecido. E decidi que um dia, faria um trabalho que pudesse proporcionar a artistas principiantes a oportunidade de se lançar no mercado de trabalho. 

17 de Maio de 2013 às 12h47

No meu artigo anterior, eu havia me comprometido a contar aqui, durante algumas semanas, a história do Show das Comunidades. Entretanto, surgiu um fato novo que achei necessário comentar, por isto resolvi adiar para as próximas edições a saga do Show das Comunidades.

No dia 10 passado, foi o aniversário de 50 anos de Pedrinho Mendes. Houve uma homenagem a ele no Palácio da Cultura e como eu estava em Nova Cruz, não pude comparecer, mas  vários artistas amigos do grande cantor e compositor foram homenageá-lo.

Pedrinho Mendes sempre foi aplaudido e prestigiado pelo seu público,  particularmente pelos natalenses; aliás, ele também tem sido aplaudido, elogiado e até bajulado, ao longo dos anos, pelo poder público. Entretanto, este poder público que sempre o elogiou, só esqueceu-se de uma coisa: de respeitá-lo como artista. Isto ficou bem claro no ano passado quando, ao realizar, ao lado de Sueldo Soares, um show em um evento cultural promovido por uma instituição cultural estadual, Pedrinho e seu parceiro receberam um cachê vinte vezes menor do que o que foi pago a Alceu  Valença, que embolsou a grana antes de subir no palco, enquanto Pedrinho e Sueldo, ícones da música potiguar, demoraram  semanas para receber o pagamento pelo show que ambos realizaram.

A falta de respeito a Pedrinho é apenas a ponta de um iceberg: há décadas nossos artistas são desrespeitados: são desprestigiados quando vivos, e esquecidos quando mortos; aliás, quando mortos, são "lembrados" de vez em quando pelo poder público, quando este realiza eventos pontuais e os "homenageiam" in memorian usando imagens dos "homenageados" em campanha de publicidade para aumentar sua popularidade (do poder público; não dos artistas, pois estes não precisam).

Decididamente, nossos governantes não dão bolas para nossos ícones culturais, não importa em qual área da arte e da cultura eles atuem: aqui os gestores públicos - com raras exceções - não têm a mínima consideração por cantores, compositores, atores, escritores, humoristas, artistas plásticos... Mas alguns artistas queridinhos" do poder público de vez em quando recebem algum apoio por força de influência pessoal (ou outros tipos de "influência"). Mas para cada um destes poucos artistas privilegiados, existem outros dez vivendo em situação difícil (às vezes até de penúria)  pelo simples fato de que, mesmo tendo nascido numa terra culturalmente rica, não recebem dos governantes o tratamento que merecem. 

10 de Maio de 2013 às 11h07

Há algumas semanas resolvi visitar meu amigo Roberto Costa Lima, diretor do jornal Metropolitano com o objetivo de conseguir um espaço no seu jornal, para escrever uma coluna semanal que tivesse como principal objetivo defender nossa arte e nossa cultura, e incentivar o surgimento de novos talentos em todas as áreas. 

Como artista popular, pertencente ao estilo que o mercado fonográfico rotulou como "brega", sempre enfrentei muitas dificuldades no exercício da minha profissão de cantor, dificuldades estas que só foram amenizadas porque, graças a Deus, eu canto brega, mas não penso brega: sempre enxerguei a arte como instrumento de inclusão  social. Por causa deste meu modo de ver as coisas, tornei-me um observador da cena cultural do Rio Grande do Norte e de outros estados por onde passei divulgando meus discos e fazendo shows durante toda a década de oitenta e início dos anos noventa do século passado. Isto me mostrou que, embora no Brasil a cultura seja sempre colocada em segundo plano, aqui, no nosso estado é muito pior: ela é falsamente considerada como algo elitizado ao alcance de uma minoria de privilegiados. Por causa desta visão errada, nossos artistas populares têm o pior tratamento possível, principalmente por parte do poder público, mesmo que sejam amados e respeitados pelo grande público em geral.

Na tentativa de mudar alguma coisa, decidi ir a luta, depois que a fase áurea do meu sucesso passou: em 2002 tomei uma série de iniciativas e criei inúmeros projetos visando sempre a preservação da nossa cultura e a defesa dos nossos artistas. E foi na busca de mais um espaço para divulgar nossas ideias e continuar nossa luta difícil - mas não inglória - , que procurei meu amigo Roberto Costa Lima, no que fui prontamente atendido. 

A partir desta edição, estarei ocupando semanalmente um espaço com a publicação de uma coluna que intitulei de Conversa Afinada. 

Agradeço profundamente a atenção que me foi dada pela diretoria e pela equipe do Metropolitano. A partir da próxima semana, estaremos contando a história dos nossos projetos e depois passaremos a utilizar este precioso espaço para continuar a fazer o que faço há 11 anos: defender a valorização do talento potiguar.

 


JM